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    Novos tempos, antigas lembranças

    Tellurian
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    Novos tempos, antigas lembranças Empty Novos tempos, antigas lembranças

    Mensagem por Tellurian em Qua Jul 10, 2019 3:34 pm

    Se existe algo que nunca vai mudar, é o vento.

    A sensação dele no rosto, o gosto salgado da maresia... Eu ainda sinto o mesmo cada vez que o vento sopra. Não importa quanto tempo passe. Não importa o quanto as circunstâncias mudem.

    A Harley-Davidson é uma marca que ficou famosa pelo som característico que suas motos fazem. É simplesmente foda. Não tem outra palavra pra descrever o quão do caralho é a sensação de se ouvir esse som enquanto se cavalga 66 cavalos a toda numa reta em direção ao pôr do sol. É indescritível. Você se sente foda. Se sente... Bom, como um Deus.
    E eu gosto do mar. Sempre rodo por estradas próximas à costa. Você pode me chamar de saudosista, se quiser. Pode chamar de nostalgia, mas eu curto o som das gaivotas e esse lance de o suor secar e deixar uma camada de sal na sua pele.

    Mas eu já estou rodando à horas. E existem coisas mais importantes a se fazer. Mesmo quando o mundo acha que você está morto, mesmo quando ninguém mais acredita em você, existem coisas a se fazer.

    Eu paro numa birosca à beira da estrada quando o sol se põe. Nada dessas porras sofisticadas onde um sanduíche de mortadela custa tão caro que você precisa de um financiamento bancário pra poder bancar seu lanche. E o pior, não vendem cerveja.

    Quer saber qual o lugar bom pra parar na estrada? Procure por caminhões. Onde tiver um monte desses caras estacionados, pode ir. É sinal de comida boa e barata. E cerveja. Pode ser que você passe por um aperto de vez em quando, principalmente quando dois caminhoneiros bêbados decidem que tá na hora de quebrar o bar e saem na porrada, levando todo mundo em volta com eles.

    Mas, na real? Eu gosto disso. Esses caras são dos meus. Mesmo que eu arrebente a cara deles dia sim, dia não. Eu realmente gosto de caras assim.

    Quando eu entro, todos os olhos se viram pra mim. Geralmente é um momento assustador pra qualquer pessoa. Mas eu tenho 1,90m, peso mais de cem quilos, e à despeito de ser careca, tenho uma barba loira que chega quase ao meu umbigo. Visual do tipo “não fode comigo, otário.”.

    Parece babaquice, mas funciona. Separa o joio do trigo. Não quero me dar ao trabalho de surrar alguém que nem consegue me encarar. E, os que conseguem... Bom, é como eu disse. Eu gosto deles, mesmo quando eles perdem os dentes.

    E ali ninguém conseguiu. Os olhares desviaram meio segundo depois que eu comecei a andar pro balcão e pedi uma cerveja e um pouco de carne de porco.

    Umas duas cervejas depois, chega quem eu queria. A porta se abre e todos olham pra ele. Mas desviam o olhar ainda mais rápido do que desviaram de mim.

    O velho não é tão grande nem tão forte quanto eu. Mas o cara tem presença. A barba branca e o tapa-olho ajudam bastante, mas não é só isso. O velho exala autoridade. Ele olha pra você, e você se sente pequeno. Aquela porra de olho azul dele tem a profundidade do oceano. Sabedoria e ferocidade. Esse é o velho.

    Ela entra logo em seguida. Gostosa pra caralho, como sempre. O pacote completo: loira, alta, olhos azuis, pele macia, corpo escultural. Dessa vez os olhares não se desviam, mas ela não se importa. Tá acostumada com isso, já. Pra todo lugar que ela vai é sempre assim... de vez em quando algum engraçadinho até tenta passar a mão, pra perder os dentes logo em seguida. A maioria até desiste quando vê o escudo do motoclube na jaqueta dela. Uma Viking não é pra qualquer um.

    Aliás, a galera já começou a esvaziar a birosca. Três Vikings no mesmo bar nunca é bom sinal pra quem não quer encrenca. Em menos de dez minutos só sobram dois tipos de pessoa: os que não nos conhecem e os otários que acham que aguentam.

    -“E ae? É aqui?”- pergunto. Sem rodeios.

    -“Aqui perto. Logo eles vão estar aqui, os pobres coitados. Nunca aprendem.”- ela ri enquanto fala, a debochada.

    -“Esses pobres coitados estão em guerra conosco a séculos. Nunca conseguiram nada contra nós, mas não é a nós que eles querem. E nós nunca conseguimos pará-los.”- o Velho e sua mania de nunca subestimar o inimigo. Mas o que ele diz é verdade... o fim está próximo, dizem. Mas está próximo a tento tempo que “próximo” já se tornou uma questão de perspectiva... próximo pra quem?

    Eu particularmente não vejo a hora. A grande batalha final. O fim de tudo. Eu não poderia esperar um fim mais glorioso pra essa merda de vida. Que venha! Eu diria que cairia feliz se meu fim fizesse os homens contarem histórias sobre mim e brindarem à minha saúde... mas eles já fazem isso, então foda-se. Eu só quero mesmo uma boa e velha selvageria.

    Enquanto estávamos distraídos conversando, alguém colocou som na jukebox. “Highway to Hell” tocando. Nada contra AC/DC, mas isso é clichê demais até pra mim.

    Me viro no balcão ao mesmo tempo que meus dois companheiros, apenas pra ver que o bar está vazio, exceto pelas carrancas paradas do lado de fora.

    O ronco das motocicletas do lado de fora e as jaquetas de couro de gosto duvidoso deixam claro que quem esperávamos chegou, e a festa vai começar. Os Giants estão aqui.

    Até que enfim, porra.

    Quando saímos, contamos. São quase vinte caras. Nenhum deles menor que eu, e eu sou o maior de nós três. Mal consigo conter um sorriso. Isso vai ser foda demais.

    -“Três Vikings tão longe de casa... Precisam de ajuda, colegas? Eu poderia te dar uma mãozinha”- o vou lavar minha boca com sabão lambeu os beiços depois de comer a moça com os olhos.

    -“enfia a mãozinha no rabo, otário.”- ela pragueja. Uma coisa há de se admitir, essa garota sempre teve peito. E que peito.

    Eu nunca gostei de trocar amenidades. Sério, qual o propósito dessa merda? Todo mundo ali sabe que a gente vai cair na porrada. Todo mundo ali tá esperando isso. Tem sido a mesma coisa desde sempre, porra.... Vikings chegam, Giants falam gracinha, a porrada estanca. Giants chegam, Vikings falam gracinha, a porrada estanca. Então porquê essa falação? Pra que essas provocaçõezinhas babacas? É tipo preliminar? Tem que chupar o peitinho primeiro antes de enfiar a vara? Quanta viadagem.

    -“Oooooh, magoou meu coração, vadia. Espero que seu rabo seja menos sujo que a sua boca. Todo mundo aqui vai querer um pouco dele antes do fim da noite.”- essa porra desse cara não para de falar, que saco.

    -“Vinte caras pra pegar uma moça? Vocês são do tipo que sentem mais tesão um pelo outro do que por ela?”- Diz o velho numa risada.... blablablablabla

    -“Fica na sua velho. Quando a gente te capar hoje estaremos te fazendo um favor. Afinal, essa merda murcha que tem entre as suas pernas é só peso morto.”- eles falam enquanto se aproximam. Um deles chega até mesmo a se apoiar na parede onde a moça tava recostada.

    Ok, já chega. Já deu. Daqui a pouco vão querer dar as mãos e brincar de adoleta. Minha ânsia por uma boa porradaria finalmente venceu meu bom-senso.

    Eu quebro a porra da garrafa de cerveja na cabeça do idiota que se aproximou demais. Vai se arrepender dessa decisão amanhã, otário.

    Imediatamente, e finalmente, a pancadaria generalizada se instaura. Os vinte partem pra cima ao mesmo, enquanto nós começamos a velha dança do soca, chuta e quebra.

    Ah, agora sim... agora eu sou um cara feliz.

    Um soco explode o queixo do primeiro. O segundo quebrou um taco de sinuca nas minhas costas, vou lavar minha boca com sabão. Eu tiro o taco da mão dele enquanto pego ele pela garganta e enfio no rabo do desgraçado. O terceiro se aproxima demais e cai com uma cabeçada no pau do nariz.

    Alguém saca uma arma, mas o velho quebra o braço do cara em uns três lugares antes que ele possa disparar. Não que isso não aconteça, tem sempre mais alguém armado... mas sempre são eles que se fodem mais. A gente reage com mais força quando o cara demonstra mais perigo, simples assim... Eles são muitos, mas nós somo muito superiores. Em pouco mais de meia hora, todos os vinte estão no chão. Metade morto. Um saldo bom.

    O velho tá com o nariz sangrando e levou uma facada, a loira tá mancando e eu acabei de perceber que tem um canivete enterrado no meu ombro e que levei um tiro na perna.

    Que saco. Achei que tinha sido melhor. Mas que se foda, já levamos prejuízo pior pra casa antes.

    -“Eles estão cada vez mais perigosos. E cada vez mais numerosos. Logo vai começar a ficar difícil.”- disse o velho. Enquanto mancamos de volta às nossas motocicletas. Eu sento na minha e arranco a faca do ombro. A bala vai ser mais difícil de tirar.

    Eu ouço o som de alguém se arrastando. Um dos caras se levantou e veio atrás de nós. O vou lavar minha boca com sabão tá segurando uma calibre 12.

    -“Isso mesmo, velho! Os dias de vocês estão contados! Nós somos um exército! O dia está chegando! A noite final! O seu crepúsculo”- o cara aponta a arma em direção ao velho, mas eu sou mais rápido.

    Na lateral da minha moto tem uma bolsa. Eu uso ela como bainha pra minha arma preferida. Ele nem ao menos viu quando eu a arremessei em direção a ele. Ele estava meio longe, e meu ombro queimou quando eu joguei o martelo. Mas não importa, Mjonir é implacável.

    A cabeça do cara é arrebentada antes que ele pudesse disparar no velho. O desgraçado quase atirou na porra do meu pai, caralho. Eu chamo o martelo de volta com um aceno. Fazia tempo que eu não precisava usar o martelo. Esses filhos da puta estão realmente ficando mais durões. Não sei se me preocupo ou se gosto da idéia. Felizmente, não enferrujei nem um pouco.

    -“Isso lembra os velhos tempo, Thor.”- me diz Freya, com a voz embargada pela dor.

    -“Os Giants estão mais ousados. É certeza que o dia se aproxima. O Ragnarok, a batalha final, vai acontecer em breve.”- diz Odin. O Velho, meu pai.

    -“Já era hora”.- eu digo, com um sorriso no rosto.

      Data/hora atual: Seg Jul 22, 2019 4:31 am