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    Uma Antessala Vermelha - Hugo

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    Mensagem por Lnrd em Qua Ago 07, 2019 12:34 pm

    Era impossível perceber as estrelas daquele ponto da cidade, fraca luminosidade frente a sóis artificiais que iluminavam escritórios, fachadas e passagens públicas.
    Cometas sonoros cortavam velozes as ruas, ameaçando atropelar corpos menos celestes.

    O relógio batia já as 22h, mas o dinheiro não dormia.
    Assim como a Cidade Alta.

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    Lá era o pulsante coração financeiro de Santa Dômina. Uma realidade paralela por onde a pobreza chegava apenas de maneira periférica. Ou em subempregos – afinal, não importava a situação, ricos sempre optavam por pagar mal “serviços menores” –; ou separada pelos vidros dos poucos ônibus que cruzava a área – número apenas suficiente para que o pessoal da limpeza, secretariado etc. chegasse na hora.

    Apesar disso, a violência sempre chegava.

    Na TV, sempre ela, a âncora dava notícias desanimadoras para a população em geral. Novidades que muitas vezes significavam oportunidades de negócios para a classe abastada.

    Na superfície, aquela lógica era justificada, máquina pública incapaz de dar um nó sem que este se desfizesse ou simplesmente não estivesse lá. Mas aquela era uma Meca da corrupção. Cada chance de uma empresa privada assumir uma área antes coberta pelo governo significava apenas uma coisa: retorno de investimento de campanha – qual razão duma firma de transporte marinho, saneamento ou saúde investir em eleições se não para, ela própria, ganhar alguma licitação?

    Um jogo de tronos no qual o povo era menos que peões.

    Apesar de tudo, a normalidade prosseguia.

    Na calçada de uma praça, o sangue vazava pelo paletó de um executivo que sangrava após uma facada certeira no rim. O relógio que ostentava fora tentação demais para o homem que o atacara. Poderia sustentar a família por muito, muito tempo com a venda daquele acessório. Ou comprar muitas, muitas drogas.
    Poucas eram as almas que paravam diante daquela cena para ajudar.

    No interior branco de uma galeria, a curadora, cercada de enormes quadros, proferia palavras confusas a uma plateia pouco interessada. O que importava ali era o preço das obras expostas. E o quanto se poderia lucrar com a revenda.
    Como claro e escuro, o ambiente era dividido entre vestimentas sonolentas de tão sóbrias e roupas que não permitiam ser ignoradas.

    Vários andares longe dali, num tradicional restaurante situado no terraço de um arranha-céu, um músico arrancava do piano melancólicas notas de jazz para acompanhar jantares cuja quantidade de comida era inversamente proporcional ao preço do cardápio. Não só os pratos pareciam arte, mas pessoas que serviam eram praticamente modelos de vitrines.

    Não muito longe, no interior de um amplo espaço de coworking, trabalhadores de diferentes empresas dividiam espaço e despesas enquanto trabalhavam em projetos particulares. O monótono som de teclados e conversas ao telefone só fora rompido pelo espatifar duma tela no chão, seguido do repetido bater de um teclado contra a mesa que pouco antes o sustentava. Um surto de ira. Mas não de um adolescente perdendo num jogo online. Era um homem maduro em desespero no meio do trabalho.
    O noticiário não parecia ter sido favorável a ele.
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    Mensagem por Jim Jones em Qui Ago 08, 2019 2:02 pm

    A cidade alta não dormia, pelo menos a cidade alta, eu gostava disso nela, tinha me acostumado ao estilo mais noturno de vida, conseguia produzir mais agora que mais cedo. Tinha passado o dia no escritório, e sem que percebesse já eram 22 hrs e não tinha comido nada, a fome podia esperar tinha que resolver os problemas da ultima licitação. O ultimo contrato de fornecimento de armamento leve e pesado para a Santa Domina estava embargado. Vejo no noticiário as ultimas noticias, uma em particular "Secretário de Segurança  demitido, suspeitas de envolvimento em esquema miliciano. Todas as operações planejadas estão suspensas até segunda ordem.", tudo que eu não precisava. A licitação era o que eu esperava ser o ultimo passo até eu conseguir chegar ao conselho, talvez até uma promoção fosse possível. Agora, tudo foi por água abaixo. A operação ia deixar de acontecer, a licitação não ia ser mais necessária, um forte prejuízo em produção e logística desnecessários.

    Perco o controle por uns segundos, jogo o monitor e espanco o teclado na mesa, que droga, preciso tomar um ar. Saio em busca de um ar fresco, pensar em como resolver essa pica. Talvez ainda consigo mexer alguns pauzinhos, cobrar alguns favores e fazer acontecer a operação mesmo com outro secretário no comando.
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    Mensagem por Lnrd em Seg Ago 12, 2019 10:55 am

    Nem todos os olhares foram de frio julgamento.
    Havia um tanto de compreensão ali contida ali.
    Nalguns casos, até mesmo vil prazer.
    “Não sabe brincar, não desce pro play”, murmurara alguém para si, divertindo-se com aquele surto inesperado.

    Quem vivenciava aquele tipo de carreira conhecia os riscos do mercado financeiro. Impérios alcançavam os céus e ruíam num estalar de dedos naquela selva da civilização.

    Um corredor de distância dali, uma das varanda da torre existia numa tentativa de trazer equilíbrio e concentração. Era uma versão modernizada dum jardim de pedra japonês, um minimalismo ao mesmo tempo zen e chique. Havia quem não gostasse do lugar. Ficar sozinho com os próprios pensamentos era algo às vezes perigoso. Ainda mais àquela altura.

    Trabalho versus sussurros do diabo.

    O vento corria frio, apesar do concreto ainda guardar algo do calor do dia.

    Daquele ponto reservado, havia um caminho que levava ao restaurante anexo a uma casa de massagens, locais austeros igualmente planejados para o relaxamento, mas cujos rostos de calma e seriedade eram usados como arenas para batalhas ferozes por contratos e apoios. Não havia música lá, apenas o som ambiente – pré-gravado – de natureza e água corrente. Apesar da comida excelente, não era um point badalado, sendo usado mais por quem trabalhava no próprio prédio. Não devia estar cheio naquela noite.

    Para o outro lado, entretanto, um destino diferente. A rota levava a uma espécie de “salão de jogos”, área feita por escritórios cujos empregados eram definidos como “millennials”: dispostos a “subempregos gourmetizados”, o que significava trabalhar muito, não ganhar o suficiente, mas poder postar o quão “apaixonados” pelo trabalho eram. Tais empresas eram comandadas pelos mesmos vampiros financeiros de sempre.

    No primeiro espaço, um homem, ao parapeito, parecia hipnotizado pelo brilho da paisagem, dos pontos fixos aos que se moviam. Seguia desatento a o que se passava no ambiente, para além das preocupações da própria cabeça.
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    Mensagem por Jim Jones em Qui Ago 15, 2019 11:48 pm

    Todos naquela sala sabiam o que eu estava sentindo, todos se sentiam assim, só não tinham sido puxados o suficiente além do limite para perder o controle.

    O  espaço era confortável conciliava momentos de descontração em meio ao trabalho, válvulas de escape para desestressar, distrações para não se perceber quanto você jogava aos seus trabalhos. Não é muito meu estilo, tento não me enganar com essas coisas o trabalho é trabalho não importa como você tente mascarar, restaurantes, salas de jogo jardins.

    Um homem perdido entre as luzes da cidade, mais algum que tinha perdido muito hoje, talvez.

    - Bem melhor que a vista do campo certo? Dia difícil? - precisava esfriar a cabeça, talvez alguém mais ferrado do que eu me ajude a aliviar. Me aproximo do parapeito e me encosto.
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    Mensagem por Lnrd em Qui Ago 22, 2019 10:32 pm

    A figura entregue ao parapeito – um homem mais velho que Hugo, porém vestindo um terno de corte bastante contemporâneo – virou o rosto de forma displicente, como se percebesse apenas naquele momento que não estava só. Não parecia, entretanto, ter se assustado com a aproximação.

    Acompanhou enquanto o outro também se colocava como espectador daquela paisagem citadina, uma floresta de arranha-céu apinhada de vagalumes multicoloridos.
    - Dias difíceis, dias fáceis... chega uma hora em que são apenas... bem... dias – respondeu ele, num suspiro, lançando aquela frase vaga, algo enigmática. Parecia emergido dalguma reflexão profunda sobre a própria vida – Às vezes eu queria algo mais, sabe? Quem sabe voar... – disse, fazendo um gesto com a mão em direção ao grande abismo à frente. Tinha um olhar ao mesmo tempo cansado, mas fascinado.

    Permaneceu por alguns instantes vidrado, em silêncio, como se apreciando aquela ideia.
    - Importações de veículos. Já viajei muito por aí. Feiras de inovação, reuniões de prospecto... . Não sou tão velho para falar assim, não é? É que às vezes... . – Era impossível dizer o que se passava com ele, se algo grave havia acometido ele ou a família, mas parecia estar claramente repensando a própria existência. Uma "crise de ambição", diriam alguns: quando alguém olha para o próprio legado e se pergunta "pra quê?".

    “Eu não deveria estar aqui, agora", falou, observando as próprias roupas. "Há uma recepção com potenciais clientes na 2ª Avenida. Gente de dinheiro. Porém...”. Retirara um convite em envelope negro do bolso, virando-o de uma face a outra, observando-o.
    - E você? O que faz?

    Virara-se, com olhos dum castanho caramelizado que lembravam favas de mel. Os cabelos eram dum cinza distinto.
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    Mensagem por Jim Jones em Dom Ago 25, 2019 1:35 pm

    O homem que estava ali parecia perdido, esse não é um lugar para sonhadores, o mundo onde eu vivo não é um lugar para idealistas. Meu mentor havia me falado sobre homens como ele,quando chegavam a certa idade tinham uma crise de meia idade ou algo do tipo. Sempre me surpreendia como uma pessoa tão fraca conseguiria durar tanto no mundo executivo.- Nós voamos, fomos relegados por Deus o direito biológico ao voo e ainda assim tomamos os céus por nossas próprias mãos com pássaros de aço. Você devia tirar algumas férias.- Paro para pensar se com voar ele não quiz dizer pular, será que chegou tão ao fundo assim para pensar em suicídio?

    Dou espaço para o homem falar. ele mostra o convite negro, e me perguntar o que faço.
    - Armas, munições, segurança privada. Tive... Tive um dia ruim, uma grande operação acabou de ir pro saco. Recepção você disse, que tipo de recepção? De qualquer forma não acredito que esta em condição de encontrar potenciais clientes. Sou Hugo por sinal, prazer. -estico minha mão para o homem esperando que ele se apresente. Em seguida entrego um cartão de visitas. Olho para o homem, talvez não estivesse tão longe de mim, ou do que eu me tornaria. Ainda assim poderia ser util aumentar minha network, principalmente se ele tem contatos que poderiam levar a clientes que eu nem sabia que existiriam.
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    Mensagem por Lnrd em Dom Set 29, 2019 11:48 am

    "Se-gu-ran-ça", repetiu vagarosamente, sentindo o peso daquela pequena palavra. "Nunca estamos realmente seguros, não é? In-to-cá-veis...". Um avião cruzou o céu acima deles, atraindo dele o olhar. Era considerado um dos veículos “mais seguros do mundo” por conta da baixa taxa de acidentes, mas podia-se argumentar que despencar da noite seria bem mais letal que cair de bicicleta.

    Alguns investimentos eram de baixo risco, outros, não.

    As luzes logo se afastaram. Poderia mesmo ter sido um OVNI, o que era pouco provável. Havia muitas coisas na vida que eram pouco prováveis. Muitas.

    Alguns investimentos eram de baixo risco, outros... .

    - Férias?! Sim, talvez... . Gente como nós nunca se desliga, não é? Sempre atrás de contatos, conexões... Ah, estou divagando de novo... .

    Foi então que se apresentou. "Victorino Castillo". Falou um pouco mais sobre si, assuntos avulsos sobre casamento, filhos etc. Um papo sem sobressaltos, até uma confusão irromper dos lados do tranquilo restaurante.
    A noite estava agitada e, provavelmente, mais alguém havia perdido dinheiro.

    Alguns investimentos eram de baixo risco... .


    Não demorou até um loiro bastante baixo passar varado pelo espaço em que Victorino e Hugo conversavam, sumindo pelos escritórios atrás deles.
    - Bem - colocou o empresário, passando a mão nos cabelos, como se colocando-os de volta ao lugar, mexidos pelo vento – acho que é minha deixa. Acho que vou dar uma rápida passada nessa recepção, não mais que 20 minutos lá... . Que acha de me acompanhar? Sei queisso deve ter passado pela mente de alguém jovem como você, uma “oportunidade”... . - piscou-lhe um olho, como se reconhecendo nele uma versão jovem de si.

    Alguns investimentos... .
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    Mensagem por Jim Jones em Qua Out 02, 2019 11:56 pm

    Ouço o homem divagar um pouco e concordo.- Nunca desligamos. Não podemos desligar. Esse trabalho vicia mais do que qualquer droga. - Me apresento, dando meu cartão de contato e tenho uma pequena conversa informal com Victorino, não falo muito sobre minha vida pessoal, mais ouvindo do que falando. Isso me ajuda a desestressar um pouco das perdas da noite. Parecia que a noite não estava boa para mais gente. Mais alguém havia dado um tiro no escuro. "Sem Riscos, sem recompensas". Penso comigo mesmo.

    Ao ser convidado a passar na recepção dou um leve sorriso, amigável.
    -Nunca desligamos, não gente como nós. Talvez consiga diminuir as perdas da noite. Vamos...- Sigo Victorino para a recepção. Pensando que tipo de pessoas encontraria por lá- Que tipo de clientes tem por la mesmo?
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    Mensagem por Lnrd em Sab Out 05, 2019 5:45 pm

    "Os do dinheiro", respondera com um ar divertido. Era de se esperar que o público prioritário fosse o interessado em comprar veículos de luxo, o que já englobava em si todo o tipo de criatura rica, de filhinhos de papai a xeiques estrangeiros, de investidores à procura de negócios lucrativos a pessoas milionárias querendo um “mimo” para servir de presente o aniversário de casamento. Mas havia muito mais, de quem só ia para vender e conseguir uma comissão – como seria o caso de Victorino, caso não estivesse enfadado – ou figuras que iam para serem vistas ou –  como Hugo – para caçar. “Quem não é visto, não é lembrado”, dizia um popular ditado do marketing.

    Falou amenidades durante o caminho, embarcados num veículo pedido por um aplicativo. Este servia-lhes de bote num ar de luzes. A cidade, ao menos aquela parte dela, era uma maravilha da arquitetura, do mais clichê ao mais vanguardista.

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    Afora a constante competição do mundo dos negócios, não era incomum algum tipo de “apadrinhamento”, de alguém ver noutra face um potencial que tinha ou desejava em si, resolvendo ajudar.

    É claro que, na maioria das vezes, os “favores” voltavam. Numa hora ou outra.

    Chegaram à luxuosa frente do evento. Havia quem tivesse se vestido como para um grande baile da alta sociedade, com roupas que custavam mais que órgãos internos. Mas por sorte o bom e velho “terno básico” nunca saia de moda, de modo que mesmo alguém saído direto dum escritório não teria dificuldades em se mesclar ao ambiente.

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    Dentro, o cenário não era menos do que se poderia esperar.

    Um brinde ou outro, um sorriso ou outro, e a rápida passagem de Victorino já parecia aproximar-se dum esgotamento. Foi quando uma figura bastante curiosa se aproximou.
    - Senhor Castillo, boa noite. É uma satisfação encontrar com você. Radiance não pôde comparecer, mas não posso deixar de mencionar a satisfação que teve com o último modelo.
    - Ah, fico muito feliz. Mas confesso que já esperava por isso. Um carro daqueles só podia parar nas mãos de alguém como nossa estrela.

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    Risadas cordiais. Então ele seguiu fazendo um gesto, indicando o novo “amigo”.
    - Senhorita Chá, este é Hugo Fernandes, do setor de segurança. Caro Hugo, essa é Sebastiana Chá, produtora de Radiance Stella Sóllare, performer de grande renome e uma das mentes criativas por trás do escritório de design e arquitetura Florim.

    A mulher cumprimentou-o e entregou o cartão de contato, adiantando-se:
    - Que interessante. Mas me diga... você foca nalguma área específica? Segurança empresarial, residencial, pessoal, veicular... ou prefere a diversificação? Ou não compreendi bem e, na verdade, você é mais do tipo “agente particular”, dos que salva o dia desviando de balas com golpes de kung fu e explodindo coisas? – Não pudera deixar de rir com a própria brincadeira colocada para quebrar o gelo.
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    Mensagem por Jim Jones em Dom Out 06, 2019 8:11 pm

    Os "do dinheiro" não são o publico que normalmente atuo, minha area é muito mais voltada para segurança publica, distribuição de armamento e logística operacional em operações urbanas. Ainda assim pessoas como essas poderiam ser contatos ou portas de entrada para instituições maiores que poderiam fazer uso do serviço. Não me impressionaria se visse algum politico influente na recepção.

    Clássicos nunca saem de moda. Um terno preto feito especificamente para alguém se encaixaria em qualquer tipo de recepção. As roupas extravagantes e essencialmente caras eram diferentes, as vezes, um gosto muito peculiar para mim. Roupas estranhas tais quais a da amiga de Victorino, ainda assim mantenho meu rosto sóbrio para os visuais excêntricos. Aceno a cabeça e me apresento enquanto guardo seu cartão e entrego um dos meus. Dou uma riso leve do quebra gelo.

    - A empresa a qual represento atual em varias, mas me especializo na area de segurança publica e de instituições. Não somos muito de desviar de balas, somos mais de disponibiliza-las, mas se esta pensando em ir a locais perigosos temos uma linha de kevlar que adoraria. - Retribuo o quebra gelo- Essa recepção esta fantástica, esta envolvida na organização? Muito bom gosto. Me surpreenderia se ela não tivesse algum motivo especial.- Falo tentando buscar algo mais sobre aquela reunião.
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    Mensagem por Lnrd em Dom Out 13, 2019 3:27 pm

    "Ah... 'moda inteligente' é um ramo bastante em alta. Kevlar e esses tecidos 'hi-tech', aparelhos vestíveis... Imagine uma parceria... uma roupa com descargas elétricas e coisas do tipo? Tenho certeza de que pagariam muito por isso...". Aquele papo era mais uma conversa qualquer sobre "aleatoriedades", não uma efetiva proposta ou prospecção de mercado. Talvez se Hugo tivesse dito que vendia pratos, aquela figura teria começado a falar sobre uma parceria para produtos domésticos e de decoração. "De qualquer forma, é sempre bom conhecer gente da área. Temos muitos projetos de prédios, praças etc. e precisamos tanto consultorias de segurança quanto de empresas de implementação em si".

    Ao fundo, uma música ambiente tornara-se mais presente. Eram batidas eletrônicas, mas não muito agitadas.
    - Ah, não, não. – Respondera ela. – Digo, o prédio é assinado por nós e temos algumas salas aqui, mas não estamos organizando a festa.
    - É o lançamento de uma nova linha de veículos conceituais – Acrescentou Victorino, apontando pra um telão que, bem distante de onde estavam, exibiam imagens dum veículo meio carro, meio moto.

    XXX

    - Sim – continuou Sebastiana –. Na verdade o lançamento para a imprensa e público geral foi no Centro de Eventos, se não me engano. Aqui é mais uma recepção para VIPs... .

    Um garçom aproximou-se deles, oferecendo champanhe. Victorino aproveitou o momento para recusar, desculpando-se por já estar de saída. “Deixo-o em boas mãos, espero”, falou àquele repentino novo contato. Pouco depois, sumia pela porta para dentro da noite.

    Mal havia deixado ambos, a mulher virou-se, tentando chamar a atenção de alguém. “Ah, olha só!”. Alguém havia atendido o chamado, caminhando de forma segura, porém sem pressa, até a dupla.
    - Válery, este é o senhor Hugo Fernandes. Ele trabalha no setor de segurança. Hugo, essa é Válery, da família Serracosta.
    - Hum... segurança?! – Disse como se refletindo sobre aquilo, oferecendo a mão de forma firme – Também sou do ramo.
    - Válery chefia a segurança da família. Bem, não é mesmo que você faz, mas... .
    - Sim. Meu trabalho é mais diretamente com a equipe de vigilância. Gerencio tudo, de verificações de pessoal e equipamento a solução e problemas e planejamento estratégico. Não gostamos muito de entregar nosso “ouro” a gente de fora, sem ofensas.

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    Serracosta era um nome não desconhecido no setor de negócios. Enquanto Florim focava em design e arquitetura, Serracosta era um grande nome na engenharia civil. Como se dizia por aí, por mais que não fosse uma visão precisa, um lado desenha e o outro constrói.

    Da mesma forma, Válery era bem diferente de Sebastiana. Não parecia alguém de muitos sorrisinhos e reuniões sociais. Nem por isso era menos chamativa, distinguindo-se pelo albinismo.
    - Mas de fato – continuou –, se trabalha com isso, talvez possa nos ajudar... .

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    Aquela sim, parecia uma proposta de colaboração. Rapidamente, explicou que nos próximos dias estariam fazendo o transporte de algum “material sensível”.
    - Algumas peças de arte. Digo, não é uma tela que caiba numa maleta. É... um pequeno lote. Coisa para um carro forte ou coisa similar. Rotas de segurança, carros de apoio, pessoal, armas... . Bem, não sei se trabalha com esse tipo de coisa, mas nossa empresa, não a família em si, sempre está atrás de contratos para nossos prédios e escritórios. Essa tentativa poderia ser um “aperitivo”... .

    Portas. Era importante saber quando fechá-las, quando mantê-las entreabertas quando escancará-las.
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