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    Lobo em pele de cordeiro

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    Mensagem por Tellurian em Qua Ago 21, 2019 9:07 pm

    Dizem que nas montanhas o inverno chega mais cedo. Akemi juntou as mãos junto ao rosto, tentando aquecê-las com a sua respiração. A despeito do sol já ir alto no céu, a manhã estava bem fria. A moça se perguntou se algum dia se acostumaria. Apoiou-se sobre cabo da enxada e descansou um pouco. Ainda não era nem meio-dia, mas já sentia as pernas e costas doloridas. O trabalho no campo era duro, estava aprendendo a duras penas. Levou as mãos à cintura e se inclinou, esticando as costas. Como uma plantação tão pequena podia dar tanto trabalho?

    Como não sabia como fabricar os remédios, Akemi acabou por se tornar a responsável em cuidar da plantação. Kaito ensinara-lhe o básico do trato com a terra, e plantaram juntos as diversas ervas medicinais que seriam necessárias para a fabricação dos remédios de Kaito. Ele parecia estar se divertindo, apesar de tudo. Kaito gostava do trabalho com a terra e com as ervas, e tinha quase sempre um sorriso satisfeito no rosto. Muito mais do que tinha quando Akemi o observava nos treinos no quartel general de Kyoto. Foi uma imensa surpresa o quanto ele conhecia de medicina e farmacologia. Kaito seria um médico muito melhor do que era espadachim, Akemi pensava, mas não atrevia a dizer ao amigo. Temia ferir-lhe os sentimentos.

    A espada, aliás. Sentia falta da prática com a lâmina. Sentia-se nua sem sua espada do lado. Mas o disfarce obrigara-lhe a escondê-la, e agora quase nunca a tinha por perto. Temia que acabasse enferrujando. Encontrar um lugar isolado onde pudesse treinar e banhar-se tinha ocupado sua atenção no início. Mas logo descobrira um belo lugar afastado do povoado, longe das plantações. Os agricultores havia represado um rio, para que pudessem desviar a água que irrigava as suas plantações. E a barragem acumulara água suficiente para criar uma pequena lagoa. Seguindo o riacho por alguns minutos, alcançava-se uma pequena queda d'água. Era suficientemente longe do povoado para que poucas pessoas decidissem ir até lá, simplesmente não valia a caminhada. Akemi suspeitava que durante o verão o lugar ficasse infestado de crianças, mas agora o Outono avançava, e a temperatura congelante da água afastava qualquer interesse, não apenas dos pequenos, mas dos adultos também. Se pudesse suportar a água gelada, Akemi poderia banhar-se e treinar sozinha com a espada, sem se preocupar em ser vista.

    -"Bom dia, Ishida-kun. As ervas têm crescido bastante, hein?"-- a voz arrastada da anciã trouxe de volta Akemi de seu transe. Era uma velha senhora local, que produzia leite e derivados em pequena quantidade, porque tinha uma vaca. Era uma senhora muito simpática e querida por todos, que a chamavam carinhosamente de baa-chan¹. Akemi nem sabia seu nome verdadeiro, pois a velha senhora já havia se apresentado dessa forma. Os cabelos brancos presos em um coque, os olhos bondosos e muito puxados e as mãos enrugadas e calejadas por uma vida de trabalho duro certamente inspiravam respeito e consideração.

    -"Obrigada pelo trabalho duro! Por favor, passe lá em casa quando acabar. Tenho um queijo pra você e para seu irmão."- a anciã sorriu um sorriso desdentado, mas cheio de carinho

    Notas:

    ¹- Vovó

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    Mensagem por Larissa Aprill em Dom Set 01, 2019 12:58 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”



    Algumas semanas se passaram desde a conversa de Akemi e Kaito na fogueira. O moreno não falou mais sobre o seu passado e a garota deu privacidade a ele. Pois sabia que ele precisava resolver suas questões interiores.

    Ao chegarem no vilarejo os dois foram muito bem recebidos pelos aldeões, principalmente pela velhinha que se denominava Baa-chan. Ela ajudou os "irmãos" a se acomodarem na casa e ficou muito feliz ao saber que eles tinham conhecimento de ervas medicinais e levou algumas pessoas doentes para Kaito tratar.

    Infelizmente Akemi não eram tão habilidosa assim, todas as vezes que tentou preparar um remédio, acabou atrapalhado mais do que ajudando.

    - Eu desisto!- Akemi largou a tigela que estava segurando, ela tentava moer com o pilão algumas sementes, mas sempre que batia os grãos voavam para longe.

    Kaito: "É mais uma questão de jeito do que força."- Ele diz com um sorriso enquanto pega a tigela e com facilidade começa a triturar.

    - Falando assim parece fácil.- Disse emburrada - Deve ter alguma coisa que eu possa fazer.

    O moreno ergue a sobrancelha e diz que tem um trabalho perfeito. Então Akemi foi designada a cuidar do plantio. No começo Kaito a ensinou como preparar a terra, adubar e semear as sementes. Era um serviço braçal e logo a garota pegou o jeito.

    Todas as manhãs e noite Akemi ia regar a plantação e as primeiras mudinhas começavam a brotar. A menina recolheu suas coisas e voltou para a casa. Kaito estava terminando de preparar o jantar, ela se aproxima para roubar um guioza e é repreendida pelo amigo.

    Kaito: "Okaerinasai...Hey… Não pegue com as mãos sujas." - Ele tampa o nariz quando Akemi se aproxima.- "E você precisa urgente de um banho."

    Akemi cheira o próprio ombro e percebe que está cheirando adubo e diz que vai tomar um banho. Ao chegar na piscina pública do povoado a garota tira a roupa e entra na água fria. Quando estava se ensaboando ela escutou passos se aproximando e ficou em alerta, naquele momento desejou ter sua espada ao seu lado.

    O brilho da lanterna iluminou o rosto de Kaito, o moreno decidiu tomar banho também. Quando o rapaz começou a desamarrar o cordão da calça, Akemi mergulhou na água. Não queria ver o amigo sem roupa. Quando não aguentava mais segurar o fôlego emergiu e viu que Kaito estava sentado com a água batendo na altura do peito do rapaz.

    Kaito: "Achei que tinha se afogado."- "Parando pra pensar, nós nunca tomamos banho ao mesmo tempo, né?"

    - Verdade.

    A menina fica envergonhada e se encolhe mais dentro da piscina. Ela nunca tinha visto Kaito sem camisa antes e ele não era tão forte quanto Yamada, mas tinha os braços e ombros definidos. Akemi analisava o pescoço e o peitoral do rapaz e sentiu as bochechas queimando de vergonha.

    E de repente se deu conta que era uma garota e estava tomando banho com um rapaz. Akemi cobriu os seios com as mãos e disse nervosa.

    - Não se aproxime...err...Eu gosto de espaço quando tomo banho.- Sentia um frio na barriga ao imaginar ele se aproximando e vendo o corpo dela sobre a água.

    Kaito: "Não se preocupe, eu não tenho a intenção de me aproximar nu de outro homem." - disse sorrindo.

    " Mas eu não sou um homem"
    -Akemi não conseguiu evitar esse pensamento.

    Ela se encolhe ao perceber que não podia simplesmente se levantar e ir embora. E a água gelada estava começando a incomodar sua pele, que se arrepiava pelo frio. Enquanto isso Kaito pegou o sabonete e começou a ensaboar e lavar os cabelos.

    Ela não conseguia desviar o olhar, estava envergonhada mas ao mesmo tempo hipnotizada pelos gestos do Kaito e imagens começaram a brotar em sua mente. Corou ao imaginar o beijo que poderia acontecer naquele instante.

    "Para com isso Akemi...pensa em outra coisa"

    A menina chega a balançar a cabeça para afastar aqueles pensamentos. E começou a focar os pensamentos na missão, no quartel e no que vieram fazer naquele vilarejo. Seus devaneios de brincar de casinha com Kaito poderia colocar tudo a perder.

    - Então... -Encara o moreno coberto de sabão e desvia o olhar para a lanterna que iluminava a beira da piscina. - Até agora está tudo tranquilo, não temos informação de ninguém.

    Kaito: "Estamos ganhando a confiança das pessoas. Logo estaremos próximos o suficiente para que nos convidem à rebelião. Um médico é um recrutamento potencial que não se pode recusar" - disse pensativo, mas a espuma do cabelo escorre para os olhos e ele pragueja.Kaito: " Ah...que droga!! Ishida me passa a toalha!"

    O moreno estava de olhos fechados e tateava ao redor. Akemi sente o coração batendo mais rápido conforme se aproxima. Mas ela estende a mão pois não queria chegar próximo demais, não a ponto de ver o corpo dele nu.

    - Aqui...

    Kaito seguiu tateando em direção a voz e seus dedos tocaram nos seios da jovem por um breve instante. Akemi arregalou os olhos numa mistura de surpresa e medo. Sua reação foi jogar a toalha sobre a cabeça dele e se afundar na água, enquanto abraçava o corpo.

    Seu coração nunca bateu tão rápido quanto aquele momento. Ele havia a tocado, ele havia sentido seu seio? O pavor chegava na mesma intensidade que o rubor cobriu suas faces. Mas Kaito apenas limpou o rosto e disse curioso.

    Kaito: " O que deu em você? Eu não estava enxergando nada"

    Akemi abre a boca para falar, mas as palavras ficam travadas na garganta. Ela não poderia explicar o quanto estava sentindo exposta sem revelar a verdade sobre ser uma garota. Então ela apenas acenou a cabeça negativamente e se afundou na água assustada. Kaito suspira e vira de costa para colocar a toalha num lugar seco e Akemi vê as cicatrizes. Havia diversas marcas em suas costas, como se tivesse sido açoitado várias e várias vezes.

    - Kaito…. O que foi isso??- A menina foi pega de surpresa por essa revelação.

    Kaito: "Ohh…" - Ele toca as cicatrizes e afunda na água, depois de um tempo em silêncio, o moreno diz.-"Você lembra quando eu disse que era um monarquista?"

    A menina engole em seco e diz que sim. Fazia tempo que ela queria saber sobre o passado do rapaz e o que levou ele a se infiltrar no Shinsengumi.

    Kaito: "Na verdade, eu sou de uma família de monarquistas. Meu pai é um samurai de Choushuu." - Ele fica com a face aparentemente entristecida-"Eu nunca compartilhei as crenças políticas do meu pai. Eu nunca quis ser samurai. Eu queria ser um médico. Ajudar as pessoas. Curá-las, e não matá-las. Essas cicatrizes são lembranças da disciplina do meu pai." Ele abaixa os olhos e encara o próprio reflexo na água. -"Seja homem, ele dizia."- Kaito parece estar a beira das lágrimas -"Ainda o escuto dizer: Você não passa de um maricas."

    Akemi sente um aperto no coração ao escutar a confissão do rapaz. Ele deve ter sofrido muito com os abusos do pai, mas mesmo assim continuou sendo um monarquista e se infiltrou no quartel.

    - E ele que te mandou para o Shinsengumi? Para você dar informações sobre o que fazemos?? - Ela não conseguiu esconder a mágoa no tom de voz.

    Kaito arregalou os olhos espantado, havia tanta tristeza no olhar, que parecia que Akemi tinha o apunhalado com aquelas palavras.

    Kaito: "Eu fugi de casa. Encontrei o capitão Harada quando ele se feriu em um duelo, e ele me chamou pra fazer parte do Shinsengumi. Disse que eu poderia proteger as pessoas assim"

    Akemi se arrepende na hora e se sente envergonhada por julgar o amigo. Ela fica um tempo em silêncio, ainda tinha receio de se aproximar. Por isso abraçou o corpo gelado e encarou Kaito, o olhando fixamente.

    - Me desculpe...eu...eu me precipitei... eu não quis te ofender…- Ela o encara em silêncio, mas diz por fim. - Eu acho….que o Capitão Harada fez certo em te abrigar…..Mas Kaito… - Ela tenta dizer da maneira mais suave possível. Pois não queria magoá-lo novamente Seu lugar não é com o Shinsengumi e nem com sua família monarquista. Esses dias que passamos aqui, eu te vi sendo mais feliz do que qualquer outro dia do quartel.- Akemi suspira e continua a ser sincera com o jovem - Sei que parece fácil falar pra largar tudo. Mas eu te entendo, porque também fugi de casa. Eu não concordava com os planos que eles tinham para meu futuro.

    Kaito olha para Akemi e diz curioso.

    Kaito: "Aliás, bem lembrado. Eu consigo entender porque o Saito me colocou nessa missão. Mas porque você veio, Ishida?"

    - Ahhh... sobre isso.... digamos que eu sou bom em disfarces. Eu e meu irmão vivia enganando os empregados.- lembrar do Akira ainda doía.

    Kaito:"Ora, então você tem um irmão"- Ele sorriso de maneira bondosa.

    Era a primeira vez que ela fala do irmão para alguém do Shinsengumi, mas sentia que podia confiar no Kaito

    - Tinha...ele morreu - Ela sente  os olhos se enchendo de lágrimas, mas rapidamente limpa o rosto com a mão. - Tenho certeza que meu irmão iria gostar de conhecer todos vocês.

    Kaito: "Eu sinto muito." - disse com pesar

    - Lembra daquele dia que tive o pesadelo? Eu tinha sonhado com ele. De alguma forma parece que eu tinha o decepcionado.

    Kaito se recosta em uma pedra, e olha para as estrelas acima. O céu estava limpo e havia uma infinidade de estrelas sobre suas cabeças.

    Kaito: "Todos temos medo de decepcionar aqueles que amamos. Mas, Ishida, eu não acho que você tenha que se preocupar com isso. Você é forte. A forma como você conversou com Saito, de igual pra igual... Me deixou sem palavras. Eu te admiro muito. Tenho certeza que seu irmão está orgulhoso de você."

    - Eu não gostei de como Saito insinuou as coisas. Ainda tenho medo dele, mas você é meu amigo r era meu dever defendê-lo. - Sorriu mas logo ficou séria- Foi idéia do meu irmão entrar no Shinsengumi. Ele acreditava que podia mudar o mundo e eu...eu apenas seguia seus ideais. Só depois de um tempo que percebi que estou fazendo isso por mim mesmo. - ela encara o céu a procura de algum sinal que lembra o Akira - Eu não sei se ele teria orgulho de mim agora.... por que....- Akemi poderia contar a verdade para Kaito, mas qual o preço de sua mentira? Tinha medo de ser expulsa do Shinsengumi e de perder essa nova família que ela conquistou.- Bom...porque... eu continuo sendo a pessoa teimosa de sempre.

    Kaito: "Você é severo demais consigo mesmo, Ishida."
    - Ele sorri de maneira gentil e encara o céu novamente."Diga, Ishida. Qual seu sonho?"

    Edá a pergunta pegou a menina de surpresa. Mas estava gostando daquela conversa sincera com Kaito.

    -Na verdade, nunca parei para pensar nisso... Quando eu era mais nova odiava algumas tradições... mas acho que só quero achar meu lugar no mundo... sem rótulos, sem títulos...
    - ela para e pensa um pouco, mas por fim diz - Acho que conquistar minha própria felicidade. E qual o seu Kaito? Ainda deseja ser médico?

    Kaito: "Eu entendo o que vc diz. Eu mesmo não tenho nenhum apego pelas tradições."
    - ele fecha os olhos e reflete sobre a sua pergunta. "Eu não sei se vou ser médico. Mas eu quero ajudar as pessoas. Vivemos um tempo difícil, e tudo o que eu quero é fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que as pessoas ao meu redor sofram menos."
    - Em seguida, ele baixa os olhos pra Akemi e dá um sorriso travesso. "Mas eu seria um bom médico, sabe? Talvez, depois que as coisas acalmarem no Japão, eu siga essa profissão. Encontre uma boa moça, me case e tenha uma porção de filhos."

    Kaito dá uma risada daquelas contagiantes e nem Akemi consegue evitar de sorrir.

    -Você sempre ajuda as pessoas, mesmo sem perceber. Desde o dia que eu entrei no quartel você foi gentil comigo Kaito. E se não fosse por você e o Hiroshi, eu e o Yamada teríamos saído na mão hehe-Diz com um sorriso - Você seria um excelente médico e é por sua causa que estamos indo bem aqui. - Quando ele disse em se casar e ter filhos, a menina corou e disse por fim - Quero conhecer essa felizarda algum dia.

    Kauto se levanta da água, expondo a nudez dele. O corpo de Kaito é esguio, mas forte. Os músculos dele são daquele tipo que começam a se definir por conta da rotina de exercícios do Shinsengumi, não tão proeminentes quanto os de Yamada, mas de aparência mais macia e pele mais branca.

    Kaito: "Eu acho que seria melhor sairmos, Ishida. Vai começar a esfriar"

    Akemi se assusta com Kaito se erguendo de repente e acaba vendo o amigo nu. Parecia que tomar banho com os colegas sempre tinha essa sina. Rapidamente sua mente comparou o corpo de Kaito com Yamada e ficou com vergonha ao perceber isso. A menina sentiu o rosto queimar e balbuciou qualquer coisa para Kaito antes de mergulhar novamente na água fria.

    Desde aquele dia Akemi não se sentia confortável para tomar banho na piscina pública. E numa manhã após cuidar da plantação foi explorar a região e encontrou uma queda da água alguns quilômetros de distância do vilarejo, era o lugar ideal, pois era longe o bastante para não ser vista por ninguém. Ela também trouxe a espada de Akira consigo e escondeu num vão entre as pedras, isso fazia ela se sentir mais segura, caso alguém decidisse espionar e também poderia praticar a esgrima que tanto gostava. Aquele seria seu lugar secreto.

    Num fim de tarde e depois de trabalhar arduamente na plantação, Akemi caminhou até a lagoa e decidiu encarar a água gelada e tomar um longo banho.

    Ela soltou o coque e os cabelos caíram sobre as faces, já fazia meses que ela não cortava o cabelo e agora eles chegavam a altura do ombro. A menina encarou o reflexo na água. Os cabelos não estava tão sedosos e brilhantes como era antigamente, mas ainda acentua o rosto feminino. E ela sabia que era um risco deixar o cabelo daquele jeito.

    Akemi pegou a espada, exatamente como fez na sua casa no dia que enterrou o irmão, mas naquela época ela tinha como objetivo se tornar Akira. Agora o que ela havia se tornado??

    Sentia que havia encontrado uma nova família com o Shinsengumi, os dias no quartel sempre eram movimentados e a companhia dos amigos fazia ela esquecer a tristeza e medo em seu coração. Mas uma parte dela queria ser vista e aceita como uma garota, principalmente quando se tratava do Capitão Harada. E apesar dos poucos momentos que tiveram a sós, Akemi percebeu o quanto ele era uma pessoa justa e bondosa.

    E esse sentimento trazia diversas inseguranças. Será que ela seria perdoada pela sua mentira? Será que seus sentimentos seriam correspondidos? Será que estavam agindo certo nessa missão? Ela e Kaito seriam chamados para uma reunião secreta e conseguiriam concluir a missão com sucesso??

    Todas essas dúvidas pairavam sobre sua mente enquanto ela encarava o seu rosto na água. Desta vez ela chorou quando viu os fios de cabelo cortados sendo levados pela correnteza. Ela retirou as roupas de camponês e entrou na água congelante, mesmo que o frio fizesse ela bater os dentes ela nadou até sentir mais tranquila. Pelo menos quando voltou para casa e encontrou Kaito preocupado pelo seu sumiço, percebeu que iria viver um dia de cada vez.

    Alguns dias se passaram e Akemi larga a enxada e se espreguiça para tentar aliviar as dores das costas quando escuta a voz da Baa-chan. A velhinha simpática devia estar voltando das suas caminhadas matinais.

    - Ohayo!! Sim elas estão crescendo bem - disse orgulhosa. E percebe que o momento havia finalmente chegado.- Claro Baa-chan iremos mais tarde.

    A menina aguardou a velhinha sumir de vista e correu para casa. Chegou esbaforida e contou sobre a conversa de agora pouco.

    Estava nervosa e ansiosa, Akemi não sabia o que esperar daquela conversa. E tinha receio de fazer algo errado e ter seu disfarce descoberto e estragarem a missão. Por isso andava de um lado pelo outro da sala enquanto aguardava Kaito.

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    Mensagem por Tellurian em Qui Set 05, 2019 10:37 am

    Kaito protestou quando Akemi o chamou para ir até a casa de Baa-chan, alegando que havia muito trabalho pendente. Ele estava com ambas as mãos em um pilão de pedra, com uma bandana branca prendendo seus longos cabelos e as mangas arregaçadas. Estava moendo sementes para finalizar emplastros do senhor Kamogawa, além do chá digestivo para os problemas de barriga da senhora Watanabe. E além dos remédios, ainda precisava consertar o telhado. A goteira havia crescido nos últimos dias, e o forro já começava a cheirar a mofo. Também precisava preparar algo para jantarem.

    Akemi soltou um suspiro de frustração. Kaito era teimoso quando queria. Levou as mãos à cintura e observou o moreno trabalhando duro. Não queria, mas foi obrigada a jogar sua carta na manga, a arma secreta que só deve ser usada em momentos de necessidade: queijo.

    Kaito ergueu as orelhas como um rato olhando uma ratoeira quando Akemi mencionou que Baa-chan lhe havia prometido um queijo. Subitamente, o rapaz pareceu mudar de idéia quanto à urgência das tarefas pendentes, e pediu apenas um minuto para lavar as mãos antes de irem. Já fazia alguns meses que ela e os rapazes tinham descoberto a fissura de Kaito pelo laticínio, e não era raro que usassem o produto como moeda de suborno. Cada um com seu ópio, dizia Hiroshi.

    A casa de Baa-chan ficava a uns bons trinta minutos de distância caminhando. A cabana onde Akemi e Kaito viviam era relativamente afastada do povoado, mas todas as casas eram. O lugar era pequeno, e não muito densamente povoado. Quase ninguém possuía cavalos, que eram caros e davam muito trabalho. A maioria usava mulas como forma de se deslocar, mas Kaito tinha medo delas. Akemi tentou convencer o rapaz que elas eram inofensivas, acariciando Margarida, a mula que o Shinsengumi havia deixado na cabana para uso deles, mas acabou sendo mordida no processo, que culminou com Kaito rindo e afirmando que mulas estavam sempre planejando algo. Possivelmente dominariam o Japão algum dia.

    Quando chegaram na velha cabana, notaram que a velha senhora estava em uma cadeira de balanço na entrada, fumando um bonito cachimbo de madeira trabalhada. Quando os dois "irmãos" chegaram, Baa-chan acenou para eles com um sorriso.

    -"Os Ishida. Sejam bem vindos, rapazes. Venham, venham. Entrem."

    A casa da velha senhora era bem simples, como todas no povoado. Feita de madeira, com telhado em palha de arroz. Ela possuía dois cômodos. Baa-chan apontou que os jovens deveriam se sentar à mesa que havia no centro do cômodo principal da casa.

    -"Agora vejamos... chá e queijo. Talvez alguns biscoitos? KAORU! KAORU, VENHA AQUI!"- a velha limpou as mãos e olhou em volta, como se tivesse esquecido onde havia guardado os mantimentos. Quando gritou por Kaoru, uma jovem abriu a porta que dava ao outro cômodo da casa. Trajava roupas de algodão típicas das moças que trabalham em lavoura, mas era pequena e muito bonita. Era jovem, não deveria ter mais de dezoito anos. Tinha os olhos grandes e castanhos, em uma tonalidade quase avermelhada, e tinha os cabelos de um tom de castanho mais escuro que lembrava o tronco de uma nogueira, levemente ondulados e presos em uma trança que caía-lhe sobre os ombros.

    -"Sim, vovó? A senhora me chamou?"- a voz da moça era bem fina, mas tinha certa melodia. Ela percebeu que Kaito e Akemi estavam sentados à mesa, e cumprimentou os dois.

    -"Sim, querida. Por favor, prepare um chá para os cavalheiros e traga aquele queijo com especiarias que ficou pronto ontem. Eu preparei biscoitos mais cedo, ainda devem estar bons, traga-os também."- a velha senhora ajoelhou-se ao lado da mesa, acomodando-se em uma almofada ao lado dos "rapazes" que a visitavam.

    A moça assentiu ao pedido da avó e saiu para buscar água para ferver o chá. Quando ela virou as costas, a velha baa-chan piscou aos convidados.

    -"Uma preciosidade, minha Kaoru-chan. Não sei o que faria sem ela."- Em seguida, ela olhou para Kaito e deu um sorriso afiado de raposa velha -"O senhor a achou bonita, Kaito-kun? Kaoru está na idade de casar, sabe?"

    -"VOVÓ!"- a moça entrou de volta na casa ao mesmo tempo em que Kaito engasgava com o próprio ar. Estava vermelha como um pimentão. Tinha uma bandeja nas mãos com tudo o que a velha senhora havia pedido.

    -"Não fale coisas estranhas aos convidados. Desculpem, ela aparentemente começou a ficar senil."- e começou a coar o chá, depositando as canecas delicadamente sobre a mesa e servindo todos. O queijo tinha um cheiro delicioso de especiarias, mas Kaito estranhamente hesitou em provar. Akemi percebeu que o rapaz estava tão vermelho quanto a moça.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Set 12, 2019 12:25 am






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”



    Akemi encontrou Kaito no cômodo que usavam como sala. Ele estava relutante em sair e criando várias tarefas para realizar. A menina apoiou as mãos na cintura e disse de uma maneira provocativa que iria comer o queijo sozinha.

    Ela o chantageou e conseguiu atrair a atenção do moreno que correu para se arrumar. No caminho os dois riam enquanto Akemi imitava um rato com as mãos e caretas. A noite estava agradável e os dois caminhavam em direção a casa da Ba-chaan. Em alguns momentos, especialmente como aquele. Akemi agradecia por terem essa missão, já que em seu coração Kaito acabou ocupando de certa forma o lugar de Akira.

    Quando chegaram na casa da velhinha, a encontraram sentada numa cadeira de balanço. O cheiro de fumo e de algo delicioso impregnava o ar. Os dois foram recebidos carinhosamente. A casa da senhora era modesta, mas acolhedora.

    - Ohayo….Com licença, Baa-chan.- e se acomodou na mesa na sala/quarto.

    A menção dos biscoitos fez a barriga da menina roncar, então era isso que cheirava tão bem. Para sua surpresa a velhinha chamou por uma jovem.

    A garota apareceu timidamente na porta e cumprimentou os dois, Akemi retribuiu com um aceno de cabeça, mas percebeu que Kaito estava paralisado e encarando a jovem.

    Lobo em pele de cordeiro Screenshot-20190905-125859-1

    Mas não foi apenas Akemi que percebeu o encanto pela jovem. A Baa-chan foi direta no assunto e isso fez Kaito engasgar de surpresa. Kaoru apareceu de repente e estava muito corada. Akemi sorriu pois achou avó e neta adoráveis.

    A jovem serviu o chá, partiu o queijo e ofereceu os biscoitos. Akemi não tardou em experimentar, o biscoito de nata derretida em sua boca e com o chá era a harmonia perfeita. Já o queijo com especiarias era picante, mas delicioso. A jovem samurai olhou para Kaito, ele não havia comido nada...nem o queijo. O moreno mal se mexia e estava tão constrangido quanto a jovem.

    Akemi riu e decidiu entrar no modo casamenteiro também. Ela sorriu para velhinha ao enaltecer as qualidades do Kaito.

    - A senhora sabe que Kaito será um excelente médico algum dia. Ele até se recusou vir aqui pois estava preparando os medicamentos para os moradores do povoado. - Agora olhou diretamente para Kaoru.- Ele é a pessoa mais gentil que conheço. E está sempre disposto a ajudar e é um bom ouvinte. Vocês poderiam conversar algum dia para se conhecer melhor. Acho que a Baa-chan não se opõem e nem eu.

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    Mensagem por Tellurian em Sex Set 13, 2019 11:27 am

    O rubor de Kaoru aumenta e a moça arregala os olhos quando Akemi junta sua voz a de sua avó. A dupla casamenteira se diverte quando ambos, Kaito e Kaoru, ficam ainda mais envergonhados. Baa-chan ri e esfrega as mãos, satisfeita com o comentário de Akemi. A velha senhora serve mais um pedaço generoso do queijo aos convidados.

    -"Ora, não seja assim. Eu estou velha, Kaoru-chan. Queria segurar um bebê uma última vez, mas Noobu é um solteirão. Você é a minha última chance de ter um bisneto!"- a velha ri seu sorriso desdentado em uma gargalhada gostosa enquanto Kaoru adota tons cada vez mais vívidos de vermelho por toda a face. Já estavam falando em filhos, pelos deuses.

    -"VOVÓ!"- a moça parecia prestes a chorar de vergonha - -"A senhora está constrangendo o senhor Ishida!"

    -"Uh... não... eu, er... eu não fico constrangido."- Kaito tinha um sorriso desconcertado no rosto, e estava vermelho até as orelhas. Desviou o olhar enquanto o queixo de Baa-chan e de Kaoru atingiram o chão ao mesmo tempo, e pegou uma fatia do queijo, enfiando na boca de uma vez só. -"Ifo iftá delifiovo", disse o rapaz envergonhado, sem prestar muita atenção às boas maneiras, meio que como forma de desviar o assunto. Kaoru entendeu a dica e aproveitou a oportunidade.

    -"S-sim! A pimenta desse ano ficou bastante boa por causa das chuvas!"- tagarelou para mudar o assunto, mas sentou-se ao lado de Kaito, e Akemi pôde notar que a moça lançou um olhar de ternura ao samurai.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qua Set 18, 2019 9:48 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”



    Naquela pequena cabana, Akemi estava feliz junto com as pessoas que ela gostava, Kaito, Baa-chan e agora Kaoru. Lá tinha um clima acolhedor e caloroso, que a fazia esquecer da missão e de todos os problemas do mundo. Akemi só queria que o amigo fosse feliz.

    E quando Baa-chan falou sobre filhos, a menina riu com a chantagem da velhinha. A jovem samurai pegou mais um pedaço generoso de queijo. E olhou de modo travesseiro para Kaito.

    -Sabe… não faz muito tempo que o Kaito me disse que queria casar e ter uma porção de filhos.

    Akemi sorria com a nova confissão e achou adorável a atitude envergonhada de Kaoru. Mas surpreendentemente Kaito parecia estar gostando das iniciativas. Claro que o rapaz ficou envergonhado e enfiou o pedaço de queijo inteiro na boca. Mas era algo fofo de se ver.

    Kaoru e Kaito começaram a conversar sobre o preparo do queijo. Mas ela percebeu quando a jovem se aproximou de Kaito e o olhou com carinho. PRONTO…. Dever cumprido.

    Akemi enche o copo de chá da Baa-chan e brinda discretamente. Ela iria deixar os dois pombinhos se entrosando e conversa com a senhora. Queria saber mais sobre o vilarejo.


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    Mensagem por Tellurian em Qui Set 19, 2019 11:56 am

    Kaito e Kaoru conversavam sobre a fabricação dos queijos. Estavam cheios de sorrisos fáceis um para o outro. Kaoru dava detalhes do processo como se estivesse descrevendo uma ciência exata, e Kaito acenava com a cabeça e demonstrava interesse como se ela lhe estivesse contando histórias empolgantes. Os dois eram adoráveis, de fato. Baa-chan deu um sorriso a Akemi enquanto brindaram e lhe disse que ela teria queijos a vontade.

    Então, a porta de entrada se abriu, atraindo a visão de todos. Nobu, filho de Baa-chan, acabara de entrar em casa. Estava acompanhado de uma moça jovem, muito bonita. Haviam boatos de uma recém-chegada, vinda da cidade, cujo marido havia sido atacado por bandidos durante a mudança. A história empolgante estimulava as imaginações do lugarejo nos ultimos dias, mas até agora Akemi não havia conhecido a moça. Também ainda não tivera a oportunidade de conhecer o rapaz, filho de baa-chan.

    -"Mamãe, Ohgo-chan está aqui para vê-la e eu.... oh, temos visitas. Desculpem a intromissão."- o rapaz fez uma reverência ao notar a presença dos "irmãos" Ishida.

    -"Ohgo-chan! Seja bem vinda! Chegou em boa hora, querida. Estamos provando um queijo. Temos chá e biscoitos, também. Venha, venha. Sente-se. Noobu, você também. Tenho que lhe apresentar aos irmãos Ishida."- a velha senhora acenava com a mão, pedindo que os recém-chegados encontrassem um lugar proximo à mesa apertada.

    -"Ishida Akira, Ishida Kaito, este aqui é meu filho, Noobu. Esta jovem adorável que veio me visitar é Ohgo Suzuka, que se mudou recentemente para cá com o marido. Ohgo-chan, talvez o senhor Kaito possa auxiliá-la com o problema do seu marido. O rapaz é médico, sabe?"- a jovem senhora servia queijo ao filho e à Suzuka, enquanto Kaoru levantara para buscar mais copos para o chá.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Set 19, 2019 12:57 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”



    A menina sorriu com a menção do queijo a vontade. Mais tarde, quando retornasse para casa, ela contaria isso para Kaito. Com certeza seria mais uma razão bem favorável para ele selar o compromisso com a jovem Kaoru.

    A porta abriu de repente e Akemi já ficou em alerta. Mas era apenas o filho da Baa-chan, Nobu e uma jovem muito bonita, ouso dizer mais bonita do que a Kaoru.

    Ela e Kaito escutaram os rumores que um casal chegou de madrugada e se acomodaram numa cabana na floresta. O marido havia sido ferido por ladrões. E esse assunto interessava Akemi, afinal ela ainda fazia parte do Shinsengumi e seu dever era proteger os cidadãos. Mas aquele não era o momento para falarem disso.

    Akemi acena com a cabeça quando Baa-chan apresentou os "irmãos". E aguardou até as pessoas se acomodarem na mesa pra se apresentar.

    - Muito prazer, Nobu-San, Ohgo-dono.

    Quando Baa-chan falou sobre as habilidades médicas do Kaito, a menina concordou com a velhinha. Ela sabia do risco de ter o ferimento infeccionada após uma luta contra bandidos.

    - Kaito é muito bom no preparo de medicamentos...E ficaremos feliz em ajudá-la- Ela sorriu amigável para a jovem


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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Qua Set 25, 2019 12:14 am

    Suzuka caminhava levemente e ligeiramente ao lado de Nobu, o rapaz tinha passos largos. Ao entrar na casa, Suzu ficou desconcertada, pois Baa-chan não estava sozinha, havia algumas pessoas ali que sorriam e pareciam estar a vontade na presença da anciã, aliás era muito fácil disso acontecer, pois Baa  era uma ótima anfitriã, sempre disposta a ajudar sem.muitas perguntar, era uma.pessoa  discreta, que sempre estava sorrindo  e tinha uma energia muito positiva, a geisha sempre se sentia bem na presença da anciã.

    - Boa tarde senhora Baa,  Boa tarde senhores - e ao olhar para aqueles jovens algo incomodou a geisha, eles pareciam soldados, e Suzuka ficou analisando eles e pensando "o que será  que eles fazem por aqui? Sera que foram descobertos? E o coração da pequena começou a Acelerar, e ela ficou com imensa vontade de correr dali, mas não podia, pois mostraria que tinha algo errado, então manteve firme s seguiu em direcao a anfitriã, aceitando o pedaco de queijo. Foi quando, para o seu desespwro, que Baa sugeriu que um daqueles homens fosse ver Gensai. Ela nao podia deixar, mas tambem nao poderia recusar pois levantaria suspeitas, e por um tempo, enquanto mastigava o queijo, e bebericava o.cha, pensou em como
    lidar com aquela situação. Por fim respondeu.
    - obrigada pela hospitalidade senhores, mas prefiro eu cuidar do meu marido, tenho meus conhecimentos também, só  preciso de algumas calendula para fazer umas compressas nas feridas. - ao dizer sorriu quase suplicamente  para Baa  esperando pela planta que veio.buscar e torcendo para que não insistam com ela. Lobo em pele de cordeiro Images18
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    Mensagem por Tellurian em Qui Out 10, 2019 4:27 pm

    Kaito observa Suzuka com preocupação. A moça parece relutante em aceitar ajuda de estranhos. Mas pondera que, visto que foram atacados por ladrões, não era de se admirar que a mulher tivesse problemas em confiar em pessoas que acabara de conhecer. Ele cumprimenta a moça curvando-se de um jeito bem formal.

    -"É um prazer conhecê-la, Ohgo-san"- Ele fica de pé e se curva. O rapaz fala com a voz tranquila, e Akemi reconhece imediatamente que o "modo médico" entrou em operação. Kaito provavelmente estaria angustiado em ajudar, como ela já havia presenciado tantas vezes antes. -"Ouvi dizer que seu marido foi ferido"-

    -"O prazer é meu. Sim, ele está ferido, e desacordado a alguns dias. Vim buscar ervas para fazer um curativo nele.- A jovem geisha corresponde a reverência do rapaz, de forma igualmente respeitosa. A voz de Kaito tinha esse estranho efeito calmante, uma vez que ele começava a demonstrar apreço e preocupação pelas dificuldades de outros.

    -"Calêndula, né? Você não vai encontrá-la aqui nessa época do ano. Está frio demais."- o rapaz deu a notícia de forma hesitante, temendo a reação de Suzuka. A moça imediatamente demonstrou consternação, levando as mãos ao peito e baixando os olhos. Akemi percebeu a decepção da moça e decidiu tentar acalmá-la.

    -"Talvez haja outra planta que possa ajudar. Mas o Kaito teria de avaliar o ferimento, Ohgo-san."- a moça disse em tom conciliador, enquanto se aproximava da geisha, demonstrando preocupação.

    Kaito ofereceu-se para ir imediatamente à casa dos Ohgo, se Suzuka não tivesse nenhuma objeção. A moça prontamente concordou com o oferecimento de ajuda do rapaz, apesar de sentir-se um pouco aflita pela possibilidade de serem descobertos. Kaito pediu desculpas à Baa-chan pela desfeita com o queijo. A velha limitou-se a sorrir e dizer que o rapaz não deveria se preocupar. Ela mandaria a neta até a sua casa depois com um pouco de queijo.

    -"Eu também vou, se Ohgo-san permitir. Quero ver o que mais esses bandidos estão fazendo com nossa gente. E gostaria de ter uma palavra com os Ishida assim que possível."- Noobu apoiou a enxada na parede e lavou as mãos numa tina de água que havia próximo a saída.

    Akemi concordou com Noobu, dizendo que não se pode ficar de braços cruzados esperando bandidos atacarem. Isso fez o homem sorrir para Akemi, acenando com a cabeça em aprovação ao comentário corajoso.

    Akemi olhou para Kaito para ver se o rapaz havia entendido o recado, mas ele parecia completamente absorvido pela sua "nova identidade". Ele estava se despedindo de Kaoru, e ambos ostentavam sorrisos estrelados.

    Todas as amenidades cumpridas, tomaram a estrada rumo à casa dos Ohgo.
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    Mensagem por Tellurian em Seg Dez 02, 2019 4:20 pm

    A caminhada de volta deveria ser mais agradável. O clima do anoitecer estava ameno, com um céu sem nuvens e estrelas que já começavam a despontar no céu azul-marinho. O cheiro das flores noturnas já começava a permear a brisa montanhesa, e vários vaga-lumes piscavam aqui e ali ao longo do caminho. Mas os homens caminhavam em silêncio, refletindo sobre os acontecimentos recentes.

    Cada um estava dentro de seu próprio mundo particular, perdido entre considerações de determinação e preocupação. Akemi olhou para Noobu e viu que o homem tinha uma expressão dura. Acreditava que Ohgo-san havia sido violada pelo Senhor das terras e que seu marido havia sido ferido em retaliação a uma possível resistência, mas Akemi se perguntava quanto disso era apenas ele transferindo o próprio trauma a outra situação. Não pôde evitar sentir pena do homem, e se perguntava quais demônios falavam em seus ouvidos naquele momento. Não era capaz de imaginar a dor que ele sentia.

    A casa de Noobu era mais próxima da casa de Ohgo, e Noobu ficou no caminho. Despediu-se de Kaito e de Akemi com um aceno de cabeça, e pediu-lhes que aparecessem sempre que tivessem vontade. Eram bem vindos em sua casa.

    Quando caminhavam de volta para casa, Kaito pegou um vagalume em suas mãos e sorriu.

    -"Foi um dia... interessante."
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