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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mellorienna
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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Mellorienna em Sab Set 21, 2019 6:01 pm





    O Roubo do Rouxinol de Prata


    Forte Norte | Verão



    As copas das árvores além das muralhas da cidade ondulavam suavemente com uma brisa que jamais chegava até ali, nos cantos poeirentos de Forte Norte. Andavam os três sob o cinturão que envolvia o mundo, em direção a mais um trabalho: o Comendador tinha um assunto delicado a tratar com eles. Normalmente, quanto mais delicado, mais perigoso, e maior o pagamento. Tinham deixado as últimas moedas de cobre sobre o balcão da hospedaria naquela manhã e, sem meios de comprar sequer um pão para a próxima refeição, quanto mais delicado fosse o trabalho, melhor.

    Infelizmente, o caminho os levava a passar pela Praça: um mercado de escravos na periferia da cidade, onde - por dupla infelicidade - havia um novo carregamento. Homens embrutecidos, com chicotes e espadas curtas nas mãos, amarravam os pulsos dos elfos e elfas nus em estacas altas, deixando-os quase nas pontas dos pés. Mesmo àquela distância era possível ver que os escravos estavam feridos - provavelmente por terem lutado contra seus captores. Pelo menos uma das elfas chorava. Era Verão, e vocês ainda não tinham visto um Inverno por ali, mas havia sempre o pensamento incômodo de que mesmo sob a neve os escravos seriam exibidos daquela maneira.

    Vocês estavam prestes a deixar a Praça para trás quando uma comoção fez com que se virassem bem a tempo de ver uma das elfas recém-capturadas libertar os pulsos e disferir uma série de socos contra os homens que tentavam, em vão, segurá-la. Os longos cabelos vermelhos dela refulgiam como uma juba de leão enquanto lutava, parecendo ignorar as chicotadas que estalavam em sua direção, abrindo veios de sangue em sua pele branca. O público reunido para o leilão de escravos já havia começado a se afastar alguns passos, temendo pela fuga da elfa, quando um tacape na cabeça fez com que a ruiva caísse ao chão, os olhos revirando mesmo antes de desfalecer.

    E os lances por ela estouraram quase imediatamente.

    Por mais que estivessem ali há aproximadamente 1 mês, ainda era difícil lidar com a escravidão élfica. Cruzando a Praça, virando a rua à esquerda, um casarão destoava dos arredores e trazia ainda mais à tona esse desafio específico: o Comendador era o grande negociante de escravos daquela região. Com a recompensa em mente, e a fome do meio-dia começando a se aproximar, entraram pelos portões decorados com brasões e se deixaram conduzir - por escravas elfas - até o escritório do Comendador, onde o homem de cerca de sessenta anos esperava enquanto bebericava algo que vocês reconheceram como sendo whisky.

    Indo diretamente ao assunto, o Comendador não perdeu em tempo em comunicar que a missão os levaria ao centro da cidade, mais precisamente ao grande parque murado comumente chamado de santuário das Ohana. Nenhum de vocês jamais havia estado dentro daquelas muralhas, mas ouviam todo tipo de histórias - das mais corriqueiras até as mais absurdas - sobre o que se passava por trás dos muros onde viviam as "elfas livres". Na hospedaria, as conversas iam desde comerciantes de sedas finas fofocando sobre as encomendas para os vestidos das Ohana, até sussurros sobre rituais em que as elfas corriam nuas e se banhavam no sangue dos humanos que ousavam entrar em seu bosque. O pior mesmo eram os contos sobre os banquetes antropofágicos: se as Ohana estavam em seu santuário para viver como faziam os elfos verdadeiramente livres da floresta ao norte, e se estes elfos eram reconhecidamente canibais...

    - Ela era filha de uma das nossas orelhudas, que cruzamos com um reprodutor vindo de Deneb. Um orelhudo com olhos de lobo, que foi trazido para lutar nas rinhas. Venceu sete lutas até a morte. Um espécime de valor, senhores. De valor. - ele não serviu bebida, nem convidou para que se sentassem. Gente como o Comendador não era cortês com mercenários - Linda desde que nasceu. Eu a vigiava de perto. Fiz com que fosse criada longe das plantações. Alimentei e vesti a orelhudinha, esperando o momento certo. Então, veio o Diretor e a roubou de mim! Levou minha propriedade sem sequer um moeda de ressarcimento, sem um pedido formal de desculpas! "Ela foi escolhida para ser Ohana", o babaca disse na minha cara, "não há nada que possa fazer contra a decisão real", ele teve a coragem de falar. E esfregou o maldito selo da Coroa de Bellenus no meu nariz, antes de sair levando pela mão a minha elfa! Os senhores devem concordar comigo que não se trata de mais do que recuperar o que é meu por direito!

    A missão: invadir o santuário das Ohana, no centro de Forte Norte, e sequestrar a elfa conhecida como Rouxinol de Prata, que deve ser levada para uma casa segura (cativeiro) no meio do bosque de carvalhos da fazenda do Comendador.

    A recompensa: 10 PO para cada um (2 PO adiantados + 8 PO ao entregar a missão)

    - Não se preocupem em comprar um cavalo para a orelhudinha. Mesmo com essa bobagem de Ohana, orelhudos não montam à cavalo. E duvido muito que, confinada naquele santuário, tenha aprendido a correr o suficiente para acompanhar a montaria. Só... - ele gesticulou como alguém jogando algo sobre os ombros - ... carreguem como um saco de batatas.

    As duas pesadas moedas de ouro eram algo inédito: nunca haviam visto uma daquelas, sendo que - durante todo aquele mês - o máximo que conseguiram foi uma moeda de prata a ser dividida entre os três. Com o prêmio total de dez moedas de ouro poderiam se dar ao luxo de comprar um pequena propriedade, ou melhorar seus equipamentos, ou ainda viver por um ano inteiro com conforto mediano em uma boa hospedaria. Mais que isso: talvez finalmente conseguir uma passagem numa caravana para fora de Forte Norte - em direção à capital do Reino de Bellenus, Deneb, ou mesmo à distante Lis Austral, onde talvez pudessem encontrar mais pessoas presas naquele mundo, como vocês. Literalmente, qualquer lugar longe o suficiente da Praça e da Floresta, cujas árvores imponentes guardavam a morte em suas sombras.



    Nazamura
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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Nazamura em Sab Set 21, 2019 9:10 pm

    Lux Arcadia


    Quarto da Hospedaria - naquela manhã

    Lux se debatia na cama em um sonho flashback intenso

    "- Phy, porque você veio visitar o túmulo de minha mãe?... Tudo bem. Me deixe sozinho!" Phy então ignora totalmente e vai ao seu encontro abraçando-o "- Vai te animar se eu te fizer isso, porque minha mãe fez por mim" Lux Arcadia então chora copiosamente abraçado em Phy ....

    Naquela manhã Lux despertou triste, estava dividindo a despesa com 2 pessoas estranhas a ele, uma mulher chamada Celty e um mago de nome Onnerb, provavelmente ouviram-no agitar-se na cama ao despertar desse sonho intenso poderia ter 14 anos na vida real, e mesmo em seu corpo de 18 anos, ainda assim era um garoto. Estava há 1 mês sem ver Philuffy, em um mundo diferente sentindo falta da amiga, falta de seu reino aconteceu tudo tão rápido

    - Bom dia - disse aos companheiros de quarto tentando disfaçar os olhos vermelhos - Então, o que será que o comendador quer? se não fosse pelo dinheiro ... - nisso o estomago de Lux ronca - Hehehe... bom é melhor nos prepararmos né?

    Lux então se prepara com seu velho traje já surrado de tantas missões, mas era o único que tinha após esse mês, prepara e embainha suas 2 espadas, uma a costa e outra a cintura, e enquanto se prepara pensa " tornei-me mercenário para sobreviver nesse mundo, e a vida no castelo até que era boa, mas é uma boa oportunidade de aprender como depender do trabalho pra sobreviver"


    No caminho até a mansão do comendador, a cena chocante do dia por mais que os habitantes estivessem acostumado, ele jamais viu algo assim... escravos e escravas elfas nuas acorrentados como os equivalente escravos negros que ele só tinha visto nas aulas de história e nos filmes que passavam no cinema, aquela cena repudiava, principalmente quando a elfa "selvagem" rebelde mesmo açoitada ouriçava a mente dos ricos perversos que dariam mais por um exemplar agressivo em sua cama. Lux passava pela rua e se recusava a ver, olhando para o lado, ele mesmo chegou a ter servos em seu reino na Noruega, não eram escravos, mas jamais os tratou como animais principalmente as amas de leite que o criaram após a morte de sua mãe.

    - Eu tinha um tio que disse que mulheres selvagens valiam seu peso em ouro. Como eu o repudiava! ele provavelmente estaria aqui nesse leilão depravado - Comentava entre seus companheiros - Por mais que o tempo passe, eu não consigo me acostumar em ver essas cenas no dia a dia


    Então chegam a mansão do comendador e ele menciona o equivalente aos Quilombos livres da escravidão q ele estudou em historia, controlava-se pra não demostrar repulsa frente ao pagador da missão pois precisava do dinheiro, ele tratava a elfa como um cruzamento com um touro reprodutor que teve uma cria da qual sabe-se lá o que ia fazer quando ela estivesse nesse momento certo. A quantia em dinheiro era alta e se não fosse pela fome e precisar por assim viver, teria recusado, contudo

    - Bom er... como ela é? pode descreve-la? para ficar mais fácil acha-la - e depois olhando para seus colegas mercenários diz - Já ouvimos tantas lendas sobre esse santuário proibido mas, tem algo que você saiba sobre guardas, ou talvez lugares onde daria para entrar sem ser visto?

    Dos boatos que já ouviu, seria melhor ter alguma informação concreta antes de pensar em qualquer investida
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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por bcdomingues em Seg Set 23, 2019 12:22 pm

    Onnerb:
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    Já acordado desde as primeiras horas da manhã, Onnerb se manteve deitado em sua cama barata, no quarto onde estava hospedado com seus outros dois companheiros. Estava pensando em sua vida.. sua vida real e o que havia, realmente, deixado para trás.

    ''Minha faculdade era um saco, meus amigos praticamente inexistentes e minha família eu já na via mesmo.'' Ia lembrando dos detalhes, cada uma das lembranças com um sentimento indiferente em sua mente. Realmente, preso como estavam no jogo, sua vida parecia ter um pouco mais de sentido. Tinha um certo objetivo, companheiros e aquela vida ''falsa'' parecia, cada vez mais, real. Tanto que tentou imitar ao máximo seu corpo real de 21 anos com o personagem do jogo, que compartilhava da mesma idade. Sabia, claro, que isso não era a realidade, mas tratava como se fosse. Afinal, não queria experimentar a morte ali para ver o que acontecia com seu corpo na vida real.

    Olhou em volta, suspirando. Seu amigo mais próximo de si parecia inquieto em seu sono, o que as vezes acontecia: seriam lembranças? Nunca se atreveu a perguntar. Deu de ombros e levantou-se, não demorando seu olhar no restante do aposento. Eram tempos difíceis e a última moeda que tinham foi para pagar esse local onde passaram a noite. O mago, porém, não estava tão preocupado. Iam se virar de algum jeito. Ia se arrumando e vestindo sua roupa lentamente, sua mente pairando. Por fim vestiu sua capa e pegou seu cajado. Nesse momento seus amigos já estavam de pé e poderiam iniciar mais um dia.

    - Bom dia. - Falou para ambos, procurando alguma moeda perdida nas vestes para que pudessem tomar algum café. Não foi bem sucedido.


    Lux escreveu:Então, o que será que o comendador quer? se não fosse pelo dinheiro ... - nisso o estomago de Lux ronca - Hehehe... bom é melhor nos prepararmos né?


    - Bom, como é um assunto delicado espero que o dinheiro seja de acordo. Percebe que estamos totalmente falidos? - Perguntou, sorrindo. - Devemos ir antes que nossos estômagos tirem o restante do controle que temos de nossas mentes.

    Apesar de tudo, gostava daquele mundo e de seus amigos. Nesse último mês haviam se metido em muitos perigos e furadas e haviam criado uma certa intimidade, pelo menos ao seu ver. Não que o Forte Norte fosse um local belo. Ao contrário, o vento e a liberdade parecia estar ao lado de fora das muralhas e, onde estavam, só havia um pouco mais de desgraça e desconfiança. Caminhavam em direção a praça, que era o caminho mais curto até chegar ao Comendador.

    Foi quando viu a prática comum do Forte Norte de venda de escravos. Franziu o cenho e parou por alguns momentos para ver a cena que se desenrolava próximo de si. Os rumores que circulavam eram que os elfos em volta da cidade eram canibais e selvagens. Porém olhava para os olhos deles, o jeito de agir e algo lhe dizia que não era bem isso. Quem poderia dizer se não era somente uma forma de se defenderem dos humanos? Afinal, por qual motivo os exploradores que saíam nunca voltavam? Realmente eram servidos em banquetes élficos ainda vivos, como ouviu na Taverna ontem? Ignorou o leve arrepio que correu pelas suas costas ao pensar nessa desgraça e continuou andando lentamente. Mesmo com tudo isso ainda sentia um nojo pela venda de seres e segurou seu cajado com força, tentando apaziguar sua raiva.

    ''Você ainda não tem poder suficiente para mudar as coisas Onnerb, calma.''

    Pois esse era um dos objetivos do jovem mago: queria ter mais poder para poder as coisas por ali. Ao menos, para tentar ser mais civilizado. Já estava quase desistindo dessa ideia, mas nunca era demais sonhar por um mundo ideal, na sua visão. Respirou profundamente, tentando não ouvir o comércio que acontecia de forma quase selvagem atrás de si.


    Lux escreveu:- Eu tinha um tio que disse que mulheres selvagens valiam seu peso em ouro. Como eu o repudiava! ele provavelmente estaria aqui nesse leilão depravado - Comentava entre seus companheiros - Por mais que o tempo passe, eu não consigo me acostumar em ver essas cenas no dia a dia


    - Também não consigo aceitar isso, meu amigo. - Disse, pondo sua mão em seu ombro para caminharem mais rapidamente. A raiva era grande dentro de si. - Mas não podemos fazer nada. Por ora vamos cuidar dos nossos próprios afazeres. - Passaram pela Praça e se viram de frente com a casa do Comendador, um dos maiores traficantes de escravos da região. Onnerb balançou a cabeça e nessa hora só pensava em comer e no dinheiro para sobreviver. eram triste, mas era sua realidade no momento.

    Tentou não olhar com nojo para o Comendador enquanto este descrevia a elfa como um objeto de troca. Ouviu toda a missão e, sem escolhas, estava inclinado em aceitar. O que mais lhe chamava a atenção era o Santuário de Ohana e em como era conhecida a jovem elfa. As perguntas feitas por Lux eram pertinentes e não adicionou nada a elas, pois estava mais preocupado em tentar esconder sua raiva no rosto do que outra coisa. Talvez não conseguisse completar aquela particular missão, que ia contra tudo que pensava. Tentou imaginar que aquilo era um jogo afinal de contas e que isso tudo não passava de fantasia. Porém estava cada vez mais difícil separar isso.

    Assim que as perguntas fossem respondidas, Onnerb pegaria seu pagamento adiantado e iria para a cidade. Primeiro, tinha que comer e, em seguida, tentaria comprar alguns equipamentos melhores condizentes com sua classe. Além disso tinha que fazer os reparos em sua roupa surrada. Talvez até trocar um ou outro apetrecho. Afinal, eram duas moedas de ouro. Com certeza aquela seria uma missão extremamente perigosa.
    Padre
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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Padre em Seg Set 23, 2019 8:28 pm

    Celty.
    "De sonhar ninguém se cansa, porque sonhar é esquecer, e esquecer não pesa e é um sono sem sonhos em que estamos despertos."

    Estava ali não fazia sequer um mês, mas já parecia o tempo de uma vida. Tudo havia acontecido de maneira tão natural, a sua chegada, o período em que havia conhecido Lux e Onnerb, aquele corpo... Por vezes olhava para os dois no auge de sua juventude e não conseguia evitar a admiração, tanto vigor e autenticidade que ela mesma não conseguiria reproduzir no tempo de uma vida e realmente não havia conseguido.

    Sempre muito calada, jamais havia explicado de onde havia saído, como havia chegado ali, trocando apenas algumas poucas palavras com ambos que indicavam que haviam todos vindo do mesmo lugar, ainda era difícil de acreditar. Havia descartado a possibilidade daquele lugar ser o paraíso, afinal, se era o paraíso, por que passava fome? Tampouco acreditava ser o inferno, afinal, por que todos ali pareciam viver uma vida verdadeira e plena sem conhecimento maior e com acesso, mesmo que limitado a algo tão surreal como magia?

    Não sabia muito sobre onde estava, por que estava ali e muito menos se teria alguma saída, mas naquela altura importava? Por deus, mesmo sendo agnóstico, as vezes se pegava fazendo orações implorando para que quando partisse, pudesse rever suas filhas, seu amor por elas era incondicional, mas sendo forçado a viver naquela condição, mesmo que fosse na miséria, ainda era uma benção e se era temporário, o que custaria aproveitar?

    Naquela amanhã havia acordado cedo, costumes de uma vida antiga, já era o seu último cigarro, ela o guardava para uma situação excepcional, mas no ritmo que as coisas estavam indo, sabe-se-lá quando esse dia chegaria, com seu isqueiro, acendia enquanto assistia o sol nascer.

    Um café faria bem agora, sim, um café bem quente e amargo.

    Passava a manhã olhando pela janela, horas e horas, assistia o balançar das árvores na mais completa plenitude enquanto ao mesmo tempo tentava evitar sentir-se ansiosa sem saber se teriam o que comer durante a noite, alguém como ela que nunca passou pela pobreza, realmente estava sabendo o que era viver em outra pele ao limite, seu raciocínio só era cortado ao perceber a movimentação logo atrás de si.

    Lux... ━ Falava em um tom baixo, quase inaudível. Conhecendo o garoto a pouco tempo, mas sendo obrigados a conviver juntos por conveniência chegava a conclusão mais óbvia: mais um de seus pesadelos. Virava o corpo novamente para a janela, despreocupada, sabia que ele passaria por aquilo, seja lá qual fosse a fonte de seus anseios. Logo o garoto levantava, dando um bom dia tão xoxo que Celty já imaginava como seria o restante do dia com aquela atitude, porém, a educação ainda era mandatória, acenava positivamente com a cabeça cumprimentando o garoto, mas nada falava.

    Onnerb era o último a levantar, a interação entre os dois jovens era assistida em silêncio pela mentalista que apesar de intrigada, preferia manter os pensamentos para si mesma, o cigarro finalmente havia acabado, Celty estava pronta e pelo jeito os outros dois também.

    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Tumblr_oq4hu9TrrR1rydwbvo1_400

    Peguem tudo o que precisarem, acho que não voltaremos tão cedo dessa vez. Acho que vai ser divertido.

    Iniciavam a caminhada rumo a reunião com o Comendador, livre de qualquer pensamento sobre o trabalho, evitando sofrer por antecipação, liderava o caminho sem se preocupar com olhares que provavelmente recebia, visto a roupa e o penteado incomum que utilizava. A caminhada era silenciosa e por conta do clima pesaroso que havia se instalado no grupo ao passarem pela praça, agora era tortuosa, de canto de olho, observava a brutalidade com a qual aqueles homens tratavam aqueles elfos, dentro de seu coração, Celty nutria muitos sentimentos, nenhum deles verbalizados, abaixava a cabeça e seguia em frente.

    Parte dela se preocupava com a maneira como os colegas reagiam diante de tudo aquilo, se as coisas ali eram remotamente parecidas com a vida real, um comportamento que demonstrasse qualquer sentimento de pena, para eles, moribundos que eram, poderia ser fatal. Agora, mantendo os olhos no caminho, sem desviar o olhar, após uma rápida parada, falava em voz baixa para os companheiros com seriedade.

    Não é da nossa conta. Pessoas como nós não tem o direito de se indignar, já que não movemos um dedo para mudar isso.

    Dentre os três, Celty provavelmente era a que mais sentia aquela sensação, visto a jaula de medo e vergonha em que havia vivido toda sua antiga vida, não encontrava muita dificuldade em se colocar na situação daqueles elfos, mas, sendo realista, o que poderiam fazer? E fazer algo, garantiria uma morte plena e livre de vergonha? Cair em vão por um sistema que não mudaria apenas por um mero sacrifício, valeria a pena? Já havia consumido diversas obras que se pareciam com a realidade em que viviam agora e em nenhuma delas os tolos que se arriscavam cedo tinham finais felizes.

    Mais uma vez tinham a atenção roubada, dessa vez por uma rápida cena de luta de uma elfa que lutava pela sua liberdade, seus punhos instintivamente se fechavam com o receio de não saber se deveria se envolver ou não. Era quando a cabeça dela caía no chão, que Celty caía em si novamente, respirando fundo, amolecia o punho e retomava a caminhada.

    Vamos, não há nada para ver por aqui.

    Enquanto caminhava, torcia para ter pelo menos um fone de ouvido naquele mundo, assim não precisaria ouvir aqueles lances e ficar entorpecida de repulsa.

    ...

    A casa do Comendador não era longe, bem próxima da praça para falar a verdade, fato este que Celty associava a facilidade da logística do negócio daquele homem. Seguindo o caminho atrás das escravas elfas, mantinha a mesma expressão de seriedade, não dando espaço para estranhos forçarem a intimidade. Na sala do Comendador, observando aquele homem, Celty era rapidamente transportada para o passado onde lembrava-se de algumas reuniões de negócios ou saídas com amigos, aparentemente aquele tipo de homem era o mesmo, não importa o universo.

    Escorando-se sobre uma escrivaninha que estava ali perto, ouvia todos os detalhes da missão e as perguntas de Lux, aguardava todos concluírem, para só então tomar a fala.

    Nós aceitamos, como Lux falou, realmente ouvimos todo tipo de história sobre o Santuário, qualquer coisa palpável seria útil agora, senhor Comendador. ━ Cruzando as pernas de maneira descarada para provocar, continuava. ━ E se ela é tão valiosa assim, vai ter problema se ela se machucar um pouco? E quem é o "Diretor"? Ele vai ser algum tipo de problema pra gente? Algo mais que devamos saber?
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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Mellorienna em Ter Set 24, 2019 6:15 pm





    "Um Bordel Glorificado"


    Forte Norte | Verão



    O Comendador continuava bebericando seu whisky enquanto vocês recolhiam as seis moedas - duas para cada um - e faziam suas perguntas.

    Lux escreveu:- Bom er... como ela é? pode descreve-la? para ficar mais fácil acha-la - e depois olhando para seus colegas mercenários diz - Já ouvimos tantas lendas sobre esse santuário proibido mas, tem algo que você saiba sobre guardas, ou talvez lugares onde daria para entrar sem ser visto?

    - Pele branca. Cabelos prateados. Jovem e tenra como uma lebre de primavera. - ele pintava da elfa uma imagem que remetia a caçadas, esporte que só não era mais popular naquela região porque, nas matas ao redor da cidade, os Humanos eram as presas  - Os detalhes operacionais são por conta e risco de vocês. É para isso que contratei mercenários, afinal.

    Absorto em sua bebida, o Comendador sequer prestou atenção à expressão de Onnerb, ou aos olhares que vocês trocaram.

    Celty escreveu:━ Nós aceitamos, como Lux falou, realmente ouvimos todo tipo de história sobre o Santuário, qualquer coisa palpável seria útil agora, senhor Comendador. ━ Cruzando as pernas de maneira descarada para provocar, continuava. ━ E se ela é tão valiosa assim, vai ter problema se ela se machucar um pouco? E quem é o "Diretor"? Ele vai ser algum tipo de problema pra gente? Algo mais que devamos saber?

    Prestando atenção às curvas de Celty, o Comendador não fazia esforço algum para esconder que esquadrinhava a mulher. Era bem nítido que ele era o tipo de homem que achava que se uma moça saía de casa usando uma minissaia, era porque estava procurando.

    - Palpável, hein? É, você tem cara de quem gosta de coisas palpáveis... - o Comendador tinha um meio sorriso insidioso dirigido para as coxas, não para os olhos, de Celty - Tudo bem, tudo bem, eles deixam que ela mande cartas três vezes ao ano para a mãe. Queimei todas que encontrei, mas a orelhuda já tinha conseguido ler uns pedaços, algumas vezes. Ficou um tempo pendurada pelos pés, mas sabem como é: esses orelhudos têm os miolos moles, custam a aprender a lição. - dando de ombros, o Comendador parecia encaminhar a conversa para o fim - Vou mandar que Lilah acompanhe os senhores até o portão. Aí perguntam a ela o que ela possa saber. Porém... - os olhos embotados pela bebida pareceram subitamente claros ao fixar o olhar de um por um de vocês - ... ela deve ser trazida sem nenhum arranhão. Do que me vale a encomenda se a mercadoria chegar danificada? Por isso, concedo a vocês um prazo razoável de três dias para levarem a orelhudinha para minha fazenda. Três dias e dez peças de ouro para se infiltrar naquele bordel glorificado e recuperar o que é meu. Até a volta, senhores!

    Dispensando-os com um aceno, o Comendador ordenou que encontrassem Lilah e que ela os levasse até o portão da propriedade. Vocês já iam a meio caminho pelo jardim quando, silenciosa como um camundongo, uma elfa de cabelos curtos e negros surgiu do nada, usando vestes grosseiras de algodão cru que ressaltavam sua pele morena.

    Um detalhe interessante sobre Forte Norte era que, até o momento, vocês já tinham visto pessoas de todas as cores e formas: o que incluía os elfos. Ao contrário dos livros de fantasia clássicos, onde os elfos eram sempre pálidos e de olhos claros, ali havia uma miríade de cores de pele, cabelos e olhos entre os indivíduos de cada uma das raças. Desde o tom de marfim até o ébano, todos eram Humanos, todos eram Elfos. E aquela era uma elfa de pele acobreada e olhos amendoados quase negros.

    - Não há guardas na parte de dentro, mas as muralhas são patrulhadas por fora, três vezes a cada hora, dia e noite. Dois guardas no portão principal. Lá dentro, Ilíria abençoou muitas delas, e são capazes de cuidar de sua própria segurança. - exatamente assim, indo direto ao assunto, sem apresentações, Lilah continuou, em voz apenas um pouco mais baixa - Minha filha, Linë, pode cobrir a oferta do Comendador. Será um bom negócio para os senhores. Encontrem uma Érennish e comprem um caminho para a floresta. Levem Linë. Ela pode pagar.

    Rápida como veio, Lilah se foi, uma sombra perdendo-se como vento no jardim.

    De volta às ruas, as seis moedas de ouro pesavam alegremente nos bolsos, enquanto incertezas nublavam a mente de cada um. Érennish era o nome pelo qual os escravos chamavam os elfos capturados na floresta, elfos que nasceram livres. Caso decidissem realmente libertar Linë, conhecida como Rouxinol de Prata, mas não quisessem entrega-la ao Comendador, precisariam de um guia Érennish para fugir com a moça para a floresta - esperando não serem mortos assim que pisassem à sombra das árvores. Claro, havia o caminho simples: entregar Linë ao Comendador, mesmo imaginando com algum grau mórbido de certeza exatamente o que o velho pretendia com a jovem e tenra Rouxinol de Prata.

    Estavam de volta à Praça, onde o leilão de escravos seguia em frente. Puderam ver que os últimos lances eram concluídos, e agora pessoas comuns - taverneiros, ferreiros, açougueiros e donas de bordéis - negociavam as peças entre si. Por um acaso, vocês passaram ao largo de uma pequena jaula, onde a lutadora ruiva de antes estava agora encolhida, incapaz de fazer mais que abraçar as próprias pernas no pequeno espaço confinado. Ainda nua, como todos os demais escravos leiloados, ela era analisada por uma mulher sendo abanada por uma elfa loira vestida em algodão cru e por um homem com nariz adunco e olhos de ave de rapina, enquanto uma matrona balançava seu leque na direção da jaula, gesticulando enquanto falava:

    - Nenhum cobre a menos! Eu nem deveria estar vendendo. Essa aí seria uma atração e tanto na minha boutique. - ela era proprietária de uma famosa casa de tolerância, quase no centro de Forte Norte - Cinco coroas! Ou nada.

    O homem se afastou, dizendo que ela o procuraria quando quatro moedas de ouro fossem o suficiente. Vocês reconheceram o sujeito: Zellad, um comerciante famoso no mercado negro de Forte Norte. Os boatos diziam que em sua loja de penhores, à sombra da muralha norte da cidade, era possível encontrar de tudo: desde antiguidades até órgãos de elfos e humanos - em um mundo sem transplantes, apenas ideias sinistras surgiam ao se pensar nas razões para esse tipo de comércio. Porém, Onnerb sabia de mais um produto que apenas Zellad vendia: a Fada Verde. A produção dos Anéis de Brigantium deixava para trás um pó finíssimo, composto de partes mil vezes menores que o menor grão de areia. Os Anões, avessos a desperdiçar qualquer ínfima quantidade do metal verde precioso que comercializavam para os Magos de Bellenus, encontraram uma forma de misturar essa limalha de Brigantium em uma bebida poderosa - e extremamente proscrita - a qual deu-se o nome popular de Fada Verde. Manipuladores de energia arcana que não haviam frequentado a Universidade, na capital do reino, eram mal vistos exatamente por não possuírem o Anel de Brigantium. Havia a desconfiança de que se voltariam, mais cedo ou mais tarde, para drenar a Vida ao seu redor. Porém, 100ml da Fada Verde poderiam tornar a Magia possível e indolor por cerca de 1h - ao preço de que, inevitavelmente, o vício na bebida consumiria o Mago, que acabaria perdendo o controle e destruindo tudo ao seu alcance, o que incluía a si mesmo. E, se isso não fosse aviso suficiente de que a Fada Verde era perigosa, ainda havia o custo: cinco moedas de ouro por um frasco de 500ml.

    A risada da mulher com sua elfa loira fez despertar a todos de seus devaneios, antes que esta seguisse seu caminho:

    - Depois que ela morder metade dos seus clientes, Marthinha, eu farei o favor de tirá-la das suas mãos. Por três coroas. - a mulher ria, mas lançava olhares de cobiça para a ruiva, mesmo depois de dar alguns passos para longe.

    Bufando de raiva, a matrona balançou furiosamente o leque, provocando uma brisa que agitou seus cachinhos cuidadosamente anelados ao redor do rosto rechonchudo de meia-idade:

    - Cinco coroas, ouviu orelhuda? Mostre essas tetas e me ajude a fazer um bom negócio! - Marthinha chutou de leve a grade da pequena jaula, mas a elfa ruiva não se moveu, abraçando com força os próprios joelhos.


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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Nazamura em Qua Set 25, 2019 10:33 am

    O Dilema do Cavaleiro



    Lux tentava disfarçar seu desprezo no canto dos lábios, afinal estava sendo pago e precisava do dinheiro, se a situação fosse outra teria insurgido contra a escravidão há tempos. Em seguida o Comendador começa a olhar para Celty de forma lasciva e sem querer Lux olha também para ela, mas não com olhar desejosos, e sim como quem estava relembrando em flash back de como se conheceram

    "Precisavam proteger um bairro e só haviam sobrado os dois. os demais mercenários haviam morrido. Dizem que se conhece alguém verdadeiramente em batalha e após o final dela Lux ficou timido em puxar conversa ao que Celty também não fez por onde, receberam a recompensa e um passou a seguir o outro sem dizer muita coisa, assim começou a aventura. Logo conheceu também Onnerb em outra missão de roubo em uma biblioteca, o comerciante queria uns pergaminhos só esqueceu de avisar das armadilhas magicas do lugar, Celty e Eu lidamos com os golens enquanto Onnerb fez o serviço e a sociedade esquisita silenciosa se formou. Dos raros assuntos conversados ao longo do dia e por 1 mês os três apenas se encontram no fim do dia para descansar no quarto alugado com 4 camas"

    O flash back foi quebrado quando o Comendador mencionou novamente que já ergueu sua escrava pelos pés torturando-a no momento que Lux olhava para Celty com um sorriso amigável perdido nos olhos da garota, mas logo vira o rosto para o Comendador deslizando mais uma vez o canto dos lábios tentando disfarçar o desprezo.

    - Pode deixar os detalhes operacionais conosco - Lux apertava o punho da espada e pra disfarçar fez uma saudação cordial como que fizesse parte do movimento - O prazo está bom e as condições de entrega também, se nos der licença... - tentou transparecer que estava de acordo com os termos, embora estivesse maquinando alguma outra forma de resolver isso




    De sobressalto a escrava do comendador apareceu, furtiva, poderia ter matado o grupo facilmente, mas pôs a explicar e falar de sua filha e entregou de bandeja todo o esquema de segurança

    - Porque está arriscando nos contar isso? Você não teme seu ...

    contudo ela já tinha sumido deixando Lux a falar do nada

    - Melhor comentarmos sobre o que aconteceu la fora - diz Lux ao grupo enquanto caminhava até a saida




    Enquanto andava pelas ruas para fora da mansão do Comendador, Lux olhou para Celty e Onnerb e comentou

    - Eu não sei quanto a vocês, mas estou cansado de ter que ferir o que é certo e agir por sobrevivência, Vocês me conhecem dos inúmeros combates que travamos e das missões que vivemos que esse não é nosso estilo de vida. Aquela mulher arriscou muito de seu pescoço em nos contar as janelas de 20 minutos que as muralhas ficam desguarnecidas e não nos contaria se não sentisse que nós estamos, de certa forma, irritados com o destino que vocês sabem que aguarda aquela moça assim que a devolvermos - Lux segura a mão fechada de raiva junto de si e estava prestes a agir como Celty saberia que faria, não recusando um pedido de ajuda sincero.

    Ouviu então dois comerciantes negociando a ruiva lutadora e Lux sabia que ela poderia ser a passagem segura para entregar Liñe as elfas em liberdade novamente

    - Celty, Onnerb, sei que estamos juntos por necessidade, mas está na hora de olhar pra dentro de nós, do que nos faz humanos, de lembrar do nosso lar - o planeta Terra. Vamos, me deem suas 2 moedas e vamos comprar aquela ruiva lutadora. Vocês podem rachar minha moeda de ouro que vai restar entre vocês, mas eu quero fazer a coisa certa uma vez mais, já não faço desde que cheguei a esse mundo. Depois a levaremos para nossa hospedaria e vamos explicar a ela o que vamos fazer. Ela virá conosco na missão de resgate não porque a compramos, mas pelo que é justo.

    E esticando a mão para o grupo diz

    - O que me dizem? - Olha com confiança para Celty como quem diz "você não quer descontar a ofensa"


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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por bcdomingues em Qui Set 26, 2019 2:28 pm

    Enquanto o Comendador falava, Onnerb sentia que sua energia interna começava a se transmutar para algo relacionado a raiva. Sentia um calor subindo por seu peito e se espalhando para a ponta de seus dedos, deixando-os mais elétricos. Ansiava por ensinar àquele homem uma bela lição de onde veio, mas se controlava como podia. Seus olhos eram frios enquanto observava aquela desculpa de ser humano cuspindo palavras desenfreados. Quando já estava a ponto de não se importar mais o preço que sua magia iria cobrar no seu corpo, que o foco mudou para Celty. Realmente, era melhor se manter quieto e deixar que seus amigos falassem por ele nesse momento.

    Ao finalmente saírem uma leve aura mágica podia ser sentida em volta do mago, tamanha raiva que passou no aposento. Enojado, começava a respirar mais profundamente.

    - Não posso participar dessa expedição. - Pensou, enquanto caminhavam. - Não vai ter jeito, dinheiro nenhum paga a consciência de um homem. Acho que devo conver.. - Seu pensamento foi interrompido pela aparição de Lilah, que não tardou em passar seus próprios planos para os aventureiros. Onnerb não queria acreditar tanto na história, afinal não conhecia a elfa, mas estava inclinado a acreditar nela nesse momento.

    - Entendo. - Respondeu simplesmente, antes da elfa sumir como em um passe de mágicas. Continuaram a caminhar em direção a praça. Onnerb olhava para seu cajado e para suas mãos, sentindo a perigosa magia dentro de si se acalmando.

    - Do que adianta todo esse poder se não posso usar livremente? - Ia se perguntando, frustrado, enquanto todos se mantinham quietos. - Preciso controlar esse poder e devo tentar fazer isso da maneira correta. - Apertou seu cajado com força, olhando para frente. Um novo fogo era visto em seus olhos. - Lembro de uma vez, em uma mesa no meu mundo, que o mestre obrigou seus magos combeiros a se utilizarem de itens para controlar a magia. A quest por eles, no entanto, era muito difícil. Esse anel de Brigantium dado aos formandos de Daarth deve ter esse mesmo grau de dificuldade.

    Quando deu por si já estava de volta à praça de venda dos elfos. Respirou fundo para não fazer nenhuma loucura, mas foi Lux que tomou as rédeas da situação.


    lux1 escreveu:- Eu não sei quanto a vocês, mas estou cansado de ter que ferir o que é certo e agir por sobrevivência, Vocês me conhecem dos inúmeros combates que travamos e das missões que vivemos que esse não é nosso estilo de vida. Aquela mulher arriscou muito de seu pescoço em nos contar as janelas de 20 minutos que as muralhas ficam desguarnecidas e não nos contaria se não sentisse que nós estamos, de certa forma, irritados com o destino que vocês sabem que aguarda aquela moça assim que a devolvermos


    - Hmm - Fez um som de quem estava pensando, mas com um sorriso no rosto. - Como sempre é um lutador de causas nobres, jovem paladino. Não duvido nada que solte um divine smite em todos aqui. - Não esperava que pegassem essa última referência, mas não se importava. Ao menos não parecia o único ali com raiva.


    lux2 escreveu:- Celty, Onnerb, sei que estamos juntos por necessidade, mas está na hora de olhar pra dentro de nós, do que nos faz humanos, de lembrar do nosso lar - o planeta Terra. Vamos, me deem suas 2 moedas e vamos comprar aquela ruiva lutadora. Vocês podem rachar minha moeda de ouro que vai restar entre vocês, mas eu quero fazer a coisa certa uma vez mais, já não faço desde que cheguei a esse mundo. Depois a levaremos para nossa hospedaria e vamos explicar a ela o que vamos fazer. Ela virá conosco na missão de resgate não porque a compramos, mas pelo que é justo.


    - Sinceramente Lux, não me importo nem um pouco com a missão que nos foi confiado. - Respondeu, girando as duas moedas na mão com facilidade. - Lhe darei essas duas peças, mas eu tenho meus próprios planos. - Entregou a moeda para o jovem guerreiro, olhando fixamente para a a Praça dos Escravos, sentindo suas magia ferver dentro de si novamente. - Liberte-a como achar melhor, mas se não conseguir pelo modo correto, então devemos nos preparar para a batalha, pois não acho que vou conseguir me segurar. - Em seguida virou-se para sua companheira.

    - Celty. - Disse, fazendo um leve maneio com a cabeça. - Não sei como se sente com relação a essa situação, mas eu pretendo fazer algo para mudar isso. Vou deixar as negociações com Lux, mas não pretendo ficar quieto caso não funcione. Libertarei essa elfa e sairemos dessa cidade. - Nesse momento sua mente rápida já alertou sobre algo mais urgente: suprimentos.

    - Mas primeiro vou passar em algumas lojas que já vimos antes para comprar comida, água e dar uma renovada nos equipamentos. Acredito que, com o restante dessa moeda de ouro de Lux, devemos nos abastecer bem e por algum tempo. Isso não deve demorar mais que alguns minutos, já que mapeamos anteriormente as lojas para comprar suprimentos nesse meio tempo que estamos na cidade.

    Onnerb pretendia comprar bastante comida e água para suas viagens, além de dar uma melhorada e reforçada em sua roupa e cajados. Se fosse possível compraria uma faca de combate para deixar escondido entre as vestes, já que a sua atual estava um tanto surrada.

    - Após libertarmos a elfa.. - Falou baixo para seus companheiros. - ..e sairmos da cidade, devemos ver o que poderemos fazer. No entanto o caminho que pretendo percorrer será na direção de Daarth. - Olhava resoluto para seus amigos. - Não consigo viver mais nessa situação e a busca por poder pode começar a moldar meu caminho para melhorar esse mundo. Ao menos, é isso que gostaria. - Olhou para os dois com um pesar nos olhos. - Não sei se nossos caminhos nos permitirão tomar esse rumo, mas meu desejo é que fôssemos todos juntos antes de nos aventurar pelas florestas.
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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Mellorienna em Qui Set 26, 2019 5:40 pm











    Havia elfos de todas as cores de pele. Na Praça, nas casas, nas plantações e nas tavernas. Havia elfos brancos, havia elfos negros, e toda a sorte de cores pardas intermediárias. Elfos sardentos, elfos pálidos, elfos bronzeados. Mas o rosto que Celty viu em meio a multidão sem face não era nada como jamais tivesse visto antes.

    Um rosto de antiluz.

    A pele negra tinha um tom profundo e rico exatamente por ter mais pigmento que as peles mais claras, Celty sabia disso tão bem quanto qualquer pessoa que houvesse estudado o mínimo de Biologia. Mas aquela pele não era negra. Não mais que um buraco negro era chamado de negro por ausência de definição melhor. O capuz preto contrastava com a pele como um filme a cores contrastaria com uma obra em preto e branco. E olhos impossivelmente claros encontraram os de Celty, com um ar de surpresa, como se - apesar de estar ali parado, em plena luz do dia - o sujeito não esperasse ser visto.

    E assim, em um movimento da multidão agitada que deixava a Praça, ele sumiu.
    Como se pudesse se dissolver nas sombras.


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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Padre em Ter Out 01, 2019 7:23 pm

    Celty.
    A conversa seguia-se de maneira tanto desconfortável, desde que havia chegado até aquele lugar percebia a ousadia com a qual os homens a tratavam, realmente, o século XXI era uma realidade distante, por sorte, cada dia mais aprendia a lidar com aquele tipo de gente.

    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Rin-1

    Ora, senhor Comendador, eu realmente gosto de coisas palpáveis, desde que não esteja muchas e fora da data de validade. ━ Levantando-se então iniciava a ida até a porta, sem perder a seriedade e a compostura. ━ Iremos trazer esta elfa intacta, enquanto isso descanse, é o adequado para um senhor da sua idade.

    Olhando por cima do ombro, piscava para o velho com um ar de quem sabia o que estava fazendo.

    Já fora do quarto, Celty seguia pela casa sem olhar para trás, a feição dura que usava minutos atrás sumia, dando novamente lugar a moça simpática que ambos os parceiros conheciam bem.

    Ter essa conversa nesta altura do campeonato é bobeira, considerando o tipo de trabalho que nós já realizamos, mas, quais as reais chances de nós conseguirmos fazer isso? Dar um golpe no Comendador pode acabar sendo no final do dia uma tarefa mais fácil do que esta empreitada. Não que eu ligue muito pra isso, mas vocês...

    Já no meio do jardim, Celty era surpreendida pela chegada daquela que deveria ser a tal de Lilah, a moça não se exaltava, mas dava um passo para trás demonstrando não estar esperando a recém aparição. Respirava fundo e então seguia para o portão esperando que ela entendesse o recado e os seguisse enquanto explicava, a aparição da elfa era tão breve que sequer dava o tempo necessário para ser questionada.

    Já de volta na rua, antes que pudesse pesar a preocupação de como seguiriam a partir dali, os companheiros expressavam seus pensamentos sem receios, Celty de certa forma admirava isso neles, o coração puro, as falas carregadas de paixão, os ideias que apesar de bonitos, já não serviam para nada. Aguardava pacientemente que ambos terminassem de expor os seus sentimentos, seus olhos continuavam vidrados nos escravos que passavam por ali enquanto não conseguia evitar de pensar em como queria um cigarro naquele momento. É claro, ela de certa forma sentia-se como eles, indignada, frustrada, fraca, mas a realidade (ou sonho) naquele momento era apenas uma, estavam em um universo fantasioso, sem uma casa, passando fome, literalmente matando para sobreviver desde que haviam chegado ali. Para alguém tão velha, ideais eram bonitos, mas não enchem barriga.

    Não sei se devemos acreditar nela só por ser a mãe do Rouxinol. ━ Não demonstrava surpresa com a proposta da empregada, aquele tipo de coisa deveria acontecer o tempo todo. Celty era sim uma mercenária, respondia a quem pagava melhor, com toda certeza, mas também não era inocente. ━ No final nada garante que isso não seja apenas um teste de lealdade do senhor Comendador.

    Seus olhos então parava na elfa escrava, sua expressão era seca,  de quem não se compadecia daquele sofrimento, como poderia? A partir do momento que agisse pela emoção, tudo estaria perdido.

    Se me conhecem bem, sabem como sou rigorosa com os meus trabalhos e eu não pretendo mudar. Ser mercenários por si só não é um trabalho bonito, se nós nos preocupássemos com isso estaríamos lavando a roupa de alguém ou trabalhando como empregados, não adianta ser seletivo com ideais. ━ Virando-se então para os dois rapazes, ficando de frente para ambos, prosseguia. ━ Vocês querem arriscar a missão com uma informação sem pé nem cabeça porque estão com o coração machucado, ótimo por mim, libertem a escrava, mas não irão contar comigo nessa. Eu os considero muito, mas vocês tem que entender quando uma decisão simplesmente não faz sentido.

    "Érennish"

    Ouvia o nome ecoar ao longe fazendo com que interrompesse a própria fala por um breve segundo, desviava o olhar observando a ruiva abraçada com os próprios joelhos, uma cena triste, de fato. Os rapazes poderiam perceber o quão pensativa Celty estava. O tom que ela havia usado fazia com que a mesma reconsiderasse o jeito que os havia tratado, alguém tão velha como ela deveria entender os desejos da juventude.

    Não me entendam errado, eu os entendo, mas minha posição anterior não muda. Não podemos querer agir como guerrilheiros da paz apenas porque o mundo não funciona da maneira que a gente quer. Nós libertamos aquela elfa, as pessoas nos vêem andando normalmente com ela por aí e vocês acham que vão ficar calados? Se eles tem os recursos necessários para caçar criaturas mágicas e majestosas como eles, o que nós nesse estado podemos fazer?

    A cena ao longe seguia de maneira brutal, não surpreende, mas brutal, a raça humana sempre teve o dom para o mal, não era surpreendente, dentre eles mesmos, Celty era a mais óbvia, mas sabia que todos ali tinham seus anseios, medos, desejos, jogar pelo lado bom só fazia mais sentido naquele momento, mas e no futuro? Pensando melhor, finalmente retornou a atenção para os dois companheiros, respirou fundo e então esticou a mão direita para os dois, sobre a palma poderiam ver uma das moedas de ouro.

    Em respeito a relação que nós construímos, oferecerei minha moeda. Se a querem tanto, que a peguem, só não se esqueçam, todas as ações tem consequências, mesmo entre nós e a última moeda permanecerá comigo.

    Séria e com as mãos esticadas, olhava pra frente, seus encontravam então os olhos daquilo. Aquela criatura tão... Nova. Celty sabia com certeza que nunca havia visto algo como aquilo, uma criatura encapuzada que ao perceber que estava sendo observada, demonstrava tremendo desconforto e sumia diante da multidão. A mulher franzia o cenho, os dois poderiam perceber, mas a mulher não comentaria, para ela, diante de todas as coisas fantásticas que haviam presenciado desde que haviam chegado ali, aquilo era apenas isso... Mais uma criatura nova pronta para ser descoberta.

    Saindo de seu breve transe, voltava a encarar os dois.

    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Vrzpc6d

    E então?
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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Mellorienna em Qua Out 02, 2019 4:44 pm





    Em fuga outra vez


    Forte Norte | Verão



    Durante a breve negociação entre Lux - treinado desde a infância na arte da Diplomacia - e Marthinha, por nenhuma vez a Érennish ergueu os olhos. Permaneceu sentada, abraçada aos joelhos, enquanto a matrona dava com o leque nas grades da pequena jaula de tempos em tempos, tentando força-la a mostrar seus atrativos, que "certamente valeriam muito mais de cinco moedas em cidades mais civilizadas". Porém, apesar de todo o tino comercial da mulher, um príncipe é um príncipe: o espadachim entregou cinco moedas de ouro pela escrava ruiva, mas recebeu três de prata na volta. Marthinha ainda dizia que tinha sido praticamente roubada, mas sustentava um sorriso satisfeito ao se livrar da Érennish. Cobriu a moça com uma espécie de camisão em farrapos, assinou os papéis correspondentes, e deu às costas ao trio de aventureiros - quase como se achasse melhor correr antes que ele desistissem da barganha.

    O caminho de volta à estalagem foi tenso e silencioso. A escrava recém adquirida caminhava entre vocês, como uma prisioneira sendo escoltada, de cabeça baixa, os cabelos vermelhos caídos ao redor do rosto. Mas era possível ver que ela observava tudo. Em cada uma das paradas para adquirir suprimentos, ela olhava as lojas, as ruas, os itens. Sem mover mais que os olhos, era possível perceber que ela mapeava Forte Norte mentalmente.

    Ninguém parecia estranhar que três jovens andassem por aí acompanhados de uma elfa maltrapilha. Nem nos comércios, nem no caminho, mais que um ou dois olhares foi dirigido ao grupo - com exceção dos comentários grosseiros quanto aos usos para uma elfa bonita que houvesse escapado do destino de ser Ohanna. Parece que, em qualquer tempo ou lugar, havia um sujeito que se achava no direito de dizer "ô lá em casa"...

    Na estalagem, não havia mais que duas escravas. Mulheres humanas serviam as mesas, e a dona do lugar era igualmente humana, por óbvio. Mas as tarefas menos nobres - que em geral envolviam latrinas e outras limpezas pesadas - eram realizadas por elfas vestidas em grosseiros camisões de algodão cru. E, por pura coincidência, uma delas esfregava as tábuas do piso quando vocês entraram. E os olhos dela se cruzaram com os olhos da ruiva.

    Talvez fosse esperada uma grande reação. Ou uma apatia intensa. Nenhuma das duas coisas aconteceu. A escrava da estalagem apenas murmurou algo, que foi respondido pela ruiva com palavras idênticas: como quando alguém diz "oi" e a outra pessoa responde "oi". Ela não parou de esfregar o chão para isso, e a ruiva não deixou de seguir o ritmo normal de caminhada do grupo. E vocês subiram as escadas com as palavras que não compreendiam ressoando em suas mentes: Ilíria essen.

    O quarto de vocês continuava o mesmo: pequeno, quatro camas estreitas, dois baús onde poderiam guardar seus pertences, um aparador minúsculo com uma bacia lascada e um jarro de cerâmica, com água nem sempre fresca. Sem bancos ou espelhos. Uma pequena janela sem vidros, fechada com venezianas de madeira. Quando a porta se fechou atrás de vocês, a ruiva - até então taciturna e, de certa forma, cooperativa - virou-se imediatamente de costas para a janela, erguendo os punhos cerrados a frente do corpo. As pernas adequadamente separadas demonstravam que ela sabia bem como encontrar equilíbrio durante um combate. E havia um brilho perigoso nos olhos cor de terra-vermelha da moça que se postava orgulhosa como uma leoa, pronta para agredir o primeiro que caminhasse em sua direção.

    - Ouçam, humanos - ela praticamente cuspiu a palavra - não percam seu tempo achando que conseguirão o que querem. - ela falava o idioma local com perfeita fluência, sem nenhum sotaque ou trejeitos indígenas - Hellion marca minhas palavras: volto hoje para casa, por cima do cadáver de cada um de vocês.


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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Mellorienna em Qui Out 03, 2019 6:11 pm











    Pela janela, cujas venezianas de madeira estavam abertas graças ao calor, um silvo agudo e diminuto penetrou como uma pequena dissonância, quase imperceptível. Porém, a Érennish se agitou, seus olhos terrosos percorrendo velozmente o quarto.

    Mellorienna efetuou 1 lançamento(s) de dados 1. O Roubo do Rouxinol de Prata D4_32x32 (d4.) :
    3

    Além da porta, o som de passos subindo a única escada da estalagem. Passos pesados, de mais de uma pessoa.

    Rodada de Ataque!

    1 = não atingiu ninguém
    2 = atingiu a Celty
    3 = atingiu o Lux
    4 = atingiu o Onnerb

    Se alguém for atingido, os efeitos começam no próximo turno!

    Vocês são jogadores experientes, mas vale o aviso: não existe apenas uma forma de ter sucesso em uma cena assim. É possível ganhar XP mesmo evitando a luta. E é possível não eliminar todos os inimigos, deixando margem para cenas de interrogatório etc. Lutar ou não é com vocês. Sejam criativos e divirtam-se Smile

    Ah sim, toda vez que vocês deverem turno eu vou incentivar com catástrofes. Crescentes <3


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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por bcdomingues em Qui Out 03, 2019 9:26 pm





    Roubei da Babe


    Azedou




    Enquanto Lux se virava com as negociações, algo que Onnerb não tinha a mínima paciência, o mago olhava em volta da Forte, até onde sua vista alcançava e, no caso, até onde sua magia se estendia também. Não procurava por algo em particular e sim tentava decifrar o sentimento das pessoas de acordo com o rosto e com a energia que transmitiam. Tentava, de algum modo, perceber algum perigo em volta ou o pensamento sombrio das pessoas da cidade. Gostava de estar preparado, mas percebia que não sabia nem se essas pessoas ali do jogo podiam ser consideradas reais ou não. Isso era algo perturbador, mas, por sorte do destino, seu eu virtual não parecia se preocupar com a vida alheia das pessoas dali. Será que era algo implementado do jogo em sua mente? Algo como sobrevivência para não perder EXP? De qualquer modo era fascinante. Realmente viviam no jogo e todo o instinto de um MMORPG era vivenciado em tempo real.

    Saiu de seu devaneio somente quando Lux fechou negócio pela elfa. Não prestou atenção nas considerações finais e começou a perceber algo somente quando se encaminhavam para a estalagem. No caminho iam comprando as provisões básicas que haviam combinado anteriormente e, como previa, as pessoas ali não pareciam se importar que os três viajavam com uma escrava elfa. Parecia que Onnerb já havia se acostumado com esse sentimento das pessoas, apesar disso o enojar. Sinceramente não sabia como estava se segurando, mas resolveu atrelar essa nova paciência em estar nesse mundo. No entanto sua curiosidade ia se atiçando cada vez mais. Percebia uma certa tensão no ar e isso não era causado somente pelo grupo ali reunido. Era algo vindo de fora, dos becos, das ruas e da própria cidade. Agarrou seu cajado com mais força.

    Finalmente chegaram até a estalagem, onde uma outra elfa olhou diretamente nos olhos da nova companheira deles. Quase por instinto, Onnerb resolveu ativar uma magia. Não queria, de jeito nenhum, perder mais informações que já havia perdido. Com um leve sussurro entoou as palavras sagradas:

    - Compreender Idiomas

    Um leve poder passou por todo seu corpo, indo se acumular em um ponto de seu cérebro, mais para o meio de sua cabeça. Seu conhecimento de idiomas, agora, era absoluto. Podia compreender qualquer criatura, humanoide ou não, que ouvisse. Por isso não teve dificuldades em decifrar o que uma elfa falava para a outra e ficou pensando no que isso significava no caminho inteiro até o pequeno quarto deles, que estava exatamente como haviam deixado. Suspirou, cansado.

    elfinha escreveu:- Ouçam, humanos - ela praticamente cuspiu a palavra - não percam seu tempo achando que conseguirão o que querem. - ela falava o idioma local com perfeita fluência, sem nenhum sotaque ou trejeitos indígenas - Hellion marca minhas palavras: volto hoje para casa, por cima do cadáver de cada um de vocês.

    - Ora essa. - Disse, sentando-se. Aparentava não dar nenhuma importância para as palavras dela. - Pelo jeito sabe se defender e fala Comum muito bem. - Fez um leve maneio com a cabeça. - Mas nenhum de nós aqui quer o seu mal. Muito pelo contrário. - Agora levantou-se e se aproximou um pouco dela, mantendo uma distância segura para não ser atacado por engano. - Não suportamos o que está acontecendo com você e todos os elfos. Pretendemos fazer algo a respeito. - Olhava nos olhos da elfa, sem hesitar. Com certeza ela suspeitaria de uma mentira e queria que não houvesse dúvida de suas intenções. - Queremos ajudar e foi por isso que te libertamos. Senti algo em você que talvez nos ajudasse a começar essa mudança.

    Agora se afastou um pouco, olhando seus companheiros.

    - Lógico que posso estar errado. - Falou, dando de ombros. - Já sinalizei aos meus companheiros que preciso ir até Daarth para tentar controlar minha magia. - Olhou novamente para a elfa. - Você não é a única que precisa resolver as coisas. Se pudermos nos ajudar mutuamente, então será interessante viajarmos juntos. Caso contrário seguirei meu próprio caminho.

    Mal havia terminado essa fala quando um ataque inesperado veio da janela e ouviu passos pesados vindo da escada. Rapidamente olhou pela janela, procurando por algum inimigo ou a fonte do ataque. caso não visse nada se viraria para seus companheiros.

    - Se pularmos, posso garantir a nossa segurança. - Falou rapidamente, sem tirar os olhos da janela a atento com o som pesado vindo das escadas. - Confiem em mim.

    ação:
    Caso todos concordem, Onnerb usará a magia Queda Suave para aterrissar todos em segurança ao saltarem. Caso não dê tempo, então se prepararia para o combate oferecendo magias de suporte para seus companheiros, já que não sei o preço que elas estão me cobrando



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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Nazamura em Sex Out 04, 2019 9:56 am

    Negociações Perigosas.



    Celty escreveu:━ Não sei se devemos acreditar nela só por ser a mãe do Rouxinol. No final nada garante que isso não seja apenas um teste de lealdade do senhor Comendador.
    - Sendo teste ou não, a escravidão nunca é certa, e eu prefiro acreditar no chamado dessa mãe elfa, ela não arriscaria contrariar seu comendador sabotando o trabalho para o qual fomos pagos se realmente não quisesse estar com a filha. Pelo menos é nisso que acredito, suas ações foram estranhas, mas as palavras foram sinceras.

    Celty escreveu:━ Em respeito a relação que nós construímos, oferecerei minha moeda. Se a querem tanto, que a peguem, só não se esqueçam, todas as ações tem consequências, mesmo entre nós e a última moeda permanecerá comigo.
    - Podemos simplesmente mudar o mundo, já aconteceu em nosso mundo e acontecerá nesse - Responde Lux a Celty com a confiança impulsiva de sempre - Pode ficar com a ultima moeda e obrigado por concordar comigo - sorri a companheira de viagem.

    Lux olhava para Celty sorrindo, sabia tão pouco sobre ela, meticulosa, experiente, porem madura demais para sua idade, com uma sabedoria que a colocaria como digna de ser sua conselheria real, caso voltassem para a terra vivos. depois olhou para o Taciturno Onnerb, o que sabia sobre ele fora as referencias estranhas a seu mundo

    Onnerb escreveu:- Como sempre é um lutador de causas nobres, jovem paladino. Não duvido nada que solte um divine smite em todos aqui.

    - Depois queria que você me explicasse o que é esse "divine smite"? algum tipo de magia do seu mundo?

    Onnerb escreveu: Não sei se nossos caminhos nos permitirão tomar esse rumo, mas meu desejo é que fôssemos todos juntos antes de nos aventurar pelas florestas.

    - O comendador nos deu 3 dias de prazo para cumprir a missão, creio que gastaremos o dia hoje nos preparando e depois teremos tempo até iniciar os trabalhos, de forma que podemos nos preparar melhor





    As negociações correram como planejado e Lux comprara a elfa da comerciante, a principio, tudo parecia estar correndo como os conformes, foram as compras, se prepararam, ela parecia estar seguindo eles, mas ele não estava preparado para a surpresa que viria a seguir

    Erenish escreveu:- Ouçam, humanos - ela praticamente cuspiu a palavra - não percam seu tempo achando que conseguirão o que querem. - ela falava o idioma local com perfeita fluência, sem nenhum sotaque ou trejeitos indígenas - Hellion marca minhas palavras: volto hoje para casa, por cima do cadáver de cada um de vocês.

    Ziiimm - um dardo atingiu Lux no pescoço antes mesmo que ele pudesse responder a elfa, surpreso ele diz

    - Ai!... - Levando a mão ao pescoço removendo o dardo que parecia uma agulhada ele continua - Espere, eu me chamo Lux e você? - Lux caminha até a elfa esboçando um sorriso no rosto embora compreendesse a situação agressiva da elfa em posição de combate e os passos na escada indicando que mais problemas estão a caminho.

    - Você conhece Lilah? ela quer que nós resgatemos Liñe, sua filha e eu pensei que você pudesse nos guiar pelo Santuário das Ohana para resgata-la - Lux continua caminhando até ela com suas espadas ainda embainhadas e as mãos meio em sinal de rendição - Depois, terá sua liberdade, do país de onde eu vim, não há escravidão e eu jamais lhe trataria como uma escrava - Lux pega então a bussola com a foto de Philuffy olhando com ternura para a foto dela e depois com o mesmo carinho como quem entende o motivo pelo qual ela está lutando - Você não é a única que quer voltar pra casa.

    Onnerb escreveu:- Se pularmos, posso garantir a nossa segurança. Confiem em mim.

    Os passos na escadaria aumentam

    - Venha - Lux sorri e estende a mão a elfa, mesmo a vendo arqueada e pronta para agredir quem ousasse chegar perto.

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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Padre em Sex Out 04, 2019 2:48 pm

    Celty.
    Durante a negociação Celty se mantinha distante, não sabia ainda o que aquela nova presença proporcionaria ao grupo, como seria a nova dinâmica, se ela seria um problema e ainda por cima tinha que se preocupar em cumprir a missão. Com o olhar no horizonte, mal percebia quando finalmente os companheiros estavam de volta com... Ela. Celty a observava da cabeça até os pés com um olhar claro de desaprovação, mas nada falava.

    Sendo a primeira a seguir para casa, liderava o caminho calada, o que poderia dizer? Se algum dos dois tentasse puxar assunto, com certeza seriam ignorados. Hora ou outra seus olhos passavam pela escrava, era impossível deixar de notar como ela era observadora e ciente do que acontecia ao seu redor, cenas como aquela já havia visto incontáveis vezes, a única que se fazia era quanto tempo levaria para ela tentar fugir.

    Chegando na estalagem, também percebia a interação das elfas, ignorava passando reto, enquanto subia, aquelas palavras ecoavam na sua cabeça como um pensamento invasivo com o objetivo de atrapalhar, ainda tinha um plano para traçar e não estava chegando em lugar nenhum. Não demorava para que finalmente chegassem no quarto e então finalmente acontecia.

    Até que demorou. ━ Disse em plenitude já ficando próxima a janela enquanto acendia o seu cigarro. Cruzando as pernas a observava, era como um animal feroz, sua ameaça, apesar de preocupante, não motivava Celty a mexer sequer um músculo para se defender. Como era o brinquedinho de Lux, deixaria que ele resolvesse, entretanto, aquilo acontecia.

    Arregalando os olhos sendo pega pela surpresa, percebia que Lux era atingido. De todos, ele era o melhor no que se tratava em habilidades de luta, naquele momento, sabia que o plano de Onnerb era o mais inteligente. Como estava mais próxima da janela, olhava para fora, caso não visse ninguém, sentaria lá ainda cruzando as pernas e sorrindo para Onnerb, se jogava como quem pulava de um precipício.

    Caso percebesse alguém do lado de fora, apenas levantaria-se com calma e se colocaria atrás de Lux, continuando suas tragadas se acomodando em outro canto.

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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Mellorienna em Sex Out 04, 2019 6:41 pm





    Run boy run


    Forte Norte | Verão



    Compreender Idiomas:
    Onnerb entendeu que as elfas se cumprimentavam com dizeres religiosos, bastante semelhantes àqueles encontrados no Catolicismo. Ilíria essen traduziu-se na mente do Mago como algo próximo a Ilíria esteja com você - o que remetia à fala comum às missas: "O Senhor esteja convosco". Apesar de um conhecimento maior em Religião ser necessário para obter detalhes, o Mago pode supor com razoável grau de certeza que Ilíria a Deusa-Mãe dos Elfos.

    Onnerb se sentia levemente nauseado, como quem comeu alguma coisa que não caiu bem - e comeu muito. Era uma sensação incômoda, mas talvez houvesse valido à pena: havia descoberto uma forma adequada de cumprimentar alguém do Povo Élfico, caso tivesse a oportunidade/desejo de impressionar algum deles um dia.

    Celty escreveu:━ Até que demorou.

    A postura da Humana, fumando seu cigarro de palha com displicência calculada, fez com que a elfa ruiva parecesse ainda mais tensa e pronta a lutar por um caminho para fora. Talvez a moça esperasse encontrar em Celty um soft spot? Seja como for, a escrava apenas se manteve atenta, sem partir para o ataque direto.

    Onnerb escreveu:- Ora essa. - Disse, sentando-se. Aparentava não dar nenhuma importância para as palavras dela. - Pelo jeito sabe se defender e fala Comum muito bem.

    A Érennish arqueou as sobrancelhas levemente, como se o Mago houvesse dito alguma coisa inesperada, de tão óbvia. Se ele dissesse "ora, pelo visto o céu é azul" a expressão da ruiva seria basicamente a mesma.

    Onnerb escreveu:Mas nenhum de nós aqui quer o seu mal. Muito pelo contrário. - Agora levantou-se e se aproximou um pouco dela, mantendo uma distância segura para não ser atacado por engano. - Não suportamos o que está acontecendo com você e todos os elfos. Pretendemos fazer algo a respeito. - Olhava nos olhos da elfa, sem hesitar. Com certeza ela suspeitaria de uma mentira e queria que não houvesse dúvida de suas intenções. - Queremos ajudar e foi por isso que te libertamos. Senti algo em você que talvez nos ajudasse a começar essa mudança.

    A elfa baixou milimetricamente a guarda, mantendo os olhos atentos a qualquer movimento repentino, especialmente vindo de Celty.

    Onnerb escreveu:Já sinalizei aos meus companheiros que preciso ir até Daarth para tentar controlar minha magia.

    Com certo desdém, a ruiva - ainda de punhos erguidos para uma possível luta - disse:

    - Você pretende viajar por meses, para ir até a Capital dos Humanos implorar por um pedaço minúsculo do corpo de uma deusa morta. - ela exalou em uma meia risada que transbordava escárnio - Só Anões seriam traiçoeiros o suficiente para vender Brigantium. E só os Humanos seriam estúpidos o suficiente pra compra-lo. - baixando um pouco mais os punhos, agora quase alinhados com a cintura, mas ainda cerrados, ela emendou em tom um pouco menos ferino - Mas, se é verdade o que você diz sobre o desejo de liberdade para os Elfos... pode haver outra maneira de controlar o Dom. Uma maneira melhor.

    Porém, antes que ela pudesse explicar qualquer coisa, Lux é atingido e passos são ouvidos na escada. Onnerb se prepara para lançar mais uma magia, descobrindo com desagrado que o mal-estar no estômago agora se transformava em verdadeira dor, como se houvesse sido atingido por um soco.

    Lux escreveu:- Espere, eu me chamo Lux e você?

    Sem entender bem porque fugir não era a primeira atitude exatamente de quem foi atingido, a Érennish baixou os punhos completamente e apenas respondeu:

    - Scindia.

    Lux escreveu:- Você conhece Lilah? ela quer que nós resgatemos Liñe, sua filha e eu pensei que você pudesse nos guiar pelo Santuário das Ohana para resgata-la. Depois, terá sua liberdade, do país de onde eu vim, não há escravidão e eu jamais lhe trataria como uma escrava. Você não é a única que quer voltar pra casa.

    Após um breve olhar para Lux, a elfa se virou para a janela, de onde Celty já saltava. Quando o rapaz estendeu a mão para ela, convidando-a a pular, a ruiva apenas girou nos calcanhares e saltou pela janela, como se não esperasse sair machucada - com ou sem magia.

    Mas a bola de demolição que Onnerb sentia ter levado no estômago havia valido a pena. Os quatro atingiram o chão sem um arranhão sequer, chamando atenção de algumas pessoas que passavam por ali, porém sem que houvesse verdadeiro tumulto. Antes que dessem por si, a Érennish havia sumido. Do quarto que haviam deixado para trás, vieram gritos rudes de ameaça pela janela:

    - Ninguém engana o Comendador! - um homem de cerca de quarenta anos, barba desgrenhada e olhos pequenos apareceu na janela - Suprimentos são para fugitivos, não para mercenários! - um zunido passou bem próximo à orelha esquerda de Celty, dando a nítida sensação de que tinham errado um disparo contra ela. No mesmo instante, um incômodo atrás dos olhos deu a Onnerb a sensação inconfundível de que havia alguém conjurando algo na direção do grupo.

    Por sua vez, Lux tropeçou nos próprios pés, não caindo por pouco. A picada no pescoço ardia e coçava, e sentiu que começava a inchar - como uma picada de inseto em uma pessoa alérgica. As pontas dos dedos das mãos formigavam levemente e foi com certo espanto que o Guerreiro viu a cabeça ruiva de Scindia aparecendo na esquina de um prédio, acenando para que a seguissem.

    Não que fosse extremamente convidativo seguir uma escrava meio fugitiva pelas ruas de uma cidade-fortaleza escravocrata, mas dois sujeitos bem descritos como brutamontes haviam acabado de sair pela porta da taverna e agora corriam na direção do trio, portando tacapes nada amigáveis de madeira. Dos males o menor, e fugiram como deu, seguindo a Érennish pelos becos - dali, poderiam ir para onde quisessem. O único pré-requisito para a liberdade era permanecer vivo.

    Com esse espírito em mente, correram o mais que podiam, com a ruiva parando para esperá-los de tempos em tempos. Depois de alguns minutos, despistaram seus perseguidores e então, mais alguns quarteirões de vai e volta, e se enfiaram pela porta dos fundos de um estábulo junto aos muros da cidade. Quando entraram, a Érennish já estava empoleirada em uma viga que estabilizava o teto, olhando os três de cima.

    - Vocês correm mal. - ela tinha demonstrado ser mais forte e mais ágil, talvez não por ser elfa, mas por ter sido bem treinada - Mas não é meu papel julgar se um Humano merece ser Siyn. - graças à sua magia, ainda ativa, Onnerb compreendeu que aquela palavra se referia a aceitação - Só que... as roupas - ela apontou com o queixo para Celty - o papo sobre vir de um país sem escravos - ela fixou os olhos em Lux - e o fato de não saberem porcaria nenhuma sobre os Elfos... - ela olhou de relance para Onnerb - Não existem países de Humanos em Tirean. Há apenas Bellenus. Onde, em nenhum lugar, nenhuma mísera vila, os Elfos são livres.

    Pulando para o chão como se uma mulher adulta de 1.75m pesasse 100g, a ruiva apenas esquadrinhou-os mais uma vez e então completou:

    - Expliquem-se. Se me convencerem, eu os levarei para serem Testados. Se não, minhas primeiras palavras permanecem... - olhando para o pescoço machucado de Lux, ela encerrou - ... e ao menos um de vocês será mesmo um cadáver até amanhã de manhã.




    OFF: cena especialmente voltada para apresentação de personagens e uso de habilidades sociais, de comunicação e de argumentação. Scindia pode se tornar uma Aliada para o grupo: mas não é obrigatório que vocês queiram seguir esse caminho. Percebam que, ao contrário da missão passada pelo Comendador, o caminho que se abre aqui é para fora de Forte Norte, com uma possível fuga em direção à Floresta Élfica. Tenham em mente que, por tudo que seus personagens sabem até o momento, os Elfos se alimentam de carne humana.

    Quanto ao ataque na estalagem, as compras de suprimentos não passaram despercebidas pelos agentes do Comendador. Como o capanga dele bem disse, ninguém compra água e rações de viagem para uma missão dentro da cidade. Lógica básica. Não há indícios de que Lilah tenha traído o grupo, ou que alguém saiba do pedido dela para que levem Linë para fora de Forte Norte. Porém, vocês gastaram o pagamento inicial praticamente todo em uma escrava lutadora e depois compraram provisões típicas de quem não pretende ficar: todas as escolhas são importantes nesse jogo.

    Considerem que todos vocês estão paramentados com o kit do aventureiro feliz: mochila, saco de dormir, pederneira e isqueiro, 3 dias de ração de viagem, cantil e cerca de 2 litros de água, 15m de corda de cânhamo e 1 tocha. Além disso, Onnerb tem o kit básico de componentes de magia, com as perninhas de sapo e línguas de salamandras características dos Magos, e um cajado; Lux tem duas espadas, um escudo pequeno, e uma armadura de couro reforçado com placas de metal (corselete de couro batido); e Celty tem um kit de disfarces, contendo maquiagens, adereços e tudo que é preciso para ajudar a se disfarçar, e um kit de ferramentas de ladrão, usado em arrombamentos e na operação de mecanismos (armadilhas), além de uma armadura de couro maleável (corselete de couro). A moeda de ouro no bolso de Celty é o único dinheiro que resta ao grupo, mas vocês estão abastecidos pelos próximos três dias, pelo menos. Para mais equipamentos, confiram aqui =)

    Por fim, Onnerb usou duas Magias até o momento, sem o apoio de um Anel de Brigantium, e está começando a pagar o preço. Imagine a dor de uma gastrite extremamente forte - é o que ele está sentindo. Na próxima conjuração é possível que o Mago comece a cuspir sangue. Isso será determinado pela rolagem de 1d6, onde 1-4 ele cospe sangue e 5-6 ele só sente uma piora significativa na dor. A rolagem será feita sempre por mim, a cada ronda/mini ronda.

    Já Lux está envenenado. A elfa ruiva parece conhecer o veneno - isso todos vocês notam. Os sintomas, até o momento, são inchaço no local atingido pelo dardo da zarabatana, com dor e coceira, além de formigamento nas extremidades do corpo e um pouco de desequilíbrio. Lux ainda é perfeitamente capaz de andar, correr e lutar, se for o caso. As consequências piorarão a cada turno sem tratamento.

    Aproveitem o fim de semana para pensar bem no caminho que pretendem tomar ^__^
    Próxima ronda: segunda-feira, às 18h, começo a escrever o/~


    Padre
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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Padre em Dom Out 06, 2019 8:17 pm

    Celty.
    Antes que se jogasse, Celty gravava bem no fundo de sua mente o nome que era dito, Scindia, enquanto se jogava, olhava diretamente no olhos da elfa. Sentia-se em um filme de ação, era a primeira vez que vivia deixando seus instintos guiarem sua jornada ao invés do seu bom julgamento e aquilo lhe fazia se sentir bem, melhor do que qualquer dia que já havia vivido em sua antiga vida.

    Ao chegarem no chão, não bastasse a garota sumida, ainda haviam se enfiado em uma enrascada maior com alguém que definitivamente Celty não queria como inimigo naquele momento.

    Aquele idiota realmente acha...?

    Na cabeça de Celty a situação era muito clara, suprimentos eram sim para fugitivos, mas também, talvez, para pessoas que estava mortas de fome em grande necessidade, porém, aquele homem era impulsivo, não a surpreendia que ele já tivesse agido sem sequer dar o benefício da dúvida, a merda já estava feita. De um jeito ou de outro, ela considerou melhor pensar naquilo depois, considerando a agulha que havia passado de raspão próxima ao seu rosto.

    Assim que percebeu onde estava Scindia, sem hesitação iniciou a corrida em sua direção, argumentar com aqueles homens já não possuía valor algum. Sem falar nada, não conseguia evitar de sentir raiva, mesmo que não soubesse exatamente de que.

    Logo, finalmente chegavam a estadia temporária, logo que entrava, a mulher percebia a presença na garota acima do trio, mas, se atentava mais ao redor do que a ela em si.

    Não é muito diferente daquela espelunca, sinceramente... ━ O comentário de Scindia não passava despercebido. ━ Não sou nenhuma expertise em elfos, mas pelo que vi, é o mesmo que você querer comparar uma zebra e um guepardo, ingenuidade sua achar que conseguiríamos acompanhar, sweetheart.

    Procurando algum lugar que mais se aproximava de uma cadeira, sentava-se no feno cruzando as pernas e agora encarando-a diretamente. Agora, diferente de antes, sem a missão do Comendador deveriam buscar uma nova direção, mas qual direção era essa ainda não sabia. A única coisa que realmente tinha certeza, era de que enquanto não tivesse certeza de seu destino, dedicaria-se pelo menos a ajudar os dois ingratos bastardos.

    Nós não precisamos que você acredite que nós somos de um mundo diferente desse, porque na realidade, eles são mais parecidos do que você imagina. Mesmo nós, em uma sociedade mais avançada continuamos repetindo os mesmos erros. A escravidão em boa parte do planeta já não existe mais, mas as sutilezas... O Lux é apaixonado e literal em suas falas, mas a probabilidade é de que mesmo que ainda fossemos capazes de abolir a escravidão por aqui também, ainda haveria algo mais importante que seria deixado para trás, a rejeição.

    Arrumando o cabelo e se ajeitando mais confortavelmente continuava.

    Nós não viemos de Tirean, mas por algum motivo paramos aqui, talvez seja por algum motivo maior, como Lux e Onnerb acreditam, talvez seja uma simples coincidência do universo. O que podemos confirmar para você no momento é: Nós tínhamos uma missão do Comendador, os dois tem o coração jovem e cheio de inocência e eestão dispostos a passar fome por ideais idiotas, não quer acreditar nas histórias deles, ótimo. Acredite em seus sentimentos.

    Demonstrando não se importar com as ameaças, Celty bocejava, dessa vez ficando levemente deitada.

    Ou não acredite também. Não existe mundo utópico, isso é um fato e não há nada que nos conecte.

    Depois, não se pronunciaria mais, ela ainda era o brinquedinho de Lux e Onnerb, se a bagunça ficasse maior, era por conta deles, pelo menos, esse era o pensamento no momento.
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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por bcdomingues em Dom Out 06, 2019 11:42 pm





    They're trying to catch you


    Dor de Barriga / Norte




    Seu truque havia surtido efeito. Agora conseguia concluir que aquela fala era um cumprimento élfico. Formal ou não, sentia que descobriria depois. De qualquer modo o uso de uma magia cobrou aquele preço costumeiro que já conhecia: um princípio de dor na base de sua barriga, que tanto lhe incomodava. Associava a dor ao princípio do que sentia enquanto estudava nas intermináveis noites de faculdade, bebendo somente seu café. Por sorte sabia que um pequeno descanso era suficiente para recuperar suas forças.

    Scindia escreveu:- Você pretende viajar por meses, para ir até a Capital dos Humanos implorar por um pedaço minúsculo do corpo de uma deusa morta. - ela exalou em uma meia risada que transbordava escárnio - Só Anões seriam traiçoeiros o suficiente para vender Brigantium. E só os Humanos seriam estúpidos o suficiente pra compra-lo. - baixando um pouco mais os punhos, agora quase alinhados com a cintura, mas ainda cerrados, ela emendou em tom um pouco menos ferino - Mas, se é verdade o que você diz sobre o desejo de liberdade para os Elfos... pode haver outra maneira de controlar o Dom. Uma maneira melhor.

    Arqueou suas sobrancelhas, franzindo seu cenho. Realmente os elfos ali não eram como todos temiam: seres irracionais e canibais. Talvez houvesse um motivo para todos acharem isso, um motivo maior. Os humanos como o tão agradável comendador talvez estivessem escravizando os elfos por medo ou por um desejo de os humanos dominarem o mundo. Pelo que a elfa falou (e desconfiava que estivesse falando a verdade), então isso significava uma ligação muito mais profunda com a natureza do que achava. Estava impressionado, mas não tinha muito tempo para isso.

    Saltaram da janela e Onnerb castou sua magia, com sucesso. Todos baterem os pés levemente no chão e olharam em volta, procurando por inimigos. A magia, usada agora duas vezes seguidas, cobrou seu preço: a forte dor de barriga voltou com mais intensidade, fazendo o mago dobrar e suspirar profundamente. Havia testado seu limite antes e sabia que uma terceira magia poderia fazer com que cuspisse sangue, impossibilitando seus movimentos por um momento. Precisava parar com essas magias por um tempo. Ao mesmo tempo que pensou isso, sentiu, como um sentido aranha, que alguém estava castando algo contra o grupo. Como não sentiu nenhum dano suspeitava que fosse algum feitiço de rastreio. Não se atrevia a fazer um contra feitiço no momento. Lux viu a elfa e começou a segui-la. Onnerb, ainda em dor, foi atrás. Não gostaria de testar seus limites com os dois troncos de árvore que haviam surgido da estalagem.

    Por fim, após muitos metros de becos escuros e fedidos e algumas ruelas estreitas, chegaram até um estábulo, onde a elfa já estava empoleirada em uma viga. Antes de cair ao chão, o mago deixou o aviso:

    - Podemos estar sendo seguidos por algum feitiço de rastreio. - Falou de uma vez, ofegante. Respirou rapidamente pela boca antes de continuar. - Senti um efeito de magia contra nós e, como não houve danos, pode ter sido um meio de nos seguir. Devemos tomar cuidado e sair daqui o mais rápido possível. Infelizmente não tenho condições de desfazer o rastreio no momento. - Finalizou, com raiva, odiando o preço que a magia lhe cobrava pelos feitiços mais simples.

    Scindia escreveu:- Vocês correm mal. - ela tinha demonstrado ser mais forte e mais ágil, talvez não por ser elfa, mas por ter sido bem treinada - Mas não é meu papel julgar se um Humano merece ser Siyn.

    - Acredito que a aceitação vem com um tempo. - Caso a elfa se visse surpresa em um Humano ter entendido a fala élfica, Onnerb daria de ombros como se isso não importasse.

    mais scindia escreveu:Só que... as roupas - ela apontou com o queixo para Celty - o papo sobre vir de um país sem escravos - ela fixou os olhos em Lux - e o fato de não saberem porcaria nenhuma sobre os Elfos... - ela olhou de relance para Onnerb - Não existem países de Humanos em Tirean. Há apenas Bellenus. Onde, em nenhum lugar, nenhuma mísera vila, os Elfos são livres.

    Onnerb começava a perceber alguns padrões naquele mundo, finalmente. Realmente suas suspeitas pareciam ter alguma base de verdade. Será que os Humanos queriam acabar com os elfos por medo? Ou teria outro motivo?

    por fim escreveu:- Expliquem-se. Se me convencerem, eu os levarei para serem Testados. Se não, minhas primeiras palavras permanecem... - olhando para o pescoço machucado de Lux, ela encerrou - ... e ao menos um de vocês será mesmo um cadáver até amanhã de manhã.

    Realmente Lux parecia ter levado a pior ali. O guerreiro estava com um sério machucado, algo que Onnerb poderia fazer a algo a respeito se não tivesse tão mal também. Estava deitado, com as mãos na barriga, mas a dor demoraria a passar. Subitamente lembrou-se de seu remedinho para Gastrite que, assim como seu canivete, havia viajado com o rapaz para esse mundo. Talvez isso lhe ajudasse? Tirou o mesmo do bolso e tomou uma dose controlada do tal Pantoprazol enquanto Celty respondia primeiro.

    Encarou Celty por alguns segundos, absorvendo suas palavras. Por fim virou-se para a elfa.

    - É como Celty disse. - Começou, se atentando ao redor como podia. Afinal, estava com medo de terem sido seguidos. - Estamos nesse mundo mas não somos daqui. Não sabemos o motivo, só sei que aqui estamos e precisamos sobreviver. - Nesse momento olhou para a aparente mulher mais velha que era sua companheira. - Mas já que estamos aqui, não custa nada ajudar, certo? - Ajeitou-se um pouco melhor no seu feno. - Não sou um completo tolo, sei que agora não posso fazer nada nem para me ajudar, quanto mais meus companheiros e os elfos. Por isso estava em busca do controle desse ''Dom'', como você diz.

    Nesse momento olhou com alguma desconfiança para a elfa. Afinal, não sabia se podia mesmo confiar nela.

    - Aparentemente estamos no mesmo barco aqui, então uma aliança cairia bem para todos. - Finalizou, agora mais perceptivo para o entorno no galpão que se encontravam.



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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Mellorienna em Seg Out 07, 2019 6:06 pm





    Kalarel c'moar


    Forte Norte | Verão



    Scindia permaneceu em silêncio por todo o tempo em que Celty e depois Onnerb explicaram a situação do trio. Ao final, a elfa apenas assentiu, demonstrando compreender.

    - Estão nesse mundo, mas não são daqui. - ela recitou as palavras do Mago para si mesma antes de se virar para Celty - Porém, não acredito que não exista algo que os conecte. Nada acontece por acaso em Serenia. Hellion mantém um pulso firme ao redor dos ciclos desse mundo.

    A Magia de Onnerb não resultava em traduções para aqueles termos - Serenia e Hellion - assim como não havia traduzido Ilíria. Parecia que, mais uma vez, se tratava de nomes próprios. Serenia trazia a sensação de lugar. E Hellion uma distinta marca divina. Por outro lado, o Pantoprazol começava a engatinhar seus efeitos pelo estômago do Mago, trazendo um alívio que vinha devagar, mas já proporcionava maior facilidade para respirar e debater.

    - Phoneutria. - ela olhava diretamente para o ferimento que começava a se arroxear no pescoço de Lux agora - Os Humanos aprenderam como fazer, mas não como curar. Alguém quer vocês mortos.

    Ali há um mês, não haviam feito inimigos suficientes para que a lista fosse muito extensa. Mas, se isso fosse mesmo obra do Comendador... por que? Era fato que o Governo Real parecia levar muito a sério a proteção das Ohana e seus santuários. Será que, caso o plano de sequestrar a elfa Rouxinol de Prata desse errado, e o nome do Comendador viesse a tona, as consequências seriam tão terríveis assim? E, se fossem, o que aconteceria aos mercenários contratados para o serviço...?

    As dúvidas se acumulavam, em sinal claro de que a aparente calmaria do primeiro mês chegava ao fim. Somando-se a elas, o fato de que a Érennish não havia escarnecido da ideia de que não fossem dali, e parecia aceitar a informação como algo tão provável quanto se dissessem que haviam vindo de barco de um reino tão tão distante.

    Ao passo que Onnerb procurava forjar uma aliança enquanto Celty mantinha a pose whatever, Lux sentia a cabeça estranhamente leve - como se o estábulo estivesse cheio de vapor. O corpo pesava, pedindo um merecido descanso - ele havia lutado batalha após batalha, sobre a dor de ver a mãe partir, sob o manto de uma guerra civil. Era difícil se concentrar em qualquer coisa, e Lux deu com os pensamentos de menino de 14 anos agitando aquele corpo mais maduro em que se encontrava: Celty se movia de uns jeitos provocantes, deitando no feno como se tivesse segundas intenções. E ela falava daquele jeito cold blooded, com aqueles olhos azuis, e aquelas pernas cruzadas...

    Especialmente boa em sentir as emoções das pessoas - ainda mais as do mesmo sexo oposto - Celty viu os olhares de Lux. E quase podia adivinhar o que o espadachim estava pensando. Tinham dormido os três no mesmo quarto por um mês, e nada daquilo tinha aparecido antes. E não que Lux estivesse agindo de forma desrespeitosa agora, mas mal podia disfarçar que a olhava de cima a baixo.

    Com o coração disparado no peito e começando a suar feito um porco.

    Dando as costas ao trio para espiar entre as vigas de madeira do estábulo, a Érennish parecia ter decidido que vocês não representavam ameaça. Ela observava a rua lá fora, então se movia para o outro extremo e vigiava mais um pouco. Subitamente, virou-se e disse:

    - Estou esperando alguém. A magia que você sentiu... - ela olhava Onnerb diretamente agora - ... veio dela. - a Érennish içou-se sem maiores dificuldades de volta à viga do telhado onde a encontraram ao chegar, caminhando sobre a trave estreita de madeira com a desenvoltura de uma ginasta - Eu vim para buscar o kalarel e descobrir se é c'moar. E então voltar à floresta. - Onnerb sentiu uma fisgada profunda com aquelas palavras: a ruiva estava em Forte Norte para levar para a floresta uma criança (kalarel). Uma criança que poderia ser fruto da violência (c'moar) - Aqueles idiotas acharam que sim. Mas eu não fui capturada.

    Erguendo orgulhosamente o queixo, de pé sobre a viga do telhado, era quase impossível associar que Scindia estava vestida naqueles farrapos típicos de escravos por algo que não fosse vontade própria.




    OFF: o veneno no corpo de Lux progride e, por sugestão do próprio @Nazamura (ele achou que estava fazendo apenas uma piadinha, mas eu sou that bad), o espadachim vai começar a falar umas coisas meio sem filtro. Considere obrigatório que o Lux comece a dizer exatamente o que pensa, além de sentir dor no local machucado, calor por todo o corpo e taquicardia.

    Eu não adiantei a cena porque agora vocês têm todos os elementos necessários para definir um plano de ação: e é o que eu espero do próximo post de vocês.

    O caminho inicial, da missão de sequestro da Ohana Linë, continua aberto. Os personagens podem enviar alguém, ou mesmo ir pessoalmente, conversar com o Comendador. Dá para explicarem os motivos que os levaram a comprar coisas suspeitas (quem precisa comprar água vivendo na cidade?) e até mesmo tentar conseguir mais dinheiro pela missão, agora que os personagens começaram a desconfiar do quanto as consequências de uma falha podem ser desastrosas (e potencialmente letais).

    No segundo caminho aberto, a Érennish Scindia parece ter se deixado capturar de propósito, para estar em Forte Norte naquele dia, de modo a recuperar uma criança que deve ser levada para a floresta. Vocês não sabem nada sobre a natureza dessa criança ou porque a ruiva deve leva-la embora - nem para que. Será que é hoje que vai rolar churrasquinho de bebê humano?

    Ponto de ordem¹: Lux continua envenenado. A única informação que vocês têm é de que os Humanos não conhecem a cura para essa substância, apesar de saberem embeber as armas nela. Vocês não sabem se os Érennish, ou mesmo os elfos escravos, conhecem uma cura.

    Ponto de ordem²: seja lá quem for que Scindia está esperando, é alguém capaz de conjurar Magias inacessíveis para Onnerb no momento.

    Ponto de ordem³: se alguém quer o trio morto, vocês não estarão em segurança para sempre. Ainda mais dentro de um estábulo. Sem nenhum cavalo. E cheio de feno #fireball


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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Nazamura em Ter Out 08, 2019 8:27 am

    Envenenado



    O local da ferida do dado de zarabatana começava a arder e inchar, seu coração disparava a galopes e ele começava a sentir calor por todo o corpo, não tinha ideia de como tinha ido parar ali, só sabia que há minutos atrás estava em uma taverna conversando com uma elfa e depois se encontra em um estabulo, uma onda de vapor parecia tomar aquele lugar e o garoto então olha os movimentos insinuantes de Celty deitada no feno, um arrepio lhe desce a espinha ao acompanhar as curvas da garota contudo ele diz

    - Uaaaaaaaaaa! Phy-chan! como? quando? o que está fazendo aqui?

    O balançar do corpo de Celty fez com que o garoto imaginasse sua melhor amiga em trajes bem provocantes deslizando por sobre ele. seus olhos a esquadrinhavam dos pés a cabeça

    - N-n-n-n-n-n.. eu estou sonhando? melhor você se vestir, eu posso ver tudo - Ficava agitando ambas as mãos a frente para que ela parasse de se mover daquele jeito, sua virilha sentia um leve formigamento - uma vez que estava em um corpo de 18 anos, suas reações indicassem que ele a agarrasse, mas Lux ainda tem 14 anos e não sabe muito de erotismo, sua timidez em momentos assim fala mais alto e ele fica de olhos fechados

    - é um sonho, estou sonhando hehehe... - depois de algum tempo, voltava a olhar aos arredores e nota Scindia empoleirada por sobre uma viga no teto em pé de modo confiante.


    Seus olhos notavam que o farrapo que ela usava apenas protegia seu corpo, mas pelo angulo que inclinara a cabeça pode notar a triangulação das pernas da elfa bem torneadas e seus olhos deslizaram seguindo direto até seu ventre exposto.... e sem calcinha!

    - AAaaaaa... mas mas o que está acontecendo aqui? - Sentindo a cabeça girar, Lux cai pra trás, deixando a bussola cair ao chão revelando a foto de phy-chan e a parte interna do castelo onde morava

    Foto na bussola:

    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Retrato_phy

    Scindia escreveu:- Estou esperando alguém. A magia que você sentiu... - ela olhava Onnerb diretamente agora - ... veio dela.
    - Maga? Mas não é o Onnerb o mago do grupo? Já não estou entendendo mais nada hehe.. hehe.. hehe... eu preciso ir ao banheiro

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    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Empty Re: 1. O Roubo do Rouxinol de Prata

    Mensagem por Padre em Ter Out 08, 2019 7:25 pm

    Celty.
    Dentre tantas coisas serem possíveis de serem vividas ali, pouco nesta altura do campeonato surpreendia Celty, nem mesmo a facilidade com a qual Scindia aceitava a realidade daquele grupo, entretanto, a segunda frase dita pela elfa fisgava a atenção de Celty fazendo com que a mesma levantasse um pouco a cabeça do feno visivelmente intrigada.

    Hellion? Se existe alguma chance disso não ter sido aleatório e aquele mundo ainda ser alcançável então...

    Tentou disfarçar a preocupação, se limitou a ficar calada enquanto agora ela explicava sobre o veneno para Lux, sua mente começava a pensar em diversas coisas, coisas estas que talvez nem seus amigos quisessem saber. A conversa seguia por um rumo óbvio, a informação de que alguém estava tentando mata-los era apurada, mas isso já não era mais uma surpresa para ninguém, entretanto, aquele fato dizia muito sobre a situação atual em que estavam:

    Primeiro, era bem provável que a missão o Comendador a partir de agora estivesse cancelada, visto a ordem para o assassinato, então agora estavam livres para fazer o que quisessem. Segundo, sendo caçados, o mais óbvio era seguirem com a missão inicial que era a de conseguir o Rouxinol, se alguém quer te matar, tenha algo precioso para essa pessoa, simples. Terceiro, precisavam descobrir quais os planos escondiam o Rouxinol, afinal, algo a diferenciava dos outros e com certeza o Comendador apesar de não verbalizar, sabia o que era. Antes que pudesse continuar, eram interrompidos pelos recentes impulsos de Lux, rindo de canto de boca, não conseguia evitar a diversão de entender exatamente o que estava acontecendo, mas suas palavras não condiziam com sua feição.

    1. O Roubo do Rouxinol de Prata 9296cdf9dde7e4ca0606c00150fd708002e737e9_hq

    Tão precoce e inocente. ━ "Típico de um garoto de 18 anos", era o que pensava. ━ Muito precoce e inocente. Vá ao banheiro, Lux, seja lá onde você acha que ele seja, só fique lá e não faça nada, o veneno está fazendo efeito.

    Se ajeitava mais uma vez pra provocar e piscava para o garoto com o olho direito. Em seguida, voltava sua atenção para Scindia, observava a garota e a ouvia como quem tentasse tirar daquela interação qualquer informação útil, sem sorte, não havia conseguido nada e para piorar, ela parecia estar em uma quest pessoal com objetivos distantes do que aquele que os mercenários almejavam naquele momento. Antes que a situação saísse mais do controle, tomava a fala novamente, tomando novamente o tom frio, porém assertivo.

    1. O Roubo do Rouxinol de Prata Vrzpc6d

    Vamos lá, o que você precisa que nós façamos? ━ Talvez aquilo pegasse Lux e Onnerb de surpresa, já que se dispôr a ajuda em um momento como aquele não fosse o ideal e muito menos em um momento como aquele, mas a realidade é que precisavam dela, principalmente sem o apoio do governador. ━ Nós vamos ajuda-la, mas nós também precisamos de suporte em seguida. Temos que encontrar um Rouxinol e só você pode nos ajudar, ficarei feliz em explicar mais, mas, você topa?
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