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    03. A Casa de Bonecas

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    Mensagem por Lnrd em Ter Nov 26, 2019 10:06 pm

    Segunda. 20h10min.

    Era o Prestidigitador – ou Aurélius, como chamariam os mais íntimos – que vinha dirigindo o carro. Desde o início da greve policial, a frota de ônibus estava reduzida e conseguir um táxi ou um carro de aplicativo tornara-se tarefa complicada.

    Ainda mais para onde estavam indo.

    Não que fosse muito diferente de onde cada integrante daquele grupo morava, mas a cidade era larga e deslocar-se nem sempre era tão simples.

    Passara na casa ou combinara um ponto e, equipe devidamente completa, iam para o destino final.
    - Não vou poder ficar – explicara o amigo do One-Punch –. Já tinha um compromisso hoje e... bem, quando estiverem perto de acabar, deem o toque. Se eu já estiver livre... .

    Era impressionante o como, de um dia para o outro, a cidade já parecia mais suja. Provavelmente os carros de coleta não estavam passando, mas... . Talvez a região fosse sempre daquela forma. A falta de gente nas calçadas talvez ressaltasse mais o clima de abandono.
    Todos evitavam ficar de bobeira pela rua numa época como aquela.
    Passaram por um caminhão queimado. A fumaça ainda era visível.
    - Eu tenho um mau pressentimento sobre isso – dissera o Lorem, reflexivo.

    Ao chegarem ao endereço, uma construção truncada, parede colada com as vizinhas, na qual a parte inferior parecia ser uma loja – um mini-açougue, pelo que se podia deduzir, de maneira bastante óbvia, pelo letreiro – e, subindo uma porta lateral, a casa onde o dono morava até o dia da morte.

    A esposa, ao telefone, havia inicialmente relutado. Se não fossem os $100 – tanto dinheiro – arranjados desengonçado que agora servia de motorista... .

    Ela não demorara para atender o grito deles na rua e, após jogar a chave pela janela, esperara-os no centro da sala do pequeno apartamento – que, além do ambiente, só tinha mais uma pequena cozinha, um banheiro e um quarto. O lugar tinha o reboco mal aplicado, com partes de tijolo ainda expostas. Era praticamente um “puxadinho”, um anexo construído sobre a estrutura original sem grandes supervisões. Dificilmente tinha uma autorização da prefeitura.
    Tinha um sofá grande, suficiente para as três figuras sentarem, sem mesa, com um hack e uma enorme televisão, desligada. Quem, naqueles tempos e por mais pobre que fosse, não tinha uma tela grande em casa?

    Havia, entranhado em todas as coisas, um cheiro estranho.
    Ele vinha de baixo.
    O cheiro enjoativo das carnes num supermercado.
    Sangue.
    - Então... o que querem saber? – dissera a mulher, com uma roupa bastante desgastada de tanto receber lavagem – já disse no telefone tudo à polícia. O que mais querem de mim?
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    Mensagem por Shmul em Qui Nov 28, 2019 9:10 am

    A situação que a cidade se encontrava deixava Jack um pouco mais triste, pois perdia cada vez mais a esperança da sociedade melhorar. Ficava ainda mais desconfortável sabendo que estava participando daquela onde de “super-heroi” de rua, coisa de gente descompensada - Realmente, as coisas estão feias – respondeu a Lorem enquanto observava o caminhão – As ruas estão um caos.

    Já dentro da residência quase sem revestimentos, preferiu não se sentar, pois a situação não era confortável – Desculpe, senhora. Viemos para saber cada detalhe. Queremos trazer justiça para sua filha e seu marido, mas pra isso precisamos de sua ajuda. Sei que é difícil ter que relembrar, mas as vezes novas memórias podem vir a tona – tentava mostrar empatia em suas palavras.
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    Mensagem por gaijin386 em Qui Nov 28, 2019 11:11 am

    A Alquimista estava meio fora de seu ambiente... Não era boa em relações publicas, mas manteve a compostura e já que uma pergunta havia sido feita ela aguardou a resposta da mesma. A calma era primordial nesta situação.
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    Mensagem por Lnrd em Sab Nov 30, 2019 6:03 pm

    Um longo e frio silêncio desceu sobre o ambiente, uma oração a um Deus ausente, quebrado apenas pelo rítmico tamborilar dos dedos de Marta sobre a própria perna. O efeito era quase hipnótico, uma canção muda.
    Aquele nada se esticava para além do confortável, como uma coberta de fel. Lorem ajustou-se no sofá, parte sem jeito, parte incomodado com o assento ruim.
    - É TUDO CULPA DE VOCÊS! – explodiu ela num surto repentino, batendo com força na própria coxa, na falta de uma mesa para esmurrar. O estalo fora alto – POLICIAIS, VIGILANTES, PRA QUE DROGA VOCÊS SERVEM, HEIN?!

    Por mais que uma reação daquelas não fosse de todo inesperado a alguém que perdera tanto, era certamente uma “saia justa” para o grupo. Não haveria calma. “NÃO EXISTE JUSTIÇA NESSA MERDA!!!”

    O novato fez menção de interrompê-la, mas parecera desistir a meio caminho, como se achando que fosse melhor deixa-la vomitar tudo o que estivesse revolvendo-lhe o estômago.

    E ela continuou. Gritava contra a inexistência de justiça, fosse nas ruas ou nos tribunais, e que palhaços de máscara só serviam para vender brinquedos para crianças. “VOCÊS DEVIAM FAZER COMO AQUELE LÁ, QUE EXPLODIU TODO MUNDO”, numa referência ao passado conturbado da classe, quando o “Capitão Thanatos” matou vários congressistas num ato para “limpar a política da corrupção”.

    O tom só diminuiu quando começou efetivamente a chorar. Lamentava-se que o marido era um “pai de família”, um “cidadão de bem”, um “trabalhador”. Como todos sempre diziam. A morte redimia até o mais vil.
    - Meu marido foi lá e fez o que era preciso. Quando todo mundo começar a fazer o mesmo, aí sim essa gente vai começara ter medo.

    Percebiam agora que o ambiente cheirava a cigarro e álcool, mas não como no bonito apartamento de Julian. Era um ar rançoso, impregnado no tecido do sofá e nas cortinas desgastadas. O chão parecia sujo, como se não importasse mais se estivesse limpo ou não. Havia moscas, difícil dizer se vindas da cozinha ou do andar de baixo.
    A mulher não era nenhuma modelo, mas não era particularmente feia. Arrumada, poderia fazer um casal simpático com alguém que desse alegria a ela. Como os três viam numas fotos espalhadas em quadrinhos pela sala. Agora, entretanto, estava descabelada e parecia não tomar banho fazia algum tempo.
    O ambiente era nauseante, e a pior coisa dele era o humor daquela viúva.
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    Mensagem por gaijin386 em Seg Dez 02, 2019 2:54 pm

    A Alquimista ouve tudo e se aproxima da viúva, pois a dor da mesma não lhe era nova assim como o sentimento de impotência em não poder fazer nada. Ela diz para a viúva - Isso não vai ficar impune, mas precisamos de indícios ... de pistas ... e por isso precisamos olhar as coisas de seu marido... Lhe garanto que alguém vai pagar pelo sua dor.
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    Mensagem por Shmul Ontem à(s) 10:02 am

    Ficou extremamente constrangido com a situação. Tentava imaginar a tristeza da mulher, mas não conseguia, parecia ser muito maior que tudo que ele já sentiu.

    O cheiro não era agradável, ainda que fosse viciado em bebidas, a mulher parecia estar subexistindo.

    Após a fala da alquimista que “quebrou” um pouco a tensão (ou não), ele resolveu arriscar continuar a tocar nas feridas da mulher para tentar extrair alguma cosia – A senhora esta certa de que foi seu marido quem se vingou do advogado? E você mencionou que ele nunca teve uma arma em casa... ele estava em contato com pessoas diferentes do convívio dele? Alguém ou alguma coisa suspeita? Eu digo isso, senhora, pois acredito existir uma conspiração para não desvendarmos esses crimes, e eu penso que seu marido não cometeu suicídio. – fazer essas perguntas lhe doía mais que qualquer surra que já levara.
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