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    Eva Black [Bastet]

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    Mensagem por Rebe em Ter Fev 04, 2020 8:27 am


    “nunca acredite no contador de histórias, apenas na história”

    TUDO MORRE


    A morte foi uma constante na vida de Eva Louise Black, talvez sua "melhor amiga" nesses 30 anos de vida e sem dúvida a última que a abraçaria, junto ao seu último fôlego. Contudo, sua natureza sempre foi a de uma sobrevivente, não tinha tempo para se arrepender das escolhas que fez ou do que aconteceu consigo, ao menos não agora.

    A kombi se saía melhor que o esperado no trajeto para a Dakota do Sul. Desde que havia fugido, jamais imaginou voltar para aquela pocilga do interior que era Hill City, a estrada revelava bem o porquê. Fazendas de gado e trigo, planícies e mais planícies, ossos de dinossauros escancarados em museus e de indígenas que foram exterminados pelos "desbravadores" de outrora, a própria palavra Dakota era do dialeto indígena Sioux, significa "amigo", ao menos era o que Eva havia lido em algum livro, mesmo que a leitura deles nessa região não fosse muito estimulada, um dos motivos para ter caído fora.

    O sonho de ser escritora não ia muito bem, na realidade estava péssimo, com o que ganhava nas vendas da coleção "Black Pleasure" mal conseguia a sustentar e realizar a manutenção do veículo que também servia de casa. Podia ser um dos motivos para retornar, ver o que seu tio iria deixar para ela de herança, mas não... ela sabia que não era por isso que estava voltando, queria olhar nos olhos daquele pervertido e ver sua vida se extinguindo. Mais uma vez a morte.

    Ao ligar o rádio, a música que tocava quase arrancava um riso irônico, lembrava de pegar o celular e gravar um áudio sobre a situação, talvez ajudasse a alavancar a carreira e escrever uma obra de sucesso meteórico, "The Happy House".



    "This is the happy house
    We're happy here, in the happy house
    To forget ourselves
    And pretend all's well
    There is no hell"

    A viagem de Lincoln, capital de Nebraska até Hill City, interior de Dakota do Sul, demorava quase 9 horas, mas valeria à pena, ao menos é o que Eva esperava. O ankh que usava no pescoço vez ou outra refletia a luz do sol, nada que atrapalhasse a direção, graças aos óculos escuros que usava. Várias ligações de Adam não atendidas piscavam no painel do celular, esse não era o momento para terem uma conversa franca, a morte estava à espera de Eva e ela não costumava ficar esperando.

    A kombi parava em frente à casa que foi seu "cativeiro" por um bom tempo, os carros estacionados ao redor demonstravam que o grand finale ainda não havia acontecido, provavelmente Ivone, suas primas e Adam esperavam dentro do recinto, pelo carro de polícia do condado estar parado próximo à esquina.

    Agora era ela e o velho bastardo.


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    Mensagem por Bastet em Ter Fev 04, 2020 3:17 pm


    “nunca acredite no contador de histórias, apenas na história”

    TUDO MORRE


    Eva conseguia imaginar dois rumos para sua obra ainda não escrita sobre a música.  O primeiro seria um livro jocoso sobre autoajuda, no qual ela usaria suas habilidades de “coach mais fodida que tudo” para incentivar as pessoas com sua história de vida (nada) motivacional.  O segundo, que agradava mais a escritora,  era um thriller sobre vingança, com muito sangue e que terminaria na morte do dono da casa e de sua mulher que o acobertava. Esse ela conseguia até mesmo imaginar a capa: uma cena de filme noir em preto, branco e vermelho; as luzes destacando um caixão no centro da “Happy House” e a viúva caída ao seu lado. Ao fundo, uma sombra bebia um Martini no pequeno bar.

    [...]

    A viagem foi longa, mas certamente a parte mais fácil do seu dia. Eva adorava dirigir, estar em movimento trazia à mente dela um certo alívio, o que era bom, pois o local para onde estava indo traria somente tensão.  Parou em um posto de gasolina no meio do caminho,  abastecendo e indo pagar com um bolo de moedas. Ela havia conseguido esse dinheiro o em uma leitura de um de seus contos eróticos para alguns caminhoneiros da parada onde dormira. O atendente ficou puto por ter de contar todas as moedas, mas, após a mulher se apoiar levemente no balcão e jogar conversa fora com ele, o humor mudou... E ele nem reparou que o valor do abastecimento e dos cigarros que ela havia comprado não estava completo ali.

    [...]

    Quando chegou em frente à casa, ela manteve a Kombi ligada por uns instantes, incerta se pararia ali ou não.  Tudo em seu corpo dizia para ela acelerar. As mãos tremiam levemente, uma gota de suor descia pelo seu rosto e ela pôde sentir o sabor salgado quando a mesma chegou em seus lábios.  Mordeu o lábio inferior com alguma força, tentando se concentrar. O gosto leve de sangue a fez torcer o nariz e dar um sorriso de canto. Estava aterrorizada em estar ali... Mas o medo a motivava. Quem fez tudo aquilo com ela estava morrendo e Eva não poderia perder esse show.

    A mulher estacionou e desligou a Kombi. Não se preocupou em arrumar o cabelo, cujos cachos estavam selvagens pelo vento, nem em trocar de roupa. Vestia preto, como sempre, então não estava tão inadequada. Saiu do carro e foi em direção aos fundos da casa, não querendo ser vista a princípio. Sabia como entrar ali escondida.  Observou que as trepadeiras ainda existiam e torceu para que ainda aguentassem o peso do seu corpo.

    Caso conseguisse subir, entraria no seu antigo quarto, observando tudo por ali e, em seguida, rumaria ao quarto do casal, onde o tio provavelmente estava aproveitando seus últimos momentos.



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    Mensagem por Rebe em Qua Fev 05, 2020 5:44 am


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    Eva conseguia escalar as trepadeiras dos fundos da casa sem problemas, estava como ela se lembrava, já o seu antigo quarto não. Eram várias pilhas de caixas e muita poeira, dando a impressão de ser um depósito e não de que algum dia aquilo foi um quarto.

    Um vulto passava próximo à porta, o suficiente para fazer com que ela se escondesse atrás de uma das caixas até ter a certeza de que o corredor estava vazio, para então continuar o trajeto até o quarto dos tios. As vozes no andar debaixo eram inconfundíveis, Adam e suas primas, uma delas chorando bastante, não tinham ideia do que o pai delas realmente era, tia Ivone calada como de costume.

    O fedor podia ser sentido antes mesmo de se aproximar da porta entre-aberta, o quarto estava mais ou menos como ela se lembrava, um suor gelado escorria pela sua nuca, descendo pela linha da coluna vertebral, só de ver o banheiro da suíte a fazia lembrar dos traumas passados.

    O tio estava na cama, uma bolsa residual à amostra, estava sofrendo por causa de um câncer gastrointestinal em metástase, o câncer estava se espalhando pelo seu corpo e a morte era certa, o monstro iria chafurdar nas próprias fezes, um fim apropriado.

    Seus olhos se abriam lentamente, observando Eva parada próxima à porta, ele abria um sorriso com dificuldade, sinalizando para que ela entrasse com uma das mãos.

    - Entre, estava esperando por você. — abria um sorriso amarelado, limpando levemente os dentes superiores com a língua, o que causava imensa repulsa por parte da jovem e trazia lembranças dos abusivos sofridos — Feche a porta, é uma conversa que precisamos ter à sós. — tentava se ajeitar na cama, mas parecia sentir muita dor ao tentar fazer, enquanto colocava um pouco mais para o lado os equipamentos médicos, como o bastão com o soro e antibióticos, além da própria bolsa de colonoscopia.  


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    Mensagem por Bastet em Qua Fev 05, 2020 2:10 pm


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    Eva tem sentimentos confusos ao ver o seu antigo quarto daquela forma. Era desolador ter seu passado resumido a, talvez, uma caixa naquelas pilhas... Mas, ao mesmo tempo, era gratificante. O passado estava no passado e não precisava ser lembrado... Ao menos não após aquela visita.  Será que eles haviam guardado o teste de gravidez? Talvez a única lembrança da filha, visto que a escritora nem mesmo guardou a manta na qual a menina fora envolta após o nascimento.

    Suspirou, tentando afastar aquilo da memória.  Caminhou para fora do quarto, ficando parada no corredor por alguns segundos, contendo a vontade de ir se esconder no abraço de Adam. A presença dele sempre fora um refúgio para a Eva adolescente... E, aparentemente,  todos os sentimentos daquela época estavam voltando ao corpo da mulher naquele momento.

    O medo... O nojo... O cheiro repugnante.

    Naquela época, o cheiro que mais odiava era o do sabonete que usavam na suíte do tio.  Ele sempre a fazia se limpar após as “brincadeiras”, afinal, uma jovem não podia estar suja, e a limpar ele, pois gostava de ficar cheiroso... Agora, nem todo sabonete do mundo poderia afastar o cheiro de podridão que vinha do quarto.  Finalmente o tio tinha um cheiro que refletia a sua alma.

    Eva torceu o nariz ao chegar mais perto da porta, observando aquele lugar que conhecia tão bem.  Estava igual, tirando os aparelhos médicos e a bolsa de merda deitada na cama... com sua bolsa de colonoscopia logo ao lado.  Ia dizer algo, mas antes que pudesse encontrar a própria voz, ouviu a do tio, em um comando.

    O sorriso dele fazia a respiração de Eva se descompassar. Apesar de ser uma mulher muito bem resolvida,  capaz de bater de frente com qualquer homem, se precisasse, aquele homem era diferente. Ela tinha medo dele, um medo que pensara ter curado, mas que ainda existia de forma avassaladora dentro de si. Um medo que se equiparava com sua raiva.

    Entrou no quarto e fechou a porta,  em uma obediência que nem mesmo ela reparou.  Não disse nada, andando pelo quarto com os braços cruzados, somente o coturno ecoando pelo chão e os aparelhos fazendo o “bip bip” de sempre.  A mulher parou em frente aos equipamentos dele, observando todas as ajudas que ele precisava para sobreviver. Deu um pequeno sorriso, se virando para o tio.

    Aguardou que ele dissesse o que queria, sem quebrar a distância minimamente segura entre ela  e a cama dele.


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    Mensagem por Rebe em Qui Fev 06, 2020 9:00 am


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    A suposição de Eva se concretizava, no momento em que o tio retirava o teste de gravidez debaixo do travesseiro. Seus olhos marejavam levemente, provavelmente até os maiores cretinos tendem a refletir sobre como levaram sua vida com a proximidade da morte, uma crise existencial pura e inevitável.

    - Achamos isso... logo depois de você fugir. — suspira de foma profunda, a dificuldade para falara não era só pela doença, parecia estar escolhendo com cuidado as palavras antes de as proferir — Procurei por você, um pouco, sem sucesso, mas não posso morrer sem antes saber o que aconteceu. — seu corpo tremulava levemente, ele respirava mais forte, como se o fedor no ar estivesse tão impregnado em seu corpo que ele já tivesse se acostumado com aquilo — Você chegou a ter a criança? É um menino?

    Os sentimentos se misturavam junto ao fedor do quarto, embrulhando o estômago de Eva, aparentemente tudo o que aquele maldito estuprador queria era saber se tinha um filho homem, já que com sua tia Ivone teve 3 mulheres.

    Antes que Eva pudesse reagir, o tio apontava para cima da escrivaninha do outro lado da cama, distante para o braço dele.

    - Meu testamento, por favor, leia antes de falar qualquer coisa. — seu braço amolecia e caía sobre a cama, sem forças, deixando o teste de gravidez escapar das mãos, estava esgotando, respirando cada vez com mais dificuldade.  
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    Mensagem por Bastet em Qui Fev 06, 2020 2:14 pm


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    Quando o tio tirou o teste de debaixo do travesseiro, a expressão de Eva mudou. Anteriormente, carrancuda e enraivecida, agora estava surpresa, talvez com os olhos marejados. Antes que o tio pudesse ter certeza daquilo, ela viraria o rosto, olhando para a janela no lado oposto à cama. A mulher cruza os braços com ainda mais força, chegando a beliscar a carne com a ponta dos dedos, querendo se concentrar.  Não imaginava que ele REALMENTE havia guardado o teste.

    Quando ele começou todo o discurso de tê-la procurado e sobre a criança, Eva revirou os olhos. A filha provavelmente estava melhor na casa de alguma família do que ali. Além do tio só querer saber se era um menino, tinha grandes chances da história de Eva ter se repetido, se ela não tivesse fugido daquela casa.

    Novamente, preferiu não responder. Suspirou, andando até a escrivaninha e abrindo o envelope onde estava o testamento, o lendo com atenção antes de responder. Alternava o olhar entre as palavras e a figura moribunda do tio.
     
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    Mensagem por Rebe em Qui Fev 06, 2020 4:28 pm


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    O testamento era claro. Metade da sua herança era para sua esposa e filhas, e a outra metade, caso fosse comprovado através de um teste de DNA, seria para seu filho com Eva, além do reconhecimento biológico de paternidade pós-morte se fosse necessário, seu material genético já havia sido coletado.

    Parecia ser uma tentativa final de "ajeitar" as coisas, sanar um pouco de todo o mal que havia feito em vida e talvez tentar barganhar um lugar menos pior no pós-vida, em uma visão cristã tradicional de céu e inferno. O seu destino era mais do que óbvio.

    - Eu só preciso que você assine e entregue ao advogado, ele estará no meu enterro e cuidará de todo o resto. Por que você não veio com ele? — insistia em perguntar sobre a criança, mesmo com o silêncio sepulcral de Eva — Eu tenho o direito de saber o que aconteceu com meu filho.

    O tio começava a tossir e gemer, o conteúdo da bolsa fecal aumentava, por um momento Eva precisava segurar o vômito por conta do forte odor e a própria visão da bolsa sendo preenchida. Não bastasse isso, ainda teria de lidar com o dilema daquela situação.

     
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    Mensagem por Bastet em Qui Fev 06, 2020 5:34 pm


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    Parecia até brincadeira. Releu o testamento algumas vezes, antes de dar uma risada seca e sem nenhum humor. Depois de toda a merda que aquele homem havia feito com ela, ele a fizera se deslocar até lá pra assinar um documento que só beneficiaria um possível filho homem que ele colocara a força dentro dela.

    Dobrou com calma o papel, precisando respirar fundo para manter a calma. Escolheu a pior hora para aquilo, pois o cheiro e a visão que tinha eram extremamente grotescas. Levou a mão à boca, precisando se forçar a engolir a bile que lhe veio a boca e depois balançou a cabeça em negativo, começando a andar novamente em direção à cama.

    Eva sabia quantos passos precisava dar para ir dali até a cama. A escrivaninha era do lado da porta do banheiro, tão conhecido por ela. Os pés haviam crescido muito pouco, então precisaria de dez passos, no máximo. Várias coisas se passaram em sua mente naquele curto espaço de tempo. O dinheiro poderia ajudar a filha, é claro... Mas ela não merecia ter o choque de realidade que tinha uma mãe fodida e possivelmente um pai fodido.  

    Quando chegou ao lado da cama, pegou o caninho do soro, que tinha os analgésicos, o dobrando, assim o líquido não passaria por alguns momentos. Se abaixou ao lado da cama, aproximando os lábios do ouvido dele.

    - Você teria sim um filho homem, se eu não tivesse o matado antes de nascer – murmurou com um sorriso – A criança não merecia ter o sangue de um pedaço de bosta como você – manteve o cano dobrado, olhando nos olhos dele – Eu não vim aqui pra te dar conforto com seu filho, tio querido, eu vim pra ver você morrer... E pelo cheiro que está nesse quarto, não está longe disso – e logo ergueu o corpo, vendo as reações dele.

     
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    Mensagem por Rebe em Sex Fev 07, 2020 12:37 pm


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    Antes que Eva pudesse se levantar, o tio moribundo reunia forças para segurá-la pelos braços com uma das mãos e pelos cabelos com a outra.

    - Sua puta! Eu sei que você gosta! E veio aqui pra um repeteco antes que eu morra!

    As mãos do agressor machucavam Eva, o fedor dele tão próximo enquanto tentava a agarrar à força mais uma vez. Eva não era mais uma adolescente indefesa, agora era uma mulher, mas ainda assim se sentia indefesa e desesperada naquela situação, tentando se desvencilhar de qualquer forma.

    PLOOP!

    O som interrompia a constrição que o tio havia feito em Eva, soltando-a e levando as mãos junto ao coração. Parecia estar tendo um ataque cardíaco fulminante, seus olhos raivosos miravam para Eva, mas da sua boca não saía mais nenhuma palavra, tentava lutar para respirar, até morrer.

    Eva estava ofegante, ainda não acreditava que aquele pesadelo havia realmente acabado, até tomar um susto ao se dar conta que não estava sozinha no quarto. Tinha uma outra pessoa no local, o que era estranho, porque a porta ainda estava fechada e não parecia ser nenhuma das suas primas, muito menos a tia Ivone.

    Mascava um chiclete rosado, o som havia sido de uma das bolas que explodiu no momento em que o tio teve o infarto fulminante, olhava fixamente para Eva, como se a conhecesse, o que era uma impressão recíproca.

    - Olá, Eva.

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    Mensagem por Bastet em Sex Fev 07, 2020 3:41 pm


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    Ao ter os braços e o cabelo agarrados daquela forma, ela deu um grunhido, tentando se soltar. Provavelmente, em outra ocasião, conseguiria se defender, pelo menos tentaria de forma mais assertiva... Mas seu corpo ainda temia. Tentava se forçar para a direção oposta, para que ele a largasse, mas a força dos braços a traía.  

    Ia xingar o tio, gritar, mas antes que qualquer voz saísse de seus lábios ela ouviu um “ploop” e, em seguida, os grunhidos de dor do tio. Ele estava morrendo, finalmente. Apesar da raiva, do ódio, aquilo enchia os olhos de Eva de lágrimas... Se afastou, quando finalmente ele a largou, observando enquanto a vida dele ia deixando aquele maldito corpo.

    Limpou os olhos com as costas da mão, franzindo a sobrancelha em seguida. Não imaginara que um coração parando fizesse aquele barulho... Já tinha visto muitas mortes, mas não daquela forma.

    Tentava se recuperar, vendo o tio parado e sua expressão raivosa se tornando permanente, quando sentiu alguém atrás de si... E logo uma voz a chamando. Virou, quase em um pulo – Ai caralho – expressou ao ver a mulher ali, que era bizarramente familiar... Mas de onde?

    - Er, oi? – a mediu de cima a baixo, dando dois passos pra trás, se afastando dela, mas logo percebendo que com isso ficara perto da cama. Deu outro passo pra frente, parando no meio do caminho entre a mulher a sua frente e o homem na cama.

    - Eu te conheço? Você... Como você entrou aqui? – será que ela havia visto tudo? Apesar de nem ter tocado no tio, sabia que poderia ser julgada culpada por alguém que ouvira as suas palavras... – Você é parceira do Adam? – era uma suposição plausível e levemente desesperadora. Se fosse, estava fodida com a polícia.


     
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    Mensagem por Rebe em Sex Fev 07, 2020 10:08 pm


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    Eva sentia como se quisesse estar na presença daquela garota, mesmo sem conhecê-la era irresistível a tratar de forma cordial, afinal de contas ela parecia ser tão simpática.

    A mulher sorria, a pele extremamente pálida e os dentes brancos faziam um contraste maravilhoso com as roupas e maquiagem pretas, em um estilo gótico que ao mesmo tempo transmitia muita alegria.

    - Parceira do Adam? Não do jeito que está supondo, mas de certa forma sim, sua também, mas você não precisa entender isso agora. — olhava para o corpo, a cama e como Eva fazia questão de se distanciar — falência múltipla dos órgãos, é o que acontece na metástase, a doença se espalha para o resto do corpo através do sangue, é lógico que o timming contribuiu para todo esse drama. Vamos ter nossa conversa, mas não aqui. — começava a andar em direção do corpo, sem demonstrar qualquer espécie de repulsa, segurava o ankh que levava no pescoço com uma das mãos e na testa do defunto com a outra — Por favor, feche os olhos.

    Instintivamente Eva obedecia as palavras da desconhecida, um barulho forte de asas preenchia a sala e logo em seguida um fétido odor de ovo podre, o que fazia Eva abrir os olhos e tossir, sem entender nada, apenas vendo a garota batendo a palma das mãos, como se as limpasse.

    - Vamos ou prefere falar mais algumas palavras? Ele não vai mais te escutar, confie em mim, mas é por sua conta. — abria mais um largo sorriso, se dirigindo para o corredor e para o antigo quarto de Eva, indo pelo mesmo caminho que ela fez até o local, através das trepadeiras dos fundos da casa.

     
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    Mensagem por Bastet em Sab Fev 08, 2020 12:42 am


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    Apesar de todos os instintos de Eva SEMPRE mandarem ela não confiar em alguém de cara assim,  ela confiou. A menina de pele pálida e cabelos negros, bizarramente parecida consigo mesma, sorriu e Eva sorriu de volta. Como era possível um rosto tão jovem transmitir tanta segurança, alegria e sabedoria?

    Ouviu o que ela tinha a dizer,  sem sentir vontade de se afastar novamente. Algo, lá no fundo de sua mente, gritava “Mas que porra é essa?”, mas essa voz era tão baixa e distante que se contentou com o deslumbramento momentâneo.

    As palavras no início pareciam fazer algum sentido... Até que pararam de fazer.  – Minha?! – foi tudo o que conseguiu dizer, antes que a outra continuasse.  Falava muito... Falava confuso... E tinha muitas informações. Como aquela jovem sabia tanto sobre o tio e sobre a doença dele? Como ela conhecia Eva? Adam?.. Eram tantas perguntas que não seriam feitas naquele momento, pois Eva obedeceu quando a outra mandou que fechasse os olhos e só os abriu com o fedor de ovo e a brisa leve no rosto.  Procurou alguma pena, pois havia ouvido asas, mas não encontrou.

    - Nossa, ele consegue ter um cheiro pior depois de morto – mexeu no nariz como se pudesse afastar aquele cheiro. Talvez quisesse afastar toda a confusão em sua mente também. Como a moça havia dito, aquele não era o lugar.  Ao ouvir as últimas palavras dela, antes de ir andando pelo corredor, Eva foi até a cama, olhando o corpo inerte. Não tinha nada a dizer.

    Fechou os olhos do tio e pegou o teste de gravidez, o guardando no bolso da calça jeans. Em seguida, seguiu a outra pelo caminho que havia feito pra entrar.

    Caso não tivesse problemas para sair do quarto e do quintal da casa sem ser vista,  alcançaria a desconhecida com passos largos e logo andaria ao seu lado.

    - Você é um anjo da morte ou algo do tipo? – não esperava REALMENTE uma resposta positiva para aquilo.  Sua mente criativa apenas havia montado uma possível cena de fantasia ali.

     
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    Mensagem por Rebe em Sab Fev 08, 2020 7:07 pm


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    Eva ia atrás da mulher, questionando sobre quem ou o quê ela era realmente, soltando um riso ao ouvir sobre o "anjo da morte". A alegre gótica descia pelas trepadeiras sem qualquer temor e com uma agilidade felina, como se tivesse feito aquilo milhares de vezes.

    - Não, não sou um anjo, mas as asas que você escutou eram de um... e bem, o cheiro de ovo podre era na verdade de enxofre. Seu tio era cristão no fim das contas, no fundo da alma dele... ele não foi um cara muito legal em vida, mas isso você já sabe. Geralmente as Essências vomitam na primeira vez que o sentem, você foi uma surpresa. — observava Eva um pouco perdida com a resposta — Cuidado onde pisa, querida, não queremos que você morra agora. — abria um sorriso, a aguardando descer.

    Ao mesmo tempo que as palavras eram extremamente "fantasiosas" ao raciocínio cético e puramente científico de Eva, a voz da desconhecida continha uma franqueza visceral, como se cada palavra que houvesse dito fosse verdade.

    - Por que mentiu para ele que a criança estava morta? — se espreguiçava, enquanto colocava uns óculos escuros para se proteger do sol que abria após dissipar as nuvens nubladas, parecia gostar de tomar um banho de sol, apesar de ser extremamente pálida — Vamos na sua Kombi, acho que não ando em uma delas desde a década de 50.

     
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    Mensagem por Bastet em Sab Fev 08, 2020 10:48 pm


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    A mente de Eva já havia dado um nó com as “explicações” (que no fim não explicavam muito, no momento). Então um demônio estava ali? O inferno tinha aquele cheiro?  A mulher se perguntava enquanto se pendurava para descer pelas trepadeiras. Apenas se tocou que estava prestes a pisar em uma parte um tanto podre quando a outra a alertara.  Puxou o pé dali, realizando o resto da descida com mais cuidado e coçando o cabelo bagunçado.

    - Essências? Narguile é uma droga esquisita, mas se te dá onda, posso arrumar, mas não com aquele cheiro – torceu o nariz só de lembrar. Não entendia o porquê de estar tão solícita para com a mulher desconhecida,  nem do motivo de a estar levando para a sua Kombi sem nem saber o nome dela. Não que nunca tivesse dormido com alguém sem saber o nome, mas não levava as pessoas pra Kombi, geralmente.

    Após ouvir a pergunta da menina, Eva apenas suspirou, andando sem responder. Havia estacionado pouco depois da casa, então logo estariam na Kombi.  Era um modelo antigo, azul claro. No interior tinha uma cama, uma mesinha retrátil e uma cozinha pequenininha. Era possível acessar o interior do carro pelos bancos da frente, pois Eva havia  mandado tirar o banco do meio da Kombi.


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    A mulher abriu e indicou para a outra entrar pelo lado do passageiro, indo para o lado do motorista. Pegou o óculos de sol que havia deixado ali, mas acabou desistindo de colocar. Estava começando a cair a ficha do que havia acontecido no quarto.

    - Eu queria que ele sofresse.  Estava com raiva – disse, apertando o volante com alguma força. Respirou fundo – E não queria que ele imaginasse nada com minha filha. Nem por um breve momento antes da morte dele. – foi extremamente sincera, o que não era comum quando se tratava de seus sentimentos.

    - Quem é você, moça? Ou melhor... O que é você? – olhou para ela ela por um momento, antes de ligar a Kombi, começando a tirar dali. Não sabia pra onde tava indo, mas não queria ficar perto da casa. – E como sabe tanto sobre mim?

     
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    Mensagem por Rebe em Dom Fev 09, 2020 2:24 am


    “nunca acredite no contador de histórias, apenas na história”

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    A desconhecida entrava na van, guardava os óculos escuros e deitava na cama, se contorcendo para encontrar uma posição mais confortável, ia ouvindo os questionamentos de Eva de forma paciente.

    - Certo, vamos lá... eu sou a Morte, Eva. Seu tio vai sofrer bastante, visto que quem veio buscar a alma dele foi um Coletor de Almas, e sim, do Inferno.  Isso não quer dizer que uma religião esteja certa e as outras erradas, nem que todas estejam certas ou todas erradas, a questão é o que aconteceu, o que eu sou e o que você está para se tornar e não sabe disso ainda. O fato da sua mente não colapsar com essa nossa conversa é a prova de que estou certa ou que eu sou tão louca que acredito tão profundamente nessa verdade que me faz real à minha perspectiva em ambas as hipóteses. — começava a mexer nas pequenas gavetas da mini-cozinha da kombi — Por acaso você teria algum chá? Pode deixar, já achei — preparava a água para esquentar em um bule, enquanto continuava a conversa.

    - Sua filha está correndo risco de morte nesse exato momento, será uma morte precoce por uma criatura que não deveria mais existir, logo uma afronta à minha existência. Você ainda a ama ao ponto de ser capaz de ceifar uma existência para a salvar? Se sim, é bom pisar fundo até o acampamento dos escoteiros na Floresta Nacional de Black Hills.

     
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    Mensagem por Bastet em Dom Fev 09, 2020 2:49 am


    “nunca acredite no contador de histórias, apenas na história”

    TUDO MORRE


    - O cinto tá meio velho, mas se você fizer.... Deixa pra lá – ia explicar como prender o cinto no banco do passageiro, mas logo a desconhecida entrou na sua casa, deitando na cama e futicando em tudo.  Parecia à vontade ali, apesar de Eva a ver se contorcer na cama pra achar uma posição confortável. Quase deu uma risada, mas ficou perplexa quando ela começou a falar tudo aquilo.

    - Olha, moça... Você deu sorte de meu dinheiro ter acabado antes de eu comprar maconha essa semana... Se não eu ia achar que essa era uma onda muito louca – assim que tirou da vaga, o que não era uma tarefa muito fácil para um carro grande, pesado e sem direção, Eva começou a seguir pelo caminho certo, sem saber que tinha um caminho a seguir.  -  Morte... Certo -  repetiu, talvez tentando assimilar aquilo de forma mais real – Eu vou ser a morte também? Se você soubesse a ironia disso... – talvez ainda estivesse um pouco incrédula, apesar de ter gostado da notícia sobre o tio. Somente começou a levar a sério o que a menina dizia quando falou sobre a sua filha.

    Acelerou sem nem questionar,  precisando de alguns instantes pra formular uma pergunta. – Eu não tenho uma arma... Você trouxe uma consigo? – parecia improvável. A mulher passava uma sensação de paz que, provavelmente, só a morte poderia trazer aos que eram “bons”. Será que Eva merecia essa sensação?

    - Que tipo de... criatura? – se atentou à palavra que a outra havia usado, com um pouco de medo... Enquanto isso observava o horizonte, enquanto a grande montanha negra ficava cada vez mais próxima.


     
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    Mensagem por Rebe em Dom Fev 09, 2020 3:11 am


    “nunca acredite no contador de histórias, apenas na história”

    TUDO MORRE


    A Morte se acomodava mais ainda no espaço interno, agora tomando uma xícara de chá, tomando cuidado para os solavancos não derrubarem o líquido antes que consumisse tudo.

    - Você não vai se tornar a Morte, eu sou a Morte, mas você pode ser uma terceirizada, não é esse o termo que essa geração gosta de usar? — começava a rir, enquanto bebericava mais um pouco do chá — Se você aceitar ser a minha Essência, é assim que são chamados os indivíduos que recebem uma fração do meu poder,  em conjunto da responsabilidade de levar a vida e morte para os que assim merecerem, até a sua hora chegar. Acredite em mim, todos morrem, no fim de tudo até eu mesmo devo morrer. — ignorava o assunto sobre qual criatura estaria atrás de sua filha — Você parece meu irmão Destino, ele que nunca gosta de ser surpreendido, se dariam bem.

    Os olhos da Morte se cruzavam com a rápida olhada que Eva dava no retrovisor interno, parecia que o tempo parava, Eva sentia ainda tudo ao seu redor mas tudo havia parado. Tudo ficava negro, uma imagem se formava com símbolos "comuns" à ela e aparente à Morte, o olho de Hórus e o ankh, a voz da Morte continuava sendo ouvida vindo de algum lugar não definido, mas parecia ser da sua própria mente.


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    - Eva Black, você aceita se tornar uma Essência da Morte, recebendo parte do meu poder para levar a morte e a vida aos que merecem e tornar isso como parte de uma responsabilidade vital até a sua própria morte? Aceita o poder para salvar sua filha e nunca mais aceitar a submissão à força de outrem?

     
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    Mensagem por Bastet em Dom Fev 09, 2020 3:47 am


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    Tudo o que havia sido dito ali dentro do carro, até então, não preparara Eva para o exato momento em que seus olhos se encontraram com os da outra, pelo retrovisor do carro.  Nem se lembrava se havia respondido sobre a “terceirização” do serviço ou sobre o tal Destino... Tudo sumiu naquela fração de segundos em que o tempo parou e a mulher fora lançada no abismo escuro do olho de Horus... Ou os olhos da jovem morte.

    Eva sentia o corpo sem apoio, como se flutuasse ou caísse, mas não tinha medo. Na verdade, não se lembrava de ter se sentido tão acolhida como naquele momento, em toda a sua vida.  De alguma forma, podia ver e sentir sua realidade  em algum lugar, mas a presença daqueles símbolos, da escuridão, da voz gentil da morte que lhe indagava, era mais forte.

    Ouviu a pergunta e abriu um sorriso, segurando o próprio ankh que tinha no pescoço. Não sabia o que esperar, mas aquela mulher a ajudaria a salvar a filha, daria a própria vida se fosse preciso.

    “Que tipo de amor é esse?” pensou, não sabendo que poderia sentir tudo aquilo por um ser que nem conheceu.

    - Eu aceito – ela disse.


     
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    Mensagem por Rebe em Dom Fev 09, 2020 3:58 am


    “nunca acredite no contador de histórias, apenas na história”

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    Daquele momento em diante, Eva Louise Black estava morta para o mundo, agora renascendo como uma Essência da Morte. Uma forte euforia inundava seu corpo e sentidos, era o êxtase do poder da própria Morte, que continuava no banco de trás da kombi, observando toda a reação de Eva.

    - Agora você não vai mais precisar de uma arma, posso te assegurar isso. — os últimos raios de sol sumiam no horizonte, enquanto Eva acelerava ainda mais a kombi, o pedal já estava no chão, não chegava mais rápido do que isso, o velocímetro marcava estar a 130 km/h — Siga seus instintos, o aperfeiçoamento do que acontecer hoje será ao decorrer do tempo.

    Por sorte a estrada estava pouco movimentada,  a Floresta Nacional de Black Hills era famosa por sua vegetação predominantemente de pinheiros e álamos, além das agulhas e outras formações rochosas que encantavam qualquer um com uma paixão pela natureza, o que nunca foi muito o gosto de Eva, mas já havia visitado o local em uma excursão nos tempos de escola. Não demoraria para chegarem.


    FIM DO CAPÍTULO
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    Mensagem por Rebe em Dom Fev 09, 2020 2:41 pm


    “nunca acredite no contador de histórias, apenas na história”

    REENCONTRO


    Eva Black [Bastet] LHMgdQ9

    A noite caía quando Eva adentrava o território da Black Hills National Florest, a kombi em velocidade máxima começava a tremular quando terminava de percorrer o asfalto e seguir pelo trecho de terra até o acampamento escoteiro ao lado de um lago e sopé de uma das gigantescas formações rochosas que complementavam o parque.

    - Hey, cowboy, cuidado por onde você anda! — a morte se segurava na parte interna da kombi, parecendo calma, apesar da tensão quase estática se fazer presente no ar.

    O local era "conhecido" de Eva, na verdade foi uma vez só quando era mais nova, em uma atividade obrigatória da escola e odiava tudo aquilo, a floresta, os insetos, fogueiras, em resumo uma vida em contato com a natureza não fazia o seu tipo. As fogueiras se faziam acesas à entrada, como de costume, o local estava iluminado e com uma chaminé expelindo a fumaça interna.

    Aparentemente tudo estava, a floresta ao redor escurecia muito rápido, apesar de não existir muitos predadores selvagens na região, mas sempre existiam as lendas de acampamento para amedrontar os escoteiros e viajantes por aquela região.

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