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    Lobo em pele de cordeiro

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    Mensagem por Tellurian em Qua Ago 21, 2019 9:07 pm

    Dizem que nas montanhas o inverno chega mais cedo. Akemi juntou as mãos junto ao rosto, tentando aquecê-las com a sua respiração. A despeito do sol já ir alto no céu, a manhã estava bem fria. A moça se perguntou se algum dia se acostumaria. Apoiou-se sobre cabo da enxada e descansou um pouco. Ainda não era nem meio-dia, mas já sentia as pernas e costas doloridas. O trabalho no campo era duro, estava aprendendo a duras penas. Levou as mãos à cintura e se inclinou, esticando as costas. Como uma plantação tão pequena podia dar tanto trabalho?

    Como não sabia como fabricar os remédios, Akemi acabou por se tornar a responsável em cuidar da plantação. Kaito ensinara-lhe o básico do trato com a terra, e plantaram juntos as diversas ervas medicinais que seriam necessárias para a fabricação dos remédios de Kaito. Ele parecia estar se divertindo, apesar de tudo. Kaito gostava do trabalho com a terra e com as ervas, e tinha quase sempre um sorriso satisfeito no rosto. Muito mais do que tinha quando Akemi o observava nos treinos no quartel general de Kyoto. Foi uma imensa surpresa o quanto ele conhecia de medicina e farmacologia. Kaito seria um médico muito melhor do que era espadachim, Akemi pensava, mas não atrevia a dizer ao amigo. Temia ferir-lhe os sentimentos.

    A espada, aliás. Sentia falta da prática com a lâmina. Sentia-se nua sem sua espada do lado. Mas o disfarce obrigara-lhe a escondê-la, e agora quase nunca a tinha por perto. Temia que acabasse enferrujando. Encontrar um lugar isolado onde pudesse treinar e banhar-se tinha ocupado sua atenção no início. Mas logo descobrira um belo lugar afastado do povoado, longe das plantações. Os agricultores havia represado um rio, para que pudessem desviar a água que irrigava as suas plantações. E a barragem acumulara água suficiente para criar uma pequena lagoa. Seguindo o riacho por alguns minutos, alcançava-se uma pequena queda d'água. Era suficientemente longe do povoado para que poucas pessoas decidissem ir até lá, simplesmente não valia a caminhada. Akemi suspeitava que durante o verão o lugar ficasse infestado de crianças, mas agora o Outono avançava, e a temperatura congelante da água afastava qualquer interesse, não apenas dos pequenos, mas dos adultos também. Se pudesse suportar a água gelada, Akemi poderia banhar-se e treinar sozinha com a espada, sem se preocupar em ser vista.

    -"Bom dia, Ishida-kun. As ervas têm crescido bastante, hein?"-- a voz arrastada da anciã trouxe de volta Akemi de seu transe. Era uma velha senhora local, que produzia leite e derivados em pequena quantidade, porque tinha uma vaca. Era uma senhora muito simpática e querida por todos, que a chamavam carinhosamente de baa-chan¹. Akemi nem sabia seu nome verdadeiro, pois a velha senhora já havia se apresentado dessa forma. Os cabelos brancos presos em um coque, os olhos bondosos e muito puxados e as mãos enrugadas e calejadas por uma vida de trabalho duro certamente inspiravam respeito e consideração.

    -"Obrigada pelo trabalho duro! Por favor, passe lá em casa quando acabar. Tenho um queijo pra você e para seu irmão."- a anciã sorriu um sorriso desdentado, mas cheio de carinho

    Notas:

    ¹- Vovó

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    Lobo em pele de cordeiro Empty Re: Lobo em pele de cordeiro

    Mensagem por Larissa Aprill em Dom Set 01, 2019 12:58 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”



    Algumas semanas se passaram desde a conversa de Akemi e Kaito na fogueira. O moreno não falou mais sobre o seu passado e a garota deu privacidade a ele. Pois sabia que ele precisava resolver suas questões interiores.

    Ao chegarem no vilarejo os dois foram muito bem recebidos pelos aldeões, principalmente pela velhinha que se denominava Baa-chan. Ela ajudou os "irmãos" a se acomodarem na casa e ficou muito feliz ao saber que eles tinham conhecimento de ervas medicinais e levou algumas pessoas doentes para Kaito tratar.

    Infelizmente Akemi não eram tão habilidosa assim, todas as vezes que tentou preparar um remédio, acabou atrapalhado mais do que ajudando.

    - Eu desisto!- Akemi largou a tigela que estava segurando, ela tentava moer com o pilão algumas sementes, mas sempre que batia os grãos voavam para longe.

    Kaito: "É mais uma questão de jeito do que força."- Ele diz com um sorriso enquanto pega a tigela e com facilidade começa a triturar.

    - Falando assim parece fácil.- Disse emburrada - Deve ter alguma coisa que eu possa fazer.

    O moreno ergue a sobrancelha e diz que tem um trabalho perfeito. Então Akemi foi designada a cuidar do plantio. No começo Kaito a ensinou como preparar a terra, adubar e semear as sementes. Era um serviço braçal e logo a garota pegou o jeito.

    Todas as manhãs e noite Akemi ia regar a plantação e as primeiras mudinhas começavam a brotar. A menina recolheu suas coisas e voltou para a casa. Kaito estava terminando de preparar o jantar, ela se aproxima para roubar um guioza e é repreendida pelo amigo.

    Kaito: "Okaerinasai...Hey… Não pegue com as mãos sujas." - Ele tampa o nariz quando Akemi se aproxima.- "E você precisa urgente de um banho."

    Akemi cheira o próprio ombro e percebe que está cheirando adubo e diz que vai tomar um banho. Ao chegar na piscina pública do povoado a garota tira a roupa e entra na água fria. Quando estava se ensaboando ela escutou passos se aproximando e ficou em alerta, naquele momento desejou ter sua espada ao seu lado.

    O brilho da lanterna iluminou o rosto de Kaito, o moreno decidiu tomar banho também. Quando o rapaz começou a desamarrar o cordão da calça, Akemi mergulhou na água. Não queria ver o amigo sem roupa. Quando não aguentava mais segurar o fôlego emergiu e viu que Kaito estava sentado com a água batendo na altura do peito do rapaz.

    Kaito: "Achei que tinha se afogado."- "Parando pra pensar, nós nunca tomamos banho ao mesmo tempo, né?"

    - Verdade.

    A menina fica envergonhada e se encolhe mais dentro da piscina. Ela nunca tinha visto Kaito sem camisa antes e ele não era tão forte quanto Yamada, mas tinha os braços e ombros definidos. Akemi analisava o pescoço e o peitoral do rapaz e sentiu as bochechas queimando de vergonha.

    E de repente se deu conta que era uma garota e estava tomando banho com um rapaz. Akemi cobriu os seios com as mãos e disse nervosa.

    - Não se aproxime...err...Eu gosto de espaço quando tomo banho.- Sentia um frio na barriga ao imaginar ele se aproximando e vendo o corpo dela sobre a água.

    Kaito: "Não se preocupe, eu não tenho a intenção de me aproximar nu de outro homem." - disse sorrindo.

    " Mas eu não sou um homem"
    -Akemi não conseguiu evitar esse pensamento.

    Ela se encolhe ao perceber que não podia simplesmente se levantar e ir embora. E a água gelada estava começando a incomodar sua pele, que se arrepiava pelo frio. Enquanto isso Kaito pegou o sabonete e começou a ensaboar e lavar os cabelos.

    Ela não conseguia desviar o olhar, estava envergonhada mas ao mesmo tempo hipnotizada pelos gestos do Kaito e imagens começaram a brotar em sua mente. Corou ao imaginar o beijo que poderia acontecer naquele instante.

    "Para com isso Akemi...pensa em outra coisa"

    A menina chega a balançar a cabeça para afastar aqueles pensamentos. E começou a focar os pensamentos na missão, no quartel e no que vieram fazer naquele vilarejo. Seus devaneios de brincar de casinha com Kaito poderia colocar tudo a perder.

    - Então... -Encara o moreno coberto de sabão e desvia o olhar para a lanterna que iluminava a beira da piscina. - Até agora está tudo tranquilo, não temos informação de ninguém.

    Kaito: "Estamos ganhando a confiança das pessoas. Logo estaremos próximos o suficiente para que nos convidem à rebelião. Um médico é um recrutamento potencial que não se pode recusar" - disse pensativo, mas a espuma do cabelo escorre para os olhos e ele pragueja.Kaito: " Ah...que droga!! Ishida me passa a toalha!"

    O moreno estava de olhos fechados e tateava ao redor. Akemi sente o coração batendo mais rápido conforme se aproxima. Mas ela estende a mão pois não queria chegar próximo demais, não a ponto de ver o corpo dele nu.

    - Aqui...

    Kaito seguiu tateando em direção a voz e seus dedos tocaram nos seios da jovem por um breve instante. Akemi arregalou os olhos numa mistura de surpresa e medo. Sua reação foi jogar a toalha sobre a cabeça dele e se afundar na água, enquanto abraçava o corpo.

    Seu coração nunca bateu tão rápido quanto aquele momento. Ele havia a tocado, ele havia sentido seu seio? O pavor chegava na mesma intensidade que o rubor cobriu suas faces. Mas Kaito apenas limpou o rosto e disse curioso.

    Kaito: " O que deu em você? Eu não estava enxergando nada"

    Akemi abre a boca para falar, mas as palavras ficam travadas na garganta. Ela não poderia explicar o quanto estava sentindo exposta sem revelar a verdade sobre ser uma garota. Então ela apenas acenou a cabeça negativamente e se afundou na água assustada. Kaito suspira e vira de costa para colocar a toalha num lugar seco e Akemi vê as cicatrizes. Havia diversas marcas em suas costas, como se tivesse sido açoitado várias e várias vezes.

    - Kaito…. O que foi isso??- A menina foi pega de surpresa por essa revelação.

    Kaito: "Ohh…" - Ele toca as cicatrizes e afunda na água, depois de um tempo em silêncio, o moreno diz.-"Você lembra quando eu disse que era um monarquista?"

    A menina engole em seco e diz que sim. Fazia tempo que ela queria saber sobre o passado do rapaz e o que levou ele a se infiltrar no Shinsengumi.

    Kaito: "Na verdade, eu sou de uma família de monarquistas. Meu pai é um samurai de Choushuu." - Ele fica com a face aparentemente entristecida-"Eu nunca compartilhei as crenças políticas do meu pai. Eu nunca quis ser samurai. Eu queria ser um médico. Ajudar as pessoas. Curá-las, e não matá-las. Essas cicatrizes são lembranças da disciplina do meu pai." Ele abaixa os olhos e encara o próprio reflexo na água. -"Seja homem, ele dizia."- Kaito parece estar a beira das lágrimas -"Ainda o escuto dizer: Você não passa de um maricas."

    Akemi sente um aperto no coração ao escutar a confissão do rapaz. Ele deve ter sofrido muito com os abusos do pai, mas mesmo assim continuou sendo um monarquista e se infiltrou no quartel.

    - E ele que te mandou para o Shinsengumi? Para você dar informações sobre o que fazemos?? - Ela não conseguiu esconder a mágoa no tom de voz.

    Kaito arregalou os olhos espantado, havia tanta tristeza no olhar, que parecia que Akemi tinha o apunhalado com aquelas palavras.

    Kaito: "Eu fugi de casa. Encontrei o capitão Harada quando ele se feriu em um duelo, e ele me chamou pra fazer parte do Shinsengumi. Disse que eu poderia proteger as pessoas assim"

    Akemi se arrepende na hora e se sente envergonhada por julgar o amigo. Ela fica um tempo em silêncio, ainda tinha receio de se aproximar. Por isso abraçou o corpo gelado e encarou Kaito, o olhando fixamente.

    - Me desculpe...eu...eu me precipitei... eu não quis te ofender…- Ela o encara em silêncio, mas diz por fim. - Eu acho….que o Capitão Harada fez certo em te abrigar…..Mas Kaito… - Ela tenta dizer da maneira mais suave possível. Pois não queria magoá-lo novamente Seu lugar não é com o Shinsengumi e nem com sua família monarquista. Esses dias que passamos aqui, eu te vi sendo mais feliz do que qualquer outro dia do quartel.- Akemi suspira e continua a ser sincera com o jovem - Sei que parece fácil falar pra largar tudo. Mas eu te entendo, porque também fugi de casa. Eu não concordava com os planos que eles tinham para meu futuro.

    Kaito olha para Akemi e diz curioso.

    Kaito: "Aliás, bem lembrado. Eu consigo entender porque o Saito me colocou nessa missão. Mas porque você veio, Ishida?"

    - Ahhh... sobre isso.... digamos que eu sou bom em disfarces. Eu e meu irmão vivia enganando os empregados.- lembrar do Akira ainda doía.

    Kaito:"Ora, então você tem um irmão"- Ele sorriso de maneira bondosa.

    Era a primeira vez que ela fala do irmão para alguém do Shinsengumi, mas sentia que podia confiar no Kaito

    - Tinha...ele morreu - Ela sente  os olhos se enchendo de lágrimas, mas rapidamente limpa o rosto com a mão. - Tenho certeza que meu irmão iria gostar de conhecer todos vocês.

    Kaito: "Eu sinto muito." - disse com pesar

    - Lembra daquele dia que tive o pesadelo? Eu tinha sonhado com ele. De alguma forma parece que eu tinha o decepcionado.

    Kaito se recosta em uma pedra, e olha para as estrelas acima. O céu estava limpo e havia uma infinidade de estrelas sobre suas cabeças.

    Kaito: "Todos temos medo de decepcionar aqueles que amamos. Mas, Ishida, eu não acho que você tenha que se preocupar com isso. Você é forte. A forma como você conversou com Saito, de igual pra igual... Me deixou sem palavras. Eu te admiro muito. Tenho certeza que seu irmão está orgulhoso de você."

    - Eu não gostei de como Saito insinuou as coisas. Ainda tenho medo dele, mas você é meu amigo r era meu dever defendê-lo. - Sorriu mas logo ficou séria- Foi idéia do meu irmão entrar no Shinsengumi. Ele acreditava que podia mudar o mundo e eu...eu apenas seguia seus ideais. Só depois de um tempo que percebi que estou fazendo isso por mim mesmo. - ela encara o céu a procura de algum sinal que lembra o Akira - Eu não sei se ele teria orgulho de mim agora.... por que....- Akemi poderia contar a verdade para Kaito, mas qual o preço de sua mentira? Tinha medo de ser expulsa do Shinsengumi e de perder essa nova família que ela conquistou.- Bom...porque... eu continuo sendo a pessoa teimosa de sempre.

    Kaito: "Você é severo demais consigo mesmo, Ishida."
    - Ele sorri de maneira gentil e encara o céu novamente."Diga, Ishida. Qual seu sonho?"

    Edá a pergunta pegou a menina de surpresa. Mas estava gostando daquela conversa sincera com Kaito.

    -Na verdade, nunca parei para pensar nisso... Quando eu era mais nova odiava algumas tradições... mas acho que só quero achar meu lugar no mundo... sem rótulos, sem títulos...
    - ela para e pensa um pouco, mas por fim diz - Acho que conquistar minha própria felicidade. E qual o seu Kaito? Ainda deseja ser médico?

    Kaito: "Eu entendo o que vc diz. Eu mesmo não tenho nenhum apego pelas tradições."
    - ele fecha os olhos e reflete sobre a sua pergunta. "Eu não sei se vou ser médico. Mas eu quero ajudar as pessoas. Vivemos um tempo difícil, e tudo o que eu quero é fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que as pessoas ao meu redor sofram menos."
    - Em seguida, ele baixa os olhos pra Akemi e dá um sorriso travesso. "Mas eu seria um bom médico, sabe? Talvez, depois que as coisas acalmarem no Japão, eu siga essa profissão. Encontre uma boa moça, me case e tenha uma porção de filhos."

    Kaito dá uma risada daquelas contagiantes e nem Akemi consegue evitar de sorrir.

    -Você sempre ajuda as pessoas, mesmo sem perceber. Desde o dia que eu entrei no quartel você foi gentil comigo Kaito. E se não fosse por você e o Hiroshi, eu e o Yamada teríamos saído na mão hehe-Diz com um sorriso - Você seria um excelente médico e é por sua causa que estamos indo bem aqui. - Quando ele disse em se casar e ter filhos, a menina corou e disse por fim - Quero conhecer essa felizarda algum dia.

    Kauto se levanta da água, expondo a nudez dele. O corpo de Kaito é esguio, mas forte. Os músculos dele são daquele tipo que começam a se definir por conta da rotina de exercícios do Shinsengumi, não tão proeminentes quanto os de Yamada, mas de aparência mais macia e pele mais branca.

    Kaito: "Eu acho que seria melhor sairmos, Ishida. Vai começar a esfriar"

    Akemi se assusta com Kaito se erguendo de repente e acaba vendo o amigo nu. Parecia que tomar banho com os colegas sempre tinha essa sina. Rapidamente sua mente comparou o corpo de Kaito com Yamada e ficou com vergonha ao perceber isso. A menina sentiu o rosto queimar e balbuciou qualquer coisa para Kaito antes de mergulhar novamente na água fria.

    Desde aquele dia Akemi não se sentia confortável para tomar banho na piscina pública. E numa manhã após cuidar da plantação foi explorar a região e encontrou uma queda da água alguns quilômetros de distância do vilarejo, era o lugar ideal, pois era longe o bastante para não ser vista por ninguém. Ela também trouxe a espada de Akira consigo e escondeu num vão entre as pedras, isso fazia ela se sentir mais segura, caso alguém decidisse espionar e também poderia praticar a esgrima que tanto gostava. Aquele seria seu lugar secreto.

    Num fim de tarde e depois de trabalhar arduamente na plantação, Akemi caminhou até a lagoa e decidiu encarar a água gelada e tomar um longo banho.

    Ela soltou o coque e os cabelos caíram sobre as faces, já fazia meses que ela não cortava o cabelo e agora eles chegavam a altura do ombro. A menina encarou o reflexo na água. Os cabelos não estava tão sedosos e brilhantes como era antigamente, mas ainda acentua o rosto feminino. E ela sabia que era um risco deixar o cabelo daquele jeito.

    Akemi pegou a espada, exatamente como fez na sua casa no dia que enterrou o irmão, mas naquela época ela tinha como objetivo se tornar Akira. Agora o que ela havia se tornado??

    Sentia que havia encontrado uma nova família com o Shinsengumi, os dias no quartel sempre eram movimentados e a companhia dos amigos fazia ela esquecer a tristeza e medo em seu coração. Mas uma parte dela queria ser vista e aceita como uma garota, principalmente quando se tratava do Capitão Harada. E apesar dos poucos momentos que tiveram a sós, Akemi percebeu o quanto ele era uma pessoa justa e bondosa.

    E esse sentimento trazia diversas inseguranças. Será que ela seria perdoada pela sua mentira? Será que seus sentimentos seriam correspondidos? Será que estavam agindo certo nessa missão? Ela e Kaito seriam chamados para uma reunião secreta e conseguiriam concluir a missão com sucesso??

    Todas essas dúvidas pairavam sobre sua mente enquanto ela encarava o seu rosto na água. Desta vez ela chorou quando viu os fios de cabelo cortados sendo levados pela correnteza. Ela retirou as roupas de camponês e entrou na água congelante, mesmo que o frio fizesse ela bater os dentes ela nadou até sentir mais tranquila. Pelo menos quando voltou para casa e encontrou Kaito preocupado pelo seu sumiço, percebeu que iria viver um dia de cada vez.

    Alguns dias se passaram e Akemi larga a enxada e se espreguiça para tentar aliviar as dores das costas quando escuta a voz da Baa-chan. A velhinha simpática devia estar voltando das suas caminhadas matinais.

    - Ohayo!! Sim elas estão crescendo bem - disse orgulhosa. E percebe que o momento havia finalmente chegado.- Claro Baa-chan iremos mais tarde.

    A menina aguardou a velhinha sumir de vista e correu para casa. Chegou esbaforida e contou sobre a conversa de agora pouco.

    Estava nervosa e ansiosa, Akemi não sabia o que esperar daquela conversa. E tinha receio de fazer algo errado e ter seu disfarce descoberto e estragarem a missão. Por isso andava de um lado pelo outro da sala enquanto aguardava Kaito.

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    Mensagem por Tellurian em Qui Set 05, 2019 10:37 am

    Kaito protestou quando Akemi o chamou para ir até a casa de Baa-chan, alegando que havia muito trabalho pendente. Ele estava com ambas as mãos em um pilão de pedra, com uma bandana branca prendendo seus longos cabelos e as mangas arregaçadas. Estava moendo sementes para finalizar emplastros do senhor Kamogawa, além do chá digestivo para os problemas de barriga da senhora Watanabe. E além dos remédios, ainda precisava consertar o telhado. A goteira havia crescido nos últimos dias, e o forro já começava a cheirar a mofo. Também precisava preparar algo para jantarem.

    Akemi soltou um suspiro de frustração. Kaito era teimoso quando queria. Levou as mãos à cintura e observou o moreno trabalhando duro. Não queria, mas foi obrigada a jogar sua carta na manga, a arma secreta que só deve ser usada em momentos de necessidade: queijo.

    Kaito ergueu as orelhas como um rato olhando uma ratoeira quando Akemi mencionou que Baa-chan lhe havia prometido um queijo. Subitamente, o rapaz pareceu mudar de idéia quanto à urgência das tarefas pendentes, e pediu apenas um minuto para lavar as mãos antes de irem. Já fazia alguns meses que ela e os rapazes tinham descoberto a fissura de Kaito pelo laticínio, e não era raro que usassem o produto como moeda de suborno. Cada um com seu ópio, dizia Hiroshi.

    A casa de Baa-chan ficava a uns bons trinta minutos de distância caminhando. A cabana onde Akemi e Kaito viviam era relativamente afastada do povoado, mas todas as casas eram. O lugar era pequeno, e não muito densamente povoado. Quase ninguém possuía cavalos, que eram caros e davam muito trabalho. A maioria usava mulas como forma de se deslocar, mas Kaito tinha medo delas. Akemi tentou convencer o rapaz que elas eram inofensivas, acariciando Margarida, a mula que o Shinsengumi havia deixado na cabana para uso deles, mas acabou sendo mordida no processo, que culminou com Kaito rindo e afirmando que mulas estavam sempre planejando algo. Possivelmente dominariam o Japão algum dia.

    Quando chegaram na velha cabana, notaram que a velha senhora estava em uma cadeira de balanço na entrada, fumando um bonito cachimbo de madeira trabalhada. Quando os dois "irmãos" chegaram, Baa-chan acenou para eles com um sorriso.

    -"Os Ishida. Sejam bem vindos, rapazes. Venham, venham. Entrem."

    A casa da velha senhora era bem simples, como todas no povoado. Feita de madeira, com telhado em palha de arroz. Ela possuía dois cômodos. Baa-chan apontou que os jovens deveriam se sentar à mesa que havia no centro do cômodo principal da casa.

    -"Agora vejamos... chá e queijo. Talvez alguns biscoitos? KAORU! KAORU, VENHA AQUI!"- a velha limpou as mãos e olhou em volta, como se tivesse esquecido onde havia guardado os mantimentos. Quando gritou por Kaoru, uma jovem abriu a porta que dava ao outro cômodo da casa. Trajava roupas de algodão típicas das moças que trabalham em lavoura, mas era pequena e muito bonita. Era jovem, não deveria ter mais de dezoito anos. Tinha os olhos grandes e castanhos, em uma tonalidade quase avermelhada, e tinha os cabelos de um tom de castanho mais escuro que lembrava o tronco de uma nogueira, levemente ondulados e presos em uma trança que caía-lhe sobre os ombros.

    -"Sim, vovó? A senhora me chamou?"- a voz da moça era bem fina, mas tinha certa melodia. Ela percebeu que Kaito e Akemi estavam sentados à mesa, e cumprimentou os dois.

    -"Sim, querida. Por favor, prepare um chá para os cavalheiros e traga aquele queijo com especiarias que ficou pronto ontem. Eu preparei biscoitos mais cedo, ainda devem estar bons, traga-os também."- a velha senhora ajoelhou-se ao lado da mesa, acomodando-se em uma almofada ao lado dos "rapazes" que a visitavam.

    A moça assentiu ao pedido da avó e saiu para buscar água para ferver o chá. Quando ela virou as costas, a velha baa-chan piscou aos convidados.

    -"Uma preciosidade, minha Kaoru-chan. Não sei o que faria sem ela."- Em seguida, ela olhou para Kaito e deu um sorriso afiado de raposa velha -"O senhor a achou bonita, Kaito-kun? Kaoru está na idade de casar, sabe?"

    -"VOVÓ!"- a moça entrou de volta na casa ao mesmo tempo em que Kaito engasgava com o próprio ar. Estava vermelha como um pimentão. Tinha uma bandeja nas mãos com tudo o que a velha senhora havia pedido.

    -"Não fale coisas estranhas aos convidados. Desculpem, ela aparentemente começou a ficar senil."- e começou a coar o chá, depositando as canecas delicadamente sobre a mesa e servindo todos. O queijo tinha um cheiro delicioso de especiarias, mas Kaito estranhamente hesitou em provar. Akemi percebeu que o rapaz estava tão vermelho quanto a moça.
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    Lobo em pele de cordeiro Empty Re: Lobo em pele de cordeiro

    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Set 12, 2019 12:25 am






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”



    Akemi encontrou Kaito no cômodo que usavam como sala. Ele estava relutante em sair e criando várias tarefas para realizar. A menina apoiou as mãos na cintura e disse de uma maneira provocativa que iria comer o queijo sozinha.

    Ela o chantageou e conseguiu atrair a atenção do moreno que correu para se arrumar. No caminho os dois riam enquanto Akemi imitava um rato com as mãos e caretas. A noite estava agradável e os dois caminhavam em direção a casa da Ba-chaan. Em alguns momentos, especialmente como aquele. Akemi agradecia por terem essa missão, já que em seu coração Kaito acabou ocupando de certa forma o lugar de Akira.

    Quando chegaram na casa da velhinha, a encontraram sentada numa cadeira de balanço. O cheiro de fumo e de algo delicioso impregnava o ar. Os dois foram recebidos carinhosamente. A casa da senhora era modesta, mas acolhedora.

    - Ohayo….Com licença, Baa-chan.- e se acomodou na mesa na sala/quarto.

    A menção dos biscoitos fez a barriga da menina roncar, então era isso que cheirava tão bem. Para sua surpresa a velhinha chamou por uma jovem.

    A garota apareceu timidamente na porta e cumprimentou os dois, Akemi retribuiu com um aceno de cabeça, mas percebeu que Kaito estava paralisado e encarando a jovem.

    Lobo em pele de cordeiro Screenshot-20190905-125859-1

    Mas não foi apenas Akemi que percebeu o encanto pela jovem. A Baa-chan foi direta no assunto e isso fez Kaito engasgar de surpresa. Kaoru apareceu de repente e estava muito corada. Akemi sorriu pois achou avó e neta adoráveis.

    A jovem serviu o chá, partiu o queijo e ofereceu os biscoitos. Akemi não tardou em experimentar, o biscoito de nata derretida em sua boca e com o chá era a harmonia perfeita. Já o queijo com especiarias era picante, mas delicioso. A jovem samurai olhou para Kaito, ele não havia comido nada...nem o queijo. O moreno mal se mexia e estava tão constrangido quanto a jovem.

    Akemi riu e decidiu entrar no modo casamenteiro também. Ela sorriu para velhinha ao enaltecer as qualidades do Kaito.

    - A senhora sabe que Kaito será um excelente médico algum dia. Ele até se recusou vir aqui pois estava preparando os medicamentos para os moradores do povoado. - Agora olhou diretamente para Kaoru.- Ele é a pessoa mais gentil que conheço. E está sempre disposto a ajudar e é um bom ouvinte. Vocês poderiam conversar algum dia para se conhecer melhor. Acho que a Baa-chan não se opõem e nem eu.

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    Mensagem por Tellurian em Sex Set 13, 2019 11:27 am

    O rubor de Kaoru aumenta e a moça arregala os olhos quando Akemi junta sua voz a de sua avó. A dupla casamenteira se diverte quando ambos, Kaito e Kaoru, ficam ainda mais envergonhados. Baa-chan ri e esfrega as mãos, satisfeita com o comentário de Akemi. A velha senhora serve mais um pedaço generoso do queijo aos convidados.

    -"Ora, não seja assim. Eu estou velha, Kaoru-chan. Queria segurar um bebê uma última vez, mas Noobu é um solteirão. Você é a minha última chance de ter um bisneto!"- a velha ri seu sorriso desdentado em uma gargalhada gostosa enquanto Kaoru adota tons cada vez mais vívidos de vermelho por toda a face. Já estavam falando em filhos, pelos deuses.

    -"VOVÓ!"- a moça parecia prestes a chorar de vergonha - -"A senhora está constrangendo o senhor Ishida!"

    -"Uh... não... eu, er... eu não fico constrangido."- Kaito tinha um sorriso desconcertado no rosto, e estava vermelho até as orelhas. Desviou o olhar enquanto o queixo de Baa-chan e de Kaoru atingiram o chão ao mesmo tempo, e pegou uma fatia do queijo, enfiando na boca de uma vez só. -"Ifo iftá delifiovo", disse o rapaz envergonhado, sem prestar muita atenção às boas maneiras, meio que como forma de desviar o assunto. Kaoru entendeu a dica e aproveitou a oportunidade.

    -"S-sim! A pimenta desse ano ficou bastante boa por causa das chuvas!"- tagarelou para mudar o assunto, mas sentou-se ao lado de Kaito, e Akemi pôde notar que a moça lançou um olhar de ternura ao samurai.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qua Set 18, 2019 9:48 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”



    Naquela pequena cabana, Akemi estava feliz junto com as pessoas que ela gostava, Kaito, Baa-chan e agora Kaoru. Lá tinha um clima acolhedor e caloroso, que a fazia esquecer da missão e de todos os problemas do mundo. Akemi só queria que o amigo fosse feliz.

    E quando Baa-chan falou sobre filhos, a menina riu com a chantagem da velhinha. A jovem samurai pegou mais um pedaço generoso de queijo. E olhou de modo travesseiro para Kaito.

    -Sabe… não faz muito tempo que o Kaito me disse que queria casar e ter uma porção de filhos.

    Akemi sorria com a nova confissão e achou adorável a atitude envergonhada de Kaoru. Mas surpreendentemente Kaito parecia estar gostando das iniciativas. Claro que o rapaz ficou envergonhado e enfiou o pedaço de queijo inteiro na boca. Mas era algo fofo de se ver.

    Kaoru e Kaito começaram a conversar sobre o preparo do queijo. Mas ela percebeu quando a jovem se aproximou de Kaito e o olhou com carinho. PRONTO…. Dever cumprido.

    Akemi enche o copo de chá da Baa-chan e brinda discretamente. Ela iria deixar os dois pombinhos se entrosando e conversa com a senhora. Queria saber mais sobre o vilarejo.


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    Mensagem por Tellurian em Qui Set 19, 2019 11:56 am

    Kaito e Kaoru conversavam sobre a fabricação dos queijos. Estavam cheios de sorrisos fáceis um para o outro. Kaoru dava detalhes do processo como se estivesse descrevendo uma ciência exata, e Kaito acenava com a cabeça e demonstrava interesse como se ela lhe estivesse contando histórias empolgantes. Os dois eram adoráveis, de fato. Baa-chan deu um sorriso a Akemi enquanto brindaram e lhe disse que ela teria queijos a vontade.

    Então, a porta de entrada se abriu, atraindo a visão de todos. Nobu, filho de Baa-chan, acabara de entrar em casa. Estava acompanhado de uma moça jovem, muito bonita. Haviam boatos de uma recém-chegada, vinda da cidade, cujo marido havia sido atacado por bandidos durante a mudança. A história empolgante estimulava as imaginações do lugarejo nos ultimos dias, mas até agora Akemi não havia conhecido a moça. Também ainda não tivera a oportunidade de conhecer o rapaz, filho de baa-chan.

    -"Mamãe, Ohgo-chan está aqui para vê-la e eu.... oh, temos visitas. Desculpem a intromissão."- o rapaz fez uma reverência ao notar a presença dos "irmãos" Ishida.

    -"Ohgo-chan! Seja bem vinda! Chegou em boa hora, querida. Estamos provando um queijo. Temos chá e biscoitos, também. Venha, venha. Sente-se. Noobu, você também. Tenho que lhe apresentar aos irmãos Ishida."- a velha senhora acenava com a mão, pedindo que os recém-chegados encontrassem um lugar proximo à mesa apertada.

    -"Ishida Akira, Ishida Kaito, este aqui é meu filho, Noobu. Esta jovem adorável que veio me visitar é Ohgo Suzuka, que se mudou recentemente para cá com o marido. Ohgo-chan, talvez o senhor Kaito possa auxiliá-la com o problema do seu marido. O rapaz é médico, sabe?"- a jovem senhora servia queijo ao filho e à Suzuka, enquanto Kaoru levantara para buscar mais copos para o chá.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Set 19, 2019 12:57 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”



    A menina sorriu com a menção do queijo a vontade. Mais tarde, quando retornasse para casa, ela contaria isso para Kaito. Com certeza seria mais uma razão bem favorável para ele selar o compromisso com a jovem Kaoru.

    A porta abriu de repente e Akemi já ficou em alerta. Mas era apenas o filho da Baa-chan, Nobu e uma jovem muito bonita, ouso dizer mais bonita do que a Kaoru.

    Ela e Kaito escutaram os rumores que um casal chegou de madrugada e se acomodaram numa cabana na floresta. O marido havia sido ferido por ladrões. E esse assunto interessava Akemi, afinal ela ainda fazia parte do Shinsengumi e seu dever era proteger os cidadãos. Mas aquele não era o momento para falarem disso.

    Akemi acena com a cabeça quando Baa-chan apresentou os "irmãos". E aguardou até as pessoas se acomodarem na mesa pra se apresentar.

    - Muito prazer, Nobu-San, Ohgo-dono.

    Quando Baa-chan falou sobre as habilidades médicas do Kaito, a menina concordou com a velhinha. Ela sabia do risco de ter o ferimento infeccionada após uma luta contra bandidos.

    - Kaito é muito bom no preparo de medicamentos...E ficaremos feliz em ajudá-la- Ela sorriu amigável para a jovem


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    Mensagem por Jolie_Scarlatt em Qua Set 25, 2019 12:14 am

    Suzuka caminhava levemente e ligeiramente ao lado de Nobu, o rapaz tinha passos largos. Ao entrar na casa, Suzu ficou desconcertada, pois Baa-chan não estava sozinha, havia algumas pessoas ali que sorriam e pareciam estar a vontade na presença da anciã, aliás era muito fácil disso acontecer, pois Baa  era uma ótima anfitriã, sempre disposta a ajudar sem.muitas perguntar, era uma.pessoa  discreta, que sempre estava sorrindo  e tinha uma energia muito positiva, a geisha sempre se sentia bem na presença da anciã.

    - Boa tarde senhora Baa,  Boa tarde senhores - e ao olhar para aqueles jovens algo incomodou a geisha, eles pareciam soldados, e Suzuka ficou analisando eles e pensando "o que será  que eles fazem por aqui? Sera que foram descobertos? E o coração da pequena começou a Acelerar, e ela ficou com imensa vontade de correr dali, mas não podia, pois mostraria que tinha algo errado, então manteve firme s seguiu em direcao a anfitriã, aceitando o pedaco de queijo. Foi quando, para o seu desespwro, que Baa sugeriu que um daqueles homens fosse ver Gensai. Ela nao podia deixar, mas tambem nao poderia recusar pois levantaria suspeitas, e por um tempo, enquanto mastigava o queijo, e bebericava o.cha, pensou em como
    lidar com aquela situação. Por fim respondeu.
    - obrigada pela hospitalidade senhores, mas prefiro eu cuidar do meu marido, tenho meus conhecimentos também, só  preciso de algumas calendula para fazer umas compressas nas feridas. - ao dizer sorriu quase suplicamente  para Baa  esperando pela planta que veio.buscar e torcendo para que não insistam com ela. Lobo em pele de cordeiro Images18
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    Mensagem por Tellurian em Qui Out 10, 2019 4:27 pm

    Kaito observa Suzuka com preocupação. A moça parece relutante em aceitar ajuda de estranhos. Mas pondera que, visto que foram atacados por ladrões, não era de se admirar que a mulher tivesse problemas em confiar em pessoas que acabara de conhecer. Ele cumprimenta a moça curvando-se de um jeito bem formal.

    -"É um prazer conhecê-la, Ohgo-san"- Ele fica de pé e se curva. O rapaz fala com a voz tranquila, e Akemi reconhece imediatamente que o "modo médico" entrou em operação. Kaito provavelmente estaria angustiado em ajudar, como ela já havia presenciado tantas vezes antes. -"Ouvi dizer que seu marido foi ferido"-

    -"O prazer é meu. Sim, ele está ferido, e desacordado a alguns dias. Vim buscar ervas para fazer um curativo nele.- A jovem geisha corresponde a reverência do rapaz, de forma igualmente respeitosa. A voz de Kaito tinha esse estranho efeito calmante, uma vez que ele começava a demonstrar apreço e preocupação pelas dificuldades de outros.

    -"Calêndula, né? Você não vai encontrá-la aqui nessa época do ano. Está frio demais."- o rapaz deu a notícia de forma hesitante, temendo a reação de Suzuka. A moça imediatamente demonstrou consternação, levando as mãos ao peito e baixando os olhos. Akemi percebeu a decepção da moça e decidiu tentar acalmá-la.

    -"Talvez haja outra planta que possa ajudar. Mas o Kaito teria de avaliar o ferimento, Ohgo-san."- a moça disse em tom conciliador, enquanto se aproximava da geisha, demonstrando preocupação.

    Kaito ofereceu-se para ir imediatamente à casa dos Ohgo, se Suzuka não tivesse nenhuma objeção. A moça prontamente concordou com o oferecimento de ajuda do rapaz, apesar de sentir-se um pouco aflita pela possibilidade de serem descobertos. Kaito pediu desculpas à Baa-chan pela desfeita com o queijo. A velha limitou-se a sorrir e dizer que o rapaz não deveria se preocupar. Ela mandaria a neta até a sua casa depois com um pouco de queijo.

    -"Eu também vou, se Ohgo-san permitir. Quero ver o que mais esses bandidos estão fazendo com nossa gente. E gostaria de ter uma palavra com os Ishida assim que possível."- Noobu apoiou a enxada na parede e lavou as mãos numa tina de água que havia próximo a saída.

    Akemi concordou com Noobu, dizendo que não se pode ficar de braços cruzados esperando bandidos atacarem. Isso fez o homem sorrir para Akemi, acenando com a cabeça em aprovação ao comentário corajoso.

    Akemi olhou para Kaito para ver se o rapaz havia entendido o recado, mas ele parecia completamente absorvido pela sua "nova identidade". Ele estava se despedindo de Kaoru, e ambos ostentavam sorrisos estrelados.

    Todas as amenidades cumpridas, tomaram a estrada rumo à casa dos Ohgo.
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    Mensagem por Tellurian em Seg Dez 02, 2019 4:20 pm

    A caminhada de volta deveria ser mais agradável. O clima do anoitecer estava ameno, com um céu sem nuvens e estrelas que já começavam a despontar no céu azul-marinho. O cheiro das flores noturnas já começava a permear a brisa montanhesa, e vários vaga-lumes piscavam aqui e ali ao longo do caminho. Mas os homens caminhavam em silêncio, refletindo sobre os acontecimentos recentes.

    Cada um estava dentro de seu próprio mundo particular, perdido entre considerações de determinação e preocupação. Akemi olhou para Noobu e viu que o homem tinha uma expressão dura. Acreditava que Ohgo-san havia sido violada pelo Senhor das terras e que seu marido havia sido ferido em retaliação a uma possível resistência, mas Akemi se perguntava quanto disso era apenas ele transferindo o próprio trauma a outra situação. Não pôde evitar sentir pena do homem, e se perguntava quais demônios falavam em seus ouvidos naquele momento. Não era capaz de imaginar a dor que ele sentia.

    A casa de Noobu era mais próxima da casa de Ohgo, e Noobu ficou no caminho. Despediu-se de Kaito e de Akemi com um aceno de cabeça, e pediu-lhes que aparecessem sempre que tivessem vontade. Eram bem vindos em sua casa.

    Quando caminhavam de volta para casa, Kaito pegou um vagalume em suas mãos e sorriu.

    -"Foi um dia... interessante."
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    Mensagem por Larissa Aprill em Sex Dez 06, 2019 5:05 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Akemi e Kaito deram privacidade ao casal e os 3 moradores partiram em direção ao vilarejo. O céu estava estrelado, o aroma das flores impregnava o ar. Seria uma noite perfeita se o clima entre eles não tivesse tão tenso. A menina olha para Noobu e entende sua dor e frustração. Isso faz seu coração entrar em conflito, pois não queria trazer mais tristeza aquela família. Os "irmãos" se despede do homem e caminham em direção a casa.

    A menina suspirou infeliz ao ver o amigo brincando com o vagalume. Realmente muitas coisas aconteceram naquele dia. Quando levantou de manhã para cuidar da horta não imaginou que terminaria o dia cuidando de um ferimento de batalha.

    - Interessante não é a palavra que eu usaria. Aqui neste lugar as coisas não são o que parecem ser.- Aproveitou que os dois estavam sozinhos e abaixou o tom de voz.- Ele não me parece ser um simples camponês, seus reflexos e postura de combate mostraram isso. O que me preocupa, pois se foram atacado por ladrões, este grupo é mais perigoso do que imaginávamos.

    Kaito acenou com a cabeça. Parecia que concordava com as considerações de Akemi.

    Kaito:-"Ela também não tem nada de quem trabalha no campo. Um ronin com sua esposa?"

    - É possível...-A menção esposa fez ela se lembrar da história contada por Noobu e a menina pegou Kaito pela mão e apertou o passo. Assim que chegaram em casa, Akemi teve o cuidado de vasculhar os cômodos e quando constatou que estavam sozinhos ela encarou o jovem séria.-Precisamos conversar sobre a Kaoru.

    A garota faz Kaito se sentar e fica na frente dele. Dava para perceber que a menina estava agitada.

    - Você gosta dela certo? Sei que vocês se conheceram a pouco tempo. Mas se ela estivesse em perigo. Você faria o que fosse possível para salvá-la?

    Ela vê o amigo corar violentamente e se ajeitar sem jeito na cadeira.

    Kaito:-"E-eu? B-bom... Ela é uma mulher muito bonita. É inteligente também. Cozinha muito bem, e é tão fácil conversar com ela! Acredita que ela me disse que..."- e então ele olhou para o rosto de Akemi e notou a expressão de sabichona que começava a se formar no rosto da menina.-"É. Eu gosto dela. Mas, porque a pergunta? Ela está em perigo?"

    Akemi novamente morde os lábios apreensiva e senta ao lado de Kaito. Aos poucos ela começa a falar sobre a história da família da Baa-chan, da morte trágica da mãe da Kaoru e do modo como o senhor feudal agia naquele povoado. Akemi termina de falar e faz um gesto ríspido com as mãos.

    - Eu não acredito que coisas assim ainda existam. E deve ser por isso que Saito nos enviou. Para se aproximar do Noobu e denunciar seus planos para o Shinsengumi.- Akemi abaixa o olhar e diz de maneira sentida.-Sei que temos que avisar o Capitão, mas.... não queria que ninguém se machucasse. Noobu e sua família já sofreram muito.

    Kaito suspira e coloca a mão sobre a cabeça de Akemi.

    Kaito:-"Você é gentil demais pro seu próprio bem, Ishida."

    Ela cora com aquele gesto, mas continua triste e indecisa. Queria que seu irmão tivesse ali para orientá-la. No fim diz num sussurro.

    - Eu só não queria que ninguém sofresse.... Não vai demorar para Noobu e os outros começar a revolução. E se eles lutarem provavelmente vão ser mortos...E mesmo que eu consiga convencer o Noobu a não se vingar, o senhor feudal vai continuar exigindo as mulheres... incluindo a Kaouru-chan
    - Ela finalmente encara o amigo.- Não sei o que fazer….

    Kaito:-"O Mal Imediatamente Eliminado, é provavelmente o que o Saito diria. Se o senhor feudal quiser reivindicar a Kaoru, vai ter que passar por cima do meu cadáver. O que não é muito difícil de conseguir, mas isso provavelmente deixaria você, o Yamada e o capitão bem bravos, e aí sim, ele estaria perdido"

    - Senchõ….- De repente parece que uma solução surgiu. Se eles comunicassem o Saito ele iria executar o Noobu, pois essa era a lei. Mas o Capitão Harada era diferente, ele era gentil e se importava com as pessoas.- É isso.... vou enviar um pombo para o Capitão Harada, vou explicar tudo que o Senhor Feudal está fazendo e dizer que o povoado está apenas se defendendo. Tenho certeza que o Capitão vai saber resolver isso melhor do que a gente.

    Akemi rapidamente começou a escrever uma carta. Tinha esperanças de que tudo daria certo. Mas se caso, precisasse resolver a revolução de outra maneira ela tinha ciência que não conseguiria matar o Noobu. Então seguiria os pensamentos de Saito e iria eliminar o mal pela raiz, ela iria atrás do senhor feudal.


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    Mensagem por Tellurian em Seg Dez 09, 2019 5:03 pm

    Nenhuma resposta chegou nos ultimos dias. Akemi estava ansiosa, e se perguntava se algo teria dado errado. As dúvidas sobre se deveria tomar uma atitude ou não cresciam dentro de si. Cerca de uma semana se passou, e nesse meio tempo, nenhuma atividade de Noobu que Akemi pudesse perceber. Kaito acompanhava a recuperação do marido de Suzuka Ogho, que ocorria muito bem. Ele já começava a fazer pequenos trabalhos dentro de casa para aliviar o fardo sobre os ombros de Suzuka, pelo que Kaito explicara à Akemi em suas observações.

    Aliás, algo que acalmava a ansiedade de Akemi por um lado, mas a aumentava por outro, era o fato de que Kaito e Kaoru estavam cada vez mais próximos. Ele começou a cuidar de várias pessoas no vilarejo, e a presença de Kaoru como um tipo de assistente lhe era muito frequente. Os dois passavam bastante tempo juntos, e muitos dos aldeões já começavam a comentar como um casamento em breve aconteceria. Akemi sentia um frio na espinha de pensar que tais rumores pudessem alcançar o castelo do Senhor antes que a resposta do Capitão chegasse.

    Quando um pombo pousou sobre a soleira da janela da casa onde estavam, Akemi sentiu um misto de emoções. Por um lado, o coração pulava de preocupação, mas por outro havia o alívio de que a resposta finalmente chegara.

    Akemi alcançou o animal e retirou a mensagem presa em sua pata. Tinha um sorriso no rosto quando desenrolou o pequeno papel, mas esse sorriso se derreteu quando ela leu a mensagem, e sentiu como se um demônio se revirasse em suas entranhas.

    -"Suspendam imediatamente a missão e retornem ao quartel. Saito foi baleado. Tudo está um caos aqui. Harada."- a mensagem explicitava.

    Abandonar a missão? Mas... o que seria daquelas pessoas se o fizesse? Akemi olhou pela janela. Kaoru e Kaito trabalhavam no jardim de ervas. Ela tinha o rosto sujo de terra, e tentava sujá-lo também. Ambos riam.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Ter Dez 10, 2019 1:29 am






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Desde que enviou a carta para o Capitão Harada os dias parecia que se arrastaram. A garota estava tão aflita que não conseguia se concentrar em sua rotina. Sempre que conseguia, ela treinava com sua espada na floresta. Por isso Kaito precisou fazer a maior parte das tarefas sozinho.

    Quando estava em casa, Akemi aguardava o pombo retornando com a resposta de Harada. Em determinado momento Akemi percebeu que Kaoru havia se tornado a ajudante de Kaito e os dois estavam bem próximos. Isso fazia o coração da menina se apertar cada dia mais. Estava feliz pelo amigo, obviamente. Mas a notícia sobre os dois já corria pelo vilarejo e não demoraria para o senhor feudal tomar conhecimento.

    Akemi estava preparando o almoço quando escutou o barulho de farfalhar de asas. Ela abriu um sorriso de alívio e correu para a janela. Sentia o coração bater descompensado, sabia que a situação era delicada, mas finalmente tinha contato com o Capitão depois de tanto tempo.

    As palavras a atingiram como um soco no estômago. Saito havia sido baleado! O que aconteceu na capital? Será que o pessoal da 10° divisão estavam envolvidos? Yamada e o Hiroshi… eles estariam bem?? Pior do que isso, a carta dizia que teria que largar tudo e voltar.

    Akemi escutou as risadas do jardim. Kaito e Kaoru estavam tão felizes juntos. E se fossem embora, o que Noobu e os outros fariam? Provavelmente seriam mortos na rebelião. Sem que percebesse uma lágrima escorreu pelo seu rosto.

    Ela rapidamente recolheu seu uniforme e colocou alguns itens numa mochila. Ela já sabia o que teria que fazer. No fundo do seu coração a decisão já tinha sido tomada. A menina levou o bilhete do Capitão consigo e deixou um pequeno bilhete pedindo desculpas escondido embaixo do travesseiro do Kaito.

    Akemi deu um jeito de não passar pelo jardim. De alguma maneira distraiu os dois e saiu correndo o mais rápido que pôde em direção ao seu esconderijo. Seria melhor assim, se não Kaito iria tentar impedir ou até mesmo se envolver.

    Naquela pequena clareira, Akemi chorou pela segunda vez. Estava se sentindo desamparada e desiludida. Seu coração estava dividido e as ações que ela tomariam a seguir iriam afasta-la cada vez mais das pessoas que amava.



    " Todos nós precisamos de muita coragem para enfrentar nossos demônios e nos levantar.
    Só então podemos realmente começar a viver"

    Quando conseguiu se acalmar, Akemi retirou da bolsa um papel e começou a escrever uma carta.


    " Capitão Harada.

    Fico triste em saber que o Capitão Saito foi ferido. E espero que todos da 10° divisão estejam sãos e salvos.

    Quando fomos enviados para este lugar, eu tive medo pois teríamos que agir por nossa conta. E eu não sabia o que fazer sem as suas orientações. Tive medo de sermos descobertos como espiões e acabar sendo mortos pelos monarquistas.

    Mas quando chegamos aqui, fomos recebidos por um povo acolhedor, por pessoas que mesmo com todas as dificuldades são generosas e se importam uma com as outras. São pessoas que tem uma vida difícil, mas mantém o sorriso no rosto e a esperança de dias melhores em seus corações.

    Por isso eu consigo entender o motivo da revolta. Pois vejo no rosto de uma pessoa apaixonada, o sorriso radiante e imagino os sonhos e planos de terem uma vida felizes juntos. Por isso Senchõ, eu consigo entender os sentimentos de injustiça que ronda os corações de todos.

    Desde do dia que fugi de casa, eu tenho seguido meu coração que me levaram até o Shinsengumi. Graças a você e os outros eu pude viver feliz com minha própria convicção. E não me arrependo de nada. Tudo o que vivi até aqui me fez ser livre. Pois estou trilhando meu próprio caminho para um mundo melhor.

    Infelizmente não tenho como abandonar esta missão. Seria injusto com todas essas pessoas. Principalmente o Kaito, pois espero que ele possa ser feliz com a vida que ele conquistou aqui.

    Faz dias que imagino nossas conversas e tento imaginar o que você faria no meu lugar? Você teria escolhido salvar todos independente das consequências? Posso estar errada, mas sinto que o senhor teria seguido seu coração também, Senchõ.

    Um dia gostaria de te reencontrar e agradecer pessoalmente por tudo.

    Atenciosamente
    Akira Ishida."


    Akemi aguardou até anoitecer. Ela pegou a espada escondida nas pedras e na surdina enviou a mensagem para a Tokyo. Ela sabia que demoraria dias até a carta chegar nas mãos do Capitão.

    Ela caminhou em direção ao castelo. Sozinha, preferiu seguir o caminho da floresta, pensou que assim seria mais difícil localizá-la. No caminho pensava em Kaito, será que ele já teria descoberto o bilhete? Deveria ter se despedido? Melhor não...poderia acabar perdendo a coragem e não queria envolver ninguém na sua decisão. Se ela fosse descoberta e punida, aceitaria toda a responsabilidade dos seus atos.


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    Mensagem por Tellurian em Ter Dez 10, 2019 11:25 am

    Akemi caminhava com o coração pesado, mas sua determinação era maior do que suas dúvidas. Não abandonaria aquelas pessoas, não aceitaria a injustiça e os abusos. Protegeria a todos com sua espada. Esse era o caminho que escolhera trilhar, e estava disposta a suportar as consequências dessa decisão. Sentiu uma onda de determinação invadir-lhe a alma, e endureceu os olhos. O caminho da Justiça pode ser solitário, às vezes. Mas é o único caminho que vale a pena seguir.

    O povoado era bem próximo da montanha. Akemi caminhou por cerca de duas horas, por entre os diversos campos de plantio que pontuavam o vale. Logo pôde observar o castelo. Uma construção imponente, encravada na encosta da montanha, no ponto mais alto do povoado. O único acesso era através de um aclive onde havia uma estrada que subia até o castelo. Já na entrada do aclive, bem na base da montanha, havia um posto de guarda com dois homens armados com lanças. Eles aparentemente eram o posto de vigia que controlava o acesso de pessoas ao castelo.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qua Dez 11, 2019 2:47 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Akemi correu o mais rápido que conseguiu até o esconderijo. A menina começou a chorar enquanto retirava a espada escondida nas pedras. Estava triste por deixar para trás o amigo e ignorar as orientações do Capitão. E agora, ela estava sozinha novamente.

    “Eu estaria mentindo se eu dissesse que estou bem
    Eu penso em você pelo menos umas cem vezes
    Pois no eco da minha voz, eu ouço suas palavras
    Como se você estivesse lá”

    - Akemi…

    O barulho do vento nas árvore trouxe na sua memória a voz e imagem do seu irmão. A menina limpou as lágrimas e agarrou com mais firmeza a bainha da espada. A lembrança dele a encorajou e fez a menina escrever a carta. Akemi tinha tomado o lugar de Akira porque queria um mundo melhor. E neste momento isso significava parar com os abusos do senhor feudal.

    “Eu ainda chego em casa depois de um dia longo
    Tanto a falar, tanto a dizer
    Eu amo pensar que ainda fazemos planos
    Em conversas intermináveis
    Em conversas intermináveis”

    Assim que enviou o pombo, Akemi aproveitou o véu da noite e caminhou em direção a montanha. Ela caminhou por longas horas, até que viu o castelo no horizonte. A menina se escondeu por entre árvores e arbustos e observou o movimento da entrada e da estrada que levava até o castelo.

    Havia 2 vigias quando amanheceu o dia. Aos poucos algumas carroças entravam no castelo. Akemi percebeu que as cargas com caixas eram examinadas. Mas a carroça de feno entrou direto. Essa seria sua maneira de entrar no castelo.

    “Coragem, não ouse a falhar comigo agora
    Eu preciso que você afaste as dúvidas
    Estou encarando algo novo
    Você é tudo o que eu tenho para me agarrar
    Então, coragem, não ouse a falhar comigo agora”

    A menina se afastou do castelo e ficou aguardando uma carruagem de feno passar pela estrada. Ela havia preparado uma pequena armadilha, quando viu a carroça se aproximando, ela jogou diversos troncos que bloquearam a estrada. Quando o homem se afastou praquejando, ela se esgueirou para dentro do feno. Mas o cavalo relinchou ao sentir o peso extra. O cocheiro pega sua ferramenta e espeta o feno. Por sorte Akemi não foi pega.

    A garota ficou encolhida e mal respirava, mas seu coração batia rápido no peito que até ficou com receio de alguém a escutar. Ela só começou a se acalmar quando sentiu a carroça começar a se mover.

    “Não sou de me esconder da verdade, eu sei
    Está fora do meu alcance, mas eu não vou te deixar ir
    Não há como substituir o jeito que você me tocava
    Eu ainda sinto a adrenalina”

    Enquanto ela estava escondida e se aproximando do castelo, começou a temer que seu plano falhasse. Os guardas poderiam decidir revistar e tudo iria por água à baixo. Akemi sentiu a garganta se fechando e os olhos se enchendo de lágrimas. Ela não ia conseguir…. Tinha feito tudo errado. Quando escutou as vozes dos guardas conversando com o cocheiro, ela fechou os olhos com força. Precisava se acalmar.

    Novamente Akira apareceu em seus pensamentos. Eles estavam na colina brincando de espada e Akemi tinha perdido. Akira chegou e afagou seus cabelos. Ele estava sorrindo radiante como sempre.

    - Não precisa chorar, está tudo bem agora.

    “Às vezes me afoga até eu não conseguir respirar
    Pensar que está somente nas nossas lembranças
    Mas aí eu falo com você como eu falava antes
    Em conversas intermináveis”

    Por um tempo eles discutem sobre deixar a carroça dentro do castelo e contra a gosto o cocheiro aceitou. Akemi esperou o homem tratar do cavalo e ir embora. Ela observou que começava a entardecer, mas mesmo assim ficou algumas horas escondida e quando não tinha mais ninguém no estábulo, ela saiu do feno.

    “Coragem, não ouse a falhar comigo agora
    Eu preciso que você afaste as dúvidas
    Estou encarando algo novo
    Você é tudo o que eu tenho para me agarrar
    Então, coragem, não ouse a falhar comigo agora”

    Akemi ainda estava usando as roupas de camponês, que agora estava toda suja. Ela precisava de um disfarce novo e precisava esconder sua espada e a mochila com o uniforme.

    No estábulo, Akemi encontrou uma coxia vazia e escondeu suas coisas embaixo do monte de feno. Não muito distante dali tinha uma casa.

    “Pois não é fácil quando você não está comigo
    Esse mundo de loucura vai mais rápido agora
    E é uma catástrofe, mas eu não irei sucumbir
    Contanto que seu eco nunca desapareça”

    Akemi se esgueirou até a casa e se escondeu embaixo da janela. Observou se a luz estava acesa ou se escutava vozes. Se a casa parecesse vazia ela entraria pela janela. Iria trocar de roupa e jogar fora as antigas. Ela precisava pensar numa maneira de entrar no castelo sem chamar a atenção dos guardas. De qualquer maneira, já não tinha mais volta. Ela precisava seguir em frente.

    “Coragem, não ouse a falhar comigo agora”

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    Mensagem por Tellurian em Sab Dez 21, 2019 2:52 pm

    A noite fria condensava a respiração de Akemi, e cobria sua pele com arrepios. A expectativa fazia seu coração palpitar e parecia que iria saltar pela boca a qualquer minuto. Normalmente, Akemi era um soldado, lutando nas linhas de frente. Não havia sido treinada para operações de disfarce e infiltração. Mas desde que Saito a convocara para participar das atividades na Terceira Divisão, o limite das coisas parecia borrado. Aproximou-se da janela, e observou a luz tremulante de uma vela iluminando o interior. Akemi apertou o cabo da espada com a força da expectativa.

    Olhou rapidamente pela janela, e pôde observar o cavalariço. Um rapaz de pouco mais de dezesseis anos, obviamente japonês, mas trajando roupas ocidentais. Ele estava sentado à mesa, dormindo com uma garrafa de sake nas mãos e com os pés sobre a mesa. No recinto, havia pouca mobília. Havia a mesa a qual o rapaz estava sentado, uma escrivaninha com alguns papeis, e uma porta ao fundo. Tudo estava silencioso.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Qui Jan 02, 2020 8:42 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    Akemi sentia o suor escorrendo apesar do frio que fazia naquela noite. Sua respiração ofegante fazia fumacinhas no ar. Ela sentia o coração bater rápido no peito, pois tinha outro desafio a cumprir.

    A menina estava com medo, nunca precisou agir sozinha. Quando estava em casa fazia as travessuras com seu irmão. No Shinsengumi apesar de momentos tensos e difíceis, tinha a presença dos amigos ao seu lado. Akemi balançou a cabeça negativamente, para afastar aqueles pensamentos.

    " Foco… se concentre no que tem que fazer"

    Ela espiou a janela e percebeu que tinha um rapaz dormindo. Ele provavelmente tinha bebido demais, seria teoricamente fácil entrar e amarrá-lo, mas não poderia se dar ao luxo dele acordar no meio do processo, então teria que nocautear o jovem. Ela apertou o cabo da espada para tomar coragem.

    Akemi o mais silenciosamente possível inclinou o corpo para dentro da janela e pousaria o pé no chão. Tentaria fazer o movimento lento apesar do nervosismo. A menina se aproxima do jovem e golpeia a temporã do jovem com a bainha da espada, esperava que o golpe fosse forte o suficiente para apaga-lo por mais tempo. Ela iria procurar uma roupa no quarto, mas se não tivesse nada visível, usaria o que o rapaz estava vestindo. E proveitando o lençol, faria uma bola de tecido e colocaria dentro da boca dele é amarraria um pano em volta, isso abafaria seus gritos. Também iria amarrar os pés e mãos do jovem na cadeira. Se por um acaso, ele tivesse algum sangramento ela usaria o lençol para estancar o sangramento e enfaixar sua cabeça.

    Se tivesse sorte teria feito tudo isso com o menor barulho possível. Ela iria ver os papéis na escrivaninha e se não tivesse nada de importante, seguiria em direção a porta.

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    Mensagem por Tellurian em Seg Jan 20, 2020 10:18 am

    Akemi podia ouvir o próprio coração palpitando de forma desenfreada quando entrou na pequena casa do cavalariço. Andava praticamente na ponta dos pés, fazendo movimentos lentos para não acordar o rapaz. Havia uma carga de expectativa muito pesada, que parecia tornar o ar mais espesso ao seu redor, dificultando a sua respiração e deixando seus pés pesados. Mas Akemi concentrou-se, permitiu que sua visão se tornasse estreita ao redor de seu alvo.

    "Quem presta atenção demais à folha, não enxerga a árvore. E quem olha demais para a árvore, não vê a floresta."- havia escrito Musashi. Abrir mão do detalhe para ser capaz de perceber o todo. Akemi lembrou-se dos treinamentos que havia recebido desde a infância. Das aulas de filosofia que seu rigoroso pai impusera à jovem impetuosa. Sentiu um calor no coração dissipar o frio ao seu redor. Respirou mais profundamente, e se concentrou nos ensinamentos de seus pais e mestres. E seus pés ficaram leves novamente. E sua visão se tornou ampla.

    O golpe preciso tombou o jovem. Estava dormindo e caiu desmaiado. Não saberia o que aconteceu ao acordar. Mas, Akemi não quis correr riscos e amarrou o rapaz com amarras improvisadas. Se certificou que os nós estavam firmes e que a mordaça era eficiente. O rapaz não sufocaria, mas não conseguiria falar.

    Quando ficou satisfeita, decidiu ir até a escrivaninha verificar os papéis. Em sua maioria, não passavam de listas de animais e horários de carregamentos de provisões. Mas um documento chamou a atenção de Akemi. Uma carta, assinada pelo Senhor, que determinava que todos os funcionários do castelo trajassem roupas ocidentais enquanto no interior das muralhas. Aparentemente, o Senhor era um admirador e simpatizante dos Gaijin.

    Outra coisa que chamou a atenção de Akemi foi um molho de chaves, que estava dentro da gaveta do cavalariço. Estavam identificadas com uma etiqueta, e eram as chaves das portas dos aposentos de serviço do castelo. Akemi sorriu com o tremendo golpe de sorte.

    Não tendo mais nada a observar naquele recinto, Akemi caminhou até a porta. Chegando lá, viu apenas um quarto comum, com um baú e uma cama estreita com um colchão fino. Uma garrafa rolhada estava apoiada ao lado da cama, mas o vidro era opaco e não permitia a Akemi identificar o conteúdo.
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    Mensagem por Larissa Aprill em Sex Jan 24, 2020 7:08 pm






    “As pessoas só irão entender umas às outras quando sentirem a mesma dor”


    A menina sentia o medo e a incerteza a dominando pouco a pouco. Esses sentimentos ruins começaram a sucumbir, mas as palavras de um antigo professor a salvaram. Ela precisava se concentrar no bem maior. Tudo que ela estava arriscando era para trazer justiça àquele povoado.

    Esse pensamento deu coragem para a jovem nocautear e prender o rapaz. Rapidamente Akemi vasculhou a casa e achou algumas informações importantes. Então ela soube que o senhor feudal era favorável ao povo estrangeiro, já a jovem não tinha uma opinião formada sobre isso. E lembrou que seu pai era muito nacionalista, mas para a jovem, desde que não trouxesse sofrimento para o povo japonês, ela não se importava com os Gaijin.

    Ela entrou no quarto do jovem e trocou suas roupas pelas vestes ocidentais, pegou o molho de chaves e conferiu novamente o horário dos carregamentos. E iria aproveitar essa informações para tirar proveito da situação. Enquanto os guardas estivessem avaliando as carruagens, Akemi entraria no castelo principal. Caso desse errado, ela teria em sua posse as chaves e encontraria uma maneira de entrar.

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