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    Uma radiante penumbra

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    Mensagem por Lnrd em Seg 11 Nov - 13:08

    "Clãs são... um pouco mais complicados", ensaiou Elija-Iisa frente à pergunta feita pouco antes de terem de se separar. Se tivesse tempo, Letícia entenderia o peso daquela divisão.

    A alusão a serem inimigas pairou no ar sem resposta direta. Era óbvio que a novata havia se apegado àquela que fora a primeira a estender-lhe a mão no meio da escuridão, mas havia um claro limite em relação àquilo que a vampira estava disposta a fazer para protegê-la. Não arriscaria o próprio "pescoço imortal".

    Em suma, mesmo se sobrevivesse, aquele não era um mundo gentil e as alianças baseavam-se em amarras políticas, disputas de interesses e regras diplomáticas. Violentas regras.

    Entraram no carro de Ezra, deixando a Brujah para trás. Gábor indicara as “Luzes” como destino o grupo.

    Aquele era o conhecido “bairro Asiático” da zona Sul, pouco depois do rio das Pedras. Era lar de toda a oposição inerente ao clichê: nalguns cantos, símbolos de diferentes tradições, indo da China ao Japão ou à Coreia do Sul. Noutros, inovações para todos os gostos, de artigos eletrônicos a moda e beleza. Mas aquilo era Santa Dômina, de modo que outra camada se somava.

    A da divisão social.

    Ao mesmo tempo que se podia encontrar produtos de ponta a preços absurdos, versões piratas de procedência muito questionável estavam logo à esquina. O que importava, de qualquer forma, eram as aparências.
    Num post nas redes, dificilmente se diferenciaria um original dum fake.

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    O que importava é que lá era indiferente estarem em 2019 – ou “quase 2020” nalgumas mentes mais dinâmicas.
    O que contava é que estavam no futuro.

    Era também a “Meca Fashion”, cuja avenida principal acumulava grifes internacionais de haute couture, salões com filas de espera de meses e clínicas das celebridades. Além, seletas agências de modelo das quais, prometia-se, os próximos grandes nomes da semana surgiriam. Um paraíso para se passear, almejar ou – apenas para um pequeno grupo – realmente consumir.

    Àquela hora, a iluminação artificial tornava o lugar simplesmente mágico.
    Pararam sob um sinal de trânsito.

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    Sob a arquitetura vanguardista da fachada de um centro de convenções, atendentes distribuíam amostras de champanhe – obviamente legitima – a quem tivesse ingresso para os desfiles da noite, uma verdadeira parada de ideias impressionantes na estranheza e ousadia.

    Enquanto jornalistas, especialistas, estudantes, artistas, gente do meio ou simplesmente curiosa juntava-se à porta, seja para entrar, seja para observar aquele inusitado movimento, uma recepcionista cansada segurava o segurar o choro ao sentir o salto destruindo dela os pés e a coluna. Já estava de pé e sorrindo fazia mais de 10 horas.

    Não que o retorno financeiro valesse tanto a pena.

    Garoava leve naquela noite.

    Seguiram em frente.

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    Passaram a “área das luzes”, a “Nova Tóquio”, com telões e letreiros luminosos ao estilo “Time Square”, “Shibuya Crossing”. Lojas 24h enfeitadas de neon ou lanternas tradicionais.

    Num canto, uma popular megastore de k-beauty brilhava e projetores e leds. Não era nada barata, mas definitivamente mais acessível que o resto.

    Virando a esquina, entretanto, já era possível perceber a mudança de clima. Em estabelecimentos menores, casas ultraespecializadas dominavam com produtos para todos os gostos e preços. Um grupo de adolescentes harajuku observava acessórios inspirados numa famosa franquia de animes que misturava robôs gigantes e problemas de saúde mental. Faziam barulho e chamavam a atenção de turistas visitando a localidade.

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    Aquele lugar era uma espécie de Disneylândia onde fantasias loucas pareciam possíveis de serem realizadas, onde se podia parecer e sero que se quisesse.

    Por baixo de toda aquela maquiagem, entretanto, o perigo rondava risonho, escolhendo a dedo a próxima vítima.
    - Aqui. Estacione aqui - pedira Gábor.

    Numa contradição, as redondezas desses núcleos tornam-se subitamente agourentas e com baixa iluminação, armadilhas noturnas.

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    Mensagem por gaijin386 em Ter 12 Nov - 2:03

    Eu sou apenas um estranho em uma Terra estranha.

    Robert A. Heinlein


    Entre o caleidoscópico de cores que apareciam diante de Ezra e os letreiros com estranhas letras. De fato Ezra podia ler o latim, mas não essas letras... Sentia-se numa terra nova e estranha, embora essa noite está dentre uma das mais estranhas ele estaciona o carro como Gábor pediu e aguarda mais instruções. Ele não tentara puxar papo com a moça, afinal de fato até sentia-se mal que por uma quebra dita protocolar a mesma estivesse nessa situação.
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    Mensagem por nahna em Ter 12 Nov - 9:21




    Letícia seguiu com os olhos aquele mar de luzes...
    Em outra situação poderia se admirar, mas naquele momento sua mente estava ocupada por pensamentos mais sombrios.
    Ao longo do caminho pensou sobre seu possível e eminente fim, ao mesmo tempo que continuava a se consolar pela fome que sentia.
    Estava intimidada naquele carro com aqueles dois, que teriam sido seus carrascos, e traçava planos de fuga em sua mente.

    Como se houvesse escapatória...

    Se censurava ao pensar sobre o que fazer além dali... não queria se apegar a qualquer esperança.

    Ao invés disso, parou de pensar sobre si e passou a pensar em Radiance... e Jesabel...
    Enchia-se de ódio ao pensar sobre como se safariam de sua transgressão, ainda mais sabendo que todo o ocorrido tinha sido mera diversão.

    Ficou em silêncio por todo o caminho, até que finalmente o carro parou. Estava nervosa e em dúvida se realmente queria que isso acabasse logo.
    O que encontraria? Uma espécie de corte? Um covil repugnante?
    Nada dependia dela, acreditava... Era apenas uma espectadora de seu destino.






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    Mensagem por Lnrd em Dom 17 Nov - 15:01

    Não era inesperado que, entre os murmúrios dos carros, as músicas de lojas e a cacofonia ruidenta a qual chamavam de “sinfonia da cidade”, idiomas estrangeiros somassem-se ao ambiente das Luzes: não só imigrantes e sua respectiva prole, mas havia turistas buscando conhecer os pontos famosos de Santa Dômina.

    Em suma, o local estava lotado.

    De crianças a assaltantes, era como ter um trio de raposas imerso numa imensa granja industrial. A caça chegava literalmente a esbarrar em seus ombros, indiferente ao perigo que corriam e à tentação que causavam.
    - Ah, antes que me esqueça: não cacem no território dos outros. Qualquer quebra da Máscara pode atrair atenção indesejada e atrapalhar a vida do “dono”. No mais, é considerado ofensivo.

    “Logo vão saber onde podem ou não agir... bem, ao menos quem sobreviver a hoje...” dissera Gábor e, enquanto caminhavam, não deixou de acrescentar um pensamento de particular interesse Letícia.
    - O Sakuya domina a maior parte, mas toda a coisa fashion da alta sociedade é de Jezabel.

    Seguiram pelas ruas e calçadas agitadas até virem-se numa região bem mais “underground”, uma passagem que, apesar de algumas portas de comércios, uma ou outra “casa de massagens”, era basicamente as costas, a área de carga e descarga do outro lado. Caçambas de lixo atraíam animais de rua. Mesmo que estes fossem humanos.

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    Havia uma fachada que se destacava ali. Era pequena, talvez mais “pobre” para estar naquele lugar, mesmo que muito colorida e completamente abarrotada. Não quaisquer coisas. No letreiro, lia-se “Yami Kawaii End Store”, não deixando claro a alguém de fora se aquela era uma referência ao nome dos donos, das coisas que vendia, da procedência de tudo ou o que fosse. O conteúdo, uma mistura às entre o curioso e o perturbador entre o “fofo” e o simplesmente “mórbido”.


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    Entraram, fazendo a sineta da porta soar.

    Era necessário andar com bastante cuidado para não esbarrar em nada. Havia, além do balconista distraído lendo uma revista, apenas uma pessoa espremida entre prateleiras.

    A figura estava lá, agachada num canto, quase esquecida, vendo produtos que estavam mais abaixo. Era mais um entre milhares de anônimos da megalópole.
    Gábor fez uma reverência e chamou-lhe o nome:
    - Primogênito Sakuya. Estes são Ezra, Tremere cria de Kadir, e Letícia, Toreador cria de... bem... é a paria de Radiance. A que deveria morrer.

    A figura levantou-se, com uma expressão pasma em incredulidade, ao mesmo tempo que poderia gerar igual sentimento. Estava, dos pés à cabeça, vestido daquela forma bizarra, incluindo um vestidinho de princesa, apesar do guia ter se referido a ele como “o Sakuya”.


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    - “Deveria” de “temos que matá-la” ou de “supostamente devia, mas não mais”? – a voz era grave e até um tanto quanto rouca, não parecendo alguém que tenta suavizar o tom, deixando-o mais delicado. Um contraste grande ao visual. – Se for a segunda opção, é muita estupidez sua trazê-la aqui.

    Falavam ignorando o atendente. Provavelmente tratava-se doutro vampiro, apesar de não ter dado atenção à conversa. De qualquer forma, aquele não era o detalhe mais importante. Sakuya prosseguiu.
    - Jezabel foi punida com a perda do território e está muito irritada. Se ela estiver pela área e encontrar a responsável por aqui, ainda mais estando marcada para morrer... . Porque ela ainda vive, Tremere? – Dissera, ignorando a própria condenada e o vampiro que tinha trazido todos àquela súbita confusão. Afinal, tal clã presava por pessoas inteligentes.
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    Mensagem por gaijin386 em Dom 17 Nov - 18:54

    Então o rei ordenou que trouxessem a Daniel, e lançaram-no na cova dos leões. ... Disse Daniel “O meu Deus enviou o seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum”

    Daniel 6:22


    Ezra estava encostado na parede esperando não ser consultado, mas já que ocorreu ele não poderia esquivar-se e fez uma reverência de respeito, talvez porque Gábor em seu ato lhe fez lembrar que isto parece uma corte então decidira agir de acordo.

    - Vossa graça... Eu ainda sou novo nisto, mas a pouco Gábor diz que teve uma visão ... Não vou dizer que entendo os fatos, porque não seria verdade e não os entendo, mas me foi dito que os vaticínios malkavianos são reais e que ignora-los seria uma grande tolice. Mas interpreta-los ei algo que ainda estou a aprender. Diz Ezra com as mãos dentro dos bolsos.
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    Mensagem por nahna em Seg 18 Nov - 13:33




    Letícia deslocou-se com seus captores por aquele mar inconsistente de cultas diferentes...
    Observava tudo, como que esperando que o perigo surgisse de qualquer lugar.
    Ao mesmo tempo, aquele caos parecia convidar para atacar os descuidados... Ah, como aquela fome lhe doía!
    Fechou suas expressões, tentando distarciar-se desse pensamento.
    A distância, contudo, tornou-se raiva ao ouvir que parte daquele território pertencia à Jezabel...
    Então ela era mesmo uma figura importante.

    Surpreendeu-se com um lugar em que entraram... não era nem de longe o que Letícia esperava.
    Esperava que fosse apenas uma fachada, mas logo descobriu que o Sakuya também não era nem perto do que imaginava...
    Mal pôde conter sua surpresa.

    Ficou quieta o tempo todo, enquanto falavam sobre ela como se não estivesse lá, até ouvir a única coisa que lhe trouxe alguma satisfação nas últimas noites...
    Jezabel tinha perdido seu território pelo que lhe fizeram... e que ela ainda estar "viva" seria uma afronta... Deu um sorriso discreto com o pensamento.
    Desejou ainda mais não encontrar seu fim ali...






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    Mensagem por Lnrd em Dom 24 Nov - 12:14

    A figura ímpar de Sakuya ergueu uma sobrancelha, não escondendo o choque ao ouvir as palavras do neófito Tremere. Fizera um sumário rápido e direto o suficiente para que aquele Malkaviano compreendesse a dimensão do drama ali posto.
    Moveu então o rosto lentamente até encarar Gábor de frente.
    - Uma visão? E o que você viu?

    Era uma pergunta complexa, a qual o subordinado tentara resumir da melhor maneira que conseguira. Tentara descrever que o que vira e sentira, apesar de mal compreender o que se passara, referências vagas e confusas como alguém que acorda dum sonho e imediatamente esquece dele.
    - ... e foi como um trailer muito estranho e intenso, do tipo que você não entende nada, mas sabe que há pessoas em perigo e quem são os heróis.

    Naquele instante, um casal aparentemente perdido irrompeu pela porta. Observando melhor, pareciam turistas randômicos atraídos pela loja espalhafatosa e isolada. Fosse pela maneira que se vestiam ou não, parecendo mais daqueles que apenas entram para fotos, mas não adquirem nada, foram enxotados pelo balconista aos berros, mesmo sem se mover do lugar.

    Era difícil discernir se fizera aquilo para manter a privacidade da reunião ou se apenas por querer ler sua revista em paz.

    Sakuya aproximou-se de Letícia, penduricalhos coloridos chacoalhando no curto caminho que fizera. Abriu-lhe um enorme sorriso, fazendo uma reverência ao mesmo tempo efusiva e encabulada.
    - Ohayo-gozaimasu! – soltara numa expressão de “bom dia”, apesar da noite densa. Até a voz pareceu mudar, assumindo um tom infantilizado.

    Mas fora apenas um flash e logo passara.

    Cravou os olhos de maneira profunda, penetrando nos da vampira. Parecia procurar desnudar alguma coisa dentro dela. Em seguida, cerrou as próprias pálpebras, fechando-se num estado meditativo.

    Apesar de intensidade, aquela situação fora bastante rápida, até mesmo corrida. Quase como um médico que realiza uma consulta tão veloz que levanta suspeitas se realmente fizera o necessário.
    - Não. Nada. Não vejo coisa alguma – voltara a falar normalmente, sem a afetação de antes – Infelizmente, não sinto nada. Será só sua palavra. Se quiserem posso tentar convocar uma reunião para resolver a questão, mas garanto que será bem mais doloroso pra você, garota, se rejeitarem seu apelo. Se preferir, posso dar uma morte mais rápida e indolor agora mesmo.

    Gábor arregalou o olhar, não segurando a surpresa. Talvez menos pela proposta e mais por não ter conseguido uma confirmação do que prevera.
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    Mensagem por gaijin386 em Dom 24 Nov - 15:15

    "- Nekan, Adonai!!! Papa Clemente... Cavaleiro Guillaume de Nogaret... Rei Filipe; Intimo-os a comparecerem perante o Tribunal do Juiz de todos nós dentro de um ano para receberdes o seu julgamento e o justo castigo. Malditos! Malditos! Todos malditos até a décima terceira geração de suas raças!!!"

    Jacques de Molay


    Antes ser ouvido a morrer calado era o Ezra pensava nesse momento e bem é o que escolheria se pudesse escolher ou se lhe fosse perguntado. No momento ele encostou-se na parede observando o colóquio de Gábor e Sakuya. Ele procurou evitar encarar a moça como se o olhar pudesse causar embaraço ou julgamentos.
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    Mensagem por nahna em Seg 25 Nov - 8:59




    Letícia observava a conversa, como algo surreal... Não conseguia raciocinar completamente que aquilo era uma discussão sobre sua morte...
    Sobressaltou-se, olhando os turistas sendo enxotados pelo balconista... não era um lugar muito respeitável, apesar de que aquela estranha figura parecia ter grande importância.

    Surpreendeu-se com a aproximação de Sakuya, e tentou esconder seu desconforto ao ser observada.
    Observou sua mudança de tom e comportamento... era quase um disfarce, e novamente constatou quanto desse mundo novo não conhecia.
    Então ele falou que não viu nada... e ela olhou para Gábor, pensando se teria sido um devaneio momentâneo que teria adiado seu fim.

    Tornou a olhar para Sakuya.

    "- Se houver a possibilidade, quero uma reunião..."
    "- Me importo menos com o fim que vou ter do que com a impunidade de Jezabel e Radiance."
    - Disse com rancor nas expressões.






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    Mensagem por Lnrd em Sex 29 Nov - 23:33

    "A caçada é uma 'instituição sagrada'", afirmara Sakuya à garota. Era difícil discernir se a sério ou com toques de chacota. Fosse como fosse, seguiu, falando mais para si mesmo, pensando alto. "Engraçado é que associam o mal, que é o que nós somos, à subversão e coisas do tipo. Eu mesmo não conheço 'gente' mais apegada a regras que vampiros...".

    O balconista prosseguia ignorando o que se passava no interior da loja, enquanto o Malkaviano abria passagem entre o grupo, mirando o caminho da porta.
    - Construir uma rede alimentar é complexo, ainda mais com a Segunda Inquisição por aí... . Bem, não se compara a morrer, mas é uma punição severa e... Na verdade Jezabel só recebeu isso porque não é a primeira vez que causa problemas. Radiance se saiu melhor, não teve nenhum embargo, mas a corte não esqueces. Vai demorar até deixarem esse erro, você, para trás.

    Abriu a porta, sinetas chacoalhando.

    "Bem, se é o que deseja, convocarei o circo. Um pouco de agitação pode fazer a noite valer. Tipo um reality show com eliminações pra valer. Desculpe o senso de humor".

    De onde estavam, não havia estrelas visíveis. A claridade do chão era forte demais, discorcendo a vista.

    Aqueles pontos eram como facas distantes. Um pouco mais próximos e teriam mais sóis assassinos.
    - Leve todo mundo pra Torre, Gábor. Eu cuido do resto.

    "E tenha cuidado", acrescentou num conselho a não ser ignorado.

    Sem maiores explicações ou espaço para perguntas, simplesmente se afastou, sumindo em seguida numa esquina.

    Sem ter mais o que fazer, Gábor limitou-se a tentar traduzir um pouco do que fora dito, preparando Ezra e Letícia para o que estava por vir.
    - Ele deve tentar convocar um conselho com os Primogênito dos clãs. Bem, não é "de verdade" o primeiro vampiro de cada tipo na cidade, mas é o chefe atual de cada uma das "casas". São cinco oficialmente na Camarilla hoje em dia... .´Pode não parecer, mas Sakuya é uma figura de muito respeito. É o "profeta" da cidade. Provavelmente vão estar lá Vincent Rosacarlo, líder de vocês, Toreadores. Alguém muito educado, mesmo que seja pra te fazer se sentir um lixo... . Seja como for, se é como dizem, que vocês são a "alma" da família, Vincent representa bem isso. Todas as vantagens e prazeres da eternidade... . E, obviamente, Júpiter. Uma Ventrue. São a mente da coisa toda. Tipo a máfia. É bom esperar que esteja numa boa noite... .

    A situação dos dois "rapazes" era bem mais cômoda. Não estavam com a corda no pescoço. Mas havia zero garantia de que aquilo continuaria como estava. As coisas estavam se desenrolando de forma bem aleatória.

    Foi então que um calafrio pareceu sacudir Gábor, apesar de não possuir um corpo capaz de sentir a temperatura ao redor.
    - Vamos. Agora. Aqui não é seguro.
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    Mensagem por gaijin386 em Seg 2 Dez - 14:51

    Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro.

    Confúcio


    Ezra antes de sair comprou cigarros e dois isqueiros, pois esta noite está sendo algo realmente estressante e gerando muitas coisas para que pensar... ao ouvir Gábor ele pensa sou um peixe pequeno num aquário com tubarões ... comporte-se.

    Ele segue Gábor e usa o isqueiro para acender um cigarro e involuntariamente apalpa o revolver no bolso interno do casaco...

    - Concordo. Mas ir para onde?
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    Mensagem por nahna em Ter 3 Dez - 13:50




    Uma coisa aprendera sobre toda essa confusão... Eram alheios ao valor da vida, todos eles...
    Talvez não todos, pensou melhor, mas a maioria. Carecia de referências...
    Percebeu que nada ali estava ao seu controle, buscando um estranho afastamento.
    Seu destino estava nas mãos daqueles que não se importavam.

    Pensou sobre o que dissera Iisa... "Território inimigo"...

    Entrou no carro com os demais, conformada em apenas ir de lá para cá.
    O estranho Gábor pareceu ter uma reação anormal, e Letícia o observou com atenção, olhando para o outro homem em seguida.
    Esperou para ver o que fariam dalí...







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    Mensagem por Lnrd em Sab 7 Dez - 0:47

    À bordo daquela precária barca de Caronte, Letícia cruzaria o rio para o inferno.
    “Pra Torre”, enfatizara Gábor, entrando no veículo. “Na Cidade Alta”.

    Era a direção dada por Sakuya, onde esperavam poder apelar contra a condenação.

    Não bastasse o quão insólito tudo aquilo era, os únicos cigarros à venda eram de um colorido berrante, como marcadores de texto, e o isqueiro estampava uma espécie de dragão bebê com chamas na ponta do rabo.

    Mal o carro de Ezra pusera-se em deslocamento, o olhar do guia foi atraído para o para-brisa traseiro. Para além do vidro sujo, longe, na rua igualmente imunda, a figura feroz de Jezabel. “Rápido”, insistiu ele ao motorista, batendo na lataria.

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    Mesmo àquela distância, era possível reparar a expressão, ou talvez fosse a própria aura daquela mulher. O humor de um lobo no meio de uma disputa pela liderança.

    A caçada parecia ter iniciado. Era bom não perderem a pequena vantagem que tinham terem a dianteira.

    Santa Dômina voltara a passar pelas janelas, não demorando para que atravessassem um dos passos que ligaram as margens do rio que separava aqueles lados da cidade. A decoração iluminada da ponte refletia nas águas, espelhos distorcidos que, mesmo assim, pareciam mais puros que a realidade.

    Ambas ilusões, ambas poluídas a quem ousasse romper a superfície.

    Em pouco tempo estavam no coração financeiro de tudo aquilo, um que mais sugava que bombeava. Um grande parasita que bebia dor e vomitava dinheiro.

    A arquitetura era impressionante. Arranha-céus que tentavam ser uns mais exóticos que os outros, mais inovadores que o vizinho. Ostentação, demarcação de território. Aquela guerra secreta atraia olhares do mundo, interessado em quem assinaria o próximo layout, quem colocaria o próximo tijolo.

    Logo descobririam o quanto de sangue havia na argamassa daquele lugar.

    Ao atingirem certa altura do caminho, Gábor indicou que parassem. “Droga”.
    Esperaram que ele concluísse o pensamento, mas apenas emudeceu-se por algum tempo, um que não tinham a perder. Quando finalmente falou... .
    - Não podemos entrar. Não sem saber se Sakuya já chegou. Podem questionar porque nós dois trouxemos você, viva. E se der na telha, qualquer um pode...  – Então calou-se, arregalando os olhos para fora do carro.

    Ele”, disse sem que pudessem definir de quem falava. Havia carros e pessoas passando, todas bem arrumadas, saindo de “serões noturno” ou encaminhando-se a jantares de negócios. “Eu também vi ele”.

    Inesperadamente desceu, acenando e chamando atenção, agindo de forma totalmente contrária ao que havia dito. “Aduke”, chamara do outro lado da rua em direção a uma dupla de homens. “Eu vi ele. E a marca dos Serracosta. Eu não estava alucinando! Era realmente uma profecia!”.

    No delírio ao apartamento da jovem, mencionara que, entre flashes e informações confusas, mais pessoas estavam envolvidas em seja lá o que fosse que tinha visto.

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    Pelo que podiam deduzir da situação, “Aduke” era o homem mais velho, o que exibia um guarda-roupa caro e bastante elegante, apesar de um “look” particular.
    O “ele” ao qual se referia era alguém mais jovem, mas igualmente parecendo alguém de negócios.

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    - Acalme-se, rapaz – dissera o senhor grisalho com uma voz firme, como se todo aquele estardalhaço o incomodasse – Vai acabar espantando nosso candidato à família.

    A julgar por Gábor, tratava-se duma "seita" bastante variada. Ele, com seu "look" exótico, diferenciava-se por demais daqueles dois empresários.

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    Não seria difícil a Ezra identificar o que estava se passando ali, uma vez que havia ele mesmo vivido um momento como aquele fazia pouquíssimo tempo. Ao contrário de Letícia, não havia sido pego de surpresa por aquilo tudo, ao menos até certo ponto. Haviam ao menos dado a ele o direito de aceitar ou recusar a proposta que Kadir fizera, mesmo que não soubesse do que se tratava.

    Um salto de fé. Um passo no escuro.

    Tudo o que fora dito a Ezra resumia-se ao convite a algo como uma mistura de máfia e sociedade secreta. Poder, seja na foram de conhecimento – o que havia atraído-o – ou na de riqueza propriamente dita.

    A natureza daquele grupo não podia ser revelada a ele antes de expressar a aceitação dos termos, que se resumiam a: entre e descubra, mas, se entrar, não há retorno. A não ser através da morte.

    Illuminati era a palavra que melhor definia a situação.
    - Ele não é um de nós? – Perguntou Gábor, mais como forma de organizar os pensamentos, uma vez que Aduke já havia dado aquela informação – Vocês não estão entendendo. Ele precisa aceitar. Eu vi ele, Ezra, Letícia e outros rostos... Todos nós corremos perigo sem eles.
    - Espere um minuto, garoto – e aquela expressão parecia absurda, dada a situação – O que você está dizendo? Ele precisa ser aceito?

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    “Ah!”, exclamou Gábor em meio àquela confusão. “Não basta ele aceitar. Ele precisa ser aceito”.

    Havia algo de diferente ali. Aparentemente, estava sendo levado para uma audiência antes de entrar para a irmandade. Com o jovem albino fora diferente: apenas a proposta de Kadir fora suficiente. Só seria avaliado depois. Já Letícia era a mais “fora da curva” ali.

    Não bastasse tudo, alguém se aproximava de longe, a passos decididos.
    Alguém que havia deduzido que, se eles não haviam cumprido a sentença, talvez estivessem indo rumo ao conselho.

    Jezabel.
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    Mensagem por nahna em Seg 9 Dez - 12:46




    Apressara-se com a urgência na voz de Gábor... Entrou no carro sem questionar.
    Entendia que aquele era o fio de esperança que poderia ter de se manter existindo...

    Olhou junto com ele para trás, assim que o carro acelerou pelas ruas, e viu Jezabel. Sabia bem o que ela queria ali.
    Não bastava uma vez... - Pensou com raiva.

    Quando o carro finalmente parou, não conseguiu entender o que se passava, nem o que era aquela conversa que o estranho Malkaviano com os outros que chegavam ao lugar.
    Observou os presentes, mas daquele mundo ela não entendia nada. Poderiam ser importantes ou poderiam ser ninguém...
    Não sabia se acreditava nisso de profecia... mas para o seu próprio bem, esperava que fosse verdade.

    E então Jezabel também chegava...
    A observou entre os presentes... Percebia o quanto também estava furiosa.
    Era um sentimento mútuo... e pessoal.






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    Mensagem por gaijin386 em Seg 9 Dez - 12:56

    A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento.

    Platão


    Ezra escutou, observou e constatou que de fato Kadir deixara muita coisa fora da equação e da explicação... Teria que voltar a falar com ele em breve, pois este vortex de confusão parecia acrescentar mais e mais ingredientes.

    Acendeu um novo cigarro e começou a fumar.
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    Mensagem por Jim Jones em Ter 10 Dez - 0:08

    A recepção fora um sucesso, relativamente falando. Uma proposta de trabalho com a Serracosta era algo que eu não recusaria tão fácil, ainda mais se isso contasse em entrar em um grupo seleto de pessoas influentes. A curiosidade e a cobiça me fizeram quase que aceitar na hora, mas eu ainda sabia o jogo e podia barganhar mais alguma coisa. Mostrei meu interesse, mas não tanto quanto realmente tinha. A conversa me levou a um homem Aduke pelo que me disse, aparentemente ele seria meu "padrinho" no grupo. Saímos para as ruas de Santa Domina e eu segui o homem. No caminho fomos parados por um  rapaz mais jovem, que prontamente nos chamou. Ouvi por alto que eu faria parte da "família" possivelmente e assumi que o rapaz também era do clube.

    Um tiro no escuro, uma jogada de dados, a partir dali não haveria voltas, ou era o homem me deixou a entender quando conversamos, antes de descermos. Ouço a conversa dos dois e fico um tanto confuso quanto ao que querem dizer, precisam de mim, sera que eu era alvo da prospecção desde o inicio? Talvez já estivessem procurando alguém com meu perfil para agregar ao clube. Aparentemente essa família não se tratava apenas de algo relacionado a negócios, apesar de que o jovem que falava com Aduke poderia muito bem ser algum nome forte da mídia ou redes sociais que eu pessoalmente não conhecia. Algo na forma como ele falou que havia visto meu rosto me deixou com um  pé meio atrás, talvez o grupo fosse um tipo de seita. Não havia sido um homem religioso até  agora, e não seria hoje que ela seria um empecilho, seita ou não a oportunidade parecia grande demais para deixar passar. Faço uma mensura e me apresento ao homem fora do carro, e estendo a mão.- Sou Hugo Fernandes, prazer.

    Pelo andar da conversa minha entrada no grupo não dependeria apenas de mim, mas do julgamento de mais alguém, talvez o líder ou guru da seita. Como de costume deixo meu novo "padrinho" seguir com as convenções do grupo, pelas minhas experiencias é o mais seguro a se fazer quando avaliando esse tipo de prospecções. Nesse momento eu era um coadjuvante.
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    Mensagem por Lnrd em Sab 14 Dez - 12:05

    Sem ao menos dar-se ao direito de piscar, a mulher dirigia-se, imparável como uma locomotiva, num trajeto em direção a Letícia. Ao que parecia, se pudesse transformar-se num caminhão, teria a atropelado sem remorso.

    Gábor, por covardia ou mera noção do papel que exercia lá, dera um passo para trás, afastando-se e não ousando colocar-se no caminho entre aquela força selvagem e o alvo. "Ezra, não interfira", pedira, temendo que o parceiro provisório fosse pego pela onda de choque daquela explosão, “casualidade” de um fogo nada amigo.

    Jezabel ergueu a mão direita, brilhando em anéis que pareciam saídos de um sci-fi modernoso, mas não a dirigiu para o alto.
    Levara-a ao espaço entre o ombro e a orelha do outro lado, o esquerdo.

    Sorria, enquanto preparava-se para desferir, com fúria, um tapa no rosto de Letícia.

    “Outra confusão em público? E logo aqui? E na frente de um candidato?", questionara o que, ao menos em aparência, era mais velho ali. Fazia menção ao espaço aberto da calçada, ao prédio em frente ao qual estavam e ao executivo que o acompanhava.
    - Não – limitara-se a retrucar, com tais palavras refreando-lhe o intuito sanguinário –. Mas você sabe quem essa? Uma paria. Vai perder a oportunidade?

    Aduke vestia um “rosto de pôquer”, indecifrável a quem não pudesse ler diretamente dos segredos da mente dele. “Sou dos negócios. Não passo oportunidades. Por isso pretendo ouvir o necessário antes de decidir como investir”. Fora bastante protocolar, ao mesmo tempo deixando claro que não se importava com os desejos dela, mas sem fazer uma provocação aberta.
    – Como queira – retrucara ela, com uma mesura de polidez falsa.

    O que estava acontecendo ali, as relações de poder e interesses inerentes, eram difíceis de compreender para as três cabeças que não tinham noção do contexto. Porém mesmo para Hugo, o mais deslocado, era inegável que o clima pesara em tensão. Apesar disso, ocorrera algo particularmente comum em ambientes corporativos: a máscara social se erguera.

    “Encantada, sr. Hugo. Posso te chamar só de Hugo, não? Jezabel Zathine”. E, ao apresentar-se, parecia outra pessoa, não só polida, mas calorosa, a simpatia e afabilidade de um cordeiro.

    Encontravam-se em frente a um prédio robusto e que, apesar dum design único, era mais “clássico” que propostas mais curiosas espalhadas pela cidade. Distinto e discreto, nalgum sentido. À entrada, a marca Serracosta destacava-se, apesar do pátio frontal estar ocupado por uma exibição de arte que atraia o olhar tanto pela qualidade quanto por certo caráter perturbador.

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    “Então”, dissera Aduke após trocar algumas palavras de Gábor, as quais deliberadamente escondiam a natureza do grupo ou do conflito em questão. O guia havia sussurrado a Letícia que não mencionasse nada comprometedor na frente daquele “Hugo”, ou complicaria em muito a própria situação. “Você acredita que esses três, incluindo meu candidato, possuem um papel importante para o futuro da nossa organização? Que oportuno... Posso usar isso para pressionar a aceitação dele...”.

    Aquela era uma boa notícia para a garota, uma vez que era do interesse de alguém aparentemente poderoso que a visão do apartamento fosse levada a sério e ela poupada, a contragosto de Jezabel. “Entremos, então”, convidara o homem.

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    O interior era impressionante, uma estufa com uma enorme cascata interna e várias obras. Novamente, apesar da qualidade, havia um toque de bizarro na exposição, cuja temática era um jardim onde pessoas eram transfiguradas em plantas.
    – O ramo imobiliário dessa cidade é muito promissor. As empresas Serracosta são uma das principais construtoras, com vários contratos tanto com o setor privado quanto com o governo. Somos símbolo de qualidade. Mas as ideias, a parte criativa, vem dum escritório parceiro, o Florim.
    – O Florim também investe em arte, moda e entretenimento. São meus patrocinadores, rapazes. Faço uns desfiles aqui e ali – pontuara a mulher, apesar de tentando parecer uma informação corriqueira, em falsa modéstia. Aproximara-se de Ezra e Hugo, numa espécie de flerte duplo.

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    Mas não estavam lá para apreciar a riqueza e o gosto da elite opulenta, por isso apenas atravessaram o lugar até verem-se numa sala privativa e ampla. Nela havia apenas um elevador e seguranças fortemente armados.

    Aquilo talvez fosse ainda mais enervante: pelo tamanho das armas, não estavam lá meramente para evitar um ou outro assalto inconveniente. Poderiam começar uma guerra. Não que isso estragasse os impecáveis ternos, provavelmente dalgum material reforçado.
    – Por favor, sua arma – dissera um dos encarregados a Ezra enquanto o outro avisara, pelo rádio, da chegada das visitas. A própria porta do ambiente, aparentemente, era um scanner.

    O interior do elevador totalmente espelhado, onde os próprios reflexos eram a única paisagem inquietante. Não possuía nem números a apertar, como se possuísse apenas um destino único. O qual, descobririam, não era ainda o topo.

    Ao saírem, estavam num ambiente bastante estiloso, mas cuja função inicial era a defesa. Mais guardiões e equipamentos. Foram recebidos por uma figura a qual Hugo já fora apresentado.
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    – Ah, Válery! Válery Franco Serracosta – apressara-se Jezabel, cumprimentando-a efusivamente – Nossa chefe de segurança. É uma empresa bastante familiar. Aduke e Válery são... primos.
    – Somos todos uma grande família sempre aberta a quem estiver disposto a somar – complementara Aduke, dirigindo-se ao próprio pupilo.
    – Você deve ser Ezra Mendell, discípulo de Kadir – deduzira a figura que devia saber bastante do que acontecia sob a gerência dela. Não fizera menção à curiosa coincidência de ambos serem, à própria maneira, albinos – Mas você... .

    “A bastarda”, apresentara Jezabel.
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    Mensagem por gaijin386 em Seg 16 Dez - 1:10

    "A vida bem preenchida torna-se longa."

    Leonardo da Vinci


    Ezra entregou a arma, não por que quis, mas sim porque não era tolo de criar problemas num momento em que as impressões eram tudo e no caso dele ele estava sendo observado, mensurado e avaliado.

    A arte do lugar lhe era por demais alienígena e grotesca, pois ele ao crescer numa casa de um homem de letras, um douto dos clássicos havia se acostumado a arte de pintores como Piero della Francesca ou Rembrandt ... Mas por fim ele parou de encarar e deu graças quando foi apresentado Válery e claro lembrou-se de algo inusitado e poderia ser infantil, mas nunca na vida a frase "sorria e acene" de Pinguins de Madagascar pareceu ser tão lógica...

    Ezra assentiu com a cabeça ao ser mencionado e disse um breve - Madame.
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    Mensagem por Jim Jones em Seg 16 Dez - 13:19

    Realmente o grupo ao qual me candidatava era diverso. Mias uma participante chega, com raiva, contra outra, rusgas internas, essa "seita" não é tão unida quanto se espera. Aduke mantinha-se calmo, como um frio homem de negócios, mantenho-me afastado, a parte, ainda não sabia muita coisa e não valeria a pena me envolver agora, sem saber ao certo como todas as engrenagens se mexiam. A poeira abaixa e a as apresentações começam, aparentemente essa garota era realmente adepta da mascara social, muito capaz de esconder seus reais sentimentos, era bom eu me lembrar disso.

    -Prazer Jezebel, fique a vontade,não precisa ser tão formal.

    O prédio Serracosta era um arranha céus que crescia no meio de Santa Domina, muitos estariam dispostos a ir longas distancias para entrar aqui, e ter negócios com os Serracosta. E eu era um deles. A arte na entrada não toma muito de meu interesse, arte  em geral nunca foi o meu forte, mas o poder e recursos necessários para se ter certas obras de arte por outro lado. A conversa escusa dos dois me deixa com um pé atrás, mas cada vez mais curioso para saber sobre esse grupo. Sigo por mais uma sessão de artes bizarras e conceituais, enquanto Aduke e Jezebel pontuam sobre suas carreiras. Quando chegamos em nosso destino me surpreendo com seguranças armados, fortemente armados. Tento não me mostrar surpreso com isso, mas  na realidade estou incomodado com tanto armamento a mostra. O que mais me surpreende é que o homem mais jovem ao meu lado também carregava consigo uma arma. Começo a me perguntar se não havia mordido mais do conseguia mastigar.

    O ambiente seguinte era assim como o anterior fortemente guardado, lá encontro Valery, e a cumprimento de forma mais comedida, assim que meu "padrinho" naquele grupo menciona algo a mim respondo com um sinal afirmativo. Pelo que parecia o rapaz que acompanhava a gente era um recém chegado, um discípulo, e a garota estava em uma situação politica mais complicada. Fico me perguntando se o termo bastarda era figurativo ou não, mas independente disso ela era uma relegada naquele ambiente. Continuo seguindo os rumos guiados por Aduke.
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    Mensagem por nahna em Ter 17 Dez - 19:46




    Letícia observou Jezabel dirigir-se até ela, como um cometa...
    Olhou para o lado, e viu que Gabor saíra da frente, mesmo acreditando em sua própria visão...
    Entendeu o seu papel, e que atitude deveria tomar... Não apressaria seu fim.
    Falaria apenas quando fosse necessário, ou inevitável.
    Jezabel tinha respeito e uma posição privilegiada, pelo que escutara no caminho...

    Levou o tapa, e sentiu seu sangue ferver... Fez um esforço grande para não pular sobre ela e atacá-la.
    Limitou-se apenas a recuperar a postura e olhá-la com ódio.
    Ao menos sabia o quanto ela estava transtornada com a situação, provavelmente mais do que aparentava.

    Observou o resto nas interações e fez o que foi-lhe orientado... Se apegaria à qualquer chance que tivesse.
    Quase se distraiu da situação com as estranhas obras no prédio... Eram tantos gostos exóticos, que ela podia se ver como um erro claro... Não se encaixava.
    Sentia-se em um filme extremamente imersivo, pois sentia-se vivendo a vida de outra pessoa nesses dias.

    Eram muitos rostos diferentes, e muitos estilos... talvez fosse um requisito, ou apenas um padrão que lhes despertava o interesse. Teria sua heterocromia chamado atenção de Radiance ao convidá-la para a maldita festa?
    Observou Válery, curiosa. Não parecia uma chefe de segurança da forma como entendia o cargo, e portanto não entendia o que seria nesse novo mundo.
    Quando se dirigiu à ela, cerrou o punho ao ouvir a voz de Jesabel.

    "- Leticia Barros." - Respondeu educadamente.






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