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    Rumores ao Redor da Fogueira

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    Rumores ao Redor da Fogueira Empty Rumores ao Redor da Fogueira

    Mensagem por Lnrd em Sex Dez 20, 2019 3:08 pm

    Rumores ao Redor da Fogueira 9173-a10


    Sobre a terra se estende uma sombra terrível,
    Lançando sobre o oeste longas asas de trevas.
    A Torre treme; das tumbas de reis
    a sina se aproxima. Os Mortos despertam;
    chegada é a hora dos que foram perjuros:
    junto à Pedra de Erech de pé ficarão
    para ouvir a corneta ecoar nas colinas.
    De quem será a corneta? quem irá chamar
    da dúbia meia-luz o olvidado povo?
    O herdeiro daquele a quem foi feita a jura.
    Do norte ele virá movido pela sorte.
    Seguirá pela Porta para as Sendas dos Mortos

    (Tolkien, O Retorno do Rei)


    O tempo avançara, nisso sentiam que era certo confiar. Mas o quanto dele havia transcorrido, isso era difícil dizer. Restava confiar nos esparsos indicativos da guia, detentora de conhecimentos ocultos que a permitiam ler as horas pelo posicionamento das estrelas. Metade da manhã; fim da tarde; segundo turno da vigília.

    Seguiram naquela marcha ingrata, mas sem mais conflitos, somando uma longa caminhada a um período de revezamento de sono que lhes parecera bem inferior ao da andança; e uma repetição de tudo isso. Não havia diferença efetiva entre avançar de dia ou de noite, noções abolidas e irrelevantes àquela vida ao limite do fim.

    O olhar se acostumara mais ao escuro, o qual a eles não se apresentava mais tão denso. Ou melhor, variava como uma maré sem ritmo: algumas nuvens eram mais acúmulos de vapores quasi-luminescentes, fracos demais para produzirem sombras efeitvas; às vezes sequências curtas de relâmpagos, que mais se assemelhavam a gigantes acionando pederneiras que a tempestades de verdade, deixavam tudo mais claro; e havia fogos. Às vezes grandes clarões ininterruptos à distância, como um fundo vermelho para as montanhas, às vezes chamas visíveis nalguma clareira à distância. Mas mais ainda, encontraram fossos que cuspiam pedras que não paravam de queimar por um bom tempo. Acompanharam o como Ignastácia usara a armação da tocha anterior, cuja ponta era uma armação metálica grosseira, para “fisgar” uma delas – garantia de algumas horas a mais de iluminação direta sobre o solo.

    Essa uma das partes mais complicadas. Andavam muito e por um terreno acidentado. Não ver dificultava o saber onde pisar e, vez por outra, tropeçavam em pedregulhos ou viam-se escorregando após colocarem o peso sobre uma pedra solta. "Não é longe", comentara sobre a distância que percorreriam. "É o único da região", completara, pontuando a ocupação daquelas terras. Essas instruções minguadas preenchiam as poucas vezes em que abria a boca, mostrando-se uma pessoa pouco afeita a conversas, variando entre silêncios e monossilabismos. Ao menos se dispusera a ensinar a identificar as partes menos perigosas dos “wargs”. Agradeceram quando a paisagem mudou, terreno tornando-se mais liso. Atravessaram algumas ruínas que, infelizmente, não ofereciam abrigo algum.

    Tomavam apenas curtíssimos goles de água do cantil antes que esse acabasse completamente e a única refeição que fizeram fora uma espécie de massa de gosto ruim e da qual a guerreira não explicara a feitura. “Melhor que terra”, resumira num resmungo. Sobrevivência.

    Continuaram até que começaram a divisar pegadas. Inicialmente rarefeitas, aumentavam de intensidade até virem-se na direção de uma reentrância nas montanhas.

    Vozes e outros sons chegaram a eles de forma tímida, que, com um fraco tilintar metálico, formavam a canção do retorno a um lar que não era de Arthur ou Bergil. Ao menos chegaram ao destino deles, o acampamento no qual pretendiam encontrar respostas.

    Não era, entretanto, nem de longe o que poderiam esperar.

    A veterana não havia efetivamente falado num assentamento militar e ela era de fato a única ali equipada daquela maneira. A decepção era composta por mulheres e homens de aparência abatida, apesar de absorvidos em atividades variadas, algumas difíceis de identificar naquelas condições. Gente velha e crianças quase não viram, vítimas primeiras de situações como aquelas.

    O martelar aumentava.

    Esparsas labaredas, assim como velas pontuais, eram pequenos sóis às necessidades manuais. No fim, não passava de um amontoado de carroças sem cavalo, barracas precárias e camponeses numa caravana mirrada. Qualquer trabalho que conseguissem seria um mero paliativo em troca de abrigo e comida. Isso é, se tivessem espaço pra mais bocas.

    Algumas faces detinham momentaneamente os serviços para saudar a “dama de Argoliath” naquele dialeto curioso, ao mesmo tempo aparentado e estrangeiro. Mas a curiosidae maior parecia ser aqueles selvagens semi-nus, despertando cochicos por todo o caminho. “E o cavalo?”, soltou alguém numa expressão que exibia comiseração. “Cadê a velha?”, retrucara, deixando de escanteio a pergunta. Com um gesto de mãos, indicara um ponto mais ao fundo do ajuntamento. Para lá seguiram.
    Do interior duma tenda maior, porém bastante aberta, viam a fonte daquele rítmico chocar de ferro contra ferro. À frente dum forno improvisado, insuficiente para uma fundição de qualidade, uma senhora de constituição firme trabalhava nalgo, a roda de um dos transportes.

    Não era corpulenta quanto se esperaria de alguém trabalhando como ferreira e a idade parecia incondizente com a atividade, mas lá estava ela, concentrada na função que a ela cabia.
    - Senhora? – Chamara a soldada à porta do abrigo.
    - Humm?!
    Rumores ao Redor da Fogueira Velha10
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    Mensagem por Gelatto em Sab Dez 21, 2019 8:50 am

    Bergil

    A viagem era árdua para onde quer que fique o destino do grupo. Passavam por alguns mistos de paisagens tristes e desoladas, por sorte os calçados improvisados ajudavam. Bergil dormia como podia, sem qualquer veste para protegê-lo, ficava incomodado às vezes com a terra quente e nua, mas com o tempo foi se acostumando, pois sua vida nos ermos o preparou para este tipo de situação. Mas o que mais incomodava era o silêncio.

    Poucas palavras eram trocadas enquanto viajavam, a maioria delas entre Arthur e Bergil, e quase nenhuma de Ignastácia, o que não ajudava a tentar descobrir onde estavam. A carne dos wargs durou o suficiente, mas a água não. Por uma sorte do destino, não tiveram outros problemas na viagem, nenhum outro perigo ou inimigo, se bem que este lugar já era isolado o bastante para ser um perigo em si, pois se não fossem os wargs, a fome e sede venceria os incautos.

    Dias se passaram e finalmente chegaram ao destino, o acampamento de Ignastácia, que para surpresa, era apenas um amontoado de carroças e tendas entre alguma ruínas que não ofereciam nenhuma proteção. Eram pessoas cansadas e fracas que olhavam curiosas para as vestes e situação estranha que Bergil se encontrava - e novamente, por sorte, as tiras de couro de warg protegiam suas intimidades em meio aquele amontados de pessoas, apesar de já começarem a soltar um mau cheiro devido à falta de tratamento da pele. Mesmo assim, Bergil estava envergonhado com os poucos olhares.

    Ignastácia os acompanhou até uma tenda grande, onde podia-se ouvir as marteladas de uma velha senhora consertando ou construindo uma roda de carroça. Era uma espécie de ferraria ou fundição improvisada. Bergil se pergunta há quanto tempo estas pessoas estão aqui e se fosse em outro tempo, eles poderiam já ter partido daqui e a ajuda nunca teria chegado aos que acordaram naquele lugar.

    Bergil se mantém em silêncio, aguardando ser apresentado para a senhora, que parece ser a líder deste lugar. Quando Ignastácia chama sua atenção, ao se voltar para o grupo, Bergil faz apenas uma mesura e educadamente diz: -"Senhora!"
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    Mensagem por Christiano Keller em Dom Dez 22, 2019 2:45 am

    Arthur Blackbeer,

    Caminhar com aquele couro amarrado nos pés era diferente de tudo que Arthur já havia experimentado. Uma sensação nova e estranha. Porém a sensação estranha talvez não fosse apenas do couro cru do warg amarrado ao corpo, mas de compreender a nova realidade em que Arthur estava. Uma realidade cruel e inóspita, pronta para tirar a vida de qualquer um. Se aquilo não era a morte, tudo que Arthur conhecia morreu em algum momento no passado.

    A impressão de que o mundo realmente acabou se deu quando não houve dia. Apenas noite que tomava tudo para todos os lados. Era como se o Sol tivesse desaparecido. Para Arthur esse fato não era bom. Algumas coisas precisavam de sol, seus ingredientes de fabricar cerveja precisam de sol. Sem condições de fazer cerveja esse mundo se tornava mais cruel a cada instante. Uma lágrima escorreu pela face de Arthur ao pensar que não conseguirá fazer mais cerveja. Aquilo era importante.

    Finalmente um tipo de ruína, mas inútil, aquilo era apenas um ponto de referência por algum tempo. As marcas de pegadas levarão qualquer um até o acampamento improvisado já que o local não dava pra ser chamado de cidade pela forma adequada. O olhar nas faces das pessoas que viram Ignastácia, Bergil e Arthur chegar poderia ser descrito como no mínio intrigante. Ninguém quer mais bocas para alimentar, mas parece que precisava de alguma atenção ao combate. Nenhum dos outros moradores estava preparado para o Combate como Ignastácia.

    - Senhora, sou Arthur Blackbeer. Arthur tentava ser cortês com a Senhora para obter mais respostas.
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    Mensagem por Lnrd em Dom Dez 29, 2019 6:52 pm

    Rumores ao Redor da Fogueira Porta210




    “E, naquele mesmo instante, Melkor e Ungoliant atravessaram apressados os campos de Valinor, como a sombra de uma nuvem negra ao sabor do vento que passa veloz sobre a terra ensolarada. E os dois chegaram à colina verde de Ezellohar. Então a Antiluz de Ungoliant subiu até as raízes das Àrvores, e Melkor de um slato escalou a colina. E, com sua lança negra, atingiu cada Árvore até o cerne, ferindo todas profundamente. E a seiva jorrou como se fosse seu sangue e se derramou pelo chão. Contudo, Ungoliant tudo sugou; e, indo de uma Árvore a outra, grudou seu bico negro nos ferimentos até que as esgotou. E o veneno da Morte que ela continha penetrou em seus tecidos e as fez murchar, na raiz, no galho, na folha. E elas morreram. E, ainda assim, Ungoliant sentiu sede. Foi até os Poços de Varda, e também os secou; mas Ungoliant arrotava vapores negros enquanto bebia; e inchou tanto, e de forma tão horrenda, que Melkor sentiu medo. (Tolkien, Quenta Silmarillion)

    Premira o olhar, testa franzida à moda de quem tenta focar. Intentava não apenas ver, mas enxergar quem vinha lá. “Sem roupas, sotaque estrangeiro... de quando esses aí são?”, lançara à soldada, voltando aos próprios afazeres.
    - Pergunte a eles –, retrucara, retirando o elmo – Encontrei pelo caminho, na Desolação Uivante. Não falamos muito. Deixamos outros para trás.
    - A eles? Sim, sim. Farei isso. Mas agora eles é que devem ter dúvidas. Pode pegar aquele mapa para mim? Seja amável com essa velha... .

    Fosse quem fosse o papel dela ali, não lembrava o tipo de idosa que requer cuidados ou pena. Sentara-se ao banquinho da fornalha, inserindo os ferros que trabalhava na barriga quente dela. A guerreira afastara-se, indo até uns caixotes. “Há água naquela jarra. Cogumelos na cesta pendurada. Saciem-se com parcimônia. Não temos muito. Chegamos de uma caçada faz pouco, mas ainda falta preparar as carnes. Tirando o de imediato, costumamos secar pra depois”.

    “Já vi outros como vocês”, prosseguira, falando de costas, centrada na tarefa que executava. “Os primeiros, encontrei em grupo. Desorientados. Assustados. Mulheres e homens, e seres que não pisavam nessas terras faz eras. Perdi todos numa emboscada”.

    Virara o objeto com a ajuda duma pinça de metalurgia. A chama crepitara, apesar de não tocar diretamente a peça. Apenas o calor agia sobre ela, deixando-a pronta para o golpe do martelo
    - Não acho o mapa – resmungara a guerreira, revolvendo alguns objetos.
    - Toma. Pegue a luminária. Mas não vá queimar nada.

    Não passava de um fragmento, mas notava-se ser do mesmo material vulcânico das tochas. Era semelhante a um carvão. Uma vez acendido, demorava para ser consumido, mesmo engolido pelo fogo.

    “Encontrei outros depois. Mas nossos caminhos se separam...”. A velha baixou a cabeça, como se capturada por uma súbita tristeza. Difícil dizer se pela divisão em si ou pela trilha que escolheram. “Não tinham nada em comum, mas ainda assim muito. Todos tinham deixado o mundo dos vivos. Uns em batalha, outros, não. Todos de muito, muito antes das Trombetas da Vingança soarem, a Noite Flagelante...”.

    Mortos retornando à vida. As duas mulheres insistiam naquele ponto. Era difícil de acreditar, mas era possível sentir que era a verdade. O que acontecera?
    - Estranharam o que viram, pois, para eles, o mundo mudou. Cidades vieram e foram. Rios alteraram seus cursos, nasceram e secaram. O mar veio; o litoral, redesenhado. A língua, apesar de reverberar a cultura de tempos antigos, soava diferente nas palavras. As histórias de antes se perderam. Ninguém recorda dos antigos Poderes do Oeste da forma como realmente são. Crenças tolas e deuses fajutos surgiram.

    As mãos eram grossas, daquelas acostumadas à luta dos dias, e a voz possuía algo de rústico, aconchegante como uma manta na geada. Apesar de gastas, os couros e os panos guardavam os tons de vermelho, e eram roupas quase como as de mateiros, próprias para lutar, se arrastar e vencer a mata fechada.

    “Elfos”, comentou, achando graça. “E pensar que quando a Era dos Homens se consolidou, de elfo, anão ou pequenino nada mais foi dito. Quando os que haviam visto morreram, viraram história. Depois lenda. Depois, rumores vagos. E, finalmente, esquecidos. Nem os monstros de outrora sobreviveram, apesar de outros terem surgido. Eu mesma não saberia dizer quanto tempo passou, pois até a contagem dos dias eles mudaram...”.

    Alguém se aproximara, relutante, da barraca. Deixara um volume à porta e rapidamente escapara. Havia duas mudas simples de roupa usada e um tanto gastas; dois pares de calçados. Era bom que servissem, uma vez que era difícil imaginar que carregassem um armário no fim do mundo. Roupas de defuntos?

    “Mas tudo isso foi antes”, pontuou. Arda havia mudado gradualmente, por um período incontável. O mundo de antes acabara. Mas a ordem continuava. Ninguém voltava dos mortos. Até que... . “Dagor Dagorath”. Aquilo era sindarin, uma das belas falas do Eldar, mas as palavras pareceram tornar o ar ainda mais pesado. Teriam a luz fraca vacilado?
    - Fora profetizado por Mandos, o Oráculo dos Valar. A chegada de um tempo no qual os Ainur, já cansados, fraquejariam na vigília à Porta da Noite. E, do Vazio de além tempo, Morgoth a romperia, retornando a Arda para “A Batalha das Batalhas”. Assim falou em sua Segunda Profecia. Ou ao menos assim ouvi dizer.

    Ignastácia tinha um embrulho de pele nas mãos. Mas, ao invés de entrega-lo, parecia observar o monólogo. Não parecia confiar no que escutava, como se tudo não passasse de um amontoado de esquisitices de uma senhora excêntrica.
    - Por ódio a Arien, espírito ardente o qual nem ele pudera corromper, e ao Fruto Dourado de Laurelin, a Segunda Árvore, o Sinistro Inimigo do Mundo derrubou a barca do Sol. E Tilion, o inconstante navegante, partindo ao resgate, logo a acompanharia na queda, levando com ele a Flor Prateada de Telperion, a mais velha. Pois também a nau da Lua foi arrancada do céu.
    - O mapa – Interrompeu a mulher, entregando o volume – Vocês falam demais. Coisas sem sentido. Nomes e mais nomes. O mundo acabou. Pronto.

    A outra rira. Correra os olhos ao redor, como se tentando reconhecer o lugar. Perdera-se nas próprias lembranças, pensando em voz alta. Erguera-se, voltando à bancada, fazendo o tilintar mais uma vez soar com golpes precisos.
    - É dito que Eärendil Meio-Elfo, o Marinheiro, a bordo de Vingilotë, tendo a testa enfeitada pela chama branca de sua Silmaril, derrubaria Melkor das alturas. E então o bravo Tulkas, mais valente dos Valar, novamente o colocaria de rosto ao chão, ajudado por Eönwë, arauto de Manwë e líder dos Maiar. E pelo fio de Gurthang, a Espada Negra carregada por Túrim Turambar, toda a raça dos homens seria enfim vingada, Morgoth morto. E das cinzas do assalto definitivo e da devastação causada pela última das guerras, tudo seria desfeito e reerguido numa grande e harmoniosa canção entoado pelos filhos de Iluvatar.

    E erguendo um sorriso triste, encarou os recém-chegados. “Mas de Gil-Estel, que é como em sindarin chamavam o brilho de Eärendil no firmamento, não há mais sinal. E de Menelmacar, que é como em quenya chamam a constelação dos guerreiros, o brilho não se tornou vermelho, anunciando a chegada de Túrin. E Tulkas e Eönwë não vieram em desafio ao mal. Tudo está perdido”. Assim concluíra o pensamento, embalada por aquela sinfonia. "Me perdoem. Às vezes falo sem nem questionar se estou sendo entendida.
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    Rumores ao Redor da Fogueira Empty Re: Rumores ao Redor da Fogueira

    Mensagem por Gelatto em Seg Dez 30, 2019 11:43 am

    BERGIL

    O dunedain, carente de explicações do que está acontecendo e não obtendo nenhuma resposta que lhe aquietasse o coração através de Ignastácia, crê que a velha senhora teria as respostas que tanto busca. E ela as têm, mas não são as que Bergil realmente gostaria de ter ouvido.

    O relato da velha senhora sobre as profecias de Mandos, cujas profecias eram de conhecimento dos dunedain mais pela proximidade dos elfos de Valfenda que nunca esqueciam do que pela tradição oral e escrita dos homens cuja profecia era apenas uma lenda, deixaram Bergil estagnado e impressionado. Se esta fosse realmente a Dagor Dagorath, e de acordo com os relatos dela de quê a ajuda na batalha final nunca veio e que tudo estava perdido, que esperanças Bergil teria a partir de agora?

    Aceitava o fato de que estava morto na sua época. Aceitava o fato que acordou para lutar ao lado dos povos livres na batalha das batalhas. Mas não aceitou o fato de que a ajuda de Tulkas, Eönwë e outros nunca vieram. Levou a mão aos cabelos e esfregava a cabeça como se isso o ajudasse a pensar melhor. Eis que falou:

    -"Acredito nas suas palavras, velha senhora. Acredito que tudo isto é resultado da Dagor Dagorath. Acredito que estou morto na minha época e estou aqui agora para lutar contra a sombra. Acredito que a sombra está mais forte do que nunca esteve. Acredito em tudo isto. Mas não acredito que fomos abandonados. Ainda não. Talvez a ajuda esteja apenas atrasada. O tempo passa diferente para o povo imortal. Acredito que a ajuda chegará. E é nosso dever de estarmos aqui para recebê-los.", dizia, convicto e de coração.

    Notou que havia duas mudas de roupas e botas ali na entrada da tenda deixadas por alguém solícito, mas não tomou nenhuma muda de roupa para si, por enquanto, apenas aguardava autorização e confirmação, demonstrando um pouco de decoro, apesar da sua aparência e tanga improvisada dizerem o contrário.
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    Mensagem por Christiano Keller em Seg Dez 30, 2019 7:39 pm

    Arthur Blackbeer,

    A velha senhora fala muito de coisas sem importância.
    - Ignastácia disse o mais importante, o mundo que conhecia acabou. O fato era terrível para Arthur que tinha família e cerveja. Vocês já beberam cerveja ou sabem o que é? Será que haveria esperança para esse mundo ou tudo estava realmente perdido. Um mundo sem cerveja é algo impensável e uma grande contingente de clientes estará apto para o consumo.

    Quando alguém deixa roupas na porta, Arthur pega sua parte e veste ali mesmo deixando para Bergil o resto.
    - Obrigado pela comida e roupas. Arthur estava agradecido. Uma perspectiva mais prática precisa ser posta em movimento. Mas então vamos ser práticos e ver o que podemos fazer? Citar nomes antigos de seres que nos ignoram não vai colocar comida no prato e cerveja no copo. Arthur queria fazer algo, uma oportunidade para fazer cerveja.

    A sala em que estavam passava uma mensagem clara sobre uma forja, alguém que fazia armas e armaduras, talvez os repare também. Logo aquilo tinha uma cara forte de um acampamento militar, talvez não fosse por falta de militares, mas disciplina para todo negócio é muito importante assim como liderança.
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    Mensagem por Lnrd em Sab Jan 04, 2020 2:20 pm

    Rumores ao Redor da Fogueira Melkor10


    “- Sem dúvida, é do Rei das Trevas que vem todos os males dos quase fugimos; mas ele pretende dominar toda a Terra-média, e para onde podemos nos voltar sem que ele nos persiga?” (Tolkien, Quenta Silmarillion)

    "Se levantar contra a sombra é tarefa temerária, meu jovem, ainda mais quando nem os Poderes deram conta disso", respondera, martelando aquela bigorna improvisada. O vento era o parceiro daquele tambor da noite sem fim. "Se estiverem atrasados, é bom que corram. Ou sobrará pouca coisa que se salve". Aquilo era a sobra de uma guerra perdida. Não viam mais o que ali defender. "Mas confesso que eu mesma não tenho tantas expectativas... Se me perguntar, diria que o próprio Oeste está perdido. Essa luta ultrapassa a responsabilidade da Humanidade".

    Bergil parecia ter o brilho dos quem possuem um propósito maior. Já as palavras de Arthur pareceram as de uma pessoa sem muitas ilusões, tal qual Ignastácia, que aquiescera ao que ele dissera. Afinal, não demonstrara, ao longo do curto tempo em que estavam juntos, muito interesse naquelas histórias estranhas de seres que não mostravam a cara. Tinha o pensamento mais focado no mundo do tangível.

    A “velha”, cujo nome até então não fora mencionado, prosseguira de onde estava.
    - De fato, tudo depende do que se enxerga de horizonte, senhor Blackbeer. Para alguns, o mais prático foi acabar as próprias vidas. Para outros, focar em aceitar o destino e seguir da forma que se é permitido. Uns poucos centram-se em se preparar, guiados por esperança... .

    Mirando ao redor, não parecia que ninguém ali estivesse construindo nada de duradouro. Esperavam a morte resignados, expiando-se através do suor do trabalho.

    “Faz uns cinco anos agora. Sem Sol, nada que se plante cresce, como devem imaginar. As plantas morreram em poucos meses, à exceção daquelas que conseguiram manter ainda alguma seiva, persistindo em mortes mais lentas. Às vezes uma ou outra grande árvore, mesmo com os galhos retorcidos e sem folha, ainda sangra por dentro quando ferida no âmago. Mas a maioria é apenas lenha agora”.

    Deixou a bateção de lado e ergueu-se, indo a um canto da barraca. “Onde a guerra não chegou de imediato, começamos a estocar o que se podia. O que não podia ser feito em conserva ou seco, logo se esvaiu. Alguma cerveja deve ter sobrevivido a esse início sim, caro Arthur”. O mapa permanecera lá, intocado.

    O que exatamente ela era para aqueles refugiados seguia incerto. Era curioso que fosse a líder, quando usava as mãos como um camponês qualquer. Talvez o fim dos tempos tivesse trazido de bom o fim dos altos tronos. Mas talvez fosse a conselheira, sábia da “vila”. Se fosse assim, não mandava realmente ali. Quem o faria?
    - Enquanto deu, mantivemos animais, a restos de folhagem, palha velha e grãos. Mas logo ficou claro que não valia a pena. E mesmo defumada, a carne não dura tanto, na verdade. Não quando os anos começam a passar e nada muda... . Aqui e ali ainda encontramos algum carnívoro vivo, mas geralmente magro e nas últimas forças. Isso é, sem contar os lobos de Morgoth, perdurando enquanto ainda há gente pra devorarem... Mas a terra, ao menos, guarda o segredo da vida por mais tempo.

    Ela então pegou uma jarra de madeira, enfiando a mão dentro e de lá tirando um punhado de minhocas. “Um barril com terra, um tanto de serragem... um pouco de, hum, ‘adubo’ e outros restos... . Os cogumelos transferimos para sacas de terra penduradas e logo temos um belo cacho. Besouros são mais difíceis de criar, vivem de tentar escapar”, riu ela como forma de fugir ela mesma da situação obviamente terrível. Muito provavelmente o preparado de gosto medonho que a guerreira oferecera para eles no trajeto tinha aqueles ingredientes como base. “O problema é água. Não só pra essas criações, mas para bebermos e tudo o mais. Muitas fontes secaram, foram envenenadas ou tomadas de nós”.

    Guardara aquele amontoado vivo e dirigira-se novamente ao assento. Explicara que pulara de agrupamento em agrupamento, cada vez mais para o sul em fuga dos conflitos. Acabara num vilarejo razoavelmente escondido, quando foram atacados. Agora viam-se na estrada e precisavam encontrar água em breve ou... .
    - Não achei nada – intrometera-se Ignastácia, como que reportando os resultados da empreitada dela – Andei por dias, mas nada.
    - Hummm... .

    A senhora refletira sobre aquilo, até que virou-se para encarar os novatos.
    - Sabem usar arco e espada? Se virar nos ermos? Precisamos encontrar uma fonte, desesperadamente. Mas aventurar-se por aí é perigoso e aqui só há camponeses simples, afora nossa amiga de armadura.
    - O caminho da floresta velha é perigoso, não me arrisquei ir sozinha. Talvez possamos avançar em grupo.
    - Isso seria de grande ajuda, se aceitarem. E por favor, rapaz. Aproveite essas roupas.
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    Rumores ao Redor da Fogueira Empty Re: Rumores ao Redor da Fogueira

    Mensagem por Christiano Keller em Dom Jan 05, 2020 1:55 am

    Arthur Blackbeer,

           O comentário da velha sem nome faz passar que Arthur não tinha mais esperança.
           - Senhora, ainda não sei seu nome. Se puder nos contar, eu agradeço. Agora quanto a esperança, ela só morrerá depois de mim e de Ignastácia. Ser prático não significa abandar a esperança, apenas queremos focar no que podemos fazer. Sendo curioso, o que está martelando? Uma ferramenta, arma, armadura? Arthur faz um movimento de cabeça para a guerreira.

           - Sobre o mapa, será que posso vê-lo? Arthur poderia tentar encontrar algo ali? Alguma informação útil? Onde é a floresta que vamos explorar? Arthur pensava nas coisas que poderia fazer e completa: Sou um tipo de faz tudo, talvez precisem de alguém assim, não muito bom em algo, mas com variedade que pode tentar ajudar. Coisas como investigar, medicina simples, um pouco sobre ocultismo, engenharia, sobrevivência na natureza e algumas coisas para combate. Arthur observa o mata pensando em como sobreviveria naquele local, buscando elevações e vales que apontariam para rios já que a água desce.

    Teste:

    Pode um teste de sobrevivência na natureza 2 + inteligência / perspicácia 2 = 4?
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    Rumores ao Redor da Fogueira Empty Re: Rumores ao Redor da Fogueira

    Mensagem por Gelatto em Seg Jan 06, 2020 8:23 am

    Bergil

    As últimas palavras da velha são direcionadas a Bergil, autorizando o uso das roupas ali deixadas. Bergil assenta com a cabeça e vai se trocar, pegando o tacho de roupas e indo para um canto longe da vista mas ao alcance de suas vozes, onde se troca. -"Obrigado pelas vestes!", agradecia.

    Bergil enrola os trapos dos wargs em um pacote e carrega consigo. Iria dar um fim naquilo logo, ou jogar fora ou entregar para algum curtidor aproveitar o couro para algo mais simples.

    A situação deste povo era precária, tinham diversas necessidades, a esperança já se esvaía, mas eles persistiam em continuar vivendo. Nem nos ermos que Bergil tanto conhecia as condições eram tão precárias assim. Mesmo Harad era uma terra seca e imprópria, mas haviam recursos escondidos. O mesmo não se pode dizer aqui, além das larvas, minhocas e besouros que parecem ser a única fonte de alimento abundante por aqui.

    Ante ao pedido da senhora, Bergil responde: -"Estou ao seu dispor, senhora. Vivi muito tempo nos ermos, em regiões inóspitas e perigosas. Talvez consiga trazer meu antigo conhecimento para estas terras e ajudá-los. É o mínimo que posso fazer em retribuição por salvarem minha vida! Ou pós-vida, não sei ainda ao certo como dar um nome para esta situação!", se aproxima do mapa ao lado de Arthur e nada diz, pois ele já fez  todas as perguntas que Bergil tinha curiosidade.
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    Rumores ao Redor da Fogueira Empty Re: Rumores ao Redor da Fogueira

    Mensagem por Lnrd em Sex Jan 10, 2020 9:55 am

    Rumores ao Redor da Fogueira Maxres11




    "E ele, estando livre, reuniu novamente todos os servos que conseguiu encontra e chegou às ruínas de Angband. Ali, voltou a escavar seus enormes salões subterrâneos e calabouços; e, acima de seus portões, ergueu os picos tríplices das Thangorondrim, e uma densa nuvem de fumaça escura os envolveu eternamente. Ali multiplicaram-se suas hostes de feras e demônios; e a raça dos orcs, criada tanto tempo antes, cresceu e proliferou nas entranhas da terra. Caía agora sobre Beleriand uma sombra escura, como será relatado a seguir. Em Angband, porém, Morgoth forjou para si uma coroa de ferro e se intitulou Rei do Mundo”. (Tolkien, Quenta Silmarillion)


    A velha deteve o movimento, suspendendo no ar aquele instante fragilmente equilibrado entre a apreensão impotente de quem vê um desastre se formando e a curiosidade parental de quem observa uma criança aprendendo uma lição. Tinha a atenção voltada a Arthur e ao mapa ao qual ele se atirara. “Barin do Sul”, limitou-se a dizer, ajudando-o a localizar onde encontravam-se naquela hora de dúvida e confusão.

    Rumores ao Redor da Fogueira Mapa10


    Fosse um mapa mais rico, provavelmente teria visto algo, mesmo que se limitasse àquilo que a senhora já havia estudado e notado. Mas a cartografia ali inscrita era precária, limitada. Na verdade, as linhas bem marcadas no couro pareciam novas, como se a manufatura daquele guia ainda precisasse progredir mais: mostrava o desenho geral daquelas terras, aludindo a acidentes geográficos mais marcantes e indicações dos principais territórios, nomes que em nada lembravam a formas comuns ao idioma geral com o qual estavam acostumados. Não incluía reinos, cidades e não deixava antever florestas, talvez pela incerteza da persistência delas; ou quem sabe por de fato terem elas já passado.

    Mas tudo aquilo era secundário. A tentativa de compreender a região levara o mestre cervejeiro a reparar em como a Costa dos Penhascos espelhava estranhamente as Montanhas Sombrias; assim como a formação de Erin era uma cópia gêmea à de... de Mordor.

    Se tal dedução estivesse correta, então Eriador estava... .
    - Como havia dito, o mundo mudou, meu caros. Bem antes de toda essa confusão.

    Quem também se debruçara com certa curiosidade fora Ignastácia. Talvez apenas por um sentido prático – não havia visto até então aquelas notas? –, ou não. “Nossa amiga veio de Argoliath, um dos reinos do Leste de Galot”.
    - Seu mapa é estranhos, muito para o Oriente. Falta muita coisa pro Leste. E é “Kalloth”, não “Galot” – corrigira, talvez mais numa demonstração de diferença cultural.

    Não muito antes da vertigem daquela virada inesperada nos rumos, a mulher havia respondido de maneira cortês à dupla de renascidos. “Sou bem velha. Talvez até demais. Já me chamaram de muita coisa”, apontara, numa risada nostálgica. “Axcelandria é como sou conhecida entre os daqui. Ou ‘Axcelia’. E... isso? Apenas arrumando uma das carroças”.
    - Podemos conseguir umas espadas simples, talvez um arco e cotas de couro entre os refugiados – Acrescentara a soldada, enfatizando que não teriam a sorte de contar com as coisas dela pelo resto da jornada. Provavelmente vinham de forjas perdidas na lonjura das próprias terras. Sob quais condições havia atirado-se naquela longa senda?

    Permitira-os tempo para o processar daquela peça que tinham em mãos, informações de digestão amarga. Mas logo vira a necessidade de detalhar mais o que ocorria.
    - O Mar de Líras é... era o ponto em que convergiam vários povos, numa intensa rede de comércio. Mas como a distância sempre acaba valorizando mais qualquer produto, a parte que representava maiores lucros era a que escoava, ou que chegava pelo mar. Importações e exportações de longa distância. Bem, dá pra ver que a costa não é exatamente próxima... .

    Da Terra-Média de outrora, não havia mais sombra. O que teria sido de Minas Tirith, apenas túmulos sobre os quais reino após reino foi erguido camadas acima? E os Portos Cinzentos, viveriam sob as águas salgadas ou já teriam sido dissolvidos nelas? Do antigo reino de Sauron, terras desgraçadas por corrupção, teria alguma vida voltado a brotar?
    - A Baía de Mil Reinos reunia os portos mais importantes que já se viu, barcos partindo e atracando de todas as direções, todos os dias. Mas... veem o rio que liga os dois, o Águafunda? Veem que se bifurca e se junta novamente bem aqui? Loth do Sul, a Cidade de Três Margens, e Alta Loth, a Cidade das Pontes. Controlavam todo o fluxo, enormes potências militares e vizinhas. Uma foi reduzida a ruínas, salvo por observadores que espionam o movimento. A outra agora é uma terrível cidadela de deform... bem, vocês devem estar familiarizados com outro nome. Orcs.

    Explicara que a gente do acampamento vivia numa vila razoavelmente escondida ao sul, disfarçada entre morros e uma densa mata. Mas tal cobertura se esvaíra, e os batedores de Morgoth finalmente os encontraram. Tiveram de fugir às pressas, juntando apenas o essencial, como os barris de criação.

    Naquele momento ela parou, focando nas linhas e formas à frente, esforçando-se para usá-las como isca ao revirar o baú da memória em busca de alguma informação. “Terras Castanhas. Era assim que chamavam onde estamos agora, à margem do extinto Grande Rio, o Anduin, do qual nem rastro sobrou... Entesposas vagaram por aqui faz muitas eras...”. Ao dizer aquilo, um sorriso invadiu-lhe a cara. Era curioso o como a velha parecia erudita naquelas coisas dum passado aparentemente perdido. Mencionara que criaturas como elfos etc. haviam sido totalmente esquecidas. Teria sido uma sábia arquivista ou talvez parte dalgum monastério que ensinava a filhas e filhos de governantes?

    Voltando a si, dispersou aqueles devaneios, decidindo voltar ao que importava ali, a missão.
    - Não podemos voltar na direção do rio. É muito perigoso, tropas marchando sem cessar. Mas podem existir córregos menores, daqueles que só notados em mapas locais. A noroeste daqui vimos os restos de uma floresta, espinhos retorcidos. É o único local próximo onde não pudemos avançar. Se aceitarem, melhor partirem o quanto antes. Amanhã cedo.

    Axcelandria parara, pensando nalgo. “Talvez Rossengwen devesse ir junto”. Ignastácia franzira o cenho ao escutar aquele nome, como se não soubesse de quem se tratava. “Encontraram-na enquanto você estava fora. Ela não é uma Filha dos Homens”.

    Amanhã cedo. As palavras pareciam vazias quando o céu era uma mancha apagada.
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    Rumores ao Redor da Fogueira Empty Re: Rumores ao Redor da Fogueira

    Mensagem por Christiano Keller em Sab Jan 11, 2020 2:09 am

    Arthur Blackbeer,

           As palavras da velha deixaram Arthur sentido, mas ver o mapa e reconhecer partes de terra da sua época o abalou mais do que esperava. Aquele era ou será seu mundo de agora em diante. As cadeias de montanha onde ficava Mordor, Gondor e tudo o mais estavam lá, resistiram ao tempo.

           Ao passar a mão pela cadeia de montanha Arthur indaga:
           - Aqui é um lugar perigoso? Talvez lar dos Orcs? Arthur apontava para Mordor. Talvez aqui também, aqui, aqui e aqui. Uma série de locais é apontada para esclarecer onde seria seguro ou não para ficar por ali.

           Por outro lado a localização de Gondor passa pela mente de Arthur, assim como locais seguros:
           - Nesta trilha de montanhas ficava uma grande cidade esculpida na rocha, sabe algo sobre ela? Era onde ficava Gondor. Deve ter sido destruída também. Estes locais são seguros? Assim como aqui, aqui e aqui? Arthur apontava locais talvez desconhecidos apenas para se localizar. Não queria fugir para dentro do território inimigo.

           Após ver o mapa e tudo, Arthur completa:
           - Vamos nos preparar, vou arrumar um local para fazer a primeira vigia e depois dormir. Devemos partir amanhã com arcos, flechas e alguma espada. Arthur estava preocupado, sua cerveja deve ter desaparecido do mundo. O que era um mundo sem cerveja?
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    Mensagem por Pikapool em Sab Jan 11, 2020 4:59 am

    Fëanya ná úpalpima, orenya ná úrácima!
    Observava tudo ao fundo. Estava curiosa para poder dar uma boa olhado sobre aquele mapa que eles tanto analisavam. No entanto, mantive-me onde estava, mas já estava impaciente mordendo os lábios e com as pernas inquietas ora ou outra ariscava um passo adiante, mas logo recuava.

    Sem que eu esperasse, a senhora se manifestou anunciando meu ser, quase de imediato rumei até onde todos estavam. Creio que antes de qualquer ação, eu tenha dado uma boa olhada naquele mapa. Porém, logo dirigi-me ao grupo:

    - Le suilon! - Reverencio-os. - Chamo-me Rossengwen. Prazer em conhecê-los.

    Após as formalidades, volto minha atenção para o mapa e observo-o com mais calma tentando aprender mais sobre a geografia desse lugar mais do que desconhecido para mim.
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    Mensagem por Gelatto em Sab Jan 11, 2020 9:51 am

    BERGIL

    Bergil olhava para o mapa enquanto a velha senhora, agora Axcelia, explicava os locais. Havia sim uma familiaridade com os mapas da Terra-Média da biblioteca de Minas Tirith e dos salões de Valfenda, mas o leste nunca fora totalmente mapeado - os que tentaram vagar pelo leste nunca se teve notícias-, e este mapa avançava muito para o leste. Bergil engole seco ao perceber que Eriador não mais existia, apesar de algumas ilhas, longe do local original de seu povo no Angle.

    Gondor do Sul não mais estava registrada e de Gondor do Norte sobrara apenas suas altas montanhas, bem como todas as demais montanhas, tão altas que o mar não as cobriria tão facilmente. E Mordor ainda persiste, apesar de tudo, resistindo às mudanças do mundo. Também não há florestas marcadas. Da grande Floresta das Trevas sobrara também apenas suas montanhas. Nem o Anduin sobrevivera ao fim do mundo.

    -"A curiosidade de Arthur sobre estes lugares, covis de orcs e lares do povo livre, é a mesma que a minha. Lembro que haviam também quatro clãs de anões que viviam a leste de Rhûn, talvez nesta região?", falava, apontando as montanhas a leste de Danis e Lakma.

    -"Pode contar com minha ajuda para encontrar água e um lugar seguro para seu povo, Axcelia!"

    A sugestão da velha em levar mais uma pessoa e a entrada repentina da elfa fez Bergil se lembrar do elfo que acordara com eles naquelas planícies agourentas e não tivera a mesma sorte que Bergil e Arthur.

    - Le suilon! Chamo-me Rossengwen. Prazer em conhecê-los.

    -"Prazer, me chamo Bergil, do povo do rei Arador e amigo-dos-elfos de Valfenda. Havia um elfo conosco quando neste lugar acordamos, mas ele se perdeu em algum momento. Estou mais aliviado em poder contar com a sabedoria do seu povo neste momento de incertezas!", dizia, fazendo uma pequena cortesia colocando a mão direita sobre o peito esquerdo e inclinando levemente o corpo para a frente.
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    Mensagem por Lnrd em Sex Jan 17, 2020 4:49 pm

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      Data/hora atual: Sab Ago 08, 2020 12:17 am