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    Prelúdio - O dilúvio de fogo

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    Mensagem por Lnrd em Qua Fev 12, 2020 6:12 pm

    Prelúdio - O dilúvio de fogo D2560d10


    Ano Zero. Dia Um. Ou ao menos assim poderia ser contado sob a precariedade daquele teto, uma vez que o mundo tal qual o conheciam findara naquela exata data. Para o bem ou para o mal.

    “Isso é loucura! A gente vai morrer!”, bradara um irmão mutante qualquer, cerrando o punho do último de quatro braço que lhe sobrara contra aquela ideia temerária. “A gente vai morrer aqui, idiota!”, obtivera como resposta cuspida por uma voz rouca mal terminara a frase.

    Noutra ponta, uma nova discussão: “Tudo o que construímos a vida toda tá aqui, nossas casas e tudo o que a fizemos com o nosso suor”. Uma rápida olhada revelava que, afora curiosos “blocos”, a maioria das acomodações era de barracos insalubres, improvisados com restos de metais enferrujados, lonas plásticas e outros cacarecos - lares dignos apenas para quem nem ao menos conhecia outra opção.
    - Coisas. São só coisas...
    - Ah!, cala sua boca, imbecil... – e assim prosseguia intensa a assembleia de partida, parte da população relutando em sair, parte clamando por ação.

    Tratava-se de um enorme galpão subterrâneo que abrigava mais de 200 “pessoas”, todas entre o fim da adolescência e o da juventude. Todas dependuradas umas sobre as outras. Fora, apenas um deserto de pedras e areias vermelhas, fervente durante o dia e gélido à noite.

    Abutres disformes e cactos venenosos enfeitavam macabramente a paisagem pontuada por restos de civilização, iguais a placas sinalizando morte por toda a parte.

    Prelúdio - O dilúvio de fogo Fe022c10


    A vantagem daquele lar abaixo do solo era a temperatura tender a manter-se constante, não só pelo estado de sombra permanente, mas pelo resfriamento promovido pela rocha. O ar, entretanto, era apenas porcamente renovado por um sistema falho, havendo nele um “ranço” qualquer misturando cheiro de mofo, suor, podre e banheiro. Ainda assim, era preferível ao clima exterior.

    Era também escuro, apesar das saídas superiores abertas durante o dia. Na verdade, as áreas onde incidia maior quantidade de luz eram reservadas a pequenas plantações, mas o resto dependia do resto de claridade e de fogo – o que gerava o incômodo da fumaça.

    O maior bem coletivo que possuíam era um antigo sistema de filtragem atmosférica e reciclagem de água, capaz de tratar e separar até a parte líquida de detritos sólidos. Como se dizia, bebia-se mijo e o resto da bosta alimentava as colheitas que conseguiam cultivar. Até os mortos passavam por esse processo, profanados para garantir a vida dos que ficavam.

    Não era o suficiente, mas era ao menos algo para complementar a ração, mistura seca e de gosto horrível que o povo do passado havia deixado para trás em grandes quantidades, ninguém sabe bem o motivo. Mas expedições para se encontrar mais eram cada vez mais arriscadas e distantes, quando não infrutíferas.

    Não se podia esquecer da câmara de descontaminação, única forma de livrarem a si e àquilo que encontravam dos efeitos nocivos da radiação.

    Havia, de todo o modo, um equilíbrio delicado em jogo. Todo mundo ia morrer. Todo mundo. Uma hora ou outra. O que era “normal”. Mas ninguém ali tinha a promessa de um envelhecer tranquilo. E alma alguma deixaria legado, sem crianças nascidas de úteros inférteis fazia muito, muito tempo.

    Não tinham outros parâmetros, então não era realmente possível definir o quão ruim era a Arca, também conhecida como “HangadeTestes05”, apesar de pouca gente ali conseguir ler os vários brasões onde via-se tal símbolo. Porém sentiam inveja, e algumas acomodações pareciam melhores, mais protegidas e mais privadas. Igualmente, eram fustigados pela dor da fome e dos males não tratados. Sem falar daquela provocada por explosões de violência que colocavam vizinho contra vizinho, não raramente alguém que se amava anteriormente. Todos lá eram uma grande família e, como tal, a convivência muitas vezes levava a conflitos por coisas grandes e pequenas. Acima de tudo, era evidente que, quanto menos comida e água, mais as coisas ficavam difíceis. E tudo estava efetivamente piorando.

    Aquela máquina diante da qual se reuniam agora – “O Projeto”, como chamavam – era uma esperança e uma miragem sedutora. Prometia ser capaz de arrastar atrás de si outras estruturas sobre rodas. Alguns achavam que as coisas eram mais suportáveis sem sonhar, sem desejar o impossível. Outros, ao contrário, que só se valia a pena continuar se houvesse algo no horizonte para além de definhar em sofrimento.
    - Quebrem essa porcaria e acabemos com isso! – gritara alguém, e os ânimos ameaçaram fugir ao controle. Paus e pedras contra uma lataria facilmente encontrariam carne e osso de quem tentasse impedir aquilo. Um massacre podia eclodir a qualquer momento. Mas a Anciã interviu.
    - Crianças da Arca, acalmem-se! Sei que o momento é difícil, mas a desunião só nos colocará num caminho ainda pior.

    A velha parecia mais idosa que o de costume. Abatida, doente, fraca. E os urubus percebiam isso. Um murmúrio sobre quem assumiria o comando após a passagem dela era ruminado pelos cantos. Aquelas mudanças todas eram drásticas demais, com tudo se transformando numa velocidade assustadora. Alguns viam ali uma brecha para se impor e estabelecer novas regras e relações de poder. Mas, por enquanto, Artêmis ainda era a “líder”, ou melhor, a “conselheira”, uma vez que nem sempre era “obedecida” por filhas e filhos de criação.

    “Escutem”, clamara, ao que começara uma longa rememoração sobre o como os Antigos haviam legado aquele lugar, os estoques de ração, o filtro e o descontaminador. Além, como haviam visto, “O Projeto” – uma estranha fornalha gigante sobre rodas – finalmente, após anos de tentativas, fora posto em funcionamento. Era chegada a hora de partirem. O Éden esperava.
    - Sim, quando morrermos – resmungara alguém ao lado de Priscila, mastigando uma lasca de madeira.

    Mesmo entre quem havia aceitado tentar a sorte, havia reclamação. Entre elas, a questão das acomodações: desde sempre existira a divisão entre quem vivia “casas de luxo” e nos “casebres”, havendo certo status em viver nas estruturas de ferro – vagões – estacionados lá dentro. Isso porque incluíam camas, armários embutidos e portas. Mas agora tudo virara de pernas para o ar, uma vez que os espaços teriam de ser divididos não só com outras pessoas, mas com qualquer coisa útil que se conseguisse carregar.
    - E você? Consegue ver algum futuro para isso? – questionara alguém a Izu, esperando obter algum conforto naquele momento de dúvida.

    Não muito distante, um dos membros da "microgangue" de Heckyl reclamava das acomodações conseguidas. "É um cubículo, de quê? Dois metros por um e meio? Pro três pessoas?!?". Aquela seria a realidade de quase - quase - o comboio inteiro. Como um trem de passageiros, os quartos ser resumiam a uma beliche embutida na parede de um lado, como uma cama e um armário, igualmente fixos, do outro. Isso é, afora as gavetas sob as camas inferiores.
    Por sorte, conseguiram um cubículo ao lado do outro, o que seria o suficiente para todos os membros atuais.

    Era justo atrás de um desses móveis que Mutt, noutra parte da estrutura, encontrara um canto para esconder as coisas dele. Se tivesse sorte, conseguiria que os atuais "colegas de quarto" aceitassem trocar de lugar com alguém que ele confiasse mais.

    No total, encaixe pós encaixe, a lendária serpente metálica era composta por uma locomotiva e dez outros vagões, cada um com funções definidas que iam de galpões de carga a banheiros e dormitórios. A melhor parte é que não precisava de trilhos, contentando-se com terenos razoavelmente planos - rodas poderosas, entretanto, eram capazes de se arriscar até por áreas mais acidentadas, com tanto que largas o suficiente para a passagem daquele monstro.

    A questão principal era: rumo a quê?

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    Mensagem por Bravos em Qui Fev 13, 2020 4:00 pm

    - O passado é uma roupa que já não serve mais. - Disse a sábia ratazana que olhava para aquele maquinário misterioso. Ele sabia que algo dos antepassados iria levá-los para um novo futuro. Era quase como uma confirmação de tudo que ele imaginava, por isso, era um dos que apoiava a ida em direção do desconhecido.

    - Sentar e esperar a morte bem acomodado não é exatamente uma opção corajosa. Se vamos todos morrer, que seja tentando arranjar algo melhor para nós. - Ele já era velho, não tão quanto a anciã, mas as coisas já lhe custavam e ainda assim ele amava menos o status quo que a maioria dos que estavam ali. Não se achava melhor por isso, mas evidentemente via mais longe, tinha que convencê-los que valia a pena.

    - Fora isso, acho que é melhor nos acomodarmos logo, antes que sobre apenas um banheiro ou no pé do motor. - E dizendo aquilo começou a adentrar na máquina, já trazia consigo seus poucos pertences e no melhor estilo early adopter, começou a caçar um lugar onde poderia se instalar.
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    Mensagem por Katerine Le Blanc em Qui Fev 13, 2020 5:12 pm

    Heckyl já estava cansado de ver sua gangue reclamar de tudo, porém, antes que conseguisse se explicar um de seus membros logo reclamava do local que o mesmo havia escolhido.

    — Se não está satisfeito então cai fora, mas depois se voltar atraz eu não vou permitir que você entre aqui! - Heckyl era firme e não demonstrava nenhum tipo de sentimento naquele momento com pessoas que reclamam de mais, porém, decidiu ver os outros membro e ajudar aqueles que mais precisavam.
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    Mensagem por Dycleal em Qui Fev 13, 2020 6:39 pm

    Priscila acredita na Anciã e em Izu e eles falaram que precisam partir, é a hora, e para ela a opinião deles lhe basta e fica ao lado da mãe anciã, fazendo uma cara de poucos amigos para quem retruca a sua fala, parecendo dizer com a face que se alguém quer ficar, ele pode fazer o favor que essa decisão seja bem definitiva e isso é o suficiente para controlar um pouco as coisa.

    Ela fica atenta, e apenas observa o entorno da sua mãe, pensando na sua segurança e quando vê o pai Izu, adentrar para a lata velha que os levará para o paraíso onde está seus pais, ela sussurra para para sua mama: - Izu, já foi, vamos acompanha-lo mamazita.
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    Prelúdio - O dilúvio de fogo Empty Mutt, o sucateiro

    Mensagem por Alakazam em Sex Fev 14, 2020 12:31 am

    "Mas que ideia idiota", resmungava enquanto ajeitava apressadamente seu pequeno tesouro no melhor canto que encontrara. "Que grande ideia idiota." Estava estressado porque, de repente, como se fosse a coisa mais inteligente a se fazer, todo aquele povo condenado decidiu, por ordem do ser vivo mais caquético do planeta inteiro, se enfiar em uma máquina de ferro e sair rodando por aí como se fosse chegar à terra prometida. "Comida à vontade, ar respirável, camas confortáveis, como podem ser tão burros a ponto de crerem nessa conversa fiada?" Mutt, como era chamado, sabia que tudo aquilo não passava de um suicídio coletivo. A velha de algum jeito colocou na cabeça da maioria (maioria mesmo?) que seria melhor morrer tentando encontrar um lugar melhor do que ter uma vida mais longa em um lugar horrível, mas Mutt não pensava dessa forma. Sabia que os mortos não seriam mártires recordados; e sabia que os vivos não gozariam por muito tempo do que quer que encontrassem do outro lado. Em outras palavras, tudo isso era, na melhor das hipóteses, uma inspiração final; como a de um aleijado que em troca de cinco minutos sobre duas pernas funcionais daria todo o oxigênio de seus pulmões.

    [...]

    Se bem que, pensando nesse assunto, não seriam mesmo cinco minutos no Éden infinitamente mais valiosos que cinco anos na "HangadeTestes05"?

    Mutt pôs-se de pé para averiguar como estava a discrição de seu pequeno esconderijo (genialmente ocultado) enquanto respondia a si mesmo: "Não, de jeito nenhum, não para mim." Porque aquilo que valia todo o restante de sua vida não era esse Éden de que todos falavam. Por outro lado, com triste esperança, "...já se fossem cinco segundos com ela..."
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    Mensagem por Lnrd em Ter Fev 18, 2020 6:48 pm

    Prelúdio - O dilúvio de fogo E60f8310


    Sob a tensão do conflito, o concílio da Arca prosseguia, lados antagônicos mediados pela autoridade agonizante da “grande mãe”. Mas, como em qualquer debate, havia um “terceiro lado” a considerar – um que sempre tendia a ser o maior –, o de quem “não sabia ao certo”. A massa que preferia não se envolver diretamente nos assuntos, não tendo, assim, uma opinião mais precisa. Seguiriam, num comportamento de rebanho, a parte que despontasse como liderança.

    Mas a escolha ali – como na vida em si –, era apenas uma ilusão. O estoque de ração chegava a um ponto preocupantemente baixo e, a não ser que algo drástico acontecesse, o enorme “trem” multiterreno sairia do bunker naquele dia de uma forma ou de outra. E quem ficasse para trás seria abandonado à própria sorte, às portas da morte – o purificador de água já estava embarcado.

    O maior empecilho era a incerteza em si. O Éden era um assunto sobre o qual todos os ouvidos haviam escutado e todas as cabeças possuíam opinião diferente. Um grande jardim não afetado pela destruição total ou uma cidade futurística da qual a morte fora banida? Um complexo abandonado, esperando pela chave que o reativaria, ou uma nova sociedade reconstruída das cinzas, farol e exemplo a um mundo à beira do precipício? E havia quem esperasse ainda mais. Tesouros? Poder? Que maravilhas abandonadas poderiam encontrar em meio a túmulos que corriam como campos de trigo por toda a superfície?

    Ninguém sabia nem ao menos o como e o quando a situação chegara àquele ponto. Poderia ter sido faz 50 ou 500 anos. Havia quem acreditasse que a danação viera das nuvens, armas infinitamente descomunais, enquanto crenças como a de pragas navegando pelos ares ou outros cenários igualmente ruins eram versões correntes. A maioria coincidia em colocar a culpa nas mãos da própria humanidade. Mas quem saberia?

    Em meio ao resto do povo, talvez por não ter entendido, ou quem sabe por discordar, a figura que questionara Izu olhou estranho àquela afirmação. Todos sabiam que o "rato" tinha habilidades estranhas mesmo para os padrões gerais. E nem todo mundo as via com bons olhos.

    Os vagões era quase todos duplos, à exceção da própria locomotiva, ocupando por si só o espaço todo. Todos os dormitórios eram nas partes superiores, o que incomodara bastante quem possuía habilidades motoras fora do padrão. Mas não havia a quem reclamar. A solução era vencer os degraus ao lado das portas. E que escadas: posicionadas por fora das estruturas, por mais que envoltas por um cercado, eram expostas ao vento. Subir aquilo com tudo em movimento seria suficiente para disparar pânico em muita gente.

    Prelúdio - O dilúvio de fogo Dormit10


    “O certo era diminuir a quantidade de bocas”, dissera um dos capangas Heckyl. “Com pouca gente, o que ainda tem guardado e a horta dava até pro fim da vida”. O cálculo estava certo. Cinco pessoas consumiam bem menos que 200. Simples assim. “Começa pelos doentes e quem fizer coisa errada”. Depois? “A gente sai no pau pra ver o último em pé. Tipo uma arena”.

    Uma movimentação de despedida começara a se espalhar entre alguns grupos, os quais achavam que quanto mais cedo, mais fácil seria se acomodar. Como de se esperar, aquilo acabara atraindo outras pessoas e, logo, havia gente se estapeando e pisoteando para entrar. Nada fora do esperado para uma comunidade como aquela.

    Prelúdio - O dilúvio de fogo F0a65f10
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    Prelúdio - O dilúvio de fogo Empty Tá bem, mas e agora?

    Mensagem por Alakazam em Ter Fev 18, 2020 11:33 pm

    Terminando de ajeitar seus pertences no esconderijo que, apesar de insatisfatório, era o melhor que Mutt conseguiria dentro daquele quarto minúsculo, ele finalmente teve tempo para observar a situação daquele lugar. "Não sei por que as pessoas invejavam quem vivia nisto aqui. Mal existe espaço para uma terceira cama." Além disso, Mutt sabia que teria de compartilhar aquilo com outras duas pessoas. Outras duas pessoas que não confiariam nele e em que, na certa, ele tampouco confiaria. Mas podia ficar pior: e se fosse um peludo fedorento? Ou um alado atrapalhado, ou um inconveniente que não desgruda de seu cão? Na verdade, eram poucas, talvez pouquíssimas, as pessoas que teriam sequer uma presença tolerável para Mutt.

    A verdade é que ele já se ajeitara ali desde cedo justamente para ser o "veterano" do quarto. Quem chegasse depois não veria o lugar vazio: veria o lugar de Mutt, que estaria alocado na cama da direita como quem se aloca em seu trono, e ocupando o armário sob ela. Os inferiores teriam a beliche. Sobre esta, aliás, ele até cogitara, a princípio, pegar a parte superior, de onde ele poderia ser menos observado, mas a simples noção de dividir a cama lhe dava calafrios, e quem quer que fizesse isso seria inferior em relação àquele que dormisse sozinho.

    Era Mutt quem dormiria sozinho.

    Mas ele ainda não sabia que tipo de pessoa seria naquele comboio. Até então considerava pequenos furtos um meio viável de vida, mas quartos daquele tamanho não permitiriam invasões na surdina, e talvez a sua filosofia de "não ajudar e não ser ajudado" também deixasse de fazer sentido se seria obrigado a conviver com outros dois daquela forma. Por outro lado, alguém que pensa desse jeito sequer teria a chance de ser um "cidadão correto"? Só enquanto não houvesse uma oportunidade do contrário, certamente... e Mutt sabia criar essa oportunidade.

    "É isso. Mutt segue no grande talvez da vida. Agora é só ficar aqui e esperar pelos ilustres 'colegas de quarto'."
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    Mensagem por Bravos em Sab Fev 22, 2020 10:48 pm

    Izu escolheu um vagão no meio e dentro do vagão, um quarto mais ou menos no meio. Pontas chamam atenção. Tem bastante movimento. Há um certo conforto em não ser importunado. Depois que colocou seus pertences no local adequado. Voltou para o corredor. Ajudou uma ou outra pessoa e conversou com outras. Era importante lembrá-las que as respostas já estão dadas, basta apenas fuçar o bastante para encontrá-las. - O seguro muitas vezes nos engana, nos deixa fixados como as rochas. Mas nós somos mais que isso. E nós precisamos de mais coisas que as rochas. Avançar é preciso! Não é porque nos deixaram tudo desgraçado que precisamos nos contentar com isso. - Dizia enquanto caminhava pelo corredor, já estava passando para o próximo vagão. Queria saber também onde outros colegas haviam se fixado. A grande anciã, evidentemente, e Priscilla, eram os primeiros que procurava, pois sabia que elas precisariam de todo auxílo.

    Mas seus olhos também procuravam por Heme e por Mutt. Pois sabia que ele precisaria do auxílio deles. Por fim, havia também Heckyl que estava precisando lidar com seu próprio bando e que com certeza ia trazer alguns atritos para aquela empreitada. Era bom estar de olho.

    A qualquer momento estariam saindo e finalmente a jornada começaria.
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    Mensagem por Katerine Le Blanc em Dom Fev 23, 2020 1:16 am

    Assim que Heckyl ouvia outro homem logo avançava no mesmo com violência. — Você acha que eu sou idita ou o que? Você teria coragem de fazer isso com pessoas doentes? - O mesmo não esperava nenhuma resposta e logo ele o soltava. — Você vai ficar sem comer já que é isso que dizia, as comidas devem ser servidas com prioridade para os feridos, os doentes e as crianças, não satisfeitos podem ir embora. - Heckyl poderia parecer seco em suas palavras, porém, era solidário e justo.
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    Mensagem por Dycleal em Qua Fev 26, 2020 9:05 pm

    Priscila acompanha com os olhos a trajetória de Izu e ao mesmo tempo protege o corpo frágil da anciã e devagar progridem pelo corredor, afastando a turba a sua volta com firmeza e cada vez mais o velho homem rato se afasta e a garota diz para sua mamazita: - Vamos nos apressar, Izu, já entrou na sua cabine, precisamos ficar juntos para que eu possa protege-los.
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    Mensagem por Lnrd em Qui Fev 27, 2020 12:37 pm

    Prelúdio - O dilúvio de fogo C7c45210


    O capanga resmungão diminuíra, amuado, não retrucando o “carão”. Os outros apenas observaram, anotando a lição – e o que quer que tivessem aprendido, só o futuro mostraria.

    Era um grupo de tamanho razoável naquele universo, doze capangas prontos, ou quase, para obedecer. Quando a velha morresse, será que Heckyl teria força para tomar o lugar dela? Não era o único núcleo de poder ali, e isso logo logo se tornaria mais evidente.

    Mutt seguia com aquele humor peculiar pelo qual era conhecido, rabugencia que o afastava de irmãs e irmãos em geral. Devia ter seus motivos. Crescer no apocalipse não era um ambiente muito “saudável”, ainda mais quando bullies possuem “superpoderes”.

    Aguardava para saber com quem dividiria o resto dos dias... ou se teria a sorte de conseguir um quarto vazio na matemática daquela viagem: estavam abaixo da lotação máxima e a quantidade de quartos vagos tendia a crescer com o tempo.

    Izu continuava fazendo o que sabia de melhor, aconselhar. Como Heckyl, talvez fosse apontado como substituto da “mãe de todos”. Se tal momento chegasse, ambas as figuras formariam uma aliança ou estariam em lados opostos, batalhando por poder e sobrevivência?

    A última peça, Priscila, tentava conduzir a Anciã em meio à confusão escalante. Entraram em segurança, porém ela não parecia ciente de todos os planos em curso.
    - Pronde tá indo? – Questionara um dos arquivistas – O quarto da Anciã é lá na frente, as coisas dela já estão lá – E trazia a planilha de controle como se fosse uma “bíblia”.


    VAGÕES
    [“a” = piso inferior / “b” = piso superior]

    1ab - Locomotiva
    2a - Água
    2b - Combustível
    3a - Despensa
    3b - Escritórios
    4a - Vagão de Refeitórios Individuais
    4b - Vagão Quartos de Luxo
    5a - Cozinha
    5b - Vagão Dormitório Simples 1
    6a - Vagão Refeitório Comunitário
    6b - Vagão Dormitório Simples 2
    7a - Banheiros
    7b - Vagão Dormitório Simples 3
    8a - Carga
    8b - Vagão Dormitório Simples 4
    9a - Enfermaria
    9b - Vagão Dormitório Simples 5
    10a - Carga
    10b - Carga
    11a - Carga / Descontaminação
    11b - Carga


    Abaixo, outras curtas anotações:

    ÁREAS RESTRITAS – SOMENTE PESSOAL AUTORIZADO
    - Locomotiva: ocupa os dois andares.
    - Estação de Tratamento de Água: tem canos (rígidos e maleáveis) interligando toda a circulação de água e outros dejetos (atentar a vazamentos).
    - Combustível: qualquer coisa que queime (coletar o que for possível através da Zona).
    - Despensa: armas e outros equipamentos – quarto da Anciã.
    - Escritórios: salas multiuso (reuniões, Câmara do Amanhecer, arquivos...).
    - Carga (10b): estoque de ração.

    ÁREAS LIVRES
    - Vagão de Refeitórios Individuais: 18 cubículos com 1 mesa para 4 pessoas cada (72 lugares).
    - Vagão Refeitório Comunitário: 14 mesas para 12 pessoas cada (168 lugares). Somando os refeitórios, há espaço suficiente para a atual lotação, não precisando de revezamento de cadeiras.
    - Vagão Quartos de Luxo: 10 quartos para 1 pessoa cada (sorteados entre “famílias” etc.).
    - Cozinha: espaço para produção em larga escala (mas não temos material).
    - Vagão Dormitório Simples: 20 quartos de 3 pessoas cada (60 vagas por vagão / 5 vagões totalizando 300 vagas).
    - Banheiros: cubículos com chuveiro e vaso sanitário. Pias e espelhos coletivos.
    - Enfermaria: qual o relatório certo? A ou o B?
    - Carga: caso seja necessário, podemos dar outras utilidades a essas áreas.

    “Viu”, questionou. “Você pode tentar encontrar algum canto lá pelo quinto vagão, se ainda encontrar alguma coisa”, declarou, conduzindo Artêmis ao lugar dela.
    - Não se preocupe – dissera a mulher em um tom carinhoso – Mal nenhum vai me acontecer pela mão de minhas filhas e filhos. Vá sem preocupação.

    E com aquilo, despedia-se da relutante protetora, apostando a vida na confiança de que ainda havia fidelidade a ela.

    Prelúdio - O dilúvio de fogo 7d84ce10


    A despeito daquela movimentação, muita gente continuava recusando-se a aceitar o afundar do navio original. Não partilhavam da perspectiva contrária, a de que um novo barco era o que tinham a se agarrar para sobreviver às águas gélidas da noite. Uma nova Arca.

    Com o tempo, entretanto, ficava claro que não havia alternativa.

    Foi nesse contexto que alguém com uma marcante cara de cachorro dissera, numa voz cheia de incerteza e dúvida, uma palavra simples, porém marcante: fogo.

    No início, quase ninguém escutara ou prestara atenção. E quem ouvira não entendera de imediato a mensagem. “Fogo!”, repetira com mais urgência, a ideia finalmente preenchendo a mente.

    Qual as labaredas, aquele mantra espalhara-se rapidamente.

    Ao longe, numas palafitas bem acima do solo, miragens em vermelho, amarelo e outras cores começavam a dançar. O lugar era de acesso relativamente complicado, mas esse não era o maior problema: ninguém arriscaria usar o ouro sagrado – a água potável – para apagar o incêndio.
    - Areia! Precisamos de areia! – gritara, lembrando do treinamento para tais casos.

    Em meio ao pânico, aquele pedido morrera, abafado por um estrondo como nunca escutado antes. Era como a trombeta de um selo divino sendo rompida.
    - QUE PORCARIA É ESSA? – Gritara, assustado, um dos capangas de Heckyl.

    “O sinal de partida!” dissera alguém, e a manada repetira. A buzina havia sido acionada, deixando claro que entre salvar um lar abandonado e resguardar “O Projeto”, não se daria o direito da dúvida.

    Foi assim que a coisa voltou a andar.

    Prelúdio - O dilúvio de fogo 00bd8110
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    Mensagem por Bravos em Ter Mar 03, 2020 6:28 pm

    Ainda estava ajudando algumas pessoas quando viu a velha arca pegar fogo. Era aterrador e ao mesmo tempo um sinal. Pensou em gritar e anunciar aquilo, mas poderia ser terrivelmente mau interpretado. Uma sabotagem? Um meio de obrigá-los a ir? Não queria entrar nesse caminho perigoso.

    - Entrem, entrem! Dêem espaço para os demais entrarem. - Dizia ele à porta. Seguiu o caminho até onde sabia que ficava os aposentos da anciã. Queria falar com ela. Ou ao menos com Priscila, que seria o mesmo que falar com ela, indiretamente. Lá chegando bateu na porta, se o permitissem, ou então falou diretamente com o guarda:

    - Preciso falar com a anciã. Ou com Priscila, também serve. Precisamos perscrutar os indícios. Saber o que devemos fazer agora que partimos.
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    Prelúdio - O dilúvio de fogo Empty Ainda mais essa!

    Mensagem por Alakazam em Qua Mar 04, 2020 8:14 pm

    Quando a gritaria começou, pessoas desesperadas dizendo que havia fogo se espalhando, a primeira reação de Mutt foi levantar-se da cama em que se encontrava deitado com suas botas escuras e suas vestimentas negras de tons amarronzados.

    "Fogo? Aqui?" Sim, e não. Logo desobriria que se tratava de fogo em sua antiga casa, a "HangadeTeste05". A antiga casa de todos. Agora, sim, era definitivo que ninguém poderia permanecer: não havia mais onde ficar. E foi pensando nisso, e nos gritos, e em como eles se cessaram rapidamente deixando para trás apenas um murmurinho de sussurros confidenciais, que Mutt se deu conta do risco de perigo que se formava ali.

    É claro que a primeira coisa em que pensou fora que o incêndio havia sido criminoso. Era a suspeita óbvia: fogo, assim, espalhando-se dessa maneira e logo agora? Mas, seguido disso, ocorreu ao sucateiro algo que ia além de mera suspeita de conspiração: vozes se levantariam convencendo grande parte da cidade de que o fogo se tratara, verdadeiramente, de um crime planejado.

    Seria o primeiro passo para uma revolução aqui dentro. Gente pode morrer...

    Que não levassem Mutt a mal aqueles que julgassem essa preocupação nobre demais para o sucateiro. Ele podia furtar, ele podia ser egoísta com seus pertences, mas ignorar um possível início de motim, especialmente naquelas sinistras condições?

    O fato é que gente demais desacredita no Éden. Pessoas que desejam sobreviver acima de todas as coisas...

    "Inimigos demais, possibilidades demais..."

    Mas agora, o que fazer? Denunciar à velha gagá? Até onde sabia, ela podia ser a mente interessada no motim. Não conhecia com certeza sequer uma alma naquele meio que era sinceramente interessada no bem-estar de todos. Nem a velha, nem aquele rato, nem o doido do Rex. O próprio Mutt não era... Por outro lado, sabia com certeza das más intenções de uma pá de pessoas que estavam enfiadas no comboio; e sabia com certeza que essas pessoas não eram amigas suas.

    "Argh!"

    Sentou-se de volta à cama em que estava. Ficaria ali até seus companheiros de quarto aparecerem ou até ter certeza de que ninguém viria. Não adiantava fazer nada agora. Aquele comboio seria seu inferno...

    Nesse meio-tempo, no entanto... Mutt procuraria por uma chave naquele quarto. Talvez houvesse uma chave para trancar a porta. Ele seria o dono da cama solitária e também da chave!
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    Mensagem por Lnrd em Dom Mar 08, 2020 12:38 pm

    Prelúdio - O dilúvio de fogo E2b1ea10


    Fogo. Não só o de armas, mas o das febres. E o das chamas invisíveis. Cinzas. O mundo antigo, a terra das lendas – se é que uma vez existira – terminara em pó. Varrida.

    Não era sem ironia que, agora, o antigo abrigo fosse consumido de maneira semelhante.

    A maioria, independente de querer ou não partir, chorava. Era difícil encarar a visão terrível de labaredas lambendo o único lugar que conheciam como lar. Era um adeus dolorido, como atirar à força fotografias numa lareira.

    Mais que antes, as pessoas espremiam-se tentando entrar, ignorando pedidos de calma. Feridas e escoriações eram “vistos” de entrada.

    No início, tanto o incêndio quanto a locomotiva demoravam a engrenar. Agora quentes, ambos moviam-se rapidamente.

    Atravessaram a rampa de saída do abrigo subterrâneo, invadindo ruidosamente a noite através da grande escotilha, deixando para trás um forno infernal.

    Fazia frio do lado de fora.

    Prelúdio - O dilúvio de fogo Bfe1c310


    Apesar de não haver proibição quanto a sair, a maioria dos mutantes havia visto poucas vezes o mundo exterior, área perigosa e cheia de partes venenosas. Nunca se sabia. De toda a maneira, vê-lo por altas janelas era uma coisa impressionante, bela e amedrontadora. Uma grande imensidão, uma grande solidão. Era como um túmulo que chamava a que se deitassem e finalmente pudessem se ver livres de toda aquela vida de privações.

    O deserto seguia iluminado por baças estrelas e – por sorte – uma lua cheia clareando o caminho. Além, no horizonte, alguns pontos pareciam brilhar de forma estranha, como se algum tipo de energia emanasse de lá.

    Mas a ameaça externa parecia não ser a única.

    Prelúdio - O dilúvio de fogo 9f0a7810


    Spoiler:
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    Mensagem por Dycleal em Dom Mar 08, 2020 4:54 pm

    Priscila fica sem ação quando os arquivistas a separam da sua mama e por sorte, enquanto está nesta não ação, vê o "pai" Izu e o abraça como uma criança desamparada e depois diz: - Me separação da minha mama... Fique comigo, preciso dos seus conselhos... E com olhar faminto espera o sim do bom protetor.
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