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    A Marcha ao Oeste

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    A Marcha ao Oeste Empty A Marcha ao Oeste

    Mensagem por Lnrd em Seg Abr 06, 2020 11:12 pm

    A Marcha ao Oeste 85c46310




    "[...] eles ousaram penetrar nas regiões mais hostis do norte. E, não encontrando nenhum outro caminho, enfrentaram afinal o horror da Helcarax¨e os cruéis blocos de gelo. Poucos dos feitos dos noldor daí em diante suplantaram essa travessia desesperada em termos de dificuldade ou desgraças. Ali, perderam Elenwë, a mulher de Turgon; e muitos outros também pereceram. E foi com uma hoste reduzida que Fingolfin afinal pôs os pés nas Terras de Fora. Pouco amor por Fëanor ou por seus filhos tinham aqueles que marcharam sob seu coando e que soaram suas trombetas na Terra-média ao primeiro nascer da Lua". (Tolkien, O Silmarillion)


    O trajeto de retorno foi longo e penoso, um calvário assombrado pelo medo da morte de Bergil. Tinham de se apressar, enquanto ainda havia como salvá-lo, mas também precisavam avançar com cautela, não só para não piorar a situação dele, mas evitando um novo encontro com lobos, wargs ou o que quer se rondasse os descampados.

    Ao finalmente atingirem a base, arrastavam consigo um terrível pesar. Não apenas pelo ferido, o qual não possuía ali quem por ele chorasse, mas as expressões deixavam claro que haviam falhado.
    Nada de água.

    Os dias seguintes foram de apreensão e trabalho árduo: o desespero frente à ameaça de desabastecimento era contrabalanceado pela estranha história sobre mensagens de deuses antigos e desconhecidos. Muitos ouviam desconfiados os relatos do encontro com Eönwë, mas eram no fim pessoas, e pessoas tendem a se agarrar a qualquer esperança, por mais fantasiosa e pueril. Não demorara para que a preparação se iniciasse.

    Reunidos, o acampamento era mais numeroso do que se julgaria de início, tendo por volta de uma centena de almas. Parte disso se dava a um novo afluxo de errantes que esbarraram por lá quando Axcelandria e o resto lutavam na floresta, os quais “compraram” a estadia com as únicas moedas que valiam naqueles tempos: armas e comida.

    A maioria não passava de facões, ancinhos e outros instrumentos, mas também algumas lanças improvisadas de madeira, suficiente ao menos para uma falsa sensação de segurança. A carne que traziam era um defumado ressequido beirando o não-comestível, mas que bastava para manter o grupo novo sem pesar no racionamento previamente imposto. O importante, porém, era o como estavam fazendo aquilo. “Veem? Da forma de vocês, a durabilidade é muito menor”. E assim cerca de vinte caras se somaram e imediatamente puseram-se a trabalhar na “cozinha” dos nômades.

    Paralelo àquele arrastado partir, seguia o tratamento de Bergil. Sangramento estancado, pouco podiam fazer a não ser aguardar. Pelo menos a recuperação estava correndo melhor do que se esperava. “Não era tão grave assim”, comentara alguém durante o turno na vigília. “Essa gente já morreu. Não vai de novo tão fácil”, devolvera o companheiro. E o mesmo se dava à elfa e à ave, felizmente recuperando-se bem antes. Talvez Estë tivesse mesmo intervido.

    Mas Axcelandria tivera outras coisas com que se preocupar para além de tentar recuperar os ferimentos da matilha de Draugmor. Em primeiro lugar, fizera o que se esperaria de alguém com um longo tecido. Cosera-o na forma de três mantos, um para cada “retornado”. Teria feito um quarto a Ignastácia, mas, como a pesada armadura dela, aqueles panos só pareciam atrapalhar. A senhora, similarmente, preferira continuar com as antigas roupas, guardando o resto do pano para o futuro.

    A águia parecia interessa-la bastante. “Olhos no céu”, comentara de maneira enigmática, colocando-a sob os cuidados de Rossengwen. E pusera-se ao estudo daqueles itens.

    Quanto à corneta, como verificado antes, não era particularmente potente. Mas a anciã fora taxativa: “não devemos julgar por inferiores os presentes dados com intenção; e nem os feitos de mãos que neles puseram a alma. Os deuses têm suas razões”. Era um trabalho primoroso, nobre, apesar de não ter muitos adornos. Deixara que Arthur o guardasse. “É mais seguro. Já tenho demais com o que me preocupar”. O cantil, igualmente, era modesto, mas havia algo nele que denunciava estar longe de um trabalho ordinário.

    Com a chuva da volta, haviam aproveitado para enchê-lo, tanto para beber quanto para lavar os ferimentos. Poderia ser mera impressão, mas tiveram a sensação de que beber dali matava mais a cede, como se colidas das fontes do Cuiviénen de outrora, o berço do povo das estrelas. Mantivera-o perto de Bergil.

    Mas o que mais ocupava-lhe a mente era o anel. Por muito tempo o observava, media e fazia sabe-se lá que experimentos. “É imune ao fogo”, dissera. “Sinto que há ‘algo’ nele, mas não sei dizer o que é. Não tive coragem de... bem, de colocá-lo. Por mais que saiba tratar-se de um presente do Oeste”.

    Como se nem ao menos dormisse, Axcela ainda encontrara tempo para uma tarefa única, a qual revelara para grande espanto de todos.

    Conseguira produzir um conjunto de luminárias semelhantes às primeiras, distribuindo-o com a “vanguarda”. Uma vez que não podiam ser apagadas, confeccionou-as com uma espécie de véu para cancelar delas o brilho quando fosse necessário.

    Aquilo obviamente devia ter chamado a atenção da elfa: a feitura de lanternas como aquelas eram um segredo dos Noldor que nunca escaparam das oficinas do próprio Fëanor e, apesar de aquelas cópias serem inferiores em materiais, aqueles eram trabalhos dos quais apenas os mais altos artífices do Amam seriam capazes. Uma velha qualquer jamais o teria conseguido.

    E assim o tempo passou e a caravana pôs-se em movimento. Já andavam a bastante tempo, numa marcha lenta e sofrida, a qual começava a fazer vítimas, enfraquecidas demais para aquele esforço todo ou desaparecidas na noite. Foi quando Bergil finalmente acordara.

    Como pudera logo perceber, a dianteira fora dada a Arthur e Rossengwen, com Ignastácia ficando com a retaguarda.
    - Finalmente acordado – recepcionara-o a mulher mais velha –. Seus ferimentos parecem recuperados. Toma. Veste esse capuz e toma essa luz. Ah!, e toma também a corda. Achei que precisaria dela, mas até agora não me foi útil. Vá, junte-se aos seus companheiros na dianteira. Ficaram felizes em vê-lo de pé. Eu vou para a retaguarda, conversar com nossa amiga de armas.


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    Mensagem por Christiano Keller em Ter Abr 07, 2020 3:55 pm

    Arthur Blackbeer,

    Já faziam semanas que estava neste novo mundo, renascido para uma busca por uma nova oportunidade. Um mundo terrível sem cerveja, sem meios de produzir cerveja e talvez sem pessoas que experimentaram cerveja. Um mundo terrível e cheio de perigos, sofrimento, bocas secas. Arthur estava caminhando quando lembrou do último momento de sua vida anterior. Um mundo cheio de vida, cheio de cerveja nas carroças e ávido para chegar ao destino. Talvez este fosse a razão de Arthur vir para este mundo, oferecer bebida para estas bocas secas, espalhar o desejo pela bebida, curar almas que nunca provaram o doce sabor da cerveja.

    A caminhada era lenta e perigosa, luz numa mão, arco na outra. Bastava colocar a luz no chão e puxar a flecha para disparar. Atento para as ameaças no caminho, talvez o maior problema não seja a frente ou a retaguarda, mas o meio da caravana que poderia se estender por muitos metros. Sempre atento para o tamanho da caravana, Arthur controlava o passo para não deixar a frente ir muito rápido e o meio aceitar a distância pois ainda estão próximos, porém distantes o suficiente para serem alvos fáceis.

    A pele nova era boa para o frio, talvez até confortável para dormir nas pedras. Arthur tinha uma certa esperança de que a pele possa deixar seu corpo mais escuro para poder se esconder quando for necessário.
    - Obrigado pelo presente senhora. Arthur usava a pele desde então. Suas vinte flechas eram contadas como esperança.

    Sobre o anel, Arthur comenta:
    - Quando era vivo havia uma história sobre anéis mágicos dados aos reis. Não sei direito o que fazem, mas o destino dos reis não foi bom. Se quiser, posso ajudar a carregar o anel. Não pretendo usar essa coisa, um rei não precisa de anéis. O destino não parecia bom para ninguém naquelas condições.

    Quando Bergil finalmente pode caminhar, Arthur o saúda:
    - Que bom que está em condições novamente. Sua ajuda será importante. Um alívio era visto na face de Arthur, pelo menos há um outro alvo para os inimigos.
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    Mensagem por Gelatto em Ter Abr 07, 2020 6:59 pm

    Bergil

    Frio. Um frio aconchegante. Bergil não sente o mundo, apenas frio, silêncio e o vazio. Seus olhos estão em meio à escuridão total. Nada pode ser visto ou ouvido. Parece ser a mesma sensação de quando morreu defendendo o rei Arathorn II, mas ao mesmo tempo é diferente. Ele abraça esta paz que sente. Finalmente a morte o alcançou. Finalmente terá a paz merecida. Chega de batalhas. Chega de sofrimentos. Finalmente poderá encontrar seu grande amor, Nimriel.

    Em meio à toda a escuridão, um pequeno ponto de luz aparece. Bergil começa a caminhar até ele, uma voz o chama. É uma voz terna, de esperanças, chamando por ele. A luz fere seus olhos ao mesmo tempo que espanta a escuridão. Bergil começa a se aproximar, com dificuldade. O som das vozes vai aumentando. O que o espera do outro lado da luz? Será este o fim que tanto deseja?


    ---

    Bergil acorda, suando frio. Seu corpo está todo dolorido onde fora ferido pelos lobisomens. A dor é sinal que está vivo. E à sua frente, a velha Axcelandria sorri e lhe dá as boas vindas ao mundo dos vivos.

    Em pouco tempo ela o coloca a par de tudo que acontecera. Da sua derrota para o lobisomem, da intervenção do oeste, da fuga do inimigo, da missão não sucedida, da partida da caravana. Todos os detalhes lhe são passados, bem como os devidos presentes advindos do oeste.

    Bergil é um descendente dos homens do oeste, mas ele sabe que há forças muito maiores que olham pelo bem da Terra-Média ainda mais a oeste. Estes presentes são uma bênção que trazem lágrimas aos olhos do dunedáin enquanto agradece por esta terceira chance de lutar pelo Povo Livre, agradecendo aos tratamentos recebidos e pelo grupo não ter perdido as esperanças na sua recuperação.

    Orientado a seguir até a frente da caravana, Bergil se veste de suas roupas surradas, costuradas onde as presas dos lobisomens perfuraram e rasgaram, o sangue ainda era presente, visto que não podiam se dar ao luxo de lavá-las pela falta da água. Pega seu equipamento e seus novos presentes: a corda élfica, algo que já viu nas suas visitas a Rivendell no passado, mas nunca imaginou possuir alguma delas em algum momento da sua vida - bem, ele não está mais vivo, então, tudo é possível. O capuz é feito de um tecido fino e limpo, que ele o veste com cuidado, enquanto guarda na cintura, coberto por uma capa, a lanterna do oeste. Todos os presentes tinham detalhes e confecção noldor, apesar da mão de Axcelandria ter dado uma aparência mais rústica para a capa e a lanterna, um amálgama da arte noldor com a humana.

    Enquanto caminhava para a frente da caravana, Bergil ia assentindo com a cabeça, um cumprimento tímido, aos demais membros da caravana. Chega até Arthur e Rossengwen, se colocando ao lado do humano, enquanto recebe novas boas vindas.

    -"Obrigado por não me abandonarem, amigos! Não, amigos não... por este feito, a partir de hoje, vocês são meus irmãos e como tais terão meu amor! Muito obrigado!"
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    Mensagem por Pikapool em Qui Abr 16, 2020 6:16 am

    Fëanya ná úpalpima, orenya ná úrácima!
    O tempo passara e o acampamento possuía um numero maior de pessoas. Bergil já não corria mais riscos e estava a cada dia melhor. Sempre que podia eu ia visitá-lo.

    Durante um novo começo, fui designada como cuidadora da águia que trouxera alguns presentes durante aquela fatídica batalha contra os lobisomens. No entanto, o que intrigava-me eram os tais itens. Axcelandria pesquisava-os, mas e se fossem feitos para uso de um de seus iguais? Talvez se eu tocasse aquela corneta, o resultado pudesse ser diferente.

    Mas no meio de tudo, o que realmente despertava minha curiosidade era de como aquela senhora era capaz de reproduzir habilidades que somente os mais habilidosos mestres elfos eram capazes. Mais uma vez apenas observei sem questionar.

    Prosseguindo em nossa jornada uma surpresa inesperada. Bergil colocava-se ao nosso lado nos cumprimentando e agradecendo. Rapidamente sigo até ele abraçando-o.

    - Não, Bergil! Eu que agradeço a vocês por não darem ouvidos as minhas palavras e não deixarem-me a merce dos lobisomens. - Sorri aliviada por ele e até depositei mais força em meu abraço.
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    Mensagem por Lnrd em Qui Abr 16, 2020 11:46 am

    A Marcha ao Oeste 30ba9f10




    "Por ordem de Morgoth, os orcs reuniram com enorme esforço todos os corpos dos caídos na grande batalha, bem como seus arreios e suas armas, e os empilharam num monte enorme no meio de Anfauglith. E era como um morro que se podia ver de longe. Haudh-en-Ndengin, os elfos o chamaram, a Colina dos Mortos; e Haudh-en-Nirnaeth, a Colina das Lágrimas. Mas a relva surgiu ali e cresceu alta e verde na colina, somente ali em todo o deserto criado por Morgoth. E nenhuma criatura de Morgoth dali em diante voltou a pisar na terra debaixo da qual as espadas dos eldar e dos edain se esfarelavam com a ferrugem" (Tolkien, O Silmarillion)


    Era uma lúgubre romaria de penitentes mutilados. Farrapos, arrastavam-se no atravessar do cemitério assombrado no qual havia se transformado a Terra-Média. Cabisbaixa, a comitiva tropeçava a passos sonâmbulos, seguindo meia morta, meio viva.

    Fossem qual fossem os nomes daquelas regiões abandonadas ao próprio azar, nada de tal passado importava mais. Apenas a quem sobrevivesse, se é que restaria alguém, caberia o dever de forjar novas alcunhas a uma paisagem açoitada sem piedade.

    Como formigas inocentes marchando pelos caminhos desbravados pela vanguarda, podiam apenas confiar no discernimento de quem vinha à frente. Guias que, mesmo sem familiaridade com aqueles campos, tentaram liderar o êxodo. Sob a mortalha do silêncio, cada criatura ali rezava para que não caminhassem pela senda da ruína final. Ou que, se assim o fosse, que se tratasse de um curto atalho.

    O trajeto era cinza de humores, poucas conversas. Penoso e desconfortável, era iluminado pelos fogos daqueles carvões cuspidos pela terra, sendo o brilho azul élfico uma distinção rara, ao menos naquele momento. Eram quase como as bandeiras da hoste, ajudando todos a se localizarem. “Sigam as estrelas que correm pelo chão”.  

    Estavam distantes. Já haviam vencido longos seis “dias” desde que deixaram o último assentamento, mas ainda faltava. Era difícil calcular, mas teriam ainda algo por volta de quinze ou vinte tempos à frente.

    Isso porque iam com lentidão, ritmo bem adverso dos passos largos com os quais rangers cortavam a paisagem. Precisavam manter a coesão e garantir que ninguém ficasse para traz. Ou ao menos que tal número fosse reduzido.

    Infelizmente, a contagem de quem continuava já era menor que a de quem partira. Da centena inicial, a última verificação não encontrara pelo menos quinze cabeças, uma média ruim, dois ou três baixas a cada novo levantar. Se mantivessem o padrão, terminariam com menos da metade da população.

    Entre tristeza e indiferença, havia quem comemorasse a redução de bocas. Mas não só: cadáveres serviam de material orgânico à terra dos barris de minhocas e insetos, assim como de nutrientes para as “plantações” de cogumelos que cresciam em sacas penduradas no interior de uma das carroças do comboio.

    Eram seis carroças: uma com os preciosos barris d’água, assustadoramente mais leve do que quando enchidos pela última vez; duas eram o estoque de comida, mais pesado de terra que doutra coisa; outras três vinham abarrotadas com tudo o que se podia levar, de paus para as barracas às ferramentas que não cabiam mais nas mãos – como o corpo de um ferido.

    A Marcha ao Oeste 86a99610


    Estavam agora nos destroços de uma cidade, restos de paredes caídas, tetos desabados e vidas desfeitas. Sinais de um incêndio há muito apagado. Por todas as direções, apenas vazio e esqueletos. Deduziria-se que fora arrasada ainda na primeira fase do apocalipse. Talvez por sorte.

    “Hora do almoço”, avisara alguém antes da mirrada ração ser distribuída. Foi quando, da multidão anônima, uma figura aproximou-se do grupo em passos ao mesmo tempo agíeis, mas suaves e frágeis. Quase como uma folha arrastada pelo vento.

    Tinha uma postura encurvada, olhos cravados no chão. Segurava cuidadosamente um embrulho, como se protegendo um bebê das dores do mundo. “Me perdoem, por favor. Me perdoem. Apenas quero olhar nos olhos de nossos salvadores... . É bom para a alma saber quem carrega o cajado do rebanho, não é?”. Tinha uma fala era clara, apesar de bastante baixa, quase sussurrada. Uma voz de confessionário.

    Se timidez ou humildade, quase tremia, tratando com certa veneração aquela gente. “Tomem”, ofereceu. “Alguns separaram um pouco da própria comida para vocês. Por favor, aceitem esse presente. É tudo o que temos”.

    A temperatura caíra àquela hora. Um vento gélido fez as chamas tremerem.

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    Mensagem por Christiano Keller em Sex Abr 17, 2020 1:09 am

    Arthur Blackbeer,

    As pessoas estavam morrendo pelo caminho, muitos a cada dia e isso não era bom. O canibalismo poderia ser uma escolha ou talvez já esteja acontecendo e Arthur não sabe. Precisa confirmar a causa das mortes que acontecem no grupo. Pode ser algo simples mas também pode ser algo mais complexo. Por outro lado as ações do intelecto não são o ponto forte de Arthur, assim como a investigação que domina apenas os princípios básicos, mas aquilo era tudo que tinha de disponível para trabalhar ali naquelas condições.
    Arthur não queria esperar para encontrar alguém reduzindo seus números de forma planejada e calculada pois não tinham água para todos. Aquele tipo de escolha era muito difícil e talvez precise acontecer, mas Arthur prefere outro tipo de escolha, um processo claro com critérios definidos pelo grupo. Porém a discussão e velocidade para tal eram opostos muito claros. Não há tempo para discussões filosóficas sobre quem vive e quem morre. Então Arthur apenas espera que encontre uma forma para todos sobreviverem, mas mesmo assim procura este mercador da morte entre os membros da sua caravana.

    As ações da estranha figura que se aproximava era de um tipo de ajudar e esperança. Parece que a esperança estava prestes a morrer nas mãos daquelas pessoas. Da forma como consegue, que é pouca e pode soar até ruim, Arthur tenta ser carismático para aceitar o presente.
    - Obrigado. Meu nome é Arthur Blackbeer, eu luto para que vocês possam viver, posso saber seu nome? Arthur parece cortês em sua mente mas ao mesmo tempo parece grosso, não tem certeza sobre isso. Sua habilidade carismática não é lá grande coisa.

    As casas e construções onde estão podem guardar algo útil? Arthur não sabe, mas também não acredita que devam se espalhar e procurar. Devem manter o caminho, então Arthur diz:
    - Fiquem perto uns dos outros, não sabemos se essas construções podem cair ou se vocês podem se perder dentro de alguma delas. Sei que muitos estão tentados, mas se formos fazer algo, precisa ser planejado. O frio parece que vai ser forte nas próximas horas e um teto pode ser bom. Arthur então consulta com a líder e seus colegas: Devemos entrar em alguma casa para ter um abrigo para essa parada? Temo pelo frio. Arthur tem noções de sobrevivência e neste tipo de coisa é sempre bom comparar avaliações pois ideias melhores podem aparecer.
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    Mensagem por Pikapool em Qua Abr 22, 2020 4:43 am

    Fëanya ná úpalpima, orenya ná úrácima!
    A jornada era longa e as vidas iam cessando durante todo caminho. O cansaço e a fome geravam incomodo, quando chegávamos a uma cidade, ou o que restara dela. Felizmente o almoço era anunciado e enquanto nos preparávamos uma figura estranha abordava-nos com um presente.

    - Obrigada! - Agradeci exibindo um sorriso afável.

    Arthur tentava ser cortês e seguia tentando conversar com aquela figura estranha.

    Ao reunirmos Arthur questionava-nos sobre usarmos as casas como abrigo contra o frio que aproximava-se.

    - Se encontrarmos uma casa que não desabe sobre nós e não possua nenhum morador indesejado. Creio que seja a melhor opção. - Já preparava-me para procurar por um lugar seguro. - Axcelandria, estive ponderando por muito tempo. Descobriu algo sobre os itens que as aves nos agraciaram? Se não teve exito, como uma representante dos Eldar, sera que tais itens não reagiriam a mim? - Aproveitei para questionar Axcelandria sobre assuntos que não saiam de minha cabeça.
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    Mensagem por Lnrd em Dom Abr 26, 2020 10:54 pm

    A Marcha ao Oeste Dark_m10

    “- Aproximou-se e colocou a mão longa sobre meu braço. ‘E por que não, Gandalf?’, sussurrou ele. ‘Por que não? O Anel Governante? Se pudéssemos dominá-lo, então o Poder passaria para nós. Foi por isso, na verdade, que o trouxe até aqui. Pois tenho muitos olhos trabalhando para mim, e acredito que você sabe agora onde esse objeto precioso está. Não e verdade? Ou então, por que os Nove querem saber sobre o Condado, e qual é o interesse que você tem lá?’. E enquanto dizia isso, um desejo ardente que ele não podia ocultar brilhava em seus olhos”. (Tolkien, O Senhor dos Anéis)


    Alta, planando muito acima das cabeças dos "pés-na-terra", a graciosa águia de Manwë emitiu um alto piado. Oculta naquele céu negro, mera sombra contra os faróis de Varda, aquele som penetrante era uma das únicas maneiras de localizá-la.
    Parecia recuperada, olhos em um ponto de vantagem, tentando cortar o breu.

    Tal como povos que trazem à ponta da língua diferentes nomes para a neve, cada qual catalogando um estado específico – a nova, a dura, a assassina –, Arthur, Rossengwen e Bergil já reconheciam, na fala das pessoas, diferentes formas de escuridão dum mundo sem Sol e Lua: havia aquela na qual a atmosfera era limpa, estrelas brilhando ao máximo, e também o leve breu carmim de vulcões à distância; havia as temíveis nuvens de tempestade, raios serpenteando famintos e súbitos clarões, além das estranhas emanações subindo pela terra, “chamas de pântano”. Sopros esverdeados que pareciam miragens fantasmagóricas voando baixo à distância. E falavam com receio da noite profunda, quando fumaças negras tapavam completamente as joias de Varda, deixando tudo mais difícil de enxergar, mesmo a olhos já adaptados àquela realidade.

    Era bom poderem contar com tochas e lanternas élficas, mas elas não permitiam uma noção boa de distância. Era justamente o que viriam a discutir em seguida. “Meu nome é Eryn. Eryn Docefalas, se lhe agrada, mestre Arthur Blackbeer”, respondera a figura que se aproximara.

    Outra rajada cortante abateu-se sobre a cidadela velha, obrigando a visita a rapidamente recolher-se aos panos gastos com os quais tentava se cobrir. Especialmente a parte que protegia-lhe a cabeça, foi retirada por aquela lufada.
    Era uma visão de pena, um peso ao coração já quebrantado.

    Tinha feições angulares, prontas para correr contra o vento, e os olhos poderosos de quem via para além... mas era de uma cor pouco saudável, tom doentio de quem tivera a vitalidade roubada pelas intempéries da existência, a longa enfermidade de se estar vivo.  
    - Perdoe-me se minha visão vos incomoda. Já era assim antes...  – e era claro a que se referia. Os cabelos haviam abandonado-lhe a cabeça, apesar de não aparentar tanta idade.

    “As pessoas sempre caçoam de mim e me perseguem... talvez por isso eu tenha me apegado a coisas da mente e do espírito... . É difícil ser... diferente”. Como o resto, falava naquele sotaque incomum, mas que já se tornara costumeiro às almas retornadas do passado.

    A Marcha ao Oeste Passio10


    Apesar da fachada pálida e enfraquecida, havia algo de sagaz nela. Que teria sido antes de tudo aquilo? Talvez trabalhado como escriba, cuidando dos números de algum entreposto, ou guardando textos antigos. Seria uma criatura da fé? Fosse como fosse, não tinha compleição de quem trabalhava com a força dos próprios braços.
    – Se me permite, senhor Arthur Blackbeer… Tem que ter cuidado com as terras à frente.

    Pela forma como falava, parecia reconhecer as ruínas, ao contrário daqueles três. Sabia, ou acreditava saber, onde estavam. “As pessoas falavam em visões estranhas mesmo antes da noite ter chegado. Assombrações. A rota usada não é para lá”, e falara apontando na direção onde esperavam encontrar o litoral. “É para lá, uma estrada desviando para o Norte antes de seguir para o Oeste. É um caminho mais demorado, mas mais seguro, diziam”.

    Um trajeto mais longo era um presságio terrível, corpos acumulando-se em pilhas macabras – fossem aquelas mortes “naturais” ou... provocadas.

    Além, o povo costumava ver coisa demais onde nada havia. Superstições as mais esdrúxulas eram comuns entre a população. Isso se dava principalmente entre os mais humildes, mas também afetava as camadas mais instruídas. Sempre havia uma profecia, um sinal a ser interpretado... .

    Por outro lado, mesmo mateiros como Bergil, cuja sabedoria guiava-os por entre os perigos da natureza, distinguindo o que temer de verdade e o que se tratava apenas de medo em si, sabiam que algumas áreas eram agourentas e deviam ser evitadas. E era claro que elfos também evitavam zonas tocadas pelo mal, uma vez que a visão deles era diferente.

    "E esses... sonhos que todos continuam tendo...". De fato, por mais que muitos evitassem falar, os pesadelos continuavam vívidos. Alguns a ponto de privar algumas pessoas do sono.
    - Mas, por favor, não quero causar problemas. Se preferir, apenas esqueça que vos incomodei com palavras tolas. Mas, se quiser, pode ir na frente verificar enquanto aguardamos aqui para só depois pedir à marcha que avance.

    Gente indo e vindo; uma briga; reclamações e lamentos. Lançando as últimas palavras, “agora devo partir”, foi-se tão etereamente quanto chegou, afastando-se na multidão.

    A Marcha ao Oeste F0ee2310


    Após a partida de Eryn, Axcelandria não demorou a chegar. Ouviu os questionamentos de cada um e os relatos sobre o alerta, mas confessou não saber nada sobre aquilo. “Não devemos, porém, ignorar esse tipo de coisa. Forças terríveis andam por essas terras, isso é certo”.
    - Se acharem prudente, eu e Ignastácia temos muito trabalho aqui e, como não conhecemos a área, é melhor que fiquemos para vigiar. Vocês podem ir investigar, se assim decidirem. Tentaremos ver se há algum lugar seguro para que ao menos parte das pessoas se abrigue. Caso prefiram avançar reto ou pegar esse desvio... .

    Se alguém precisava fazer o papel de batedores, certamente era aquele trio, mais equipado para isso que a maioria daqueles farrapos. Caberia a eles conseguir informações para que pudessem planejar os próximos passos.

    Mas não só sobre aquilo falara a senhora. “O cantil... realmente me parece ter algum tipo de ‘benção’. Às águas nele parecem mais... puras. Os ferimentos de Bergil parecem não ter deixado sequelas mais graves que algumas cicatrizes. Você também se recuperou bem, não foi, cara elfa?”.
    - Das cordas élficas você deve conhecer também. O mal não as toca sem se queimar, mas nada de muito grave. E, como finos instrumentos, costumam ser mais “responsivas” que as doutras fabricações.

    “Quanto à corneta, bem, se Arthur permitir que você a teste... Mas concordo com sua linha de raciocínio. Talvez quem ou quando faça diferença. Já as capas, eu mesmo as costurei e posso dizer que são muito resistentes. Parecem aquecer no frio e refrescar no calor. E, pelo que lembro, são bastante furtivas... ajudam a se camuflar por aí”.

    De toda aquela fala, algo parecia óbvio. Evitara tocar diretamente no assunto do último e mais misterioso dos itens. Mas sem ter mais como evitar aquele ponto, pronunciou-se.
    - Quanto ao anel... Como era de se esperar, não me parece um mero enfeite. Não sinto maldade nele, e nem deveria. Mas sinto poder. Digo, não um poder feito para corromper, mas todo o poder é igual quando na mão dos fracos de mete. Tenho... tenho meus motivos para não querer experimentá-lo. Mas, caso algum de vocês assim deseje... .

    Mas antes que alguém respondesse, a ave novamente gritou pelo vazio sem chão. Dessa vez, não estava sozinha.
    Alvoroço no acampamento.
    - Axcelia! Axcelia! – gritaram chamando pela velha – Tem gente aqui!

    Dentro de uma das casas caídas, duas figuras jaziam, nuas e em desalento. Desnorteadas, despertavam como se em um parto, expelidas da morte e devolvidas ao mundo da carne, do osso e da dor.

    Não sabiam onde estavam e a última lembrança que possuíam era a de... estarem morrendo. Eram recebidas por vozes numa fala estranha, um sotaque estrangeiro, e não viam Lua ou Sol em parte alguma. Foram rapidamente cobertas com alguns panos e não tinham nada de seus pertences passados consigo.

    A Marcha ao Oeste Dark-s10
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    A Marcha ao Oeste Empty Re: A Marcha ao Oeste

    Mensagem por Nightingale em Seg Abr 27, 2020 11:50 am

    A Marcha ao Oeste Helena12


    "- ASSASSINA!!!"

    "- URSUPADORA!!!!"

    "- DESGARRADA!!!!"

    "- DESUMANA!!!"


    Ela era conduzida com uma Berlinda, usava batas brancas tão sujas que poderia ser confundida com uma bata marrom esverdeada impregnada de lodo nos pés, mãos e até um pouco em seu rosto. Estava envolta de uma multidão enfurecida que atiravam pedras e dejetos à medida que ela passava na companhia de três guardas de armadura fortemente armados. Era meio dia, o sol estava escaldante ao céu, ardia em sua cabeça e o suor impregnava seu corpo assim como a exaustão e as feridas em todo o seu corpo das torturas que sofreu para confessar seus crimes. Não adiantava gritar e se fingir de desentendida, de inocente, não dessa vez, eles tinham as provas e os testemunhos, eles eram incontestáveis. A procissão da masmorra até o pátio central fora longa e árdua e com a pesada Berlinda, ela não conseguia andar num ritmo que a guarda queria, e por isso era puxada pela corrente do que sobrara do pescoço que a Berlinda não consumiu, era doloroso e apertado, o suor ainda por cima junto do calor faziam feridas dolorosas no pescoço e no papo a ponto de tirar sangue. Ela caía muitas vezes com os puxões no pescoço que os guardas usavam para que ela acelerasse o passo, na verdade eles queriam prolongar o sofrimento dela, pois a faziam cair com todo o peso em seu corpo, para fazer ela se levantar, se esgotar e sofrer fisica e moralmente, ela sabia porque via o sorriso contido em seus lábios e ódio só não queimava dentro dela porque estava cansada demais até para odiar.

    Após a longa procissão que durou horas, ela via o palanque, abutres rodeavam o céu e abaixo do sol, eles sabiam que era bom ficar a postos pois o almoço logo seria servido. Ela continuou andando derramando lágrimas de dor e sofrimento. Se se arrependia de tudo? Era claro que sim... Sua ganância foi tão grande que preencheu seu coração desde criança e então a partir desse ponto só corrompeu mais seus sentidos e não importava o quanto tentasse, nunca conseguiria compensar seus erros.

    "- LÁGRIMAS DE MENTIRA!!! COVARDE!!!!"

    PÁ!

    Ela virou o rosto dolorido e caiu antes de subir no palanque, a pedra acertara tão em cheio em seu rosto que junto com a fraqueza e o peso foi fácil ela cair novamente. O Sangue expeliu do corte que vinha da testa até a sobrancelha e o rosto, era m corte feio e proundo que deixaria cicatriz em seu belo rosto que tanto usou para enganar, mas não importava agora pois nunca mais usaria seu rosto vaidoso para nada. Os guardas esperaram pacientemente Hellena se levantar, ela escorregara no lamaçau algumas vezes, com a face cheia de dor, o choro, o corpo trêmulo de fraqueza e condições precárias. Ela finalmente conseguiu, após muito fraquejar, e então continuou o final da procissão. Ouvia a multidão gritar eufórica com o primeiro passo no degrau. Ela subiu, passo a passo, olhando com terror o carrasco encapuzado, grande, gordo e forte com um machado do tamanho de um Orc, ela estava com medo, muito medo mas não sabia para qual Valar rezar, nenhum deles ouviria suas preces e se recusava a pedir algo a Morgoth, talvez sua antiga Eu pedisse, ela era sedenta de poder, luxuria e riquezas, mas não mais... Por mais que ela não desse qualquer valor à honra, ela havia recuperado sua moral antes de morrer. Ela se posicionava de joelhos, a sentença era proferida pelo conselheiro do rei.

    - Hellea de Gondor, você foi acusada e sentenciada por diversos crimes na Terra Média. Dentre os mais perversos estão o assassinato da infante lady Katherine, filha de Lord Odon, usurpar sua identidade e viver como ela...

    Ela via Lord Odon num lugar privilegiado da multidão, ele a olhava com repreensão, mas não mais que isso, o maldito mal se importava com a filha se não teria percebido que apesar de serem sósias, não era aquele o seu rebento.

    - Também, o assassinato de seus próprios pais, pessoas de bem e agricultores dedicador de Gondor....

    O maldito nem mesmo sabe o nome deles... Mas tudo valia para pesar mais a sentença.

    - Assim como se associar a entidades criminosas, realizar furto, chantagem, assalto, adultério, tortura e falsificação...

    Ninguem se importa se você fez essas coisas para tirar dos corruptos e dar aos que precisam, esse bando de nojentos...

    - Por seus crimes comprovados, eu lhe sentencio à morte por decaptação!

    O grito da multidão estourava seus timpanos, tanto que ela fechou os olhos com força pois sentiu os gritos virem como um ariete bem em sua face. O Carrasco então preparava o machado e um dos guardas tirava a pesada berlinda e o outro a corrente do pescoço da criminosa, estranhamente ela não sentia seu corpo mais leve, não tinha a consciencia limpa, morreria cheia de arrependimentos, talvez devesse ficar feliz por estar pagando agora por seus crimes, mas não conseguia sentir isso pois estava apavorada e raivosa, não estava sendo injustiçada, estava sofrendo uma sentença muito justa, mas ainda assim... Ela olhou para o grande carrasco boquiaberta, o grande capuz negro cobria o sol fazendo sombra em Hellena ajoelhada. Era então que ele erguia o grande machado. Helena tremia dos pés à cabeça ajoelhada, olhou para o chão com os olhos encharcados em lágrimas, o rosto expressando seu terror, ela olhava a multidão enfurecida uma ultima vez e fechava os olhos, um som rápido de vento cortante. Tudo ficou silencioso e escuro.

    _________________________________________________________________________________________________


    Nova trilha sonora:


    Ela estava se sufocando, sentia que precisava respirar e instintivamente seu corpo se remexeu com dificuldade, ela tentava sair daquela prisão, aquele aperto em todo o seu corpo, a pressão, ela se debatia, abriu a boca para gritar socorro mas algo entrou pela sua boca, algo podre, seco, ela quase sufocou e isso a fez se debater mais, sentiu uma superficie, ela sem muito impulso pois seu corpo todo parecia preso, bateu na superficie, bateu uma, duas, três, até que cedeu com o som de madeira se partindo, e ela sentiu a briza vindo, primeiro seu braço, não via luz, mas sentia a liberdade. Ela se debateu mais e tentou subir, socando e quebrando mais, desesperada para sobreviver. Ela subiu e subiu, eufórica, sentia frio à medida que seu corpo nú saía da superficie de madeira. Sua mão estava machucada, mas não muito, a madeira era podre e cedera com alguma insistencia. Ela saía, finalmente, estava livre, caíra no chão do qual tinha saído, fora enterrada viva? Não sabia e não queria saber, mas lágrimas começaram a cair de seu rosto quando ela finalmente deitava no assoalho podre cheio de musgo e pequenos bichos horrendos, olhava para o buraco de onde havia saído, fora enterrada viva embaixo daquele lugar, ela chorava e tremia, gemia de lamento, dor e desespero. Estava traumatizada. Se lembrava do que havia acontecido, a multidão, a sentença, o carrasco... estava tudo escuro, devia ser noite, mas não importava... Pensou que estaria morta agora, mas não, só haviam a descardado e a enterrado ali. Porque fariam isso? Ainda chorando, deitada ao lado do buraco gelado ao qual saiu, com o corpo tremendo e sujo de terra, ela passou a mão pelo seu pescoço, não havia nenhum corte, cicatriz. Ela ficou assim, se lamuriando por algum tempo até seu cérebro começar a processar o trauma que havia passado, em posição fetal, lamentando o que passou e o que sentiu. Depois desse tempo, seu corpo ainda tremia, o escuro ainda era pesente, o medo, o frio estavam lá e assim, ela se levantou, com medo do que viria acontecer ainda. Cobrindo suas partes intimas assim com seios com os braços e as mãos, ela avançou tremendo para o que conseguia enchergar como uma saída. Ela foi devagar, ouviu conversas fracas e olhou para o lado externo com cuidado, estava fraca e seu cérebro não estava no lugar ainda, de modo que não conseguiu se esconder, viu a cidade podre e morta, queimada, e viu pessoas, essas pessoas a notaram e vieram ao seu encalço.

    - Não... NÃO!! SE AFASTEM!!!

    Ela estava com medo delas, não sabia se eram as mesmas pessoas que a condenaram, não sabia se eram novas pessoas que a condenaria a algo pior! Naturalmente, seu corpo ainda não conseguia reagir, estava tonta da experiência, eles rapidamente chegaram e surpreendentemente a acolheram. Ainda assim, com o trauma e o medo, ela simplesmente pegou a manta que colocaram nela e se afastou recuando e cambaleando para trás, fora da casa, se desvencilhando de qualquer contato que teriam feito com ela.

    - ME DEIXEM EM PAZ!!! SE AFASTEM!!!

    Ela estava confusa, cansada e assustada. Viu ao lado, em outro casebre um anão também sair nu. Ele parecia também confuso, ela olhou para o céu, para o ambiente, não havia sol porque certamente era noite mas e a lua? Aquela era uma noite de lua? O frio era intenso, o ambiente parecia morto, ela tentava identificar se ainda estava na mesma cidade em que fora condenada.
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    Mensagem por Faor em Seg Abr 27, 2020 5:19 pm

    A Marcha ao Oeste Bohr10

    - PELA BARBA DE BÁRVOR! O SENHOR DE NOGROD VAI CAIR! - Bohr percebeu que os Elfos Verdes estavam prestes a isolar o Líder dos Anões, que duelava com Beren, trocando acusações e golpes violentos. A derrota ficou evidente quando a mentira dos assassinos de Thingol iluminou as mentes e os corações dos sobreviventes de seu povo, como se partisse da própria Silmaril encravada no Nauglamír - o Colar dos Anões. Usando seu enorme martelo para forçar um caminho desesperado pela linha de elfos, Bohr recebeu uma estocada certeira pouco abaixo do ombro, que rasgou e incapacitou seu braço esquerdo. A dança da batalha o afastou de seu senhor e a esperança logo abandonou a todos os anões.

    Lutando para fugir e proteger seus companheiros, Bohr corria cambaleando, buscando a borda da floresta que o levasse para a encosta rochosa. A visão turva, a mente desorientada e o coração derrotado eram sinais da clara destruição da criatura antes forte, orgulhosa e imponente. Aquele anão desesperado que corria entre as árvores, com flechas penduradas perfurando cota de malha e couro, sabia que estava condenado.

    Bohr não viu nem entendeu como uma árvore caiu sobre ele tão rapidamente. Derrubado, sem forças para se levantar ou mesmo gritar, ficou aterrorizado quando a enorme figura com corpo formado por troncos retorcidos, galhos e folhas o atacou outra vez. Por fim, foi coberto por raízes emaranhadas e sentiu o peso do pastor de árvores pisando sobre seu corpo, o esmagando. A vida parecia abandonar o seu corpo com uma crueldade lenta e implacável e o anão pediu perdão a Mahal, o Criador - o Valar Aulë - pela ambição maligna de seu povo.


                          _____
                          \......./
    ========== |.......|
                          /____\


    O terrível aperto no peito o sufocava e as dores por todo o corpo rígido com músculos contraídos parecia prolongar de forma nada natural a sua última punição. A visão, porém, retornou de súbito, ainda que muito obscurecida, assim que as mãos tocaram livre um solo construído, muito diferente do seu campo de batalhas. Como uma torre robusta que cai para o céus e não para o chão, o anão se levantou num salto, sem nenhuma resistência, mesmo ainda sentindo o aperto do Ent sobre seu peito.

    - Não estou morto! E nem ferido! Mas vejam só?! - Logo tomou consciência da nudez, das instalações precárias e de observadores - seus cuidadores talvez? Aceitou os panos simples, tentou se portar com algum respeito e gratidão, mas a confusão era óbvia. - Estou entre Homens e longe do Monte Dolmed onde fui derrubado! Será o povo de Beren?! - Pensava alto e percebeu que assustava aqueles que estavam próximos. Viu o espanto em uma jovem, nas mesmas condições que ele, mas que certamente não participou da Batalha de Sarn Athrad.

    - Se vocês me ajudaram, eu agradeço! Mas quem são vocês e onde estamos agora? E que céu condenado é esse?!
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    Mensagem por Christiano Keller em Seg Abr 27, 2020 6:31 pm

    Arthur Blackbeer,

           As palavras de Eryn foram curiosas.... ela dizia que o caminho mais a frente era perigoso e recomendava um desvio, um caminho mais longo e seguro. Porém acatar as palavras dela também podem ser um desafio para fazer as pessoas seguirem pelo caminho original. Confiar suas vidas a uma pessoa estranha ou seguir com um plano traçado sobre os destinos mais prováveis? Essa pergunta não era muito boa para esclarecer o progresso do grupo.

           Aos colegas, após a saída de Eryn, Arthur diz:
           - Acho difícil acreditar em estranhos. Não sei se devemos nos desviar do percurso. Se há perigo à frente, podemos ir e ao sinal de perigo, regressamos para seguir pelo caminho mais longo. O que vocês acham? Arthur não tinha tanta certeza sobre os riscos em seguir o caminho planejado, talvez fosse o caminho mais óbvio e portanto o caminho em que haveriam armadilhas ou emboscadas.
           Logo mais uma comoção chama a atenção de todos, dois novos renascidos aparecem neste mundo. Ainda chocados pelos eventos da morte e sua chegada ao "inferno", eles gritam e olham ao redor. Talvez a chegada deles fosse melhor que a de Arthur que ao acordar presenciou a morte de outro destes seres nos dentes de um animal selvagem.

           Arthur caminha até o local e diz para os que acordaram numa voz baixa:
           - Façam silencio, não queremos ser comida das criaturas que habitam este lugar. Vocês tem perguntas, controlem-se e perguntem até três coisas em voz baixa. Adianto que não vão gostar de saber de todas as respostas. Arthur olha para os presentes para ver se escutaram tudo e num tom mais baixo diz: Sejam discretos ou seremos comida. Partiremos logo, somos sobreviventes, estamos em busca de água, não temos muita coisa e criaturas sombrias estão comendo os que chamam atenção. Dando o assunto por encerrado, Arthur deixa o local e se prepara para partir. Como batedores precisam escolher um caminho.
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    Mensagem por Lnrd em Ter Maio 05, 2020 10:06 pm

    A Marcha ao Oeste 0748ae10

    "Cheios de tristeza, soltaram o barco fúnebre: ali jazia Boromir, descansado, em paz, deslizando sobre o coração da água. A correnteza o levou, enquanto os outros seguravam o próprio barco com os remos. Boromir flutuou passando por eles, e lentamente seu barco afastou-se, reduzindo-se a um ponto escuro contra a luz dourada; depois, de repente, desapareceu. Rauros continuava rugindo, sem qualquer alteração. O Rio tinha levado Boromir, filho de Denethor, que agora não seria mais visto em Minas Tirith, altaneiro, como costumava ficar sobre a Torre Branca de manhã. Mas em Gondor, tempos depois, falou-se muito que o barco élfico passou pela cachoeira e pelo lago espumante, levando-o através de Osgiliath, passando pelas várias desembocaduras do Anduin, e entrando no Grande Mar à noite, sob as estrelas". (Tolkien, O Senhor dos Anéis)




    Empoleirada sobre as ruínas, a ave de rapina vigiava. Não era como a raça das grandes águias de outrora, aquelas de espíritos superiores, dotadas de inteligência acima das outras espécies animais. Mas também não era um pássaro ordinário. Havia intenção nela. E parecia próxima à única elfa da comitiva, Rossengwen.

    Com olhos que quase ardiam, refletindo as luzes domadas que eram levadas de cá para lá, encarava o corpo que pouco a pouco recuperava as sensações do viver. Observava Helena.

    Agora, não eram mais abutres que via sobre si.

    Mas não era a única voltar. Fazia muito, muito tempo desde que alguém da raça dos anões pisara naquele solo. Tanto tempo que só as montanhas os lembrariam, agora já gastas.
    Dos salões deles, nada sobrara, engolidos sob o próprio peso.

    Fossem quem fossem aquelas novas pessoas, pareciam desorientadas. O que não era de se espantar.

    “Calma, calma. Abram espaço”, pedia a senhora cuja visão assemelhava-se à de um poderoso carvalho, ao mesmo tempo marcado pelas eras e forte, resoluto. As roupas dela tinham um tom gasto de vermelho e possuía uma presença marcante.

    A Marcha ao Oeste Kieran10


    "Perdoem Arthur, se a preocupação os ofende. Mas não é bom arriscar. Ele não mente sobre os perigos", tentava passar alguma segurança e conforto com sua voz. Estava disposta a acolher aquelas figuras, independente dos crimes que tivessem cometido antes.
    - Que façamos assim então: darei a vocês três respostas.

    “A primeira é que sim, até onde saibamos, vocês morreram. E, por algum motivo, voltaram dos Corredores de Mandos. Há outros em igual condição e mais poderão aparecer. Aqui, Arthur Blackbeer, do povo de Gondor. Ali, Rossengwen, dos Vanyar. E além, Bergil, o Dunedáin de Tardual. Três cujas almas também retornaram a um corpo de carne. Já ali, sob a pesada armadura, Ignastácia e eu... a mim me chamam de muitos nomes, um mais, uns menos bonitos. Aqui sou Axcelandria”.

    A Marcha ao Oeste 0714


    “Em segundo, vocês estão na Terra-Média. Ou no que era ela. Aqui deve ser onde antes chamavam de Rohan, mas esse nome faz muito se perdeu. A Terceira Era perdeu-se no passado de incontáveis épocas, poucos resquícios sobrando desse tempo para além das pedras e das estrelas”.

    Num voo silencioso, o observador pousou no ombro da elfa, quase que tentando ver mais de perto as novidades.

    “Por fim... Ele retornou. O Sinistro Inimigo do Mundo. Morgoth rompeu os Portões da Noite e derrubou os navios do Sol e da Lua. Desde então... fez-se essa visão terrível. E ele marcha, espalhando-se por toda a parte. Não há, até onde se saiba, nenhum reino que tenha força para se opor a essa onda. Nós... nós estamos apenas de passagem por essas ruínas, indo para o Oeste responder a uma chamado. Vamos na direção do mar. Não sabemos o que encontraremos lá, mas procuramos esperança”.

    Permaneceram por lá enquanto, aguardando o choque passar. Arthur era o que parecia mais impaciente, sabendo que corriam contra o relógio. Mas a velha não parecia apressar as coisas. Talvez a fé dela confiasse em que aquele surgimento seria auspicioso.

    Ao ganharem as antigas ruas, a desolação era óbvia. Perto de onde estavam, uma mulher levava à boca uma grande quantidade de lama misturada a à comida, forma que havia encontrado para apaziguar a fome. Parecia que, àquela altura, comer os corpos dos tombados já não seria uma opção tão absurda.
    - Mais bocas! – Reclamara alguém à distância, difícil de discernir entre a multidão e a escuridão. Obviamente, discrição não parecia ser o forte da uma turba de gente. Todo aquele barulho... .

    Mas havia um tipo especial de eco. Um que não ressoava vozes, mas pensamentos. E ele parecia reverberar particularmente rápido em mentes ressequidas. Logo, uma onda de reclamação surgiu.
    - Mande-os embora!
    - Já temos gente o suficiente!
    - Não basta os últimos que se juntaram?

    “Os últimos” eram justamente o grupo no qual Eryn chegara, aquele que “comprara” a própria estadia com ajuda e... comida. Mas aquela era uma enxurrada que turvava a mente e, por mais que a lógica dissesse que não havia razão para animosidade, a prática era diferente. “Não suportamos mais bocas!”. “O que esses aí têm a oferecer?”.
    - CHEGA! – cuspira a velha, visivelmente inflamada. Não era a atitude que se esperava dos sábios, mas havia horas em que palavras suaves precisavam ser enfiadas na fossa e as verdades ditas na cara – Que loucura é essa?! Todos vocês estavam perdidos e sem casa, vagando fugidos das bocas de lobos enfurecidos, homens ruins e monstros de sanguinários. JUNTOS conseguimos encontrar um propósito mínimo. Pensam que separados estaríamos melhor? Quem cuidaria das coisas enquanto o resto vai à caçada? Quem vigiaria enquanto o outro dorme? Quem coletaria as chamas para suportar a noite fria enquanto se tenta produzir algo da terra infértil? As coisas parecem difíceis agora, mas ninguém sobreviveria jogado só nesse horizonte arrasado. Do maior ao menor, cada um possui seu papel nessa história, e, assim como as grandes ações perdem o sentido nalgum momento, os pequenos detalhes podem salvar vidas. Se parece que temos mais a dividir, eu digo que temos mais a somar. Quando o momento for oportuno, eles mesmos mostrarão o que têm a nos oferecer por nossa ajuda, mesmo que isso não seja visível aos olhos.

    Tudo o que menos precisavam agora era algum tipo de rebelião. Quanto mais rápido a vanguarda partisse para checar o caminho, mais rápido tornariam a caminhar.
    A dor dos pés falaria mais alto que a da cabeça.
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    Mensagem por Christiano Keller em Qua Maio 06, 2020 6:06 pm

    Arthur Blackbeer,

           Toda aquela barulheira não era bom, coisas logo escutariam os sons e poderiam vir se alimentar da turba que estava ali dando sopa nas terras antes conhecidas como Rohan. Arthur aguarda as palavras de Axcelandria e ela dizia mais verdades. O povo também falava o que vinha a mente de todos, mais verdades, mais bocas para dividir, no entanto mais força para somar. Só uma coisa alli era importante naquelas condições, precisavam de resultados concretos, assim poderiam fazer algo. Sem resultados concretos não haveria nada para ser feito.
           Arthur estava cada vez mais impaciente, ficar ali no meio da barulheira era um convite para um ataque das criaturas, deixar o local era outro risco, mas eles eram a vanguarda, tinham sua função naquela engenhoca da vida. Cada pequena parte tinha uma função especifica, uma contribuição relevante. No entanto uma pergunta ainda pairava na mente de Arthur: como faria cerveja? O mundo precisava de cerveja, sem ela certamente a decadência e morte seriam uma realidade terrível. Precisava de água, de cevada e grãos para poder fazer algo, sem falar no barril para fermentar a bebida. O mundo sem cerveja certamente era muito pior do que um mundo com ela.

           Aos sobreviventes que estavam por ali, Arthur diz de maneira despretensiosa:
           - Se alguém achar algo para produzir cerveja, avisem-me por favor. Imagino que vão apreciar alguma cerveja. As propriedades nutritivas da cerveja são muitas. Apesar de ser líquida, se bem feita pode alimentar muitas pessoas.

           Ao grupo da vanguarda, Arthur diz:
           - Vamos logo gente, quanto mais ficamos aqui, mais perguntas serão feitas e não temos tanto tempo para respostas. Somos a vanguarda, gostem ou não. Se ficarem parados, avisem pois não quero virar comida das criaturas da noite de Morgoth. Com as mãos Arthur faz sinal para que andem logo.
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    Mensagem por Faor em Qui Maio 07, 2020 10:40 am

     - Façam silencio, não queremos ser comida das criaturas que habitam este lugar. Vocês tem perguntas, controlem-se e perguntem até três coisas em voz baixa. Adianto que não vão gostar de saber de todas as respostas. (...)

    Bohr tentava entender o ambiente e nada fazia sentido. Por que ele parecia ser o único anão ali, se na sua última batalha estava com todo o seu povo? - Meu jovem - parecia falar em desafio, mas pelo menos usava um tom bem mais baixo. - Eu posso fazer três perguntas para cada um dos pilares do grande salão de Nogrod!

    Rapidamente, porém, o forte anão abandonou qualquer confronto e contemplou seus salvadores. Ele parecia genuinamente grato. - Mas se você diz que aqui estamos todos em perigo e que não há suprimentos, conte comigo para sairmos logo daqui. - Vendo o sujeito se adiantar, Bohr logo percebe uma movimentação se aproximando e uma senhora se destaca na multidão. Tímido, o anão confere se está devidamente coberto e não fica muito satisfeito. Logo ele se distrai observando o público em volta, a jovem esfarrapada como ele, e uma vez mais ele avalia aquele céu desolado.


    "Perdoem Arthur, se a preocupação os ofende. Mas não é bom arriscar. Ele não mente sobre os perigos"

    Era impossível negar a presença daquela mulher altiva. A voz era agradável, mas a mensagem, aterradora. Bohr mal conseguiu ouvir a breve apresentação de algumas daquelas pessoas ao redor. * - Fui condenado! Sou um retornado! Que destino terrível fora do mundo natural! * - O espanto e tristeza tomaram conta do anão, que pareceu ainda menor e drasticamente mais fraco, frágil.

    Rohan e Terceira Era não diziam nada para o anão, mas se tudo isso ficava no passado. * - Por quanto tempo meu espírito ficou perdido até reencontrar meu corpo?! Que absurdo eu sou? * - Mas em sua consciência, Bohr sabia que Morgoth vivia no norte e era forte seu reino. Ele não tinha sido derrotado e o anão imaginava quando o Escuro se lançaria a uma guerra aberta para recuperar a Silmaril que foi encravada no Nauglamír - o Colar dos Anões. Mas ele retornou e destruiu outra vez as Duas Lâmpadas do mundo? * - Ele tinha sido destruído então! E não há reinos para enfrentá-los agora? Onde estão os reinos gloriosos do meu tempo? *.

    Consternado, Bohr tenta se recuperar e fixar sua atenção na mensagem de Axcelandria. Quando ela falou à procissão, ele próprio tentou avaliar seu destino. * - Não posso abrir mão do que sou! Ou do que fui... que existência perturbada... Ainda assim, não posso deixar o desespero me dominar. Se estou aqui, esta é minha vida e estou sendo recebido a um custo alto em meio a tantos desamparados. *

    Escuta o homem chamado Arthur falar sobre cerveja e parece que nem isso eles têm. * - Certamente uma lástima! Que esperança, há?! Espero que uma boa erva para um velho cachimbo ainda se encontre... *. O anão procura a mulher Axcelandria e pede ajuda para procurar algum sentido, alguma utilidade.

    - Senhora Axcelandria, me chamo Bohr, filho de Harald, do reino anão de Nogrod nas Montanhas Azuis, as Ered Luin. Sou forte em batalha mas trabalhei como mestre em obras, construções em reformas nas grandes cidades anãs e também na cidade élfica de Menegroth. - Ao citar o reino de Thingol, o anão se encolheu ainda mais mas logo encheu o peito, pensando nas qualidades de seu povo. - Em terrenos secos e sob a escuridão, anões são temíveis caçadores, senhora.  Estou sob seu comando, seja para avançar à frente ou para proteger os mais lentos. Onde a senhora considerar melhor, eu estarei lá.

    O desconforto dos farrapos sobre o corpo ainda era um incômodo mas quase ninguém ali aprecia usar algo muito mais adequado.
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    A Marcha ao Oeste Empty Re: A Marcha ao Oeste

    Mensagem por Lnrd em Qua Maio 13, 2020 12:03 am

    A Marcha ao Oeste Morgot10




    "- Você ainda ansiará pela morte como obséquio meu - disse Morgoth, rindo. E levou Húrin ao Haudh-en-Nirnaeth, que na época estava recém-erguido, e o odor da morte pairava sobre ele; e Morgoth colocou Húrin em seu topo, e o mandou olhar para o oeste, em direção a Hithlum, e pensar em sua esposa, seu filho e seus demais parente. - Pis moram agora em meu reino - disse Morgoth - e estão à minha mercê". (Tolkien, Contos Inacabados de Númenor e da Terra-Média)


    Desvendavam a planície lentamente, à medida em que as próprias luzes permitiam revelar o caminho cortando a cegueira à frente. Esperavam não ter nenhuma surpresa desagradável ao vencerem uma elevação ou passarem por alguma formação rochosa – Bergil, Arthur e Rossegwen com o azul das luzes fëanorianas; Bohr e Helena com as brasas vulcânicas que queimavam demoradamente nas pontas de tochas.

    Aquela dupla havia se juntado à vanguarda sob recomendação de Axcelandria. Era, não obstante, uma forma de mostrar ao povo que tinham boa vontade.
    - Mestre anão – dissera ela, um tanto consternada - Fala de um tempo que passou faz muito. Tu e nossa amiga elfa são de um tempo perdido... .

    Aproveitou a falar não só da Guerra da Ira, na qual Eärendil Meio-Elfo, filho de Tuor e Idril, cruzou os céus com a Silmaril à testa e liderou a derrocada de Morgoth, mas de como Eönwë forçou a coroa de ferro que o próprio Sinistro Inimigo do Mundo usava, batendo-a como um colar e, uma vez acorrentando-o, arrastou-o para fora do mundo, iniciando eras de relativa paz.

    Também falou, entretanto, de como Sauron, seu lugar-tenente, ascendera como Senhor do Escuro, e dos males que trouxe ao mundo através de seus anéis de poder. Por fim, como uma nota triste, de como apenas a raça dos homens herdara Arda, como todas as outras desaparecendo no esquecimento.

    E que isso ocorrera muito, muito, muito antes de Morgoth retornar. “Infelizmente, é melhor que saiba agora”. E, com aquilo, mostrara-lhe o mapa.

    A Marcha ao Oeste Mapa210


    Beleriand, a Oeste das Montanhas Azuis, não existia mais, destruída durante a derradeira luta contra Morgoth. Parte daqueles montes persistiram, um dos pontos de partida dos anões para as “Terras de cá, a Terra-Média”. Mas o que sobrara daquilo hoje eram apenas ilhas, o Reino das Harpias, novamente o oceano tendo avançado pelo continente.
    - Sinto muito - disse, apesar de aquelas palavras não serem suficientes para consolá-lo.

    Mas aquele momento ficara para trás, assim com a velha e Ignastácia. Conforme o quinteto avançava, a temperatura parecia cair mais. Novamente, para os três primeiros, aquilo não parecia fazer tanta diferença, uma vez que vestiam os tecidos dos elfos. Para os outros, apesar do incômodo, não chegava a ser um inverno preocupante. Era muito mais um vento agourento, dos que fazia a espinha se arrepiar.

    Haviam ganho também um arco e uma espada – na verdade, um machado simples para o anão.

    A Marcha ao Oeste C02d4a10


    No início, parecia apenas uma impressão. Era como se as luminárias se tornassem fracas. Mas não demorou para perceberem que havia outra coisa ali. Neblina.

    Mais e mais, ela se tornava densa, até o ponto em que dificultava a um enxergar o brilho do outro mais distante. Precisavam manter a proximidade.

    Por detrás, um movimento, ou apenas o fruto da imaginação.
    Um silvo, um lamento.
    Não pareciam estar a sós.
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    Mensagem por Christiano Keller em Qui Maio 14, 2020 2:11 am

    Arthur Blackbeer,

           A mensagem de Axcelandria para Borh e Helena ainda era amarga. Arthur sabia que aquilo havia acontecido, que não tinha mais família nem cerveja. No entanto saber e aceitar não preenchem o vazio deixado por estas perdas. Talvez apenas as areias do tempo possam preencher de alguma forma o vazio deixado por estas perdas. O sabor de uma cerveja doce ainda pairava na boca de Arthur como uma memória de um passado que foi bom.

           A caminhada pele passagem agora cheia de neblina não era um bom sinal. Levar as pessoas para dentro da névoa era um fato de que haveria um preço. Agora era a hora de averiguar este preço, talvez voltar e seguir as orientações da estranha mulher. Será que ela era realmente confiável?

           O barulho do silvo, um lamento, era a prova de que Arthur precisava para saber que não estavam sozinhos.
           - Vamos voltar, fiquem atentos para o combate iminente. Arthur segurava o arco com uma mão, na outra estava a flecha com a luz. Estava pronto para abaixar a luz e para logo em seguida disparar a flecha.

           A neblina certamente era um problema, mas não queria problemas.
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    Mensagem por Faor em Qui Maio 14, 2020 9:03 am

    Axcelandria escreveu:
    - Mestre anão – dissera ela, um tanto consternada - Fala de um tempo que passou faz muito. Tu e nossa amiga elfa são de um tempo perdido...

    O anão, que se esforçava para não ser derrotado pelo desespero, não consegue disfarçar a aflição que vem com cada pedaço de conhecimento novo. Toda a correria com os preparativos para a saída rápida com os dois novos integrantes passou como memórias distantes para Bohr. Ele seguiu os movimentos, como em uma dança, mas estava com a mente distante.

    Após o início da jornada, muito mais silenciosa que a multidão, o filho de Harald ainda estava sufocado em seus pensamentos. O machado simples de volta às mãos era um alívio, mesmo que fosse um equipamento simplório, era grato pela confiança e esperava ser digno. * - Grato mesmo eu ficarei se qualquer coisa que venha me atacar nesse mundo pós morte tenha carne e ossos para testar esse machado! * - O pensamento sombrio trazendo atenção para sua nova realidade.

    Adiante na caminhada, Bohr escuta em suas lembranças algumas antigas canções tristes em seu idioma secreto e se sente ameaçado antes de efetivamente perceber algum perigo. Quando vê os companheiros inquietos, toma consciência do vento agourento e da neblina perturbadora. Junto com os demais, o anão parou para tentar reconhecer quem ou o que parecia se aproximar.

    Arthur Blackbeer escreveu:
    - Vamos voltar, fiquem atentos para o combate iminente.

    - Jovem mestre cervejeiro - Bohr sussurava - Essas luzes nos tornam um belo alvo, sem revelar o inimigo.

    Abandonar as luminárias era absurdo, claro, mas instintivamente o anão tentava afastar a luz de si enquanto posicionava o machado a fim de um golpe curto e rápido à frente do peito aberto.
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    Mensagem por Pikapool em Qui Maio 14, 2020 5:28 pm

    Fëanya ná úpalpima, orenya ná úrácima!
    Sem nada a acrescentar apenas assentia com meus colegas e continuava seguindo quase que sem esperanças de algo melhor. Para piorar duas "novas" almas eram destinadas a sofrer de fome e cansaço junto a nós. Conforme avançávamos a nevoa ficava cada vez mais densa e o medo começava a recair sobre mim. E logo que senti algo mover-se por detrás de nos, Draugmor veio a minha mente e isso me fez tremer.

    Apreensiva, empunhei o arco assim que ouvi o silvar. Em seguida Arthur dizia para recuarmos e preparar-nos para o combate. Sentia minha respiração pesada ao procurar pelo que estava a nossa espreita. Do outro lado o mestre anão sussurrava algo para Arthur. Respirando profundamente já procurava um lugar para esconder-me e dar cobertura a meus companheiros.
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    Mensagem por Lnrd em Sab Maio 23, 2020 10:51 am

    A Marcha ao Oeste 21902310




    “Foi tal o horror de sua chegada, que Huan saltou de lado. Sauron, então, atacou Lúthien; e ela desmaiou diante da ameaça do espírito cruel em seus olhos e do vapor imundo de seu hálito”. (Tolkien, Quenta Silmarillion)


    O negrume da noite cambiara-se num branco cinzento e pastoso. Os ruídos pareciam abafados dentro daquelas paredes e teto repentino.

    Estavam literalmente dentro de uma nuvem fria, cabelos começando a pingar e a grudarem-se pelas caras por conta da umidade.

    Como se vinda de toda a parte e parte alguma, uma canção em forma de murmúrio parecia assomar-se:


    "Frio haja nas mãos, no coração e na espinha,
    e frio seja o sono sobre a pedra daninha:
    que nunca despertem de seu pétreo leito,
    nunca, até a Lua morta, até o Sol desfeito.
    Ao soprar negro dos ventos os astros vão morrer,
    e eles sobre o outro ainda irão jazer,
    até que o lorde escuro sua mão soerga
    sobre o mar morto e sobre a terra negra".
    (Tolkien, O Senhor dos Anéis)


    Mas não pareciam vozes. Lembravam o vento correndo pelo interior das cavernas de debaixo da terra ou dos túmulos há muito abandonados.

    Vindas da cegueira pálida, massas negras iam ficam cada vez mais nítidas e, à distância, pareciam ter pequenos vagalumes no lugar dos olhos. Eram pináculos de escuridão.

    Ao menos era assim aos olhos da raça dos anões e dos homens.

    Para a elfa, havia algo de diferente ali, certa aura de morte acompanhando cada figura, como se coisas que caminhassem presas entre o lado de cá e o de lá. Precisava prevenir os outros de que talvez estivessem diante de coisas que não eram humanas.

    Formavam um círculo largo ao redor da companhia, e a cada instante ficavam mais próximos, numa lenta marcha. Com eles, um frio diferente que não parecia fustigar a pele, mas acorrentar os próprios ossos.

    A presença daqueles vultos era alarmante, mas havia algo mais. O corpo parecia fraquejar a cada palavra proferida por eles, um sono rastejando por dentro da pele.

    A Marcha ao Oeste 7a0beb10


    E enquanto parte do grupo preparava-se para o combate, sem que notassem, outra desenvolvia uma estratégia distinta.

    Sorrateiramente, a jovem desperta dava passos para trás, aproveitando os anéis da corrente não terem se fechado para encontrar uma brecha para a fuga.

    Deixaria os companheiros como isca.

    Tremia, mas assim o fazia por conta do nervosismo. Onde era mesmo o caminho de volta? Aquele manto branco tinha algo de sobrenatural.

    Então disparou. Correu em direção ao esquecimento, só então chamando a atenção do resto da companhia. Era tarde para impedir que fosse embora, de modo que apenas acompanharam-na tornando-se cada vez menos nítida, ao mesmo tempo que algumas das sombras pareceram cair sobre ela.

    A Marcha ao Oeste Dd3f1e10

    A Marcha ao Oeste 0eec3c10
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    Mensagem por Christiano Keller em Ter Maio 26, 2020 5:31 pm

    Arthur Blackbeer,

    Arthur caminha para mais perto de seus colegas, pensando em quando seria a hora de soltar a tocha e atacar. Talvez aqueles inimigos não sejam naturais.
    - Será que eles vão sofre com armas normais ou devemos usar o fogo contra eles? Arthur indagava aos colegas ao perceber que estavam em uma armadilha. Alguém me ajude a colocar fogo na ponta de uma flecha. Será que uma flecha em chamas seria melhor contra eles?
    Eram muitas perguntas na mente de Arthur, algumas das quais não queria saber as respostas. Aquele mundo que não era mais seu parecia estranho e bizarro. Sem comida e sem cerveja não era algo que gostaria de ver continuar. Queria mudar aquilo tudo para novas condições. Talvez seu destino seja matar todos aqueles servos do mal só para conseguir tomar mais uma cerveja. Os nós dos dedos fechavam mais forte ao redor do arco só de pensar no sabor de uma cerveja doce de sua própria produção.
    O clima úmido, escuro e estranho também poderia ser um sinal das criaturas do mal. Aquilo foi parecido com os lobos quando encontraram Ignastásia e depois com os lobos da mata. Eles tem algum tipo de nuvem escura que tampa a visão das pessoas. O fogo e a luz eram o caminho dos homens, elfos e anões. As sombras não passam de um desenho de um objeto iluminado pois sem a luz não há sombra. Com tanta sombra assim, deve haver luz em algum lugar.
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