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    O Emissário da Morte - Capítulo I

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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por JTaguchi em Qua Jun 24, 2020 8:17 pm

    Ao bloquear Arthur, Hugo conseguiu evitar o trabalho futuro de ter que encontrar desculpas para não ter que sair novamente com eles. Ele sempre se esquivava de aglomerações e reuniões efusivas demais e seus colegas de faculdade entregavam justamente isso. Pelo menos por ora, estava a salvo. Em algum momento, teria que se esquivar de alguma reunião dos formandos de sua turma, mas isso ficava para outra hora.

    Não demorou muito e o uber chegou. Minutos depois, estava em casa novamente. Subiu as escadas em direção ao apartamento, sentindo o cansaço tomar conta. Só pensava em tomar um banho, comer alguma coisa e dormir. Talvez, quem sabe, programar alguma coisa antes.

    Girou a maçaneta e entrou. A casa estava mergulhada no escuro, como sempre. Porém, alguma coisa o fez pensar que não estava sozinho. Pé ante pé, ele caminhou pelo corredor que levava para a sala, onde alguma coisa parecia fora do lugar. Acendeu a luz e se assustou com o que viu no sofá.

    Era exatamente como as poucas filmagens mostravam, só que real. Usava um par de botas pretas, um macacão apertado e levemente revelador da mesma cor, luvas, um cinto com uma pistola, munição extra e várias facas. Ao seu lado, uma máscara de caveira mexicana repousava junto com uma peruca volumosa e uma rosa vermelha. A garota estava jogada no sofá, segurando um braço ferido. Gotas de sangue manchavam o chão.

    - Você disse que eu podia te procurar. - falou ela, num misto de dor e sarcasmo. - Espero que tenha umas agulhas aí, porque você vai ter que me remendar.
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por Freak(out) em Qua Jun 24, 2020 8:35 pm


    Quando o uber chegou, Hugo sentiu-se em paz. Estava cansado, precisando de um banho e comer alguma coisa. Sabia que não haveriam mais mensagens estúpidas para convites ainda mais estúpidos, então ele teria uma noite do jeito que gostava.

    Ao entrar no apartamento, aquela paranoia típica voltou a atacar. O local estava mergulhado na escuridão, como sempre e não se ouvia nenhum ruído que fosse suspeito, mas de alguma forma Hugo sabia que não estava sozinho.

    Avançando com cuidado, ele acendeu a luz, pronto para um ataque surpresa, mas a visão que teve foi um tanto curiosa, para dizer o mínimo.

    – Você disse que eu podia te procurar – falou ela, num misto de dor e sarcasmo. – Espero que tenha umas agulhas aí, porque você vai ter que me remendar.

    Coturnos, macacão preto, máscara de Bela Muerte… Facas, armas de fogo, munição. Era a garota que tinha salvado a vida dele. Era a vigilante Rosa Vermelha.

    – Pode deixar – disse, indo rápido ao encontro dela, avaliando a gravidade do ferimento. – Só me deixa desinfetar antes.

    Hugo foi até o banheiro, onde tinha uma caixa de primeiros socorros e voltou com álcool, bandagens, linha, agulha e alguns medicamentos antibióticos. Ele começou a tratar a garota.

    – Não sou do tipo que se mete no que não é da minha conta – falou, enquanto limpava o ferimento dela –, mas também não sou do tipo fofoqueiro, se quiser se abrir comigo.

    Ele aplicou um aerossol que tinha efeito analgésico, deu os pontos e passou uma bandagem. Estava limpo.

    – Aqui – disse, oferecendo a ela um comprimido. – Tome isso. Vai evitar febres e infecções.

    Quando ele viu que estava bem, relaxou. Além de ela ter salvo a vida dele, ele era um médico, apesar de ser um mero estagiário legista. Ele não gostava de ver gente de bem sofrendo.

    – Dá um tempo aqui. Descansa um pouco – ofereceu. – Minha geladeira tá com bastante coisa se tiver com fome.
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por JTaguchi em Seg Jun 29, 2020 10:15 am

    Hugo escreveu:– Não sou do tipo que se mete no que não é da minha conta – falou, enquanto limpava o ferimento dela –, mas também não sou do tipo fofoqueiro, se quiser se abrir comigo.

    Rosa Vermelha desceu o zíper do traje quase até a cintura, revelando o top que vestia por baixo e o físico de quem se exercitava muito e algumas tatuagens. Tirou os braços para fora das mangas, mostrando algumas cicatrizes e hematomas. Era um e sessenta de puro músculo. Ela tinha a respiração pesada e parecia tensa.

    - Meu nome é Maria Eduarda, para começar. - falou enquanto estendia o braço para que ele a verificasse. - Todo mundo me chama de Duda. Pelo menos, os que não sabem que eu também atendo por Rosa Vermelha. Invadi um depósito de armas do tráfico na Rocinha. Como pode ver, não saí completamente ilesa.

    Enquanto ela falava, ele examinou seu braço ferido. Certamente tinha tomado um tiro, mas tivera a sorte de ter sido atingida apenas de raspão. Mesmo assim, a ferida ainda era feia e sangrava. Enquanto passava remédio, ele a ouviu praguejar baixinho. Logo, começou a dar os pontos, e ela pareceu um pouco mais relaxada.


    Hugo escreveu:– Aqui – disse, oferecendo a ela um comprimido. – Tome isso. Vai evitar febres e infecções.

    Ela aceitou. Engoliu o comprimido a seco, então se recostou no sofá.

    - Valeu, cara. - agradeceu. - Se você não se importa, vou ficar aqui mais um pouco. Preciso me recuperar antes de cair fora.

    Hugo escreveu:– Dá um tempo aqui. Descansa um pouco – ofereceu. – Minha geladeira tá com bastante coisa se tiver com fome.

    Eduarda deu um sorriso fraco e tentou se levantar.

    - Eu não costumo ser assim. - disse. - Mas estou morta de fome. Você não faz ideia do quanto bater em vagabundo dá fome.

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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por Freak(out) em Seg Jun 29, 2020 8:58 pm


    – Eu não costumo ser assim – disse. – Mas estou morta de fome. Você não faz ideia do quanto bater em vagabundo dá fome.

    – Sem problemas – disse. – E você não precisa agradecer. Você salvou a minha vida em primeiro lugar e, mesmo sendo um simples estagiário legista, ainda sou um médico. É meu dever ajudar as pessoas; ao menos aquelas que merecem.

    Hugo foi até a cozinha e preparou um grande sanduíche com pão italiano, tomate, alface, orégano, pepino, queijo parmesão e pepperoni. Ele caprichou na maionese e esquentou no micro-ondas, levando também um grande copo de pepsi para sua hóspede.

    – Aqui – disse, colocando a bandeja do lado dela. – Não sou um cozinheiro excelente, mas modéstia à parte meus sanduíches costumam ser bons, e levando em consideração o tamanho desse monstro, acho que sua fome vai acabar antes de conseguir comer ele todo.

    Ele então foi até o quarto e voltou com um cobertor.

    – Se quiser tirar um cochilo aí, te trouxe isso. Infelizmente não tenho quarto de hóspedes ou cama adicional, mas esse sofá é confortável para dormir. Vira e mexe eu acabo apagando nele quando vejo algum filme chato que não consigo ver até o fim.

    Ele cobriu sua paciente até a cintura, enquanto ela comia.

    – Quanto as mensagens, pode ficar tranquila. Já dei um jeito nisso. Ninguém mais sabe do laudo. Bem, vou deixar você descansar.

    Hugo se virou e voltou para o quarto. Ele ficava feliz em poder ser útil de alguma forma para uma vigilante. Agora ele podia voltar a construir seus apetrechos e espionar Letícia, para ver se a maldita estava envolvida em todas essas palhaçadas.

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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por JTaguchi em Ter Jun 30, 2020 1:29 pm

    Diante do sanduíche, Eduarda arregalou os olhos e pegou o prato e o copo com um agradecimento rápido e esfomeado. Comeu tudo muito rápido, como se não comesse direito há várias horas. Diferente do que ele esperava, a garota não deixou nada além de migalhas.

    - Valeu, cara. - falou de boca cheia. - Isso aqui vai ser o suficiente. É difícil contar com as pessoas quando você faz isso aqui.

    Respirou fundo e se recostou no sofá enquanto ele ia buscar cobertor e travesseiro. Não era sempre que tinha uma garota por ali, mas a forma como ela se comportava deixava a situação bem menos constrangedora.

    Hugo escreveu:– Se quiser tirar um cochilo aí, te trouxe isso. Infelizmente não tenho quarto de hóspedes ou cama adicional, mas esse sofá é confortável para dormir. Vira e mexe eu acabo apagando nele quando vejo algum filme chato que não consigo ver até o fim.

    Ela aceitou e ficou olhando para ele por alguns segundos.

    - Isso tudo vai servir. Obrigada mesmo. - disse, depois ficou quieta. - Eu sei que você tem um monte de perguntas. Sei que não vai falar nada disso pra ninguém. Até porque, meus inimigos iam te querer morto na hora se suspeitassem que você me ajudou. E já que me recebeu na sua casa, me fez um curativo e ainda me deu esse sanduíche gigante, vou responder às suas perguntas. Fique à vontade.
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por Freak(out) em Qua Jul 01, 2020 11:13 am

    – Isso tudo vai servir. Obrigada mesmo –  disse, depois ficou quieta. – Eu sei que você tem um monte de perguntas. Sei que não vai falar nada disso pra ninguém. Até porque, meus inimigos iam te querer morto na hora se suspeitassem que você me ajudou. E já que me recebeu na sua casa, me fez um curativo e ainda me deu esse sanduíche gigante, vou responder às suas perguntas. Fique à vontade.

    Hugo puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela. Estava reflexivo, olhando para o chão, com os dedos das mãos entrelaçados.

    – Depois que você se acostuma a conviver com mortos e coisas incomuns começam a acontecer, você percebe que nunca é boa ideia perguntar demais, pois as perguntas vão se tornando desnecessárias – começou, em tom reticente. – E de fato não há muito o que deduzir, certo? Você é uma dos vigilantes que combate a escória, e como a escória infelizmente é algo em comum em nossas vidas, calhou de nós nos encontrarmos, em circunstâncias um tanto... emocionantes.

    Hugo levantou e começou a andar de um lado para outro, lentamente, vez ou outra analisando ela, ainda buscando algo que pudesse tratar ou ajudar a sarar. Isso lhe dava uma postura de um verdadeiro médico – e fazia ele parecer mais velho do que de fato era.

    – Você é uma excelente guerreira; isso nota-se. Além disso, é perita em furtividade. Talvez... Talvez eu possa te ajudar. Não com força bruta, mas de uma outra forma. Veja, senhorita Maria, eu acabei indo para a faculdade de medicina mais por acidente do que por vocação. Sim, procuro fazer o que faço da melhor forma possível, mas tenho outros talentos. Por exemplo, eu poderia ter sido um bom cientista da computação.

    Ele então pegou o seu smartphone, abriu um emulador de terminal e usou um cliente de secure shell para se logar remotamente a um servidor, mostrando para Rosa Vermelha os comandos que digitava.

    – Está vendo? Essa lista de ips são computadores que chamamos de zumbis, ou escravos. São computadores que passei um bom tempo invadindo e garantindo que meu acesso posterior seja válido sempre que possível, através de algo que chamamos de backdoor... porta dos fundos.

    Hugo falava em um tom sério e, apesar de ser jovem, não demonstrava nenhuma petulância imatura, típica de adolescentes da área de TI.

    – Esses computadores podem ser usados para vários propósitos, como espionagem ou ataque de dados em massa via rede... algo que chamamos de D.D.o.S. Minha intenção era justamente usar esses computadores para espionar a Letícia. Preciso saber se ela está envolvida, como suspeito que esteja. Ou talvez... Talvez possamos fazer algo contra aquele cretino do Fraga.

    Hugo então mostrou um diretório em particular – um oculto.

    – Todos esses códigos são da minha autoria. Há exploradores de vulnerabilidades, exploits... Há registradores de teclas, ransonwares... Tem de tudo. Se achar que esse tipo de coisa é útil para vocês, vigilantes, seria um prazer colocar esse conhecimento à serviço de uma causa nobre. Se for do seu interesse, pode me acompanhar no hacking. Eu nunca fiz isso com plateia antes, então acho que vai ser interessante.
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por JTaguchi em Qua Jul 01, 2020 11:57 am

    Hugo escreveu:– Depois que você se acostuma a conviver com mortos e coisas incomuns começam a acontecer, você percebe que nunca é boa ideia perguntar demais, pois as perguntas vão se tornando desnecessárias – começou, em tom reticente. – E de fato não há muito o que deduzir, certo? Você é uma dos vigilantes que combate a escória, e como a escória infelizmente é algo em comum em nossas vidas, calhou de nós nos encontrarmos, em circunstâncias um tanto... emocionantes.

    - Perguntar pode ser uma boa ideia, se você estiver pronto para as respostas. - ela disse, com o olhar em algum ponto indefinido. - Mas sim, o resto você acertou. Estamos nessa viagem louca já faz um tempo, e de repente você se pega pensando se vai conseguir parar ou não. A vida normal não é o suficiente e essa insanidade de ser vigilante é ainda pior. A gente sempre se pega nesse limbo escroto. É uma merda.

    Hugo escreveu:– Você é uma excelente guerreira; isso nota-se. Além disso, é perita em furtividade. Talvez... Talvez eu possa te ajudar. Não com força bruta, mas de uma outra forma. Veja, senhorita Maria, eu acabei indo para a faculdade de medicina mais por acidente do que por vocação. Sim, procuro fazer o que faço da melhor forma possível, mas tenho outros talentos. Por exemplo, eu poderia ter sido um bom cientista da computação.

    Eduarda ficou quieta por um tempo, então fez uma careta.

    - Faixa preta de muay thay. - contou. - Vamos dizer que eu não uso isso apenas como Rosa Vermelha. Faz parte da minha vida num nível um pouco maior. Mas sim, pratiquei muito para chegar nesse nível. Você se aperfeiçoa bastante quando convive com a ideia de que você não vai perder uma medalha para o cara que está do outro lado.

    Quando ele citou seus talentos com computadores, ela mudou a expressão. Pareceu mais interessada naquilo. Franziu a testa enquanto ele falava, demonstrando bastante dificuldade em entender o que ele dizia. Por fim, deu risada quando percebeu a empolgação crescente de Hugo.

    - Ok, temos um completo nerd aqui. - riu. - Infelizmente, não entendo nada disso e, se quer saber, seria muito bom ter a ajuda de alguém que entenda de verdade disso. Até temos alguns amigos que sacam mais de informática que a gente, mas nenhum deles chega nesse nível. Hugo, falando sério: já pensou em largar essa porra de IML?

    Assim que ele se sentou, ela esticou suas pernas e as pousou sobre seus joelhos.

    - Tire minhas botas - pediu. - Meus pés estão doloridos.

    Houve um breve momento de silêncio. Quando se viu descalça, ela mexeu os dedos dos pés de uma forma estranha, estalando-os. Depois livrou-se do traje, mostrando mais alguns hematomas nas pernas. Aparentemente, aquela noite tinha sido bem agitada. Eduarda pareceu cansada e abatida pela primeira vez. Hugo reparou que, apesar da postura agressiva que lhe lembrava uma heroína como a Caçadora, ela devia ser mais nova que ele.

    - Não precisa me chamar de senhorita. - disse. - Apesar de achar essa gentileza toda muito foda. Não se vê muita gentileza de onde eu venho. O que é engraçado, porque me faz lembrar do meu amigo. Enfim, estou divagando. Me conta mais dessa Letícia. Você parece bem interessado nela.
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por Freak(out) em Qua Jul 01, 2020 2:04 pm

    A conversa se estendeu e se tornava cada vez mais pessoal. Hugo achou bastante impressionante ao saber que ela era faixa preta em Muay Thai. Isso explicava muita coisa. Quando ele começou a mostrar suas habilidades para garota, insinuando que aquilo poderia, de alguma forma, ser útil naquele tipo de “ramo”, Maria Eduarda começou alternar em um misto de interesse e confusão.

    – Ok, temos um completo nerd aqui – riu. – Infelizmente, não entendo nada disso e, se quer saber, seria muito bom ter a ajuda de alguém que entenda de verdade disso. Até temos alguns amigos que sacam mais de informática que a gente, mas nenhum deles chega nesse nível. Hugo, falando sério: já pensou em largar essa porra de IML?

    Hugo ficou em silêncio por um momento. Não era exatamente carrancudo, mas via-se que era um sujeito muito reflexivo e pegava-se pensando demais nas coisas.

    – Sim. Para falar a verdade, penso nisso todos os dias. O IML não é diferente de qualquer outro lugar desta cidade. Ele está contaminado, e não apenas com decomposição de cadáveres. Existe algo muito mais podre e nojento nos vivos que frequentam aquele lugar. Contudo, sair assim subitamente, jogando tudo para o ar, está longe de ser algo esperto, embora está claro que eu não vou conseguir ajudar ninguém como planejava...

    Ele estava divagando e, quando percebeu, ela tinha esticado as pernas sobre as coxas dele.

    – Tire minhas botas - pediu. - Meus pés estão doloridos.

    Ele achou aquilo um pouco estranho, mas ajudou ela que, então, estalou os dedos do pé e tirou o traje, revelando mais hematomas nas pernas, mostrando que a noite havia sido pior do que ele imaginava. Foi nesse momento que ele percebeu que ela era jovem demais – provavelmente mais do que ele.

    – Não precisa me chamar de senhorita – disse. – Apesar de achar essa gentileza toda muito foda. Não se vê muita gentileza de onde eu venho. O que é engraçado, porque me faz lembrar do meu amigo. Enfim, estou divagando. Me conta mais dessa Letícia. Você parece bem interessado nela.

    Hugo sorriu.

    – Desculpe. É difícil evitar nessa profissão. A formalidade é levada a sério demais, mas tudo bem. A gente faz do seu jeito. Quanto a Letícia, eu acredito que foi ela que adulterou o laudo. Seria fácil ver isso, pois ela não é do tipo que leva segurança e privacidade a sério. Eu tenho o número dela aqui e... Bem, talvez depois da gente dar um jeito nesses vergões e você descansar um pouco. Eu tenho pomada para esse tipo de coisa e, não me leva a mal, mas você está com um aspecto esgotado. Tem certeza que quer espionar alguém antes de descansar?
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por JTaguchi Ontem à(s) 10:32 am

    Hugo escreveu:– Desculpe. É difícil evitar nessa profissão. A formalidade é levada a sério demais, mas tudo bem. A gente faz do seu jeito. Quanto a Letícia, eu acredito que foi ela que adulterou o laudo. Seria fácil ver isso, pois ela não é do tipo que leva segurança e privacidade a sério. Eu tenho o número dela aqui e... Bem, talvez depois da gente dar um jeito nesses vergões e você descansar um pouco. Eu tenho pomada para esse tipo de coisa e, não me leva a mal, mas você está com um aspecto esgotado. Tem certeza que quer espionar alguém antes de descansar?

    Ela ficou um tempo pensativa, enrolada no edredom.

    - Entendo seu lado. Não sei se minha sanidade estaria intacta se tivesse que ver defuntos todos os dias. - comentou, com o olhar perdido. Então deu um sorriso duro. - Se bem que... eu não estou muito longe disso. Vejo cadáveres quase todos os dias e minha sanidade não está nem um pouco intacta.

    Sentou-se novamente, ficando ereta no sofá.

    - O que eu quero dizer, Hugo, é que essa vida cobra um preço muito alto. Esses hematomas não são nada comparados com o que rola de verdade com a gente. - contou. - Nossos parentes às vezes nos chamam de assassinos na cara sem saber com quem estão falando, seus amigos cospem em tudo que você faz... porra, até arrumar alguém pra sair é uma merda. Eu seria a última a te impedir de fazer qualquer porcaria que quisesse, mas você precisa entender que expurgar essa merda de cidade não é uma tarefa agradável. Nós até ajudamos as pessoas, mas elas quase nunca sabem disso e na maioria das vezes, não serão gratas.

    Quando ele mencionou o número de Letícia, ela ficou mais interessada.

    - Você tem motivos para suspeitar que ela tenha adulterado seu laudo, eu acho. Mas não é exatamente ela que me interessa. O que me interessa são os cadáveres que você examinou, especialmente os atiradores.

    "Veja bem, existe uma diferença entre um retardado defensor dos direitos humanos de Twitter e dos filhos da puta que você me faz pensar que a sua colega é. A diferença é bem sutil: os filhos da puta têm poder, influência e recursos pra mexer os pauzinhos e foder a vida de gente como eu ou como o capitão. Se a Letícia é quem eu suspeito que é, você precisa se lembrar de qualquer coisa que tenha visto em comum nos dois cadáveres. Algo estranho, meio fora dos padrões. Isso vai ser o suficiente para começarmos uma investigação que valha a pena. Caso contrário, não podemos perder tempo revirando a vida de alguém que acha que combate o aquecimento global indo de bicicleta para o trabalho. Consegue se lembrar de algo?"


    Hugo ficou quieto por um tempo. Ao voltar mentalmente naquele dia, lembrou-se da estranha tatuagem de estrela que ambos tinham, um no pescoço e outro nas costas. A forma como a tatuagem tinha sido feita não parecia algo normal, com pigmento: fora entalhado nas costas com lâmina ou laser, como uma escarificação. Era pequeno e com um traço notavelmente amador, mas saltava aos olhos de um examinador mais minunsioso.

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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por Freak(out) Ontem à(s) 11:36 am



    – O que eu quero dizer, Hugo, é que essa vida cobra um preço muito alto. Esses hematomas não são nada comparados com o que rola de verdade com a gente – contou. – Nossos parentes às vezes nos chamam de assassinos na cara sem saber com quem estão falando, seus amigos cospem em tudo que você faz… porra, até arrumar alguém pra sair é uma merda. Eu seria a última a te impedir de fazer qualquer porcaria que quisesse, mas você precisa entender que expurgar essa merda de cidade não é uma tarefa agradável. Nós até ajudamos as pessoas, mas elas quase nunca sabem disso e na maioria das vezes, não serão gratas.

    Hugo deu de ombros. Não por ser insensível, mas porque aquilo já era tão comum para ele que não afetava. Na verdade, ele nunca chegou a experimentar o outro lado da moeda.

    – Não falo com a minha família faz um tempo – disse, sorrindo. – Nunca brigamos nem nada, mas não faz falta, sinceramente. Quanto a amigos… Bem, eu nunca tive amigos desde que me mudei pra cá. Os meus conhecidos são tão fúteis e insuportáveis – e nesse momento se lembrou de Celso e Arthur – que eu não ousaria chamá-los de amigos. E, por fim, quanto arrumar alguém para sair, eu te entendo perfeitamente. Você acha mesmo que alguém ia querer sair com um cara como eu… se eu contasse que os mortos literalmente falam comigo? Aconteceu esses dias mesmo… Os atiradores mortos sentando na maca e falando um monte de merda, as vítimas deles na outra maca gritando na minha orelha por vingança… Pois é. Acho que você e eu não somos loucos. Acho que somos completamente fodidos da cabeça; falo por mim, pelo menos.

    Ele revelou mais sobre si para Maria do que para sua própria mãe. Talvez não parecesse sensato, afinal ele acabara de conhecer ela, mas ora, ela era uma matadora de bandidos que usava um disfarce, então, no fim das contas, falar que os defuntos conversavam com ele não parecia algo tão incomum naquelas circunstâncias – embora ela provavelmente tenha achado a coisa toda muito esquisita.

    – Você tem motivos para suspeitar que ela tenha adulterado seu laudo, eu acho. Mas não é exatamente ela que me interessa. O que me interessa são os cadáveres que você examinou, especialmente os atiradores.

    “Veja bem, existe uma diferença entre um retardado defensor dos direitos humanos de Twitter e dos filhos da puta que você me faz pensar que a sua colega é. A diferença é bem sutil: os filhos da puta têm poder, influência e recursos pra mexer os pauzinhos e foder a vida de gente como eu ou como o capitão. Se a Letícia é quem eu suspeito que é, você precisa se lembrar de qualquer coisa que tenha visto em comum nos dois cadáveres. Algo estranho, meio fora dos padrões. Isso vai ser o suficiente para começarmos uma investigação que valha a pena. Caso contrário, não podemos perder tempo revirando a vida de alguém que acha que combate o aquecimento global indo de bicicleta para o trabalho. Consegue se lembrar de algo?”


    Naquela hora Hugo se lembrou daquelas “tatuagens”. Na verdade não eram tatuagens, mas sim escarificações, modificações corporais mais extremas. Aquela merda certamente deixou ele com uma pulga atrás da orelha, embora ele não soubesse exatamente o motivo…

    – Bem… na verdade tinha uma coisa estranha. Ambos os cadáveres dos atiradores tinham uma escarificação, algo mais extremo que uma tatuagem à tinta. A escarificação tinha a forma de uma estrela. Sei que isso não deveria significar muito se levarmos em conta os tipos de ideologias que esses filhos da puta seguem, mas por alguma razão essas marcas me deixaram cismado. Não parecia ser apenas alguma babaquice Stalinista. Isso te diz algo?
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por JTaguchi Ontem à(s) 1:35 pm

    Hugo escreveu:– Não falo com a minha família faz um tempo – disse, sorrindo. – Nunca brigamos nem nada, mas não faz falta, sinceramente. Quanto a amigos… Bem, eu nunca tive amigos desde que me mudei pra cá. Os meus conhecidos são tão fúteis e insuportáveis – e nesse momento se lembrou de Celso e Arthur – que eu não ousaria chamá-los de amigos. E, por fim, quanto arrumar alguém para sair, eu te entendo perfeitamente. Você acha mesmo que alguém ia querer sair com um cara como eu… se eu contasse que os mortos literalmente falam comigo? Aconteceu esses dias mesmo… Os atiradores mortos sentando na maca e falando um monte de merda, as vítimas deles na outra maca gritando na minha orelha por vingança… Pois é. Acho que você e eu não somos loucos. Acho que somos completamente fodidos da cabeça; falo por mim, pelo menos.

    O olhar dela mudou. Não era medo; Hugo reconhecia medo quando via, principalmente no rosto de vítimas de assalto e homicídio. Era algo diferente. Talvez... reconhecimento. Como se ela estivesse reconhecendo nele um igual.

    - Então você sabe. - disse, sem esboçar reação alguma. - Isso precisa sair daí, Hugo. Ou você põe pra fora, ou vai te consumir.

    Hugo escreveu:– Bem… na verdade tinha uma coisa estranha. Ambos os cadáveres dos atiradores tinham uma escarificação, algo mais extremo que uma tatuagem à tinta. A escarificação tinha a forma de uma estrela. Sei que isso não deveria significar muito se levarmos em conta os tipos de ideologias que esses filhos da puta seguem, mas por alguma razão essas marcas me deixaram cismado. Não parecia ser apenas alguma babaquice Stalinista. Isso te diz algo?

    Maria Eduarda balançou a cabeça, concentrada. A estrela parecia um elemento importante para a sua investigação.

    - Você disse uma estrela, não é? Isso muda tudo. Sua colega pode não estar envolvida. Talvez ela tenha simplesmente adulterado o documento seguindo ordens de alguém de cima. De qualquer forma, ela merece ser investigada.

    "Ainda não temos todas as respostas para a pergunta que você fez, e olha que estamos investigando esses putos há dois anos. Já vi todo tipo de filho da puta com essa marca: artistas, influencers, médicos, burocratas. Bandidos, por incrível que pareça, são poucos. Até agora, nenhum de nós conseguiu entender direito o que são, mas meu amigo suspeita que eles não sejam exatamente ligados a partidos de qualquer um dos lados, embora as ideias progressistas sejam amplamente disseminadas por eles.

    Fato é que eu não caço só esses malditos. Esse é o peixe grande, é claro, mas a gente já fodeu com todo tipo de esquema: tráfico, milícia, corrupção. Nosso primeiro alvo foi um pastor que usava sua igreja pra lavar dinheiro, acredita?"


    Ela riu com a lembrança. Era interessante pensar que, quando se referia às suas atividades como vigilante, ela nunca usava o individual. A coisa parecia bem coletiva.

    - Então, doutor. - ela disse, depois de alguns segundos. Parecia ter recobrado o ar debochado e agressivo de garota do gueto. - O que acha de impressionar a garota e mostrar o que você faz naquele computador?
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por Freak(out) Ontem à(s) 1:45 pm



    – Você disse uma estrela, não é? Isso muda tudo. Sua colega pode não estar envolvida. Talvez ela tenha simplesmente adulterado o documento seguindo ordens de alguém de cima. De qualquer forma, ela merece ser investigada.

    “Ainda não temos todas as respostas para a pergunta que você fez, e olha que estamos investigando esses putos há dois anos. Já vi todo tipo de filho da puta com essa marca: artistas, influencers, médicos, burocratas. Bandidos, por incrível que pareça, são poucos. Até agora, nenhum de nós conseguiu entender direito o que são, mas meu amigo suspeita que eles não sejam exatamente ligados a partidos de qualquer um dos lados, embora as ideias progressistas sejam amplamente disseminadas por eles.

    Fato é que eu não caço só esses malditos. Esse é o peixe grande, é claro, mas a gente já fodeu com todo tipo de esquema: tráfico, milícia, corrupção. Nosso primeiro alvo foi um pastor que usava sua igreja pra lavar dinheiro, acredita?”


    – Nessa cidade eu acredito em tudo – disse, espreguiçando-se na cadeira. – Parece que nada é impossível nessa cidade quando se trata de vilania.

    – Então, doutor – ela disse, depois de alguns segundos. Parecia ter recobrado o ar debochado e agressivo de garota do gueto. – O que acha de impressionar a garota e mostrar o que você faz naquele computador?

    Hugo a olhou por um momento e viu que ela não estava cogitando descansar, tampouco estava se importando com os ferimentos de contusão. Ela parecia, pela forma que falava, ser alguém que alternava entre humores diferentes facilmente.

    – Vem comigo – pediu, oferecendo a mão para ajudar ela a se levantar. – Pode parecer coisa de nerd, mas nas mãos erradas esse tipo de habilidade vira terrorismo puro.
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por JTaguchi Ontem à(s) 6:18 pm

    Hugo escreveu:– Vem comigo – pediu, oferecendo a mão para ajudar ela a se levantar. – Pode parecer coisa de nerd, mas nas mãos erradas esse tipo de habilidade vira terrorismo puro.


    Maria Eduarda sorriu e aceitou sua mão. Sentou-se perto dele enquanto ele ligava o computador e começava a fuçar na vida de Letícia para desenterrar alguns esqueletos.

    Ele começou pelo básico. A agitação de poder se enfiar em todos os cantos no computador de Letícia era boa demais para ser descrita. Fato é que a moça não tinha grandes proteções em seus aparelhos, o que facilitava muito a sua vida.

    - Prometo te levar pra gente socar uns vagabundos qualquer hora. - disse, a voz sonolenta.

    Hugo não a ouviu mais pelos próximos minutos. Continuou sua investigação enquanto fazia uma lista das coisas que descobriu:

    1 - Letícia não se depilava (descoberta feita da pior forma possível);
    2 - ela traía o namorado com mais dois caras (um deles era ex-presidiário);
    3 - devia dinheiro do aluguel para a própria mãe;
    4 - tinha deixado de falar com o pai porque ele deixara de pagar o carro.

    Ia compartilhar os detalhes sórdidos de sua pesquisa quando se virou para Eduarda e a viu dormindo no sofá.

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    Hugo: 9, 7, 6, 2, 5, 4, 7, 7, 9. 2 Sucessos.
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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por Freak(out) Hoje à(s) 2:44 am



    Hugo começou a fuçar a vida de Letícia. Como ele imaginava, não foi difícil burlar a pouca proteção dela. Ele percebeu que Maria tinha ficado calada e já imaginou que ela tinha adormecido. Não a culpava, afinal ela estava exausta e era muito de se admirar o quanto ela aguentou acordada tanto tempo depois de passar a noite lutando contra criminosos.

    +18 / Disturbing Content / Biohazard Risk / Uma Ameaça foi Detectada / Não diga que eu não avisei...:

    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 MLupyuKJ_400x400

    "Ah, vá! Sério? Nossa, nunca iria imaginar..."

    Ele se concentrou em enumerar as informações sobre o alvo. As coisas que ele descobriu não o surpreenderam, afinal, levando em consideração o caráter e as preferências de Letícia, não podia esperar algo diferente. Por sorte ele estava acostumado a mexer em corpos podres e destruídos, logo o seu estômago era forte. Uma pessoa comum provavelmente acharia aquela criatura deveras nauseante em todos os aspectos, esferas, sentidos e perspectivas.

    “Hora de refinar um pouco. Quem sabe descobrir mais coisas.”

    Ele fez uma pausa para lavar o rosto e fazer um café. Se virou e viu Maria dormindo no sofá. Ele a cobriu e a contemplou por alguns instantes.

    “Ela é o completo oposto da Letícia. Corajosa, honrada, bela, atraente…”

    Quando se deu conta sobre o que divagava, balançou a cabeça reprovando a si mesmo.

    “Para com isso, seu idiota. Você acabou de conhecer ela e trata-se de uma paciente. Tenha um pouco de bom senso, se quiser ser melhor do que essa escória que você abomina.”

    Hugo se limitou a fazer o café e tentar descobrir algo mais no computador. Ele também se preocupou em bloquear as entradas. Ele não queria que ele e Maria fossem pegos de forma traiçoeira enquanto ela dormia e ele estava distraído no computador.

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    O Emissário da Morte - Capítulo I - Página 2 Empty Re: O Emissário da Morte - Capítulo I

    Mensagem por JTaguchi Hoje à(s) 9:35 am

    A última descoberta da noite foi uma banalidade curiosa: Letícia frequentava assiduamente um bar na Lapa chamado Madame Satã. Procurando por algumas informações sobre o estabelecimento, Hugo descobriu que aquele bar era quase que um reduto dos lacradores da cidade, embora fosse pequeno. Estava sempre exibindo atrações de gosto duvidoso e recebia a ilustre presença do estimado Marcelo Fraga.

    O auge dessa pesquisa aconteceu quando ele descobriu que, há pouco mais de um ano, o Carrasco e a Rosa Vermelha invadiram o lugar enfiando o carro personalizado deles, o Sarcófago, parede adentro. No processo, Marcelo Fraga fora alvejado com três tiros e quase morreu. Uma pena ter ficado no quase, porque seus eleitores e a mídia o transformaram numa espécie de santo e agora ele estava ficando cada vez mais forte para as eleições municipais. Se ele chegasse à prefeitura, talvez a vida dos vigilantes ficasse mais difícil.

    Já era tarde quando ele foi dormir. Maria Eduarda ressonava no sofá.

    ***


    Quando amanheceu, Hugo sentiu cheiro de café novo ao acordar. Encontrou Maria na cozinha, passando café. O cabelo bagunçado estava amarrado num coque mal feito com uma caneta surrupiada de sua mesa e ela parecia muito mais disposta que antes.

    - Bom dia, doutor. - ela cumprimentou, bem humorada. - Vim fuçar na sua dispensa pra fazer um café. Acho que é o mínimo depois de ter alugado seu sofá ontem. Tem sanduíche na mesa, senta aí. A gente precisa conversar.

    Ela fechou a garrafa térmica e a levou até a mesa, que estava arrumada com algumas coisas que Hugo tinha na geladeira para o café da manhã. Deu um gole na xícara e pensou um pouco.

    - A coisa entre nós está ficando séria muito rápido. - falou, de forma debochada. - Eu invadi sua casa duas vezes, dormi no seu sofá uma e agora você está olhando pra mim com cara amassada de quem acabou de acordar. Só falta eu assaltar uma camiseta do seu guarda-roupas.

    "Brincadeiras à parte, meu amigo está vindo me buscar. Ele vai me trazer umas roupas e eu vou aproveitar a situação pra te apresentar a ele. Espero que não fique assustado com isso, mas eu sou uma moça de família. Contei algumas coisas sobre você, mas vou deixar o principal para que você conte pessoalmente. Talvez ele te faça uma proposta. De qualquer forma, o que acha de receber uma boa proposta de emprego?"

    Não demorou muito e bateram na porta. Ao atender, Hugo se viu diante de um homem na casa dos trinta anos. Ele era loiro, de cabelo comprido amarrado num rabo de cavalo e roupas um tanto formais. Sua postura lembrava um oficial da Wermatch.

    - Bom dia - cumprimentou, a voz contida e educada. - Você é Hugo? Sou Walther, amigo da Eduarda.
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