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    Casa dos Algozes

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    Mensagem por Wordspinner em Qua Ago 19, 2020 4:25 pm




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    A casa tem um estilo rustico, porém é cheia de tomadas, entradas usb e até conectores mais exóticos nas paredes. Todas as portas e janelas para fora são duplas, duplas e a prova de balas. Assim como as paredes de vidro. No subsolo a casa é ligeiramente maior e é lá que fica a caldeira para aquecimento no inverno e o aquecedor de água que até pode usar lenha, mas tem gás encanado. Ao seu lado um grande gerador alternativo a diesel cheio de displays. No mais, os cômodos eram impessoais antes de vocês trazerem as suas coisas.


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    Mensagem por Wordspinner em Qua Ago 19, 2020 4:34 pm

    Do lado de fora uma nevoa fina cobre as ruas. Pela janela dá para ver duas casas vizinhas com gelo no jardim. Mesmo assim o shopping já está abrindo e soltando uma aconchegante fumaça branca pelos seus exaustores em forma de chaminés. Um tímido fluxo de carros faz barulho na rua da frente. O sol brilha sem muito calor do lado de fora.

    Off:
    @faor @Ankou os dois estão na cozinha que tem uma bancada aberta para sala. É uma excepcionalmente fria manhã de sábado.
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    Mensagem por Ankou em Qua Ago 19, 2020 6:51 pm






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    A coisa já tava toda no esquema, Brendan sabia por onde eles iam entrar e sair, já tinha pedido a licença e avisado de antemão pra não dar merda. O resto dos Algozes aquele dia tinham seus afazeres, tinha deixado o território na mão dos companheiros pra resolver aquela pendenga de uma vez.

    O cheiro de bacon se alastrava pela casa, esse já reservado num aramado secando enquanto o cutelo descia com força, fazendo um corte seco sobre a perna de um cervo abatido há alguns dias, chegou a partir o osso. A chaleira apitava, tinha abandonado o café optando pelo chá preto sem açúcar. A carne agora frigia na gordura do bacon, simples, temperada com sal e pimenta do reino. Por último ovo mexido pra terminar de tirar o gosto bom de carne e gordura da frigideira. Café da manhã dos campões de mais de dois metros de altura e com um metabolismo monstruoso e indigesto.

    Um prato desliza por cima da bancada da cozinha até parar na frente de Shaw enquanto Connor senta em um banquinho que ele já havia deixado ali especialmente pra ele ficar na altura exata da porcaria.

    - Já deixei tudo no esquema anteontem pra a gente ir lá conversar com a Ash e o que ela pode saber sobre sua mãe. – Falava entre uma garfada e outra. Se sentia estranho em chamar a própria mãe pelo nome e não de mãe. – No caminho eu quero te mostrar uma parada no Hisil, eu comentei com o pessoal e contigo um tempo atrás, não sei se tu lembra, o fetiche que faz Uratha ficar longe, melhor levar um óculos escuros. – Dava pra ver que ele tinha um pendurado no bolso da jaqueta.

    Terminou de lavar a louça do café, escovou os dentes e logo se encontrava com Shaw na garagem, o esportivo nem tava mais lá, mas a picape de segunda mão que Connor tinha dado entrada naquele meio tempo tava, pelo menos agora ele tinha espaço pra dirigir direito, odiava aquele esportivo de anão.

    Entrou pela quinta avenida, tinha a sensação do espaço invadido, sensação que ele conhecia tão bem, sorriu – Ele já sabe que a gente tá aqui. – Se referia a Brendan.

    Desacelerou um pouco enquanto passava na frente da casa de Millie, colocou os óculos escuros, e indicou pra onde Shaw devia olhar, do outro lado não tinha a casa, mas uma árvore puxada e torcida até se tornar uma antiga torre de eletricidade com fios saindo em várias direções, uma pedra ao lado da árvore marca o símbolo dos Filhos do Corvo e na árvore num galho cheio de folhas verdes que parecem conversar entre si está pendurado um apanhador de sonhos em chamas. – Essa porra quase me fodeu, duas vezes, tem um outro na loja, quando vier a próxima reunião do protetorado eles vão querer saber tudo, o que tá decidido e quem vai correr com a gente, pode ter certeza que eles vão direcionar isso aí pra outro lugar, a gente precisa de um desses pra direcionar nossos Sangue e deixar eles protegido dos Puros se caso a gente precisar. – logo voltou sua atenção pra estrada acelerando o carro. Dobrou na esquina da casa da tia Elise, andou mais dois blocos e estacionou o carro, tava de frente a sua antiga casa. Não chamou atenção, mas tinha praticamente certeza de que Ash já sabia que eles estavam ali. – Acredite ela odeia perder a matina da sexta-feira dela pra cuidar de assuntos da “vida alternativa” – se usava de eufemismo por estar no meio da rua – Ela não vai te convidar pra entrar, por que ela tem os motivos dela, mas ela gosta do café da esquina, cappuccino descafeinado. – Dava todas as dicas que podia pro companheiro se dar bem com a Ash aquela altura. – Nesse meio tempo eu vou dar um alô pro meu velho e limpar os últimos resquícios de que eu já vivi nessa casa. – Aquelas palavras tinham um som de adeus, que soava nitidamente amargo. Pegava uma bolsa de viagem na carroceria da picape e logo em seguida ele enfiava o dedão na campainha.

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    Mensagem por Faor em Qui Ago 20, 2020 3:47 pm



    O inverno é a estação que tem a cara do Reino Unido na opinião de Shaw. Cinza e morto mas ainda sim agradável. Previsível. O verão geralmente trás um horror de novidades. A casa já tinha o cheiro de todos, já parecia uma casa. Bacon. Isso definitivamente é cheiro de casa.

    Mesmo bem menos corpulento que Connor, o apetite de Shaw não parecia menor. Aceitou o prato com alegria sem disfarce. - Animal noturno sempre tem óculos, não é? - Ele apenas acenou para o lado mostrando um pequeno molho de chaves em cima da carteira e ao lado do óculos. Falando sem pressa, tranquilo. Shaw está ficando nitidamente menos acelerado.

    Saíram com a picape e Shaw ignorava a diferença entre os carros. Apenas observava a calmaria do bairro. Connor logo respondeu a pergunta estampada na cara do passageiro ao entrar no território de outra alcateia.

    - Se essa coisa te deu uma surra... duas! Pode realmente ser uma boa ter uma do nosso lado. - Tentou fingir que não achava engraçado, mas claro que não conseguiu. No fim só gesticulou deixando claro que não era provocação ou falta de respeito, só zoeira mesmo.

    Fora do carro, com um casaco comprido e grosso em volta do corpo ainda deixava Shaw bem menor que o filho de Ash. Ele ouvia tudo e observava. Estava sendo conduzido e era bem razoável andar na linha. Cavucar o passado é sempre problema e mexer com a família dos outros também. - Capuccino descafeinado. - Repetia apenas para dizer que ouviu. - Sem problemas e sem pressão. - Não tinha interesse em forçar a barra ali, mas a verdade é que não tinha muito mais onde procurar.

    Caminha até a cafeteria sem olhar para Connor entrando em sua casa. Espera encontrar a porta aberta ou os dois na rua quando estiver de volta. O cheiro do café é cada vez mais viciante para ele. Não demora para conseguir o que quer, o pedido para Ash e um copo descartável igual para ele, com um expresso duplo e encorpado. Segurando os dois com uma mão, ele atravessa a rua de volta parando um instante ao lado do carro encarando a casa.

    Se não ver ninguém, claro, vai até a campainha anunciar que está por ali.

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    Mensagem por Wordspinner em Sex Ago 21, 2020 11:49 am

    Connor entra em casa e vê uma mala de viagens grande. Nunca tinha visto antes e ela cheira a nova. Os pais estão conversando em cochichos perto dela. Ambos parecem felizes e descontraídos. Ela, muito mais nova que ele. Talvez só por fora. Os dois se viram sorrindo para ele, mas Ash parece notar algo diferente um segundo depois e a alegria que ela claramente sentiu ao te ver amorna. O pai anda a passos largos para te receber com um abraços apertado. Forte e carinhoso, como se ele pudesse te trazer de volta com aquele gesto. "O cheiro dela tá em você." Ela coloca um dedo na frente do nariz como se pudesse deter o cheiro ofensivo. O pai olha de um para o outro e da de ombros. "Arrumei sua mala. tá tudo ali. Tudo mesmo." Logo depois ele te abraça de novo e sussurra bem baixo. "Tem uma grana também e um pote de torta de carne." Logo ele se afasta e sua mãe está atras dele, ela toca seu braço onde uma nova marca de renome está escrita. Ash o abraça com carinho, mas dá para ver no rosto dela o incomodo. Como se visse um fantasma ou algo pior. Quando normalmente ela te daria um beijo, a cahalith fica perdida olhando seus olhos atrás de alguma coisa.

    O cheiro de carne crua e sangue vem rápido. O pai acabava de abrir um pode perto da churrasqueira. Ash faz que sim com a cabeça. "Temos um pouco de tempo. Seu pai insistiu. Ele acha que é o que você mais gosta." O pai está com a mão em cima do acendedor elétrico esperando algum tipo de confirmação. Shaw chega com o café nesse momento. A porta aberta é algo inesperado.

    Ash sorri para Shaw e faz sinal para entrar. A casa é grande, mas discreta. Sem paredes de vidro ou janelas enormes. Uma churrasqueira grande e moderna está prestes a ser acionada. Dá para sentir o cheiro de lenha e carvão. de carne também. Carne crua. Ele tinha acabado de comer muito. Muito mesmo. Ash indica uma mesa de madeira e resina que parece uma praia tropical. Logo ela se senta sem esperar qualquer assentimento de qualquer um dos dois. Na primeira língua ela fala "Tudo que eu puder falar para vocês eu posso falar para o meu marido. Ele fica." Ela não parece irritada, pelo contrário. Ela parece animada. Ansiosa para conversar com Shaw. Ou talvez só queira o café fumegante. Não dá para saber.
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    Mensagem por Ankou em Sex Ago 21, 2020 6:36 pm






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    Shaw escreveu:- Animal noturno sempre tem óculos, não é?
    Connor riu tendo uma lembrança – Eu aprendi isso na marra, uma vez tava curioso na rodoviária e olhei pro outro lado, James quase deu um treco, eu quase caguei o juramento, o burrão nem sabia que o olho mudava. – Ele ria mais um pouco.

    Shaw” escreveu:- Se essa coisa te deu uma surra... duas! Pode realmente ser uma boa ter uma do nosso lado.

    - Tentar te descrever o que acontece, essa porcaria faz seus ossos se contorcerem igual uma hélice de liquidificador, tu perde a linha, perde o controle sobre as suas formas, e a dor é imensa, e não importa o que tu faça tua vontade é de correr e ir embora o mais rápido que puder. – respirava fundo e se focava na estrada, mas dava pra ver os pelos do braço se arrepiando, um nítido sinal do quão aquilo era muito desagradável.

    ____________________

    O abraço do pai é animador, era bom ver o velho bem e feliz – Se tem que aparecer mais na academia, fica cuidando de prédio, vai ficar barrigudo assim, bora bater um x1 hoje? – ele sorria brincando, momentaneamente voltava pra uma época que tudo parecia normal.

    Sabia quase exatamente o que tinha na mala, seus troféus e medalhas, a larga maioria de campeonatos amadores de artes marciais, e duas medalhas do campeonato do condado de rugby pelos Grifos, time da faculdade. O dinheiro e a torta de carne era um bônus, ficava feliz pelo velho ter lembrado daquilo.

    Quando a mãe toca a marca ele tira a jaqueta e talvez até houvessem mais marcas novas do que deveria pra um moleque que tava há dois pra três meses fazendo o serviço, tava focado com sangue no olho pra buscar o lugar dele – Claro que tá, ela é minha fêmea. – As palavras eram leves, sem estresse, mas mostrava que o lobo já tinha escolhido o que era dele, além de que aquilo não era segredo, desde que ele tinha colocado ela em contato com a tia Elise.

    Enquanto ela fica perdida tentando achar alguma coisa de errado ele beija a testa dela – Pelo visto não sou só eu ando me divertindo, quando meu irmão ou irmã chega heim? – a voz era gozação, dava duas cafungadas no ar, dava pra sentir que o pai velho tinha feito a festa dele também. Connor tinha mudado naquele aspecto, os pais e sexo eram tabú como pra qualquer moleque que havia sido criado dentro de uma família tradicional inglesa, não mais.

    É bom te ver feliz. Shaw trouxe café, seu favorito. – ele dá uma piscadela pra ela e vai pra junto do pai, tinha tomado café a pouco tempo, mas tinha dividido ele pela metade com Shaw, podia comer mais um pouco, fácil!

    - Bora acender essa budega aí. - Começava a cortar bifões pra grelhar enquanto deixava o pai encarregado de acender a churrasqueira. Ele começa a falar não em inglês, mas num russo fluente rápido com o pai – Não tava esperando mesmo uma recepção calorosa, isso é coisa sua né? É o sangue do lobo faz bem pra gente, faz a gente colocar o pé no chão e sair da piração. Mãe tava pilhada com muita coisa... Ela ainda tá, mas parece melhor, muito melhor. Obrigado meu velho. – ele cumprimenta com o cotovelo por que não queria sujar ele de sangue da carne, sabia que a mãe ia pescar alguma coisa do que ele tinha falado mesmo com o russo horrível dela, mas não pareceu se importar.

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    Mensagem por Faor em Seg Ago 24, 2020 8:12 pm


    Porta a dentro, Ash sorrindo, cheiro de carne crua e o pai de Connor feliz. Ele oferece o capuccino para ela e brinda à distância com seu próprio café.

    - Senhor Mcleary. - Shaw foi respeitoso, tentando entender como se portar ali.

    Ele entra e não fica acanhado, porém. - Eu agradeço por me receberem, agradeço mesmo. Pode não ser nada demais, mas estou cutucando o passado e isso quase sempre machuca alguém. Imagino que Connor já tenha adiantado alguma coisa... Bom, é sobre minha mãe, certo? Você a conheceu, Ash?

    Direto ao ponto, Shaw valorizava o tempo de todos ali. Mas enquanto bebia seu expresso se aproximava da churrasqueira se oferecendo para o serviço.
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    Mensagem por Wordspinner em Qua Ago 26, 2020 11:33 am

    Quando Shaw anda na direção da churrasqueira ele ouve a voz de Ash as suas costas. "Volta aqui. Senta comigo. Os meninos cuidam disso aí." A primeira frase é como um chicote estalando no ar. A segunda um convite doce que faz você se perguntar se entendeu direito o que acabou de acontecer e a ultima uma dispensa casual. "Eu conheci uma Shaw e talvez fosse sua mãe." Ela diz assim que Shaw se sentar. "No começo uma parente, depois uma Garra Sangrenta." A cahalith olha para o próprio copo com pesar. "Se quiser saber a verdade ela era o melhor Garra Sangrenta que eu conheci, ela quase veio para os Sombras Descarnadas. Mas ela cheia de uma força e violência que só eles podiam abraçar de verdade." Ela toma um gole longo e fecha os olhos, sua postura derrete um pouco com o sabor. Ash parece ainda mais encantadora. Tão bonita e humana. Real. Por um segundo parece que um espeto de churrasco no pescoço seria o suficiente.

    Ela pensa um pouco. "Maria e ela eram do mesmo campo. Krantz também. Eu queria que ela fosse um de nós, mas ela era dos Espinhos de Prata. Acho que o melhor é você me perguntar alguma coisa."ela deixa o copo na mesa e olha para Shaw. Nesse momento é como se só ele existisse. Shaw se sente a pessoa mais importante de um mundo ou de outro.

    __

    Na churrasqueira o pai de Connor está animado. Os estalos elétricos logo fazem as chamas saltarem. "Eu to velho demais para essa coisa de filho, mas ainda quebro sua cara torta guri. Ainda vai aprender muito com esse pai aqui. Primeira lição é afiar essa faca aí. Para de bater ela na tabua com cada corte. Não precisa disso. Eu sei que força resolve, mas jeito resolve melhor e mulher gosta mesmo é de controle." Ele brinca, mas a faca parece afiada a perfeição e os bifes não tem defeito.

    Em russo ele acrescenta. "Sua mãe sabe o que cê tá fazendo pelo cheiro. Mas eu acho que até o verão você já pode entrar na piscina." Ele ri alto. "Ela tá com medo cara, ele tentou te enxotar e deu errado. Mas ela não desistiu ainda. Não mesmo." Ele olha por cima do ombro para Ash e depois para você. Ele parece ler sua surpresa com o que ouve a mãe dizer a Shaw. Isso ou ele percebeu que quase cortou o dedo.

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    Mensagem por Faor em Qua Ago 26, 2020 12:20 pm






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    Ash escreveu:"Volta aqui. Senta comigo. Os meninos cuidam disso aí."


    Cada dia mais seguro de si, Shaw ainda demonstra alguma fraqueza, uma sutil perda de controle. A voz de Ash pareceu dura e quase provoca uma reação explosiva, como em um animal atiçado, mas imediatamente depois ele sente a doçura do capuccino, como se um dia tivesse gostado do sabor suavizado. Ele obedece, primeiro pelo acoite e depois pela melodia, e ambos despertam incerteza nele. Agradece por poder se sentar e se recuperar.

    Ouvir sobre a mãe não melhora as coisas. Ouvidos atentos, faro apurado, pupilas dilatadas, pele arrepiada. Toma o forte expresso ignorando temperatura ou amargor, parecia água. Shaw olhava para a mãe de Connor e estava enfeitiçado. Com o elogio sobre sua mãe, ele sorri francamente.

    - Espinhos de prata. - Ele apenas repetiu o nome, num esforço para memorizar mais esse retalho do passado. A voz não saiu firme e ele precisou corrigir a postura. - Ash, eu sinto que não estou apenas perguntando pelo passado da minha mãe. Elizabeth. - Sorriu dizendo aquele nome. - Além do meu passado, claro, eu acredito que eu e os meus próximos passos também fazemos parte desse quebra-cabeças.

    De dentro do casaco ele tira a velha boina que Connor já viu antes, mas antes de revelá-la, há um som metálico. Ele retira uma tag militar e coloca sobre a mesa, pouco à frente dele. - Loba sem Sombra. - Ele lê o nome sem olhar para o objeto. - Maria disse que minha mãe era um dos Sem Nome. Que caçava Estranhos, pessoas problema.

    Ele olhava para Garras de Ébano tentando respeitar o momento, sem se perder contando numa história que ele não conhece. - Ash, eu não conhecia a verdade até minha Primeira Mudança. Agora sei que sou o segundo Shaw Garra Sangrenta em Dover e sei que minha mãe correu com a Legião, mas não sei se eles já eram a Legião, como são hoje. Ela morreu e é claro que eu quero saber como, se você puder apontar esse caminho, é claro que eu quero. Mas isso não é tudo. A sensação de que estou num filme que só eu não assisti me tira do sério. - Ele aperta a boina e sussurra o nome gravado, levantando o item e o apontando com o olhar. - Azdeh-Ur. Eu preciso entender onde termina o passado da minha mãe e onde eu começo a pisar por conta própria, se é que isso é possível.

    Era um garoto perguntando pela mãe. Mas também era um poço de angústia muito distante de qualquer infância. Ele baixa a cabeça mas volta a encarar a mãe de Connor num movimento acelerado. - O nome dela. Você sabe qual era o nome dela? - Claramente não falava de "Elizabeth".



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    Mensagem por Ankou em Qua Ago 26, 2020 3:30 pm






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    Connor sorri pra Shaw, mas balança a cabeça em negativo, indicando que aquilo era serviço pra dois, isso logo antes de Ash chamar ele de volta pra mesa.

    As risadas e brincadeiras com o pai são provocações amigáveis que vem e vão que deixavam o uratha num humor bem leve e descontraído – Eu sei que ela sabe, to ligado que ela achou que eu ia quebrar a cara. Eu to sendo o mais cuidadoso que eu posso – a conversa tomava um tom mais sério. – Eu sei que tem algo de errado comigo, ninguém ganha vinte quilos de músculo do dia pra noite, dormindo dia sim dia não, e comendo mal, eu perguntei se isso era normal... Se sabe, depois da primeira mudança e nenhum dos caras que eu conheci disse que era... E não fosse tia Elise e Brendan eu não ia tá aqui pra contar história. Eu nem tinha nascido pra esse mundo já tentaram me matar. Ainda tem profecias de um cahalith mais marcado que o vô, que qualquer outro uratha que eu já vi. – Corta mais um bife, a faca passava igual que tava na manteiga – Minha esperança é que seja lá que merda for essa ela teja com o mesmo cagaço de mim que eu to dela, é um jogo de xadrez. Eu sei o que rolou antes e não to pretendendo dar o mesmo vacilo.

    Ele passa um bom rub assenta quatro bifes grandes sobre a grelha, o barulho do frigido e o cheiro dava água na boca, oito minutos de cada lado e a coisa ia tá perfeita.

    Ele para um pouco e presta atenção momentaneamente na conversa entre Shaw e a mãe. “Claro que ela não ia entrar pros Sombras Descarnadas, ela tinha bom senso, esse negócio de alma penada não é legal não!” – tinha até vontade de falar aquilo na mais pura provocação, mas só pensava e deixava um sorriso besta no rosto.

    - Azdeh-Ur... Essa porra desse nome ainda me dá calafrios – ele comentava baixo ao lado do pai, nem se tocava que ele muito provavelmente nem sabia do que Connor tava falando. E era certeza que Shaw e a mãe tinham ouvido as palavras dele, mas a verdade é que apesar de ouvinte, não queria se intrometer na conversa deles.

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    Mensagem por Wordspinner em Qua Ago 26, 2020 8:44 pm

    Quando Shaw diz Elizabeth o rosto de Ash parece mais leve. Um sorriso aparece em seus lábios como uma simples sugestão. Assim que a boina toca a mesa os dedos que por enquanto são delicados se fecham sobre ela. Ela ouve paciente enquanto acaricia a boina por um longo momento. Como se pudesse tocar a dona. Mas logo a deixa na mesa de novo. "Sortuda. Ela passou pela primeira transformação em missão dentro de um cockpit. No ar. Ela gostava do nome, antes que você comece a achar irônico que ela não tá mais aqui. Com a gente, ela era o tipo de garota que diria que teve sorte mesmo assim. " Ela olha para o marido que não está entendendo nada do que dizem e sorri. "Azdeh-Ur..." A atenção dela se fixa longe no passado. "Um história muito boa diz que a Loba da Morte, sua mãe, o mandou atrás de humanos que quebravam o dromo e distorciam os espíritos. Ele devorou tantos deles que não se pode mais ficar perto dele sem sentir aquilo tudo. Sentir todas as pessoas que ele devorou ainda presas no momento da morte. Uma outra diz que a Loba Vermelha, sua mãe, o mandou caçar entre os humanos aqueles que tantas vezes fugiam e sumiam dos seus pequenos protegidos e Azdeh-Ur adorou o sangue da caça e decorou os seus gritos e seus poderes e é toda essa energia e criatividade que se sente perto dele. Uma história perturbadora conta que Sagrim-Ur e Kamduis-Ur são os pais desse espírito. Que é por isso que ele tão assustador." Ela suspira se contendo. Como tivesse de lutar com muita força contra alguma vontade.

    "Sabe Shaw, eu adoro histórias. Mas se você tem alguma dúvida... Não foi Azdeh-Ur. Seus Sem Nome não caçam urathas." Olhos dela se fixam nos seus de novo. Como lanças. Os dedos delicados tocam sua mão. "Ela morreu lutando contra Os Caçadores Incansáveis. Aqueles que caçam nas sombras. Enlouqueceram. Minha prima e sobrinha também morreram. Os Lobos a Diesel ainda nem existiam. Não existia um protetorado. Eu era um pouco mais experiente do que vocês são. Mais que ela também. Mas ela não corria comigo. A alfa da alcateia dela morreu junto com ela. Eles nunca conseguiram se entender sem elas duas. Krantz começou a Legião de Sangue e Stuarts os Lobos a Diesel." Ela novamente se contém. "Não deixe o passado dela decidir quem você é. Quem vai ser. Eu te conto o que quiser, mas seus passos estão para frente, não para trás."

    ___

    Na churrasqueira ele continua alternando entre russo e inglês. "Não sei se é algo com que se pode jogar filho, mas alguém antes de você já deu algum golpe. Com sorte essa coisa tem um ligamento partido ou osso mal curado em algum lugar. Mas a verdade é que eu preferia que você fizesse o que sua pediu. Eu tenho medo também. Medo de alguma coisa sem nome e sem forma que meus dedos não podem pegar. Medo porque essa coisa quer acabar com você." Ele joga um dos bifes na tábua e espera. Ele tinha um processo meticuloso. Tira de um balde de água duas garrafas e abre uma na outra. Te entrega uma e bebe da outra.
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    Mensagem por Faor em Qui Ago 27, 2020 5:28 pm






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    Ash escreveu: "Sortuda. Ela passou pela primeira transformação em missão dentro de um cockpit. No ar. Ela gostava do nome, antes que você comece a achar irônico que ela não tá mais aqui. Com a gente, ela era o tipo de garota que diria que teve sorte mesmo assim. "


    Shaw percebe o carinho com que Ash lembra da mãe e isso tem bastante valor para ele, mexe com ele. Ele sorri sem graça misturando as emoções com as lembranças das histórias da mãe, como piloto.

    - Ai ai, eu deveria ser um cara muito melhor resolvido se crescesse com ela. Imagina? Dentro de um helicóptero?! - Sorria de verdade. Para então ouvir com atenção as histórias que ela quis contar. Ele pareceu entender o recado, e balançou a cabeça em negativa. - Eu sei, eu sei... acho que entendo. Não espero que alguém me conte todas as histórias dela, boas e ruins, não é isso. - Ele pensava alto, tentando colocar os pensamentos no lugar.


    Ash escreveu: "Sabe Shaw, eu adoro histórias. Mas se você tem alguma dúvida... Não foi Azdeh-Ur. Seus Sem Nome não caçam urathas."


    Ele acena com a cabeça. - Eu não tinha dúvidas até pouco tempo, sabe? Eu não sabia nada sobre ela, então não tinha como ter dúvidas, não é?


    Ash escreveu:"Ela morreu lutando contra Os Caçadores Incansáveis. (...)"


    - Caçadores Incansáveis. - Outra vez ele repete uma expressão num esforço de manter tudo em mente. * - Preciso de um bloco de notas.* - Ele pensa enquanto mantém a seriedade durante a narrativa dela. Tudo aconteceu há muito tempo e ele entende que não dá para levantar todos os tapetes procurando todos os grãos de poeira.


    Ash escreveu:"Não deixe o passado dela decidir quem você é. Quem vai ser. Eu te conto o que quiser, mas seus passos estão para frente, não para trás."


    Ele sorri. Toda a atenção, o cuidado de Ash, o carinho e as boas lembranças, claro, tudo isso deixa Shaw à vontade, em paz com essa parte do passado. Ele corrige a postura e olha grato para ela e com muito respeito. - Ash, você me apresentou uma Elizabeth que eu não conhecia. Outros já tinham tentado, mas você me deu um pouco mais. - Ele se perde olhando para o copo descartável dela e parece um pouco menos feliz. - Você diz sobre meus passos estarem à minha frente, eu escuto bem, Ash. Mas sou um segundo Shaw Garra Sangrenta e continuamos com problemas com urathas enlouquecidos, não é? - Shaw não podia imaginar o que viria na assembleia seguinte mas misturou esse passado revelado com partes dos problemas que assombram Connor e Axel.

    Ele volta a parecer feliz, nada apreensivo. - Essa vem sendo a minha maior batalha aqui... - Ele aponta a própria cabeça com um indicador. - Eu e os algozes não podemos andar nos mesmos trilhos daqueles que ou se perderam ou foram derrotados, não é? É assim que eu penso também. Por isso eu quero tanto saber o que aconteceu antes... aí fica melhor para saber onde pisar. - Novamente ele estava se alongando e não queria isso. - Ash, mais uma coisa só. Antes, claro, só agradeço por me receber tão bem e me contar o que pode. Eu não quero ir além disso, além do que você acha certo, mas você sabe, eu tenho que perceber coisas que nem todos vêem. Você se conteve, uma hora ou outra aqui com a gente. - Ele sorri confiante. - Ash, estou na sua casa e sou só agradecimento. Respeito se não quiser falar mais. Mas eu preciso aprender, preciso entender mais, sabe? Tem alguma ponta solta nessa história? Esses Caçadores Incansáveis, por exemplo? Foram derrotados? Ou se dividiram e vivem espalhados em outras alcateias, não sei... Espíritos, lugares, alguém que escolheu ir contra, entende? Não quero saber quem estava lá e errou, falhou por qualquer motivo. Isso faz parte. Mas se alguém ou alguma coisa "decidiu" lutar contra ela e quem corria com ela, eu acho que deveria saber. - Ele corrige o tom, quase deixando a raiva se misturar na voz e volta a sorrir. - E claro, conhecer outros que lembram dela com respeito, como você, pode fazer bem também...



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    Mensagem por Ankou em Qui Ago 27, 2020 7:36 pm






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    Ash escreveu: "Sortuda. Ela passou pela primeira transformação em missão dentro de um cockpit.

    Era engraçado aquele nome, era engraçado pensar como os mais velhos poderiam ser caçadores aterrorizantes, muito mais experientes e poderosos que eles, mas tinham nomes inocentes, escutar as coisas da boca da mãe fazia tudo mais mágico e menos intenso do que viver.

    Ash escreveu: "Um história muito boa diz que a Loba da Morte, sua mãe...

    - Hikaon-Ur é muitas coisas pra mim, mas minha mãe ainda é você. – ele entendia o significado o qual Ash se referia a loba patrona da tribo, ele só não gostava daquela palavra pra se referir a ela, cada qual tinha seu devido lugar, a mãe era mãe, a loba tava mais próxima de uma santa ou de um ideal a ser seguido, ele não faz mais observações a o que ela falava sobre o tal Azdeh-Ur, nem interrompe o que ela tem a falar, mas ele fez questão de lembrar que Ash é quem era a mãe dele.

    Ash escreveu:"Ela morreu lutando contra Os Caçadores Incansáveis...

    Finalmente alguém soltava o nome dos caras, sua mente voltava há mais de um mês atrás enquanto Richard falava dos caras e de como a mãe era amiga deles. Os olhos baixavam, sentia vergonha do que os caras tinham feito, e cada história que escutava deles sentia mais vergonha pela tribo, e um sentimento de que devia reparar aquilo tudo, ou pelo menos o que pudesse. Ele sentiu vontade de dizer sobre aquilo, mas se manteve calado, imaginando como aqueles caras deviam ser caçadores terríveis, ainda mais munidos de prata. Porém a informação de que tinha gente da família dele no rolo fazia da história algo mais doído ainda.

    Ash escreveu:"Mas seus passos estão para frente, não para trás."

    Foi naquela hora que a insatisfação cresceu visivelmente, ela tava dando um conselho que ela não dava o exemplo, tava presa no momento vendo os caras agonizando dentro do poço no deserto espiritual, o que salva daquele momento é a cerveja que o pai trás de dentro da água gelada, ele a abre e bate a garrafa na do pai ainda que a face não fosse a mais comemorativa de todas, mas a cerveja ameniza a carranca.

    Shaw escreveu: - Eu e os algozes não podemos andar nos mesmos trilhos daqueles que ou se perderam ou foram derrotados, não é?

    - É por isso que eu sugeri que tu e Franco liderassem as caçadas, Axel ficou meio desapontado, eu entendo ele, ninguém tende mais a se apegar a essas coisas que a gente, é fato. – Ele apoia a garrafa no muro da casa e começa a retirar outros dois bifes da churrasqueira, tavam em pontos completamente diferentes agora e logo os colocava pra descansar. – Mas a gente precisa ficar na encolha até ter noção melhor do que diabos aconteceu, não é hora de caçar, é hora de ficar nas sombras. – fez o trocadilho não intencional com o nome da própria tribo e começou a fatiar os bifes que estavam previamente já descansados.

    - Mals ficar conversando em russo com meu velho aqui, é que eu não tenho muito com quem praticar, mas a gente meio que tava falando da mesma coisa. – Ele olha pro pai e volta a cortar a carne – Tu falou que alguém já tinha dado um golpe, é deve ser meio por aí, eu acho que sei quem foi, a tal da Rainha Negra. – ele solta o nome só pra ver se a mãe morde a isca e fala alguma coisa sobre ela – Dizem que ela era a manda-chuva de Dover, isso há muito tempo, isso quando vovô devia ser o novato, se é que ele já caçava... E adivinha só a tribo dela?! Sei de algumas coisas, ferida no dromo nas ruínas, que ela juntou Puros e Destituídos pra lutar do mesmo lado, conseguiu um monte de fetiches, mas me faltam detalhes... – Era outra dúvida que acreditava que a mãe poderia sanar e falar mais sobre.

    Shaw escreveu: - Esses Caçadores Incansáveis, por exemplo? Foram derrotados?

    - Eles são os caras que quase passaram o Sebs na prata, os Uivadores resolveram o problema até onde eu sei. – ele respira pesado, arrasta a carne da tábua pro prato e põe na mesa, puxa uma cadeira e se senta olhando pra mãe – Se não precisa me explicar nada, Richard me contou que a coisa foi barra pra você e o que tu viu, eu não julgo, mas seus passos estão pra frente, não pra trás e os meus também. – por fim ele tava falando com a voz macia tentando ganhar o lado bom da mãe, mas usando as próprias palavras dela contra ela mesma.

    Se esticou pegando uns dois pedaços de carne e jogando pra dentro da boca se deliciando com a carne quente e suculenta.

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    Mensagem por Wordspinner em Sab Ago 29, 2020 10:38 am

    Shaw escreveu:Mas sou um segundo Shaw Garra Sangrenta e continuamos com problemas com urathas enlouquecidos, não é?

    "Vocês são tão novos e tão cheios de si. Achei que era mais esperto que meu monstrinho ali." Ela aponta para Connor com um sorriso no  Rosto. "Desculpa te dizer isso, mas nem você e nem Sortuda são a causa disso e nem destinados a terminar essa luta. Vocês dois..." Ela olha Connor que estava se misturando na conversa. "Deveriam deixar isso para outras pessoas."

    Connor escreveu: Se não precisa me explicar nada, Richard me contou que a coisa foi barra pra você e o que tu viu, eu não julgo, mas seus passos estão pra frente, não pra trás e os meus também.

    Ela ri alto e lambe um dos dedos que sujou com sangue das carnes. O gesto é completamente normal para Connor que a viu fazendo isso a vida toda, mas esquenta o sangue de Shaw. Faz o pai de Connor parecer velho demais para ela. "Tá vendo? O que eu falei? São alcateias diferentes filho. Os caras que atacaram o Sebastian eram Sombras Afiadas. Aquele monstro dos uivadores despedaçou eles." A palavra monstro vem carregada de uma dor visível. "Foram esses caras que alertaram a gente do perigo da primeira alcateia. Por um tempo eles foram ótimos aliados, claro que isso acabou quando os Caçadores foram eliminados." Ela pega um pedaço de carne e mastiga lentamente. Talvez dando tempo para vocês falarem ou digerirem o que foi dito.

    "Se é isso que vocês precisam. Os caçadores eram muito bons. Uma alcateia antiga antes de vir para Dover. Chegaram depois dos Sombras. Isso quase vinte anos atrás. Eles caçavam bem e ficavam fora do caminho. Eram respeitosos, o protetorado ainda não existia. Mesmo assim tinha uma certa sincronia em tudo. Os espinhos eram uma alcateia tremendamente forte e Sortuda e eu eramos omega. A gente levava muitos recados para lá e para cá. Os caçadores se fecharam, mas isso não pareceu nada demais. Eles ficavam meses sem dar noticia e foram diminuindo o território deles. Mas tudo bem também. Então... Era verão e um dia lindo cheio de sol com pessoas na praia se dá para acreditar. O garoto vem correndo sujo de sangue falar com a gente. Eu e ela eramos uma dupla no voley e ele acabou com a partida. Chamávamos ele de sem dentes e ele odiava. Mas era o nome que todos usavam porque ele lutava muito mal e tinha medo de machucar as pessoas o tempo todo. Ele contou que atacaram ele quando ele tava perseguindo ratos. A hoste. " Ela mastiga outro pedaço de carne, se dando tempo. A expressão parece azeda, mesmo com a carne saborosa na boca. "Todo mundo começou a investigar e os Sombras mais que os outros. Tentamos chamar eles para conversar e não tivemos resposta. Um dia sem razão eles aparecem no território dos Espinhos e sequestram três parentes e devoram duas criancinhas, filhos deles, na frente dos pais. Daí pra frente foi absolutamente insano. Os Espinhos reagiram como vocês sentem que deveriam. Correram com tudo pra cima deles e os Sombras correram para pedir nossa ajuda. Eu procurei meu pai um tempo antes de desistir e ir lá mesmo sem ele. Chegando lá o velho tava lá me esperando. Coberto de sangue dos pés a cabeça. Um monte de corpos que nem dava para reconhecer. Quebra Correntes e Coração de Prata gritando um com o outro a beira da fúria. Trovão tava segurando a Sortuda. Ela tinha morrido antes de tirarem as armas de prata dos Caçadores, não parecia real. Ela e a alfa, Pegadas Vermelhas, pareciam que podiam levantar a qualquer momento. Um furo no peito e nada mais." Ela respira fundo. "Tinha um luno com eles. Depois me contaram que os Espinhos estavam desconfiados a mais tempo, mas Sortuda não podia me contar. O Ihalunin era uma sombra horrível e disforme. Aquela coisa falou comigo antes de eu ir, eu ainda tava chorando. 'Guarde algumas lágrimas, é só a primeira vez.' Tente arrancar sentido dos lunos, impossível. Mas ele tava certo e anos depois os Sombras enlouqueceram também. Eu só acreditei quando eu vi aquela coisa quebrada no Sheol. Se Richard te contou ele disse que eram dois, mas um deles tava devorando o outro vivo quando eu cheguei. Lentamente, pra durar." Ela bebe profundamente da limonada que o marido acaba de deixar ao seu lado. Ele continua em silêncio trabalhando com as carnes.

    "Meus passos não tão no passado filho, eu vi mais de uma vez. Seu avô ainda mais. Quero quebrar essa corrente ainda mais que você." Ela suspira. "A Rainha Negra tem histórias pra passar todo dia aqui e não acabar. Mas acho que vocês querem o Rei dos Lobos. Meu pai conta as histórias mas ele não viveu. Só que ele lutou com o Rei dos Lobos e ela não. A verdade é que eu não sei. Falta alguma peça. Alguma informação. Mas seja o que for odeia o juramento e volta as pessoas contra ele." Quando ela para de falar o som do mundo lá fora parece voltar junto com os estalos da churrasqueira. Mas a energia e animação de Ash foram escorreram para longe.
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    Mensagem por Ankou em Qua Set 02, 2020 9:34 pm






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    Ash escreveu: "Deveriam deixar isso para outras pessoas..."

    - Se a gente deixar isso pra outras pessoas a coisas nunca vão se resolver. – ele dizia aquilo nitidamente contrariado – Vai ter sempre alguém protelando. Pelamor mãe, quantos já morreram? Quantas alcateias mais tinham em Dover antes da gente? Ninguém aqui é tapado, a gente sabe que a nossa vida e nosso propósito é perigoso... Ser uratha é perigoso... – Ele parecia ter mais a falar, mas percebeu que estava se repetindo, era sempre a mesma discussão e nunca chegavam a lugar nenhum, ele sempre terminava puto e ela sempre em lágrimas achando que ele ia morrer de uma hora pra outra, ele se calou, tava nitidamente se segurando pra não continuar o discurso.

    Ash escreveu:"Aquele monstro dos uivadores despedaçou eles."

    Ele não liga de ser corrigido por ter presumido uma alcateia errada, mas quando ela fala do Sebastian ele a interrompe rapidamente e aponta pra Shaw – Rá, eu falei que quem era o mais brabo era ele! Aquela cara de lorde nunca me enganou! – ele respira fundo quando percebe a dor da mãe ao falar daquilo – Quase passaram ele na prata e o monstro é ele? O que tu queria que ele fizesse? – não tinha maldade na voz, nem o tom de provocação, era apenas uma pergunta genuína, ele sabia que por mais ou por menos todos os Urathas naquele protetorado tinham suas diferenças, nunca imaginou que a mãe tinha algo contra o Sebastian.

    Ele ouve o resto da história calado, a expressão de dor se forma até na face dele mesmo que ele não conhecesse a maioria dos que lá estavam, já era pesado só pelo juramento, e pelo que a própria mãe dele irradiava.

    Ash escreveu:"A Rainha Negra tem histórias pra passar todo dia aqui e não acabar."

    - Taí sua peça perdida, eu não sei o que essa mulher fez, mas eu tenho certeza que tudo começa com ela, em algum lugar ele fez alguma cagada, ou mordeu mais do que ela podia mastigar, ou pior, ela descobriu exatamente o que a gente que descobrir e isso acabou com ela também. Se falta uma peça, por onde a gente começa? – Ele olha sério pra ela. – Isso foi tudo que eu sempre te pedi mãe, um norte, mesmo que seja um norte errado... Tem coisas maiores que a gente se movendo pra resolver isso, mas nós somos engrenagens cruciais dessa história toda. Eu pensei se ainda existir um espírito, um fetiche, qualquer coisa que ela usasse que pudesse dar informações, por mais estranhas e bizarras que possam parecer poderia ser uma primeira pista. – Ele parecia mais sério daquela vez, os argumentos eram mais contundentes, ainda que fossem baseados na profecia do velho ele parecia muito melhor centrado agora, se as coisas estavam assim só por que Shaw estava presente ou se ele realmente tinha amadurecido como Uratha ainda era um mistério.

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    Mensagem por Faor em Sex Set 04, 2020 10:29 am






    Casa dos Algozes 268_2610




    Mexer com o passado é sempre delicado. Não deveria. A merda toda já foi derramada então qual é a porra do risco? Alguma pergunta vai mudar alguma parte da história? Porra nenhuma, lógico. Mas ainda assim, mexer na merda é sempre assim. Sujeira e fedor.

    Shaw sorria gentil.


    Ash escreveu:"Vocês são tão novos e tão cheios de si. Achei que era mais esperto que meu monstrinho ali." Ela aponta para Connor com um sorriso no  Rosto. "Desculpa te dizer isso, mas nem você e nem Sortuda são a causa disso e nem destinados a terminar essa luta. Vocês dois..." Ela olha Connor que estava se misturando na conversa. "Deveriam deixar isso para outras pessoas."

    Connor escreveu:- Se a gente deixar isso pra outras pessoas a coisas nunca vão se resolver. – ele dizia aquilo nitidamente contrariado – Vai ter sempre alguém protelando. Pelamor mãe, quantos já morreram? Quantas alcateias mais tinham em Dover antes da gente? Ninguém aqui é tapado, a gente sabe que a nossa vida e nosso propósito é perigoso... Ser uratha é perigoso...

    - Pois é, esse é o ponto. - Ele não parece contrariado ou nervoso, até passou a comer a carne que estava muito saborosa, por sinal. - Eu não dou a mínima em torno de quem que o mundo gira, com certeza não sou eu o centro da história. E se for, pouco me importa também. Mas eu tô girando também, não tô? Então por que deixar isso para outro? Por que fingir que não é comigo ou baixar a cabeça? Ah, desculpe Ash, já rolou bastante coisa ruim no meio do caminho. - Ele toca com um indicador limpo na boina sobre a perna esquerda, à vista dela. - Todo mundo já perdeu, não é?

    Ele tenta segurar a raiva que sente ao visualizar a imagem da mãe sem vida. Shaw consegue, mas o lobo está rasgando ele no meio das suas entranhas.

    Ash escreveu:Depois me contaram que os Espinhos estavam desconfiados a mais tempo, mas Sortuda não podia me contar.

    - Você mesmo disse: lá atrás os Espinhos estavam desconfiados mas minha mãe não falou nada para você. - Ele segue agradável, não provoca nem que retrucar. O olhar ainda é de gratidão. - Não quero fantasiar, cada um sabe o que faz e o que fala. O protetorado existe, funciona e é bom, mas lógico que cada família corre por si. Mas falta um pouco de luz, sabe? Isso aí que ele falou. - Ele aponta para Connor. - Falta um norte.

    Ele suspira, come mais um pouco e guarda a boina dentro do casaco, onde estava. - Olha, não tem sentido nenhum acusar ninguém, falar nada do que já aconteceu, não é isso. Mas saber mais, entender melhor, fuçar mais não é ruim, entende? Isso somos nós escolhendo onde pisar. Não olhando só para trás, mas olhando para trás também. Eu não sei se a gente, os algozes, vão enfrentar alguma coisa que já mexeu com todo mundo aqui, até com a gente mesmo. Não sei de nada. Mas a gente não vai aliviar, disso eu tenho certeza. Vamos morrer ou enlouquecer tentando? Pode acontecer sim. Mas nós vamos continuar, Ash. - Ele se cala. Estava ali para receber respostas e não para abrir a cabeça e falar o que acha. Mas sentiu que era um recado correto. O protetorado pode fingir que não tem uma alcateia cheia de energia para virar a porra do mundo de cabeça para baixo. Podem escolher ficar observando de longe. Ou podem apontar um ou outro caminho. Os algozes não vão ficar parados esperando.

    - No mais, eu só quero agradecer pelo que você já falou. - Não era bem isso... - Na verdade, pelo jeito como você falou dela. Obrigado.


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    Mensagem por Wordspinner em Sab Set 05, 2020 3:18 pm

    Connor escreveu:Se a gente deixar isso pra outras pessoas a coisas nunca vão se resolver...

    Shaw escreveu:...Todo mundo já perdeu, não é?


    Ela fica imediatamente irritada. As linhas do rosto e da testa se fechando como o céu antes da tempestade. "Porque ninguém se importa? Ou será que ninguém é competente? Ninguém consegue entender além de vocês?" Ela parece prestes a explodir com a voz subindo de intensidade assim como o olhar que pula de um para o outro com cada questão. "Por favor não me deixe impedir vocês, mas como é que nós estamos fazendo isso mesmo? Porque eu não sei o que os outros urathas tem feito pra atrapalhar vocês. Nem eu. O que eu to fazendo pra parar vocês?" Ela se inclina na cadeira conforme ela fala. Furiosa. As mãos segurando o tampo da mesa com força. "Porque ninguém aqui passou décadas assombrado com essa maldição, não é? Com as memórias de toda essa sujeira... Ou vocês acham que alguém parou de tentar?" Ela vê a expressão assustada do marido e ajeita na cadeira.

    A cahalith fecha os olhos e respira profundamente. Com a mão na testa, apertando os olhos, ela começa a falar de novo. "Vocês querem um norte? Não tem um norte. Se alguém tivesse qualquer ideia essa ideia já foi tentada a exaustão." Ela pisca tirando lágrimas dos olhos. "Eu não to protegendo ninguém e nem escondendo nada. Quem iria querer que alguma coisa dessas continuasse? Por Luna vocês não conseguem nem manter as histórias na cabeça antes de começar a cavar o buraco errado." A voz dela é muito mais calma, mas sofrida. Profundamente decepcionada. "A Rainha Negra foi assassinada por puros quando a trégua deles acabou. Sebastian não matou ninguém, não é dele que eu to falando. Espíritos e fetishes? Ninguém deve ter tentado, não é?" De alguma forma ela conseguiu conter o sarcasmo e acabou parecendo um professor instigando um aluno perdido. "Que tal começar com o seu totem? Ele estava por aqui esse tempo todo. Mas Maria não deve ter tido determinação o bastante para perguntar, não é? Ou ela não deve ser um engrenagem especial? Vocês podem reviver todos os becos sem saída dessa caçada, mas vão ter que fazer isso de verdade. Passo a passo. Porque ninguém vivo tem nenhum caminho que não foi seguido." Ela suspira. "Eu achei que depois dos Sombras a gente fosse ter paz, achei que Richard ia descobrir alguma coisa. Mestres do Ferro deveriam servir para isso, descobrir coisas. Deviam ser bons investigadores."

    Ela se levanta massageando o lado da cabeça e se vira na direção da entrada da casa. "Shaw, pode chegar o dia em que você vai vir aqui me contar dos últimos momentos do meu filho, eu espero que não seja para dizer que vocês tiveram que matar ele porque foram arrogantes demais para perceber que não podiam vencer essa luta. Os Uivadores reviveram todas as buscas quando aconteceu pela ultima vez. Viraram cada pedra que eu e os outros já tínhamos virado e talvez até mais. Vocês façam o que quiserem, perguntem a todos os espíritos, revirem o castelo de novo, encham Trovão de perguntas outra vez e façam Quebra Correntes reviver aquilo. Se quiserem podem até negociar histórias com Atiçador e Coração de Prata, mas já fizeram isso antes e não tem nenhuma pista. Nada. Nenhuma ressonância. Nenhuma influência. Nenhum espírito de qualquer tipo." Ela parece calma, mas esgotada. "Uma aberração probabilística me disseram uma vez." Ela anda até a porta de casa. Abre a porta e não entra. "Teve uma pessoa... Um uratha de Tokyo pegou algumas coisas no castelo anos atrás. Sinceramente eu já pensei nisso por tanto tempo. Tanto tempo. Eu não quero ouvir mais nada desse assunto se não tiverem algo novo a acrescentar. " Ela entra em casa resmungando algo sobre luz.
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    Mensagem por Ankou em Sab Set 05, 2020 4:34 pm






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    Connor se cala completamente enquanto a mãe fala aquele monte de coisas, era raro ver ele daquele jeito provavelmente Shaw nunca havia testemunhado, ele parecia de alguma forma conformado, pelo menos por hora.

    Ele olha pra Shaw logo depois que ela sai, dava pra ver a tristeza no rosto de Connor – Ela tá certa a gente tá sendo prepotente, primeiro a gente caça, ganha e honra nossas marcas, depois a gente pensa se tem moral e conhecimento pra falar alguma coisa.Sih Sehe Mak. Por hora a gente é só dois moleques bocudos chorando por migalhas que eles não podem dar. – O olhar de Connor era duro sobre Shaw, mas ele tava falando dele também e tava falando a realidade e se pautando pelo juramento como era esperado de um Meninna. Tava martelando as palavras de Brendan na cabeça como se fosse um mantra pra ele não esquecer o lugar dele naquela corrente, e tava tratando de ensinar aquela lição valiosa pra Shaw que ele havia aprendido levando tapa na cara.

    Ele se levanta, dá dois tapinhas no ombro do pai e um olhar tranquilizador pro velho, logo ele anda em direção da mãe, ele a segura pelos ombros e a abraça e diz com a voz mais doce e calma que pode. – Eu não posso vive em pé de guerra contigo mãe, essa coisa tá me matando e tá te fazendo mal também, tia Elise e pai dizem que tu mal dorme, eu prometo que eu vou deixar essa coisa de lado o quanto eu puder e que não vou mais te pentelhar com isso, a gente tem assuntos mais urgentes que essas historias velhas e empoeiradas – ele tava cedendo o que podia, mas precisava pedir pra ela ceder também. Ele se afastava um pouco, mas ainda segurava os ombros dela. – Mas cê também precisa deixar seu coração em paz com a minha escolha e a minha tribo.

    - A única coisa que eu posso fazer é te agradecer, por sempre ter estado lá quando eu precisava, e por nunca ter me faltado, mesmo hoje.E que quando for a minha vez e tu ganhar um neto eu possa fazer o mesmo. – Ele beija o tampo da cabeça dela e respira fundo sentindo o cheiro dos cabelos e logo sorri pra ela.

    Não ia mais discutir aquilo, não queria mais discutir...

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    Mensagem por Faor em Qui Set 10, 2020 12:15 pm






    Casa dos Algozes 268_2610


    Shaw abaixa a cabeça em respeito. A mensagem era clara e Ash tinha autoridade para dizer o que disse e como disse. Mas acima de tudo, Shaw era um convidado na casa dela, no território dela. Devia respeito e se ressentia em ter perturbado àquele ponto. Esse é o lado do irraka que Shaw menos domina: até onde pressionar alguém em uma simples conversa? Quando parar? Ele sabia que não era habilidoso e que foi descuidado.

    - Você tem razão, Ash. É claro que tem, me desculpe. - Ele levanta a cabeça encarando ela mas nos seus olhos não tem apenas arrependimento e humildade. Ele sufoca as próprias palavras mais de uma vez e ela continua falando, já se esgotando. Ela se afasta e ele escuta atentamente mas não descia o olhar. Não é raiva.

    - Não seremos arrogantes assim, não a qualquer custo. - Era impossível prometer isso claro, ele falou apenas o que desejou ser verdade. Confiava que os algozes seriam capazes de avançar sem se perder, mas não tinha qualquer garantia para oferecer ou para se apegar. Olhar firme. A leitura é simples: ele acredita nele e nos algozes. Acredita também que olhar para o outro lado e não procurar a loucura que devastou Dover mais de uma vez não vai os deixar mais seguros. Decidiu não falar nada para ela mas não pediria mais desculpas.

    - Obrigado. - Falou enquanto ela se aproximava da porta e depois que ela saiu de sua vista e Connor foi na direção dela, ele pegou mais um pedaço de carne mal passada. Apontou para o marido dela e sorria satisfeito, um elogio sem palavras. Saiu mastigando, saboreando. Foi para a rua em silêncio.


    Connor escreveu:Ela tá certa a gente tá sendo prepotente, primeiro a gente caça, ganha e honra nossas marcas, depois a gente pensa se tem moral e conhecimento pra falar alguma coisa.Sih Sehe Mak. Por hora a gente é só dois moleques bocudos chorando por migalhas que eles não podem dar.


    - Ela está certa sim. Só não adianta se afastar da merda para não se sujar. Digo isso para a gente. Não estaremos mais seguros só desviando os olhos. A gente continua tendo que mergulhar de cabeça nisso. Você pediu um norte e ela citou um uratha de Tóquio e o nosso Totem. E também falou dos mais velhos, não só do teu avô. - Não completou o raciocínio. Prefere estar de volta ao próprio território para discutir isso. Mas Connor tinha certeza de que ele estava disposto a partir para cima de todos eles.



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    Mensagem por Wordspinner em Sex Set 11, 2020 5:57 pm

    Connor escreveu:- A única coisa que eu posso fazer é te agradecer, por sempre ter estado lá quando eu precisava, e por nunca ter me faltado, mesmo hoje.E que quando for a minha vez e tu ganhar um neto eu possa fazer o mesmo.

    Tem lágrimas escorrendo do rosto dela quando ela te beija antes de entrar. Seu pai está um passo atrás e se despede com nada além de um aperto no ombro do filho. A porta é fechada assim que ele passa. Ainda tem carne sobre a brasa, mas ele nem consegue perceber.

    Do lado de fora os dois urathas de frente para a caminhonete tem muito o que pensar no próximo passo. Qual será o primeiro?

    Uma mensagem aparece tremendo no celular de Connor. "Tudo bem com vcs? Que tá rolando com a Tia?" Era Bredan que sabia de alguma forma.

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