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    Samantha Doiley

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    Mensagem por Wordspinner em Qui Out 01, 2020 10:53 pm

    Sala de cinema. O filme favorito no telão. O barulho das pessoas respirando. Comendo. Se emocionando. Uma batida distante. As cadeiras estão todas vazias. Não tem mais ninguém. O filme está mudo. A atriz olha pra tela. Uma batida mais forte. O filme queima na tela. Uma rachadura. Fumaça. As pernas correm sem perguntar. Atrás a luz se aproxima. Mais fumaça. Um cheiro azedo e forte. O som é mais forte dessa vez. Passa do chão para os ossos. Você corre para a escuridão. A luz é mais rápida. Te alcança. Ultrapassa. Devora.

    Os olhos abrem apontados para o teto de um lugar estranho. Não. Familiar de alguma forma. Conhecido. A cozinha do rapariga. Uma gota da torneira ruim bate na pia de aço inox. Implacável como o tempo. Não era bem ali que devia estar. Era? Vozes. O outro som. Vozes conversando do outro lado da parede de drywall.

    "Sabe o que fazer." Nunca tinha ouvido antes.

    "Ela não viu nada. Mesmo se tivesse, ela tem o sangue." Essa era...

    Uma gota no metal.

    "Tá certo, a gente empurra ela pros Uivadores, é a pista deles." Calma. Segurança. Certeza.

    "Não!" Um grito e sussurro na mesma palavra. "Tem alguma coisa rolando lá."

    Uma gota no metal.

    "A gente não pode ficar com ela e nem os Corvos. Que tá pegando irmãzinha?" Compaixão. Compreensão.

    "Amy e Rich tão muito estranhos. Demais. Tem coisa eu conheço eles." Agitação.

    Uma gota no metal.

    "Aqui. O que tá rolando aqui?" Uma oferta.

    "Nada, nada... Mas não..." Hesitação.

    Uma gota no metal.

    "Não mente pra mim. Sabe que não dá pra gente levar um parente por aí. Eles não são coisas." Decepção.

    "Argh... Eu sei, só to nervosa. Não é seguro ela sozinha. Anshega e até a legião." Medo. Raiva. entrelaçados

    Uma gota no metal.

    "Mentindo de novo. O assunto é seu. Vai lá e diz pra ela o que tem que dizer. Só sobrou um lugar." Decepção.

    "Eu não. Você quer dizer deixar ela com os novatos?" Disfarce.

    Uma gota no metal.

    "Tem dez minutos, melhor se apressar antes que ela fuja. Área neutra Anne." Nada.

    "Como assim fugir?" Perplexidade.

    Uma gota no metal.

    "Ela tá ouvindo a conversa faz um tempo." Voz distante. Ficando menor.

    A luz que entra pela janela vacila e apaga. O mundo perde o tom amarelado e quente dela. Frio e reflexivo agora. Metal e azulejos. Azul com a lua cheia. Os passos se aproximam rápido para a porta da cozinha. Outra gota batendo no metal. Você se senta. Sem pensar. A porta dos fundos aberta, a corrente grossa escorrida pelo chão. Uma serpente negra de metal no chão branco manchado de luar.

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    Mensagem por Bastet em Sex Out 02, 2020 2:02 am



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    Um... dois...três...quatro...cinco...seis...sete...oito...nove...dez...

    Samantha contou, ao abrir os olhos. Sentia uma adrenalina incomum correr em suas veias... Jurava que podia até ouvir o coração batendo acelerado, bem no fundo de seu ouvido. Não se lembrava bem do sonho... Nem do que tinha acontecido antes dele. Mas conhecia aquele lugar no qual estava. O teto ainda tinha marcas do dia que Ivete mandou Sam ficar de olho na panela de pressão e a menina sem querer dormiu... Só acordando quando ouviu um barulho gigantesco, vendo comida voando pra todo lado e a tampa da panela quicando no teto, como se fosse feita de um material muito menos resistente que o alumínio.

    Estava em casa. Por que estava em casa? Devia estar em Londres...

    Ah... o motivo...

    A mulher levou a mão na barriga, tentando se lembrar o porquê de estar deitada no chão da cozinha do Rapariga veia, quando sentiu a blusa completamente rasgada e cheia de sangue. Antes que pudesse olhar para o próprio corpo, ela gelou ao ouvir vozes.

    Não era a voz de Ivete... A segunda voz era conhecida. Era de um dos gêmeos. Anne?

    Reconhecer a fez relaxar por um instante... Mas o andamento do papo não deixou esse momento de calma durar. Ela não estava pensando em fugir até que ouviu que poderia estar pensando em fugir.

    Bom, se ele tá dizendo que eu devia, eu acho que devia”, pensou, se arrastando pra trás, começando a se sentar, sentindo uma dor em sua barriga. Esse pessoal tinha feito aqueles cortes? Os gêmeos estavam envolvidos nisso?

    Preciso correr”, ela pensou, só que, antes que tivesse tempo de se sentar completamente, ouve passos rápidos e pesados em direção à cozinha.

    Uma faca”, foi o primeiro pensamento. Foi se arrastando até o balcão da cozinha, abrindo a gaveta e procurando a faca. Ela conhecia aquele lugar e sabia que a terceira gaveta era onde Ivete guardava as facas de desossa, leves e afiadas.

    Caso tivesse tempo, usaria o balcão pra se apoiar e levantar, mantendo a faca em uma mão, atrás de si, tentando manter a distância entre ela e as silhuetas que se aproximavam. Caso não, se manteria encostada no balcão, com a faca na mão, escondida sob a perna

    Sentia que podia vomitar de tanta ansiedade, mas o estômago tava vazio.

    Que porra estava acontecendo naquele lugar?


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    Mensagem por Wordspinner em Sab Out 03, 2020 9:22 am

    A porta abre rápido. Um movimento apressado que termina com suavidade impedindo a porta de bater. Anne está vestida. Uma calça cargo com bolsos demais, uma camiseta que um dia foi branca frouxa e amarrotada. Uma expressão de cuidado e nervosismo que logo se transforma em um grito. "Porra! Faca! Larga isso." Ela faz alguma coisa estranha com os pés e a porta quase fecha totalmente. Por uma fresta dá para ver a mulher com olhos azuis arregalados. O cabelo preto e curto molhado e colado na cabeça. "Não precisa disso Sam. Sou eu. Só eu. Cê tá bem. Deixa isso antes que cê se machuque." Ela lentamente empurra um pouco da porta. Só o suficiente para a mão dela aparecer. Aberta em um sinal universal de não agressão. Lá fora um motor ronca e uma moto arranca. Os olhos de Anne focados completamente em Sam.

    Ela xinga algo meio rosnado e meio murmurado impossível de entender. "Olha, cê tá machucada e pelo ch...jeito os guarnapos que eu botei aí não tão segurando bem. Cê não tá podendo perder sangue." Como ela sabe? O que ela sabe? Será que ela sabe? "Cê já tem onde ficar? Não, pera. Eu vou entrar. Pode ser? Bem devagar e sem facadas, combinado?" Ela empurra um pouco mais a porta. As duas mãos a vista agora. Um passo lento, mas nada vacilante para dentro da cozinha. Ela entra em um quadrado de claridade que invade a janela, fica bem nessa luz da lua. Melhor que... Sem nenhum machucado. Sem nenhuma hesitação. Se movendo como se tivesse acabado de fazer um alongamento profissional. A lembrança da garota não se encaixa com a que está na sua frente.
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    Mensagem por Bastet em Sab Out 03, 2020 2:47 pm



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    Você sabe como é o trauma, não é? Sua cabeça não reage exatamente como reagiria normalmente. Samantha estava com a faca na mão e apontou para quem quer que entrasse. Ela tinha sim ouvido a voz de Anne... Mas não tinha assimilado a segurança, com a conversa dela com o outro homem... E, pra falar a verdade, Sam não estava confiando muito em si mesma naquele momento. As poucas coisas que se lembrava da noite anterior (ou essa? A noção de tempo estava bastante distorcida) não eram muitos críveis.

    Será que era um efeito do remédio novo? Aliás, ela tinha tomado os remédios? Não se lembrava.

    Quando viu Anne entrar na cozinha, apontou a faca... Mas sua convicção em furar quem quer que entrasse ali diminuiu. Apesar disso, nem teve tempo de dizer nada – a mulher fez uma pirueta meio estranha e saiu, se escondendo atrás da porta.

    Samantha olhou pra si mesma, enquanto ouvia o discurso de paz da amiga. Estava num estado tão ruim que era quase irônico a mulher durona sentir medo.

    Anne ouviria uma risada vinda de dentro da sala e o som do metal da faca batendo no chão. Em seguida, mais uma risada e um grunhido de dor.

    - Anne? Que merda aconteceu aqui, Anne? – Sam perguntou com algum humor, se recostando no armário, tentando arrumar uma posição confortável – A gente bebeu demais? Eu juro que... Você tava pelada... E cheia de sangue?

    Parecia que estava levando na brincadeira, até focar nos guardanapos na barriga, os olhos se arregalando.

    - O que fez isso? Anne... Eu te contei? Que merda...

    Não chegou a responder a pergunta sobre se teria local para ficar... Provavelmente Anne poderia inferir que a menina ficaria em seu antigo quartinho ali no bar, até arrumar uma casa na ilha.  

    Samantha tentava pressionar a ferida, sentindo a respiração acelerar.  Estava ficando difícil de manter a ansiedade sob controle.

    - Anne... Eu preciso falar com seu irmão... E quem tava aqui contigo? Caralho... Eu só queria tirar um cochilo depois de voar naquela classe econômica fedida...


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    Mensagem por Wordspinner em Seg Out 05, 2020 7:16 pm

    Ela entra rápido pela porta e corrige um segundo depois. Ela nem olha a faca no chão. Alguma coisa mais importante tem a atenção dela. Algo quase preto sob a luz da lua. Sangue. Escorrendo lentamente feito melado. Anne não tira os olhos dele até chegar bem perto. “Cê tá doida? Ninguém bebeu. Pera. Cê bebeu? Cê não pode porra. Preciso muito te enfiar em um médico.” Ela chega perto o suficiente para tocar. É isso que ela faz. Segura Samantha como se ela fosse desaparecer ou cair a qualquer instante.

    Ela olha os guardanapos. Olha os olhos de Sam. “Isso é só um arranhão, cê vai ficar ótima.” Ela acompanha os dedos da garota com a mão dela. Ambas pressionando o corte. Os cortes. “Eu sei, você fala demais. Tagarela.” Ela olha para a porta aberta nos fundos. “Vamo sair por ali, eu já limpei tudo lá pra dentro e não quero limpar de novo.” Ela estava ignorando deliberadamente parte das perguntas dela. “Meus deus cara. Cê tá perguntando muito e respirando pouco. Olha pra mim. Foca em mim. Isso. Agora respira fundo e devagar. Isso. Tá indo bem.” Talvez não tão bem. Mas Anne definitivamente não achava que Sam fosse morrer. “Senta de novo. A gente conversa antes de dar pé daqui, tá frio demais aqui e aquele seu cafofo virou depósito de casco usado.” A mão que não está no machucado sobe como se fosse pousar no rosto dela, mas para no meio caminho e se fixa no ombro. Ela respira com exagerada lentidão e se força a uma postura bem relaxada.

    Lá fora a lua desliza tão lentamente pelo céu que parece imóvel. Como se observasse as duas com cuidado. A lâmpada estala e acende de novo como se nunca tivesse apagado.
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    Mensagem por Bastet em Seg Out 05, 2020 10:55 pm



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    Sam não se lembrava de ter bebido... Mas, bem, era uma explicação plausível pra todas as memórias confusas e desordenadas em sua cabeça. Ela tentou forçar a mente, mas logo sentiu as mãos de Anne a segurando... E cedeu um pouco do peso do corpo contra o dela. Annie podia sentir ela tremer de leve, possivelmente por todo aquele susto.

    As mãos de ambas, agora, estavam ensanguentadas.

    -  Ai, Anne... porra. Essa...isso dentro de mim... Eu nem fiz o teste, eu acho... Mas...eu sinto... droga... – ela suspirou, deixando Anne a levar pra onde bem entendesse. Quando a outra mulher falou pra ela sentar novamente, ela o fez.

    -Calma... eu ainda não tô parindo pra fazer aquela respiração, calma – deu uma risada baixa, a olhando

    Quando vê a mão da mulher se aproximando de seu rosto, chega a fechar os olhos pra ganhar o carinho, mas os abre rapidamente quando sente o toque no ombro.

    - Porra, a Ivete já me expulsou assim, é? – reclamou, mais pra cortar o climão do que por surpresa. Certamente pensava em ficar ali, mas sabia que o bar precisava de um depósito e era o fim inevitável daquele quarto.

    - Me responde duas coisas... E eu vou contigo. Eu preciso ver seu irmão, de qualquer forma... O homem que tava contigo... Ai – o movimento de se sentar fez tudo doer. – O homem que estava aqui... Quem é ele?... E... Você... você viu aquilo que eu vi?

    Enquanto ouvia as respostas (ou o que Anne decidisse falar), Sam começava a tirar os guardanapos pra avaliar os cortes.  Ela não era médica... Nem tinha condições de fazer muita coisa naquele momento, mas sabia como tratar ferimentos (grande parte de animais, mas as coisas não eram tão diferentes assim).

    - Na minha mochila... Deve tá no salão... eu tinha colocado perto do balcão.  Ou no banheiro...Tem meus remédios e algumas roupas... Se eu chegar assim num hospital eles vão fazer muitas perguntas... E isso pode ferrar a Ivete... E você....

    O sangue parecia já começar a coagular. Aquilo era um bom sinal, que dizia que possivelmente o sangramento não estava tão forte. Talvez tivesse com um sangramento interno? Era possível. Só que não precisava assustar a outra mulher com a informação.  

    Tava com dor pra caralho, mas tentava manter a expressão tranquila... Queria xingar a cada movimento.  Sentia os olhos começarem a pesar novamente.

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    Mensagem por Wordspinner em Ter Out 06, 2020 6:36 am

    Sam escreveu:- Ai, Anne... porra. Essa...isso dentro de mim... Eu nem fiz o teste, eu acho... Mas...eu sinto... droga...

    "Isso?!" Ela parece ofendida, mas ri.

    Sam escreveu:eu ainda não tô parindo pra fazer aquela respiração, calma

    "É, pode ser. Mas ficar nervosa e agitada aumenta o sangramento. Eu vi no 'House'." Ela definitivamente não viu no House.

    Sam escreveu:Porra, a Ivete já me expulsou assim, é?

    "Ela pendurou uma foto sua. Mas roubaram. Ela ficou orgulhosa e achou que cê ia voltar rica." dá pra sentir o riso dela na voz.

    Então Samantha fala sobre Juan e o homem. Anne xinga. Parece assustada e puta da vida por um instante e então... "Droga é... Porra, é dele! Claro que é dele. Quem mais ia comer uma ossuda irritante violenta assim." Uma ternura inesperada nos olhos conflita com as palavras. Ela segura o rosto de Sam com as duas mãos. O sangue morno suja o rosto e talvez até o cabelo. Ela se afasta. Quase leva a mão com sangue a boca. Como uma criança limpando a mão suja d sorvete, mas se contem no ultimo segundo. "Ele não vai fugir de você. Amanhã ele te encontra. Eu acho ele." Certeza. Nenhuma gota de dúvida.

    Ela começa a meticulosamente lavar a mão na pia. Como se tivesse nojo do sangue que quase lambeu. "Professor Stuarts é de boa. Relaxa com ele. Não vai te fazer mal. Ele me ajudou com os guardanapos e disse que cê vai viver, mas é melhor não se esforçar pra não abrir mais isso aí." Ela mostra a mão limpa como e fosse uma medalha de honra de que se devia ficar orgulhosa. Ou um daqueles Cheesecakes difíceis de fazer.

    Então ela fica mortalmente seria. "Cê tá segura Sam. Eu sei do que cê tá falando e não tem erro. Eu sei lidar com isso. Quando cê tiver fechada a gente conversa mais." O tom de voz não deixa espaço para dúvidas ou brincadeiras. Mas ela não oferece mais nada.

    Ela ouve Sam falar sobre a mochila. "Tá certo, vou pegar. Vou pegar gelo também. Vai ajudar com a dor e o sangramento. " Anne volta bem rápido porque a mochila estava do lado da porta. Enquanto você limpa e estuda o ferimento ela produz uma bolsa de gelo. Os cortes eram limpos e fundos. Lâminas. Três. Afiadas também. Feitos com um só movimento. Poderia facilmente estar vendo os próprios intestinos agora se quem a cortou quisesse expor suas vísceras. Anne chega com a bolsa gelada e um sorriso amarelo. "Nem tá ruim. Tá?" Depois ela segue as instruções de Sam para ajudar a cuidar do machucado. Depois ela limpa qualquer vestígio de sangue.

    A mochila estava exatamente do jeito que você deixou. Anne te coloca na moto e segue devagar demais para o hospital. Lentamente suavizando qualquer relevo. Quando chegam a uma clinica particular no Corona parece que Anne fumou crack pra achar que você podia pagar, ou vendou muito crack pra achar que ela podia pagar. Mas a menina insistiu e em poucos minuto estava sentada numa maca enquanto um medico muito bem arrumado e vestido dava os pontos necessários com cuidado. Ele parecia cansado e Anne não pagou nada em momento algum. Mas ele te tratava como se ele tivesse grato pela chance de fechar seus pontos em uma clinica que claramente faz plasticas caríssimas. Próteses de silicones na parede. Madeira em todas as paredes. Um peso de papel que parecida brilhar feito ouro.

    O trabalho é meticuloso e demorado. Sem pressa. Anne está do outro lado. Sentada na cadeira alta e confortável do medico. Dr.Holder escrito em uma plaquinha na frente dela. Ela brinca em silêncio com as coisas da mesa dele. Já o doutor quase não disse nada. "Vou cuidar bem de você." Assim que chegaram depois mais nada.


    Off:
    Sua ficha tá com um pontinho a mais em conhecimentos, eu acho que ciências 4 é overkill, tiraria dali. Mas é vc que decide Cool
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    Mensagem por Bastet em Ter Out 06, 2020 2:41 pm



    Samantha
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    - Ai, eu sei que é seu sobrinho... Mas Anne, eu não sirvo pra mãe, isso é loucura... Coitada dessa criança...

    Responde quando percebe que Anne ficou ofendida com o uso do “isso”, mas logo realizou uma coisa. Desde que desconfiou da gravidez, nunca tinha cogitado tirar a criança. Será que estava ficando louca de vez? Queria aquele fiho?! Sim, queria...

    Deu uma risada com o comentário da respiração e acabou obedecendo, imitando uma respiração de “grávida”.  Apesar de Anne ter visto em “House”, ela de fato tava certa. Principalmente levando em conta a situação e a pessoa com quem Anne tava lidando.

    - Hey! Eu sei que você queria também, sua idiota – queria dar um tapa nela, quando ela chamou ela de ossuda e disse que só Juan tinha vontade de comer ela, mas se conteve. Tava com as mãos ocupadas no machucado. Riu com a reação da mulher à provocação e assentiu sobre ela encontrar Juan – Obrigada, Anne...– sorriu, quando foi tocada no rosto daquela forma gentil. Apesar disso, se amaldiçoava e amaldiçoava Juan, mentalmente, por terem dado essa bobeira. Enquanto a mulher lavava as mãos e ia buscar a mochila, Samantha analisava o ferimento.

    Por fim, depois de receber informações muito vagas sobre o “professor” e tudo o que tava rolando ali, Sam não insistiu, entendia que às vezes as pessoas precisavam manter segredo.  Não que ela tivesse desistido de saber mais, mas, naquele momento, tinham coisas mais urgentes a fazer.

    - Não... Mas podia ter me rasgado em duas... O corte tá muito limpo, parece até que... seja lá o que fez isso, calculou a profundidade do corte. Ali... O kit de primeiros socorros. – indicou o armário, o kit não estava nada completo, mas tinha algumas coisas que ajudavam. Indicou como desinfetar com o que tinham,  em seguida fecharam com os bandaids e fitas crepes que ainda restavam e fizeram uma espécie de tala com uma roupa qualquer, pra evitar de Sam ficar curvando o corpo no caminho.

    - Acho que assim tá bom, vou ficar viva – tentou parecer otimista, mas soou um tanto mórbida.  Aceitou a ajuda de Anne pra andar, mas, antes de subir na moto, segurou a mão dela e a puxou pra um abraço leve – Eu to bem, Anne. Obrigada – disse, percebendo como a outra estava nervosa com a situação. Logo subiu na moto e ficou quieta durante o caminho.

    Quando viu onde tinham parado, Sam franziu o cenho.

    - Cê tá doida? Tá igual a Ivete achando que voltei rica? – reclamou, mas foi “arrastada” pra dentro, já pensando numa desculpa pros machucados... Mas não foi questionada sobre. Estava deitada na maca, sem a blusa, olhando pro teto branco demais.  O doutor tinha passado um anestésico pra ela não sentir a agulha... Aquilo devia ser pras madames não sentirem a aplicação do botox. Ficou calada muito tempo, detestando estar em um médico e com uma pessoa estranha mexendo em seu corpo. Só falou quando ele tava quase no fim dos pontos no último ferimento.

    - Doutor... Eu posso te fazer uma pergunta? – disse e não esperou resposta – Você é médico... E já devo deixar um rim aqui hoje, então não sei se vou voltar em um por muito tempo... Enfim... Pode ser que eu esteja grávida... E eu tomo uns remédios controlados. Você pode dar uma olhada neles pra ver se algum pode prejudicar.... – engasgou na fala, dando uma pausa – prejudicar o meu bebê?

    Começou a listar os remédios, mas tinha todos na mochila, caso ele precisasse avaliar as composições.  Sempre que se lembrava, tomava estabilizadores de humor, ansiolíticos, antidepressivos e alguns remédios de estômago, devido a alta carga de medicamentos diários.

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    Mensagem por Wordspinner em Qui Out 08, 2020 1:49 pm

    Sam escreveu: Ai, eu sei que é seu sobrinho... Mas Anne, eu não sirvo pra mãe, isso é loucura... Coitada dessa criança...

    "Eu também não." Ela cospe meio fora da hora e ri. Depois gargalha, mas é algo contrariado. A coisa escapa dela sem tentar. "Eu nem vou ser mãe." Ela suspira, mas tem a graça de não parecer aliviada.

    Sam escreveu:Hey! Eu sei que você queria também, sua idiota

    "Cê acha é?" Por um instante o olhar é serio. Logo depois ela parece só intensamente fixa na boca de Sam. Se aproxima partindo os lábios. A respiração dela é quente e parece se espalhar na pele como um tecido macio. Então os dentes aparecem. "Cê acha." Não era uma pergunta. A proximidade das duas agora paira no ar como fumaça. Impossível de pegar, mas fácil de ver e tocar.

    - no consultório-

    Curiosamente ele parece alarmado quando você toca no assunto de pagamento. Quando ele responde, faz isso olhando para Anne "Ninguém vai pagar nada. Eu não falei nada disso." Alguma coisa na voz dele é estranha. Um toque de ofensa? Talvez. Algo que o deixa agitado. Ele para o trabalho, respira e recomeça. "Eu não sou bom o bastante nisso, mas você vai parar com tudo. Menos o do estomago. Eu te encaixo com um amigo amanhã. Pro bono." Ele faz os cortes ficarem coisas pequenas, no futuro vai parecer que ela fez uma plastica na barriga. "Ele não vai perguntar muito." Então Anne fala com voz animada. "Porque ele não aproveita e fica com ela até o final da gestação. Pre natal e essas coisas." Nas mãos ela aperta e amassa uma prótese bem grande. O medico olha para ela em silencio por um longo segundo. "Ele adoraria. Tenho certeza. Pode considerar feito. Parto também?" Ele pergunta sem entusiasmo, mas já com os olhos no trabalho meticuloso. "Ideia ótima." Ela sorri. Os dentes a mostra com a vitória clara nos olhos. Quando ele termina o trabalho e analisa como ficou parece bem satisfeito. Mas tenso. A tensão só some quando Anne dá um tapinha no braço dele dizendo. "Mãos magicas, hein?!" com um toque levemente sacana. Ela pisca para Sam com o olho que ele não pode ver. Estava curtindo deixar ele constrangido.
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    Mensagem por Bastet em Qui Out 08, 2020 3:51 pm



    Samantha
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    Samantha deu uma risada quando ela comentou que não seria uma boa mãe e assentiu, concordando apenas para irritar a mulher...

    - Bom, mas vai ser tia, alguém vai ter de olhar a criança enquanto mamãe e papai trabalham... – respirou fundo mais uma vez, percebendo que falar sobre aquilo de “mamãe e papai” seria algo muito frequente e assustador. Por sorte, Anne mudou de assunto, com aquela provocação sobre ela ser pouco atraente e violenta.

    Apesar de dizer aquilo, Anne logo se aproximou demais, fazendo Sam até se afastar um pouco em reflexo.  Logo deu um sorriso com a presunção da mulher, deixando os corpos e rostos se aproximarem, mordendo o lábio de leve, sem perceber.

    - Eu não disse que eu achava, Anne – falou, aproximando ainda mais o rosto. Se a outra mulher não se afastasse, sentiria o macio dos lábios da amiga encostando nos seus, em toques breves, enquanto Sam falava. Os lábios eram surpreendentemente hidratados, apesar do estado do rosto de Samantha após Anne passar a mão suja ali.

    - Eu sei... – murmurou, erguendo os olhos grandes na direção dos da mulher. Logo deu um sorriso com o canto dos lábios, não esperando realmente que Anne quisesse algo além das provocações. Entre os gêmeos, ela era o cão que latia e raramente mordia.

    ***

    No consultório, Sam desviou rapidamente os olhos do teto branco para o doutor, quando ouviu aquelas palavras ríspidas e o tom de ofensa.

    - Olha, não sei o que tá rolando aqui... Se você são amantes ou se você tá devendo alguma merda pra Anne – o humor levemente amigável dela mudou, talvez correspondendo à agitação do médico – Mas eu não preciso de caridade, doutor. – disse quase em um rosnado e recebeu um olhar de reprovação de Anne, o qual respondeu com um revirar de olhos, ouvindo ambos negociarem as consultas e todo o resto.

    Sam se calou, percebendo o voto vencido ali, ficando emburrada. Se surpreendeu quando o médico acabou e ela viu o resultado. Nem parecia que meia hora antes tava com a barriga toda fodida no chão do rapariga.

    - Obrigada –
    disse, já começando a se sentar pra vestir a blusa. Segurou um risinho ao ver Anne provocar o médico, que claramente tava caindo na zoeira, e matutando como seriam os nove meses sem os remédios que a deixavam estável.


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    Mensagem por Wordspinner em Qui Out 08, 2020 6:49 pm

    Sam escreveu:Eu não disse que eu achava, Anne


    Ela imediatamente respira fundo. O corpo dela se afasta, mas as mãos puxam Samantha para perto. A boca a recebe com avidez. Ela tem gosto de algo amadeirado e pimenta. Os olhos fechados. Uma das mãos traça um caminho até a nuca de Sam. A puxa para perto, para dentro do beijo. Mas um instante depois a puxa pra longe. Não muito longe. "Sabe..." A voz dela ainda carregada de excitação. "Agora não. Cê tá sangrando." Ela fala devagar e põe enfase na palavra sangrando. Como se para convencer ela mesma.

    -No consultorio-

    Quando ela sugere que sejam amantes Anne gargalha e quase cai da cadeira. O medico parece aliviado. Como se aquela fosse uma opção muito menos desagradável que a verdade. "Ela me salvou. De verdade. Eu não estaria vivo. Eu sou Gay." Os olhos finalmente nos seus. Sinceridade pura e simples. Ele relaxa ao falar. "Hooligans e ele nem é tão gay." Diz Anne. Ele demora uns segundos para confirmar com a cabeça. Depois confirma outra vez. Anne sorri. Orelha a orelha.

    Quando Sam finalmente agradece ele a olha sério. "Sem exercícios. Esse aqui é um analgésico tópico. " Ele coloca uma pomada na mão de Sam. "Amanhã vai doer mais. Depois que o efeito de tudo passar. Ah, leva esse antibiótico tópico e limpa isso aí muito bem. " Em nenhum momento ele perguntou a origem do machucado. Nem quando a paciente fez insinuações sobre a caridade. "Não falta amanhã. Eu não vou saber o que fazer com a minha cara." Ele coloca um cartão na mão que já tinha dois tubos de remédio. "Se infeccionar, procura um hospital." Ele passa a mão no cabelo bem arrumado enquanto olha de uma para a outra. Como se tivesse que lembrar de algo. Como quem abriu a geladeira e agora não sabe o que fazer. "Tá na nossa hora doutor. Pode deixar que eu vou esquecer que cê existe."

    Mas mesmo assim ela espera você Sem apressar. Sem piadas. O silêncio dura até as portas do elevador se fecharem. "Sam, eu... Você precisa ficar em outro lugar e eu durmo na minha moto. Não é lugar pra você nesse estado." Ela começa a falar olhando para o próprio reflexo no espelho. Mas no fim os olhos estão nos de Sam. "Tenho um amigo que tem uns quartos sobrando e tá me devendo." As mãos dela procuram o par ligado aos braços da outra mulher. "O lugar é lindo. Cê nunca vai querer sair de lá, mas eu te busco de manhã. Pro medico. Cê topa?" Ela foi chegando mais perto. Cada palavra deixava ela mais próxima. Os olhos de Anne subiam e desciam o rosto de Sam. "Cê não tá sozinha." Todo o humor estranho que tinha com o medico se esvaiu e ficou só uma intensidade faminta em Anne.
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    Mensagem por Bastet em Qui Out 08, 2020 11:36 pm



    Samantha
    Doiley

    Parece que, naquela noite, o cão não estava só pra ladrar...

    Sam foi pega de surpresa, mas não resistiu. Se deixou puxar pelas mãos da outra mulher, a beijando na mesma intensidade que os lábios de Anne pareciam necessitar. Chegou a soltar um “hmm” quando teve os cabelos da nuca puxados, esquecendo, por um momento, o que estava acontecendo ali... E então, a mão assertiva da mulher a afastou um pouco.

    - Puta que pariu – reclamou, com as bochechas vermelhas pelo “calor” que tinha descido até lugares inapropriados naquele momento,  a puxando pela barra da calça, com uma das mãos, pra perto novamente e dando mais um beijo rápido, intenso...com gosto de quero mais.

    - Agora não... repetiu, com um pequeno sorriso, contra os lábios da mulher e foi com ela até a moto, sentindo aquela tensão entre elas a cada toque sem querer...

    ***

    Samantha diminuiu o bico quando viu o Doutor conversar com Anne sobre o que ele devia a ela. Ainda não gostava da ideia de ir num lugar como aquele e não pagar... Mas, bem, seu emprego no haras devia começar em alguns dias e ela só receberia no final do mês... Então, um gasto a menos até lá era bem vindo.

    - A Anne? Sério, doutor? Se bem que já vi ela derrubando uns caras maiores que essa porta, lá no bar – disse, dando uma risada.  Por fim, se vestiu, ouvindo as recomendações do médico e assentindo. Abriu as mãos, pegando tudo o que ele passava pra ela.

    - Estarei aqui na hora marcada, tem certeza que pode me dar tudo isso aqui? – perguntou, mas logo ergueu a mão livre como quem diz “eu me rendo”, ao receber aquele olhar de morte novamente. – Tá bem, tá bem. Obrigada, doutor. Por tudo – agradeceu, estendendo a mão e apertando a dele com firmeza.  Guardou as pomadas na mochila e a colocou, saindo de lá com Anne e indo em direção ao elevador.

    Olhou para a mulher, quando ela começou a falar e entrelaçou os dedos de uma mão com os dela, quando sentiu os dedinhos dela ali pertinho.

    - Você tá gastando seus favores comigo... Por quê?... – perguntou com os olhos baixos, como se realmente não entendesse aquele carinho. Logo suspirou, vendo Anne cada vez mais pertinho, erguendo um dedo até o rosto dela e fazendo um carinho – Obrigada por estar comigo – deu um pequeno sorriso e a olhou nos olhos, vendo a porta se abrir atrás dela e algumas pessoas entrarem. Suspirou, mas não soltaria a mão de Anne caso ela não quisesse.

    O silêncio constrangedor voltou, enquanto andavam pra moto. Antes de subir, Samantha voltou a falar.

    - Eu acho que... Uma cama dividida deve ser mais confortável que dormir em uma moto... - fez uma pausa e logo continuou – Mesmo com uma ossuda feito eu... – brincou, esperando pra ver se ela aceitava ficar com ela. Provavelmente não seria uma companhia “divertida”, devido às restrições médicas que o doutor tinha passado... Mas, bem, tinham muito pra conversar... ou não conversar.


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    Mensagem por Wordspinner em Sab Out 10, 2020 8:10 am

    "Porque? Cê tá guardando algo importante aí dentro, cara. Não pode morrer ainda." Ela brinca no fim. Parece que ela brinca fim. Provavelmente ela falou brincando. Não foi? Mas quando Sam fala sobre a moto ela fica séria. "Melhor não falar nada disso perto dela. Ela é temperamental. Eu não posso hoje Sam... Eu vou estar bem ocupada. Mas amanhã eu juro que vou te buscar de manhã. Sem atrasos." As duas saem do elevador e passam novamente pela recepção impecável do lugar. Daria para dormir confortavelmente no sofá. A verdade é que o sofá era provavelmente muito melhor que as camas em que Sam tinha dormido até agora. "Eu já mandei umas mensagens e tá tudo certo. Sobe aí e eu te levo pra onde você vai poder dormir e tomar um banho quente." Ela te empurra o capacete reserva.

    O caminho é rápido. Anne está indo bem mais rápido dessa vez. Animada e brincando. Quando ela finalmente para é estranho. A sensação da separação que é inevitável como o fim da noite. Ela deixa a moto na calçada. Um garoto espera vocês no portão. Algo pesado de ferro que se move lentamente quando vocês chegam perto. "E aí?!" Ele sorri e estende a mão. Ela joga a chave e ele joga outra de volta. "Cinco minutos. Nada mais." O rosto dele se ilumina com uma travessura cheia quase irracional. Vocês entram em uma vila circular. Uma pedra grande em uma especie de pracinha bem no meio. Casas em volta de tudo. Estilos diferentes. Formas diferentes. Vocês vão até uma das primeiras. A porta aberta não é um obstáculo.

    Lá dentro uma jovem que acabou de sair da adolescência espera em um divã com sanduíches de micro ondas intocados em seus pacotes e um jarro de cristal cheio de... coca cola? Por dentro a casa é escura e um pouco opressiva, mesmo sendo espartana e bem aberta. Tudo é sério. Todas as cores e formas. Onde se esperaria uma TV tem uma estante de livros. Um retrato a óleo na parede de um jovem rígido e sisudo. Nem as luzes são exatamente brancas e todas são indiretas. Ela levanta quando vocês entram e sorri. "Tenta não quebrar nada. Portas trancadas ficam trancadas, tem um banheiro e um quarto abertos. Fique a vontade e não incomode os lobos." Anne dá um empurrãozinho "Essa aí é a Amy, ela é sua vizinha até tu sair. Sério. Não meche com os lobos. Essa casa era do Klaus né? Ele tinha um retrato dele. Pintado?" A garota de cabelo pintado oferece a mão para um aperto. "A geladeira tá cheia. A gente adora visitas. Tem frutas também e ensopado de lebre. Mas a Anne gosta mais desse lixo." Ela aponta para os hambúrgueres e a coca. "Senta aí, tá cansada demais pra conversar? Quer dormir?" Ela aponta para uma poltrona vinho grande e confortável.
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    Mensagem por Bastet em Sab Out 10, 2020 2:52 pm



    Samantha
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    - Vou fazer o meu melhor pra não morrer ainda – ela respondeu, com um sorrisinho e um empurrão de leve no ombro da outra mulher.  Logo suspira com a recusa do convite, mas não insiste. – Perdendo pra uma moto, que humilhação – disse, com humor e logo assentiu – Combinado. Depois da consulta você pode me deixar na casa do seu irmão? Não acho certo esconder isso dele...Apesar de eu achar que ele vai pirar...

    Foi andando com Anne até a moto e pegou o capacete, enfiando na cabeça e montando atrás da mulher. A verdade era que aquela viagem estava sendo bem mais divertida do que a de ida até o hospital. Sam adorava a adrenalina de andar em motos, apesar de nunca ter aprendido a pilotar uma. A mulher se segurou com uma das mãos na cintura de Anne e a outra esticou, quando a amiga acelerou ainda mais a moto, trespassando o vento da noite como uma faca afiada cortando a carne.

    Quando chegaram, ela suspirou. Aquela noite estava sendo muito estranha... E o único ponto seguro dela era estar com Anne. Apesar disso, ficaria sozinha ali.  O contraste entre o ambiente chique e pomposo da clínica e aquela vila era gritante. O novo lugar não era muito chique, mas parecia um bom lugar para se viver... E durante o dia devia ser lindo mesmo, como Anne tinha dito. Um contraste ainda maior era visto entre o ambiente externo e interno. A casa que foram não parecia tão acolhedora quanto à simpática pracinha de pedras e os exteriores das casinhas.

    Como podia ter um lugar assim na cidade e ela nunca ter ouvido falar? Morava ali desde sempre...

    Se surpreende quando a morena joga a chave da moto pro rapazinho que saiu pelo portão. Anda um pouco olhando pra trás, pra ver se realmente o garoto ia subir... E logo olha pra casa que entraram, sentindo um certo desconforto. Principalmente quando avistou a figura no divã, tão receptiva.  Aquela casa parecia um lar... Um lar um tanto bizarro, com todas aquelas regras... e lobos? Mas um lar. Não era lugar pra Samantha se meter.

    - Oi Amy... Samantha – se apresentou de um jeito meio esquisito, erguendo a mão quando disse o nome e olhando os sanduíches na mesa. Aquela coca ficaria bem com um pouco de rum e limão. Daria tudo por um cuba naquele momento... E alguma coisa pra comer também. Não se lembrava de ter comido nada muito substancial desde... Londres?

    - Eu não vou incomodar os... lobos? Aqui na ilha nunca ouvi falar de lobos que chegassem tão perto da área urbana... – começou a falar, mas logo se conteve. Percebeu que ninguém tinha pedido sua opinião. Logo continuou – Bem, vou tentar não incomodar ninguém.  Obrigada por me receber essa noite – disse, ouvindo Anne falar sobre um Klaus.  Sam apertou a mão de Amy, ensaiando um sorriso.

    Samantha pensa em dizer que queria dormir, mas a fome era maior que o desejo de ficar sozinha. Se sentou na poltrona, com cuidado pra não abrir os pontos, e olhou pra Anne, pra ver se ela ficaria ali também. Torcia pra que sim, assim elas conversavam e esqueciam dela ali.

    - Posso? – perguntou, e, quando recebeu uma afirmativa, abriu um dos saquinhos do sanduíche, dando uma mordida e fazendo um “hmm”.  Sam não podia negar que adorava uma porcaria também.

    off:
    Se a Anne não for ficar, adia a parte que ela pega o sanduíche, a Sam antes  vai se despedir




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    Mensagem por Wordspinner em Ter Out 13, 2020 7:07 pm

    Anne anda até o retrato calmamente e o vira na parede. "Ninguém precisa ficar olhando pra ele. Os lobos foram resgate, não foi?" Amy confirma com a cabeça a pergunta de Anne e ri quando ela pendura o quadro ao contrário. "Cê pode ignorar as crianças da vila. Elas devem querer falar com você ou vão fingir que são cachorros com os lobos. Se não for muito incomodo finge que a criança rosnando ou latindo não é retardada por favor. Eu pari, mas deixo eles brincarem assim e finjo que é lindo." Anne senta do seu lado e pega um sanduíche. "Arys e Ilona são tão espertos, dá nem pra acreditar que são irmãos dos pestinhas." Ela te cutuca de leve com o pé enquanto faz a provocação. "Ei! Eles não são burros. São infantis. Eles tem quatro anos e falam duas línguas e ... acham que se fizerem au au ele viram cachorros. Puta que pariu." A indignação se torna uma resignação e no fim risadas.

    Bacon. Cheddar. Cebolas. Duas carnes. Um pote de molho escuro e outro de barbecue na mesa. Anne enche dois copos com coca e gelo. Amy olha tudo enojada. Como um padre olharia para... um padre pedófilo. Até porque ela veste pedaços da infância. Um gatinho de brinquedo pendurado no cinto. Meias altas com monstros asiáticos fofinhos. Dentro do moletom com capuz preto uma camisa cropped com o godzilla de perfil. Muito diferente de Anne, mas de alguma forma elas pareciam farinha do mesmo saco. Como duas beatas da mesma igreja pra gente esquisita.

    Como uma cientologia para garotas que se vestem mal e são mais confiantes que bonita. A esperança de Sam se concretiza por um tempo. Parecia que tinha ficado tudo bem. Mas então. "Samantha a chave das porta tá nesse chaveiro. Se quiser se trancar no quarto. E o que você toma no café? Alguém te trás comida antes da Anne te buscar. Não imagino que você esteja pronta pra loucura do nosso café da manhã em família, mas tá convidada e nem precisa aceitar. Mas como tu conhece a chica aqui?" Ela olha suspeita para Anne. Que por sua vez faz não repetidamente com a cabeça enquanto mastiga rápido para tentar falar.
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    Mensagem por Bastet em Ter Out 13, 2020 9:33 pm



    Samantha
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    Enquanto comia o lanche oferecido, tentava entender o papo das duas mulheres que dividiam o espaço com ela. Até mesmo entender o que os potros “diziam” era mais fácil. “Que papo mais maluco dessas duas”, pensou e logo reparou que Amy falava com ela, sobre filhotes, crianças e....what? Ela já tinha se perdido.

    - Bom – Sam limpou lambeu os dedos sujos de barbecue, que tinha vazado da primeira mordida no hambúrguer, e continuou respondendo – Eu me dou melhor com cachorros que com criança. Então não se preocupe – deu de ombros, pensativa. Era normal crianças saírem latindo por aí?

    Samantha olhou a própria barriga, se questionando o que faria quando chegasse essa fase, um pouco abstraída da brincadeira das de Anne e Amy.

    Naquele momento, tava achando que “Lobos”, referidos por Anne, eram apenas membros de uma nova gangue que surgira enquanto ela viajava. Aquela cidade já parecia não ter mais espaço pra novas disputas... Mas sempre algum engraçadinho queria tomar o “poder” pra si.

    Não sendo riquinhos querendo cocaína, eu consigo lidar”, pensou, se lembrando de uma das únicas encrencas que se meteu no bar e não saiu com um olho roxo. Os riquinhos eram irritantes e covardes.

    ***

    Ainda perdida em seus pensamentos, só se ligou quando ouviu o próprio nome na conversa novamente.

    - Não precisa se preocupar comigo, de verdade. De manhã um café bem forte é o suficiente pra mim – ela disse, estranhando aquele paparico todo – Eu me viro – deu um sorriso sem graça, não querendo incomodar. Apesar disso, sentia que ia se arrepender pela manhã, ao enfrentar o “café da manhã em família”. Ela tinha dito duas crianças né? Devia conseguir se desviar de duas mini-pessoas (ou mini cachorros) até chegar na cafeteira. Depois esperava Anne na praça.

    Esse é um bom plano”, repetiu pra si, em sua mente.

    Pegou o chaveiro, perguntando qual das chaves era e logo abriu um sorriso perigoso. Foi a primeira vez que viu semelhança nas duas garotas. Muito além das roupas e da atitude fora do padrão, as duas gostavam de uma provocação com pessoas próximas.

    Pela primeira vez, viu Anne meio desesperada por algo que ela podia dizer. Em sua cabeça, era apenas pelo beijo de mais cedo ou dos flertes no bar... Não de toda história.

    - Longa história – ela disse e olhou pra Anne, logo pra Amy – Na verdade, nem tão longa assim. Anne e o irmão iam muito no bar que eu trabalhava.  Eles diziam que iam lá pra exibir a moto e ganhar dinheiro no pôker, mas tenho certeza que era pra ver minha bunda. Sempre pediam as bebidas mais baixas, principalmente o Juan...

    Deu uma risada, nem ela mesma acreditando na parte da bunda. Omitiu a parte que acreditava que deixaria Anne sem graça... Sam era filha da puta, mas não tanto.

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    Mensagem por Wordspinner em Sex Out 16, 2020 11:59 am

    Sam escreveu: Eu me dou melhor com cachorros que com criança. Então não se preocupe

    As duas riem com Sam. Depois riem de novo sem ela. Alto. "Quem prefere as porras das crianças?" Nessa parte Amy para de rir, mas não por ofensa e sim por exercício de tremenda força de vontade.

    Sam escreveu:Eu me viro

    Amy sorri satisfeita. Anne olhou para Sam como quem está prestes a dar um aviso sério. Então da de ombros. "Seu funeral. Mas pelo menos vai morrer vendo o gatinho do James." Amy olha para porta rindo. "Jun tá morando aqui também." "Sanduíche no café da manhã? Yumi..." Ela passa a língua nos lábios fingindo ver algo delicioso e cutuca Sam bem de leve. Como se ela fosse quebrar. "Amy é o patinho feio da família dela. Deve ser adotada. Pai dela parece um artista de cinema e a mãe é coroa mais mais... não, desculpa mas a Jollie é mais gata. Aquela outra lá também. Zellweger? Aquela morena também. Enfim eu pegava." A outra parece tranquila com as provocações. Parece confortável. Feliz.

    -
    "Então eles ficaram do lado de fora das suas calças?" Anne lança um olhar venenoso, mas se ela percebeu não deu sinais. Os olhos azuis fixos em você. "Porque nunca vi um Avila ganhar um trocado no poker." Anne engole um monte coca. "Não precisa disso, pra que falar da minha sorte no jogo." Uma camada cômica de pânico se forma no rosto de Anne. "Relaxa. Cês tão de boas. Mas Anne não pode dormir aqui não. Klaus ia me matar e Rich ia te expulsar antes de terminarem as preliminares." Ela sorri para Sam. Sincero. Aconchegante. Quase infantil. "Vamo antes que o Jay resolva dar mais uma volta." Anne faz que sim com a cabeça e se vira para Sam. "Até amanhã, não é. Não some." A voz se enche de cautela, pânico ainda lá no fundo. As mãos dela procurando as de Sam.

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    Mensagem por Bastet em Sex Out 16, 2020 5:46 pm



    Samantha
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    Sam se surpreende com aquela reação à sua fala. Não tinha sido exatamente uma piada, mas as duas riram bastante e depois Anne comentou sobre as preferências das três ali. Até Amy, que era mãe de pelo menos dois, achou graça, mesmo se forçando a ficar mais séria quando Anne disse aquilo.

    Samantha deu um gole longo na coca, vendo as duas se divertirem. Era difícil acreditar que Anne andava com pessoas tranquilas como Amy... Sempre que a vira, no bar, estava com gurias e caras musculosos e cheios de vontade de brigar.

    Ergue o olho pra amiga, quando ela fala sobre o “funeral”. Deu de ombros, como se pudesse lidar com aquilo... Apesar de duvidar... E não respondeu, vendo que as duas papeavam sobre pessoas que ela nem tinha ideia de quem eram. Elas e essas pessoas pareciam uma comunidade unida, amigável e esquisita.

    - Não liga pra Anne não, ela tem uns gostos esquisitos mesmo. Você é linda, Amy – disse, de forma amigável, cutucando Anne em resposta ao cutucão que levou e rindo – Vocês me desculpem a pergunta... Mas toda essa toma café junta, é? Meu deus... – o “meu deus” saiu abafado com uma mordida no sanduíche e um suspiro. Se as duas juntas ali já faziam uma festa inteira, imagina mais trocentas pessoas iguais elas. Pelo menos, aparentemente, eram pessoas bonitas. Não iam prestar muita atenção numa esquisitona desconhecida, certo?

    ***

    Samantha quase engasgou com a pergunta de Amy, tossindo um pouco e terminando com a coca antes de responder.  Não era só Anne que tava com aquela expressão de “pânico”. Devia tá bem clara a resposta que Amy queria, mesmo que nenhuma das outras garotas tivesse respondido.

    - Eles são muito ruim nas cartas mesmo. Dinheiro fácil.  Até as jogadas ruins são iguais, deve ser coisa de gêmeos mesmo  -  aproveitou a reclamação de Anne para fugir do primeiro assunto e logo agradeceu mentalmente à Amy, por ela não ter feito grande alarde sobre as duas.

    - Que boa fama você tem aqui, Anne – disse, em provocação e olhou pra Amy, ficando sem graça com o sorriso tão gentil. Correspondeu, com um sorriso... tímido?  – Já fui trocada pela moto hoje, não se preocupe – e olhou pra morena de olhos azuis, que começava a se despedir. Sam fez um carinho na mão de Anne, a segurando junto da sua.

    - Estarei aqui, não se preocupe – sorriu e começou a se levantar pra acompanhar Anne até onde a morena tinha deixado a moto. Como o garoto (Jay?, ela achava que era esse o nome) estava por perto, apenas olhou para Anne.

    - Anne, obrigada por hoje.  Cuidado nisso que precisa fazer hoje... A gente tá te esperando inteira amanhã –a gente”... Sam tinha a impressão que Anne ia fazer algo perigoso, ela não era a pessoa mais prudente, né?

    Spoiler:
    Se eu fiquei perdida tendo uma lista de npc pra consultar, imagina a Sam nesse monte de nome kkkkk


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    Mensagem por Wordspinner em Qua Out 21, 2020 7:29 pm

    Sam escreveu:...toma café junta, é? Meu deus...

    "Tradição da vila. É um caos gostoso. Barulhento, mas gostoso. Cê vai ver." Ela olha pela janela como se pudesse ver.

    --

    A comida fica ali para Sam comer ou não. Ninguém recolhe nada. Anne e Amy saem ainda se provocando e rindo e se separam no portão. Dá para ver as duas pela janela grande na frente da casa. Jay entra animado e os dois vão conversando alto até suas respectivas casas. Cada uma no seu estilo. Jay passa por uma porta escura em uma casa com fachada de pedrinhas bem alta. Amy para em frente a uma porta grande que desliza pro lado. Estilo japonês clássico. Ela olha para Sam, ou pra janela de onde ela vê a vila quase toda, antes de entrar.

    A casa onde Sam está tem paredes escuras. Moveis escuros. Como se a noite invadisse a casa. O quarto é a mesma coisa. Exceto por um espelho enorme que ocupa uma parede inteira ao lado da cama, de frente pra janela enorme. A cama era de molas. Os lenços macios e sedosos. O lugar tinha de alguma forma um ar fresco e até inabitado. A porta por onde ela passou para entrar era bonita e cheia de desenhos em alto relevo na madeira. Nenhum armário. Nenhuma mesinha. As luzes escondidas em alcovas no teto e seu brilho não parecia vir de lugar algum.

    Deitada ela ouvia o distante ronco das nuvens. O arauto de uma chuva turbulenta. O cheiro de terra molhada invadiu o quarto lentamente pela janela. Aconchegante. A adrenalina da noite esvaia. O cansaço do corpo se fazia sentir. A escuridão ficava mais densa. As luzes mais pálidas. O trovão distante era quase um sussurro.

    O sol da manhã não a acordou. Mas a campainha insistente sim. Olhos abertos. Uma doida te encarando do lado da cama. Alarme. Ela mesma refletida no espelho. Quem quer se ver acordar todo dia? A campainha não para. Um som insistente e nocivo. Descer as escadas mal fica registrado. O que fica gravado é o estranho poder de argumento que um simples barulho chato pode ter. Pela janela da sala já dá para ver as crianças. Duas coisas pequenas de cabelos pretos. Os dois revezando para se esticar até a campainha. Um cachorro marrom e cinza bem grande atrás deles. Uma dessas raças peludas... De uma hora para a outra o mundo fica mais nítido. Intensamente nítido. Aquilo era a porra de um lobo. Não só um. Tinha outro logo atrás. A campainha para.

    Uma das crianças te viu pela janela. Ela abre um sorriso enorme como se o monstrinho não estivesse te atormentando com um som terrível um segundo atrás. "Café da manhã!!!" elas dizem em coro. Até os lobos se incomodam e se afastam. Logo as crianças correm atrás. Sem mais nenhuma palavra. Sam completamente esquecida. Coisa do passado.

    Pela janela dá para ver que o céu ainda não mudou totalmente da noite para o dia. Mesmo assim pessoas se movimentam lá fora. Um monte delas. As vozes chegam como um murmúrio indistinto. Ninguém incomodado com dois lobos. Nem com as malditas crianças. Sam sente falta dos remédios. Rotina pedindo para ser seguida. Um monte de estranhos com comida lá fora. A curiosa sensação de alguma coisa está fora do lugar.

    Tudo seco lá fora, estrelas lentamente dando espaço a um céu azul... Mas não tinha chovido de noite?
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    Mensagem por Bastet em Qua Out 21, 2020 8:35 pm



    Samantha
    Doiley

    “É um caos gostoso. Barulhento, mas gostoso.”... Sam deu um suspiro longo, após ouvir essa frase, decidindo que precisava descansar antes de enfrentar aquilo.  Se despediu de Anne e observou ela e Amy saindo da casa e voltando à rotina de suas vidas. Como aquela noite poderia ter terminado daquela forma? Nem nos sonhos ou pesadelos mais loucos a mulher poderia imaginar estar numa pequena vilazinha, grávida, a poucas horas de ouvir os primeiros batimentos do filho... E contar para Juan sobre sua “condição”.

    Samantha terminou a refeição, levando a pequena bagunça dela e de Anne até a cozinha, limpando e ajeitando tudo na pia... Sem graça de mexer nos armários daquelas pessoas. Depois, tomaria um banho e iria pro quarto, trancando a porta e jogando a mochila sobre a cômoda e dormindo apenas com uma camiseta  limpa que trazia dentro da mochila e uma calcinha limpa.

    O som da chuva  era reconfortante... Mesmo uma chuva tão agressiva. Londres chovia muito e nos últimos meses se acostumara com aquela “canção de ninar”. Se virou de barriga pra cima na cama, olhando a pequena curvatura que se formava ali pelo espelho. Como um ser tão pequeno podia trazer uma reviravolta tão grande em sua vida?

    Os pensamentos começavam a se agitar, enquanto olhava o próprio reflexo, mas o cansaço venceu à mente naquele dia. Dormiu feito pedra e só acordou com o barulho irritante.

    - Que porra é essa? – falou pra si mesma, procurando o celular em alguma parte da cama para desligar o despertador... Mas logo se deu conta que era ainda mais cedo do que o horário do despertador. Precisou de alguns segundos pra abrir completamente os olhos e realizar novamente onde estava e que o barulho era uma campainha.

    Sam se levanta de supetão, tentando abrir a porta e xingando por ela estar fechada. Logo vira a chave e abre em um movimento um pouco brusco. Não estava de bom humor. Desce as escadas ainda meio “Bêbada” de sono, indo até a porta da sala e chegando a abrir um pouco, mas as crianças a viram antes (por sorte), começaram a gritar sobre o café da manhã e saíram correndo.

    A mulher olhou pra si, quando fechou a fresta de porta aberta, e suspirou pesadamente.

    - Ai, caralho – estava sem calças. Precisava voltar pro quarto e se arrumar. Por sorte, parecia estar sozinha naquela casa.

    Enquanto subia novamente as escadas, a imagem dos lobos vieram fortes em sua mente. Tentou racionalizar os animais ali... Mas aquilo ficou ecoando em sua mente, junto com perguntas repetitivas e insistentes... Que não se focava só nos possíveis lobos, mas sim em todas as dúvidas que Sam tivera durante a vida. Precisava dos remédios.

    Usou as pernas longas pra pular alguns degraus da escada, chegando rápido no quarto e indo instintivamente até os frascos, os virando na mão e engolindo. Então se olhou no espelho... E se lembrou.
    Correu até o banheiro, enfiando os dedos na garganta e colocando as pílulas e os restos não digeridos dos hambúrgueres pra fora.

    Bom começo de manhã.

    Ficou um tempinho sentada no azulejo gelado do banheiro, até que tomou coragem de se limpar e ir se arrumar para o café da manhã barulhento.

    ***
    Vestiu a mesma calça que estava na noite anterior e ficou com a camiseta, que estava melhor que a blusa mais ou menos ensanguentada.  Era possível ver uma parte das cicatrizes na base de sua barriga, mas a camiseta tampava boa parte do ferimento. Sam ajeitou mais ou menos o cabelo e desceu com suas coisas, jogando a mochila nas costas e tomando coragem pra sair da casa.

    Roupa:
    Samantha Doiley Latest?cb=20180918135734

    Logo que saiu, olhou em volta, procurando o café... que esperava ser preto e forte... Mas logo seus olhos se atentaram nas crianças que a acordaram e nos lobos andando normalmente entre as pessoas.  Aquilo não era crime? Manter animais selvagens como domésticos...

    Apesar dos questionamentos morais, estava bem curiosa com o comportamento dos animais. Até lobos apanhados filhotes costumavam ser difíceis de domesticar.

    Foi andando, os observando... Mas tentou não os incomodar, como havia prometido (não queria perder um braço também). Só que estava cada vez mais perto deles.  Procurando Amy... Olhando os lobos. Procurando a garrafa de café... Olhando os lobos. Tentando evitar as crianças e as pessoas barulhentas... Olhando os lobos. Vendo se encontrava Anne ali no meio... Se aproximando de um dos lobos.

    Então “lobos” não era uma gangue, afinal... E essa pracinha não devia estar toda molhada?

    Que manhã, viu...


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