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    Samantha Doiley

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    Mensagem por Bastet Ter Out 12, 2021 5:33 pm



    Samantha
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    Sam dá um pequeno sorriso sem dentes – Pra te ver de biquíni e marquinha de sol? Com certeza – tentava não piorar o humor da loba, mas sem conforto pra poder dar pra ela... Tanto frio, tanta neve... Nem o calor corporal tava funcionando bem ali.

    Assentiu sobre a bebida quente e os bebês chutaram bem aí. Bem na mão de Anne.  – Um dos Aliens quer algo quente também – comentou, cruzando os braços quando a mulher começou a ir na frente, tentando preservar calor nas mãos.  Tentava gravar o caminho que estavam tomando... Mas era tudo tão branco. Parecia que o horizonte era igual pra todos os lados.

    Estava distraída olhando as árvores que surpreendentemente pareciam vivas... Chegou até a apontar pra mostrar pra Anne... Mas só ouviu o grito dela.  – Anne! – Chegou perto da beira, agora demarcada pela derrapagem da bunda da Rahu, vendo ela rolar, xingar e rolar. – Oh merda! Anne! Você tá bem? – gritou, quando ela finalmente parou de rolar. Procurou os outros lobos com os olhos, sem encontrar.  Ficou aliviada ao ver que a outra tava bem, subindo rápido na forma de lobo.

    Fez uma careta ao ouvir os estalos da transformação, se aproximando de Anne, procurando por ferimentos – Você tá bem? -  revirou os olhos com a brincadeira, sacudindo o capuz dela lotado de neve, vendo como tava molhado – Vem cá – a puxou pra mais perto, baixando o próprio capuz e tirando o gorro de lã que usava, colocando na cabeça de Anne. A loba não conseguiria usar o capuz todo molhado. Em seguida, Sam puxou o dela de volta, fechando bem apertadinho pra n entrar vento – Desculpa te trazer aqui... Mas eu acho que é importante – tira um pouco de neve do rosto da outra e a puxa pra um beijinho – Te compenso depois. Tá? - um sorriso levado -  E você fica linda até rolando do barranco – dessa vez ela segura uma risadinha, imaginando que levaria um xingo antes de partirem.

    ---

    Sam tirou as luvas, deixando o calor do fogo chegar diretamente na pele, dando um sorriso aliviado pra Anne. Só conseguiu reparar no entorno quando estava mais quentinha. Uma vilazinha fofa... Muitos lobos, mais gente do que ela esperava naquele lugar esquecido pelo verão. Ao ver o avô, ela se vira pra ele, o cumprimentando – Não estamos acostumadas com tanto frio... O reconfortante pra caral...caramba. Essa é a Anne – não tinha certeza se eles se conheciam... Mas o avô parecia o tipo de pessoa que conhecia todo mundo. A frase em seguida colocou uma interrogação na face de Samantha, mas ela não perguntou na hora.

    ---

    A Sangue de Lobo olhava as coisas com muita curiosidade dentro da caverna. As pinturas, o céu “estrelado” escavado no teto, o cheiro de sangue, ervas e comida. Sam fica um pouco sem jeito, mas cumprimenta as três com um aceno e um sorriso – Sou Samantha... Obrigada – Os olhos vão para a mais velha. A faca parecia inapropriada, as mãos idosas também... Mas ela fazia cortes precisos como se usasse um bisturi.

    Foi com Anne, pegando sua mão e sentando ao seu lado. No fim, ficava feliz que ela tava ali, mesmo sendo uma experiência péssima pra companheira. Estava quase explodindo, se sentia no direito de ser um pouco egoísta.  

    - Voz na Sombra – falou o nome na língua dela, sabia que os urathas achavam estranho... Mas é o que conhecia – Você disse que tinha sonhado comigo... E que chegamos a tempo. Nunca disse do que...   - ela observava o avô, com curiosidade. Os olhos procurando por trejeitos, segredos e mania. Sabia que dificilmente eles seriam uma família de fato, mas não conseguia não desejar aquilo.

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    Mensagem por Wordspinner Seg Out 18, 2021 3:46 am

    Sam escreveu:Um dos Aliens quer algo quente também

    Ela vira os olhos. "Sabe que isso é só na sua cabeça né? Os bebês não tem nenhum entendimento do que tá rolando. O alienzinho com o meu DNA não sabe disso." Ela encosta a mão na barriga inchada. "Essa sua mãe é doida e vai me deixar doida também." Ela sacode a cabeça olhando para a barriga de Sam.


    Sam escreveu:E você fica linda até rolando do barranco

    "Fico sim, eu sei que fico linda de bunda pra cima." Ela diz séria, mas acaba rindo no final e dando um soco leve no braço de Sam. "Cê também fica linda de bunda pra cima." Ela pisca.

    --

    "Eu conheço Vermelha como Sangue. Esperava ela com você. Eu sabia da dor que ela ia trazer. É muito corajosa sua companheira." A voz calma e tranquila. "Eu sei que é bonito. Perigoso também." O fogo dançando nos olhos dele. "Não se tenha medo de falar, nada que possa dizer vai me chocar. Nenhuma palavra." Os dedos dele passam nas chamas brincando.

    "Tem muitas pessoas aqui, uma vida simples e pura. Não somos católicos, é claro. Não é essa pureza." Ele faz um barulho rouco que provavelmente era uma risada. A garganta magra sobe e desce uma vez só. "Temos terra entre os dedos todos os dias. Frio e dureza do mundo de verdade. O sabor também." Ele sorri e passa os dedos quentes no rosto. "Já está quente? Podemos entrar." Ele se levanta devagar e começa a andar. As pessoas passam por eles sem prestar muita atenção em nenhum dos três.

    --

    As mulheres levantam e servem os todos os seis. Pedaços de carne seca, leite e água. As três se sentam de novo logo depois de comer e beber. "Antes da nevasca. Antes de eu dormir. " Ele mastiga lentamente. Tranquilo. "Sua vida vai se transformar completamente. Já mudou e você vê. Mas a lua precisa de você aqui. Aqui onde o espaço entre os mundos é fino." Ele passa um dedo no outro como se pudesse mostrar o que diz. "Você deve ter outras perguntas, não tem?"

    O tempo todo Anne brincava com o cabelo de Sam. O calor tinha restituido muito da capacidade dela de mover. "Claro que tem..." ela resmunga com o rosto no pescoço de Sam.




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    Mensagem por Bastet Qua Out 20, 2021 10:29 pm



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    Sam abre um sorriso grande e bobo quando Anne começa a falar com a sua barriga. Nem liga da lua cheia a chamar de doida. Fez um carinho na nuca dela e deixou ela conversar com os bebês até se cansar. Por fim, andaram... E Anne rolou.

    Não conseguiu mais segurar a risada quando Anne riu e deu um soquinho em seu braço – Somos duas gostosas, não dá pra negar. Você mais do que eu, nesse momento – era bom esquecer o frio... Mas logo precisaram enfrentar o tempo pra chegar até a vila do avô.

    ---

    Puxou Anne pra perto quando o avô falou bem dela. Assentiu – Ela é – confirmou, puxando a parceira pra se esquentar com ela – Não é sobre chocar... – Sam nem sabia como dizer sem sentir vergonha... Mas os olhos, pra quem olhasse de longe, eram muito semelhantes com o fogo refletido neles. Desistiu de explicar o que sentia em relação ao avô – A beleza é perigosa, de toda forma. Não é? – respondeu sobre o fogo, dando uma olhadinha rápida pra Anne, como se dissesse que aquilo se aplicava a ela... E Sam gostava disso.

    Observa o entorno quando ele fala sobre o local – Eu pensei que vocês fossem mais... selvagens. – não parecia ter conotação negativa na última palavra –Isso aqui é tão tranquilo. Tão antigo. Hãm, sim. Podemos... – se levantou também, vestindo as luvas e andando ao lado de Anne.

    ---

    Samantha não sabia que estava com tanta fome até receber um dos pratos. A caminhada, o nervosismo, os bebês... Sua barriga roncou alto, fazendo o rosto dela ficar vermelho – Obrigada – agradeceu a mulher que a serviu, baixo e sem jeito. Comeu e abraçou a parceira, ouvindo o que o Voz da Sombra tinha a dizer. Ela passou a mão em frente aos olhos, confusa sobre o que deveria entender sobre aquilo. Olhou pra Anne, fazendo uma careta quando ela falou aquilo, mas gostando da proximidade dela em seu pescoço.

    - Tenho... – confirmou o que os dois já sabiam – Algumas... – pensou antes de começar. Resolveu perguntar sobre o que ele tinha dito – Você vai dormir? Durante o inverno? Ou... – preocupação. Tinha acabado de o encontrar, o iria perder?

    Depois da resposta, ela continuaria. Olhava pra longe, tentando ver do outro lado pela entrada. Quais coisas incríveis e amedrontadoras poderiam existir ali? – Eu já estive entre os dois mundos... Eles quase juntos – estremeceu ao seu lembrar do sítio – Por que ela precisava de mim aqui, Voz da Sombra? Algo... Algo pode acontecer com eles? – pousou a mão na barriga. Depois de Chloe, aquela frase da vida se transformar assustava pra caramba Samantha. Será que ele queria dizer aquilo? – Mudar... Mudar como? – estava agitada. Não tinha a paz interior do velho... Nem a aparente calma de Anne naquele momento. Se levantou, andando de um lado pro outro, aguardando a resposta.

    Por fim, perguntaria sobre Adam.
    - O senhor... se lembra dele? Antes... Antes dele pirar. Eu ouvi tão pouco do “antes” dele querer matar todo mundo... – os olhos baixos.


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    Mensagem por Wordspinner Seg Out 25, 2021 2:14 am

    Sam: Você mais do que eu, nesse momento

    "Todo lol tiempo mi amor. Soy el fuego que arde tu piele." Ela diz com uma intensidade inesperada que desaparece um segundo depois. "Mas tá frio pra porra."
    --

    Sam:A beleza é perigosa, de toda forma. Não é?

    "Onde há poder há perigo." Como se perigo não fosse algo muito mais perigoso que cookies.

    Ele sorri quando ela diz que esperava algo mais selvagem "É tudo velho aqui. Vocês jovens, tão perdidos. Não se engane com as aparências. Elas são feitas para isso."

    --

    Anne se aproxima ainda mais de Sam, faltando pouco para não tirá-la da pedra. Então a sangue de lobo pergunta o que significa dormir e o velho gargalha com mais vigor do que séria possível para seu corpo magro. "Não planejo morrer menina." Ele se esforça para parar de rir. "Eu sinto sono e durmo por tempo demais. Acontece com a idade. Tempos turbulentos nós acordam, mas o sono está sempre perto." Ele passa a mão no rosto. "Alguns se perdem de si mesmos, outros do tempo a sua volta. Mas acho que o mais perturbador são aqueles que continuam iguais. Sempre a espreita." O tom feliz já tinha esvaido por completo.

    "Nossas vidas são eternas transformações e ciclos e quebras. Eu a vi aqui com neve caindo, com uma tempestade furiosa." Ele diz com os olhos em algum lugar fora dali. "Muita coisa vai acontecer a eles. Uma vida inteira de doces deleites e sofrimento sem consolo. Frustração, revolta e plenitude. Não sei nada sobre seus futuros." A voz do velho era tranquila, calma. Lenta como mel. Os dedos puxavam a pele em que estava sentado de novo e de novo.  

    "Meu filho era corajoso e avaliou mal seu caminho. Ouviu mais seu coração que a sabedoria dos seus pares. Mas você quer ouvir outra coisa. Outras coisas. Que ele tinha dedos bons para costura, que ele sorria com facilidade e raramente se deixava abater. Era fácil vê-lo irado, era orgulhoso e teimoso. Lutava contra a própria crueldade com determinação incansável. Você quer achar as semelhanças. Sentir uma ligação. Encontrar você mesma, só um pouquinho, nele. Estou errado?" Ele fala de esticando as pernas.

    --

    Dias depois ela podia jurar que o via no escuro. O lobo dormindo na neve. Só o via quando não olhava. Anne segurava sua mão e a dor era maior que a razão. Ela suava e sentia frio. A mulher velha estava entre as suas pernas, a faca na mão. A mesma faca. Sam sente gosto de sangue nos dentes cerrados com força. A mulher mais nova tem mais daquele chá com gosto nojento. A porra do teto estrelado parece um daqueles jogos de criança criando formas e sinais. A mulher falava com ela mas parecia que estava em outro mundo. Samantha só ouvia a tempestade uivando.
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    Mensagem por Bastet Seg Out 25, 2021 11:12 pm



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    Sam não entendia mais que uma ou duas palavras da frase em espanhol que Anne tinha falado... Mas a intensidade repentina dizia tudo, junto com "mi amor" que já tinha ouvido algumas vezes. Puxou a mulher pra si... Mas bufou e riu quando o humor dela mudou completamente. Esfregou as mãos na bochecha dela, pra poder esquentar a mulher recém rolada do barranco.

    ---

    Ela apenas assente às falas do avô. Ele parecia muito sábio, principalmente ao dizer que estavam perdidas.

    ---

    A Sangue de Lobo não resiste aos apertos da parceira. Gostava de tê-la ali, era reconfortante em meio a tanta coisa nova e confusa. A risada do avô faz Samantha ficar vermelha e desconfortável com a própria dúvida. Não respondeu sobre aquilo, mas ficou pensativa sobre a última frase – As vezes o mais difícil é encontrar o caminho entre as duas coisas – suspirou, abraçando Anne que estava agitada, acariciando seu cabelo. Talvez acalmando a outra conseguisse se acalmar.

    Apertou mais Anne quando ele falou do destino dos bebês. – Eu estava sendo mais momentânea na minha pergunta – a mão que não estava abraçando Anne pousa na barriga – De algo acontecer com eles agora.  Nós estamos aqui pra tentar aliviar o sofrimento deles... pelo menos – ao contrário do que tinha acontecido com as duas ali, em boa parte da vida. Sam observava as mãos do avô que puxavam a pele... e o olhar ficou ali quando Voz da Sombra tocou naquela ferida pessoal.

    Negou com a cabeça para a pergunta dele. Pensando naqueles detalhes que não tinha conhecido do pai... Será que se pareciam naquelas coisas? Será que terminaria como ele? Ou era uma versão um pouquinho melhor? Não sabia dizer.

    - É o mais próximo que tenho pra tentar entender um pouco de mim. Da nossa família... Pra poder ensinar pra eles... – a voz baixa como um uivo do vento lá fora.

    ---

    Samantha não falou sobre o lobo. Não nos dias anteriores... Mas, ali, era impossível achar que aquilo não era algo errado. – Anne... – apertou a mão dela, os olhos sofridos e determinados – Tem alguma coisa errada. Escolhe eles... Só eles se precisar – a pele febril com suor frio, os olhos parecendo viajar ao olhar pro teto. Uma contração. Um grito abafado pelos uivos do clima.  Os ombros próximos dos joelhos, nem sabia que podia fazer aquilo... E o lobo atrás da velha, no escuro... Dormindo lá na neve.

    - Não deixa ele pegar eles... Não deixa – murmurava de forma repetida, perdendo as forças após tentar forçar os bebês pra fora. O lábio cortado pelos dentes no momento de dor. Por que essas crianças cismaram de nascer longe de um hospital?

    Olhava pro teto, sem entender o que as estrelas diziam. Diziam oi? Diziam mais? Que merda era aquela? – AHHHHH! – mais uma contração. Sentia que não podia, que não conseguia... Mas empurrou. Bateu no copo com aquele chá horroroso, derrubando ele no chão da mão da menina.

    E então a paz após a contração. O silêncio. Podia ouvir os flocos de neve? A respiração do lobo? O frio na pele... Abriu a boca, querendo sentir o gosto da água congelada. –Como se diz lobo em espanhol? – perguntou, ou pensou perguntar, sem olhar pra ela... Sem parecer olhar pra lugar nenhum.

    Outra contração... E a realidade voltou, cheia de dor, sangue e gritos.


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    Mensagem por Wordspinner Sex Out 29, 2021 3:37 am

    Sam: As vezes o mais difícil é encontrar o caminho entre as duas coisas.

    "Encontrar... Decidir..." Diz Anne. "Ter motivos para seguir mesmo não gostando." Diz o velho e Anne concorda em silêncio com o rosto encostando nela.

    "Não acho que eles estão sofrendo, você já saiu do frio. Eles devem estar bem." O avô com o rosto magro. "Eu sonhei você aqui Samantha e a Lua nunca diz exatamente o que quer. Ela nem quer, nos da pedaços de futuro ela arranca do tempo e a gente decide o que fazer. Nós que colocamos o significado." Ele sorri como se tivesse dito algo útil.

    --

    Anne response, mas ela não ouve. Só vê a mulher movendo a boca. Ela ouve um rosnado e sente a faca fria na pele. O vento é um choque. O branco também. A tempestade de relâmpagos impossível.

    As mãos dela se fecham. Uma vazia onde Anne devia estar. Outra em um cabo velho e grosso acompanhado de uma lâmina clara e afiada. "Oi mamãe." A voz era quente, fébril. Ela sente movimento na barriga. Ela sente os ossos das pernas quebrando e torcendo. Ela cai de costas na neve. Fria como a morte. "Não não não. Vai me esmagar mamãe." Ela tenta falar e sente os músculos se retesando. Dor. Os olhos na barriga então sem nenhum aviso a faca afunda nela. Um puxão que arde como fogo. A dor se espalha por ela rápido e vermelho enche o ar saindo do seu corpo. Vertendo do rasgo na sua pele, subindo sem peso pelo ar. Uma risada infantil e alta preenchendo tudo.

    "O que foi mamãe? Tá doendo?" Uma gargalhada doentia e longa. Ela sentia frio e medo e encanto. Ela ouvia gritos distantes que mal conseguia entender. Os olhos pareciam a ponto de explodir. Os ossos do rosto rasgavam a pele e os músculos para sair. Seu corpo torcia e esticava e sangrava na neve fresca que odiava calor. Ela sentia os próprios sentimentos engolidos pela raiva. Por uma fúria que não cabia em nenhuma medida que ela fosse capaz de entender. Que não se traduzia em gestos ou ação, mas em uma mudança profunda e sem volta.

    O fogo verde e doente corre para o monte vermelho e nojento no chão que tinha saido de dentro dela. Parecia pequeno demais. Silencioso demais. As chamas que não existiam um segundo atrás queimavam os olhos dela e expulsavam a neve. Queimavam a alma dela. Era a pior dor que tinha sentido, mesmo assim a dor não significava nada. "Não vou deixar ela te acorrentar mamãe. Não não." As chamas gargalhavam de novo e o corpo de Samantha não a obedecia preocupado demais em mudar e mudar. Torcer e quebrar. Esticar e rasgar.  

    A gargalhada insana se torna um rosnado de dor. O lobo adormecido jogado sobre as chamas com garras e dentes. A selvageria do momento a fazia sentir inveja da luta eu ma vontade sem fim de retalhar e devorar. Carne viva e forte.

    As chamas engolem o lobo e o são cortadas. "Tarde demais! Tarde demais! São meus! Meus! Você acaba hoje lobinho acorrentado!" A voz era horrenda e fazia a carne ferver e inflamar. Pustulas amarelas doentias eclodiam para noite fria. Ela ela tentava se mover. Lutar. Viver. Comer.

    O fogo vivo não só queimava o lobo, mas mordia e sangrava. O fogo tomava formas impossíveis, hora lobo, hora espinhos e ganchos, hora formas que ela não conseguia nomear espalhando sangue uratha. A palavra fazia sentido agora. Mais que um grunhido.

    As chamas eram se dividiam a cada golpe e o lobo continuava lutando. Confiante. Calmo. Ele uivou e era tão claro que significava mais que palavras. Era guerra. Era fúria em forma de som. A mesma fúria que gritava dentro dela.

    Ela nem percebe que estava de pé até começar a andar. As formas de fogo saindo do seu caminho. Fugindo. Mas não o lobo. Ele estava ocupado demais. Ela também. A faca é que muda tudo. A prata canta uma nota perturbadoramente bela quando afunda nas costas dele. Sangue e vapor e o mais belo fogo prateado que Samantha já viu. Ela se sente tão forte e rápida. Tão feroz. Tão divina. Aquele poder todo era dela. Toda aquela fúria era ela.

    A faca sai e entra de novo, quase viva. As chamam seguram o lobo escuro que continua lutando contra elas. Cada vez menos delas. Sam? Ela continuava passageira da própria fúria. As memórias das suas aulas com Nicky e Anne e Jason e Jr dirigiam suas mãos. Mas era fúria que realmente a movia. Fúria para qual todos eram alvo. Qualquer um.

    Ela ouve seu nome jogado no vento da tempestade. Não faz diferença. Ela continua fazendo o que foi feita para fazer. O que foi transformada para ser. Marcando o mundo com morte e fogo prateado.

    O gosto de sangue era a melhor coisa que ela tinha provado. Aquela carne. Ela mastiga e engole. Ela corta de novo. Morde outra vez. Morde e mastiga e engole. Sangue deliciosamente quente escorrendo pelo rosto. Escorrendo entre os dedos. Os dedos. Dedos humanos de novo. Perfeitos. Sem uma marca. O corpo velho e magro na sua frente. Um braço rasgado em sua mão e os tendões ainda presos nos dentes.  

    O vento morre por um instante e ela ouve passos longe na neve. Passos apressados e um barulho engraçado sem nenhum, quase uma risada infantil.
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    Mensagem por Bastet Sex Out 29, 2021 10:19 pm



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    Sam grita. Ou pensa que grita. Se move, tenta impedir a velha... Ou acha que sim. Grunhe, sentindo cada osso do seu corpo se quebrar... Como aquilo era possível? Não era assim que tinha de ser. Sabia que ia doer, mas era pra ser a dor da vida... Não a dor da morte. Sentia que ia morrer...Onde estava Anne? Por que estava tão quieta? Tinha desistido de ficar ali? Tinha desistido dela?

    A faca afundou mais na pele e ela gritou mais... Mas se calou ao ouvir a risada. E a voz. – Filho? – olhou em volta. A voz mutando entre masculina e feminina. Entre infantil e demoníaca. – Onde você está? AHHHHHH – a cabeça também doía, pressão... Os olhos pareciam que iam pular pra fora do rosto – Desculpa... Desculpa... Vai pra sua mãe... Eu... Não vou machucar você... – mais gritos, a dor era pior que qualquer coisa que tinha sentido. A dor e a fúria entrando dentro de si.

    O fogo. A faca. O lobo. Onde estavam as crianças?
    Raiva.

    A partir daí foi tudo fogo, faca e sangue. E lobo. Lobo nela e lobo correndo na neve. Fogo que ela já tinha sentido e que o lobo na neve sentia e lutava contra. – DEIXA ELE! – grita, pras chamas de podridão e doença. Mas logo estava de pé. Estava com fome. Estava com raiva.

    Ela queria sangue e o lobo estava na sua frente.
    Ela mataria e matou. Ela tinha aquele poder em suas mãos e queria usá-lo.

    E usou...

    ---

    - Hmmm – grunhiu, enquanto mordia novamente o braço e lambia o sangue já não tão quente que escorria. Lambeu também os dedos pra não desperdiçar. Pulou em cima do corpo, olhando na direção dos passos, rosnando alto. Aquela presa era sua.

    E então viu pessoas. Anne?

    - Anne? – falou baixo, a voz engasgada. E então se deu conta do que segurava... Do que comia. E olhou pra baixo, pra sua barriga, tão reta quanto antes de engravidar... E mais pra baixo, pro corpo que comia com tanta gula. Sam nunca foi adepta à gula... E, agora, queria mais um pedaço.

    Ela pulou pra longe do corpo, caindo na neve... Tão em choque que não conseguiu chorar, gritar ou falar. Qual era o rosto que a encarava e estaria em seus pesadelos?

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    Mensagem por Wordspinner Qui Nov 04, 2021 9:38 pm

    Ela ainda estava olhando o rosto velho e retorcido de dor quando Anne a alcançou a segurando em abraço protetor. O avô, sua última família. Agora era parte do gelo. A parte que ela não tinha devorado.

    As palavras saiam de Anne em um jorro de profanidades. Todas em espanhol. Ela estava assustada e alerta. Ela tremia, mas não frio. "A gente tem que sair daqui." A voz era pouco mais que um gemido. "Coração do inverno tá vindo com certeza e a gente não escapa dessa. Vem!" Sam sabia que ia ser arrastara se não fosse, mas o puxão nunca veio. Outra torrente de profanidades em espanhol.

    Em uma língua impossível, ainda assim a coisa mais Clara que Samantha já ouviu. "Vocês podem me ver. Me imaginem. Lembrem de mim." A voz era o creptar doente das chamas. Ela se mistura perfeitamente ao som doce e encantado dos recem nascidos. Sem choro.

    A morena olha e vê formas impossíveis que ela subitamente pode nomear. Espíritos de alegria, fome, e frio. Encanto, sangue e fogo. Eles aparecem no nada perto de um pequeno e miserável foco de chama esverdeada. O espírito de fome abre uma boca enorme, maior que ele próprio e engole um dos outros. Então eles estão uns nos outros comendo para viver. A chama verde exulta e Sam sente um gosto doente nos lábios. Anne dispara, a mulher se torna um monstro enorme e forte antes do segundo passo. Brutalmente dispensando violência com precisão impressionante. Mesmo assim a chama se recusa a morrer se transformando em um lobo outra vez.

    Cores e formas e sensações continuam se formando e ganhando vida e forma perto do que ela percebe serem seus filhos. Ela percebe e vê o gigante implacável de frio, neve e gelo que é o Coração do Inverno chegando rápido demais.

    Da parede branca e furiosa atrás do espírito guardião saem lobos grandes demais para serem lobos. Ela sente os instintos novos fervendo sob a pele. Medo. Raiva. Dever. Pânico.

    A chama verde explode em uma forma ainda maior e engaja todos ao mesmo tempo. Ainda que sem esperanças de vencer ela ainda fala na linguagem que faz todo sentido para célula do corpo dela. "Eu já venci escravos da Lua! Sintam o gosto da derrota e se acostumem, suas visas curtas serão repletas dele." A risada infantil enche o ar por muito tempo depois de o fogo sumir.
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    Mensagem por Bastet Sab Nov 06, 2021 6:21 pm



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    Samantha não ouve Anne... Os olhos fixos no olhar sem vida do avô. As mãos sujas de sangue e a neve manchada em vermelho borradas na visão, em segundo plano.  Chegou a engatinhar para mais perto do avô, fechando os olhos dele, queria chorar, mas as lágrimas não vinham. Queria gritar, mas onde estava sua voz?

    Só voltou à realidade quando ouviu aquela voz doente, faminta e desprezível. Rosnou, sentindo o corpo querendo mudar de forma novamente. A única coisa que impediu ela de se juntar a Anne foi ver os recém-nascidos logo ali na neve, ainda na placenta. Cospe quando sente o gosto do triunfo do fogo na boca e vai até os filhos, se ajoelhando.

    Rasgou a placenta, com dedos e dentes, puxando os filhos dela e sugando o líquido nas vias aéreas dele, caso não chorassem.  Os puxou contra o corpo enquanto se levantava, tentando os aquecer na pele nua e afastar aquelas formas que surgiam próximas. Entendia agora que até a alegria poderia vir de coisas ruins, então não queria arriscar naquele momento.

    Não sabia o que fazer. Não sabia se alguém além de Anne ali, agora, era amigo.  Os lobos... O totem... A chama.  Qualquer coisa que se aproximasse demais ela ia tentar chutar ou morder. Os braços estavam ocupados.

    Quando a chama sumiu no ar, ela olhou em volta... Procurando Anne, indo até ela... Olhando o grande gigante de gelo. – Eu não quero fugir – entregou os bebês nos braços de Anne – Leva eles... Anne, por favor, vai – a voz ainda rouca, o olhar vazio. Único sentimento que demonstrou foi quando sussurrou "eu te amo" na língua nativa de Anne.

    Não parecia vacilar. Virou de frente pro totem fazendo uma mesura, sem menção de fugir.

    - Eu pago seu preço se me permitir falar contigo, grande espírito, e com a alcateia que te tem como totem. Aquele espírito de doença se usou de mim para fazer algo terrível com Voz da Sombra, que era sangue do meu Sangue. E o que eu digo é verdade, um meia lua pode comprovar. O que eu quero é entender. E me vingar. Mas se decidirem por me punir – olhou em volta, caso tivesse outro uratha da alcateia deles ali – Permitam que minha família saia sem ferimentos, eles são o ultimo legado que Voz da Sombra deixou nesse mundo e precisam da outra mãe para cuidar deles. – Cabeça baixa em sinal de respeito. Tudo o que disse, na primeira língua, da melhor maneira que conseguiu.

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    Mensagem por Wordspinner Sab Nov 20, 2021 9:52 pm

    Anne segura as duas crianças com uma só mão e não vai a lugar algum. Fica ali xingando em espanhol com o rosto ficando cada vez mais vermelho. Mais ainda quando Sam começa a falar com o espírito enorme e frio que se volta para elas.

    As crianças se moviam e tentavam pegar tudo que estava por perto. Muito mais agitadas e dispostas do que deveriam ser.

    A mesura sem roupas no meio da neve, vestida apenas de sangue, era de alguma forma inadequada e necessária. Só se completa quando Anne fura o próprio braço com um canivete e o deixa sangrar. Ela não xinga dessa vez.

    As emoções do espírito são claras para se ver, mas não significam nada para Sam. "Diz que vai pagar o preço, mas nem paga por minha atenção." A voz poderosa cheia de... Indignação? "Legado?" Revolta? Descrença? "Que importam duas gotas de sangue? Os urathas que correm comigo compartilham muito mais sangue. Seus nomes congelados em história sobre história. Seus feitos marcados na pedra da carne do mundo!" Os outros lobos cada vez mais perto. "Nenhum legado, carne do filho traidor. Nada que importe, não os quero. Você anda sobre o verdadeiro legado de VOZ na Sombra e o vê por onde passa." O frio fazia os dedos perderem a sensação e a boca formigar. Os lábios rachavam e se refaziam.

    Anne ficava ao seu lado. O cheiro delicioso do sangue gritava nos pensamentos de Sam.

    Um piscar de olhos e o uratha que os recebeu estava em frente a eles. Olhos tristes em um rosto duro. "A fúria da primeira mudança é trágica e terrível para todos. Mas você trouxe um inimigo dissimulado com você e vai embora. Agora." Um dos outros urathas, uma mulher magra e de olhar cruel levanta a faca do chão. A faca que Sam usou. A lâmina brilhando como se em chamas. Uma chama prateada.

    Anne segura o braço de Sam com uma mão suja de sangue congelado. Sangue dela derramado para comprar a atenção do espírito. Mas não diz nada. Nem mais ninguém ali parece ter palavras para as duas. Ou os quatro.



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    Mensagem por Bastet Dom Dez 26, 2021 12:47 am



    As palavras do espírito ferem bem mais que a neve. Samantha sentia vergonha de ter se confundido com toda a formalidade daquela situação, recém “entendida”. Apesar disso, isso não foi o pior. Ser renegada mais uma vez e proporcionar aquilo também aos filhos parece ter apagado uma chama recém acesa em seu peito. Tudo tão novo e tão recente. Esperança, família, amor... Quase tudo perdido. E três pessoas que precisavam disso dela.

    Precisavam?

    Sam manteve a cabeça baixa, não tinha mais o que dizer. Nem sabia como se defender.  Era culpa dela, mesmo não tendo sido a sua intenção. Ela assentiu quando a mulher disse que ela deveria partir. Que os quatro deveriam.

    Uma gota de sangue... Saliva. Que merda Samantha era agora? Queria comer também sua mulher? Assim como fez com o avô?

    - Nós vamos. Eu sei que não estou em posição de pedir favores, mas eles são recém nascidos. Você teria algo pra aquecê-los? – nem comentou da própria nudez, talvez nem tenha reparado (ou se importado). Os olhos nem pareciam ali. A voz baixa, quase inaudível.

    Caso eles cedessem algo pra aquecer as crianças, ela agradeceria e se desculparia novamente, saindo na frente, deixando os gêmeos com Anne durante o caminho, com a intenção de fazer a trilha que as tinha levado até ali.



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    Mensagem por Wordspinner Sab Jan 01, 2022 8:45 pm

    "Não precisamos de nada." A voz de Anne era fria e cortante. Ela solta Sam e começa rápido a andar. Ela não olha para trás procurando a companheira. Com uma das mãos a Lua cheia segura os bebês contra o peito e com a outra rasga e molda o casaco em volta deles.

    A mulher de olhar cruel com a faca na mão parece satisfeita e em silêncio cuidadoso se põe a arrumar o que sobrou do velho. Já o homem que as recebeu e as mandou embora ainda tinha palavras.

    "Com a Lua no céu vai ouvir os uivos, sua chance de dizer adeus. Ele vai ouvir, ele ia gostar que soubesse disso." Não olhava para ela e sim para o corpo e o sangue na neve. As palavras quase cobertas pelo some do vento.

    No céu a tempestade ia de horizonte a horizonte. Sem fim. Sem trégua. Inacabável. Em volta ela não via nada familiar. Pior, ela via coisas que sabia nunca ter visto antes. O ar, o chão, o frio e até a neve pareciam vivos e ao mesmo tempo imateriais. Feitos de ideias. Nenhum caminho oferecia qualquer saida, qualquer semelhança com a realidade.

    "Vem Sam. " A voz preocupada de Anne a trazia de volta da estranheza.

    --

    A travessia foi algo difícil de acreditar. Algo difícil de lembrar. Um mundo cinza e de forma alguma vazio onde ela não podia se mover. Onde alguma coisa espreitava, onde ela via vultos e formas. Anne tinha jurado que era seguro, mas não parecia.

    O mundo real era diferente. Menos real. O chão era menos chão e o frio menos literal, as ideias e conceitos separados das coisas. Anne parecia saber os caminhos, não muito, porém chegaram onde deviam no fim.

    Lá eram observados como estranhos. Alguns olhavam com pena. A maioria, porém era difícil demais de ler e só deixavam passar atenção e vigilância.

    --

    Ela sentiu o cheiro do próprio sangue nas peles. Era onde tinha começado e o lugar parecia prender seus olhos. As mulheres ainda estavam ali. As três. Elas já sabiam. O luto era claro como as lágrimas cortando seu rosto.

    "Não foi sua culpa." A mais velha falava. "Ele não viu, como ia saber?" A mais nova. A do meio não disse nada, só mostrou as coisas que tinham levado. Uma muda de roupas limpas em cima das mochilas.

    --

    Anne insistiu em cavarem um abrigo, ela estava ansiosa para explicar mais, porém não dizia nada que não fosse necessário. Não oferecia nada. "Podemos ficar aqui até o sol sair e vamos precisar de fogo. "

    O abrigo era uma concha meio aberta que a deixava ver o vale. A deixava ver a Lua. A deixava ver a fogueiras e os minúsculos urathas em volta delas.

    O vento parecia triste e contrariado gemendo pelo vale tentando matar qualquer calor e Luz.
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    Mensagem por Bastet Qui Jan 06, 2022 11:28 pm



    Samantha não interrompe Anne, nem chama por ela quando a Rahu começa a andar. Apenas a observa da distância de alguns passos, antes de ela mesma começar a andar. Não se sentia direito de sentir orgulho ali. Talvez Anne precisasse trilhar aquele caminho por si mesma naquele momento. De alguma forma, ver ela cuidando das crianças tranquilizava a Ithaeur, que andava de cabeça baixa.

    Para quando ouve a voz do homem ecoar novamente, entre o som da neve, do vento e da dor. – Obrigada – é tudo o que ela diz, olhando uma última vez para o avô e sentindo a respiração travar na garganta. Se obrigou a voltar a andar, percebendo a direção certa quando Anne a chamou.

    Tudo em volta parecia diferente. Tudo por dentro também. Sentia tanto e, ao mesmo tempo, aquela vontade férrea de manter a cabeça no lugar. A vontade de chorar, de gritar, de sair correndo pela neve na forma mais selvagem e só parar quando não lembrasse nem do próprio nome... Mas tinha mais três pessoas por ela ali. Duas muito pequenas... Uma muito... Anne. O que Anne devia estar pensando agora? Era muito pra ela? Era pouco demais o que Sam tinha a oferecer?

    Só merda.

    ----

    Sam não olhou nos olhos de ninguém. Hesitou até mesmo de entrar, mas precisavam  passar. O cheiro de sangue... As lembranças confusas dos momentos antes de se tornar um monstro assassino. A ultima e única lembrança do avô.

    Ela não respondeu sobre não ser culpa dela. Pensou se o avô não sabia realmente. Se sabia, porquê a tinha chamado ali? Se não... Que encontro ingrato tinha sido aquele. – Obrigada – falou para a mulher mais velha. A voz baixa, triste e realmente agradecida. Olhou para os bebês com Anne... E sabia que eles talvez não estivessem ali se a mulher não tivesse feito a “cesárea”.

    Pegou as coisas, se vestiu... E seguiu a companheira pra fora daquele local.

    ----

    A mulher só queria terminar aquele caminho logo e ir pra casa, mas não discutiu sobre a ideia de Anne. Deixou ela com os bebês e fez ela mesma boa parte do serviço, seguindo uma ou outra instrução de Anne. Na verdade, não fez menção de pegar as crianças em nenhum momento, deixando a rahu cuidar delas.

    Saiu pra buscar lenha, tentando pegar as menos úmidas, e, quando voltou, começou a montar a fogueira, procurando nas mochilas um isqueiro. Se conseguisse fazer fogo, tentaria o manter, usando o prório corpo para diminuir o vendo batendo nele. Olhava pra fora, pro vale. Não falaria nada por muito tempo. Alimentaria os gêmeos em algum momento da noite, os deixando de volta com Anne e se sentando novamente afastada, de frente pro vale.

    Por fim, quando já era tudo escuridão e a lua estava linda no céu, ela se levantaria, indo pra fora do abrigo, querendo ouvir a noite. Se permitindo chorar e gritar. Sozinha.

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    Caso ouvisse os uivos, forçaria o corpo mudar pra Dalu, uivando de volta em despedida e lamento.

    ---

    Quando voltou, se sentou, mexendo o no fogo, tentando manter ele aceso.

    - Como aconteceu? – pela primeira vez, naquele tempo todo, olhou nos olhos de Anne. Tinha os cabelos molhados pela neve, as bochechas vermelhas pelo frio. Os olhos curiosos e tristes – Por que ninguém impediu? Me parou... – desviou o olhar pro fogo - A vida dele valia tanto. Se aquela coisa tava em mim...

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    Mensagem por Wordspinner Seg Jan 17, 2022 1:44 am

    Samanta: Obrigada

    Ela não recebe nenhuma resposta. Eles tinham exaurido seu estoque de palavras para ela.

    --

    Ela trabalhava no abrigo e sentia o frio congelante na pele, na carne e nos ossos. A dor ia e vinha com o corpo novo lutando para salvar as pontas dos dedos. Lutando para fechar os cantos da boca e dos olhos que teimavam em rasgar. O dia era cruel, mas o frio da noite era letal. O nariz escorria e criava gelo. Ela tossia e sentia a garganta e os pulmões reclamarem. Nada fazia a dor parar.

    Anne tinha os bebês de alguma forma costurados dentro da própria roupa. "Se sugar vai ficar mais frio ainda. Sabe que não é immortal, né? A gente só parece." Ela diz, mas não tinha energia naquilo para ser uma bronca. "Não posso ficar parada, eles tem que ficar quentinhos sem suar." Ela parecia acreditar que aquilo era impossível. Mesmo assim ela mantinha a forma de dalu grande e forte para trabalhar melhor.

    Anne não insistiu depois disso.

    --

    Samantha não sabia se ia ouvir os uivos, mas quando eles vieram era claro que eram inevitáveis. Cortavam e preenchiam o ar. Faziam os ossos vibrarem. O som tinha significados que pareciam marcados a fogo dentro dela. Algo ancestral que ela não sabia que existia até ouvir. Sentir.

    A mudança foi dolorida. Como quebrar o próprio dedo cem vezes, mas era impossível parar no meio. Os ossos quebrando e alongando. As unhas caindo e da do espaço as garras que furavam a carne para sair. Os dentes. A garganta. Os músculos queimando. As cores mudando. O cheiro do Mundo ganhando mãos profundidade e significado.

    Ela sabia o cheiro da neve agora. O cheiro da terra debaixo dela.  Ela uivou e se sentiu carregada em uma maré. Samantha se sentiu um com o coral. Sua dor refletida em outras vozes. As poucas lembranças com o avô amalgamadas a centenas de outras, milhares, das ela tinha vislumbres que pareciam reais. Sentiam como se fossem.

    Palavras de conforto e amizade que ele nunca teve a chance de lhe dar. Desafios e confrontos que eles nunca viveram. Caçadas que nunca repartiram e então silêncio.

    Até o vento tinha parado. Até ela.

    --

    "Ninguém sabia. Ninguém devia poder chegar lá sem passar por eles. Mas um nuzusul?" Ela fala como se. Palavra explicasse tudo. Explicava quase tudo. O significado parecia estar escondido nela esse tempo todo. "As regras não são as mesmas." Ela diz olhando dentro do bolso enorme que tinha feito para os bebês.

    "Você passou para a Sombra, meu amor. O outro lado." Ela olha Sam sem nenhuma acusação. "Ele estava ali, dormindo. Hibernando. Ou sei lá como chamam. Um sono profundo que costuma durar muitos meses ou anos. " Ela balança a mão e a usa para tirar gelo do cabelo de Sam.

    Ela lambe o gelo na sua mão. "Eu vi e não tinha como passar. Tive que procurar um caminho como o que a gente usou para voltar." Ela dá de ombros. "Não assisti. Mas é comum tentar matar na primeira mudança. Matar o que está mais perto. Seja o que for." Ela respira fundo o aroma dos bebês.

    "Eu não fui rápida o bastante. Ninguém ia imaginar. Não tem passagens ali. Todos tentaram impedir. Todos. Só não deu tempo. Aquela coisa. Aquela merda." Os dentes rangem no fim. Os olhos se fixam no miseravel fogo das duas. "A mesma coisa que Aponi tentou vencer. Tentou dominar. Era impossível você perceber. Ninguém percebeu." Ela diz desolada. "Eu não percebi." Raiva profunda e vermelha.
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    Mensagem por Bastet Seg Jan 17, 2022 7:49 pm



    Sam não parecia ouvir os conselhos de Anne. Nem a necessidade dela de se manter em movimento. Talvez até gostando da dor, naquele momento. Cavava, montava, testava, até tá bom o suficiente. Às vezes desfazendo o bom o suficiente, pra melhorar e caber melhor os quatro ali. Não dava muito espaço pra Anne, mas também não a impedia... Ela parecia tá fazendo um ótimo trabalho com as crianças, devia saber o que tava fazendo (o que era surpreendente).

    ---

    Quando os uivos começaram, ela entendeu, de fato, o nome do avô. Voz do Inverno. Não só uma... Várias. Lembranças em uníssono, muitas que não eram dela. Várias que pareciam nem remeter ao mundo que ela conhecia agora. Era o avô, o homem que ela mal conheceu, na herança que havia deixado no mundo e no coração de cada um ali.

    A dor dos ossos se modificando, quebrando e refazendo, valeram a pena quando viu o mundo de novo. Sem sangue dessa vez. E com um senso de “todo” que até então era muito difícil para a Ithaeur entender. E agora entendia. Era mais fácil entender, também, a atitude dos lobos da alcateia do avô... E dos lobos a diesel quando perderam Theo.

    Era como ouvir ele. Como isso era possível? Como podia ser tão reconfortante? Tão... palpável.  

    E durou pouco.

    Estava sozinha.
    De novo.  

    ---

    Samantha ouviu, os olhos baixando a cada palavra... Ouvindo tudo sem interromper. Se encolheu quando Anne tirou a neve do seu cabelo... Mas relaxou um pouco em seguida, se aproximando mais dela.

    Ficou bastante tempo calada, tentando se lembrar daquilo que Anne tinha contado. Como ela tinha feito algo que lobos mais experientes não conseguiam? Como tinha pego uma alcateia inteira de surpresa? Será que ainda podia passar para o outro lado daquela forma?

    Se fosse de outra forma, o resultado teria sido diferente? Em alguma realidade ela podia ter levado os filhos para o avô conhecer, já grandinhos, e cheios de histórias sobre o mundo repartido que todos viviam?

    Suspirou.  

    - Aquela coisa... Se eu tivesse te obedecido. Ficado segura e quieta... – balançou a cabeça – Não taria em mim. Nem teria piorado isso tudo. – segurou as mãos dela, as esquentando entre as suas, procurando os olhos dela – Não foi sua culpa... Você não tinha como perceber – repetiu as palavras de Anne, que a própria Anne parecia duvidar. Se alguém tinha culpa, era Sam que levou aquela porcaria ali.

    - Eu preciso entender mais sobre essa merda, Anne. Esse fogo e tudo o que ele tá fazendo em mim. Se tava em mim... pode tá neles – olhou os bebês naquele canguru esquisito que a Rahu tinha construído – Eu não vou deixar essa coisa foder com mais ninguém que eu amo. Nem você, nem Aponi, nem eles... – o carinho subiu da mão pro tecido no qual estavam os bebês, escondendo eles um pouco mais do frio... E, em seguida, para o rosto da companheira. A puxou pra um selinho duro e gelado. Encostou a testa na dela - E eu sei quem eu tenho de procurar... mas você não vai gostar... – Anne sabia quem tava com Sam e Chloe naquele casa, além dos gêmeos, Aponi e  Magda.

    Os olhos desviaram dos de Anne... E ficaram escuros. Em súbita realização, percebeu que podia ter algo ali com eles. Olhou para o outro lado no horizonte visível de dentro do abrigo.

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    Mensagem por Wordspinner Seg Jan 24, 2022 8:43 pm

    "É, mas você nunca obedece então nem tem porque pensar nisso." Ela falava como quem diz que o sol nasce todo dia.

    "Eu não tinha como perceber? Eu devia ter sentido sei lá. Tava dentro de você. Não tinha ninguém mais perto." Ela sacode a cabeça em negação. "Saber mais? Como?" A pergunta rápida e descrente.

    "Não sei o que você quer, mas eu não to gostando nada disso." A voz de Anne parece debaixo d'gua quando Sam empurra a visão para o outro lado.

    "Tá me ouvindo? Me diz quem você acha que sabe e eu arrebento as respostas pra fora... Sam!" Ela diz mais alto e com a voz do dalu parecia um comando.

    Os bebês ficaram em silêncio. O outro lado? Ela só neve e sombras. Se movendo lento e rápido no momento seguinte. Vazio. Parecia vazio. Mas o frio era alguém. A dor era alguém. O medo era alguém. A neve. Tudo.
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    Mensagem por Bastet Seg Jan 24, 2022 11:31 pm




    Sam não tinha como questionar a resposta sobre ela não obedecer. Era verdade, talvez uma verdade que refletisse algo ruim dela, mas ainda sim inquestionável. Apenas suspirou, sem dizer nada.

    - Não tinha... Você tentou, lembra? Logo após aquela confusão toda. Essa merda é esperta... E forte o suficiente pra enganar todo mundo  - entrelaçou os dedos de uma das mãos nos dela – Obrigada por estar perto... Sempre.

    Um pequeno sorriso sem humor surgiu nos lábios de Sam quando Anne disse que não tava gostando... Antes mesmo de saber... Mas, antes de responder, acabou se distraindo com a visão do outro lado. Era assustadoramente lindo. E seguro, por enquanto.Olhou as próprias mãos, para ver se algo mudava na realidade logo ao lado, como um bebê que descobre os membros superiores.

    - Hã? – balançou a cabeça, percebendo que não tinha respondido. Apertou os lábios, como quem pondera algo ruim que vai dizer. – Eles gostam de te ver braba pra dormir – indicou os bebês que tinham parado de resmungar.

    - Sobre o fogo verde... Olha, depois de hoje... Eu sei que eu posso ter tirado muitas conclusões precipitadas no dia do Sítio. Eu não tinha noção do poder disso tudo... Acho que nem tenho completamente ainda. Mas, das duas uma, ou o William tava controlando essa porcaria... Ou ele sabe o que isso pode fazer. Talvez até uma fraqueza. Ele sabe algo, amor... Eu senti nele o gosto dessa podridão. Eu acho que foi aí que isso entrou em mim.

    Deixou Anne xingar, se quisesse, ao reparar pra onde o pensamento de Sam tava indo.

    - O Edrick tava junto, talvez ele saiba de algo... Mas o William me convidou... aquele filho da puta. No dia da Reunião me convidou pra casa dele, se eu quisesse saber mais sobre o que rolou com a Aponi naquele dia. E eu acho que eu vou aceitar... Talvez não precisemos fazer um inimigo ainda. Ainda... olhou pra companheira, claramente querendo confusão com o William, mas se sentindo satisfeita com aquela decisão de não chegar com pedras nas mãos.


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    Mensagem por Wordspinner Dom Jan 30, 2022 1:03 pm

    Sam: Obrigada por estar perto... Sempre.

    Anne esfrega os dedos nos dela com carinho.

    Sam: Eles gostam de te ver braba pra dormir

    Ela ri. "Deve ser a voz." A voz do dalu sempre carregava uma autoridade sobrenatural.


    Anne não xinga. Parece pensativa e frustrada. Então suspira. "Ele não é inimigo. Vocês enfiaram a cara no meio de uma parada perigosa que nem devia tá sendo tentada." Ela ajeita os bebês com muito cuidado.

    "Eu não quis saber de tudo aquilo, eu tava sentindo a dor dela. Sentindo de verdade. Na minha pele." Ela percebe que estava saindo do assunto. "Olha, Aponi disse que a coisa era para ela atravessar as profecias que os puros tão forçando na gente e arrancar uns pedaços de futuro de verdade. Já foi usado antes, precisa de dor para funcionar, mas era difícil de controlar e sempre machuca muito, muito, quem usa." Ela fala como se tivesse certeza. "Dizem. A Aponi disse. O Theo disse. Ele que tinha encontrado. Porra, arrancado dos dedos fodidos de um puro filho da puta." Ela esfrega o nariz e pisca para limpar os olhos brilhantes.

    "Mas vai, não vai te fazer mal algum." Ela relaxa respirando fundo o cheiro dos bebês e fazendo uma careta. "Só não fica."
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    Mensagem por Bastet Qua Fev 02, 2022 6:34 pm




    Sam assentiu sobre a voz, imaginando por um instante como os bebês se sentiriam ao ver elas daquela forma. Duas mães com monstros dentro de si. Era uma dúvida que não tinha tido até então, afinal, ela não era uma Uratha antes... Mas agora não sabia como seria a vida e a maternidade. “Já não tava assustador o suficiente, né?” Pensou, enquanto Anne digeria as ideias sobre William. Ergueu o olhar pra Rahu quando ela começou a falar.  

    - Eu fodi com o plano dela, né? – deu uma risada sem humor – Mas você não viu... Tinha algo muito errado. Não era só eles e o fogo. Parecia que tinha algo forçando pra sair... Pra cá... Aquela tempestade... – encolheu os ombros – Você confia mesmo nele, Anne? Confiaria a vida deles? – indicou os gêmeos, a expressão muito séria. Aguardou a resposta.

    Apertou mais a mão dela quando falou sobre sentir a dor de Aponi e de Theo. Assentiu, se lembrava dela quando a companheira de alcateia chegou.

    - Como era isso que o Stuarts encontrou? Era um objeto? – tentava entender – Será que a Aponi falaria comigo sobre isso, Anne? Eu nem encontrei ela direito depois de tudo aquilo, me senti culpada dela perder os sonhos dela – suspirou.

    Ergueu uma sobrancelha quando Anne apoiou seu plano. – Primeiro vamos chegar inteiras em casa. E eu vou ver se esse convite ainda tá de pé dele. – viu a careta de Anne e farejou, dando uma risada e abrindo a mochila – Acho que vamos precisar improvisar umas fraldas.  


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    Mensagem por Wordspinner Qui Fev 03, 2022 1:46 am

    Sam escreveu:Eu fodi com o plano dela, né?

    "Acho que já tava fudido." Ela fala sem força.

    Sam escreveu:...Tinha algo muito errado. Não era só eles e o fogo. Parecia que tinha algo forçando pra sair... Pra cá... Aquela tempestade.

    "Eu não tava lá, mas como você sabe? As pessoas não viram essa tempestade." Ela fala sem devagar, com cuidado.

    Sam escreveu:Confiaria a vida deles?

    "Dois bebezinhos? Que pergunta Sam, eles ficam melhor com ele do que com a gente. Cê vai ver lá." Ela funga e esfrega os braços. "Porra do frio do cacete." Seguido de um sorriso bobo.

    Sam escreveu:Era um objeto?

    "Era, também era. Mas era a parte mais importante. Uma lasca, mas era meticulosamente entalhada para ser uma. William disse que viu num livro. Tentou comprar o Theo uns anos atrás." Ela franze o senho e demora para recomeçar. "Theo já tinha antes de a gente andar juntos. Bem antes. Ele disse que tirou do oriente médio." Ela assopra as mãos bem perto. "Aponi fala sim. Vai ser ruim, ela não vai gostar. Mas vai falar. Ela tá tendo umas visões loucas. Ela ficou mais de um mês sem ver nada. Cega mesmo. Doeu demais para ela."


    Ela ri quando Sam fala das fraldas. "O cheiro é a parte mais fácil de lidar. Dizem que o barulho e o desespero é o que te deixam louca. O medo deles deixa você em alerta do nada e é só fome. Ou gases. Ou sei lá um barulho e os pequenos te botam pronta pra matar alguém." Ela diz com clara preocupação.
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