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    Chloe Moore

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    Mensagem por Wordspinner Dom Maio 16, 2021 3:25 am

    As unhas de Chloe rasgam marcas vermelhas no rosto dele. Um segundo de dor e então júbilo. Seu grito morre na garganta, não por medo, mas porque uma mão firme como aço esmaga seu pescoço em um aperto brutal. Ela sentes os pés saindo do chão e não consegue respirar. As mãos logo são tomadas pelo instinto de sobrevivência e tentam soltar o pescoço. O mundo fica mais escuro. Mais frio. Ela olha para ele sem conseguir desviar os olhos. Ele era morte eminente e sem remorso.

    O chão se joga de encontro a ela em um abraço insensível e rígido. Ela tenta respirar. Tenta colocar ar dentro do pulmão. O pescoço livre, mesmo assim o corpo castigado se recusa. O diafragma em sofrimento age sem nenhuma ordem e o som do ar passando na garganta é um barulho horrível. Pontos de luz e sombras dançam na frente dela. Ela nem sente enquanto é arrastada pelo pé. Não até ser tarde. "Deve estar com fome a princesinha. Come come porquinha." Ela sente a comida pastosa enfiada na cara. Não, a cabeça sento enfiada na comida. Na vala suja que servia para alimentar os animais nas baias. Ela ouve ele cantarolando enquanto tosse a comida que aspirou sem conseguir evitar. Ela luta contra o imperativo de respirar para viver, ela não quer se afogar em o que quer que seja aquilo. A mão segurando sua cabeça não movia um milimetro.

    Quando ela é puxada para fora ela cospe e tosse e vomita. Ele ri. Não uma gargalhada e nem um riso gostoso. Algo curto e rouco. "Tem muita sorte porquinha..." Ele segura Chloe pelo pescoço de novo e a arrasta para perto da outra mulher, perto demais das pernas abertas a força. "Mas ainda pode acabar assim." Ele esfrega o rosto de Chloe na outra mulher. Ela estava soluçado e tossindo e mal conseguia ver. Ela sente a mulher tentando se afastar. Vê que os esforços são inúteis. Ela se sente cair, mas um puxão no cabelo a carrega para a poltrona. Ele a senta ali com força exagerada. Tudo ali era exagerado. "Me da só mais um probleminha e não importa o que o seu pai possa pagar, mais um problema e você é minha." Talvez Chloe fosse falar alguma coisa ou cuspir ou tossir. Um tapa faz a cabeça dela parecer um sino. O mundo se torna um monte de imagens sem sentido algum. Borrões. Ela ainda sente dor para respirar. Ainda tem pasta e vomito no nariz. Sente o gosto salgado de tudo aquilo e do próprio sangue na boca.

    --

    Um dos olhos estava inchado demais para abrir. Ela sentia o lábio aberto e grande grosso demais. A roupa estava toda suja. Ela ouve um barulho de metal. Ela espera mais um terror se arrastar para sua vida. A porta quase fechada é empurrada por alguma corrente de ar. Uma mão segura a boca de Chloe e um rosto conhecido aparece na frente dela. A cara debochada a ponto de explodir de fúria pura. Ele cheirava a Whisky. Os olhos arregalados pareciam poder morder Chloe com as pupilas. "Eu vo cortar esses punheteiros de merda e enforcar um com as tripas do outro." Parecia que ele ia falar, porém ele só arreganha os dentes mais pontudos do que deveriam.

    Em um movimento brusco Francis se afasta. Os dentes apertados com tanta força que sangue escapa da gengiva. A mão no rosto de Chloe não era dele, uma mão mais delicada se afasta do rosto Chloe. Uma mão marrom. Enquanto Francis tem uma escopeta ela tem uma faca longa reta. "Vai Chloe, espera na porta até a gente dar o sinal." Ela fala baixo, mais baixo que francis. Mas Chloe percebe que nenhum deles faz qualquer som. Uma parte de Chloe diz que ela só pode estar alucinando. Outra diz que só pode ser uma espécie de armadilha muito elborada, convoluta e cruel. Era difícil lembrar o nome dela. Tinha mais gente com eles e cada movimento fazia Chloe tremer achando que seriam descobertos, ela queria gritar e deletar os outros, talvez assim fosse poupada de ainda mais sofrimento.

    Uma mulher negra com jaqueta de couro e uma expressão selvagem tinha soltado as correntes de algum jeito. A mulher no suporte estava no colo de alguém e lutava para se soltar, era um homem forte e alto que ela não reconhecia. Os animais, agora um pouco mais humanos com suas mãos livres segurando as correntes para não fazer barulho. Chloe finalmente via eles. Cabelos raspados, sem brincos ou piercings. Sem roupas. "Se mexe ruivinha, porra." Ele aponta para os fundos com a escopeta. "Diz pros caras que não dava para esperar, eu mandei mensagem, mas cê vai encontrar comigo antes..." O que ele ia falar é cortado subitamente pelo som de madeira quebrando, a jaqueta de Francis rasgando com pele junto. "Vem lamber as bolas do papai Franco seus..." A garra enorme o interrompe de novo abrindo um buraco ainda maior na porta. Algo alto demais para ser humano estava do lado de fora e quando Francis atira um jato de fogo sai da arma. Chloe é arrastada pela loucura que se segue.

    Um dos animais puxa Chloe com ela, não como se ela precisasse de ajuda para fugir. Ela já queria desesperadamente escapar. "Gostou? Quer chupar agora?" Ele gargalha e atira de novo. A porta do estabulo arrebenta para dentro e uma monstruisidade de pelos brancos avança em Francis. Marcas de pelo e pele queimados no seu corpo. No fundo Chloe vê o marido e o pai. Impossível ver o que acontece em seguida porque ela é arrastada para fora. Não tinha a opção de ficar. O silêncio tenso e sobrenatural de alguns segundos antes agora era povoado por gritos e grunhidos. Tiros e o som de ossos partindo. Do lado de fora o homem musculoso com a mulher no colo a joga para frente e antes de Chloe conseguir registrar o descaso da ação um lobo enorme e cinza está sobre ele. As pessoas continuam correndo e a mulher que tinha a faca de alguma forma está na frente deles. Guiando. Logo estão passando por um buraco na cerca. Chloe é a ultima a passar. Ela ainda não estava recuperada da surra.

    Uma mão firme segura a o braço dela logo na sua vez de passar. Ian. "Agora vai ficar tudo bem. O que fizeram com você?" Os olhos escuros cheio de saudades. Cheios de compaixão. Cheios de ultraje. "Alguém vai pagar caro por isso. Vem comigo Chloe." A surpresa era que aquilo era só um pedido. O aperto se afrouxa. Uma oferta. Proteção. O pânico faz Chloe não ver nada além dele.
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    Mensagem por thendara_selune Dom Maio 16, 2021 2:17 pm

    A reação é de pura violência, os olhos dela cheios de medo, morrer seria uma gentileza que ele não daria. Chloe sente que ele é maldoso até o último osso que sustenta aquele corpo e as mãos delas tentam em um desespero frenético abrir um caminho. Ela deve ter ficando as unhas que se partiam, a dor estralava tudo dentro dela, a razão se perdia e uma apagar de luzes que aproximava-se. Os pés trêmulos no ar deixavam a cena toda cada vez mais cruel. O chão a esmaga mais uma vez. A pressão que as mãos dele causaram deixam a respiração dela em descompasso com a pouca oxigenação, se ele continuasse fazendo aquilo ela sufocaria até morrer. A ruiva fica zonza, a vista escurece e falta-lhe noção de tempo, que logo é cortada pela nova seção de tortura que ele parecia adorar em toda sua extensão cruel. Chloe já não sabia reagir, morrer era o mais justo na mente dela, mas ainda assim o lampejo instintivo em sobreviver causa um esforço em tentar ficar viva. A força dele a deixou tão assustada que as pernas amoleceram, tentando fugir, mas não conseguia escapar dele e cada vez mais a mente perdia-se em outro lugar.

    Ela se debate, o riso dele lhe causa um calafrio e quando a suspende pelo pescoço de novo as mãos delicadas, sujas e feridas tentavam se desprender. Ele a arrasta até aquela moça, o medo fica cravado no rosto dela. Ele não se dá por satisfeito, quando o rosto dela toca na pele violada da outra ela tentava se afastar ao mesmo passo que a outra fazia o mesmo. Sente como se o cabelo fosse se desprender depois de todos os puxões que levou. Já na poltrona não demonstrava nem um traço de desafio. Quando ele fala aquelas coisas ela abraça o corpo todo e não o olha, mas o tapa faz o rosto dela arder. A mão dela busca dar um consolo a si mesma, quando ele vai embora ela apenas chora sem parar. Ela fica na poltrona e escorrega pro chão sem forças, sentindo tanta dor, a pasta imunda, o vômito e próprio sangue.

    Chloe sente que não consegue controlar o corpo, passava por um episódio de violência extrema, e quando o líquido quente desce entre suas pernas ela tenta em vão se erguer cheia de constrangimento. Ela odiava seu captor com toda a alma, queria matá-lo- infligir nele a mesma dor e humilhação. Sente tudo ficar escuro, a cabeça pende pro lado e depois algo a trás de volta. Um novo som, o coração quase sai pela boca, imaginando que ele tinha voltado para se divertir mais um pouco e quebrar o tédio através da dor que poderia oferecer a ruiva.  Desnorteada, parecia não distinguir as coisas, quando a mão segura a boca dela, tenta se afastar e ainda não acredita que aquilo seja real. Ela tenta tocar Franco para ter certeza, mas tudo acontece rápido demais, escutando a voz dele, Chloe fica sem saber se fica feliz ou se deveria temer por ele também.

    Agora consegue ver que a mão não era dele, era uma mulher que nunca tinha visto e eles pareciam prontos para algo. A mulher a manda ir para a porta quando derem o sinal. Tudo fica girando ao redor dela, aquilo era uma alucinação macabra ou uma armadilha que se enroscava em todos ali? Chloe pensou por alguns segundos em avisar os seus captores, mas aquela raiva lhe arranhando junto com o ódio a deram um pouco de fé na possibilidade que surgia. Eles soltam as pessoas, uma gota de esperança devia estar fervilhando dentro de cada um deles, mas ela sente dor, seus pés travam e escuta que deve ir também. Ela ouviu Franco, não conseguiu dizer nada, apenas o agradecia com os olhos. Falar doía e o enxergava com dificuldade. Mais violência, o cheiro de algo tenebroso vai permeando o ar e depois apenas caos. Ela vê a criatura cheia de fúria, aquilo era demais para se entender.  Chloe se movimenta puxada por um  um dos cativos.

    A visão do pai e do marido a fazem querer ficar, mas para quê? Questionar aquele mundo que eles faziam parte ou queria ver o seu captor morrer nas garras de Franco ou de um dos amigos dele? O homem musculoso com a mulher no colo a joga para frente e um lobo enorme avança contra ele. As pessoas passam pela cerca guiadas pela mulher, Chloe tenta ir com eles, mas a uma mão firme a segura e ela sente a esperança morrer quando reconhece aquela voz. Os olhos dele tem um sentimento inegável de saudade. A compaixão flutua ali e aquela ponta de ultraje. As palavras dele tinham algum peso, o pânico a faz esquecer por alguns segundos o quanto ele é violento, quando ele pede para que vá com ele, a ruiva hesita, mas a oferta de proteção naquele momento a faz segurar na mão dele torcendo que pudesse escapar dali.
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    Mensagem por Wordspinner Ter Maio 18, 2021 4:45 am

    Chloe sente grande se fechando na dela, quente e cuidadosa. Foi uma surpresa ver o fogo saindo do ar atrás dele. De alguma forma em todo aquele caos ele percebeu e empurrou ela pra longe. As chamas saltaram sobre ele como se estivessem vivas. Ian se debate e grita. "Cuidado! Chloe! Cuidado!" As chamas consomem roupas, cabelos e pele. Ian aumenta e se joga no chão rolando na plantação, mas as chamas parecem movidas por um vontade faminta e hostil. Elas se agarram a ele e se descolam das plantas para dançar no seu corpo.

    Do buraco na cerca, a poucos metros do desespero de Ian, um homem mais velho aparece. Cabelos grisalhos e olhos calmos. Rosto sem nenhuma expressão. Atrás dele uma mulher com os olhos fixos no marido de Chloe, ela canta algo primitivo e rápido como punhaladas. A luz das chamas dança nos olhos dela, uma brasa acesa pulsa viva com fúria nas suas mãos. O homem se move e fica na frente entre as duas. Eles parecem conhecidos, mas nem a luz e nem o horror ajudam Chloe a pensar. A ver. A mão pesada no seu ombro é um choque. Francis não se desculpa por assutá-la. Ele nem parece ter percebido. "Cresler, são eles!" A voz de Ian era forte. Demorou para Chloe perceber com quem ele estava falando.

    O velho de terno caminhava no meio da tormenta intocado. O homem com o machado logo atrás, ele tinha matado a garota que cortou, Chloe sabia sem precisar ver. Francis cospe um dente metade do rosto dele sacode como uma vela ao vento, descolado do rosto com ossos a mostra. "Frio Cortante, acabou. Pode ir para casa." Era o homem com a mulher que ainda cantava e queimava Ian como uma vela. "Não, não acho que estejam todos aqui, é um blefe e ..." O estouro assusta Chloe. Assusta todos ali. Francis tinha atirado no velho e acertado em cheio. Até o próprio Francis parecia assustado e atirou de novo o mais rápido que pode. O velho que estava curvado e atordoado é jogado no chão. Um terceiro tiro... o troglodita do machado entra na frente como se a torrente de fogo e chubo fosse um aviãozinho de pápel. "Porra! Porra! Que filho da puta enorme!" Ela não podia deixar de concordar com Francis. Ele era um monstro e crescia a cada instante. O machado pingava sangue e esse sangue soltava fumaça no ar frio.

    Chloe se virou para correr e percebeu seu caminho bloqueado por um lobo em chamas, pelos destruidos, carne escapando dos ossos. Ele estava preso em combate com um lobo menor, mas que não estava em chamas. O pelo cinza e preto. A mulher morena continuava cantando. Outro tiro e ela se vira sem poder evitar. Sobressalto. Medo. O gigante estava ali na frente dela e tudo que tinha entre eles era um Francis que parecia pequeno e frágil agora. O cara larga o machado e amassa a arma de Francis mesmo enquanto ele recebe outro disparo. "O punheteiro nem pisca!" O que seu companheiro de alcateia falou ressoava com o que tinha em sua mente. O soco que seguiu deveria ter atravessado o fanfarrão, mas ele saiu do caminho e cresceu sob o golpe prendendo o braço. Os dois riem e Francis puxa o outro para o chão. Chloe sabia que não tinha espaço ali para ela.

    A mão que a segura é bruta e ameaça quebrar os ossos de seu braço antes mesmo de puxar. Era o velho que foi chamado de Frio Cortante. Buracos fumegantes no seu terno e pele chamuscada por baixo se esticando e curando mais rápido do que qualquer coisa deveria. Um puxão e a ruiva está prestes a desistir. Uma explosão, tira a tenção dela, mas não dele. O homem ainda a puxa com força irresistível. Ele nem se importa se ela resiste. Não tem crueldade e nem misericórdia, só uma vontade atroz. Quando o corte fundo aparece na garganta Chloe se assusta mais que ele. Mesmo assim o velho não consegue evitar o reflexo de por as mãos no pescoço que jorrava sangue. Nenhuma lâmina. Ninguém perto o bastante.

    A mão ensanguentada se lança de novo na direção dela, mesmo Chloe de movendo ele ainda tenta pegá-la. Nenhuma parte da ruiva acha que ele a alcançaria e nenhuma parte dela não sente alívio ao ver o lobo de um vermelho tão escuro quanto sangue mordendo a mão do velho. O lobo era pequeno se comparado a tudo que Chloe tinha visto ali. "Não para de correr Chloe." A voz conhecida mal registrava. Ela corre, ela nem pensa. Ela já estava correndo e não iria parar por nada. Ela corre e corre e corre. Ela passa os rastros queimados de Ian. Ela corre. Ela passa por um lobo enorme rasgado ao meio e a coisa ainda tenta pegar ela. Ela corre. Ela corre e não para. O pulmão queima e as pernas nem fazem mais parte do corpo dela. Ela nem consegue chorar.

    Ela mal consegue ver para onde está indo e nem ia fazer diferença se soubesse. A plantação era tudo que ela via e sentia por um bom tempo. Tempo demais. Tempo suficiente para as pernas parerem de responder e ela quase cair. Não parou. Continuou em frente. A planação subitamente desaparece a sua volta e ela trava. Um campo aberto entre ela e a estrada. Gritos e uivos atrás dela. A cor das chamas manchando a noite. As luzes da cidade ao longe. A roupa estava rasgada e tinha sangue e cinzas e terra. As unhas sujas. Os pés descalços. A terra firme debaixo deles constrastava com o medo dentro dela. Ela vê o garoto e ele nem parece real, talvez dezoito ou vinte anos. Quem se importa. Ela conhecia ele de algum lugar. Jay, ela nem sabe como se lembra desse nome e não de outros. Ele faz sinal para ela ir. Ele aponta onde vê mais gente. Uma curva longa na estrada serpenteava ela para perto da plantação. Um carro quadrado e de dentro dele pelo menos um dos animais, não, uma das pessoas que estavam presas nas baias olha para ela com tanto medo que Chloe imaginava estar igual. Ou pior.

    Ela vai e Jay nem se move, afunda nas sombras esperando alguma coisa. Mais alguém correr sem saber onde ir? Um inimigo? Ian? Esperava para matar Ian? Ela tropeça e para contra a vontade e olha pra trás se arrependendo no mesmo instante. Ela vê Ian indo na sua direção com o homem que a pegou um passo a sua frente. "Toque nela de novo Devon e..." Mais gente sai da plantação. O carro sai da estrada e avança para Chloe e as outras pessoas que sairam. Ian e o outro a percebem e vão chegar antes do carro. "Alguém esqueceu o boquete, suas putas mancas!" O escocês saia do mato de motocicleta. Ele mal parecia pronto para andar. "Ela não quer ir com vocês seus imbecis. Ela é minha! Fiquem com os outros!" Um desconhecido joga do carro um coquetel molotov na direção do já queimado Ian. Mas erra por muito. "Mira em mim então seu imbecil!" Ele ria com mais sangue que dentes na boca. "Perdeu, ela é alcateia."

    Como que esperando por aquela fala um incendio brilhante e começa no lugar de onde vieram. Como se o inferno abrisse sob o chão. As chamas queimando até a terra. O fogo lançando línguas para o céu. "Essa puta tá custando caro demais Ian." Eles se olham cheios de hostilidade. O carro já tinha recolhido os outros e gritam para Chloe. Ian avança e o outro ao seu lado também. Mais formas saem da plantação, mas não vão longe antes de serem interrompidas por lobos que saem de onde Jay estava. Uma coisa metalica como uma fornalha viva com garras de aço e fogo rasga o espaço do outro lado cercando os reforços de Devon e Ian. Mesmo assim os dois não param. Novamente a única coisa entre Chloe e a morte é o desgraçado louco de olhos esbugalhados. Ele uiva algo que faz os intestinos virarem água e aí sim Devon para. Ian hesita também, mas é o primeiro a voltar a correr. O primeiro a encontrar o hibrido de homem e lobo que Francis tinha se tornado. Três metros de uma maquina assassina de carne, osso e puro terror.

    O carro já está acelerando. Arrancando. Chloe precisa pular. Pular ou ficar para trás.
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    Mensagem por thendara_selune Ter Maio 18, 2021 2:15 pm

    Aquele gesto lembrou a noite que se conheceram, não conseguia resistir a toda proteção que vinha dele. Estava confusa, assustada, o pavor retorcendo-se dentro dela e ao mesmo tempo o constrangimento. Seu coração acelerado, a covardia presente, ensaiou tantas vezes como reagiria a ele e agora estava ali optando em não cruzar a cerca. Chloe tinha tanta culpa dentro de si, tudo que viu era cruel demais para ser real e ainda assim  aquele instante lhe pareceu tão certo. Ele parecia se importar com ela, talvez e se apenas agora tivesse se dado conta que a amava? Mas não podia permanecer atada ele sem que isso a levasse à loucura. Tudo que viu não podia ser apagado, nem riscado do livro de suas memórias e antes mesmo que tivesse qualquer novo lampejo de razão. O fogo serpenteia atrás dele cheio de fome. Ele a empurra para longe o corpo dela apenas parece seguir o movimento de força que vem dele e de seu alerta.
    Ela queria correr, sente vontade de ajudá-lo, mas a mente confusa se afasta das chamas hostis. A cena é surreal, ela leva as mãos a boca e os olhos ficam marejados de novo pensando que se ele morresse seria a solução para tudo, mas ao mesmo tempo algo a diz que não deveria terminar assim. O desespero de Ian soma-se ao dela, então o homem mais velho surge, os olhos calmos como um lago sem ondulação e a mulher atrás entoa um cântico que deixa a ruiva arrepiada. O poder na voz dela é cheio de uma carga elétrica de tons laranjas que se manifesta em seus olhos e a chama em uma das suas mãos é cheia de fúria assim como a própria mulher ali. A mente da ruiva parece envolta em uma névoa que a deixa sem ação. A mão de Franco em seu ombro a força piscar várias vezes tentando filtrar tudo. O mesmo homem mais velho e distinto surge em meio ao caos como se nada o abalasse juntamente com o troglodita que havia ferido aquela mulher assim que ela passava dentro do celeiro. Para Chloe olhar Franco é uma visão horrenda, o sangue e fúria habitando dentro do companheiro de alcateia a fazem estremecer. Ela se dá conta pela primeira vez que o vê assim, recriminando-se quando o tratou como um delinquente na casa dos algozes. Ele se arriscava por ela e mesmo assim um pedaço da ruiva estava preso a Ian que ainda ardia.

    Tudo parecia ter um novo desfecho quando o som do tiro a faz pular para trás e ela percebe que Franco acertou o velho. Ele atira de novo e faz o homem se prostrar. Um novo tiro e o troglodita se interpõe como se fosse uma muralha de carne, ossos e selvageria em direção a Franco. O machado é uma besta que parece ser uma extensão de seu portador, o sangue goteja, mas a arma ainda quer mais e teria quando seu dono permitisse. Ela vira-se para correr, o caminho bloqueado pela briga de dois lobos, enquanto um deles arde tendo o corpo destruído o outro o ataca cheio de fúria.

    Tudo ocorre rápido demais para entender e naquele momento em diante Chloe se rende ao instinto de fugir de tudo. O troglodita surge novamente, mas Franco apesar de menor é o novo caminho que se abre para a ruiva fugir. Ela tenta, mas o velho e suas mão feita de aço se fecham no braço dela. Chloe se debate, tenta se soltar temendo ter o mesmo destino da moça naquele maldito equipamento. Lembrando da violência que lhe foi infligida pelo  fã maldoso de Sinatra que agora sabia o nome. Não queria que Devon a tocasse de novo. Ver que o velho se curava como se os tiros não fossem nada, a fazem ranger  os dentes, o pavor estampado na face antes tão bonita e agora machucada como se fosse uma boneca velha. Uma nova explosão e ela olha em volta buscando um novo caminho, a vontade do velho é forçada a mudar o foco, quando algo lhe corta a garganta como se uma lâmina espectral tivesse lhe atingido. Ela tenta fugir, ainda sente a vontade dele em alcançá-la de novo  e então o lobo vermelho a manda correr.  

    As pernas se movem, o desespero a faz ignorar a dor, o medo é o combustível que a faz correr sem parar, sentindo os pés no chãos, os rastros de onde Ian estava ficam pra trás, um lobo rasgado ao meio ainda tenta segura-lá e sem saber como  permanece a correr. Os cabelos ruivos são cascatas ondulantes laranjas como o fogo que consumia tudo atrás dela, a pele vermelha, o suor molhando-lhe por inteira e a dor crivada em todo corpo que nunca havia experimentado tamanho horror.

    Os olhos pareciam ver sombras assustadoras em tudo, como se a qualquer momento alguma coisa pudesse saltar sobre ela. Os olhos do homem que a capturou parecem segui-lá desdenhado do seu desespero, lançado todo tipo de ameaça, quase pode sentir as mãos dele agarrando seu cabelo e a jogando no chão para invadir-lhe de maneira pérfida. A plantação parecia sussurrar algo tenebroso, podia sentir o cheiro de fumaça, cinzas e sangue a seguindo. Ela tropeça mais de uma vez, mas continua determinada a fugir de tudo, de todas aquelas coisas e daquele mundo que viu e jamais esqueceria. Em um dado momento a plantação some e Chloe não sabe pra onde ir temendo que seus captores a alcançassem. Os uivos e gritos rasgam a noite acima dela trazendo o medo do sobrenatural como se fosse uma coisa cheia de tentáculos prestes a pegá-la em um abraço mortal.  Chloe era uma coisinha assustada, suja de sangue, fuligem e terra como se fossem uma segunda pele, fazendo aqueles trapos darem um toque desesperador à imagem dela.

    Ela vê o garoto ali, é como se fosse um farol emitindo uma luz de esperança, ela o reconhece de algum lugar o nome dele vem a sua mente. Ela se move até ele ainda sem acreditar que conseguiria fugir, devia muito a Franco e talvez nunca conseguisse pagar o que ele fez junto com os outros que estavam com ele. O carro ali, aquelas pessoas dentro dele lhe passam algum alívio em meio a tudo. Eles tinham medo nos olhos, o que passaram naquele celeiro era terrível e ela sentia-se culpada por tudo. Não queria pensar em Ian ou no pai naquele instante, mas a realidade não a dava paz. O garoto se envolve nas sombras em uma espera que gera nela ansiedade. Muita coisa passa em sua mente como um filme macabro. Os pés não a obedecem, sente uma punhalada no peito e vê Ian chegando com o seu captor ruidoso. Mais vultos se aproximam, alguns carregam o desespero não querem voltar ao celeiro e o coração dela fica tão pequeno. A voz do marido surge e em seguida a de Franco que naquela altura estava em frangalhos, mas ainda cheio de deboche arredio nas palavras.

    O carro parece ansioso assim como as pessoas buscando uma chance de escapar do pesadelo. Devon e Ian vinham junto com outros, o fogo surge criando um obstáculo raivoso e cada vez mais tudo parece ser caos, medo e imagens borradas aos olhos dela.  Uma coisa que não devia existir feita de ferro e brasa com garras aparece.
    Mas a vontade do marido em alcançá-la é mais forte, entre eles e ela há poucos passos para liberdade ou para prisão. Então o uivo emerge como uma navalha afiada, ecoando violentamente e dá algum tempo para Chloe que olha Franco em um misto de gratidão e medo pelo que vai acontecer em seguida. É um daqueles momentos que você quer se mover, mas não consegue como um pesadelo muito vívido lhe fizesse ficar petrificado no escuro. Então ela escuta o nome dela, a ruiva lança um último olhar para a cena que ia ficar pra trás e pula sentindo que algo se perdia, como uma coisa sem nome se quebrasse e o coração vem a boca quando pula.
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    Mensagem por Wordspinner Qui Maio 20, 2021 4:26 am

    Quando Chloe se joga no carro e mãos desconhecidas a puxam para dentro ela ouve seu nome de novo, a voz de Ian cheia de urgência e desespero. Os pneus cantam ao arrancar. Ela olha para trás, para onde mais olharia? A traseira do carro balança para um lado e para o outro derrapando na grama e na terra. Ela vê a luta em um momento e no outro o carro a afasta e depois volta. Francis intercepta Ian com uma mordida no pescoço e joga para o lado, por algum motivo ele não muda para a forma da guerra. Mas Devon não se restringe, o homem se joga em Francis com violência. Ian assiste do chão o carro tocar a estrada e a ultima coisa que Chloe vê é o homem dando espaço para o lobo e pulando nas costas de Francis.

    A sua volta as pessoas comemoram. Ela sente a emoção crescendo dentro dela. O alívio de estar livre e nem consegue imaginar o que eles estão sentindo. Uma mulher de cabelos claros olha para ela e segura seu rosto olhando debaixo do queixo. "Que bom que não te pregaram. Eu queria tá lá embaixo com eles, mas alguém tem que garantir o carro." Ela falou em carro, mas esse era estranho demais. Nenhum banco exceto o do motorista. Pessoas amontoadas umas nas outras e um monte de alças nas laterais e no teto onde estavam se segurando. Uma menina que não podia ter mais de 15 estava chorando no chão, uma perna meio mastigada, a parte racional de Chloe dizia que ela ia precisar de cirurgia urgente para manter a perna e transfusões para não morrer. Todos ali estavam magros e castigados, mas a mulher que falou com ela, assim como o motorista estavam com roupas e pareciam saudaveis. O carro freia bruscamente e as pessoas caem umas sobre as outras, alguém se segura em Chloe e as duas quase caem para fora.

    Na estrada, no foco dos faróis está o pai de Chloe. Dois lobos enormes ao seu lado e no fundo uma mulher com algo estranho na mão, uma lança ou cajado do qual caiam relâmpagos vermelhos como se fossem pesados. "Não queremos muito. Só estamos interessados na minha filha. Chloe, vem e deixa esse pessoal voltar para casa. Você pertence com a sua família." Chloe sente a força das palavras, sente a culpa se enroscando em cada fiapo de razão que ainda tem. Ela quase sai do carro quando ele começa a dar ré a toda velocidade. "Bartley seu filho da puta." Ela grita segurando Chloe com uma mão e puxando um tubo preto com fitas pratas para jogar entre os lobos que corriam para eles. Agora eram quatro deles. Grandes demais para serem lobos, com braços longos e pernas fortes rápidas o bastante para diminuir a distância entre eles. Quando o tubo preto explodiu Chloe não se assustou. Ela está com os pés para fora. A ruiva sabe que estava prestes a sair do carro antes de ele arrancar de novo.

    O lobo da esquerda é puxado para fora da estrada, para o escuro além do que ela consegue ver. Mas ela consegue ouvir os ossos e a carne partindo, ou talvez ela tenha imaginado isso antes da outra explosão. As mãos do lobo que ela acha ser seu pai agarram o parachoque e carro desliza no chão e balança de novo de um lado para o outro. Nada de carne e osso poderia parar um carro, mas virar um deles é muito mais fácil. A mulher salta pelo teto e é um lobo como os outros, menor que o pai, mas mesmo assim o ataca sem hesitação e ele é obrigado a largar o veiculo que ele ainda segurava mesmo enquanto era arrastado por ele. Um contra três. Um homem fera, dalu eles tinham dito esse nome, sai das sombras com uma corrente na mão e puxa o lobo da direita para o chão pelo pescoço e Chloe vê a cabeça sendo arrastada no asfalto e o pescoço torcendo em algulos nada naturais. Ele acaba como alvo da mulher com o bastão de relâmpagos. Um clarão vermelho e o carro gira para seguir na direção contrária.

    Tudo pula e sacode quando ele sai da estrada e lá está Francis de novo só por um instante, ele parece melhor do que antes, mas seus inimigos ainda estão vivos e lutando ferozmente. O chão ao seu redor escuro de sangue. O homem do machado aparece com a arma pingando sangue de novo. Ele olha para Francis e não avança, só assiste. O homem enorme só se move quando o velho aparece ao seu lado e aponta para o carro. Carro que avança sobre a plantação e mesmo com o caos aquilo parece estar ficando cada vez pior. Ela sente o vento quente vindo do incendio como se fosse vivo. As chamas estão ainda mais altas que antes, ainda mais famintas e eles vão de encontro a elas. "Segura pessoal. Segura que a gente tá indo pra dentro do fogo." E é isso que eles fazem. Chloe sente o absurdo daquilo aumentar. Ouve os protestos. Vê a plantação os fechando de todos os lados enquanto o carro balança e pula seguindo em frente. Suicidio. O homem buzina e imediatamente algo se aproxima pela lateral. O homem do machado só na forma de homem fera. A arma vaza a lateral do carro e puxa feito um gancho. O carro derrapa de forma impossível, mas a porta presa no machado se solta e carro escapa. Curiosamente os dois gritam de emoção.

    A parede de fogo chega junto com um calor que faz a pela arder e os olhos fecharem. O inferno estava diante dela e eles são obrigados a parar. O motorista olha para trás assustado. Todos olham também. Atrás deles o homem enorme ainda arrasta a porta com ele. Marcas vermelhas brilhando na pele. A buzina grita alto e desesperara. O motorista pega uma pistola e atira. O efeito é imperceptível. "Porra! Porra! Porra! Não tem ninguém ouvindo?!?!" Como em resposta a ele uma língua de fogo salta na direção do uratha que se aproximava. Não uma língua, um ciclone, ou tornado, quem liga pro termo tecnico específico? Um monte de entulho e plantas em chamas sendo carregados por um turbilhão que claramente tinha vontade própria e um alvo. O homem pula tentando pegar o carro e o motorista arranca para dentro do fogo, era melhor enfrentar as chamas.

    Chloe fecha os olhos. Medo. Medo e a luz era forte e quente demais. Ela espera a dor lancinante que derreteria sua pele e quando ela não chega a ruiva espia abrindo um dos olhos. O olho que ela ainda podia abrir. O fogo abria caminho para eles e fechava logo atrás. O vento vinha de cima desafiando as leis da física e logo soprava para trás deles empurrando o monstro enorme que os seguiu para dentro do fogo com os pelos em chamas. Eles tem que virar para não bater no celeiro em chamas, formas de todos os tipos afundadas no fogo. Impossível saber o que são. O túnel os guiava pelo fogo que ardia alimentado por alguma força como se o chão fosse feito de pixe e gasolina. O monstro atrás deles perde espaço e fica mais distante e a esperança que isso trás morre assim que ele pula ultrapassando o carro e os fazendo virar outra vez. Alguém do seu lado comemora e joga um dos tubos na direção da coisa em chamas. Outra explosão e logo eles estão na plantação de novo e tudo cheira a queimado. O ar frio a faz perceber o quanto o pulmão está ardendo e as estrelas borradas dizem que seus olhos estão secos e machucados.

    O carro é forçado a parar assim que saem da plantação, quase parar enquanto o motorista decide para onde ir. Contra qualquer aparência de sanidade ele estava gostando daquilo. Chloe vê os borões e reconhece Francis na luta. Ele tinha assumido a forma homem fer- dalu. Ele e batia em Ian com um braço que arrancou de alguém, Ian estava no chão com uma perna torcida em um angulo nada natural. Ele parecia achar graça e dessa vez não estava sozinho. "Mete o pé seus porras! Vaza daqui!" Ele grita sem olhar. O motorista parece indeciso e hesitante mordendo os lábios com força e respirando fundo com olhos arregalados. O homem com a corrente agora também tinha o cajado estranho. Ao lado dele uma mulher magra com cabelo curto como um rapaz brincava de gato e rato com um lobo. O pai de Chloe estava do outro lado e a via no carro, ela reconhecia os olhos e esse instante de distração custou caro a ele quando o flash vermelho sem som explodiu na sua cara. Uivos a distância por todos os lados. Quando a figura em chamas com um machado emerge da plantação o carro arranca de novo. O maniaco os vê se afastando mais se interessa mais pelos outros alvos.

    Chloe vê mais lobos se aproximando, silhuetas no escuro. Todos correndo. O carro ganha a estrada e a mulher de cabelos claros pula para dentro coberta de sangue e com metade de um rosto lindo destruido. Eles não param mais.

    --

    Quando eles finalmente saem do carro Chloe se da conta de que nem contou os estranhos. Um outro carro parecido estava parado ali em um sítio ou coisa parecida. Ela via uma piscina verde de algas. Luzes improvisadas e lanternas. Pessoas recbendo tratamentos. Muita gente falando, a maior parte bem baixo. Alguns choravam. Era uma mistura de funeral, pronto socorro e algo para o qual ela não tinha palavras, mas tinha gosto de reencontro e esperança. Aquelas pessoas se conheciam e se amparavam. Se ajudavam e se tratavam. Uma mulher manca trabalhava com um paciente em cima de uma mesa de madeira. Um absurdo, sim. Mas Chloe provavelmente arriscaria o mesmo. O primeiro rosto conhecido que ela vê é de James carregando uma pessoa ferida, a menina com a perna quase destruida. Ele provavelmente nem tinha reconhecido ela. Para ele Chloe devia ser igual aos outros ali cobertos de medo, sangue, foligem, terra e escrementos.

    Logo ela percebe mais gente indo até ela, especificamente ela. Shaw é o mais fácil de reconhecer com os olhos fixos nela, vendo através de toda a sujeira e enxergando ela. Sam e Axel também estão ali. Enquanto eles se aproximam a ruiva registra mais pessoas familiares, mas elas são engolidas pela nevoa das lágrimas. Ela pisca e sente eles perto, um passo de distância. Uma mão esticada.
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    Mensagem por thendara_selune Qui Maio 20, 2021 9:47 am

    Chloe sentia cada osso estalar enquanto a respiração buscava mais ar do quê os pulmões aguentavam. Os olhos dela ainda buscam algo, escutar a voz de Ian a chamando lhe causou uma sensação de perda enorme. A cena deixada para trás era violenta, Franco ali a fazia sentir-se feliz, mas ao mesmo tempo enchia-lhe de pesar, só não conseguia admitir o real motivo para si mesma. A mulher fala com ela, mas Chloe parece distante demais para concentrar-se nas palavras. Então o movimento é sacolejante e a incerteza se conseguiria manter-se dentro daquele carro que parecia adaptado paga um resgate impossível a fazem ficar nervosa. A dor da menina alcança Chloe, a culpa preenche os olhos da ruiva que percebe a urgência na situação da garota e se culpa por ser parte do outro lado que por mais que nega-se compreendia agora ser um inimigo desumano. Do nada o freada brusca a faz olhar para a estrada. O coração dela fica apertado, desespero, vergonha e melancolia ascendem dentro dela.

    O pai era seu elo maior e de alguma maneira delirante sente uma enxurrada de memórias vindo. A onda ténue enchia-lhe a mente em meio ao caos, cetim rosa, renda que perdia-se em um caminho distante, o jardim por onde corria com as primas e primos na infância doce em uma tarde de primavera. As mãos ásperas tocando seu rosto, a fuga dela a noite para vê-lo ir em mais uma viagem e o abraço seguro dele transbordando amor paterno. Aquele homem ali não podia ser um monstro ou seria?

    Ela quase vai até ele, o sangue clama pelo proprio sangue, a ruiva estava quebrada, cada vez mais aquelas cenas eram uma tortura que a fazia sangrar mais e mais. Adam e seus olhos cinzas, ela podia quase sentir o calor dele alcançando-a dentro daquele carro. Então fúria, agitação, medo e o laço entre eles ainda assim não pode ser partido. Um clarão rubro e o carro parecia uma besta correndo em direção contrária. Aquele lobo era seu pai, aquela criatura tinha o mesmo sangue que o dela, porque as coisas tinham que ser assim? Parecia uma armadilha cruel, como se alguma coisa acima de tudo ali desenhasse para Chloe o pior presente e um futuro com decisões que poderiam trazer uma tempestade cheia de sangue.

    Ela vê Franco, sente alívio, mas ao mesmo tempo o medo revira-se dentro dela quando vê o velho e o troglodita com seu machado sedento. O carro avança naquela plantação, calor e fogo são um véu tenebroso cercando tudo. Ela tenta se segurar, torcendo que os outros consigam fazer o mesmo, o machado surge raivoso, a mente dela não conecta com o tempo e os eventos. O som do metal sendo rasgado como se fosse uma presa viva e rangendo, contorcendo-se é medonho aos ouvidos. Os dois ali sentem uma emoção que ela não entende. A muralha de fogo, a faz fechar os olhos e sente que eles param de novo. O medo do motorista é compartilhado por todos quando percebem que o troglodita e seu macho não desistem deles. As marcas vermelhas brilham na pele dele e ela não se recorda de ter visto nada assim antes. Algo acontece não tem como definir, mas antes que sejam pegos o carro avança enfrentando as chamas. De olhos fechados ela espera a dor maior que os alcançaria, mas não acontece o fogo abria caminho para eles e ela não esconde a surpresa ao ver algo assim.

    Depois a sensação de sufocar, de sentir o corpo seco e as estrelas são manchas que não consegue distinguir com clareza. De novo Ian, aquilo era uma pontada afiada dentro dela, ele tinha feito coisas que não conseguia falar em voz alta, mas ainda assim não o queria morto. A voz de Franco e uma nova pontada dentro dela, confusão e tristeza brigando com a razão que se perdia. O pai do outro lado, ele sabia que ela estava confusa, um pai sempre sabe aquilo que os filhos guardam dentro de si e naquele momento Chloe odiou-se por ter fugido. Seu pai não podia morrer, mas como impedir que tudo fosse da maneira que era? Quando algo alcança Adam ela gritar, não conseguia mais ver aquilo e sente vontade de correr pra longe de tudo. O carro foge, a mulher com o rosto destruído e tudo parece um turbilhão cheio de sangue que vai ficando para trás.


    ************

    O carro parou de fugir, Chloe ainda perdida demais e ela sente como se o mundo não tivesse nenhum sentido. Quando observa as coisas em volta nota que estão em uma área rural, uma construção velha e outro carro ali com mais estranhos. As luzes parecem pontinhos de esperanças para as pessoas que chegam, muitas vozes , choro e dor em toda parte. Ela caminha devagar, tentando se manter longe do vai e vem. Os sentimentos ali podiam ser tocados por ela sem muito esforço. Uma dose de inveja mordeu um pedaço dela, sua família, seu pai, o marido, eles eram parte de seu frágil por mais que o momento lhe dissesse que faziam parte do pesadelo visto no celeiro. Franco permeia sua mente, a alcateia também, mas ao mesmo tempo o chamado do sangue gritando dentro dela. Ela vê uma mulher manca trabalhando em uma paciente, depois o rosto de James carregando a menina, ele não a reconhece, Chloe prefere assim. Cheia de fuligem, sangue, o rosto machucado, terra e cheiros que não podia descrever impregnados nela. Quase como uma sensação sobrenatural ela sente os olhos negros do alfa presos a ela. Axel e Sam, uma sensação de pertencer ao algozes arde dentro dela ao mesmo passo que o coração dela sente-se pesado demais. Os pés se movem em direção a Shaw, ele lhe deu a oportunidade de sentir-se parte da alcateia, as palavras de Axel não praia não tinham ameaças ou opressão. Franco tinha aquela loucura dentro dele, mas provou ter uma coragem imensa, ela não podia negar que eles eram uma família.

    Dover abriu uma porta para um labirinto desconhecido. Lobos, pessoas com vidas entrelaçadas, um jogo de xadrez que movia-se nas sombras enquanto uma mãe comprava um vestido de princesa para filha, enquanto monstros caminham entre humanos e uma mulher magnética era chamada de rainha em clube noturno. O homem fera com uma história antiga, alcateias, jovens e crianças presos em um ciclo infindável. Luxúria e raiva caminhando juntos, coabitando peles que se estendem, ossos que remodelam-se para deixar o lobo correr selvagens caçando suas presas. O pai estaria morto ou Ian? Os olhos de Devon lhe perseguiam mesmo ali, ele parecia ansioso em cumprir sua ameaça enquanto ronronaria de novo My Way em meio aos protestos dela em não ceder. Ela leva as mãos ao rosto, ainda sentia tanta dor e de novo estremece. Tudo que viveu até agora flutua ao seu redor, ela transpira medo e uma vontade imensa de morrer antes de ver o resultado de tudo que aconteceu minutos atrás…Alcateia era sua família, mas o seu coração estava dividido e cheio de amargura e lá no fundo uma voz obscura dizia que cedo ou tarde a besta também se apossaram dela…
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    Mensagem por Wordspinner Qui Jun 03, 2021 9:46 pm

    Chloe sente o balanço irregular do carro se afastando dela. O movimento parece deixá-la para trás. Seu corpo segue o construto metal movido a explosão e sua mente fica no escuro. Na estrada. A escuridão aumenta de todos os lados, a luz diminui até um pequeno e insignificante ponto apagado em um instante. Sozinha na escuridão. Os pés descalços nunca tocam o chão. Ela não sente o próprio peso, leve, carregada pela brisa noturna. As dores distantes, esquecidas. Nenhum som. Nenhum cheiro. Ela se sente fluando nas sombras, sem qualquer noção de direção. Sem qualquer noção de tempo no espaço indiferente os segundos se comprimem uns sobre os outros, a eternidade indiferente erodia todas as sensações de limite pessoal.

    O puxão é inesperado. A luz é um choque. Mas é só o primeiro. A respiração faz o corpo todo arder com uma clareza nova. As mãos sentem a grama entre os dedos. O corpo sente o calor do sol. O ar parece espesso e pesado como água. "Que bom que acordou. Eu quase desisti de você." a voz familiar coloca a mente em um estado acelerado. Os pensamentos esquecem os sentidos e vasculham o passado. Ela finalmente consegue abrir os olhos sem dor. O mundo lentamente filtrado até alguma coisa que ela consegue digerir. "Aqui Chloe, olha para mim. Não lembra de mim? Eu sei que você lembra." Ela segue a voz e a imagem da mulher na fumaça faz sentido, faz o mundo de cores brilhantes e vivas demais fazerem sentido. Como mais se uma segunda lente fosse posta a sua frente e através dela o mundo fosse não só perceptível, mas algo que cabe em conceitos e ideias e palavras. "Pronto. Não se importa, né? Eu tinha que ver como estava." A mulher usava um vestido que fluia para o chão como uma fumaça branca, lenta e espessa. Ela estava sentada em uma poltrona cor de madeira na frente de uma árvore. Alguma coisa sem forma flutuava para perto dela no ar e quando Chloe se foca percebe a borboleta de cores impossíveis. "Melhor olhar para mim Chloe." A borboleta se desfaz em alguma coisa impossível de definir quando escapa do centro da sua atenção. "Você lembra o meu nome, não é?" A coroa gira lentamente sobre a cabeça dela, feita de fumaça. Os olhos altivos da mulher não deixam chloe nem por um instante. Mesmo com todo aquele barulho em volta, mesmo com as cores e formas que ela não consegue enxergar se movendo nos cantos da sua visão.



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    Mensagem por thendara_selune Sex Jun 04, 2021 9:50 am


    A sensação que ela tem é de estar alucinando. Sem poder controlar as coisas ao redor, nada fazia sentido e seja o que fosse esse momento apenas a deixa frustrada em continuar se sentindo uma marionete frágil nas mãos de uma força invisível. A mente dela mastiga tudo ao redor, buscando sentido e algo que possa focar. Afundar seria mais fácil que tentar nadar no momento. A luz a puxa e o ar a invade causando a sensação de estar combustão . Quando sente que a grama é um alívio breve, talvez fosse apenas um sonho que se desprendeu de uma parte do subconsciente, mas se fosse assim ela não estaria tentando racionalizar o instante.  O lugar parecia um pedaço de uma coisa etérea e onde os ponteiros do relógio não a alcançavam. A voz lhe causa sobressalto e a agita como se também fosse invadida por outros sentimentos que ainda não tinham um nome. A dor se vai, uma teia delicada se forma e ela pode reconhecer quem está ali além dela.

    -O que você faz aqui?- Os olhos presos na imagem fluida e ao mesmo tempo material que Dione possui. A voz da ruiva é cheia de vibração e calor que aquece a pele. - Porque eu sonharia com você de todas as pessoas possíveis?-  Os pés se movem devagar em direção aquela mulher e a fumaça branca parecia dançar silenciosamente em volta da rainha. Chloe sente vontade de tocá-la e comprovar que Dione se fragmentaria até sumir. Então a borboleta a deixa hipnotizada por um instante. A presença de Dione é embriagante e ao mesmo tempo imponente demais para que os olhos consigam desviar dos quartzos escuros que são os olhos da rainha. Olhar aquela mulher era como se pudesse lembrar das fábulas contadas pelas mais velhas de sua família. Dione é  uma visão realista da rainha  Aine  e a ruiva sentia como se uma corte de fadas pudesse surgir a qualquer momento. - Você parece o solstício de verão que vai transbordando uma onda de prazer que gera memórias alegres...Mas acho que agora não consigo ter nenhuma para oferecer a você nesse sonho... - Ela dá um meio sorriso e não consegue deixar de olhar aquela materialização quimérica de anseios ou medos que se escondiam no momento cheio de encantamento quase ingênuo.

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    Mensagem por Wordspinner Ter Jun 08, 2021 11:13 pm

    Chloe escreveu:O que você faz aqui?


    "Eu estou em casa Chloe, você veio me ver." Ela sorri e é como o calor do sol em uma manhã fria. "Você não me acha um sonho bom?" Ela pergunta claramente impressionada. "Ela me..." Ela estava falando com alguém, mas prefere ouvir Chloe. "Memórias alegres Chloe, você tem um monte delas e eu poderia caminhar com você entre elas, mas as mancharia e diminuiria. Você vai encontrar seu caminho para fora das trevas sozinha. Ou vai ser triste, tem espaço no mundo para os tristes para qem cada gota de felicidade é um presente, não é?" Ela olha para o lado e um movimento trai a presença de mais alguém. "Asia pediu para eu ver se estava bem. Ela me parece bem." Ela fala olhando para o lado de novo. "Você está bem Chloe? Lhe parece bem, não é?" A presença é difícil de ver perto de Dione, ela parece sugar toda atenção e ofuscar as outras coisas como o sol ofusca as estrelas e tudo mais que está depois dele. Uma impressão, uma silhueta, uma breve ideia de um homem. "Ela parece bem Dione, mas tudo aqui são ilusões e ideias e coisas da nossa cabeça." A voz é educada e profunda. Grave e sonolenta. Ela bufa malcriada e quase dá para ver um rosto através da fumaça que ela sopra.

    "Ele é humano como você, Chloe. Ele não dorme nos sonhos, não sempre então é fácil acordá-lo e trazé-lo até aqui para te ver." Ela sorri travessa. Uma criança pegando biscoitos do jarro proibido ou tomando um gole do armário de bebidas. "A maioria de vocês não tem talento para sonhar. Mas ele tem. Eu sinto um pouco de culpa por ter se ferido na minha casa Chloe, então decidi te conceder o favor da minha corte até a chegada do inverno." Ela diz as últimas palavras animada e radiante. "Não abuse." A voz dela é como um sino. O sorriso é branco e reflete a luz que vem... vem de todas as direções.
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    Mensagem por thendara_selune Qua Jun 09, 2021 9:09 am

    -Eu devo ter bebido demais…Não ando nos meus melhores dias- Ela ri um tanto melancólica,tentava inutilmente encontrar uma gotinha de racionalidade para entender as palavras de Dione.
    - Memórias cheias de cheiro de verbena, uma suave dose de conhaque e os risinhos perdidos nos corredores do  lugar que cresci.- Era quase possível sentir os pés percorrendo os corredores do casarão dos pais ou as primas roubando conhaque aos quinze ou as tias falando dos poderes das ervas enquanto apostavam qual das filhas fariam um bom casamento. Um mundo perdido em regras, tradições pomposas e olhares lânguidos quando se pensava nos garotos comuns além dos muros daquele lugar - Era muito mais simples...Fazia sentido…A tristeza tem seu valor, ajuda a enxergar essa tal felicidade que você diz, mas o que seria ser feliz?!- A pergunta é feita muito mais para si mesma e depois meneia a cabeça como se quisesse espantar aquele sentimento opressivo de tristeza.  A ruiva desvia os olhos um instante de Dione que lhe parece uma entidade saída de um livro de sonhos com páginas douradas que brilha provocativo em meio a livros taciturnos. - Asia…- Ela faz uma breve careta de descontentamento, algo permeando a doçura cálida do sonho, depois esfrega uma mão na outra e suspira. - A loira com aura incandescente...Estou bem na medida do possível, embora não saiba como consegui chegar aqui ou o que estou fazendo da minha vida…- O corpo dela balança de um lado pro outro como se acompanhasse uma música suave e perdesse um pouco do peso que sentia por um breve segundo. Então nota mais alguém com Dione e isso provoca a curiosidade de Chloe. Um borrão discreto, talvez fosse um homem e a voz dele surge confirmando isso.. - “Não posso voltar para o ontem porque lá eu era outra pessoa”. Acho que isso responde a pergunta de seu acompanhante ou estou sendo muito fora da minha linha de comportamento ao responder dessa maneira?- Os olhos dela pareciam presos em Dione, mas estavam indo além dela buscando um farol que desse um norte para si mesma. A presença imponente da mulher vestida de sol, fumaça e sonhos era entorpecente demais. Então foca brevemente no timbre da voz dele, grave e ressoando assonorentado. Ela gostava da voz que cortou brevemente a luminescência na voz da rainha. Chloe  exibe um pequeno sorriso quando Dione bufou e ainda assim descortinou quase nada do rosto do homem. - Que gentileza acordá-lo para ver um pontinho na penumbra como eu…Mas quem reluz aqui é apenas você Dione e fico agradecida por sua preocupação bem como por Asia sentir que estou merecendo uma espiada de perto da própria rainha. - Ela faz uma mesura delicada e aprendida desde cedo. Os olhos exibem uma coisa felina em um tom de dourado intenso e em seguida a ruiva assume uma postura muito polida com naturalidade. Não era uma provocação, era apenas quem ela era. Uma coisinha linda,  provocativa e que se continha o tempo todo para não errar. Ela tinha medo de cometer erros que lhe perseguiram a vida toda e infelizmente tinha errado com “ o senhor presunçoso de olhos azuis.” Aquele último pensamento parece fazê-la ficar constrangida até que a voz da rainha a faz ficar mais atenta. - Ele tem o talento para sonhar, muitas pessoas gostariam da mesma habilidade…- Sobre um favor concedido pelo que houve na casa dela Chloe parece surpresa, mas não ousa questionar sobre isso e parecia nem esperar por algo assim. - Você já ajudou muito com a tal fruta...Não costumo cobrar pelas fatalidades do destino… Não sinto que tenha culpa pelo ocorrido, estava sendo uma experiência divertida e improvável demais para meus olhos esquecerem…- O suspiro da ruiva se desprende e ela fica pensativa sobre as palavras de Dione. - O que seria essa corte?- Era um murmúrio dito sem pensar, mas ela o fez e olhou Dione tentando sondar aquele oceano como se a mulher ali fosse uma fusão de ondas quentes e fogo que pode queimar tudo em um piscar de olhos.

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    Mensagem por Wordspinner Qui Jun 10, 2021 5:03 pm

    Chloe escreveu: Memórias cheias de cheiro de verbena, uma suave dose de conhaque e os risinhos perdidos nos corredores do lugar que cresci.

    "Isso mesmo, desse jeito..." Um brilho orgulhoso nos olhos dela. "Se você precisa que te digam, meu amor, você ainda não encontrou." Chloe se vê sorrindo na fumaça, como reflexos na água.

    "Sua vida não precisa de sentido, ela vai terminar com sonhos quebrados e perguntas sem respostas. Ela vai deixar arrependimentos e desejos e não importa o que faça, poderia ter feito mais. Seja quem precisa ser." Ela diz balançando a mão como se espantasse moscas feitas de dúvidas e sorri como se tivesse dito que tudo ia ficar bem.

    Dione parece encantada com o cumprimento que Chloe dispensa ao outro e é difícil não mostrar nada quando ela se vê suada e vermelha no próprio consultório. Um sorriso relaxado no rosto. Dione levanta uma das sobrancelhas e a fumaça deixa de refletir a ruiva. "Não conhece a minha corte e ainda assim me respeita como rainha? A Rainha do Verão?" Ela gargalha e a fumaça se afasta dela como uma onda deixando tudo mais nítido por onde passa. Chloe se vê vestida para um baile classico, assim como Dione e o homem juto delas se torna claro e visível. Claramente incomodado com estar tão perfeitamente arrumado.

    "Minha corte, Chloe. São aqueles como eu que respeitam quem eu sou e nossos compromissos. Esse é Dimitri." Ela sorri se levantando, régia e imponente. Quando Dimitri não percebe alguma obrigação tácita ela fecha uma das mãos e ele se ajoelha. "Minha rainha." A voz grave tem uma mistura de diversão, surpresa e irritação. "Pode se levantar, meu querido. Nem precisava." Porém ela fazia questão.

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    A fumaça era um muro em volta deles e tudo dentro dela um paraiso primaveril ensolarado. "Minha corte anda entre os humanos e pode ser qualquer um." Ela assopra fumaça no ar e forma uma superficie plana e reflexiva de novo. Chloe teme se ver refletida de novo mas aparecem cenas normais da vida de Dover, Chloe não está em nenhuma delas. "Eles vão saber quem você é e que está sob minha proteção. Infelizmente lobos selvagens não são tão espertos." Ela tira uma folha de grama do vestido de Chloe e a adimira com atenção. "Bonita, não é Dimitri? Você desejaria essa mulher? Mesmo sabendo que ela é vazia como eu?" O homem surpreso demora um pouco a responder. "Minha rainha é o sol e ela é um incêndio. Nenhuma das é vazia." A voz grave parecia raspar na pele. "Vê? Homens todos covardes e galanteadores. Não precisa parar, eu gosto." Ela ri como uma colegial impressionada. "Você consegue ver, não é? Ele é cego como todos os outros, mas você vê atrás dos disfarces, não é?" Ela segura a mão de Chloe e as cenas mudam rápido até mostrar a própria Dione recebendo uma bela e delicada taça com liquido dourado borbulhante de uma mulher feita de cores.
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    Mensagem por thendara_selune Qui Jun 10, 2021 11:13 pm

    Chloe estava claramente enfeitiçada pelas palavras de Dione que lhe acertaram em cheio. Mantinha o olhar nela como se não quisesse perder nenhum detalhe desde o gesto que menosprezava qualquer coisa que pudesse ir contra as palavras dela ou a voz que enchia tudo à sua volta como se fosse uma melodia.

    Então a ruiva se vê, fica presa aquela imagem de si mesma  depois escuta a voz da rainha ecoando. – Você agarrou tudo sem arrependimentos? – o sorriso da ruiva é quente.   O vestido de Dione assim como o de Chloe surgem e o homem aparece demonstrando algum desconforto com o visual que lhe foi imposto. Era bonito, naturalmente Dione devia gostar de cercar do belo e de sentimentos quentes.

    - Seria uma ofensa não reconhecer seu manto feito de fumaça que dança ao seu redor ou menosprezar a coroa que carrega...Simbolismos tem poder, mas no seu caso é evidente que eles são acessórios úteis, seja como for você transborda o verão mais abrasador...Isso é inquietante para mim.- Chloe estava claramente encantada.  

    Dmitri é pura obediência, servidão e admiração por Dione. Ele a galanteia com o gesto cavalheiresco cheio  de respeito.  A rainha gosta da atenção e isso faz Chloe pensar que aquela mulher feita de sol poderia queimar um desafeto em segundos caso quisesse.

    - Eles estão dentro de uma guerra, acho que por serem lobos a testosterona os cega além do normal...- Ela pensa um pouco sobre isso e admite pra si mesma que lidar com os “lobisomens’’ não é algo fácil. - Sua proteção?- A voz cheia de surpresa, mas sem insistência sobre isso, pelo menos não agora.   Dione retira a folha do vestido de Chloe admirando-a. A ruiva imagina como Asia a conheceu?! Talvez fosse aquela atmosfera de encantamento e a provocação na voz de Dione que arranca de Chloe uma risada doce.  A rainha parece intrigar sua hóspede de propósito. A ruiva responde cheia de mel na voz.

    -São serpentes, sibilam e jorram veneno...Às vezes doce e em outros momentos conseguem virar uma mortalha feita de fel…-
    Ela olha Dimitri, ele é bonito e o que a deixa cheia de malícia contida é a maneira que ele se desprende de si para acariciar Dione com palavras e gestos em um flerte respeitoso. Então não contendo a provocação fervendo dentro de si fala com  um tom inocente. - No fim todos querem desbravar o caminho além do monte de vênus...Você também quer Dimitri? - É muito mais uma afirmação que uma pergunta. Chloe flerta com o momento e ao ver a imagem de Dione sendo  servida complementa. -Fico lisonjeada por me chamar de incêndio, você é bom com as palavras, mas ela está certa eu vejo mais do que desejo ver e me pergunto quem é você de verdade? Um cavaleiro perdido na corte do sol ou um sonhador esperando  que a rainha o ame unicamente? - Os olhos dela ficam luminosos.-  Pra mim, seja qual for a sua resposta, tudo que posso dizer é que viver a alegria e o prazer de ser amado torna até mesmo a migalha de afeto do nosso objeto de desejo o maior dos tesouros…- Ela olha Dione por um longo momento. O encantamento permanece como se aquele sonho fosse um presente para uma alma cansada demais de se prender ao racional.


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