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    Noa
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    Mensagem por Noa Dom Maio 30, 2021 9:35 pm

    É incontestável dizer que jamais poderia esquecer como sua vida mudou após seu primeiro encontro com Roxana no Beco do Sapo em Rochdale, sendo inclusive esta lembrança que o mantivera entretido no decorrer da semana; Foi numa madrugada de um veraneio lucrativo, Eustace havia viajado uma noite inteira para tratar de negócios o mais longe possível de sua cidade natal, quando aquela intrigante aparição tenebrosa de cachinhos dourados surgiu em seu caminho. Seus bolsos estavam recheados de grandes riquezas depois da venda de alguns artigos luxuosos que obtivera como fruto do assalto a Abadia de Westminster. Entretanto, como os guardas londrinos já haviam iniciado uma investigação e a índole de seu comprador era assim como a sua, igualmente duvidosa, o rapaz viu ali uma brecha que poderia salvar sua pele. No momento em que alguns aldeões partiam para cima da maga com a intenção de agredi-la por representar para eles a personificação do mal, o gatuno a protegeu se colocando na frente dos murros e pontapés até mesmo roubando um cavalo no meio da confusão para poderem fugir da multidão furiosa que se formava aos gritos ''--- BRUXA! MALDITA!! ABERRAÇÃO!!!'' entre outros mal dizeres. A cavalaria logo estaria em seu encalço então precisaram apressar o trote em seu caminho para fora da cidade, porém um dos sentinelas que patrulhava a saída percebeu que algo estava errado pela velocidade do cavalo em fuga, então hasteou sua lança para tentar impedi-los, mas para azar de Eustace, a ponta da lança acabou acertando e rasgando a alça de sua bolsa fazendo com que todo seu ouro e o resto dos artigos eclesiásticos fossem ao chão. Teria de fato sido uma excelente história se não fosse pelo final, mas remoer o passado apenas martirizava sua consciência, trazendo a certeza de que todo aquele derramamento de sangue inocente havia sido em vão. Desde este dia, mesmo no auge de seu ceticismo, a sensação cruciante que a mera presença de Roxana lhe causava era como uma penitência que teria de sofrer pelo resto de sua vida, tentando encontrar alívio na dor de sua companhia, como se de alguma forma isso fosse amenizar seus pecados. No entanto, Roxana não era nenhuma santa e também tinha crimes profanos em seu histórico, isto porque a exumação de um corpo era considerado um ato hediondo para igreja, tendo inclusive o consentimento da nobreza para aplicar pena de morte por alta heresia. Por outro lado os novos perigos que vieram a seguir com o macabro ramo de saque em mausoléus e furto de cadáveres por incrível que pareça o mantivera longe de seus pensamentos nebulosos, sentindo o pulsar ardente em seu peito que constantemente o fazia se sentir vivo.

    Todavia a condição atual de sua vida não lhe agradava muito. Os primeiros dias no concílio estavam sendo pacatos e seus membros em sua maioria eram excêntricos demais para socializar, o que causava um desconforto tediante no jovem gaiato da cidade grande. Foi então que ao decidir perambular sem rumo durante a última noite de outono ele avistou Aysha preparando uma das pequenas embarcações para deixar o local. Esta era sua chance de conseguir uma dose de aventura no vilarejo próximo pois sabia que aquela mulher de vestes escarlates ia e vinha com frequência de lá. Sem perder tempo, insistiu para que pudesse acompanha-la e foi com seu charme e jeito malandro de ser que conquistou seu lugar na canoa, prometendo apenas que estaria no local combinado ao nascer do sol ou partiria sem ele. E assim seguiram se situando com a penumbra emitida pela lamparina fixada em um suporte da proa, sentindo os ventos serenos em seus cabelos volumosos. Durante todo o trajeto a conciliana requisitou silêncio absoluto mediante aos perígos locais, remando silenciosamente com extrema cautela atravessando o nevoeiro. Quando chegaram nas margens de Glastonbury, Salazzar sempre prudente não hesitou em ocultar a canoa debaixo de uma espécie de píer improvisado para evitar chamar a atenção de saqueadores. Mas quando Eustace cogitou enfim quebrar o silêncio, ela o direcionou seu olhar intenso e penetrante parecendo querer castiga-lo pelo seu atrevimento de ter insistido em vir junto, para então lhe avisar com palavras ásperas antes de desaparecer por completo como num passe de mágica tocando na esmeralda que ornamentava sua tiara, que brilhava em um segundo nublando seu corpo e suas vestes que se esvaneciam até ficarem completamente invisíveis.

    -- Tenho assuntos a tratar, não se esqueça do nosso combinado ou será deixado para trás!
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    Mensagem por Sayd Ter Jun 01, 2021 4:04 pm

    Eustace caminha entediado pela escuridão da noite conciliana e mal acredita na própria sorte quando vê Aysha preparando uma embarcação para ir a Glastonbury. A maga é estranha e desagradável, mas não tanto quanto Roxana, de maneira que não é um grande obstáculo para ele convencê-la a permitir que o acompanhe.

    Aysha exige silêncio durante todo o trajeto e Eustace acaba preferindo assim mesmo. O lago pantanoso entre Avalon e Glastonbury é particularmente sinistro, mesmo para um ladrão de cadáveres experiente, então ele se mantém atento aos arredores durante toda a viagem e tenta aprender o caminho que Salazzar utiliza, mas desiste na metade do percurso. Ele ajuda a maga a ocultar o barco sob o píer e escuta novamente seu aviso sobre o horário de partida. “Ela provavelmente está falando sério”, pensa ele, decidido a cumprir com o combinado.

    Sem dizer mais nada Eustace parte caminhando em direção à cidade, em busca da taverna ou estalagem mais movimentada que houver, se houver alguma coisa funcionando. Se não houver taverna aberta ele procurará um prostíbulo.

    Ele aproveita para observar bastante as condições do vilarejo, onde estão as construções mais abastadas e as principais igrejas.

    “Roxana comentou que precisamos da simpatia de Glastonbury e que seria uma boa ideia espalhar rumores sobre uma “velha e corcunda curandeira” disposta a ajudar os doentes e feridos do lugar em troca do pouco que puderem oferecer. Ela também resmungou algo sobre tentar recrutar alguns novos moradores para Avalon, gente que não se sente confortável na cidade e precise de proteção… bom, talvez seja possível fazer as duas coisas para ela ao mesmo tempo em que como um belo prato quente de alguma comida decente, acompanhado de uma caneca com boa cerveja.”
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    Mensagem por Noa Dom Jun 06, 2021 11:12 am

    A noite em Glastonbury parecia um tanto quanto peculiar, algo que chamava a atenção do experiente gatuno urbano; Aldeões comuns empunhavam forquilhas se emparelhando entre alguns guardas armados com suas lanças. Mulheres agrupavam crianças que choramingavam com suas feições sonolentas e por fim monges andavam em grupos reascendendo arandelas espalhadas pelo vilarejo. E assim, com essa sensação de que algo suspeito estava no ar, seguia mais atendo ao transitar seu olhar entre as construções, tentando identificar aquelas mais abastadas enquanto buscava pela taberna. Em seu percurso pode denotar duas grandes e curiosas instalações de pompa, sendo uma delas um casarão na ala norte, onde possivelmente seria a morada do chefe da vila, e por sua vez uma belíssima edificação nobre de 3 andares com um estandarte vistoso ostentando um símbolo de riqueza e poder. Após suas observações, enfim chegara na taberna "Penacho Lazuli" localizada um pouco mais afastada do centro do vilarejo. Ainda do lado de fora, através de um outrora belíssimo quadro, agora completamente rasurado, esburacado e maltrapilho do qual usavam como porta, era possível ver homens que bebiam, gritavam, bradavam e riam, enquanto mulheres serviam, se ofereciam ou limpavam a bagunça provocada por aquele ambiente de vícios, fazendo Eustace perceber que ali parecia ser a junção dos dois lugares que procurava.
    Foi então que uma fina garoa começou a partir do céu em meio aquela noite nublada, trazendo a fragrância da terra para seu olfato, apenas para incentiva-lo a finalmente adentrar o local. Assim, o jovem de longos cabelos ondulados caminhava em seu deslizar macio, como um gato a explorar um território desconhecido, mas sem a desconfiança dos felinos, como se em seu atrevimento não temesse predador algum. Sua presença atraía os olhares vulgares das meretrizes e o resmungar de alguns homens que se intimidavam com o charme natural do londrino. Eustace sentou-se em um banco no balcão, visto que todas as mesas estavam ocupadas, e assim que era avistado pelo taberneiro, o mesmo prontamente se movia, ignorando boa parte de sua clientela para vir ao encontro do forasteiro. Ao seu era impossível deixar de notar uma constância caótica e festiva, envolvida de gritos célebres incentivando competições de bebedeiras, indivíduos passando mal e pivetes furtando desavisados entre diversas conversas paralelas de homens e mulheres em tons eufóricos e estridentes, todos interagindo sob o efeito categórico da luxuria noturna, entregando-se de corpo e alma aos vícios daquele ambiente febril e sedutor. Assim que o taberneiro chegava até Eustace, na ponta do balcão se iniciava uma briga entre bêbados que era ignorada por todos exceto pelo próprio taberneiro que corria para apartar parecendo zelar pelos bens materiais de seu estabelecimento.

    Enquanto isso, de repente uma figura anátema a boemia trajando vestes eclesiásticas se sentava ao seu lado, o fazendo gelar o peito por um instante ao relembrar do fardo de sua sina. Contudo este não tardou em se fazer ouvido lhe dirigindo suas lamúrias com sua voz branda. -- Homens e mulheres de todas as terras, todos os reinos... Afinal, é assim em todo o lugar, encontram-se reféns de um mal capaz de afligir a mais pura das almas... Todos podem se ver perdidos, vencidos, consumidos pela luxuria, pelo desejo, pelo prazer... Porém, o que para tantos é o saciar da fome, para outros é o olhar astuto, o sorriso portador do veneno da lascívia, o abrir das pernas em troca de uma alma que se condena aos olhos do Pai. Alguns tostões podem pagar por alguns pecados, mas nem todo ouro deste mundo poderá salvar a alma dos ímpios que fraquejam diante das tentações do devorador... O monge apertava seu crucifixo em uma convicção notária em sua fé, abrindo um sorriso amarelo para terminar dizendo. -- Sou conhecido como irmão Milo, diácono da Abadia de Glastonbury, a paz do senhor.
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    Mensagem por Sayd Ter Jun 08, 2021 12:29 pm

    Eustace percebe alguma movimentação estranha em Glastonbury. Os aldeões parecem estar se preparando para alguma investida ou defesa e o clima parece tenso. Seja como for, é melhor para ele se manter longe de problemas, de modo que ele segue com seu plano original e se afasta dos camponeses armados.

    Após andar um pouco pelas ruas anotando mentalmente alguns locais de interesse ele vai dar casualmente no Penacho Lazuli, um estabelecimento bastante movimentado, exatamente como Eustace esperava.

    O vigarista tenta escutar um pouco das conversas ao redor enquanto espera que o taverneiro aparte uma briga para lhe atender, mas logo é interpelado por uma figura estranha e clerical que se senta ao seu lado e começa a dizer esquisitices.

    - Você fala sabiamente, - diz Eustace com falsidade quando o homem se apresenta – eu sou Eustace e é um prazer conhecê-lo. Mas diga-me, reverendíssimo, o que o fez trazer esse sermão para este lugar tão ímpio? Aliás, percebo uma movimentação tensa entre os aldeões… o senhor saberia do que se trata?

    Eustace espera fazer com que o homem o ache genuinamente interessado em sua conversa ao mesmo tempo em que tenta conseguir com ele algumas informações úteis. Ele sinaliza ao taberneiro, caso a briga já esteja terminada, para que o sirva de uma caneca de cerveja.

    - Traga uma para nosso diácono também – acrescenta ele, tocando gentilmente no ombro de Milo, preocupado em conquistar a simpatia do sacerdote.
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    Mensagem por Noa Sex Jun 11, 2021 6:35 pm

    A briga era apartada facilmente, quando uma das partes desmaiava ao ser empurrado para trás enquanto era acudido por seus amigos que o arrastavam para fora do recinto. O taberneiro lhes servia a cerveja em canecas amassadas de latão e o diácono se surpreendia ao ver o jovem lhe oferece aquela bebida fermentada naquele ato de fraternidade; Isto porquê esta bebida nutritiva era comumente consumida por todos, sendo uma importantíssima fonte de alimento para adultos, velhos e até mesmo crianças, uma vez que era mais seguro o seu consumo do que a ingestão da própria água, que na maior parte das vezes estava sujeita a contaminação em lagos, rios e poços. Sendo assim, a cerveja pouco era requisitada em tabernas, nas quais tinham como carro chefe o whisky, gin e o vinho em excesso garantindo a embriaguez da freguesia de preferência boêmia. Dessa forma esboçava um sorriso em sua face castigada pelo tempo e agradecia com um gesto monástico simplório levando a caneca até a boca para se deliciar. Após degustar o momento em dois vagarosos goles, limpava a espuma de sua boca nas manga de suas vestes para então dizer de forma amistosa como se ignorasse seus questionamentos iniciais.

    -- Nossa abadia fornece barris abençoados com essa maravilha para todo vilarejo! Já visitei outros monastérios por todo condado Somerset e eu lhe garanto que estamos bem na média Eustace, é um prazer conhece-lo, deveria comparecer as missas e os corais de domingo, seja bem vindo a Glastonbury!

    No entanto era inevitável responde-lo perante ao seu estranhamento com a movimentação local, o fazendo retormar o assunto lhe respondendo de forma mais séria, como num sermão clerical.

    -- O que me trás aqui, você pergunta... Bom, eu moro aqui, mas compreendo o que quer dizer... São tempos sombrios meu jovem. Houve um tempo em que as pessoas se acostumaram com a magia, criaturas anormais vagando entre nós. Este dia se finda hoje rapaz, e é por dias melhores que venho até aqui brindar com meus iguais, nós mudanos como eles nos chamam, somos os verdadeiros servos do Deus vivo. Não se espante com o sofrimento de nossos algozes, lobos em pele de cordeiro cairão um por um e nós prevaleceremos!

    A convicção no seu olhar parecia o rejuvenescer por alguns instantes, tendo a chama de esperança fumegando em seu interior. De um de seus bolsos ele retirava um folhetim e estendia sobre o balcão umedecido de álcool. Embora estivesse em latim era possível identificar se tratar de uma carta muito formal com letras desenhadas, assim como o símbulo da cruz remetendo a igreja católica, uma espada o fazendo pensar nos cavaleiros templários e por fim uma oliveira desenhada ao lado.

    -- Isto representa um chamado divino, uma responsabilidade estrondosa que irá mudar o mundo para sempre! Um novo papa ascendeu no Vaticano e convocou uma cruzada, não se engane, não estou me referindo a uma cruzada como qualquer outra. Desta vez nosso destino nos leva a algo grandioso, eles chamam de A Santa Inquisição, assim, em um chamado superior para combater a heresia, blasfêmia e bruxaria foi decretado o banimento da Ordem de Hermes do nosso mundo.

    Neste momento o monge se exaltava levantando-se e se referindo a todos os presentes em alta voz, antes de partir as presas.

    -- Este é o chamado para dar início a nossa tão esperada Guerra Santa! Em breve toda abominação e putrefação que a bruxaria inflingiu a terra do Pai será exterminada para todo sempre! Venham comigo até a praça central, estaremos em comunhão com nossos fiéis de corpo e alma.

    Um som retumbante começava a ser escutado a distância, como um rugido uníssono de uma multidão. Do lado de fora as pessoas corriam, esbarrando umas nas outras e gritando sobre a fúria divina ou a vingança de Deus. Nada daquilo fazia sentido, mas cada indivíduo que passava expressava a mesma expressão de temor.
    A cada espiada para fora Eustace via mais e mais pessoas correndo desordenadamente, avançando para a mesma direção, mas aquele som... aquele ritmado começava a se tornar um grande coro de lamentações que mais parecia o bradar de um grito de guerra. Por fim gritos de um indivíduo ao longe competia com o cântico da multidão, e um cheiro de fumaça sutilmente adentrava o local. Já algumas as pessoas ali dentro estavam confusas porém nenhum pouco curiosas para irem lá fora, ainda que especulassem entre si inclusive citando o arrebatamento, enquanto outras rapidamente seguiam o monge evacuando desajeitadamente o lugar, derrubando mesas e cadeiras, porém o tumulto provocado por eles era diminuto diante de toda a confusão que acontecia ali fora. As crianças, os guardas, as prostitutas, os vigaristas, os mercadores, as camponesas... Toda aquela gente em seus mais variados status sociais agora corriam juntos para assistir o que mais parecia se tratar de uma terrível punição... a compreensão absoluta do que acontecia ainda não era possível para o jovem galenteador, ele precisava chegar mais perto e transpor todos os obstáculos da horda insana de pessoas que rumavam para o local. Porém para Eustace, a sensação de perigo tornava-se cada vez mais evidente.
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