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    Prelúdio de Um Pesadelo

    Count Zero
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    Mensagem por Count Zero Qui Jun 09, 2022 2:08 pm


    Prelúdio de Um Pesadelo  Rpd-ava-1

    Raccoon City, 26 de Setembro de 1998…

    Sentada na borda do terraço do pequeno edifício da Raccoon Press, Anne encarava em silêncio o pandemônio abaixo. Ela tremia, abraçando os joelhos, enquanto lágrimas escorriam de olhos vermelhos e inchados. Raccoon era uma cidade bonita, pacífica e, ao mesmo tempo, bem desenvolvida; mas agora tinha se transformado no inferno. A cidade fedia a podridão e doença. Cheiro de carne queimada, decomposta e pustulenta impregnava o ar em todas as direções. A maioria das ruas estavam bloqueadas por carros destruídos, construções que colapsaram ou incêndios que pareciam sobrenaturais – chamas do próprio inferno que nunca enfraqueciam. Gritos, gemidos, uivos, tiros, sirenes e outros ruídos estranhos e inumanos mesclavam-se em um caos sonoro, mas nada se comparava ao espetáculo bizarro de antropofagia. “Foi estabelecido que pessoas que morreram recentemente estão retornando à vida, e cometendo atos de assassinato”. Ela lembra de ter rido quando ouviu o homem do noticiário dizer isso na televisão a poucos dias atrás, indignada com os absurdos que os jornalistas estavam dispostos a dizer em troca de audiência. Agora tudo o que ela queria era poder voltar atrás e deixar a cidade a tempo.

    O cansaço era esmagador, tanto físico quanto emocional – sem contar a fome. Depois de quase quatro horas, estava claro que aquele sinal enorme de “Socorro” feito com tinta branca não iria adiantar nada. Os helicópteros transportavam soldados, policiais e alguns pareciam jogar enormes capsulas pelas ruas – suprimentos, talvez? – mas nenhum deles parecia preocupado em evacuar os civis; ao menos não naquele setor da cidade. Não havia outra maneira. Se ela quisesse escapar daquele pesadelo, ela teria que correr dos monstros, furar algum bloqueio e ir para muito, muito longe.

    Ela ergueu-se vagarosamente, removendo os sapatos de salto – com um deles já quebrado – assim como o avental de garçonete que ainda estava usando. Entre os mortos que caminhavam e devoravam os desafortunados, ela pôde ver, não muito longe do edifício, o corpo de um policial caído com uma escopeta sobre o ombro.

    – Foda-se – falou. – Não vou morrer aqui. Me recuso a morrer aqui.

    Ela sabia que seria perigoso desobstruir a porta que dava para a escadaria, mas ela não podia mais esperar por ajuda – provavelmente morreria de fome antes que alguém a encontrasse. Tinha sido difícil passar por aqueles monstros malditos e chegar até lá intacta, mas ela precisava arriscar.

    – A arma não está longe… e não é possível que não haja mais nenhum veículo que ainda funcione.

    Anne começou a remover todas as vigas que bloqueavam a porta, pegando para si a menor e mais leve – uma arma improvisada contra os zumbis até que pudesse colocar as mãos na escopeta. Sua sorte pareceu melhorar. Os mortos que a perseguiam foram atraídos por algo ou alguém, já que não se encontravam mais lá. Ela desceu a escadaria devagar para não fazer barulho, sentindo o frio do metal nos pés descalços, a tensão aumentando e os batimentos cardíacos tornando-se novamente irregulares. Foi quando notou que os zumbis ainda estavam lá embaixo, mas estavam caídos, imóveis… A cabeça de cada um deles estava aberta. Um falatório abafado vinha da sala ao lado, mas ela não conseguia entender o que estava sendo dito. Mesmo com sobreviventes ali, algo em Anne disse a ela para tomar cuidado, para não correr desesperada em direção a eles. Descendo furtivamente, ela escorou-se na parede, espiando pelo canto do olho. Eram soldados com roupas negras e máscara de gás – soldados que ostentavam a insígnia da Umbrella em seus uniformes.

    – Estamos a quinhentos metros do objetivo – falava uma mulher para os outros dois, enquanto apontava para uma pedaço de papel que parecia ser um mapa. – Devemos nos certificar de exterminar todas as testemunhas, e então plantar os explosivos nestes pontos…

    A frase “Exterminar todas as testemunhas” fez o coração de Anne acelerar ainda mais. Ela foi sábia em não se revelar. Ela queria fugir de lá o quanto antes, mas eles estavam entre ela e a saída.

    – Tudo bem, mas e quanto aquele maldito? Conseguimos despistá-lo? – perguntou outro dos soldados.

    – Acredito que sim. Aqueles mercenários apareceram na hora certa. Foi a distração que precisávamos.

    – Espero que tenha sido o suficiente. Estou com pouca munição e ainda falta muito para alcançarmos o próximo ponto de reabastecimento.

    Anne recuou. Não havia como passar por ali sem ser vista. Ela deveria procurar uma saída nos fundos ou uma janela que fosse baixa o bastante para ela saltar. Ela não podia de forma alguma alertar aquelas pessoas da sua presença, mas isso falhou totalmente quando um dos vagantes, ainda levemente ativo, agarrou o tornozelo dela, gemendo debilmente. Ela gritou de forma alta e estridente, golpeando várias e várias vezes a cabeça dele, com toda a força que podia, até que se tornou uma pasta irreconhecível. O monstro morto-vivo não teve tempo de fazer nada contra ela, mas ela não estava mais oculta ali.

    – Ela nos ouviu. Acabem com ela! – a mulher do grupo disse.

    Anne virou-se e viu armas apontadas para ela. Ela congelou, prendeu a respiração e sentiu as pernas perderem a força, e naquele instante entre a vida e a morte a porta da frente explodiu junto com o portal e parte da parede. Um homem careca, com um grande sobretudo verde escuro avançou pela sala a passos pesados. Pelo o que Anne pôde ver, ele tinha três metros – ou quase isso. Seus passos faziam o chão tremer e seus olhos eram sinistros.

    “Não é humano…”

    Os soldados gritaram em pânico, concentrando o fogo na criatura que não parecia se abalar com nada e continuava avançando. O corpo de Anne começou a formigar, a vista a escurecer e sua audição a ficar abafada; os sons dos tiros e gritos pareciam agora muito distantes, e a última coisa que ela viu claramente antes de perder a consciência e ir ao chão foi a criatura arremessando a mulher contra a parede com uma investida.
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    Mensagem por Count Zero Dom Jun 19, 2022 5:30 pm


    Myah Vance



    A cabeça doía muito. O corpo formigava. Fraqueza… Demorou um pouco até sentir força nos braços e nas pernas e conseguir se levantar do chão. A visão aos poucos voltava ao normal. Um borrão foi dando lugar a uma visão bem definida de um cômodo. Seu quarto no campus. A cama arrumada, a pequena estante de livros próxima da porta e uma escrivaninha cheia de cadernos, com o computador ao lado, ligado e “travado” com a proteção de tela, esperando uma senha para ser desbloqueado. A cabeça deu uma pontada tão forte que ela teve de se segurar na mesa.

    “Que diabos?”

    Ela não conseguia lembrar. Não com clareza, pelo menos. Lembrava-se dos zumbis, do ataque, dos militares e do caos que surgiu na cidade. Ela também lembrava que tinha decidido se abrigar na universidade e tentar contatar ajuda, ou pelo menos ficar “na moita” até as coisas melhorarem, mas por que tinha desmaiado? Por que a cabeça doía tanto? Será que alguém a acertou? Será que…

    Um grito agudo e feminino, carregado de desespero a tirou de sua divagação. Ela deu um pulo, colocou-se em prontidão, e isso fez a cabeça doer ainda mais. Conseguia ouvir sons distantes, uma mistura desagradável de gritos, sirenes e tiros. A reverberação da mais pura anarquia. Contudo, apesar do grito, notou que todos os demais barulhos estavam muito distantes. O campus estava silencioso – desagradavelmente silencioso. Ela olhou para a porta vermelha do quarto. Estaria destrancada? Ela não lembrava. Myah começou a ficar aflita. O acidente teria chegado até a universidade?
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    Prelúdio de Um Pesadelo  Empty Re: Prelúdio de Um Pesadelo

    Mensagem por Pikapool Qui Jun 23, 2022 8:59 pm



       
       


           

           
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    • Mote: A única coisa necessária para que o mal triunfe é que os homens de bem não façam nada!

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    Conforme fui recobrando a consciência, só conseguia sentir minha cabeça  que parecia que ia explodir. Mesmo apta, mantive-me deitada onde estava até que tudo estivesse nítido aos meus olhos. Foi quando vi que ainda estava em meu quarto.

    - Pelos céus, o que está havendo aqui? - Murmurei levando a mão a cabeça.

    Olho a minha volta procurando sinal de vida. Não sabia ao certo o que havia acontecido, só sabia que se alguém havia me golpeado não era um zumbi. Caso contrario, não estaria acordando de novo. Levantei cambaleante tentando fazer o mínimo possível de barulho. Precisava encontrar algo para me proteger caso um maluco estivesse por perto. Mas, antes que pudesse localizar algo para improvisar de arma um grito chamou minha atenção.

    Aquela maldita dor de cabeça parecia uma daquelas ressacas das bravas. Sem tempo a perder eu precisava me esconder até que as autoridades viessem resgatar os sobreviventes. Pé por pé, segui até a porta do quarto para checar se ela estava trancada. Não podia correr o risco de uma visita indesejada.

    Após checar a porta, iria fazer um inventario dos meus suprimentos. Esperava ter o bastante para alguns dias até que o resgate viesse. Tremia só de pensar em ter que sair atrás de comida. Certamente eu seria um guelengue em meio aos leões.


           

       
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    Prelúdio de Um Pesadelo  Empty Re: Prelúdio de Um Pesadelo

    Mensagem por Count Zero Sex Jun 24, 2022 7:47 pm

    Myah Vance

    Assim que Myah girou a maçaneta de latão, a porta cor de vinho abriu sem fazer nenhum ruído até a metade; até encontrar alguma resistência. Algo estava caído do outro lado. O corredor estava um completo breu. Estava escuro demais para ver o que estava emperrando a porta, mas Myah sentiu um cheiro horrível – algo que lembrava pústula de garganta infeccionada. Seria um corpo? Não parecia nada muito pesado a ponto de ela não conseguir empurrar, mas por um momento ela recuou – tanto por nojo quanto por medo. Ela sabia que simplesmente não poderia sair correndo pelo campus sem tomar nenhuma precaução e, independente da situação lá fora, ela também não poderia simplesmente ficar trancada no quarto esperando um milagre.

    "Checar suprimentos..."

    Ela foi até sua mochila, que estava pendurada na cadeira de sua escrivaninha. Encontrou um sanduíche embalado em plástico, uma garrafa de água pela metade e alguns doces, o que estava longe de ser o suficiente em caso de ela precisar se esconder por dias. Dentro da mochila também estava o seu Nokia 6150.

    Prelúdio de Um Pesadelo  800px-Nokia6150

    Assim que pegou o aparelho em mãos, ele começou a tocar – um toque fofinho, mas nada discreto, ainda mais para aquela hora e naquele lugar. A pequena tela mostrava a palavra “Desconhecido” ao invés de mostrar um nome salvo na agenda ou um número fora dela. Ao mesmo tempo que o celular tocava, um barulho alto e próximo – claramente de uma vidraça se espatifando – pôde ser ouvido. Enquanto suas mãos tremiam com o dispositivo barulhento, ela encarava a porta semiaberta.


    Off: Fica a seu critério atender ou não a ligação.
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    Prelúdio de Um Pesadelo  Empty Re: Prelúdio de Um Pesadelo

    Mensagem por Pikapool Seg Jun 27, 2022 12:13 am



       
       


           

           
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    • Mote: Nosso instinto de sobrevivência é a nossa maior inspiração!

    • Itens Carregados: Mochila, um sanduíche embalado em plástico, uma garrafa de água pela metade, alguns doces e Nokia 6150

    • Vestimentas: Blusa branca de moletom, calça branca de moletom e meias.


       

           

               

    Assim que a porta bateu em algo e aquele cheiro nauseante atingiu minhas narinas, na mesma hora recuei fazendo uma careta de nojo. Levei as mãos ao rosto demorando alguns instantes para me recuperar.



    Em meio a todo aquele silencio perturbador, fui descuidada e acabei por deixar a porta aberta enquanto verificava meus pertences. E como não a nada tão ruim que não possa piorar...



    O toque do celular certamente tinha chamado a atenção de alguém ou alguma coisa. O atendi para fazer com que o toque parasse e logo em seguida corri para trancar a porta. Talvez já fosse tarde, mas pelo menos isso me daria algum tempo para fugir pela janela, algo deveras perigoso, ou trancar-me no banheiro para rezar por um milagre.



    Assim que a porta estivesse fechada.



    - Aqui é a Myah! Quem está falando? - Sussurro para descobrir quem estaria do outro lado da linha.


           

       
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    Prelúdio de Um Pesadelo  Empty Re: Prelúdio de Um Pesadelo

    Mensagem por Count Zero Seg Jun 27, 2022 9:35 pm


    Myah Vance


    – Saudações, senhorita Vance – a voz era masculina, grave, calma e muito limpa. Quase como a voz de um locutor de rádio. – Infelizmente a senhorita não verificou seu e-mail. Estava contando com isso… Bem, isso não importa agora. Estamos ficando sem tempo. Essa linha não é segura, então serei breve e peço que preste muita, muita atenção.

    Nesse momento alguém – nitidamente uma mulher – grita “Socorro!” tão forte que ecoa por todos os corredores; mas seu grito não foi mais alto do que o som de disparo que veio em seguida – arma pesada; provavelmente uma escopeta – antes de tudo voltar a mergulhar em um silêncio sepulcral.

    – Raccoon City está condenada. Os militares não darão conta de salvar a cidade. Na verdade, recebi informações muito confiáveis de que a Umbrella pretende obliterar toda a cidade. Entende o que eu digo, certo? Eles pretendem encobrir toda a merda riscando a cidade do mapa.

    Nesse momento o coração de Myah começa a acelerar. Suas pernas tremem. Alguma coisa diz a ela que o homem do outro lado da linha não estava brincando.

    – Eu posso providenciar resgate, mas preciso que faça algo por mim. Há uma instalação secreta na cidade onde muitos experimentos em estado “alfa” estão sendo mantidos. Preciso que invada esse lugar e faça backup de todos os dados de pesquisa antes que seja destruído. Não se preocupe. Não é tão difícil quanto parece. A primeira etapa é ir até o seu local de trabalho e recuperar as credenciais de sua colega, a senhorita Williams. Ela faz parte do time de pesquisa.

    “Megan… Megan está envolvida nisso de alguma forma”.

    – E falando nela… – rajadas… agora mais próximas – parece que ela decidiu usar você como distração ou mesmo isca. Não sei o que ela anda aprontando, tampouco o que ela andou espalhando para o alto escalão, mas um time da USS foi despachado para capturar você; devem estar perto agora, ou talvez já até tenham chegado no campus.

    “Os tiros…”

    Pavor. Tensão. O que o time de segurança poderia querer com ela? O que a maldita da Megan fez agora?

    – Ouça, senhorita Vance: você não deve, em hipótese alguma, se aliar a USS, tampouco aos mercenários. Se a USS está indo buscá-la, pode ter certeza que não estão fazendo isso porque estão preocupados com sua segurança, e os mercenários não são o que dizem ser; eles não são confiáveis.

    Um barulho alto, algo afiado raspando em vidro, fez Myah virar-se subitamente para a janela do quarto, e por pouco ela não gritou. Não conseguia ver nada do lado de fora – mas isso não queria dizer que não havia nada ali.

    – Eu prefiro ligar o menos possível. Celulares são barulhentos, e você não vai querer chamar a atenção de alguém, seja vivo ou morto. Eu estou monitorando minha caixa de entrada. Estou usando um e-mail criptografado. Assim que chegar no seu local de trabalho use um terminal para me contatar.

    Passos rápidos do lado de fora. Alguém acaba de passar correndo pelo corredor.

    – Se não tiver noticiais suas em três horas, eu voltarei a ligar. Vá agora e cuidado com todos. Lembre-se: não há muito tempo, e eu sou a sua melhor chance de viver.

    E por fim ele – quem quer que seja – desliga. Muita coisa para processar, e muito pouco tempo. Uma coisa é certa: de alguma forma Megan fodeu com ela.
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