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Os Protagonistas

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Elminster Aumar
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Os Protagonistas

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Maio 08, 2017 1:49 am




Tópico contendo as informações dos personagens principais da aventura. Aqui teremos a ficha, a história e todos os feitos dos personagens durante a campanha.



Elminster Aumar
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Re: Os Protagonistas

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Maio 08, 2017 2:41 am




Raven


Nível: Herói
XP: 14




Raça: Humano
Arquétipo: Habilidoso
Carreiras: Assassino / Caçador de Recompensas


Atributos:

5
FIS
7
VEL
4
FOR

5
AGI
5
DES
4
MAE

3
INT
*
ARC
4
PER



Estatísticas:
DEF 15
ARM 10
INIC 15
CMD 3
VONT 8



Corpo-a-Corpo:
Lâmina do Assassino

5 ACO
8
P+F



Ataque a Distância:
Pistola

16m ALC
6
ADI
10 POD



Armadura:
Sobretudo Blindado

0
VEL
-1 DEF
5 ARM



Perícias:
Nome da PeríciaAtributoNívelTotal
Arma de Mão426
Arma de Arremesso415
Combate Desarmado415
Pistola516
Esgueirar-se516
Manha415
Detectar415
IntimidarSocial22*
Rastrear426
Usar Cordas516
InterrogatórioSocial11*
Disfarce314
NegociaçãoSocial11*


Benefícios & Habilidades:
Atenção Sobrenatural (Arquétipo)
Ágil (Arquétipo)
Espreitar
Precisão Anatômica
Punhalada pelas Costas
Imobilizar
Retentor

Equipamento:
Sobretudo blindado
Lâmina do assassino
Cavalo de montaria
Munição leve, revestimento de metal, 10 tiros

Dinheiro:
9 CO

Conexões:
Submundo

Idiomas:
Cygnarano
Scharde


BACKGROUND:


Um Dia na Vida de Raven


Tempo.

Tudo gira em torno do Tempo. Quanto tempo até seu grande amor chegar? Quanto tempo até o navio partir? Quanto tempo você ainda tem nesse lugar? Quanto tempo até a noite virar dia e suas  esperanças se renovarem?

Tempo.

Já faz algum tempo que estamos sentados aqui, enquanto você sorrir, bebe e festeja, enquanto os Corvos lá foram esperam pelo próximo banquete e enquanto eu, pacientemente aguardo. Paciência é um dom que possuo desde muito tempo atrás, das longas esperas, das noites e noites de caçada, de muitas e muitas outras vidas. Mas essas histórias não pertencem ao Tempo de hoje, pois esse Tempo é apenas meu e teu. Consigo me lembrar claramente da primeira vez que nos vimos no início desse dia, esbarrando em corredores cheios de vendedores e pessoas; você mal me notou, enquanto apressado movia-se para mais um dia. Era o Tempo, correndo e correndo, como areia no vento, como um amante insaciável e voraz.

Eu, diferente de você, já tinha levantado durante a madrugada, seu nome me veio dias atrás, muito antes do sol raiar, através de mãos das quais não me preocupo em lembrar; sua cabeça tinha um preço e eu o aceitei, não me veja de um modo negativo. Eu lhe trago a Grande Mensagem, o desfecho final, uma libertação quase sagrada. Chegar até a cidade não tinha sido difícil; meu animal estava descansado, e algumas poucas horas até aqui não o sacrificaram. Eu gosto, sabe? Da estrada, de ir de cidade em cidade, ver as pessoas, as criaturas… Há um vazio que não consigo preencher, ficando apenas em um lugar, assim como gosto de algumas coisas a moda antiga, há muita tecnologia nesse mundo, as pessoas estão se perdendo umas das outras, perdendo os leves prazeres que a simplicidade traz.

O ambiente aqui é agradável, as ruas cheias de gente nessa manhã não muito iluminada, logo você descobrirá que facilmente me misturo, faço parte do cenário, e gosto particularmente de feiras, onde as pessoas vendem de tudo um pouco por um preço razoável. Você parou de novo, para observar uns tecidos, tive de parar também e comprei uma fruta de uma mocinha que me sorriu cheia de segundas intenções. Sorri de volta, gosto de cortesia. A educação é um preço simples a se pagar para manter um dia agradável, por um instante deixo meus olhos passearem em uma exposição de relógios, observando-os em seus tics e tacs, os ponteiros movendo-se lentos para alguns, rápido demais para outros. É quase uma sinfonia, busco o céu acima, suas nuvens carregadas e escuras escondendo um possível sol em algum lugar. É o terceiro dia que estamos por aqui e você sequer me nota.

É fácil me misturar, fácil conseguir que não se lembrem de mim: não sou alguém notável o suficiente para que se deem ao trabalho. A maior curiosidade vem mesmo quando finalmente me dão atenção, quando não conseguem definir se devem me chamar de senhorita ou senhor. Às vezes é divertido observar essa confusão nos olhos das pessoas… E me perdendo nesses pensamentos, você finalmente decide que não quer comprar o tecido, observo como a vendedora lhe olha meio desapontada, é o Tempo, sabe? O Tempo de espera. Quando criamos expectativas. Eu poderia observá-lo por muitos dias, você é de alguns ângulos, fascinante…

Mas você volta a se mover, e nosso passeio no mercado retoma seu rumo, diferente de você, tenho pouco interesse nos produtos em exposição, meus olhos nesse instante são seus, minha atenção é totalmente sua, neste dia, todo o meu ser te pertence, porque o Tempo corre e ele não é nosso aliado. Continuamos, você para mais algumas vezes: numa barraca de carne e uma de bebidas e é nesse momento que me aproximo, fingindo um interesse vazio nas garrafas em exposição, você me olha, claro que me olha e eu retribuiu o olhar: consigo me ver no reflexo dos seus olhos e na confusão em seu semblante, não o culpo, é comum.

Minhas roupas não deixam você ter certeza, não é? Com quem está lidando, meu rosto é uma mistura fina de delicadeza feminina e jovialidade masculina: você não consegue definir quais dos dois, não sabe dizer quem eu sou e isso, por um instante, o espanta, depois o fascina. O problema na verdade dessa proximidade é que as feras se exaltam: todas aquelas bestas dentro da minha mente urram, se misturam ao entusiasmo inicial da caçada. Elas ladram, esbravejam e se sacodem freneticamente. Elas tem fome. Eu também.

Então você se vai. Eu fico, ali, observando-o se afastar, devolvo a garrafa ao rapaz que me atendia: ele também me sorri, como a outra moça, talvez mais tarde nós três possamos nos divertir, talvez… Mas você não, eu e você, nós temos um compromisso, em breve, pois o Tempo urge.

O resto do meu início de manhã é perdido no mercado, acho que já disse antes, gosto desses ambientes, das cores, das vozes e é onde geralmente consigo trabalho ou uma conexão ou contato. Onde às vezes, revejo velhos conhecidos ou velhos amantes. Não há nada de glamouroso nisso, mas meus dias não são, exatamente glamourosos. Tenho algumas horas antes de me preparar. Então deixo você partir em paz, pois ainda nos veremos hoje.

Retorno ao estábulo onde deixei Sangue de Gelo, meu cavalo, branco como a neve do lugar de onde viemos, forte como o mais rigoroso inverno que já enfrentamos. É um bom animal, um bom amigo e companheiro. Inteligente o suficiente para não ter morrido, até agora. Perco algumas horas em sua manutenção; checando suas ferraduras, sua alimentação e seu estado para aquele dia. Não ficaríamos muito mais naquela cidade. O Tempo corria.

Sangue de Gelo ficará no estábulo, para onde eu retornaria mais tarde, agora com os últimos raios de sol deixando o céu, eu terminara de arrumar-me: minhas roupas são simples, como de costume. Há uma dualidade nelas difícil de explicar; não há curvas femininas no meu corpo magro, tão pouco as características masculinas de um corpo juvenil. Esguio, é o melhor modo de descrever; meu corpo é esguio. Meu cabelo escuro está trançado às costas, mãos ocultas nas luvas, um lenço esconde meu pescoço – e cicatrizes – e me protege do vento gelado do início da noite.

Hora de trabalhar. Sei exatamente onde encontrar você.

Quando a porta daquele lugar fedorento se abre, ninguém se dá ao trabalho de olhar para mim. Viu? Eu te disse, as pessoas não se preocupam em me notar. Geralmente, nessa parca luz dessa espelunca, ninguém se importa com mais um presente: é claro, se parassem para me olhar, atiçariam suas próprias curiosidades, mas não valho o tempo gasto, há coisas mais interessantes para se ver, aqui. E aqui Tempo é dinheiro.

Foi necessário apenas uma rápida olhada em volta para te localizar, entre as duas raparigas com poucas roupas e os copos de alguma bebida alcoólica qualquer. Às vezes consigo me surpreender com essa luxuria exagerada de vocês. Consigo me sentar numa das mesas próximas, enquanto tento, educadamente, me desfazer dos convites das demais raparigas. Não há interesse em amantes, hoje, Hoje somos nós dois.

As horas se passam, o lugar vai esvaziado, você subiu para o andar de cima, acompanhado de uma das moças: não posso negar um leve toque de ciúmes, claro, mas posso aguardar, sou paciente. Aceitei uma bebida e uma moça sentou-se ao meu lado. Me disse que sou bonito, que meus olhos são profundos, eu sorri para ela e perguntei seu nome. Ela me disse se chamar Mary. Então ela põe uma das suas mãos na minha coxa o que me chama a atenção: não tinha previsto isso… Seus dedos finos apertam o tecido da calça que uso, enquanto sobem mais, acredito que boa parte disso não seja luxuria por parte dela, mas sim curiosidade. Minha mão se move, pousando em cima da mão dela e ela para: nesse instante nosso olhar se encontra e por um momento de lampejo eu me vejo ali, naqueles olhos, como em muitos outros, e escuto as batidas do seu coração- tum, tum, tumtumtumtum – observo o rubro de suas bochechas, é rápido, mas há a tentação de fechar os olhos, de deixar Mary ir adiante, de sentir os braços o corpo quente, a respiração, os dedos apertando na carne macia, descobrir onde tudo isso terminará, mas sabemos como isso terminará e não tenho interesse. Mary é bonita, muito bonita… Mas nós dois temos um compromisso hoje. Afasto a mão da jovem de mim de modo mais delicado possível. Não era nosso Tempo.

“- Pois bem, Mary.” - Eu disse, e ela se surpreendeu, porque minha voz é tão dualística quanto minha aparência: não há tons mais graves, indicando um rapaz, também não há a delicadeza total de uma voz feminina: minha voz se perde no limbo entre os dois; em verdade na maior parte do tempo, consigo moldá-la para ser mais uma coisa ou outra. “- Fale-me sobre seu maior sonho.” - Ela, confusa, me olha. Acredito que seja porque ninguém vá até lá, perguntar para Mary – uma jovem de cabelos vermelhos e corpo esbelto, seminua sentada ao meu lado – qual era seu maior sonho.

Mas Mary começa a falar – falar deve ser melhor do que dormir ao lado de um desconhecido por umas moedas – e fala sobre sua vontade de ir para longe da cidade, de viver num interior qualquer. De casar e ter filhos: não estou prestando atenção, claro, apesar de sorrir às vezes e concordar, a história de Mary não me interessa, Mary não me interessa, ninguém ali me interessa, apenas você. Quando Mary finalmente se cala, e lhe dou uma moeda e ela pergunta para que quarto vamos, volto a sorrir, movendo a cabeça.

“- Não hoje, Mary.” - Me levanto da mesa, no mesmo instante que o vejo descer as escadas, meio bêbado, acredito eu, deixo que tome à frente, que vá para a porta e siga para as ruas: lá fora a noite é negra e intensa, as ruas já estão mais vazias e eu conheço o caminho que você vai fazer: já o fiz antes, algumas vezes. Então nós andamos, você na frente, meio cambaleante, bêbado ou extasiado ou ambos, eu bem atrás, usando das sombras como minhas amantes pessoais naquele instante, você para, duas vezes, olha para trás, mas não me vê: eu já havia puxado o capuz para cima da cabeça e o lenço para cima do rosto. Só meus olhos brilham na noite escura.

Então, como planejado por mim, você dobra a esquina, sua casa fica há alguns metros há frente, uma esquina a mais talvez, não importa, é quando começo a me mover, enquanto as feras tomam conta, quando a besta urra de prazer e horror.

O Tempo urge, e o seu Tempo acabou.

É apenas um movimento simples: uma faca nas costas, na direção de um coração pulsante, uma mão na boca, pra suprimir um grito, nesse momento estamos juntos: como um abraço fatal, minha mão direita força a faca, minha mão esquerda abafa sua dor. E assim estamos mais juntos do que nunca, mais unidos do que você jamais estaria com qualquer outra pessoa. Posso ouvir o pulsar farfalhante do seu coração que sangra e morre, posso sentir seus últimos suspiros e quase, quase consigo tatear a vida que lhe é negada e tirada. É como uma dança, me disseram uma vez, é o nosso momento, em baixo da luz parca de uma lua parcial, nas ruas de uma cidade fétida como todas as outras nós dois somos puros. Quando decidimos quem é o caçador é quem é a presa, então aos poucos, seu corpo vai perdendo a força a vida vai deixando de existir, juntos, vamos abaixando, você para a morte, eu para admirá-lo uma última vez.

Quando seu corpo finalmente toca o chão, já sem vida, minha adaga retorna à bainha, dando espaço para uma arma um pouco maior, mas antes do próximo passo eu o admiro por um instante seu rosto tornando-se pálido a medida que o sangue lhe deixa, o próprio sangue que escorre do corpo e que mancha minhas mãos: levo os dedos à boca, sentindo o gosto e o cheiro de sangue preenchendo meus pensamentos, olhos se fecham e a fome retorna, mas não… Hoje não. Com um movimento não tão rápido quanto gostaria, sua cabeça é separada do corpo, jogada em um saco e seu corpo é deixado ali, para ser descoberto pela manhã, nas últimas luzes da noite eu me afasto, de volta ao meu contratante. Nosso Tempo acabou.

Quando chego para apresentar sua cabeça, ele me observa com bastante curiosidade. Sorri de canto, um sorriso que conheço bem.

“- Pois bem Raven.” - Raven é como começaram a me chamar muitos anos atrás, por conta do cabelo preto, do rosto alvo, dos olhos atentos e da preferência à noite. Raven é um bom nome, não me importo, gosto dele. “- Aqui está seu dinheiro.” - Me joga uma bolsinha com algumas moedas: não é muita coisa, mas vai servir por um tempo, não sou de luxos. Eu sei o que ele quer perguntar, sei bem, mas tem medo… Eu também teria, se fosse ele. “- Você poderia trabalhar para mim, sabe...” - Diz ele, quando chego à porta.

“- Poderia.” - Respondo, levando a mão ao cinto, e puxando de lá uma velha ampulheta pequena, sua areia dourada escorre em disparada, deixando os últimos traços para trás. “- Mas esse Tempo acabou.”- Então apenas me restou abrir a porta e sair de volta à Sangue de Gelo, de volta a estrada, para a próxima cidade, para a próxima noite. Para o próximo Tempo.




Elminster Aumar
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Re: Os Protagonistas

Mensagem por Elminster Aumar em Sab Maio 13, 2017 5:15 pm




Hannah Hanzelnut


Nível: Herói
XP: 12




Raça: Humano
Arquétipo: Dotado
Carreiras: Mekânico Arcano/Mekânico de Campo


Atributos:

6
FIS
6
VEL
4
FOR

4
AGI
4
DES
4
MAE

5
INT
4
ARC
3
PER



Estatísticas:
DEF 12
ARM 11
INIC 13
CMD 6
VONT 11


Ataque a Distância:
Pistola de Repetição

16m ALC
5
ADI
10 POD



Armadura:
Sobretudo Blindado

0
VEL
-1 DEF
5 ARM



Perícias:
Nome da PeríciaAtributoNívelTotal
Arma de Mão415
Pistola4 15
Engenharia Mekânica527
ComandarSocial11*
Ofício (Metalurgia)527
Ofício (Arma de Mão)516
Criptografia516
NegociaçãoSocial11*
Pesquisar516
Ofício (Armas de Fogo)516


Benefícios & Habilidades:
Círculo de Proteção (Arquétipo)
Conjurador Rápido (Arquétipo)
Inscrever Fórmulas
Controlador de gigantes
Pro chão
Remendão
Vaporeiro

Magias:
Escudo de Polaridade
Raio Arkântrico
Proteção contra Eletricidade

Equipamento:
Pistola de Repetição (capacitor: Câmara Tempestuosa, placa rúnica: Corrupção)
Munição x20
Kit de Entalhe de Runas
Kit de Mekânico
Gigante-de-Trabalho Leve (canhão escopeta, 18 balas)

Dinheiro:
42 CO

Conexões:
Organização de Mekânicos

Idiomas:
Cygnarano
Llaelês


Background:


Um Dia na Vida de Hannah Hanzenult


O clima abafado da oficina contrastava como o dia frio e cinzento que se estendia ao longo da cidade. Naquele pequeno quarto, o mundo estava sendo constantemente reinventado e a magia da criação parecia não conhecer limites.

Hannah Hazelnut passava horas e horas naquele mundo, fechada e protegida das rotinas quadradas do dia, assim como seu pai, havia nascido no tempo errado e não estava pronta para os regressos da vida social. Ambos, progenitor e prole, eram feitos para um tempo que estava além de tudo o que já havia sido pensado.

O limite dos sonhadores é a mente, quanto essa pequena parte física da alma era capaz de trabalhar. Para Hannah o limite ainda era extenso e maleável, a jovem aprendiz ainda tinha muito o que crescer e aprender com seu velho pai.

O senhor Hans Hazelnut era um grande inventor, um mekânico de campo extremamente conhecido pelas suas habilidades inventivas e o costume de usar calças curtas demais e esquecer de lavar as mãos de graxa nos grandes e tediosos eventos sociais. A verdade, é que a mente inventiva de Hans nunca parava, mesmo nas festas era possível vê-lo com pequenas chaves e peças, encaixando engrenagens minúsculas e parafusos ainda menores para fazer uma nova caixinha de música para sua pequena prodígio.

Festas da alta sociedade eram chatas – bem verdade que ainda o são nos dias de hoje – E isso era uma verdade universal para a família Hazelnut. Nem mesmo a mais burocrata, a matriarca da família, Isabella Hazelnut, era capaz de negar. A maga arcana, uma ex combatente militar, via nas festas uma grande oportunidade de perder tempo demais somente para comer e repetir frases de efeito entre gordos ricos e velhas frustradas, e sendo assim: Hannah nunca se dispôs a comparecer em alguma delas ou teve o castigo de ser obrigada a tal.

Pelo contrário, para aquela família, o desejo ardente pelas coisas que ainda não haviam chegado ao mundo material e a habilidade única de fazê-los nascer para a humanidade era o mais importante dos eventos. Por isso –  e porque seus pais tinham o bom senso de não exigir que uma criança tão inteligente se contaminasse com a demência que assolava os abastados –  a garota permanecia na oficina do pai, por tanta quanto quisesse, encaixando peças aqui e acolá, criando fisicamente seus sonhos mais variados.

Para entendermos do pequeno fascínio da garota pela arte de criar, precisaríamos saber daquela noite em particular na qual Gordon ganhou vida.

Primeiro, era um dia pomposo do aniversário de algum rico qualquer que não tinha melhor função para seu dinheiro e jurava que se tornara fã do trabalho do Sr. Hazelnut, Hannah despediu-se aos risos do seu pai: um verdadeiro velho resmungão de meia idade que xingava baixinho e amaldiçoava o excesso de tempo dos ricos. Enquanto sua mãe, apressada, mandava beijos distantes para Lucy e puxava o Sr. Hazelnut pelos suspensórios repetindo, quase como um mantra:

- Quanto mais cedo sairmos, mais cedo voltamos deste martírio!

O casal Hazelnut estava junto a cerca de 25 anos, haviam se conhecido pelo mundo, quando o Sr. Hazelnut ainda viajava consertando e criando itens pelo mundo. Apesar do um quarto de século de relacionamento, aquela uma chama que todos gostaríamos de acender eternamente, bem essa chama permanecia acesa entre ambos.

Hannah não se lembrava de ter tido algum motivo para queixar-se de sua família, mesmo nas intempéries da adolescência, seus pais tinham um jeito único e especial de lidar com todo o problema e crise que os abatesse. Valores como união e esforço, inventividade e honra eram pregadas naquela casa.

Ainda com um sorriso estampado no rosto, a garota voltou à oficina. O seu grande projeto de robô estava muito próximo de ser finalizado, faltava tão pouco que a menina não conseguia controlar o impulso criativo. Dormir? Comer? Sair? Ora... o que mais deseja o coração jovem de uma menina de 19 anos se não o nascimento de um puro amor?

Mais engrenagens, magia e um quê disso, um quê daquilo. Calor, forja, força... parafusos e tinta. Hannah só conhecera um amor na vida, que não fossem os seus pais, ele atendia pelo nome de Gordon e estava prestes a ser ligado. Gordon havia sido um presente de seus pais, uma carcaça de robô pronta para ser reformada e reinventada, no futuro seria um companheiro com o qual poderia contar – daquele dia em diante –  por toda sua vida.

Hannah já o imaginava como seu fiel escudeiro nas aventuras que ainda iria ter pelo mundo, conhecendo tecnologias e culturas diferentes!

- Vamos conquistar vários continentes e mares, Gordon! Vamos ver todo o tipo de pessoa e conhecer outros robôs, vamos prestar nossos serviços à humanidade como papai já fez! Conheceremos nobres soldados e camponeses!

De certo que os olhos da jovem brilharam com o vislumbre de um futuro glorioso através dos continentes. Crescera a ouvir os feitos de seu pai quando jovem, sempre vibrando com seus olhos magicamente iluminados de emoção, como duas pequenas lanternas verdes. Hannah gostaria de viver suas próprias aventuras e construir seus projetos, tirar suas coisas daquela oficina e espalhá-las pelo mundo. Viver estava intrinsicamente ligado ao desejo profundo de viajar e descobrir o que havia além da altamente tediosa e gorda sociedade.

Tomada por esses pensamentos, ligou um aparelho musical e cantarolou, batendo os sapatos sujos no chão enquanto apertava um parafuso ou outro, conectando, fechando e finalizando seu futuro amigo de viagens.

Por um breve instante cansou da confecção e sentou-se num banco, conversando com o robô ainda não finalizado.

- Primeiro de tudo, somos amigos e eu não aceito traição dos meus amigos, nada de garotas, entendeu? Depois, nada de ciúme dos próximos robôs, você é meu primeiro amor.

Em seguida, lembrou-se dos avisos do velho pai. O mundo está repleto de perigos, apesar de os mais vis seres não precisarem sujar as mãos para matar centenas, existem centenas que matam por comida, água e prazer. Hannah sabia disso, portanto suspirou, levantou-se e pousou a mão sobre o ombro de Gordon enquanto olhava para o fogo na lareira.

- O mundo pode ser um lugar cruel, Gordon, vamos precisar nos proteger das coisas do mundo, ao menos dos famintos e desesperados, dos sádicos e dos lunáticos. Infelizmente, não podemos fugir das torturas dos aristocratas, meu caro...

E foi no meio de seu discurso apaixonado pelas coisas da vida que a garota teve uma ideia – Que havia julgado genial, e por que não julgaria? – além do circuito padrão, o robô deveria saber se proteger e proteger a criadora, sendo um companheiro e segurança.

Hannah era adepta a esse tipo de pensamento repentino, ideias atravessavam sua mente como cometas riscavam o céu. Vinham repentinamente, fumegando em seus miolos jovens, tanto que se tornavam inquietantes, atingiam os nervos de seu corpo e a colocavam a caminho do trabalho, não importava o que estivesse fazendo.

As frases eram deixadas para outra hora, a história, a janta, o banho... Hora de criar era sagrado! Portanto, os dedos ágeis da garota começaram a desenhar, calcular, projetar... enquanto riscava em um papel sujo de graxa e fuligem, perto da lareira, seus dedos se movimentavam no espaço.

Quem a visse de longe, pensaria que sofria de algum dos males que acometem a mente, quem a conhecia, sabia que aproveitar do espaço físico a fazia trabalhar melhor, sua mente era um verdadeiro caos criativo, parecia uma máquina de vapor trabalhando incansável.

Alguns cálculos, outros rabiscos e os dedos da garota orquestrando o processo de criação de um armamento adequado para o seu futuro guarda-costas.

- Vamos ver se isso... hm... Ei Gordon, o que acha se fossem acoplados a você desse jeito? Talvez não, né? Seria melhor que fosse mais escondido e... ah! Tenho a ideia perfeita para isso, veja como vai ficar!

A mekânica explicou sua criação para sua criatura, cada detalhe pensado, se corrigindo sozinha ao encontrar pequenas falhas no projeto enquanto o narrava. Projeto finalizado, colocou-o de lado, primeiro era preciso ligar o Gordon, saber de sua opinião a respeito daquilo, ainda faltavam dois anos para que completasse idade o suficiente para trabalhar pelo mundo – Na concepção de seus pais – Então as armas poderiam esperar um pouco, mas a companhia do robô, essa era indispensável.

As horas passaram em velocidade alarmante e tão breve voltara a montar o robô, seus pais chegavam do tal aniversário às gargalhadas. De certa forma, os dois sempre encontravam uma forma de ver a parte boa de uma situação desfavorável e riam-se de tudo quanto podiam.

- Ainda em obra? – Perguntou o velho pai.

A resposta de Hannah foi indireta, ela puxou a folha rabiscada e fuzilou o velho pai com perguntas referente ao projeto e aos melhoramentos de Gordon. A Srª Hanzelnut, já acostumada com isso, foi para a cozinha preparar a substância mágica vital a toda criação: café.

E assim viraram a noite conversando animadamente, a mãe rindo-se da magia que era o surgimento de um protótipo. O pai e a filha empolgados como o diabo em dia de naufrágio! E pelos deuses, como riam! – No nosso mundo, seria como assistir um comercial de margarina sendo gravado em uma oficina – Bebiam café, pintavam, parafusavam, cantavam canções diversas... até que enfim, e ouçam os tambores da criação rugirem...

Nascia Gordon, o homem de ferro destinado a acompanhar a vida de Hannah pelos continentes.




Elminster Aumar
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Re: Os Protagonistas

Mensagem por Elminster Aumar em Seg Jun 12, 2017 12:42 am




Julian Macbeth


Nível: Herói
XP: 12





Raça: Humano
Arquétipo: Intelecto
Carreiras: Pirata / Soldado


Atributos:

5
FIS
6
VEL
5
FOR

5
AGI
5
DES
5
MAE

3
INT
*
ARC
3
PER



Estatísticas:
DEF 13
ARM 10
INIC 14
CMD 3
VONT 8



Corpo-a-Corpo:
Alfanje

7 ACO
9
P+F


Adaga
8 ACO
6
P+F




Ataque a Distância:
Pistola

16m ALC
7
ADI
10 POD



Armadura:
Sobretudo Blindado

0
VEL
-1 DEF
5 ARM



Perícias:
Nome da PeríciaAtributoNívelTotal
Arma de Mão527
Pistola527
Conduzir516
Detectar314
Medicina314
Sobrevivência314
Escalar516
IntimidarSocial11*
Nadar415
Marinhagem527
NegociaçãoSocial22*
Usar Cordas516


Benefícios & Habilidades:
Superpercepção (Arquétipo)
Coordenação em Campo de Batalha (Arquétipo)
Encontrar Cobertura
Sentinela
Pistoleiro
Especialização: Alfange
Estável
Gangue

Equipamento:
Bandoleiro de Munição
Coldre de Pulso
Kit de Armeiro
Munição para Arma de Fogo x10
Botas de Mekânico
Sobretudo Blindado
Algemas x2
Rações secas x10
Adaga
Alfanje
Pistola

Dinheiro:
0 CO

Conexões:
Tripulação Pirata

Idiomas:
Cygnarano
Khadorano


BACKGROUND:


Um Dia na Vida de Julian Macbeth


Era tarde da noite quando Marlene pegava o pequeno John, um menino de cinco anos de idade que estava chão de casa e o botava na cama que ficava no mesmo cômodo.

Marlene: - Hora de dormir meu pequeno capitão.

O pequeno John era filho de um marinheiro, e brincava com um pequeno barco de metal. Seu pai Erick tinha voltado a pouco tempo de uma viagem para a marinha real, uma missão perigosa para proteger o Duque em um objetivo diplomático com outros nobres das terras mais distantes. Neste momento estava no porto trabalhando em cargas novas que tinham chegado.

O pequeno John sentia sono mas não queria admitir, era um jovem sonhador e inteligente mesmo para sua idade.

John: - Ah mãe! Só mais um pouco!

Marlene já colocava o pequeno na cama e colocava o seu barco e o controle remoto na escrivaninha ao lado da lanterna.

Marlene: - Não senhor! Você é um adulto, e adultos são responsáveis, precisam dormir pra ficarem bem espertos no dia seguinte e enfrentarem os perigos.

John fazia uma cara emburrada e logo depois bocejava entregando o sono que sentia.

Marlene: - Viu só? Você já está com sono.

John era uma bom menino, seu pai e sua mãe o educavam corretamente, mais sua mãe pois Erick viajava muito e ficava ausente muito tempo. Ele se deixava convencer de que iria dormir naquele momento:

John: - Tá bom... Mas canta pra mim aquela musica de novo?

Marlene: - Aquela musica que seu pai cantou pra você? Ela é horrível!

John: - Não é não, eu gosto dela! É de Piratas!

Marlene torceu um pouco o nariz, haviam muitas histórias de piratas retratando-os como aventureiros mas a mulher sabia que se tratavam de monstros em forma de gente. O próprio Erick gostava de contos de Piratas embora ele soubesse que o que eles eram, nunca entenderia aquele pensamento, talvez fosse coisa de homem, talvez fosse coisa de pai e filho mas Marlene gostava de agradar ao filho e por tanto cantava a música para ele:

Marlene: - Ok vamos lá... “ O reei despertoou a raiiinha do maaaar... O baaarco aaa acorrentoooou... Por oooonde andaares, são teeeeus os mares... Queeem ooouviu remooooou...

John começava a se emocionar com essa canção e logo começavam a cantar junto com Marlene bem baixinho, John adorava aquela canção.

John e Marlene: Yooo.. Hoo. Toooodos. Nooossas cores ergueeer… Laaadrões…eee Meeendigos, jamais irããããoo... Morreeeer... Yooo.. Hoo. Toooodos. Nooossas cores ergueeer… Laaadrõõões eee Meeendigos, jamais irããããoo... Morreeeer...

Subitamente Marlene ouviu algo do lado de fora, ouviu gritos e interrompeu a canção, assim como John.

John: - O que foi isso mãe???

Perguntou assustado. Marlene olhou para seu filho que puxava o cobertor e dizia:

Marlene: - Fique aqui!

Marlene imediatamente caminhou até a porta em passos rápidos a mesma se abriu e Marlene levou um susto soltando um grito, era Erick e mais outros dois amigos, Orion e Rubens que imediatamente fechavam a porta.

Erick: - Querida você está bem?

Mais gritos e tiros eram ouvidos do lado de fora e Marlene perguntou assustada:

Marlene: - Erick! O que está acontecendo??

Rubens logo dizia para Orion com urgência em sua voz, urgência e medo enquanto sacava a espada:

Rubens: - Quantos você acha que são???

Orion: - Eu não sei... Talvez 50, talvez 60, são muitos!

Mais tiros eram ouvidos do lado de fora, John ficava assustado e começava a gritar:

John: - O QUE TA ACONTECENDO???

Eles escutavam os gritos ficarem mais altos, logo escutavam também gargalhadas, os três homens já estavam com espadas sacadas, e Erick dizia:

Erick: - Rapido querida! Entre no alçapão!!

Marlene: - Erick, POR DEUS O QUE TÁ ACONTECENDO???

Eric: - PIRATAS MARLENE!!! AGORA ENTRE LOGO NA DROGA DO ALÇAPÃO!!!

Assustada, mas sem responder, Marlene abre uma expressão de choque e imediatamente abria uma entrada secreta embaixo do tapete da sala e adentrava no mesmo pegando John consigo. Erick rapidamente já cobria a entrada com tapete novamente e dizia para os dois:

Erick: - Fiquem aí dentro e não saiam por nada neste mundo!

Marlene assentiu, mas John com a voz chorosa começava a balbuciar:

John: Mãe... O papai, ele não vai vir?? Mãe!! Mãe!!!

Marlene fechava os olhos, a afliação era grande em seu olhar:

Marlene: - Shhhh... Ele vai vir depois querido, fique quieto.

John com medo obedecia a mãe e logo todos podiam ouvir a porta sendo espancada e risadas de homens do lado de fora.

Orion: - Eles chegaram... Preparem-se!

Os três homens erguiam as espadas.

Erick: - Amigos... minha alma sempre ficará em débito com vocês.

Rubens:- Você vai pagar seu débito com um balde de cerveja!

Logo a porta é espancada novamente e podiam-se ver um homem de capuz adentrando com uma espada e uma pistola apontada para o grupo e junto dele, haviam três homens, Erick estava no centro, com aquela pista não havia como vencer, pelo menos orava que sua familia estivesse a salvo.

Erick: - Não vai nem nos dar a chance de um combate digno? Não tem honra?

Imediatamente após a resposta o homem encapuzado dispara contra o peito de Erick, e responde em claro deboche:

Encapuzado: Não... Na verdade, não. Homens... São todos seus.

Imediatamente os outros piratas avançavam contra Rubens e Orion e rapidamente eles eram abatidos porem apenas Rubens ainda não estava morto, estava ferido. O pirata encapuzado logo se aproximava de Rubens:

Encapuzado: - Você é forte rapaz...

E então ele pressionava a ferida de Rubens que soltava um grito de dor e o encapuzado dava risada. Imediatamente Rubens segurava o grito de dor e cuspia na cara do encapuzado que sessava a risada e os outros piratas logo começavam a rir do encapuzado. Ele limpava o cuspe e podia-se ver a face de ódio de Rubens. O Encapuzado limpava a face de saliva com uma ira contida e logo dizia:

Encapuzado: - Ta vendo o que você fez? Me fez ficar mal na frente deles. Agora o que eu faço contigo? Você vai ter que me ajudar a me redimir com eles de alguma forma.

Rubens, quase cuspindo sangue dizia:

Rubens: - Vai pro inferno!

O Encapuzado dava uma risada debochada e dizia se levantando:

Encapuzado: - Claro... Você primeiro.

E então  ele sacava sua espada e em um movimento rápido enfiava na garganta de Rubens eu agonizava sufocando e logo num movimento teve a cabeça decepada rolando no chão. O corpo jorrava sangue... Muito sangue... A cabeça com os olhos abertos em choque. Marlene e John estavam quietos, Marlene tentando conter o próprio choro e contendo com a mão a do filho. Os piratas logo começavam a quebrar todo o lugar, buscando pedras, ouro, ferramentas, qualquer coisa que lhes fossem útil, saqueando e saindo, mas apenas o encapuzado ficava pra traz.

Um dos piratas parava na porta.

Pirata: - Você vai ficar aí?

Encapuzado: - Eu já vou com vocês.

Pirata: - E o que você vai fazer aí?

Encapuzado: Vou trepar com os corpos, você quer ver?

O pirata olhava feio para o encapuzado:

Pirata: - Covarde...

O encapuzado ficou em silêncio, apenas esperando o pirata sair e logo que ficou sozinho ele foi até a porta para confirmar se estava mesmo sozinho e após alguns segundos de confirmar ele voltou para a sala e começou a caminhar em círculos em volta do tapete cantando uma canção conhecida.

Encapuzado: - Uuuns morrerããoo... Outros vivos estããoo... Oooutros naveeeegam no maaaar... Com as chavees da prisãããoo... E o diaabooo de prontidãão... Remaaando seeem cessaaaar. Da fooossa profundaaa sobe o sinooo a tocaaar, cooomo um sooom sepulcraaal. Vem cooonvocar pra reeetornar... Aoo destiiino finaaal. Yoooo, hooo, toooodos juntoos... Noooossas coreees ergueeeer... Laaaadrõõões eee mendigoooos... Nãão aceeeitam morreeer...

Os passos sessavam. Marlene e John estavam soando aterrorizados, e logo eles soltavam um grito quando o tapete é puxado rapidamente de cima do chão e o encapuzado enxergava claramente os dois sobreviventes. Ele puxava a alavanca abrindo a passagem e apontando a pistola para Marlene e a criança.

Encapuzado: – Saiam...

Marlene chorosa, começava a entrar em desespero:

Marlene: - Não... Por favor, não nos faça nenhum mal, por favor...

Encapuzado: - EU MANDEI SAÍREM!!!

Asustada e com o pequeno John chorando em prantos eles saíam tremendo com o pânico do que lhes aconteceria. Eles então viam o corpo de Erick com o tiro no peito derramando todo o sangue.

Marlene: - Não!!! Ah meu deus.... Porque...?? Porque você fez isso???

John: - PAAAIII!!!!

Os dois choravam e pareciam querer avançar, John tentava avançar no corpo de seu pai mas Marlene não deixava.

Encapuzado: - Deixe ele. Você fica, e senta aí!

Ele apontava para a cama. A mulher soltava John que imediatamente ia correndo chorar em cima do corpo do pai. Marlene olhava para a cama e dizia em prantos:

Marlene: - Não... por favor... Não na frente do meu filho, isso não...

O Encapuzado logo dizia com impaciência:

Encapuzado: - Eu não vou te estuprar, mulher!  Sente-se!

A mulher ia tremulante até a cama onde se sentava enquanto o pequeno John chorava. O Encapuzado então tirava o capuz:

Encapuzado: - Entenda que o que vou te oferecer aqui, é a melhor saída, pra você e pro seu filho.

A mulher então dizia chorosa:

Marlene: - Sim... Por favor... Eu faço qualquer coisa...

Julian então pegava uma cadeira e botava-a de costas para Marlene, porém sentava-se de frente para ela com as pernas abertas e ainda apontando a arma.

Julian: - Eu vou lhe dar uma faca. Você vai cortar os seus pulsos e vai entrar denovo naquele alçapão. O que vai acontecer é que vou escoltar o seu filho dentro de um saco improvisado com os lençois até os limites da cidade e lá vou deixar ele à própria sorte e se os deuses  tiverem piedade dele, ele vai ser achado por alguém, seja bom ou ruím, isso pode dar a chance dele sobreviver, coisa que ele não vai ter se estiver aqui. Você vai cortar os seus pulsos porque no final de cada saque eu mesmo revisto todos os lugares saqueados e encontro esses locais, como o seu alçapão, se eu deixasse vocês aqui vocês seriam encontrados, você seria morta na frente do seu filho da pior forma que você pode imaginar, e ele ia virar mercadoria pro mercado de escravos, ou morreria dependendo de quem estivesse comigo e eu não poderia fazer nada.

Marlene aflita olhava para o menino que ainda chorava em cima do pai:

Marlene: - Não tem mesmo outro jeito? Você não pode levar nos dois?

Julian balançava a cabeça negativamente e Marlene continuava olhando para o filho, ela então olhava pra baixo:

Marlene: - Posso cortar os meus pulsos, e os dele? Assim... Ele não vai correr o risco de sofrer.

Julian olhava para a mãe surpreso.

Julian: - Você tem certeza disso? Seu filho ainda pode sobreviver.

Marlene: - Mas se ele não sobreviver... Ele vai morrer com sofrimento. Pelo menos assim ele só vai... Dormir...

Julian ficava em silencio por alguns instantes:

Julian: - A mãe é como Deus aos olhos de uma criança. Nunca duvidei do instinto de uma mãe, se você prefere assim, então será assim.

O Pirata levantou-se da cadeira e tirou das vestes uma adaga e estendeu o cabo para Marlene sentada e disse com firmeza antes de entregar:

Julian: - Se você tentar me ferrar com isso, eu juro que arranco a sua cabeça, na frente do seu filho e deixo ele aqui à própria sorte e não darei a minima se meus colegas o acharem.

A mulher engoliu a seco após a intimidação do Pirata, ela ficou hesitante por algum tempo, alguns segundos e Julian apenas aguardava ela tomar sua decisão e então ela pegou sua faca e lentamente respirou de forma profunda até cortar os dois pulsos que logo começaram a sangrar. Julian então apenas observou Marlene se aproximar do filho.

Marlene: - Querido... Me de suas mãos...

O pequeno John então erguia seu rosto inchado de tanto chorar:

John: - Mãe... o papai não levanta... Ele tá gelado...

Marlene pegava carinhosamente os braços do filho.

Marlene: - Eu sei querido... Vai doer só um pouquinho... Mas vai ficar tudo bem. Nós logo vamos ver o papai.

John se deixava pegar por sua mãe e enquanto a mulher passava a lâmina no primeiro pulso John só não chorava porque já tinha chorado demais por uma noite, apenas resmungava da dor.

Marlene: - Agora o outro braço, querido...

John erguia o braço pra mãe, com medo.

John: - Mãe... O que você tá fazendo? Isso doi...

Marlene derramava mais lágrimas:

Marlene: - Eu sei meu bebe... Eu sei...

Depois de terminar de cortar os pulsos do filho, Marlene o pegou no colo, e o levou pra baixo do alçapão onde Julian estava com ele aberto.

Ela adentrou no mesmo, mas antes deu uma ultima olhada pro corpo do marido e depois para Julian, os olhos da mulher eram suplicantes enquanto a frieza e indiferença pairavam nos olhos do pirata que de alguma forma achava que estava fazendo uma boa ação. Ela então sentava com o seu filho no colo, o menino rapidamente já ficava palido e sonolento. Ela sentou-se no fundo e olhou para Julian, assentiu para ele e ele assentiu para ela então, fechando o porta do alçapão dizendo:

Julian: - Mantenha a faca perto pra eles acharem.

Não iriam identificar aquela faca com Julian, ela era apenas uma faca comum sem valor pessoal, coisa que você compra em qualquer lugar, sendo assim o pirata olhou ao redor e saiu da casa.

Quando Julian saiu botou seu capuz novamente e caminhou em meio aos cadáveres, ao fogo, o cheiro da polvora, o calor, o sangue e logo viu um guarda se aproximar gritando e bradando uma espada, a pistola de Julian saiu rapidamente de sua manga e atirou friamente contra o guarda que vinha atacá-lo. Ele continuou caminhando vendo todo o caos e a destruição que seus compatriotas e ele tinha causado de forma indiferente, como se aquilo fosse apenas mais um dia de trabalho. Ele seguia seu rumo até de volta ao porto e lá haviam reféns ajoelhados e amordaçados, boa parte era nobre, haviam os capitães e quando Julian passou por um deles ele ouviu o mesmo cuspir no chão, como um claro sinal de despreso pelo pirata. Julian parou imediatamente e virou-se e viu que o sangue que o capitão, não... Não era capitão, era comodoro... Cuspiu, era na verdade para ser saliva mesmo. Julian sorriu e então se aproximou do comodoro que, de alguma forma, achava que o pirata iria simplesmente ignorar pois logo começava a tremer de medo.

Julian abaixou-se e ficou da altura dele.

Julian: - Você não sabe que é feio sujar o chão? Não tem amor ao patrimônio publico que vocês idiotas e debiloides pagam com tanto esforço com esses... Como é o nome mesmo? Impostos?

O Pirata então se levantava e segurava o comodoro pelos cabelos e empurrava a cabeça do mesmo no chão aonde o mesmo havia cuspido sangue e começou a esfregar seu rosto no mesmo e depois o puxou.

Julian: - Pra você aprender um pouco de boas maneiras rapaz...

Os nobres que estavam ao lado, olhavam horrorizados, os piratas colegas que estavam ao lado davam risada da humilhação que Julian o fazia passar.

Nobre: - Pare com isso agora!!!

Julian viu o nobre e os colegas piratas também, um deles se aproximou dele e lhe deu uma coronhada com o cabo da espada na cabeça do mesmo que ficou desorientado.

Pirata: - Cala a boca, seu bosta!

Julian dava risada se divertindo com a situação, se aproximava do Nobre e do colega pirata.

Julian: - Calma amigo... Não precisa ser duro com o nosso anfitrião. Ele só quer mostrar que tem bolas.

E então Julian olhava para o colega com malicia, e o mesmo o olhava de volta.

Julian: - Talvez nós devessemos mostrar essas bolas pra todo mundo, porque não tiramos elas pra ficar mais fácil?

E então o Nobre ficava chocado e logo começava a se desesperar enquanto os dois piratas riam da piada.

Nobre: - Não, não!!! Por favor!!!!

A gritaria do Nobre já começava a ficar alta e chamar atenção, então Julian deu um soco na cara do Nobre pra calar a boca dele e disse:

Julian: - Para com isso! Eu estava brincando, o que pensa que somos? Barbaros? Selvagens? Por Menoth, somos todos civilizados aqui.

Uma mulher Nobre logo bradou a voz:

Nobre 2: - Vocês são covardes!!!

A atenção foi voltada pra ela, os dois piratas a olharam, depois olharam entre si sérios, um segundos depois começaram a gargalhar juntos e concordavam abertamente entre si que ela tinha razão.

Julian então passava a ignorar todos os nobres, os dois colegas piratas se cumprimentavam e Julian seguia seu caminho. Então chegava até o cais onde o capitão Gordon Black estava com o governador da cidade, e o imediato, Gilbert estava com ele.

O governador  estava tentando negociar com o capitão Black. Capitão Black era uma criatura assustadora, cruel e astuta... Se quem quer que seja acredita que os piratas da tripulação da Mão Negra são criaturas malditas em alma é porque não imaginavam ainda que quem os inspirava era o próprio diabo. Não foi diferente com Julian, ele era, como o pequeno John, uma vítima da tripulação da Mão Negra, mas ao invés de jurar vingança contra eles, resolveu se juntar a eles. Após ter conseguido matar de surpresa um dos seus invasores quando era criança, teve a sorte de que o imediato Gilbert, um homem que tinha o mais próximo de uma noção de honra do que todos ali, confiscou Julian para que seu destino fosse decidido pelo capitão Black. O Capitão Black então o fez pagar com o próprio sangue. Espancou Julian e mostrou a ele que não havia justiça no mundo, que justiça era uma ilusão, uma desculpa pra fazer o que se quer sem que você se sinta mal, ou que os outros te julguem. Se quer matar, mate, se quer saquear, saqueie, se quer destruir, destrua. Não espere que alguém lhe faça essas coisas para que se sinta no direito de fazer o mesmo. O Capitão Black olhou o menino espancado e viu que talvez aquele garoto pudesse ser um diamante bruto, ele não era um moleque qualquer, via isso em seus olhos. O capitão então jogou Julian no cativeiro e lá ele viveu com as visitas apenas do capitão. De começo Julian o odiava, mas com o tempo passou a adimirá-lo e a se inspirar nele, Black aproveitou esse foco que Julian tinha nele para poder moldar à sua vontade, e conseguiu. Quando estava maior ele passou a fazer serviços de pequena importância mas pesados no navio, depois quando já era um homem forte o Capitão deu a ele a chance de matar os outros dois que tinham matado seus pais, sem regras. Julian lutou contra os dois, quase morreu, mas ele era mais novo e os outros já estavam mais velhos, embora muitos outros novos marujos tinham entrado na tripulação desde aquela época. Julian os matou e o Capitão perguntou a ele.

Capitão Black: - Você matou esses homens. Por que?

Julian olhou nos olhos dele, e o capitão viu a raiva e a satisfação em seus olhos e ouviria em sua voz:

Julian: - Porque eu quis!

O Capitão então deu um sorriso e a Mão Negra batizou seu novo marujo. Julian não fez justiça, não contava que isso fosse aliviar sua alma, tinha um propósito para tirar a vida daqueles homens e o fez porque quis, Julian tinha matado porque aqueles homens despertaram a vontade de matar, seja lá qual for o motivo, mesmo que pequeno, os motivos eram dele e eram bons o suficiente para ele. Julian tomou o que queria e todos ali respeitaram isso e o reconheceram como igual. Mas em meio a todo o caos que era vida da Mão Negra, ainda havia a ordem, e essa ordem era o Capitão Black... Todos tinham medo do Capitão Black ao mesmo tempo que os respeitavam, ficarem se matando assim uns aos outros despertaria a furia do capitão que iria matar pessoalmente o desordeiro. Isso já se chamava a “A lei do mais forte”. Todos eram livres, mas havia o porque de todos obedecerem o capitão Black, e se você o irritasse... Que Menoth tenha piedade da sua alma.

O Capitão ouvia as propostas do Governador mas nada do que ele dizia eram mais vantajosas do que simplesmente tomar a cidade. Claro que não era assim tão simples, eles já haviam usado uma tática e ela não funcionaria duas vezes caso decidissem voltar um dia. A tática incluia em enganar os inimigos, tirar vantagem do campo. Julian tinha dado a ideia ao Capitão, apesar de Julian não ser o imediato, o Capitão o ouvia pois não falava besteira. Julian deu a ideia de enviarem espiões para desenharem um mapa da cidade, se passarem por turistas ou transeuntes buscando uma oportunidade de trabalho, eles espionariam o local e entenderiam a rotina da cidade, quando tivessem a vantagem dos costumes, discretamente veriam os tipos de armas portados pela guarda, depois iriam ver a geografia do local, atracariam com todos os homens que iriam invadir em outro pedaço de terra, e mandariam o Mão Negra para ficar a vista durante a noite. O navio pirata ficaria parado e todos os guardas ficariam alarmados e assim esperariam pois botariam a pressão nos guardas, marinheiros e capitães, enquanto estivessem preocupados com os piratas que não tomavam ação ainda, enviariam homens para atacar furtivamente os guardas e vestirem suas roupas e armas, eles então entrariam nas mansões dos nobres alegando estarem lá para trocarem de turno pois haviam piratas à espreita, então os nobres seriam pegos de reféns e quando os capitães fossem rendidos os outros homens começariam a matar a guarda usando os nobres de escudo humano. A vitória foi certa.

No final, não houve acordo mas o capitão Black não deu sua palavra final, o governador e sua familia foram levados como refens para que talvez, um acordo mais benéfico fosse feito futuramente, quem sabe...




Elminster Aumar
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Re: Os Protagonistas

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Jan 23, 2018 1:20 am




Jack Joey Quinzel


Nível: Herói
XP: 22




Raça: Humano
Arquétipo: Habilidoso
Carreiras: Duelista / Ladrão


Atributos:

6
FIS
7
VEL
5
FOR

5
AGI
4
DES
5
MAE

3
INT
*
ARC
3
PER



Estatísticas:
DEF 14
ARM 11
INIC 15
CMD 3
VONT 9



Corpo-a-Corpo:
Lâmina do Assassino

6 ACO
9
P+F


Adaga
8 ACO
6
P+F


Bengala-Espada
7 ACO
5/7 P+F


Soqueiras
6 ACO
6
P+F



Ataque a Distância:
Facas de Arremesso

12m ALC
6
ADI
6 POD



Armadura:
Sobretudo Blindado

0
VEL
-1 DEF
5 ARM



Perícias:
Nome da PeríciaAtributoNívelTotal
Arma de Mão527
Arma de Arremesso516
Combate Desarmado516
Esgueirar-se527
Manha325
OratóriaSocial11*
Saltar617
NegociaçãoSocial22*
Arte da Fuga516
Escalar516
SeduzirSocial11*
Arrombar527
Jogatina314
EnganarSocial11*
Punga527
SubornarSocial11*
EtiquetaSocial11*


Benefícios & Habilidades:
Atenção Sobrenatural (Arquétipo)
Cauteloso (Arquétipo)
Enganador
Esquivo
Aparar
Contragolpe

Equipamento:
Ferramentas de Ladrão
Adaga
Lâmina do Assassino
Bengala-Espada
Facas de Arremesso x2
Soqueiras
Sobretudo Blindado
Luneta
Relógio de bolso
Algemas
Baralho de Cartas

Dinheiro:
50 CO
25 CO p/ mês de trabalho ao patrono rico

Conexões:
Patronos Ricos
Irmandade
Força Revolucionária

Idiomas:
Cygnarano
Órdico


Substituições: Perícia Militar Inicial: Combate Desarmado por Pistola [Duelista]; Perícia Profissional Inicial: Seduzir por Intimidar [Duelista]; Conexão: Submundo por Irmandade [Ladrão]


Background:


Um Dia na Vida de J. J. Quinzel


O sol raiava cintilante entre as nuvens durante a manhã, Jack Joey Quinzel, ou "JJ" para os íntimos, observava a mansão dos Bennett através da janela da carruagem, uma enorme casa de campo onde Barry e Abby residiam na maior parte do tempo. Aos poucos a pequena visão da mansão no horizonte não cabia mais entre a janela, quando finalmente chega ao seu destino.

Os pés mal tocam o chão batido e o cocheiro já esticava a mão cobrando pela viagem. Jack paga pelo serviço do homem, dando uma pequena gorgeta de lambuja. O cocheiro faz uma reverência e estala o chicote nos lombos dos cavalos, partindo imediatamente.

Jack coloca a cartola na cabeça e caminha adentrando os portões já abertos, carregando consigo sua bengala que usava como acessório, ou assim pensavam que fosse. Uma figura coloca a cabeça para fora de uma das inúmeras janelas da enorme fachada frontal, alertando a família que Jack havia retornado. Quase que imediatamente Lady Myra sai correndo pela porta da frente. A garota de doze anos percorreu o quintal com ânimo, e sequer freou sua corrida, quase que mergulhando em Jack e o abraçando. A cartola não resistiu e caiu no chão. - Uoou... - Reage Jack com o abraço da garota.

- Você chegou uma semana mais cedo! - Lady Myra falava com o semblante feliz.

- Se quiser posso dar meia volta e voltar daqui uma semana... - Debochou Jack.

- Nãããããããoooo... - A garota responde olhando para cima, para o rosto de Jack. Suas mãos apertavam a cintura de Jack ainda mais, forçando que não partisse. Jack apenas ria da garotinha. A pequena Lady Myra era a mais nova das duas filhas de Barry e Abby, que somavam ainda mais dois filhos. Jack e Myra eram tão apegados que Jack acabara se tornando mais irmão de Myra que os próprios irmãos legítimos da garota.

Logo o restante da familia começava a aparecer para receber Jack, todos sempre receptivos e calorosos, mas claro, não podiam competir com o ânimo de Lady Myra.

-  Leo... - Jack abraça o filho mais velho do casal, este já tinha a mesma idade de Jack, mas apesar disto, não eram tão próximos quanto dos outros três irmãos.

- Padrinho! - O velho lobo também recebe seu abraço. Barry Bennett, Jack o chamava de padrinho. Barry era o patrão dos pais de Jack, e o laço entre os dois se estreitou assim que o pai de Jack faleceu. Sua mãe ainda trabalhava na mansão, tanto é que logo aparecera para receber Jack também.

- Mãe! - Jack deu um abraço apertado em sua mãe Helena, e um beijo na testa.

Abby cumprimenta Jack por uma das janelas do segundo andar, e logo some no interior da mansão, se isolando novamente. Jack começava a pensar que talvez ela estivesse doente. Abby não era querida pela mansão, mas isolava-se cada vez mais dos convidados e empregados.

Uma mesa farta foi providenciada para o café da manhã, e todos que estavam na mansão confraternizaram e bateram papo sobre o último mês de Jack, ao qual passou nas muralhas de Caspia tratando de negócios. Após a reunião familiar na mesa, Barry reserva um momento para falar a sós com Jack em seu escritório, fechando a porta dupla de madeira maciça.

- Então... Conseguiu algo com os Ferrinos? - O padrinho, ou patrono de Jack, senta em sua cadeira acolchoada, enquanto Jack servia para si um copo de bebida alcoólica. Barry escondia de seus filhos e esposa suas aventuras na "arte do crime", como ele chamava, e Jack fazia o mesmo com sua mãe.

- Fizeram jogo duro... Mas no fim cederam... - Jack da um gole na bebida, e volta a falar. - Falta só fechar uma ponta solta... - Ele olhava para Barry esperando que o velho lobo adivinhasse.

Barry cerrava os olhos, ficando pensativo, mas após alguns segundos responde hesitante e decepcionado. - Johnny... - Jack faz um estalo com os dedos, confirmando o nome dado por Barry.

- Sinto muito padrinho... Johnny não vai deixar o negócio nem por uma fortuna que garantiria a aposentadoria... Os prostíbulos clandestinos dele rendem mais dinheiro que a coroa... Ele tem muitos figurões no bolso... Nada que o Senhor possa fazer...

Barry tinha conquistado uma fortuna com seus investimentos, legais ou ilegais. Aplicava-se em vários tipos de negócios, e sua reputação era muito grande em seu meio. Barry também era um filantropo, e envolvia-se com a comunidade afim de melhorar a qualidade de vida da população geral. Muito do quê Jack sabia fora ensinado por Barry, que por muitas vezes embarcava nas aventuras de seu patrono. A relação entre Barry e Jack era por muitas vezes invejada por seus dois filhos homens, já que Jack era mais operante nos negócios da família que ambos. Era sabido por Jack que Barry apenas queria segurar que seus filhos não corressem os mesmos riscos que ele corria, sentia-se melhor pai lhes entregando a melhor educação disponível para se tornarem doutores em suas áreas.

- Ele ainda vai pagar pelo que faz... - Barry falava menos otimista que costumava a ser, o quê doía o coração de Jack, o velho lobo, não tão velho quanto aparentava para Jack, não era de desistir assim fácil. Mas era Johnny, e Johnny estava blindado por tantos fatores, que levaria uma vida para contornar todos eles.

- Bom... Sinto muito pelo tempo perdido, Jack.

Jack levanta o copo com a bebida até a altura do rosto, cumprimentando Barry e saindo do escritório em silêncio.




O fim da tarde se aproximava e o céu começava a ser pintado com tons de laranja que se misturavam ao azul predominante. Jack partia da mansão dos Bennett, mas não antes de Lady Myra demonstrar o quê havia aprendido. Uma espada de madeira é lançada na direção de Jack repentinamente. Jack deixa a bengala cair no chão e agarra a espada de madeira ainda no ar, pois a garota já havia partido para o ataque.

As investidas de Lady Myra são defendidas com desespero no início onde quase fora pego de surpresa, mas logo o duelo contra a garotinha estava sob seu controle. Ela havia perdido alguns vícios de combate e seus movimentos de fato ficaram menos previsíveis, com certeza estava treinando escondida de Barry e Abby, e se ela fosse descoberta, a culpa cairia sobre os ombros de Jack, já que ele era a figura que Lady Myra se espelhava.

Depois de uma investida com vários golpes, e todos defendidos, Lady Myra, ofegante, fitava os olhos de Jack, seu adversário nesse duelo montado por ela.

- Quase que te pego dessa vez... Você já foi melhor... - Caçoou a garotinha.

- Eu pego leve com quem luta com os sapatos desamarrados. - Jack fala de forma séria. Ingenuamente, Lady Myra olha para os seus sapatos, já Jack, coloca a espada de madeira que manejava rente ao pescoço de Lady Myra.

- Morta... De novo... - Toda a pose de esperta da garotinha desmoronou quando percebeu que havia caído em um truque bobo.

- Você trapaceou. - Estava indignada.

- E você nunca mais vai cair em um truque desse novamente... Vivendo e aprendendo... - Jack riu junto com a garotinha, entregando a espada de madeira e recuperando sua bengala no chão.

- JJ... Posso passar o fim de semana na tua casa? - O pedido já era esperado por Jack. A garota era urbana, podia notar isso, e sempre que podia fugia da casa de campo para ser lecionada na cidade, junto com Jack.

- Veja com seu pai... - Jack não queria levar a culpa por mais outra coisa que Lady Myra fosse aprontar.

Os dois se despedem, Jack ficava observando Lady Myra adentrar a mansão enquanto uma carruagem se aproximava no horizonte, provavelmente a que contratou mais cedo. Lady Myra acena com as mãos e adentra a casa. Jack respondeu levantando a sua cartola com a mão. Então a garotinha adentra a casa, não se despedindo por outra vez.

Atrás de Jack, a carruagem estaciona, ele mantém sua visão fitando a mansão, perdido em pensamentos.

- Jack? - Uma conhecida voz feminina desperta Jack de seu devaneio.

- Delilah? - Jack engole a saliva em seco, virando-se para a carruagem e deparando-se com a formosa Lady Delilah.

- Achei que estavas em Caspia. - Delilah falava enquanto descia da carruagem ajeitando seu vestido.

- Foi mais rápido do quê esperava... - Jack responde deixando um sorriso amarelo. O silêncio que permanece deixa um clima de constrangimento para ambos, que procuravam as palavras com os olhos. A carruagem parte, e outra já surgia no horizonte, esta sim deveria ser a quê Jack havia contratado.

- Então... A vizinhança em Piltover é tão boa quanto dizem? - Piltover era um bairro nobre de Vicari, a cidade no qual a mansão dos Bennett's ficava nos arredores. Também era a cidade que Jack residia, embora Jack morasse num bairro bem mais modesto.

- Eu esperava mais... Não tem muito o quê fazer... Andrew trabalha dia e noite no sanatório, as vezes de madrugada também... Tive bastante tempo pra fazer vários tours pela cidade, e não tem muito mais para conhecer... Nada de fascinante... - Lady Delilah havia se casado há pouco tempo com o Dr Andrew Hopkins, diretor geral do Asilo Kirton, o sanatório de Vicari.

Ainda era estranho os dois conversarem sobre a vida de casada de Delilah, uma vez que antes de se casar com Andrew, ambos tinham um relacionamento as escondidas. Jack estava inseguro em falar sobre o seu relacionamento com Delilah para Barry, e demorou tempo o suficiente para que Barry aceitasse um de tantos pretendentes que Delilah tinha. Cansada de esperar por Jack, Delilah aceitou o pedido de casamento de Andrew. Desde então, as conversas entre Jack e Delilah sempre soam constrangedoras, estranhas. Tentavam fingir que nada tinha acontecido entre os dois.

A carruagem de Jack finalmente havia chegado.

- Bom... Meu transporte chegou... - Jack levanta a sobrancelha e caminha para perto da carruagem, passando pelo lado de Delilah.

- Este final de semana haverá um baile em Piltover, na casa de um dos amigos de Andrew... Tenho dois convites sobrando... - Jack subia a escada da carruagem quando fora surpreendido pelo convite, parando de costas para Delilah.

- Não tenho quem levar como acompanhante... Além disso, Lady Myra pretende passar o final de semana me aportunando para ensinar ela a lutar... - Delilah solta uma risada abafada após o comentário sobre sua irmã menor.

- Ainda tenho que disputar tempo seu com essa pirralha... Algumas coisas não mudam mesmo... - Delilah falava em tom bem humorado, e continua - Você não deveria incentivar ela com isso, sabia? - Jack volta a virar-se para Delilah.

- Ela é teimosa demais para me escutar... E se ela quer mesmo isso, precisa aprender com o melhor. - Jack esboça um sorriso de canto de boca.

- Convencido... - Delilah franze os olhos, fazendo pouco caso do quê Jack falara.

- Au Revoir, milady... - Jack se despede, adentrando a carruagem, enquanto Delilah deixava um sorriso silencioso.




Jack bate três vezes na porta de metal maciço e em seguida arranha a porta com o bico da ave que ornamenta a ponta de sua bengala. Não demoraria para alguém atender, esperava ele.

Lugos, logo ele foi quem abriu a porta pequena porta de observação para espiar quem estava por detrás da porta. Surpreendentemente não faz algum comentário irritante.

- Chegou em boa hora... - O tom não carregava irônia. Não era o tipo de comportamento que Jack esperava de Lugos, uma vez que Lugos sempre o provocava quando podia. O fato de Jack manter uma vida paralela as questões da Irmandade incomodava Lugos.

Jack fica pensativo enquanto encarava as paredes frias, as inúmeras trancas de proteção eram destrancadas por Lugos. E finalmente a porta se abre.

Jack adentra a espelunca escura e desce pela passagem secreta atrás do balcão, onde a Irmandade se reunia para traçar seus planos e dividir os lucros. A escada rangia propositalmente. Após trancar a porta novamente, Lugos segue Jack.

O salão secreto era mal iluminado, dois homens estavam em pé em frente a mesa redonda que ficava no meio do salão. As paredes de pedras brilhavam com o a iluminação dos candelabros, deixando com aspecto molhado.

- Harpia... Que bom que veio. - Harpia, era assim que Jack era chamado entre os membros da Irmandade. Vivaldi falava de costas para Jack e de frente para a mesa. Vivaldi era o mais velho da Irmandade e o mestre de todos os outros membros. Sua disciplina e sabedoria não tinham igual, e apesar de cabelos brancos preencherem sua cabeça, é o melhor combatente entre todos da Irmandade, e particularmente o melhor duelista que Jack já conheceu. Muitas histórias do passado de Vivaldi eram impressionantes, e constatavam que quando jovem era ainda melhor. Definitivamente ele era o líder da Irmandade, apesar da Irmandade não eleger nenhum líder. Vivaldi liderava pelo exemplo, e todos anceavam ser como ele em algum de seus aspectos. Jack tentava ser exatamente como ele em todos os aspectos, mas estava muito longe de conseguir, principalmente por lhe faltar disciplina.

Jack se aproxima da mesa redonda para ver o quê estavam tramando, Jerome o cumprimenta batendo nos ombros de Jack. Jerome quase nunca falava, e quando falava o fazia de forma grotesca.

A planta baixa de um edifício estava esticada sobre a mesa, e no topo do papel escrito "Asilo Kirton".

- Que coincidência... - Jack pensa alto.

- O quê... - Vivaldi indagava enquanto encarava a planta baixo e fitava cada cômodo desenhado.

- Nada... - Desconversa Jack. - Nunca achei que roubaríamos um sanatório... - Jack estava confuso, tentando vislumbrar o quê de tão valioso teria em um sanatório que valeria o risco.

- O quê vamos pegar ali? - Sem nenhuma boa opção em mente, Jack resolve logo perguntar.

- Amy - Responde em seco, Vivaldi.

- Oh... - Jack falava constrangido, e desconfiava dos motivos.

Amanda, ou Amy, como a chamavam, era a outra membro da Irmandade que não estava presente. Amy tinha um histórico de vida muito excêntrico. Fora uma barda, uma artista de rua, e espiã de Ord durante algum tempo, até forjar sua morte e conseguir se desvincular do reino vizinho. Amy era uma jovem totalmente passional, e conseguia ser ainda mais indisciplinada que Jack, o quê causava grande dores de cabeça para Vivaldi. Amy tinha um arsenal de técnicas e conhecimentos extremamente grande e útil para a irmandade. Por terem gênios parecidos, Jack e Amy sempre demonstraram entrosamento dentro da Irmandade, e fora dela uma amizade ambígua. Mas a indisciplina de Amy era o menor de seus problemas, a jovem sofria com transtornos esquizoafetivo. Embora raramente sofresse com os sintomas de sua doença mental, quando sua condição agravava, Amy ficava totalmente perturbada, em uma situação deplorável.

- Não temos tempo pra isso... - Vivaldi passa a mão sobre a planta baixa esticada na mesa e começa a enrolar novamente. - Vamos ter que fazer isso usando a força, sendo ágeis e cuidadosos...

- Vivaldi deixa o papel enrolado em cima da mesa e começava a juntar seus equipamentos, guardando-os nos locais apropriados de sua vestimenta.

- Por quê a pressa? - Jack sabia que Vivaldi não era adepto de fazer qualquer operação sem traçar três ou quatro planos.

- Amy vai ser submetida a uma Lobotomia em torno de... - Vivaldi passa a mão no bolso e observa seu relógio de bolso. - ... quarenta minutos. - Então continua a arrumar os equipamentos.

- Que bom, não? - Jack respondia confuso, e indagando se realmente era bom levando-se pelo senso de urgência de Vivaldi.

- Não... Essa cirurgia é efetiva na minoria dos pacientes... Em outra minoria ela não causa nenhum efeito... E na metade dos pacientes... Bom... Na metade dos pacientes pode ter diversos efeitos negativos... Podem ter seu estado mental piorado, perder os movimentos dos membros... Ou morrer... - Vivaldi falava com bastante convicção, Jack não tinha como não acreditar que aquilo era realmente ruim.

- O tratamento não vale o risco... - Afirma Jack após ser apresentado aos possíveis estados pós cirurgia de Amy.

- Exato. - Vivaldi apenas confirmava.

Em um curto espaço de tempo, Vivaldi, Lugos, Jerome e Jack se equipam apropriadamente para a missão conjunta e improvisada que estavam prestes a realizar no meio da noite.





Elminster Aumar
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Re: Os Protagonistas

Mensagem por Elminster Aumar em Ter Jan 23, 2018 1:23 am




Annalise Belgarten


Nível: Herói
XP: 22




Raça: Humano
Arquétipo: Dotada
Carreiras: Aristocrata / Arcanista


Atributos:

5
FIS
6
VEL
4
FOR

3
AGI
5
DES
4
MAE

5
INT
4
ARC
5
PER



Estatísticas:
DEF 13
ARM 10
INIC 15
CMD 6
VONT 10



Corpo-a-Corpo:
Adaga

5 ACO
5
P+F



Ataque a Distância:
Pistola

16m ALC
6
ADI
10 POD



Armadura:
Armadura de Couro

0
VEL
-1 DEF
5 ARM



Perícias:
Nome da PeríciaAtributoNívelTotal
Arma de Mão415
Pistola516
Con. Arcano516
Pesquisar527
ComandarSocial11*
EtiquetaSocial22*
OratóriaSocial11*
SeduzirSocial11*
EnganarSocial11*
Criptografia516


Benefícios & Habilidades:
Leitura de Runas (Arquétipo)
Conjurador de Combate (Arquétipo)
Sensibilidade Mágica (Arquétipo)
Poder Maior
Boa Criação
Idioma
Privilégio

Equipamento:
Roupas de viagem
Utensílios para alimentação e higiene
Cantil
Bolsa de munição
Carteira
Mochila
Relógio de bolso
Livro da Síntese
Pistola
Adaga
Cinto para arma
Munição x46
Cavalo de montaria
Armadura de Couro

Magias:
Aura de Proteção
Luz nas Trevas
Raio Arcano
Rajada Mística
Telecinesia
Mão do Destino

Dinheiro:
125 CO
50 CO p/ mês vindo da família rica

Conexões:
Nobreza

Idiomas:
Cygnarano
Khadorano
Llaês


Spoiler:


Um Dia na Vida de Annalise Belgarten


Os passarinhos já cantavam lá fora quando a garota acordou em sua cama perfeitamente branca com lençóis de mil fios. Após uma boa espreguiçada, já estava sentada na cama e seus cabelos dourados embaraçavam apesar da tentativa de domá-los com um laço para dormir. Esticou os braços e ficou um tempo tentando enxergar através da janela coberta pela cortina branca. O sol já começava a aparecer.

Saiu da cama, calçando sua pantufa também branca. Seu pijama era um tipo de bombacha decorada com uma blusinha de rendas. Foi até a janela, espiando o dia lá fora. Podia ver a mistura de engenhocas metálicas que sustentavam o jardim miscelânea que havia bem ao fundo.

Annalise deu um sorriso animado, fechando a cortina e partindo para uma mesinha no canto que continha um gramofone. Estava na hora de acordar de verdade.

- Bom dia! - anunciou de braços abertos e colocou o disco para tocar uma música dançante. Balançando a cabeleira loura, foi até o guarda-roupas e tirou de lá de dentro o corpete, a camisa branca de manga bufante e a calça colada marrom. Tudo isso foi empilhado na cadeira talhada atrás de si e depois vestido ao ritmo da música.

Hey brother what you're thinking... they don't know what they are missing...

Às vezes, perguntava-se por que não tentou ir para o lado das artes, virar cantora, atriz, dançarina... Sua "irmã de consideração", Gutierra, tinha um vozeirão de soprano de dar inveja. Ela não entendia por que a namorada do pai, Catalina, vivia xingando a garota para tentar ser mais "útil". Por causa disso, a menina vivia chorando pelos cantos e cantando escondida, geralmente no jardim. Era apaixonadíssima pelo filho do melhor amigo de seu pai e Annalise ficaria felissíssima de poder embrulhar Russel para a outra garota, quem sabe assim ele pararia de persegui-la nas festas cheio de galanteios e ela poderia parar de fingir ser educada. Aquilo estava ficando cada vez mais atrevido e perturbador. Ok, era bonito e às vezes ela até não fingia muito quando dançava com ele e, tudo bem, ele tinha roubado seu primeiro beijo e às vezes ela acreditava em suas palavras muito convincentes, mas sua personalidade era deplorável, pois acreditava ser digno de muito mais do que a maior parte da população e queria levá-la com ele.

Quando terminava a pincelada de blush no rosto, a porta se abriu com violência.

- Você acha que está em algum tipo de bordel? - uma mulher já de meia idade, quilos de retoques de maquiagem, e um vestido longo e carmesim fumegava pelos olhos.

A loira levou um susto e girou o corpo como um gato, encarando a madrasta com nervos à flor da pele. Provavelmente seu pai não estava na casa naquela manhã, para ela ter a audácia de tratá-la daquela maneira. Geralmente ela disfarçava e só tentava manipular Gregory de uma forma bem sutil e venenosa demais que o homem de pensamento binário não podia entender. Desde a morte de sua mãe, o pai era um joguete na mão de mulheres. A maioria Annalise conseguiu se livrar com maestria, mas essa era muito ardilosa, tanto que ela tinha certeza de que ela tramava com alguém querendo derrubar seu pai, mas não deixava rastros.

- Agora que está aqui eu tenho as minhas dúvidas - comentou com um sorriso maldito que fez ferver o corpo da mulher.

- Ora, sua... - inspirando forte, Catalina caminhou feito um touro, mas a menina levantou-se de sobressalto.

- BOM DIA, RATCHFORD! - sorriu animada para a porta vazia. Em seguida, o guarda-costas apareceu à porta de braços cruzados. Odiava ser usado daquela maneira para qualquer briga familiar idiota, mas parte dele já tinha se tornado protetor demais ao longo dos anos para não se importar. - Que pena, já estou atrasada. Conversamos outro dia, certo, senhora Pillgam.

- Bom dia. Eu realmente tenho mais o que fazer - ela torceu a boca com tanta força que parecia que cairia do rosto e saiu do quarto.

- ... Você não tem instrução tão cedo hoje - comentou o homem forte de longos cabelos negros e lisos presos a um rabo de cavalo.

- Eu sei - deu de ombros e deu uma última e rápida escovada nos cabelos, pousando a escova na penteadeira e andando até ele.

Discretamente o guarda-costas observou o quarto relativamente bagunçado e em seguida a loira estralava os dedos ao ritmo da música a sua frente, convidando para uma dança. Obviamente ele apenas a olhou sério, embora por dentro achasse aquilo um tanto engraçadinho e até gracioso. No início, ela conseguia deixá-lo irritado com essa atitude, e às vezes desconcertado por sair do padrão de donzelas que imaginou que protegeria.

- Hahaha. Ah, Jus-tin. Por favor não fique tão sério. A música é boa.

Ratchford respirou fundo. Ela tinha recém descoberto seu nome e isso ainda o incomodava. Era orgulhoso e estava e serviço, ser tratado como um 'igual' assim era bem irritante. A garota Belgarten conseguia tirá-lo do sério às vezes. Virou as costas e saiu do quarto.

- Eu vim porque estava em apuros, senhorita. Estarei aguardando lá embaixo.

- Tudo bem - Annalise sorriu, feliz por sua "conquista", e deixou que ele partisse. Fazia esse tipo de coisa quando queria pedir desculpas por usá-lo ou simplesmente porque achava que ele estava chateado e às vezes só por carência mesmo. Para ela, qualquer informação sobre ele era uma conquista, já que ele nunca falava sobre si mesmo.

Seu antigo protetor, o senhor Hidgens, já estava velho demais para o serviço e, quando a menina cresceu e começou a querer andar de balão e trem para lá e para na grande Caspia, o barão Belgarten soube que estava na hora de alocar alguém mais jovem e capaz, e mandou contratar Justin por um preço bem gordo. É claro que o guarda-costas esperava outro cenário, mas aos poucos viu-se muito afeiçoado pela loirinha. No entanto, sabia que aquele emprego já não lhe cabia mais no momento da vida e de vez em quando pesquisava outras oportunidades, dividido cada vez que Anna fazia algum tipo de gracinha como aquela ou se metia em apuros.

Poucos minutos depois, gramofone desligado e bolsa pronta, foi abordada nos corredores para tomar café da manhã e assim seguiu para o andar de baixo. A mansão era muito solitária desde que Maureen morrera. A mãe parecia uma fada, aparência delicada que foi herdada pela filha. Seus poderes de feiticeira do fogo foram escondidos a partir do momento no qual se casou com o barão. Ela aconselhava e dirigia aquela casa como uma rainha. Muito bondosa, partiu aos dez anos de vida de Annalise deixando um constante vazio nas paredes rococó do lugar. O caminho da magia foi um dos pedidos que ela fez para que o marido guiasse a filha e por isso mesmo a loira se embrenhou nos estudos arcanistas.

Em alguns dias da semana, ela partia para a capital acompanhada de seu guarda-costas para aprender com os melhores tutores. Recentemente tinha começado um pequeno estágio também. O fato de ser filha do barão de Ellsporth só servia para que algumas pessoas duvidassem do merecimento dela ali e, por isso, sempre que possível seria preterida em coisas importantes.

No trem, a menina relia o livro de princípios enquanto Ratchford naquele dia encontraria velhos conhecidos para saber o que faziam da vida. Eles constantemente caçoavam do fato de que ele havia se tornado cachorro do barão e questionavam se ele estava pretendendo dar o golpe em uma "baronesa". Tudo com muita simpatia masculina.

Quando chegaram, a loira se depediu dele diante das imensas lacunas de mármore e sumiu para a instituição. Lá dentro, cumprimentou os colegas apenas com um meneio. Tinha aprendido que ali dentro não se falava muito e seu jeito espalhafatoso tinha que ficar para fora. Logo avistou e cumprimentou respeitosamente seu superior direto, o velho Grimmel, que era especialmente rígido e duro, apesar de ser, em aparência, um idoso careca com barba longa e 20 centímetros mais baixo do que a garota. O pai tinha investido uma boa quantia de dinheiro para "incentivar" que ele fosse o professor e isso o enfureceu. Ele tentou fazê-la desistir no começo, com lições difíceis, mas no fim, viu o quanto a garota se esforçava e só queria realmente aprender e deixou seu rancor para o próprio barão. Via nela uma pedra bruta que poderia crescer, um tipo de neta distante. Ele gostava de deixar as perguntas em aberto para que a menina passasse a semana pesquisando. Naquele dia, haveria um encontro com membros da Ordem, que apareciam naquele lugar para uma palestra especial.

O pai tinha recebido conselhos de que a filha poderia ser uma ponte interessante de contato com outras organizações, como a Ordem. Quando o assunto era dinheiro, o barão era um excelente administrador, sabendo para onde ia cada centavo de seus gastos, porém, era uma manteiga em relação a filha e se alguém lhe dizia que ela poderia ser "brilhante na Ordem e lhe trazer benefícios, não se preocupe pois ela ficará segura", ele aceitaria duas vezes. O mesmo valia para "meu filho é muito rico e bondoso, acho que seria um ótimo marido". Por isso, ele costumava ser muito teimoso e esbravejar com ela diante de recusas de coisas que ele fazia, claramente, pelo seu bem.

De todo modo, Annalise se esforçava medianamente para seguir algumas dessas "sugestões" do pai, pois sentia-se na obrigação de cuidar dele e proteger contra aproveitadores. Seus estudos arcanos tinham sido um comum acordo e a previsão acontecera como o pai dissera: ela largaria suas escapadas rebeldes à noite para frequentar bares, passear de balão ou se embrenhar na parte baixa da cidade, para ser uma moça relativamente correta pois não tinha mais tanto tempo para tais aventuras. Agora, no tempo livre, sua aventura era limitada a pequenas viagens e cavalgadas, ainda que o gosto pela aventura fosse latente.

Quando a palestra acabou perto da tarde, Annalise já estava faminta e cansada da luz de lamparinas, decidindo ir às ruas. Ratchford não estava no local. O que era até compreensível, pois o fim estava marcado para mais tarde. Então decidiu andar sozinha mesmo, como gostava. Foi para o centro, andar entre o bando de gente, queria ver artistas de rua e seus olhos brilhavam até para brigas ouvidas em beco. Tudo era muito maior do que Ellsporth. É claro que não era uma cidade exatamente pequena, mas ela entendia que seu lar era um ambiente mais controlado para seu pai e ali tudo era ampliado. Todos os risos, confusões, alegrias e tragédias. Era tudo bonito.

Foi prontamente atraída por um homem sentado no chão com engenhocas criadas por ele e acabou levando um relógio para casa. Em outra tendinha, teve a mão lida, e em outra perdeu algumas moedas enganada por um jogo de copos. Acabou entrando em uma loja de armas apenas para apreciá-las - tinha sua própria, mas não era como se o pai amasse essa "masculinização" completa. A garota vagou por vários locais até adentrar em um bar e pedir o prato da casa sem fazer ideia do que era. Ficava ouvindo as conversas, olhando os cartazes de procurados... Quando viu já tinha perdido a hora. Saiu correndo de volta e se esgueirou para dentro, fazendo o mínimo de barulho possível, mas sendo encarada com desprezo por alguns presentes. Não tinha muito talento para acadêmica, afinal...

No fim da palestra, já na parte da noite, foi chamada num canto por Grimmel, que a repreendeu um pouco, mas ele pessoalmente não gostava daquele pessoal. Um tanto confusa, a loira ficou encucada com o assunto na volta para casa e passou parte do caminho em segredo e depois sentiu a necessidade de descontrair.

- Ei, Rathcford, por onde andou esse tempo todo?

- Estive esperando pela senhorita.

- Não minta, vai. Eu passei pelas perigosíssimas ruas de Caspia sem a sua companhia. Até perdi um pouco de dinheiro...

O guarda-costas mirou o novo relógio de bolso da garota. Era uma antiguidade bem interessante, mas era provavelmente roubado. De fato ela tinha saído, e em outras épocas teria suado frio pelo furo no trabalho, mas sabia que ela não falaria nada.

- Sinto muito. Tive que resolver um assunto.

- "Seu assunto deve ser a minha filha" - imitou a voz do pai, brincando e riu. - Oh. Será que você tem uma amante aqui em Caspia? - cobriu a boca. De repente pensou que talvez ele realmente tivesse uma família feita. Não é porque ela era rebelde e não queria saber dessas coisas que ele já não teria... Aquela frieza nos olhos dele não respondiam nada, mas havia um brilho diferente, algum tipo de mágoa? Será que algo ruim tinha acontecido com a família dele? Ou de repente um coração partido... - Ah, tudo bem, não vai ser dessa vez, já entendi.

- Como foi a palestra?

- Chata. Burocracia. Eu achei que seria algo menos político...

O restante da viagem seguiu normalmente. Quando chegaram em casa, o pai estava alegre "brincando" com seu gigante a vapor no meio do salão de festas.

- Papai, o que é isso? O que o Senhor Willis está fazendo na sala?

- Querida! Venha ver que belezinha. - Gregory já era grisalho e tinha uma barriguinha saliente. Ele abraçou a filha e fez carinho em seus cabelos com os dedos gorduchos. - Timmy me chamou pela manhã dizendo que um carregamento de peças limitado tinha chegado. - Ele deu um tapinha nos novos dedos articulados com pedras brilhantes nas juntas do robô.

- Uau! Isso deve ter sido bem caro...

- Foi um investimento! - sorriu largamente. - Eu não sei por que, mas não está mexendo direito, amanhã ele virá dar uma olhada. Seu velho pai sabe montar com os gigantes à moda antiga!

- Tenho certeza que ficará ótimo - beijou o rosto dele.

- Quando o novo modelo estiver reformado, quero ver o que o Sr. Barns dirá na próxima festa - Apesar de controlar muito o dinheiro, ele esbanjava sem pena em seus próprios caprichos e gostava de exibir seu gigante como uma atração de festas. Era tudo uma questão de ego. - A propósito, estive conversando com o pai de Russel...

- Não.

- E pensamos que nosso próximo encontro...

- Pai, não. - fechou a cara.

- Ah, minha Anna. Como você é difícil! - dessa vez ele limitou-se a isso, já que estava animado com sua cria nova. Suspirou pesadamente - Muito bem. Ao menos foi à palestra hoje? E como foi?

- Foi... boa, eu acho.

- Ótimo! - sorriu satisfeito - Ótimo mesmo. Bem, querida, eu vou terminar meu trabalho com o Sr. Willis, vá brincar.

A loira riu por ser tratada como criança e o beijou de novo.

- Boa noite, papai.





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Re: Os Protagonistas

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