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    Aerin e a Leoa

    Dovahkiin
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    Mensagem por Dovahkiin Sex Jan 15, 2021 7:31 pm

    Capítulo 1: Como um Homem


    Aerin e a Leoa Aerin_10


    Ano 190 da Quarta Era;

    Um menino de cabelos castanhos, nariz sangrando e olho roxo era jogado com o rosto na lama. Ao seu redor, várias outras crianças gritavam, seja a favor do menino maior e mais forte, ou incentivando Aerin a se levantar e reagir.

    - Aja como homem Aerin! Aja como seu pai! – Dizia uma voz entre o meio da torcida.

    - Seu pai era um soldado? Hahaha, aposto que você não tem forças nem para segurar uma espada! – Diz o menino ruivo antes de pisar na cabeça de Aerin quando este tentava se levantar, esfregando seu rosto na lama com o pé.

    - Seu frouxo, aposto que minha irmã menor é mais homem que você! – Insultava o valentão.

    - AERIN! – Gritava uma voz feminina e as crianças saiam correndo, deixando apenas o menino ferido e humilhado na lama.

    - Aerin, o que aconteceu? Eu já lhe disse que violência só gera violência... cof cof... vamos... vamos para casa.

    Enquanto era levantado e levado por sua mãe, Aerin olhava para trás e podia ver seu agressor escondido atrás de uma árvore, rindo maliciosamente ao ver o menininho da mamãe sendo levado pelo braço para casa.

    ...

    Um Aerin pouco mais velho cuidava de sua mãe. Há alguns anos, ela havia desenvolvido uma estranha doença que nem os curandeiros de Riften foram capazes de curar. Tudo começou após a Grande Guerra, quando o pai de Aerin, um renomado soldado da cidade, foi enviado para liderar um ataque a um grupo de bandidos que estavam causando problemas na estrada. O grupo foi emboscado e o único sobrevivente morreu logo após dar a notícia. Os corpos nunca foram recuperados. Após isso, sua mãe teve de cuidar sozinha do garoto e sua saúde foi se degradando cada vez mais. O choque da perda do marido foi muito grande e ela criou Aerin de forma super protetora, sempre o incentivando a evitar conflitos, custe o que custar, provavelmente com medo de que ele seguisse os passos do pai e o perdesse da mesma forma.
    A família havia recebido uma considerável quantia de dinheiro pela morte do soldado, que além de muito importante na cidade de Riften, era um amigo pessoal do atual Jarl. Por isso, a mãe de Aerin não se preocupou que o filho aprendesse nenhum ofício para ganhar a vida (e muito menos recebesse treinamento militar). Ao invés disso, Aerin aprendeu a cozinhar, cuidar dos afazeres domésticos e principalmente, tratar de sua mãe adoentada com todo o carinho e atenção que podia oferecer.

    “Já vimos algo parecido antes, a mente perdeu aquilo que lhe trazia a alegria de viver, então o corpo padece. Não é uma doença causada por contaminação, ferimentos físicos ou maldições, por isso, não possui uma cura conhecida” – Diziam os clérigos e curandeiros com quem falava. Aerin até mesmo havia procurado alguns alquimistas fora da cidade em busca de alguma cura milagrosa, mas não conseguiu nada exceto perder boa parte do ouro que seu pai havia lhe deixado.
    A doença piorava com os anos, e Aerin sentia-se mais sozinho do que nunca para suportar tal peso. Os cabelos louro avermelhados de sua mãe, com os quais Aerin gostava de brincar, já haviam perdido todo seu brilho, se tornado grisalhos e quebradiços, e caiam, deixando enormes brechas onde veias azuladas podiam ser vistas. Manchas escuras surgiam na ponta de seus dedos, e seus olhos pareciam não possuir mais brilho, como os olhos de um cadáver, e embora negasse isso com todas as suas forças, Aerin sabia que ela não estaria com ele por muito mais tempo.

    ...

    O céu estava nublado, como de costume em Riften, e ele parecia refletir o que Aerin sentia agora, durante o funeral de sua amada mãe. Por sorte, durante o funeral começou a chover, então ninguém pôde ver as lágrimas que Aerin derramava.
    Aerin ainda chorava ao voltar para casa e decide cortar caminho por um beco para que não o vissem. Ao entrar no beco, porém, um calafrio subiu por sua espinha ao ouvir um gemido não muito longe. Aerin se aproxima cautelosamente, apenas para ver um homem encapuzado agredindo um idoso que se encontrava no chão.

    - Por favor, eu já lhe disse, eu não tenho nada!

    - Maven está ficando sem paciência, nunca peça empréstimos se não puder pagar, especialmente dela!

    Aerin se sentia completamente impotente diante da situação. Nos últimos anos, a Guilda dos Ladrões vinha se tornando uma praga em Riften, e muitos desconfiavam que Maven Black-Briar tinha uma relação com eles. Isso apenas confirmava tudo. Os olhos do velho ferido então encontravam os de Aerin e lhe suplicavam silenciosamente por ajuda.
    Assim como a maioria dos cidadãos de Riften, Aerin carregava um punhal consigo, mas jamais o havia usado e esperava nunca precisar, pois como sua mãe dizia, evitar a violência sempre era a melhor saída.
    Finalmente o ladrão percebe a presença de Aerin e o ameaça.

    - Está olhando o quê, idiota?!

    - P... por favor, senhor, deixe o homem em paz! Quanto ele lhe deve? Eu possuo algumas posses, posso pagar a dívida dele, apenas o deixe em paz!

    - Quanto você tem aí?

    Aerin retirava a sacola de moedas carregava na cintura e a abria para contar, mas antes mesmo que o fizesse, era golpeado na cabeça, e tonto, caia no chão. O ladrão roubava sua bolsa de moedas, e não satisfeito, arrancava seu casaco de luxo.

    - Não, por favor. Isso pertencia a meu pai, é a última lembrança que tenho dele! – Implorava Aerin.

    A única resposta que Aerin recebia era um chute em seu rosto que quebrava seu nariz.

    - Ainda deve a Maven, velho caquético! Têm até o pôr do sol para pagar! – Então cuspia no velho e em Aerin, antes de desaparecer pelos becos.

    Mais tarde, naquele mesmo dia, Aerin procurava a Jarl para dar queixa do ocorrido, mas ao seu aproximar dos guardas, um deles se aproxima de seu ouvido e cochicha:

    - Muita calma, frangote. Sei que você está indo ver a Jarl, mas saiba que se falar sobre algo que tenha ouvido no beco, uma bolsa de moedas e um casaco serão as menores de suas preocupações!

    Naquele momento, Aerin percebia que a corrupção havia tomado conta da cidade. Maven era a verdadeira dona de Riften e não havia nada que ele ou qualquer um pudessem fazer para impedir isso. Se ao menos seu pai estivesse vivo. Se ao menos Aerin tivesse sua coragem ou sua habilidade com a espada. “Você apenas acabaria tendo o mesmo destino que ele” dizia a voz de sua mãe em sua mente.

    ...

    Cansado das injustiças de sua cidade natal, Aerin decide fazer uma pequena viagem a seus parentes distantes em Windhelm. As notícias não eram boas. A guerra civil de Skyrim havia partido a terra ao meio, os partidários de Ulfric que aos olhos do pacifista Aerin pareciam um bando de bárbaros sedentos pelo sangue de seus rivais, brigas e ofensas nas ruas em plena luz do dia. Aerin vê um Dunmer sendo expulso e humilhado por três trabalhadores Nórdicos que o enxotam para o Bairro Cinzento, então, sensibilizado com o elfo negro, lhe dá um Séptim. O elfo lhe agradece e aperta sua mão por não ser um Nórdico preconceituoso como os moradores de Windhelm, e lhe dá tapinhas no ombro antes de ir embora. Após isso, Aerin percebe que sua bolsa de moedas havia sido roubada, por sorte, no quarto da estalagem onde havia dormido na última noite ele ainda tinha uma quantia suficiente para voltar para casa de carruagem.
    Ao caminhar até a estalagem Candleheart Hall, Aerin é abordado pelos trabalhadores que viu mais cedo ofendendo o Dunmer. Agora completamente bêbados.

    - Ora, o que temos aqui, um defensor dos Dunmer. Aposto que o idiota nem percebeu quando o elfo cor de sujeira roubou a bolsa de moedas dele bem debaixo do seu nariz, hahahahahaha.

    - É isso que a escória defensora dos ratos de Windhelm merece, pena não ter sido esfaqueado pelas costas. Assim teríamos uma boa desculpa para mandar os guardas fazerem uma limpa naquele beco fétido que os elfos negros chamam de lar.

    Então os três cuspiam aos pés de Aerin quando ele passava. Com medo de ser agredido, Aerin baixava a cabeça e passava por eles sem dizer nada.

    ...


    Não era apenas Riften – pensava Aerin enquanto viajava em uma carruagem de volta para casa – toda Skyrim, e talvez toda Tamriel estejam podres. O mundo é um local hostil, no qual você é uma presa se demonstrar fraqueza. A sociedade em si está apodrecida, corrupta, injusta, insensível. Se ao menos houvesse alguém virtuoso com a coragem e força necessária para...
    Subitamente, enquanto filosofava silenciosamente, algo no horizonte chamava sua atenção. Um vulto alaranjado. Olhando melhor, parecia um animal... não, se movia mais como um ser humano. Um ser humano rastejando? Apenas era possível distinguir os longos cabelos louro avermelhados. Por um instante delirante, Aerin acreditava que fossem os cabelos de sua mãe, então saltava da carruagem para desespero do condutor e corria em direção de sua visão.
    Realmente, era um ser humano rastejando e ferido. Não, não era sua mãe, mas de fato era uma mulher. Uma bela e jovem mulher ferida e sangrando.

    - Grimsever... onde...?!

    Então ela desmaiava.

    O coração de Aerin acelerava. Ele não poderia deixa-la aqui. Ferida como estava, ela certamente morreria. Isso se não fosse avistada por bandoleiros que fariam sabe-se lá que atrocidades com ela antes de matarem-na.

    Não, Aerin não poderia deixa-la aqui para morrer. Com toda a sua força ele ergue a jovem (o peso de sua armadura era insuportável, mas ele dizia para si mesmo “que tipo de homem deixaria ela aqui? Seja forte, Aerin, SEJA HOMEM!”) e com muito esforço, a trazia até a carruagem.

    - Precisamos correr, ela não tem muito tempo!
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    Mensagem por Dovahkiin Sex Jan 15, 2021 7:36 pm

    Capítulo 2: A Leoa







    A carruagem corria depressa, mas Aerin temia que não chegassem a tempo. A jovem estava febril e por baixo de sua armadura sangrava muito. Não havia muito o que fazer, Aerin retira delicadamente a armadura da moça... e as roupas da parte superior de seu corpo.
    Era a primeira vez que Aerin estava diante de uma mulher nua, mas sua mãe sempre lhe ensinou a tratar as mulheres com respeito, por isso, como um bom cavalheiro, ele evitava ao máximo olhar para as intimidades da moça. O condutor da carruagem olhava para trás e dava um sorriso malicioso para Aerin, que retribuía com um olhar acusador:

    - Siga adiante, e não olhe para cá!

    Haviam ferimentos de queimadura e um corte muito profundo que sangrava extensivamente. Aerin retira seu manto e usava-o para estancar o ferimento. Além dos ferimentos atuais, Aerin pôde notar outras pequenas cicatrizes em seus braços e tronco. Apesar de esbelta, a mulher parecia possuir uma constituição um tanto robusta, com braços fortes e músculos sólidos. Uma guerreira.

    ...

    Ao chegarem em Riften, Aerin pede ao condutor que o ajude a transportar a moça até sua casa.

    - Ih, esse não é meu serviço. Eu posso até ajudar, mas vou cobrar um tantinho a mais!

    - Eu pago, apenas me ajude!

    Ao depositar cuidadosamente a desconhecida na cama, ele pede ao condutor que molhe tiras de pano e as deposita na testa da jovem. Uma poção de cura talvez fosse o suficiente. Aerin conhecia um casal de alquimistas idosos confiáveis que moravam na parte baixa da cidade, mas não poderia deixar a moça sozinha para ir comprar a poção, e muito menos tinha a intenção de deixar o condutor sozinho com ela para ir comprar. Ele teria de confiar no homem.

    - Por favor, existe uma loja na parte baixa da cidade, chamada Elgrim’s Elixir. Preciso que você compre uma poção de cura. Aqui está o dinheiro. Eu lhe suplico, vá rápido!

    - Bah, isso vai atrasar meu trabalho. Eu entendo que a situação é crítica, mas preciso sobreviver. Eu até iria... desde que você me pagasse um adicional, e adiantado.

    Inconformado com a ganância do homem, Aerin lhe paga um adicional e implora novamente que ele não demore, então se ajoelha ao lado da cama, segurando a mão da moça. As horas se passam, e o condutor não retorna. Teria ele se perdido nos becos, ou pior, dado de cara com um membro da Guilda dos Ladrões?! Não, algo no íntimo de Aerin lhe dizia que ele havia sido enganado. O condutor havia fugido com seu dinheiro e não voltaria.

    - Droga, será que não existe uma única pessoa gentil e bem intencionada nesse mundo?!

    ...

    Durante a noite, uma tempestade assolava a cidade, e Aerin permanece ao lado da cama o tempo todo, deixando-a apenas para molhar mais tiras de pano para pôr na testa da jovem. Ele suplicava aos Nove que a salvassem, por tudo que era mais sagrado.
    O jovem Aerin luta para permanecer toda a madrugada acordado. A jovem murmura frases desconexas em seus delírios. Coisas sobre “Ruínas Dwemer”, “Centurião”, “Fugir”, e principalmente “Grimsever”. Provavelmente ela estava explorando ruínas enânicas até ser atacada por algo ou alguém. Grimsever seria algum objeto? Tanto faz, agora apenas importava que ela sobrevivesse.

    ...

    Mjoll estava rastejando em meio à escuridão, e não tinha mais forças, quando alguém segura sua mão. Ele ergue a cabeça para ver quem era seu salvador, mas para seu martírio, era apenas o Centurião enânico que voltava para terminar o serviço.

    Mjoll acorda repentinamente do pesadelo, suando frio. E percebe que alguém realmente segurava sua mão. Um jovem, de cabelos castanhos, aproximadamente de sua idade, adormecia ajoelhado ao lado dela, ainda segurando sua mão. Ela estava em uma cama confortável, e alguém havia cuidado de seus ferimentos.
    Ao tentar se endireitar, ela solta involuntariamente um gemido de dor, que acorda o jovem.

    - Oque? Ah, você... você acordou!

    - Ahhn... onde eu estou? E onde está minha armadura?

    ...

    Mjoll descobre que o jovem se chamava Aerin, e que ele a salvou após vê-la rastejando para fora da ruína Dwemer. Ela o agradece, mas ainda assim ele recomenda que ela precisaria de mais alguns dias de repouso.
    Era estranho ter alguém cuidando dela, e esse Aerin era muito atencioso, atendendo a todas as suas vontades. Mesmo assim, ela procurava não exigir muito dele, nem abusar de seu cavalheirismo. Mjoll desde pequena sempre foi uma garota bastante independente, e não seria justo abusar da gentileza de um estranho que a ajudava em troca de nada.
    Aerin havia mandado consertarem sua armadura e lhe presenteara com algumas roupas de sua mãe. Porém, sua poderosa espada, Grimsever, ao que tudo indicava, havia sido perdida para sempre. Mjoll se sentia vulnerável sem ela, e isso era algo que ela não gostava de sentir. Aerin percebe isso e oferece o machado de seu pai a ela. Não era a mesma coisa, mas ela se sentia mais segura com uma arma em suas mãos.

    ...

    Os dias se passam, e Mjoll já se sentia segura o suficiente para sair de casa. Aerin a acompanhava e lhe ensinava sobre a cidade de Riften. Bastante úmida e o cheiro de peixe era constante, especialmente perto das docas, mas ainda assim possuía sua beleza.
    Certo dia, o céu já estava escurecendo e Aerin disse que deveriam voltar logo para casa.

    - Por quê? - Perguntava-lhe Mjoll.

    - Bem... essa cidade não é tão segura quanto possa aparentar... aqui é a sede da Guilda dos Ladrões de Skyrim.

    - Oras, e você permite que um bando de ladrões sujos e covardes controlem sua vida? Esta cidade realmente precisa de ajuda!

    Aerin olha para os lados com medo. Ele esperava que nenhum ladrão ou capanga da família Black Briar tivesse ouvido isso, mas contra a sua vontade, acaba concordando em perambular pelas ruas com Mjoll por mais algumas horas.

    As ruas já estavam silenciosas, e Aerin se perguntava se Mjoll era corajosa ou ingênua para permanecer do lado de fora a essa hora, quando os pelos de sua nuca se eriçavam. Ele podia sentir em seus ossos que não estavam sozinhos.
    Das sombras surgia um ladrão encapuzado, com um punhal apontado para ambos.

    - Oh, que belo par de pombinhos fora da gaiola a essa hora da noite. Passem tudo pra cá e talvez vocês tenham chance de verem mais um nascer do sol!

    Mjoll instantaneamente sacava o enorme machado que Aerin lhe dera, e o ladrão dava um passo para trás, mas ainda permanecia com o punhal firmemente apontado na direção deles.

    - Não, isso não está certo – Dizia Mjoll – Um machado contra uma faquinha de cortar manteiga, é muita desigualdade – Então largava o machado no chão e erguia os punhos.







    Aerin se perguntava se ela havia perdido a cabeça. Abandonar a única vantagem que eles tinham para “igualar” a luta?! O ladrão parece ter pensado a mesma coisa e gargalha alto, para em seguida ataca-la de surpresa com seu punhal.
    Tudo ocorreu muito rápido, no exato momento em que o punhal iria penetrar uma das partes expostas do corpo de Mjoll, ela segura o punho do homem no ar e o torce, fazendo com que a adaga voasse longe e se perdesse. O homem geme de dor e surpresa, mas a luta ainda não havia acabado e ele desfere um forte soco no rosto de Mjoll.

    A ruiva sente o golpe e limpa o sangue dos lábios, para em seguida sorrir.

    - Só isso? De onde eu venho, até as meninas batem mais forte do que você!

    Furioso, o homem ataca cegamente. Mjoll desvia do golpe e o atinge no rosto com o cotovelo, deixando-o tonto e com o nariz sangrando. O atacante então decide tomar medidas mais drásticas e retira um garrote de um bolso escondido nas suas roupas. Mjoll continuava firme, mas Aerin não poderia deixar que isso continuasse e saca sua adaga.

    Por sua vez, o ladrão percebe que estava em desvantagem numérica, então profere uma palavra de baixo calão á dupla e foge entre as sombras.

    - Ah, agora que estava ficando divertido! – Brincou Mjoll. E naquele momento, Aerin percebeu que ela não era uma pessoa comum. Como uma heroína de contos de fada, ela enfrentou um bandido desarmada e ainda lhe transmitiu coragem o suficiente para se juntar à luta. Ela era o que essa cidade precisava. Ela era Mjoll, a leoa.
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    Mensagem por Dovahkiin Sex Jan 15, 2021 7:40 pm

    Capítulo 3: O Outro







    Aerin deixava a flecha cair mais uma vez a seus pés. Mjoll havia começado a treiná-lo nas artes da guerra, pois segundo ela, ele não poderia continuar sempre sendo uma vítima. Não, ele era um homem, e como tal, precisava saber se defender, mas o processo era um pouco mais difícil do que ele pensava. Suas mãos, lisas e macias, cujas quais nunca haviam sido usadas em trabalho pesado, precisavam se tornar mais calejadas até que tivessem força suficiente para golpear com uma arma pesada ou tensionar um arco a ponto de disparar uma flecha letal.
    Frustrado, ele olhava para Mjoll, mas esta, ao invés de repreendê-lo, caminhava até ele, recolhia a flecha do chão, colocava-a nas suas mãos, posicionava-se logo atrás dele e o ensinava a segurar o arco. O coração de Aerin acelerava quando Mjoll segurava suas mãos, ensinando-o a disparar a flecha. As mãos dela não eram lisas e macias como as suas, mas mesmo calejadas, o traziam muito conforto.

    ...

    Os dias passavam, e Aerin não se lembrava de se sentir tão feliz. A presença de Mjoll lhe dava ânimo, coragem, e assim ele acreditava que ocorreria com a cidade. Ela obtinha mais prazer ao fazer a coisa certa e ganhar a confiança das pessoas do que em receber recompensas materiais.
    Com o tempo, Mjoll compartilha sua história com Aerin. Ela havia nascido em um pequeno vilarejo de Skyrim que hoje não existe mais. Seu pai era caçador e sua mãe sabia manejar uma espada muito bem. Ela também tinha um irmão, e sua mãe frequentemente os levava para Solitude para ver os navios nas docas. Já seu pai ocasionalmente os levava para caçar na fronteira com Morrowind. Eles eram muito próximos e viviam de forma feliz, até que um bando de bandidos surgiu e destruiu completamente a vila. Aerin entende de onde vem sua vontade de fazer justiça e seu ódio contra bandidos.
    Mjoll havia se metido em diversas confusões envolvendo a Guilda dos Ladrões e a família Black Briar, salvado várias pessoas de serem extorquidas e roubadas, mas a cidade não a agradecia da forma como ela merecia. Pelo contrário, muitos ficavam ainda mais temerosos após serem salvos por ela, pois temiam uma possível retaliação da guilda e de Maven, e mesmo sendo uma guerreira nata, Mjoll não era onipresente, e talvez não estivesse lá no momento em que os bandidos de Riften atacassem pela segunda vez. Mesmo assim, Aerin ainda nutria esperanças de que as coisas melhorariam com o tempo.
    O tempo passou e tudo ia bem... até a chegada dele...




    Aerin e a Leoa Dovahk10




    Aerin não pôde deixar de sentir uma pontada de ciúmes na primeira vez que pegou Mjoll olhando para o novo aventureiro que adentrava a cidade. Alto, de braços fortes e uma armadura rústica que já havia visto muitas batalhas. Em suma, ele era tudo o que Aerin não era. Um guerreiro destemido como Mjoll, e mais, alguns diziam que ele era o lendário Último Dragonborn. Matador de dragões, herói de Skyrim.
    Aerin procurou não deixar seu ciúme transparecer. E mais, o aventureiro parecia ser um bom homem. Honrado e corajoso, como os heróis das antigas lendas. Não, Aerin o via como um amigo, alguém que poderia salvar não apenas Riften, mas toda Skyrim (e talvez até mesmo toda Tamriel).
    Mjoll não perdeu tempo em contar sobre os feitos do “Dragonborn” para a Jarl, exaltando-o como a encarnação de um Aedra. Aerin sentia que Skyrim estava mais segura com ele por perto, mas ao mesmo tempo, sentia-se mais inseguro do que nunca.
    Foi no dia em que o Dovahkiin (como haviam passado a chama-lo) retornava com a poderosa espada de Mjoll (Grimsever) que Aerin percebeu que havia perdido a leoa para o draconato. Ela se encantava com os feitos que os cidadãos falavam sobre ele, e fantasiava em viajar ao seu lado, matando bestas míticas, desbravando ruínas ancestrais e salvando o mundo das garras de Alduin.
    Antes disso, Mjoll havia dito que pretendia se aventurar com Aerin por Skyrim, mas agora, Aerin podia ver em seus olhos que o Dovahkiin era a pessoa a quem ela queria estar ao lado. Ele passava a ela a segurança que Aerin gostaria de passar. Ele passava a ela a emoção que ela ansiava, e que Aerin jamais poderia transmitir.
    Aerin mostrou-se feliz quando Mjoll disse que deixaria a cidade por algum tempo para se aventurar ao lado do Dragonborn. Ele sabia que ela desejava mais ação e que não poderia proporcionar isso a ela. O sorriso dela por estar ao lado do inabalável e estoico guerreiro era contagiante, e ao mesmo tempo, fulminante.


    ...







    Era a primeira vez em muito tempo que Aerin ia para a cama sem dar boa noite a Mjoll. Em sua cama, ele se revirava sem conseguir dormir, pensando no que Mjoll e o Dragonborn estariam fazendo nesse momento. Será que ela também pensava nele? Estaria ela também acordada agora?
    Nos raros momentos em que parecia pegar no sono, Aerin via Mjoll deitada ao seu lado, sorrindo para ele, com seus belos cabelos louro avermelhados soltos e espalhados no travesseiro. Se ao menos ele tivesse tido coragem de dizer o que sentia por ela, teria ela correspondido? Ele nunca irá saber, pois como sempre, havia sido covarde demais para tentar.
    Incapaz de lidar consigo mesmo, ele se levanta e abre a janela para tomar um pouco de ar puro. Ele olhava para as luas de Tamriel. Uma mais clara e apagada, a outra maior e rubra, e não deixava de imaginar que elas lhe lembravam de seus sonhos onde seus lábios se aproximavam dos de Mjoll ...




    Aerin e a Leoa Two_mo10





    Lágrimas escorriam de seus olhos e seu peito doía. Será que ele a veria novamente um dia? Será que ela ainda se lembraria dele?
    Quando finalmente pegava no sono, agora ele via-se caminhando de mãos dadas com Mjoll, ambos de pés descalços, refrescando-se na beira do lago que circunda Riften. Eles apreciavam o nascer do sol, sentados na grama abaixo de uma árvore, mas quando finalmente iam se beijar, o sonho mudava, e ele via Mjoll deitada nos braços do Dragonborn na grama. Ambos se beijavam apaixonadamente e o coração de Aerin parecia sangrar, enquanto tentava se afastar silenciosamente para que não o vissem.
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    Mensagem por Dovahkiin Sex Jan 15, 2021 7:43 pm

    Capítulo 4: Um Tolo para o Amor


    Aerin golpeava um alvo de treino com sua espada. Ele ainda era desajeitado e lento, mas estava melhorando. Assim que terminava seu treino, ele largava a espada, sentava-se em um tronco cortado, retirava um lenço de seu bolso e secava a testa, quando uma voz familiar o saudava.

    - Olá Aerin!

    Seu coração explodia ao reconhecer a voz, e ele virava-se imediatamente para vê-la. Ela usava uma armadura diferente, com um elmo que cobria parte de seu rosto, mas não havia como se enganar, era Mjoll.

    - Mjoll, você voltou?!

    Aerin se levantava correndo e a abraçava.

    - Opa, parece que você andou treinando, hein! Senti força nesse abraço. – Brincava a nórdica. Aerin não conseguia parar de sorrir, e seus olhos estavam à beira de jorrar lágrimas.

    ...


    Mjoll contou tudo sobre suas recentes aventuras, dignas de canções cantadas por menestréis em tavernas. Porém, quando Aerin pergunta sobre o Dragonborn, Mjoll franze o cenho, como se o ato de responder a desagradasse muito.
    Segundo a guerreira, o Dragonborn havia caído nas graças de uma mulher um tanto quanto suspeita. Uma tal de Serana. Mjoll se negava a dar qualquer detalhe sobre ela, apenas dava a entender que era o ser mais maligno e asqueroso que já havia pisado em Tamriel e o Dragonborn era um tolo por confiar nela (não era preciso ser um gênio para perceber o ciúmes de Mjoll), Mjoll se negou a viajar junto com alguém como ela (novamente, era possível ler nas entrelinhas, a tal Serana ou a própria Mjoll, ou mesmo ambas, colocaram o Dragonborn contra a parede para que escolhesse uma para acompanha-lo em suas viagens. Não era difícil adivinhar quem ele havia escolhido).

    - Deixe para lá, eu andei treinando nos últimos tempos. Tenho certeza de que poderemos escrever nossas próprias aventuras daqui em diante!

    Mjoll sorria, com aquele sorriso contagiante que havia conquistado Aerin.

    - Prepare-se, amanhã mesmo vamos atravessar a província. Ouvi falar sobre muitos problemas no Reach!

    - Estou ansioso!

    A companhia de Mjoll era suficiente para afastar o medo. O destino havia dado a Aerin uma segunda chance, e ele não a desperdiçaria.


    ...









    - Aperte com força, Aerin, tente estancar o ferimento, sei que você consegue! – Dizia Mjoll tentando transparecer que tudo estava bem, enquanto improvisava agulha e linha para costurar um ferimento mortal em Aerin.

    Aquilo doía como o inferno, e Aerin passava mal ao olhar seu próprio sangue escorrendo como uma fonte. Onde ele estava com a cabeça para aceitar se meter nisso?! Logo em sua primeira aventura com Mjoll ele já se mostrou um peso para a guerreira.

    - Não se preocupe, Aerin. Você cuidou de mim antes, farei o mesmo por você agora!

    Aerin não falava nada, apenas ponderava. Idiota, por que ele pensou que poderia ser útil para Mjoll?! Ou mesmo que poderia acompanha-la?! Ele era um filhinho da mamãe, um inútil, um frouxo. Que tipo de mulher se sentiria segura ao lado dele?!
    Os pensamentos invadem a mente do jovem gravemente ferido, como um Daedra maligno infernizando-o. Como se já não bastasse a dor do ferimento e a humilhação de se sentir um derrotado.


    ...


    A noite era cheia de pesadelos. Desde Mjoll o abandonando à própria sorte e voltando para o Dovahkiin, até sua mãe voltando do túmulo como um Draugr, o ofendendo por ir contra seus conselhos sobre usar uma espada, e por fim, até mesmo pesadelos envolvendo ambas as mulheres o apunhalando no coração até a morte.
    Ele acordava suando frio. Muito fraco, e podia ver que Mjoll adormeceu ao seu lado. Naquele momento, ele percebeu que talvez não tivesse outra chance de demonstrar seus sentimentos, então precisava reunir toda a coragem que possuía.
    Mjoll acordava ao sentir Aerin se movendo e o abraçava, agradecida por ele ter acordado. Infelizmente, não era o tipo de abraço que os amantes costumam se dar.
    Era mais como o abraço de dois irmãos.

    - Aerin, que bom que você acordou. Eu fiquei tão assustada...

    Mas Aerin tocava os lábios dela com seu indicador, para que ela o ouvisse.

    - Mjoll, eu preciso lhe falar...

    - Não, poupe forças, Aerin. Você ainda está ardendo em febre!

    - Não... eu realmente preciso... eu... Mjoll, eu... eu não sei como lhe dizer isso, mas... Mjoll, eu amo você!

    - Sim, Aerin eu também te amo. Você foi como um irmão para mim desde que nos conhecemos!

    - Não... Mjoll, eu... eu me apaixonei por você desde o momento em que a vi. Você era a única coisa que me fazia levantar e pensar que a vida vale a pena, que o mundo ainda possuía algo de bom e puro, incorrupto, você era a única luz que me guiava na escuridão que era minha vida, que me dava esperanças de um futuro melhor.

    Mjoll ficou estupefata, como se não soubesse o que dizer ou mesmo pensar. Um longo silêncio desagradável pairava entre os dois.

    - Por favor... diga alguma coisa, Mjoll.

    - Aerin, eu... não é hora para falar sobre essas coisas. Você está delirando, provavelmente amanhã irá acordar e perceber que se enganou...

    - Não, Mjoll, eu amo você. Sempre quis dizer isso, mas nunca tive coragem!

    - ...

    - Mjoll, pense na possibilidade. Eu posso não ser um guerreiro, mas posso lhe dar todo o carinho e atenção que você precise. Serei sempre um ombro para quando você precisar, seu confidente, seu melhor amigo, uma pessoa com quem você possa contar sempre que quiser, apenas pense na possibilidade!

    - ... Aerin... nós somos amigos...

    - Não, não me venha com essa desculpa. Poderíamos nos casar e isso não excluiria o fato de sermos amigos...

    - Casar... eu... Aerin, veja meu modo de vida, eu não seria uma boa esposa.

    - Eu não me importo, pode continuar com suas viagens, eu mesmo poderia cuidar da casa e das crianças e sempre esperar que você volte...

    - Crianças?! Aerin, realmente acho que você está delirando... eu... eu gosto de você, mas não desse jeito!

    Apesar de não ser inesperado, aquilo atingia Aerin como uma espada no coração. Em outras palavras ela queria dizer “Não, eu não vejo você como um possível amante, não quero me casar com você e muito menos ter filhos com você. Quero que você continue para sempre sendo meu amigo enquanto eu fantasio com o Dragonborn”. Aquilo era demais para ele suportar.

    - Eu entendo seu ponto de vista, e entendo isso como um “Não”. Não se preocupe, não irei mais importuná-la com isso, mas acho que daqui em diante devemos nos separar.

    - Separar?!

    - Sim, eu sou apenas um estorvo para você, e mesmo que façamos de conta que essa conversa nunca existiu, andar ao seu lado sempre vai me dar esperanças de que um dia você mude de ideia, e isso irá me destruir.

    - Aerin, não precisa ser assim...

    - Não, você tomou sua decisão e eu tomei a minha. Assim que eu me recuperar, pegarei uma condução de volta para Riften.

    Os olhos de Mjoll transbordam. Era a primeira vez que ele a via chorando, mas ele deveria ser forte e manter sua decisão. Ao menos uma vez na vida ele precisava agir como homem.
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    Neófito
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    Mensagem por Dovahkiin Sex Jan 15, 2021 7:46 pm

    Capítulo 5: No Fundo do Poço







    Aerin seguia em uma carruagem em direção a Riften. Agora uma enorme cicatriz em seu peito servia como lembrete para que ele não ousasse mais fingir ser o que ele não era. Talvez ele tivesse sorte de estar vivo, mas ele não pensava assim. Ao menos se tivesse falecido, talvez levasse com ele para o Oblivion a esperança da dúvida de que se ele se declarasse a Mjoll, ela talvez dissesse “Sim”. O mundo realmente dava voltas, a dúvida era exatamente aquilo que mais o afligia há alguns dias atrás, e agora ele descobriu que ela não era nada comparada à rejeição da pessoa que amava. Bem, de qualquer forma, o mundo podia dar voltas, mas ele continuava sozinho, seu coração ainda chorava, Tamriel continuava sendo corrupta e cruel. Talvez algumas coisas realmente nunca mudem, e talvez ele tivesse sido amaldiçoado a ser solitário...

    “Auf auf”

    Um cachorro ao seu lado na carruagem sentia que seu novo dono estava triste e tentava agradá-lo, pulando e lambendo seu rosto. Aerin o havia comprado em Markarth como um possível presente para Mjoll, mas agora talvez ele fosse o único ser vivo que estava entre Aerin e o abismo escuro da solidão eterna.


    ...


    Sede da Guilda dos Ladrões – Ratways

    Uma mulher de cabelos platinados e roupas de couro negro encontrava-se encostada em caixas de objetos contrabandeados no Red Flagoon. Um homem encapuzado segurando uma tocha em uma mão e uma bolsa de moedas na outra se aproxima dela.

    - Vex, não é?! Venho a mando de nossa “amiga em comum” para saber se o serviço foi completado.

    - Bem, depende do que você chama de “completado”. Sim, eu escondi a joia roubada na residência de Aerin para incriminar Mjoll. Sim, a guarda da cidade foi informada do roubo, e sim, a casa foi revistada e o objeto encontrado, o problema é que nem Mjoll nem o palerma dela foram encontrados na cidade. Por isso diga a Mav... digo, “nossa amiga em comum” que eu fiz minha parte e assim que o casalzinho for encontrado, serão imediatamente postos atrás das grades, portanto eu exijo meu pagamento agora mesmo!

    - Tudo a seu tempo, Vex. Quando eles realmente forem presos, você terá seu dinheiro.

    - Sabe, se você não trabalhasse para “você-sabe-quem”, pode ter certeza que eu abriria sua garganta aqui mesmo!


    ...


    - Aqui está seu pagamento. Pode ficar com o troco! – Dizia Aerin, dando ao dono da carruagem uma bolsa com 25 Septins, sendo que o combinado eram 20.
    - Muito obrigado, senhor. Que os Oito lhe abençoem!

    Aerin pegava sua bagagem e guiava o cão até os portões da cidade. O cão estava animado e corria em volta do novo dono com a língua de fora. Aerin acariciava sua cabeça, sorrindo levemente pela primeira vez desde que havia se declarado a Mjoll.
    Assim que chegava aos portões e pedia que os guardas o abrissem, eles se entreolhavam de forma estranha.

    - Você é Aerin?

    - ... Sim, sou eu, por quê?

    Então ambos sacavam suas espadas.

    - Por ordem da Jarl, você está preso pelo crime de roubo!

    - O... o que? Deve ser algum engano...

    Então o cão, percebendo que a situação estava esquentando, rosna ameaçadoramente para os guardas, mostrando os dentes e pondo-se em postura de ataque.

    - Mande que seu cão se afaste ou teremos de abatê-lo!

    - Não, espere, eu não sei como...

    Então o cão salta sobre um dos guardas, abocanhando dolorosamente seu braço. O homem solta um grito horrível, quando Aerin tenta se aproximar para tirar o cão de cima dele, mas o segundo guarda entende mal o movimento de Aerin e o golpeia na nuca com o cabo da espada.
    Tonto, Aerin vai ao chão, e a última coisa que vê é um dos guardas perfurando seu cão com a espada. Seu último amigo agora estava morto...


    ...


    Mjoll bebia mais uma caneca de cerveja na taverna Silver-Blood em Markarth, e a batia com força na mesa.

    - Mais uma!

    - Você tem certeza diss...?

    - Mais uma! – Interrompe-lhe a guerreira, tentando afogar suas mágoas em hidromel.

    Por que isso tinha de acontecer com ela? Por que Aerin tinha de se apaixonar por ela? Agora ela estava sozinha, sem seu melhor amigo e nunca havia visto-o mais triste do que quando se despediram.

    - A vida é mesmo uma droga, né?! – Dizia um homem com sotaque bretão ao seu lado. Seu bafo seria capaz de embebedar Mjoll, se ela já não estivesse embriagada. - Não há novas remessas chegando, então eu não faço nada. Só bebo.


    - Realmente, a vida não é justa – Concordava Mjoll, cuja língua já começava a ficar enrolada – Os Reachmen estão atrapalhando os negócios?

    - Reachmen, dragões, a guerra civil, quem se importa, sou apenas um carregador da Arnleif and Sons Trading Company. Já estou acostumado a ser tratado como lixo nessa cidade, mas o pior é que agora os negócios deles estão indo pro buraco, então não têm Septins para pagar nem mesmo um bruto como eu para carregar seu lixo. E sem grana, sem bebida. Aqui era o único lugar que eu tinha para afogar as mágoas após o trabalho, mas acabei de gastar meu último Séptim nessa garrafa e mal sei onde irei dormir essa noite. Provavelmente nas favelas junto com outros mendigos!

    - Aqui, pode dividir essa caneca comigo!

    - Oh, obrigado, não é todo dia que alguém me paga uma bebida. Mas então, qual o seu problema? Falta de dinheiro não parece ser!

    Então Mjoll se abre para o bêbado desconhecido (que mais tarde ela descobria se chamar “Cosnach”). Porém, ao invés de aconselhar Mjoll, o bruto acaba por se insinuar a ela, que furiosa e embriagada, lhe dá um soco no rosto, e ambos bêbados, iniciam uma luta na taverna.

    ...


    Aerin segurava-se nas grades, enquanto limpava o sangue que escorria de seu rosto com a manga. Ao ser levado pelos guardas, foi surrado para que confessasse o roubo e revelasse o paradeiro de Mjoll.
    Demonstrando uma bravura e fibra que surpreendeu até ele mesmo, Aerin não falou nada sobre Mjoll, mas após algumas costelas quebradas, acabou por assumir a mentira de que havia roubado a joia, então é jogado atrás das grades.

    - Noite difícil, hein, jovem?! – Lhe dizia o prisioneiro da cela ao lado. Um homem de vestes finas e vários confortos em sua cela. Sibbi Black Briar, filho de Maven Black Briar.

    - O que alguém como você está fazendo aqui? Pensei que sua mãe mandasse na cidade!

    - Ah, e ela manda sim. Na verdade, eu não estaria aqui se ela não quisesse!

    - Sua família é complicada...

    - Quase tanto quanto a sua. Você e sua namoradinha andaram se metendo com a “mamãe”, não é?!

    - Ela não é minha namorada...

    - Ah sim, mas você gostaria que fosse, não é?! Sim, eu reconheço os olhos de um homem de coração partido à distância. Mas você ainda a ama, não?! Do contrário teria a entregado após uns dois tapas na cara.

    -...

    - Ah, eu sabia. Touché. Não se pode mentir para Sibbi Black Briar, o coração de todos (especialmente das mulheres) é um livro aberto para mim. O que aconteceu, você não era o tipo dela?

    - O que você quer, me humilhar durante minha estadia nessa pocilga?

    - Oh não, não. Muito pelo contrário. Eu também estou aqui devido a uma mulher. Uma mulher ciumenta na verdade. Eu estava prestes a me casar com ela, mas como um bom garanhão, acabei “sendo romântico” com outra mulher, se é que você me entende. Minha noiva ficou furiosa e mandou seu irmão me confrontar. Obviamente tive de me defender e o irmão furioso hoje descansa em paz.

    - Nossa, você faz mesmo sucesso com as mulheres, hein... – Diz Aerin em tom sarcástico.

    - Brincadeiras à parte, eu faço mesmo. Talvez eu até pudesse lhe dar umas dicas para quando você sair daqui e encontrar a ruivinha novamente!

    - E tenho certeza que você me dará estes conselhos de graça, não é?! – Diz Aerin, novamente em tom sarcástico.

    - Há há há, você é engraçado, não?! Talvez se lhe conhecesse, minha mãe não o quisesse atrás das grades. Bem, voltando ao assunto, posso lhe ajudar com sua amiguinha, se me ajudar com a minha. Após me colocar atrás das grades, minha “querida noiva” fugiu. Quero me vingar, quero ver aquela vadia morta. Não peço que a mate você mesmo, mas você é um cara de posses, poderia pagar alguém para...

    - Nada feito.

    - Hunf, e eu tentando ser um cara legal...
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    Mensagem por Dovahkiin Sex Jan 15, 2021 7:47 pm

    Capítulo 6: Abaixo de Riften


    Mjoll saia de Markarth de olho roxo, mas em sua defesa podia dizer que o adversário tinha saído pior. Pela primeira vez em muito tempo, ela não tinha rumo. Segundo boatos, o Dovahkiin havia destruído Alduin e salvado Tamriel. Aliás, falava-se muito dele, que ele era o arauto de diversos Príncipes Daédricos, outros diziam que ele era Thane de todas as cidades de Skyrim, o novo Precursor dos Companions, o novo Arquimago da Escola de Winterhold, membro do Colégio de Bardos de Solitude e ainda, outros diziam que ele fazia parte de organizações extremamente obscuras. Mjoll duvidava que metade disso tudo fosse verdade, mas os boatos que mais mexiam com ela era ouvir que ele ainda andava acompanhado por “uma bela mulher de cabelos negros na altura dos ombros”. Outros ainda diziam que ele havia se casado, fixado residência (novamente os boatos eram contraditórios entre si, pois em cada um, sua residência era em uma cidade diferente) e adotado órfãos como filhos.
    Talvez ela devesse seguir para o Leste. Sim, para o leste. Não sabia exatamente o porquê, mas algo lhe dizia que ela era necessária por lá. Ainda assim, ela tinha receio de voltar a Riften e encarar Aerin novamente.

    ...


    - Rapaz, sei do que você precisa! – Dizia Sibbi a Aerin, da outra cela – Uma boa ida num puteiro! Conheço um muito bom aqui perto, posso lhe passar o endereço. Você não vai acreditar, há uma bela prostituta Argoniana lá, que faz um excelente...

    - Poupe-me dos detalhes...

    - Ah, qual é, estou sendo legal com você. Você até poderia encontrar alguma ruivinha por lá e pedir para que ela diga que se chama Mjoll!

    - Pela última vez, eu não vou lhe ajudar a matar sua noiva.

    - Nossa, você é muito chato mesmo. Começo a pensar que você não gosta da fruta!

    Nesse momento, outro prisioneiro era solto. “Molgrom duas vezes morto” era como o chamavam. E pelo que Aerin ouviu, ele tinha conexões com a Guilda dos Ladrões.

    - Ah, qual é, até você vai ser solto enquanto eu preciso penar aqui por oito meses? – Diz Sibbi.

    - Perdão de Maven Black Briar em pessoa, talvez você devesse fazer as pazes com a mamãe, hehe. – Diz o ladrão.

    - Dê um beijo em Vex por mim!

    - Ah sim, pode deixar que darei!

    - E por falar nisso, lembre-se do nosso “servicinho”!

    - Hey, fale baixo, lembre-se que prometi não matar mais, hein!

    – Viu só o que você perdeu?! Nosso “amiguinho” ali aceitou o serviço que você negou e agora já não vai mais ver o sol nascer quadrado! – Diz Sibbi a Aerin, que apenas revira os olhos.


    ...

    Muralhas ao sul de Riften

    - Aquela Maven Black Briar continua uma gata hein! Quantos anos será que ela tem? – Pergunta um dos guardas do portão ao outro.

    - Shhh, se ela chega a saber que você falou assim dela, você vai amanhecer boiando no rio!

    - Ah, mas eu estava apenas elogiando... hey, aquela vindo ali não é aquela tal de... qual o nome dela... Mjollness?! Aquela que andou causando problemas para Maven no passado!

    - Acho que era Mjoll, e pelo que me lembro, ela foi acusada de roubar uma joia de algum nobre da cidade, mas nunca foi encontrada. Apenas o namoradinho dela foi preso! Maven vai nos pagar uma grana preta se entregarmos a cabeça dela numa bandeja!

    Então a guerreira se aproximava do portão.

    - Preciso passar, me deem licença!

    - Alto! – Diz um dos soldados, levantando a espada para ela – Por ordem da Jarl, você está presa por roubo. Renda-se pacificamente ou teremos de usar força letal!

    - Roubo?! Do que vocês estão... ah, já sei, Maven armou para mim, não é?! Vamos fazer o seguinte: me deixem passar e ninguém se machuca! – Diz ela, sacando sua espada de cristal.

    - Ameaçando guardas? Sua sentença acaba de aumentar, criminosa!


    ...


    Mjoll havia conseguido dar conta dos guardas sem mata-los, mas o som da luta acabou chamando a atenção de outros guardas e ela teve de fugir. Um corte feio em seu braço sangrava profusamente, e ela teve de estancar o ferimento com uma tira rasgada de sua própria roupa. Isso poderia ajudar no momento, mas o corte precisaria de cuidados para não infeccionar.
    Por um momento, ela pensou que o melhor a se fazer seria ir embora. Não se pode salvar uma cidade que não quer ser salva, mas então lhe veio um pensamento: Aerin poderia estar em perigo!
    Se ela estava sendo procurada por um crime que não cometeu, talvez Maven tenha mandado que Aerin também fosse culpado. Ela precisaria dar um jeito de adentrar a cidade, mas como?! Ela era uma guerreira, não era versada nas artes da furtividade e sutileza. Quando tinha de entrar em um local, derrubava a porta, mas agora, suas táticas brutas eram inviáveis.


    ...


    Era difícil se guiar debaixo d’água à noite. Mjoll havia deixado sua armadura para trás e esperado até a noite para se infiltrar na cidade, nadando através do canal que passava pelas docas. Infelizmente, ela não havia pensado no que fazer a seguir.
    Ela precisaria de algum disfarce para passar despercebida, ou ao menos alguém em quem confiar dentro da cidade, mas quem?! Então ela via, na parte baixa da cidade, logo acima do nível da água, a loja de alquimia “Elgrim’s Elixir”.
    Sim, o casal de alquimistas estava entre as poucas pessoas de boa índole que ela conhecia na cidade, ela apenas esperava que a esta hora da noite, Ingun Black-Briar (aprendiz do casal) não estivesse por lá. Droga, teriam de servir. Mjoll tenta sair da água o mais silenciosamente possível e bate na porta. Ninguém responde, então ela repete a atitude uma, duas, três vezes, até que alguém a atenda. O tempo todo ela olhava sobre o ombro para ver se alguém a via.

    - Ora essa, quem bate à porta a essa hora da noite? – Diz uma voz masculina rabugenta.

    - Por favor, sou Mjoll, amiga de Aerin e preciso de sua ajuda!

    - Mjoll?! Mas que... você está sendo procurada pela guarda!

    - Fui incriminada por Maven, por favor, abra a porta!

    - ... Sabe que estarei arriscando a mim e minha esposa se fizer isso!

    - Por favor, acredito que Aerin esteja correndo perigo! Você sabe que ele nunca roubaria nada!

    - ... OK, mas se alguém descobrir que você esteve aqui, diremos que nos obrigou!

    - Parece justo!

    Então a porta se abre.
    Dovahkiin
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    Mensagem por Dovahkiin Sex Jan 15, 2021 7:49 pm

    Capítulo 7: O Resgate


    Como Mjoll temia, ela descobre que Aerin a essa altura estava preso. O casal oferece ajuda para escondê-la durante a noite, mas teme não poder ajudar muito mais do que isso.

    - Tudo bem, no momento, tudo o que preciso é de alguma ajuda para me camuflar na cidade. Alguma ideia?

    A Mjoll é oferecida uma capa com capuz (nada que fosse ajudar muito, mas melhor do que nada). Eles também tinham uma poção de invisibilidade e topam em dá-la, mas como ela durava apenas alguns segundos e era a última do estoque, teria de usar sabiamente.

    - Muito obrigada por toda a ajuda, prometo que jamais mencionarei vocês, mesmo que capturada! – Então abria a porta e saía para a noite.

    ...



    Mjoll passava por um guarda adormecido em uma cadeira. Ela se arrependia de ter usado a única dose que tinha da poção, pois agora que estava dentro da prisão de Riften, não sabia como iria sair, muito menos tirar Aerin de lá. De qualquer forma, ela esperava pensar em algo mais tarde. O importante agora era achar seu amigo.
    Ela passa pela cela requintada de Sibbi Black Briar, o filho de Maven. O imbecil roncava como um porco ao dormir, e Mjoll se perguntava como os outros presos conseguiam dormir com esse som irritante.
    Então, lá estava ele. Bastante magro, com ferimentos visíveis pelo corpo e vestindo farrapos. Aerin dormia na cama de sua cela, e o coração de Mjoll se alegrava ao saber que ainda estava vivo.
    Ela tenta chamar sua atenção de forma baixa, para não acordar o guarda ou os outros prisioneiros, mas isso parecia infrutífero. Mjoll então retira um Septim de sua bolsa e joga-o em Aerin, atingindo-o na cabeça. Ela lamentou ter que fazer isso, mas havia funcionado. O jovem acordava tonto, e parecia não acreditar no que via.

    - M...Mjoll...?!

    - Pshhhh. Silêncio, vim tirar você daqui! – Cochicha Mjoll.

    - Mas... como?

    - Onde estão as chaves? Eu poderia arrombar essa fechadura, mas isso faria muito barulho!

    - Eu... não sei. Acredito que com o guarda lá debaixo, ou na sala onde ele fica!

    - Fique aqui, não vou demorar!

    Mjoll nem mesmo havia percebido a presença de outro guarda no local. Este não estava dormindo, mas lendo alguma coisa em uma mesa. As chaves estavam penduradas na parede, e seria praticamente impossível pegá-las sem que ele visse.
    Apesar de ser muito pouco provável que o homem não fosse outro guarda corrupto da lista de Maven, ela não queria mata-lo, principalmente pelas costas. Não, essa era uma tática suja daqueles contra quem ela lutava. Porém, uma luta chamaria muita atenção. Apesar de não gostar nada disso, não havia muito o que fazer. Ela caminha furtivamente até as costas do guarda e coloca a lâmina de sua espada contra sua garganta.

    - Mãos para cima. Qualquer movimento brusco e você já era!

    - Q... quem é você? O que quer de mim?

    - Pegue as chaves. Vamos até lá em cima libertar um prisioneiro!

    O refém assim o faz. Mjoll tem o cuidado de retirar a espada da bainha do guarda para evitar qualquer possível tentativa de reação.

    - Este aqui!

    - Droga, logo esse? Maven vai arrancar meu couro!

    - Se não abrir, eu mesmo abro sua garganta aqui mesmo! – Essa tática não era o estilo da leoa. Ela quase se sentia enojada ao fazer isso, mas precisava libertar Aerin.

    Sem muitas opções, o guarda abre a cela, com as mãos tremendo. Aerin cambaleia para fora.

    - Unf, desculpe, acho que algumas de minhas costelas estão partidas. Não conseguirei correr!

    Droga, a fuga que já seria difícil agora se tornava quase impossível. Mjoll segue em frente, levando o guarda como refém, enquanto Aerin caminha logo atrás deles. Ao chegarem na entrada da prisão, o guarda adormecido assusta Mjoll, mas parece que ele apenas estava tendo um pesadelo. Até aqui, tudo havia ocorrido bem, mas assim que abrissem a porta, haveria outro guarda lá fora, e da última vez que Mjoll havia passado por ele (invisível) ele ainda estava acordado. O que fazer?

    - Aerin, pegue a adaga em minha bota e tente fazer o guarda lá fora de refém!

    - Eu? Mas...

    - Faça isso Aerin, ou nós dois estamos mortos!

    Aerin engole em seco e faz o que Mjoll pediu. Milagrosamente ele consegue se esgueirar até o guarda e coloca a lâmina em sua garganta, porém, o guarda tenta reagir, golpeando Aerin com o cotovelo.
    Tudo aconteceu em uma fração de segundos. O guarda puxava sua espada para matar Aerin, Mjoll empurrava seu refém, que batia com o rosto na parede de pedra, e Aerin, desesperado, cortava a garganta do guarda com a adaga.







    O sangue espirrava no rosto de Aerin, e o guarda tentava estancar o ferimento com a mão e gritar, mas de sua boca apenas saía um ruído gorgolejante, antes que ele tropeçasse nos degraus de pedra atrás dele, batesse a cabeça, e não se levantasse.
    Os olhos de Aerin se fixam no homem com a garganta cortada no chão. Uma poça de sangue se forma ao redor de sua cabeça, então Aerin passa a mão em seu rosto, e a vê empapada de sangue, então ele passa mal e vomita. O guarda que Mjoll jogou contra a parede se machuca, mas ainda não havia caído, então ele tenta escapar, correndo de volta para a prisão. Mjoll percebe que seria perda de tempo correr atrás dele, então apenas agarra Aerin pela roupa, e puxa-o para o canal mais próximo, e se joga na água, junto com Aerin.
    Mjoll nada com todas as suas forças, puxando Aerin para que ele seguisse seu ritmo. Em alguns momentos ela sabia que estaria exausta. Na cidade acima, ela podia ouvir sons. Talvez a essa altura a guarda já tenha sido avisada. A nórdica ignora os avisos de seus pulmões e puxa Aerin para debaixo d’água, não soltando-o por nada, enquanto tentava novamente se guiar, nadando no escuro.
    Quando não aguentava mais prender a respiração, ela olhava para fora e via que já estavam nas docas, mas ao fazer isso, alguém os avista e avisa os guardas. Mjoll não tinha tempo de olhar para trás. Ela sente que Aerin já passou de seus limites, mas ainda o continua instigando a nadar, quando um zunido a faz perceber que uma flecha passou extremamente perto de onde eles estavam.
    Ao avistarem um barco, ela joga Aerin dentro dele, então sobe. Quando mais uma saraivada de flechas é ouvida, ela se abaixa, forçando Aerin a fazer o mesmo, aproveitando a cobertura do barco. Assim que as flechas passam, ela retira a corda que prendia o barco, então remava para longe.
    Mais uma saraivada de flechas vinha de encontro a eles, Mjoll era atingida de raspão no ombro, mas não tinha tempo para parar. À margem do lago, ela vê homens correndo, mas o barco acaba deixando-os para trás, e a última saraivada de flechas passa longe.
    O sol já estava quase nascendo, quando parecia que o perigo havia diminuído, e Mjoll vira-se para dizer isso a Aerin. Mas ao vê-lo, percebe que uma flecha havia atingido-o no ombro. Ele estava pálido e sangrava muito.
    O cérebro de Mjoll entrava em colapso. Ela apenas tenta estancar o sangramento e pergunta a Aerin como ele se sentia, no que ele apenas respondia com um gemido. Ela não poderia tratar dele no barco e remar ao mesmo tempo, então rema até a margem, e lá, desce do barco, ajudando Aerin a caminhar, então se embrenham na floresta.

    ...


    Após alguns minutos, a dupla chega a uma clareira, quando Aerin não consegue mais caminhar e desaba no chão.

    - Aerin, aguente firme!

    - N... não. Eu posso s... sentir. Eu já cheguei ao meu limite...

    - Não fale assim Aerin. Já passamos por isso antes...

    Mas Aerin a interrompia, novamente colocando o indicador nos lábios da ruiva.

    - Ouça... sei que não tenho muito tempo... unf... então, por favor... não me interrompa...

    Mjoll se recusava a acreditar nisso, e seus olhos começavam a se encher de lágrimas.

    - Mjoll... me perdoe se magoei você... ou se fui um peso para você...

    - Não, você não é um peso para mim, Aerin...

    - Mas acho que essas são minhas últimas... últimas palavras. P... por favor, não tente vingar minha morte... Riften está além da salvação. Você só conseguirá ser presa... ou mesmo morta, e eu não gostaria que isso acontecesse! Skyrim precisa de você, então seja a heroína que Skyrim precisa... Tenho certeza que há outros lugares onde seus talentos sejam melhor aproveitados...

    - Não, Aerin. Nós vamos salvar Skyrim. Juntos!

    Então ele segurava as mãos dela. Ela podia sentir que as mãos dele já estavam frias como as de um cadáver e tremiam muito.

    - Me desculpe, Mjoll, mas não vou poder acompanha-la!

    - Não, não, não...

    - Não sei para onde estou indo. Não acho que Sovngarde me aceite... mas já posso sentir meu corpo deixando este mundo. O Oblivion me aguarda. Apenas tenho um último pedido a fazer...

    As lágrimas de Mjoll escorriam sobre Aerin. Embora negasse até o fim, em seu íntimo, ela já sabia que Aerin não sobreviveria.

    - ... Por favor, me beije, Mjoll! Deixe que seus lábios sejam a última lembrança que levarei deste mundo...

    Mjoll exita, e tenta segurar suas lágrimas, mas ela percebe que o brilho dos olhos de Aerin já estava diminuindo, e sua respiração já começava a falhar. Então, ela decide atender o último desejo de seu melhor amigo antes dele falecer.

    ...







    Mjoll secava as lágrimas com as costas da mão (que estavam sujas de terra). Ela havia feito um funeral improvisado para Aerin na clareira, sob uma rocha.
    Então era isso. Ela se pergunta se fez bem em tentar salvá-lo da prisão. Talvez ele ainda estivesse vivo se ela não tivesse... Não, ela não poderia pensar nessa possibilidade, era doloroso demais. Por fim, ela pensava consigo mesma em diversas possibilidades. Alternativas que poderia ter tomado em seu passado.
    Se tivesse seguido os passos de seus pais e se tornado uma caçadora, se não tivesse entrado na ruína Dwemer e sido ferida, se tivesse dito “Sim” para Aerin...
    Não, chega de remoer lembranças tristes. Ela planejava seguir o último pedido de Aerin (de não vingar sua morte) apesar de seu coração gritar o oposto.
    Finalmente, Mjoll faz uma prece aos Nove sob a tumba improvisada de Aerin, levanta-se, embainha sua espada e caminha em direção ao sol nascendo. Seu futuro era um enigma, mas seu passado ainda era doloroso demais para que ela tornasse a olhar para trás.
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