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    Sons, gostos e cheiros

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    Mensagem por Tellurian em Seg Out 07, 2019 12:37 pm

    “But I don't want comfort. I want God, I want poetry, I want real danger, I want freedom, I want goodness. I want sin.”
    Aldous Huxley, Brave New World


    Mesmo do outro lado do mundo, existem coisas que não mudam.

    O som da multidão no mercado podia ser ensurdecedor. Mercadores gritavam de suas barracas, tentando atrair a freguesia anunciando seus produtos. O jovem caminhava com sua caderneta aberta, tomando notas das curiosidades que observava com os olhos muito azuis. O significado daquelas palavras e letras ainda era muito estranho aos ouvidos de Clement. Os ouvidos treinados do músico e sua mente sagaz haviam aprendido a discernir algumas palavras e variações, mas a estrutura daquele idioma ainda lhe era um delicioso mistério a ser desvendado. A população da ilha de Dejima era a mais cosmopolita da distante, obscura e fechada nação Japonesa. As pessoas da ilha estavam acostumadas à presença de Europeus, que viviam na ilha há séculos, desde a chegada dos Portugueses em 1641.

    A Ilha era um símbolo do tratamento dado aos estrangeiros. Praticamente um zoológico para animais exóticos. Quando os europeus chegaram, séculos atrás, o Xogum da época ordenou a construção de uma ilha artificial para abrigar os estrangeiros, e proibiu a circulação deles em qualquer outra parte do território japonês. Poucos comerciantes japoneses recebiam a autorização xogunal para realizar comércio com os europeus residentes em Dejima, e todos recebiam instruções bem estritas de como se comunicar e se portar diante dos Gaijin, seja lá o que quer que isso significasse. Após o Tratado de Kanagawa, feito pelos americanos em 1854, os estrangeiros obtiveram permissão para trafegar por outras áreas do território Japonês. Porém, haviam rumores sobre coisas terríveis que aconteciam com os Gaijin que se aventuravam muito para o interior das ilhas japonesas.

    Clement havia ouvido rumores de coisas maravilhosas em cidades como Kyoto, Nagasaki ou Edo. Castelos monumentais, com uma arquitetura única, diferente de tudo o que já fora visto. Templos magníficos em honra a raposas, guaxinins e outros espíritos naturais, estátuas de ouro que retratavam deuses estranhos de rostos enfurecidos, lutas cerimonais impressionantes entre homens enormes... e a música. A lindíssima música oriental, que empregava instrumentos únicos, tocando notas desnaturadas em escalas estranhas e belas, com uma harmonia que os treinados ouvidos de Clement jamais haviam ouvido antes.
    Contudo, histórias sobre mortes horrendas feitas por retalhadores e outros radicais xenófobos, sacrifícios rituais, desmembramentos, mutilações, linchamentos... histórias de terror macabras, contadas pelos marujos entediados em botequins à beira do cais. O jovem inglês tinha dúvidas se deveria levar a sério os exageros mórbidos dos velhos lobos do mar, mas ao menos sabia que tais rumores eram mais do que suficiente para evitar que o desejo de se aventurar nas proibidas terras ambientais se enraizasse na alma de seu enfezado capitão e da tripulação, inclusive da comitiva que o acompanhava.

    O músico pousou a sua xícara no pires e suspirou com certa frustração. Após pouco mais de uma hora de caminhada, já havia percorrido toda a extensão da ilha, e sentara-se em um botequim a beira do cais para uma breve xícara de chá. A brisa do mar agitou seus cabelos loiros despenteados ao mesmo tempo em que fez ranger as embarcações de madeira ancoradas no cais. Ele observou o movimento dos estivadores que carregavam e descarregavam as mais variadas mercadorias dos navios com tédio. Havia, nas casas de chá, apresentações de música e dança oriental, executadas por moças muito maquiadas vestidas em quimonos de cores extravagantes, mas tudo lhe parecia artificial.

    Fora para isso que suportara tal odisseia? Municiara-se de todo o espírito aventureiro que pudera reunir, cruzando o mundo a bordo de um navio apenas para ficar trancafiado em uma minúscula ilha, ouvindo apenas histórias das maravilhas –e horrores- que haviam do outro lado do estreito canal? Podia até mesmo observar as casas e o cais que haviam do outro lado do canal. Por deus, estava em um maldito botequim português. Para isso não precisaria ter suportado meses de viagem através de águas tão perigosas.

    -“A cadeira está ocupada?”- perguntou-lhe a conhecida voz rouca de Richard, o imediato do navio. Richard era um homem de meia-idade, com cabelos e barba negra que começavam a ganhar tonalidades cada vez mais vívidas de cinza. Tinha os longos cabelos presos em um rabo-de-cavalo muito comum entre oficiais da marinha britânica. O rosto muito quadrado, com o estranhíssimo nariz partido tornavam-no um homem notoriamente feio, mas a camaradagem e o conhecido gosto do velho lobo do mar o faziam muito querido por toda a tripulação.

    -“Você parece entediado, Clement.”- disse-lhe com a voz que parecia rasgar-lhe a garganta, enquanto pedia ao garçom que lhe servissem uma garrafa de aguardente.
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    Mensagem por Dalek em Ter Out 08, 2019 12:26 pm



    "- Ora, will se estivesse lhe daria a minha... Até sentar-me está me remoendo os nervos" ouvi dizer que esses chás eram deliciosamente calmantes, tenho de prova que sao" Clement estende seus braços para o ar e tira toda a tensão de seus membros num longo espreguiçar.

    Se tédio era oque sentira então precisava buscar um poço de animaçao para o resto do dia, ja passava das 9:00 e o sol ia se erguendo pouco a pouco desde que sentara ali nesse botequim.

    "- Me diga will, voce não se sente incomodado por não nos chamarem pelos nossos nomes ? sempre nos chamam de um apelido que não soa nada elegante." Então ele abre sua caderneta e vai folhando até as primeiras paginas para tentar se lembrar da palavra complexa que havia anotado.
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    Mensagem por Tellurian em Qua Out 16, 2019 1:50 pm

    -"Gaijin."- o velho lobo do mar cuspiu no chão após pronunciar a palavra, com desdém. -"Significa 'pessoa de fora' na língua deles. Mas eles usam como insulto. Nos chamam de bárbaros do ocidente, como se tentassem exorcizar bruxas com as palavras. Ora vejam só, selvagens como esses nos chamando de bárbaros. Nós fomos a melhor coisa que já aconteceu a essa maldita ilha esquecida por Deus, Clement. Eu lhe asseguro isso. E nos pagam com ingratidão.

    O rancor na voz do velho homem era justificado. Haviam boatos de que um mercador inglês fora assassinado apenas algumas semanas atrás. Uma multidão o havia linchado e arrastado seu corpo pelas ruas, pendurando-o em um poste sem um enterro digno, e cometendo todo tipo de profanações e blasfêmias com o corpo do pobre diabo. Os oficiais estavam revoltados, dizia-se. Alguns mais exaltados falavam em guerra, mas Clement imaginava que a história toda não passava de um exagero. Até onde tinha visto, os Japoneses eram atrasados, mas portavam-se com uma disciplina, uma educação e uma dignidade que ele jamais poderia esperar de um aldeão inglês mediano, por exemplo. O termo "selvagens" usado frequentemente pelos seus patriotas soava-lhe deslocado.
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    Mensagem por Dalek em Qua Out 16, 2019 5:14 pm


    Estava ciente da inquietude de seu amigo, muitas coisas aconteceram nos últimos dias e tudo estava uma bagunça mas esse povo nao parecia tudo isso que falavam.
    São vulgares provavelmente por conta da imigração que está muito acelerada ultimamente talvez?, oque me faz pensar como homens comuns como eu ou will vieram parar aqui e conseguem uma licença de comercio nas áreas mais internas da ilha?, will estava certo quando dizia que nos fomos o melhor que podia acontecer, essa gente parece ser simples e recatada mas precisam de um pouco de ordem.

    O sol parecia mais forte agora, nem precisou olhar em seu relógio de bolso para saber que ja se passavam das 10:00 horas. Will estava praticamente deitado em sua cadeira com uma garrafa pela metade na mão e dando leves assovios enquanto dormia, Clemente não se incomodaria em acorda-lo se nao fosse por uma boa causa.

    "- Velho Richard, seu tempo é precioso mesmo não é ?" fala em voz baixa enquanto deixa alguns Xelins* na mesa. Tirando seu casaco num movimento elegante e rápido decide fazer uma outra volta na pequena ilha, talvez novas ideias e pessoas façam a manhã ficar menos monótona.

    "-Vejamos, ver por onde começar..."


    O mar estava batendo nas pedras grandes, uma força que não era nada impressionante como já esperado desse lado do mar, ate a natureza daqui parecia se habituado com o povo, a terra e o ar tudo era uma calmaria pelo menos aos olhos do rapaz, mas ao mesmo tempo era isso que mais o indignava. Ele nao queria isso, ele queria ser o explorador da cultura baixa, o descobridor de algo novo... mas nessa ilha certamente não acontecerá.
    Então uma segunda caminhada ao norte da ilha poderia ser agradável. Essa parte ele ainda não havia explorado por completo porque que sabia que se explorasse tudo ele ficaria entediado em poucos dias, mas agora com certeza é o momento.
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    Mensagem por Tellurian em Ter Out 22, 2019 2:24 pm

    A madeira do cais rangia sob os passos leves de Clement. Lembrava que considerava o cheiro da maresia agradável, durante suas caminhadas pela praia em Withernsea. Leeds era distante do mar, para uma cidade inglesa. Então pequeno Clement muitas vezes ficava ansioso para o momento no qual a viagem até o balneário próximo se findaria e finalmente alcançariam as brancas areias e ele poderia se deleitar com o beijo delicado do sol em sua pele, os sons de ondas tranquilas deslizando seu caminho até a praia e o lamúrio frequente das brancas gaivotas que habitavam tanto a praia quanto as heróicas histórias que lhe eram contadas na infância. Porém, temia que meses sendo chacoalhado em um navio em sua viagem singrando os mares por metade do mundo teria afastado quaisquer sentimentos de nostalgia que o cheiro salgado do cais de Dejima poderia ter-lhe trazido.

    Observou por entre as frestas da madeira que um cardume de peixes coloridos se aglomerava sob o cais, provavelmente se alimentando de restos de comida que os marujos, taifeiros, grumetes e estivadores deixavam cair em suas idas e vindas pelo cais. Gastou alguns minutos observando o movimento fluido dos animais quando ouviu uma movimentação mais a frente.

    Um jovem japonesa estava cercada por marujos. Eles eram apenas sorrisos e risadas, mas a moça tinha os olhos negros inundados de pavor. Falava com a voz baixa em sua lingua pátria, o que era automaticamente respondido pelos marujos com grosserias, que exigiam que a moça falasse inglês para permitir-lhe partir. A moça, sem entender as demandas cruéis dos marujos tentava em vão se proteger das mãos grossas que lhe seguravam pelos braços e dos olhares lascivos que os homens lhe lançavam.
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    Sons, gostos e cheiros Empty A Dama

    Mensagem por Dalek em Ter Out 22, 2019 4:48 pm

    Sons, gostos e cheiros Caderno-diario-sketch-book-envelhecido-retro-vintage-folha-m-D_NQ_NP_705691-MLB25672372080_062017-F

    Clement observa confuso aquele desplante com a jovem moça, os sinais de medo eram passados a distância até a pele de clement como um gato assustado que precisava de ajuda, nao era o mais forte dos homens mas tambem nao era fraco suficiente para deixar que uma donzela fosse abusada de tal forma.

    A muito se ouvia sobre os abusos e desrespeitos cometidos aos nativos da ilha pelos imigrantes, muitas vezes esse era o maior foco dos problemas que clement podia ouvir. O quão bárbaros nos estamos sendo ? Não era pra nós os ensinarmos a arte da elegância e educação? ao menos respeito. Agora entendia o porque do termo  "Gaijin" sair das bocas com tanta rispidez.

    Mais a frente os homens e a moça estavam quase despercebidos diante das caixas e baús no velho cais. Clement caminha rapidamente em direção aos homens e antes de se aproximar da um grito para chamar atenção dos trabalhadores ao redor;
    " - EI ! Parem com isso, não está claro que a estão incomodando? ela mal pode falar nosso idioma, ou sera que o balançar dessas arcas velhas que chamam de barcos fez com que o cérebro de vocês virasse água!" Falando num tom alto as pessoas que estavam ao redor pararam de fazer o que estavam fazendo e começaram a se acumular ali. Talvez chamando atenção indesejada àqueles que perturbavam a moça se sentissem acuados e parassem o que estavam fazendo. Se aproximando na mesma velocidade ele encara todos eles e segura as mãos da donzela gentilmente estendendo um dos braço para que ela se apoie nele e volte a postura de dama. Alguns passos mais a frente ele busca em seu sobretudo seu caderninho e vai a rapidamente em uma página dobrada onde seu titulo tem uma rasura de comprimentos e afins, então lendo com dificuldade ele pronuncia Daijōbudesuka em voz baixa para evitar ser corrigido ou caçoado, perguntando se a moça está bem. Esperando uma resposta, um gesto um som qualquer, algo que mostrasse que ela está.
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    Mensagem por Tellurian em Sex Out 25, 2019 3:18 pm

    Os homens ergueram a cabeça quando Clement gritou com eles. Olharam em direção ao rapaz, e em seguida olharam uns para os outros. Eram quatro marujos, de braços fortes e pele queimada pelo sol e curtida no sal. Dificilmente um jovem franzino como o pianista representaria ameaça aos algozes da moça, e tudo o que eles fizeram foi cair na risada pela bravata de Clement.

    -"Dá o fora, garoto. Os adultos estão conversando."- disse rispidamente o homem que segurava a moça pelo braço. Ele tinha ja quase quarenta anos. A barba espessa escondia os lábios ressecados, e Clement achou assustadora a cicatriz que o homem envergava no rosto, que ia do nariz até a orelha.
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    Mensagem por Dalek em Sab Out 26, 2019 11:10 am

    Clement claramente não é muito convincente na sua tentativa de impor autoridade sobre os brutamontes, e resolve usar uma estratégia mais para o lado de cavaleiro. Apesar de nunca ter enfrentado tal situação durante toda sua juventude, algumas vezes seu amigo de infância que outrora fora seu inimigo no colégio Stevan se parecia muito com esse tipo de homem, e Clement sabia que a fenda de um pedaço de aço se abre nas lisas chapas e nao nos vincos por isso devia mexer no ego de seu inimigo para talvez abalar a coragem desses homens ou quem sabe provocar de sua ira o suficiente para uma brecha.
    Então dobrando o lenço de seu paletó e guardando em seu bolso dianteiro com a ponta a mostra ele diz limpando a garganta;

    "- Ora seus Imundos. É essa forma de se tratar uma dama senhores... Vejo que tem muito a aprender ainda, se não conseguem nem conquistar uma moça sem precisar pegá-la como um cão nem imagino que gafes e desfeitos ja fizeram a outras, é realmente uma pena tão sujos e tão bárbaros"

    Dito isso clement sente um gosto amargo na boca, como se ja soubesse as respostas que viriam a seguir, mas apesar de encarar os homens com um olhar de deboche estava a apertar os dentes de nervosismo, colocando as mãos nos bolsos do sobretudo e alisando o gélido metal do relógio de bolso.

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    Mensagem por Tellurian em Qua Nov 06, 2019 2:48 pm

    Os homens olham duramente para Clement, e o rapaz percebe que os provocou além do que deveria. O da cicatriz puxa a moça pra perto de si, e ela não tem escolha além de dar um passo a frente, soltando um gritinho de dor e surpresa. Ele passa os braços grossos por cima dos ombros da moça, que parece se encolher para se proteger do toque grosseiro do marujo. Ela não fala nada, apenas olha ao redor com um olhar de medo, e para Clement com um olhar de súplica. Aparentemente, a moça percebera a intenção do rapaz em ajudar.

    Mas do que isso lhe valeria, caso lhe faltassem os dentes? Outros dois gorilas, ainda maiores que o homem da cicatriz, deram um passo a frente. Ambos tinham tatuagens nos dois braços. O conhecimento de heráldica de Clement permitiu ao rapaz reconhecer o brasão tatuado no pulso de ambos, ao lado de outras figuras de temas náuticos e de marinhagem. Ambos eram ex-membros da Legião Estrangeira. Sentiu-se cada vez mais enrolado em um problema insolúvel.

    -"Vamos dar um jeito nesse almofadinha desbocado"- disse um dos gorilas. Um homem particularmente alto, de constituição sólida e queixo muito quadrado. Quadrado demais para ser considerado bonito. O homem era careca e sorriu ao falar, permitindo ao pianista perceber que lhe faltavam vários dentes, e que sua boca apresentava os sinais clássicos do escorbuto.

    Um tiro pro alto chamou a atenção dos homens, que olharam para o lado do cais onde havia terra firme, e notaram Richard de arma em punho. O belo revólver chamou a atenção de Clement e fez o rapaz suspirar de alívio.

    -"O senhor Clement é um homem de família nobre, ocupado demais para conversar com vocês, marujos burros. Aqui, venham conversar comigo. Ainda tenho cinco argumentos para usar nesta nossa conversa, um pra cada um de vocês e ainda me sobra um de troco."
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    Mensagem por Dalek em Seg Nov 11, 2019 5:28 pm



    Não existe uma forma padronizada para representar, por meio de fonemas, os sons que os seres vivos ou os objetos produzem. Se mergulhares no mundo das histórias das revistas infantis vais encontrar um sem-número de versões para as mesmas onomatopéias. Os tiros, por exemplo, vão desde o prosaico “pum”, passando por “pow”, “pam”, “crack”, “bang”, “bangue”, “blang”, até o espetacular tiro de alto calibre de Nyoka, a rainha da selva, que fazia “kapow, kapow”, sugerindo o eco longínquo nas savanas da África. Mas esse som em específico foi um belo estralo em eco por toda a praia, os olhos de todos se voltam para Richard na parte alta da praia, e olhando desse jeito ele parecia um sujeito incrível mesmo, um capitão da velha guarda da marinha renomado talvez? Honroso e cheio de coragem.

    O tiro soou como um stopin para abrir os pulmões de Clement em uma inspiração rápida e súbita. Realmente Richard chegara em boa hora, mas seria o suficiente para tirar a moça daquela situação complicada ? Uma pessoa nao precisava de muito para afugentar alguém quando se usa uma pistola.
    Clement caminha até Richard e fala calmamente limpando a garganta;
    "-Rum rum, a moça certamente está se sentindo incomodada por esses marinheiros, podemos tirar esses pedaços de porta de cima dela? -" falando isso enquanto bate no seu sobretudo dando a impressão que está tirando a poeira do casaco, por mais armado que richard esteja nao é garantido que soltarão a moça de imediato, então Clement propõe aos marujos que libertem a moça e sigam suas vidas para acabar com aquilo o mais rapido possível;  " - dito isso acho que nao precisamos dizer mais nada, porque nao deixam de atormentar a moça e vão seguir suas vidas sem nenhum buraco a mais no corpo"

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    Mensagem por Tellurian em Seg Dez 09, 2019 4:14 pm

    Os homens se entreolham e avaliam a sua situação. Richard era um marinheiro famoso, tinha grande reputação entre os homens do cais. Além disso, estava armado. Rapidamente entenderam que não valia a pena e apenas soltaram a moça. "Vamos rapazes. Não vale a pena." foi a sentença do homem de cicatriz para os outros. Eles deram de ombros e ja se retiravam quando Richard os chamou. Os homens olharam de volta e Richard lhes lançou uma moeda.

    -"Uma rodada de cerveja pelos seus problemas, rapazes. Relaxem, somos todos amigos aqui."- o experiente lobo do mar previra problemas futuros, e agira para acalmar a situação. Os três marujos riram alto.

    -"Você é um bom homem, Richard. Sem ressentimentos."- disse o homem da cicatriz, que surpreendentemente ficava ainda mais feio quando sorria.

    O velho lobo do mar suspira aliviado. Sua tentativa de apaziguar os ânimos poderia fazê-lo parecer fraco e aumentar ainda mais o risco, mas seria certo que os homens guardariam ressentimento e poderia apanhar Clement sozinho em nova oportunidade. Felizmente, a sua aposta pagara bem, e o homem pôde devolver a arma para o coldre. Ele veste sua boina marrom surrada demais e dá palmadinhas amistosas no ombro de Clement.

    -"Escapamos de uma boa, hein? Um pouco mais de cuidado, rapaz. Eu não vou estar por perto sempre. Bom, aproveite a nativa. Dizem que elas são muito boas com a boca."- Richard deu mais algumas palmadinhas amistosas no ombro do amigo e deu uma risada forte antes de se virar para ir embora.

    A moça permanecia em silêncio, e imóvel, como se esperasse ser reivindicada pelo lado vencedor da disputa, e observava Clement com olhos suplicantes.
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    Mensagem por Dalek em Qui Dez 12, 2019 9:49 am


    Com o comentário de seu amigo, Clement sente suas bochechas esquentarem, lembra seu velho tutor o repreendendo por alguma arte que fizera quando pequeno. que sensação nostálgica essa, um breve momento de saudade toma conta de seus olhos.

     Novembro, Três anos antes.

       Uma nevoa clara paira sobre a cidade, a brisa calma que vem do céu confronta as ondas de fumaça do alto das casas espalhando fuligem e o cheiro por kilometros, os grandes corredores de concreto formam um labirinto no centro da cidade e mais ao longe dali, em frente ao grande bosque Roundhay um café é posto sobre a mesa numa delicada xícara.

    < - Não foi dessa vez Milles, mas eles deveriam aceitar como essa a maior obra do ano, não, da década! eu me esforcei muito.>
    < - Eu tenho certeza Clement mas não é assim que funcionam as coisas, os auditores sabem quando uma obra é um achado, como também sabem que você pode fazer melhor, entenda filho você é jovem e tem muito talento mas levante suas calças e acorde, demora décadas para uma obra ser reconhecida e muitas vezes só depois da morte do compositor elas ganham valor e pelo visto você está esbanjando de saúde.> Milles da um leve gole em seu café.
    Clement dedilhava sua xícara como quem usa um tear a velocidades extremas tecendo fios para um grande tapete. Eram ideias saltando de sua mente e a represália que recebera dos auditores manchava sua honra, e sua profissão. Um leve gole no seu chá e o doce permeia sua boca mas não acalma seu coração relutante, e então uma ideia surge; se ele mudasse uma ou duas linhas de cada anacruse¹.
    < - O que está pensando garoto? >
    < - milles, meu querido milles acho que sei exatamente o que fez com que eles me reprovassem, se eu talvez mudasse a...>

    E num par de segundos Milles joga sua palma sobre a mesa criando um estrondo em toda porcelana em cima e balançando o liquido já no fundo das xícaras.

    < - Clement! Agora chega.>
    Clement mau pode conter a surpresa boquiaberto diante de seu amigo. Milles  o conhecia desde pequeno acompanhava suas aulas de perto como instrutor e também amigo pessoal da família Oxford, já em seus 48 anos era um homem grande com dedos longos e grossos e a batida que dera na mesa quase entortou um dos finos pés de latão dourado. Ele mantinha Clement como um filho dia após dia o ensinando a se portar e a crescer na burguesia. Clement se manteve calado olhando seu tutor sem moral alguma para responder.
    < - Clement, você é bom no que faz. Mas nunca será melhor se não aceitar seus erros. Um homem não é feito somente de vitórias, engula isso e acorde amanhã pensando em contornar seu erro melhorando e não se esquivando.>
    Clement sente o rubor esquentando suas bochechas.
    < - sim, farei >.

    Enquanto Richard se distanciava ele voltava a sentir a brisa do mar jogando seus cabelos lisos entre os olhos, e rapidamente se voltou a moça ali pálida feito uma partitura. Os olhos grandes e marcantes da moça o fitavam com um brilho sobrenatural, e foi caminhando até ela rapidamente batendo as palmas no sobretudo, limpando a sujeira que nunca esteve ali. Folhando calmamente ele busca uma palavra mais adequada em sua caderneta mas depois de perceber que não tinha nenhuma palavra para aquele tipo de situação, ele acaba tentando improvisar com seu vocabulário misturado com dialeto e qualquer outro idioma que tentou buscar;

    " - senhorita, está tudo bem ?, eles ...te machucaram ? ah alguma... coisa que eu possa... viver? Fazer!"




    1 - Anacruse (do grego anakrusis) ou prótese, é a nota ou sequência de notas que precedem o primeiro tempo forte do primeiro compasso de uma música.
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    Mensagem por Tellurian em Sex Jan 17, 2020 1:01 pm

    A moça parece encolher quando Clement se aproxima. O rosto dela expressa profunda preocupação, mas traz também um misto de outro sentimento, que o jovem pianista pôde interpretar apenas como resignação. Quando o rapaz começa a falar, a moça franze o cenho por alguns momentos, sentindo dificuldade em entender as palavras incompletas e mal colocadas do rapaz. Ela suspira profundamente, e em seguida sorri, um sorriso vazio de alegria e cheio de cortesia fria.

    <-"Podemos farar ingurês. Eu entende. Faro pouco, mas acostumada a estrangeiros. Ouço bem. Mais confortavel para o senhor, né?."-> a moça se aproxima de Clement, e ela pode perceber seu suave perfume de camomilas, assim como um cheiro particular de especiarias. Ela traz a postura aparentemente relaxada, mas o pianista percebeu que ela segurava as barras de seu quimono com ambas as mãos, em gesto nervoso.

    <-"Meu namae é Hana. Precisar agradecer o senhor por ajuda."-> a moça engasga nesse ponto, como se já soubesse a resposta à pergunta que pretendia fazer, e ficando corada até as orelhas. Ela evita olhar diretamente para Clement. <-"C-como poder... s-servir... o senhor? Para agradecimento."->
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    Mensagem por Dalek em Qua Jan 29, 2020 1:39 pm


    Clement sorri aliviado por nao precisar falar nesse idioma tão complexo, mas com a reação da pergunta da moça ela provavelmente está oferendo seus serviços. Clement sabe que se fosse em outra ocasião com 3 ou 4 copos de Um belo whisky escocês ele aceitaria de bom grado mas hoje, neste momento seria rude aceitar tal proposta o melhor a fazer é escoltar a moça até sua casa ou trabalho, mas a inquietação nao o permite começar uma caminhada em silêncio.

    Tirando o chapéu rapidamente ele comprimenta a moça da forma que viu os nativos comprimentando todos, baixando levemente a cabeça e depois olhando pra os fundos olhos da moça. <-"Prazer Srta, me perdoe por antes, mas meu nome é Clement Oxford, ajudar a srta foi um privilégio, não a motivos para me agradecer. Se a Srta me permitir eu lhe acompanho por uma rapida caminhada ok?"->

    <-"Srta. Hana, creio que senhorita pode me ajudar mais do que eu lhe ajudei, sabe eu estou nessa ilha a dias e nada de novo me aparece, eu queria que me contasse como é sua vida fora desse bolsão de areia ou melhor como é a vida la fora, quais as belezas que essa terra esconde?"->

    Falando isso ele a direciona para a praia para uma breve caminhada em direção a colina de onde veio, longe das barracas gritantes do mercado e das caixas de peixes mal cheirosos, ele caminha como se fosse uma criança, esperando uma resposta maravilhosa e fantástica, nao teve ainda oportunidade de falar diretamente com um nativo e pelas roupas e beleza da jovem ela certamente deve ter andando por todos os lados que ele jamais fora. Talvez uma vida inteira o aguardasse nessa pequena moça. Ela parecia frágil mas sua feição suave era raza e quieta, ele observava com bastante atenção cada movimento suave que ela fazia enquanto olhava a Areia fina debaixo dos seus pés.
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    Mensagem por Tellurian em Qua Jan 29, 2020 4:06 pm

    Hana parou de andar por um segundo, observando aquele rapaz alegre que caminhava a sua frente. Três anos se passaram desde a primeira vez que pisara em Dejima. A primeira vez que vira um Gaijin, sua sensação era de total repulsa. Eles não tinham modos. Comportavam-se como animais selvagens o tempo todo, como se disputassem entre si quem era mais grosseiro. Seu comportamento não possuía refino, não possuía delicadeza. Eram apenas demônios selvagens tentando impor seu domínio através da força e do medo. Ela gostaria de evitá-los, mas não podia. Apesar dos apesares, em um dia de serviço em Dejima ela conseguia receber o mesmo que em uma semana de trabalho fora dela. Os selvagens podiam ser selvagens, mas eram ricos.

    Então, Hana persistia. Apenas sorria para as grosserias. Pensava em sua família, na necessidade que enfrentavam, e suportava toda sorte de indignidade nas mãos dos Gaijin. Se deixava levar pela maré, rogando aos deuses que lhe protegessem dos demônios de além-mar.

    Hana odiava os Gaijin. Mas aquele homem.... corria pela praia como uma criança empolgada. Outro estrangeiro teria reivindicado seu corpo como espólio da vitória contra os outros selvagens. Mas aquele rapaz... falava de beleza e de curiosidade. Subitamente, a ilha Dejima lhe pareceu pequena demais. Ela nunca tinha notado o quanto a Ilha era minúscula. Esse rapaz lhe parecia, de alguma forma, diferente.

    -"N-não ter nada interessante sobre minya vida, senhor. Minya famiria é dona de um... como chama? R-resutarantu? O lugar onde serve comida. É simpures, mas Kaa-san cozinya divinamente."- o rosto da moça subitamente se ilumina, como se tomada por lembranças das quais tinha muito carinho. Ela corre até a água cobrir seus tornozelos, enquanto aponta feliz para o outro lado do canal -"Olha! Da pra ver daqui!" - a moça finalmente parece ter alegria genuína e entusiasmo na voz, enquanto aponta para o outro lado. Clement jamais poderia dizer para qual das minúsculas construções a moça apontava. Mas era preciso admitir, o sorriso dela era uma paisagem realmente bonita de se ver.
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    Mensagem por Dalek em Qua Jan 29, 2020 5:29 pm


    Era Brilhante, o horizonte era belíssimo, era como ir a praia no verão quando menor, se lembra que nunca podia entrar na água primeiro que sempre estavam entre -5Cº e 15Cº mesmo no verão era difícil irem a praia mas ele adorava. O sol ja pairava por volta das 11:30 e estavam ali na praia ela apontava pra uma porção de borrões no horizonte, então ele só podia esticar a visão e tapar os olhos do sol enquanto sorria. A minuscula moça que havia encontrado alguns minutos atras se tornava uma flor desabrochando, enquanto levantava seu quimono para as leves ondas que batiam sobre seus pés, Ele gostava do que via, seu sorriso era singelo agora, agora sim via uma mulher digna de elogios e nao somente uma boneca maquiada.

    Realmente era desperdício colocar aquele oxford recém engraxado em um monte de areai, então meio envergonhado tira os sapatos as longas meias pretas e se aproximou da moça enquanto ela olhava perdida ao horizonte, <-"Srta. Hana como é o Res.tau.ran.te da sua família? me conta qual a comida mais saborosa que fazem. vocês servem muitas comidas ? tem coisa estranhas aposto talvez algo que eu nunca comi, daquele lado tem muitos barcos pequenos, são pescadores locais ou atrás dessa imensidão ainda existem ilhas para comercio ? e o que mais ?"-> ele acelera a fala com empolgação esquece que falava com alguém que falava pouco inglês, então esperando uma cachoeira de respostas uma onda bate sobre seus joelhos o trazendo de volta a realidade e o fazendo perceber de sua empolgação descontrolada.

    "Huunf, Huunf", limpando a garganta, ele para de falar e somente olha os detalhes de sua roupa, seu longo quimono parecia quente e ao mesmo tempo fresco, de que tecido seria, quanto tempo levaria para fazer, quanto custava sua mente era recheada de perguntas e as respostas estavam ali na sua frente sorrindo para o nada, onde os ventos balançavam os cabelos lisos e pretos, mesmo presos podia ver o coque lutando para se soltar e as pequenas madeixas soltas ao vento se uniam a uma leve franja delicada sobre sua testa, Hana era uma moça bonita e jovem, nao devia ser mais velha que ele. O que ela passara, o que havia do outro lado.
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    Mensagem por Tellurian em Qui Jan 30, 2020 9:07 am

    -"Senhor, se o senhor falar rápido, eu não entender"- A moça parecia ter feito um esforço sincero para entender as palavras de Clement, aceleradas pela empolgação. Porém, no meio das perguntas, ela pareceu se perder completamente e passou a não entender nada. Ele mesmo parecia ter percebido que estava sendo confuso, mas a moça apenas sorriu. Uma gargalhada adorável. Clement sentiu que fazia anos que não ouvia uma mulher rir.

    Os meses que havia passado no navio, havia passado na companhia apenas de homens. Mulheres dão azar em navios era como os marinheiros justificavam a ausência feminina no convés. De qualquer forma, a marinhagem era um trabalho árduo. O próprio Clement, que era mais passageiro do que tripulante, foi obrigado mais de uma vez a puxar cordas pesadas, rolar barris, carregar sacas de grãos... era um trabalho sacrificante. Clement imaginou que mesmo que fossem aceitas no navio, mulheres estariam fadadas ao serviço na cozinha. Mesmo o serviço de limpeza seria pesado e perigoso demais para elas.

    Quando finalmente alcançaram a costa japonesa e lançaram âncora, a dias atrás, Clement descobriu que as nativas eram quase sempre muito sérias e sorriam apenas discretamente. Os japoneses eram um povo disciplinado, contido e discreto, em sua larga maioria. Nunca havia visto uma mulher japonesa dar demonstrações vívidas de alegria. E ao ver e ouvir Hana sorrindo e gargalhando na praia sob o sol, sentiu que uma de suas missões naquela terra distante, mesmo que uma das pequenas, havia sido atingida.

    -"Já sei! Vamos até o res.tau.ran.te onde eu trabalho. Vou cozinhar algo gostoso para o senhor, como agradecimento. Comida japonesa."
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    Mensagem por Dalek em Qua Fev 26, 2020 12:56 pm

    "Que ótima ideia, entretanto não seria um problema um gaijin entrar no restaurante da sua familia ? É claro que nao me faltará modos, de maneira alguma, mas as vezes não somos bem recebidos. Vocês tem chá la ? Eu adoro chás.".
    Colocando o chapéu sobre seu cabelo bem penteado novamente, ele faz um singelo gesto de companhia para que ela segure seu braço
    " -Então, mostre-me o caminho"
    Devolvendo finalmente aquele grande sorriso que mais cedo o surpreendeu, não era facil achar alguém que o fizesse perceber tais coisas mas essa moça tinha um grande livro em sua aura, e com certeza Clement estava curioso para lê-lo.
    "A senhorita tambem poderia me mostrar alguma comida que eu possa comer sem ... Estar tão cru?" E com uma gargalhada ele espera seu aperto no braço para continuarem.
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    Mensagem por Tellurian em Sex Fev 28, 2020 3:23 pm

    Ao ouvir Clement dizer que aceitaria ir para a casa dela, Hana ficou corada como um tomate. Uma mulher convidar um homem para a própria casa, no Japão, era um ato obsceno. Talvez ela tenha cometido um erro terrível ao tentar falar um idioma que não conhecia bem.

    A moça se constrangeu e gaguejou, tentando explicar a Clement que havia cometido um engano, mas estava tão envergonhada que poderia chorar. Soltou uma enxurrada de palavras em japonês, em uma velocidade que Clement não tinha a menor esperança de compreender. A moça tinha medo do que o rapaz poderia pensar dela. Poderia achar que ela era uma qualquer, se oferecendo pra ele.

    Mas logo a jovem se lembrou que estava conversando com um estrangeiro, e que as barreiras linguísticas e culturais que os separavam eram grandes. Acalmou-se, mas achou melhor esclarecer o mal-entendido de qualquer forma. Sorria de forma encabulada, e ainda tinha a face rosada pela vergonha quando lhe pediu desculpas e esclareceu tudo da melhor forma que pôde.

    Quando o mal-entendido fora resolvido, retomaram sua caminhada pelo cais. Hana sorriu quando Clement lhe ofereceu o braço, e pegou seu braço de forma tímida. O toque da moça era delicado, e ela tinha mãos tão pequenas que Clement ficou parecendo um gigante ao seu lado. Conversaram sobre amenidades enquanto caminhavam ilha adentro. A jovem perguntara a Clement se ele gostava de frango. O rapaz sentiu uma fisgada no estômago quando imaginou a possibilidade de ser obrigado a comer frango cru, mas logo Hana gargalhou e lhe explicou que nem tudo o que comiam era cru, e que iria preparar Kaarage, que era um tipo de frango empanado e frito em óleo, com uma farinha e um tempero especial, preparados com sake, gengibre e especiarias. Ela disse que sabia que estrangeiros adoravam comida frita, e pensou que ele gostaria disso. Disse-lhe também que havia uma variedade de chás disponíveis para que ele apreciasse, e que ela recomendava-lhe expressamente que experimentasse o chá Oolong, especialidade da casa. Contou-lhe que era um chá que ficava entre o chá verde e o chá preto, mas que tinha o sabor mais parecido ao do verde, mas sem o gosto floral típico do chá verde.

    A moça se sentia tão empolgada em falar e mostrar as coisas para Clement quanto Clement era empolgado em ouvir e conhecer coisas novas. Ambos descobriram ser uma companhia muito agradável ao outro, mesmo que tenham andado juntos por um caminho tão curto.

    O restaurante onde a moça trabalhava não tinha nome na placa, como era costume dos restaurantes japoneses de Dejima. A placa de madeira entalhada que adornava a entrada discreta mostrava apenas uma flor de lótus roxa sobre fundo marrom, revelando um duvidoso senso estético de seu pintor. Clement esperava que Hana tivesse um senso artístico mais apurado do que o do entalhador da placa.

    O lugar era pequeno. Apenas meia dúzia de mesas se espremiam em um espaço estreito que mais lembrava um corredor do que uma sala. Além de Hana, apenas outra moça vestida em trajes tradicionais japoneses servia as mesas. Não estava muito cheio, apenas uma das mesas estava ocupada.

    Mas, o que chamou a atenção de Clement foi um velho piano de madeira, empoeirado num canto do restaurante. Parecia que ninguém mexia nele a séculos.
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    Mensagem por Dalek em Qua Mar 04, 2020 2:06 pm


    Fevereiro. 1 ano antes.
    Era inverno, um longo sobretudo negro cortava as ruas pouco movimentadas do centro. A essa hora da noite seus movimentos eram apressados e cuidadosos, a neve ainda úmida podia derrubar Clement se nao tomasse cuidado nas calçadas, sentia seu chapéu e ombros ja pesados com os flocos que caiam incessantes a alguns meses. Uma longa avenida e depois uma curva a esquerda, esse era o caminho de sempre que fazia do seu bar favorito todas as sexta feiras, A casa dos mantos era um lugar movimentado depois das 18 horas, os homens de toda cidade iam até la para ver as belas mulheres e conversar sobre assuntos diversos, como ter suas noites de bebedeira ou prazer, ou os dois. Alguns jogavam nas meses reservadas, outros gargalhavam sem medir a altura, mas Clement sempre ia para conversar com a mesma pessoa, tomar o mesmo whisky, comer o mesmo tira gosto.

    As pessoas tendem a se acostumar com as rotinas quando muito cômodas, e Clement era uma pessoa que gostava de rotina. A musica do lugar era muito dançante e pouco moderna, mas embalava os imbreagados de plantão e as moças loucas por um xelin fácil, tambem foi nesse lugar que ele conheceu madame July. Uma senhora que ia todas as noites inspecionar as meninas, mas não, ela nao era a dona do lugar, ela era uma velha cantora que buscava na casa dos mantos alguém com quem se parecia quando jovem. Clement e ela passavam horas comparando as meninas com sua versão jovem, e imaginando seus futuros, eram noites triviais mais eram divertidas. Pouco depois de chegar, ele deixa seu chapéu úmido num cabide do lado da porta. No fundo do salão ele ja podia ver a madame sobre a mesa, mais cabisbaixa do que de costume.

    *- Madame posso me sentar ?* *- oh querido, vc já chegou!, Hoje veio correndo?*
    *- Estava desocupado, queria lhe contar uma novidade. Consegui juntar dinheiro para fazer aquela viagem.* *- ainda com essa maluquice de ir para terra dos Espadachins?*  Uma gargalhada surge da voz calma de Clement. * *Hahaha, onde a madame ouviu isso ? O povo do oriente não usa espadas, bom... Provavelmente não, estamos na modernidade agora, homens empunhando espadas diante a um canhão me parece mais uma obra de ficção a realidade.* *Ehhhh?, Humnff, você não viveu nada meu filho, não sabe o que é a realidade, os homens que conheci não abandonam sua paixão pela "modernidade". * E a senhora a sua frente da um longo gole no seu whisky. Seria capaz um homem lutar contra o futuro?, Clement observa a madame com olhos de duvida agora que ela esvazia seu copo num unico gole. Ela conheceu tais homens? Como a natureza de um homem lutaria a paixão pela sua cultura?.

    Assim que entra no restaurante Clement estica seu braço a procura de um dos ganchos cabideiros para descansar seu chapéu e sobretudo, mas havia se esquecido que nesse lugar os homens nao costumam andar de chapéus ou roupas que precisam ser tiradas ao entrar em algum lugar. É claro que era um tanto desconfortável segurar o proprio chapéu ou no minimo falta de higiene coloca-lo sobre a mesa, então sem jeito volta a baixar o braço e procura uma mesa no canto do restaurante. Sem pensar duas vezes escolhe a mesa próxima ao piano.

    Clement sabia o que ele sentia naquele lugar, um misto de cheiros tipicos de ervas e um pouco de temperos, era gracioso como seu nariz era bom em distinguir os cheiros. Tanto que o cheiro que mais o atraiu foi esse a sua frente, um cheiro de madeira pura, envelhecida e forte como rum, o cheiro de verniz antigo e poeira quieta, o piano a sua frente era um instrumento ancião deixado ali como um enfeite. Um nó na garganta de Clement se formou olhando o estado da peça, seus pés ja sem tinta e com a madeira desgastada de tantos banhos que esse chão ja viu, na tampa maior eram claros os círculos de copos que outrora foram postos em cima, manchando seu acabamento e dando uma textura de bolinhas ao grande instrumento marron.

    Ele dedilha a tampa e salta as mãos para a tampa de baixo, torcendo para que o instrumento esteja inteiro e nao tenha virado um ninho de camundongos. Lentamente abre a longa tampa com o cuidado de um cirurgião deixando a poeira acumulada ser derramada para as baias traseiras, as teclas brilham em um marfim escaldante, limpas e preservadas. Seus dedos coçam e um leve peso o hipnotiza, no momento em que coloca suas mãos sobre as teclas seus dedos se movem sozinhos num rapido teste;

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