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    High Cup Gill - Cumbria

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    Mensagem por Wordspinner em Seg Maio 25, 2020 2:41 pm

    High Cup Gill - Cumbria High_c10



        No alto do inverno inglês o vale fica coberto de neve. Aqueles que Caçam nas Sombras estão reunidos em um dos seus lugares mais sagrados. Vocês, entre os muitos que ainda não fizeram o juramento a Hikaon-Ur, fazem a grande caçada. Durante toda a noite o espirito os desafia. Os faz correr e lutar e perseguir e seguir. Seus aliados os atrasam. Os impedem. Os impelem a desistir. O tempo todo sentem uma respiração profunda bem perto das suas costas. O tempo todo lobos negros observam das sombras. O tempo todo uma outra caçada mais profunda está correndo e nela vocês, seu valor, são as presas. Três lobos chegam até fim e lutam contra a presa, Inverno Implacável, e batalha suja a neve de sangue fresco e quente. O espírito ganha vantagem a cada segundo. Uma força da natureza que não pode ser parada. Os lobos ouvem um sussurro no vento, as palavras de um caçador mais velho que o vale onde lutam. "Nu Mus Halhala"
     
       As marcas queimam a carne e fortalecem o espírito. O toque da Loba Negra é feito da pureza do caçador. Um fio escuro dos seus truques vaza para dentro dos seus espíritos. Exatamente o bastante para derrubar a caça. Quando Inverno Implacável finalmente sucumbe os uivos chegam de todos os lados, uivos que ecoam os três novo Meninna.

       





        Um homem magro e velho se aproxima de vocês. Ele é apenas o primeiro. Velho, mas não fraco. Em suas mãos abertas longe do corpo ele carrega chamas vivas. Dezenas de lobos o seguem. Entre eles, muitos Urathas. Esses começam a mudar de forma para Dalu, Hishu ou Urshul. lá estão os membros da sua tribo. Lá estão irmãos na eterna caçada. Eles entendem. O Lobo deve Caçar. Eles juraram. Não permita que nenhum lugar sagrado seja violado. Essas são as primeiras palavras do velho "Nu Mus Halhala". As chamas saltam ao chão procurando o corpo do espirito e o devorando lentamente. Os olhos escuros do velho olham de um pro outro na luz das chamas. "Nu Mus Halhala" Dessa vezes os outros se juntam a eles e somente os lobos que não são uratha ficam em silêncio. "Nu Mus Halhala" Dessa vez as palavras fluem das suas bocas junto com todos os outros. Não permita que nenhum lugar sagrado seja violado.

        As palavras dão força ao seu espírito e se prendem a eles. As sombras ficam ainda mais escuras e longas. Se estendem até as nuvens, cheias de gelo no céu. De lá, oculto nas sombras O Lobo Negro os observa. A benção de Hikaon-Ur é clara como seu favor.

        Em pouco tempo a atmosfera solene se perde os Urathas se aproximam para conhecer de verdade os seus novos membros. Em volta da fogueira um tambor começa a bater notas baixas que correm sem impedimento pelo vale. O velho logo está lidando com uma fila de urathas pedindo seu conselho. Mas são vocês que tem a atenção da maior parte dos Urathas. Os simples lobos chegam logo para perto de fogo e os tratam como se fossem parte de uma grande alcateia. Sem a menor hostilidade ou desconfiança.
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    Mensagem por Bravos em Seg Maio 25, 2020 10:01 pm




    Axel Brown

    Semanas se passaram junto com os Seis Uivadores. Eles lhe ensinaram o básico. De alguma forma, Axel estava agradecido por isso. E quando lhe explicaram o conceito de alcatéia ele entendeu porque não estavam tão agradecido assim. É só porque, apesar da boa intenção e bons atos, eles ainda não eram a sua. Eles também arranjaram para que ele e um outro cara chegasse até Os que Caçam nas Trevas.

    Havia ali alguma história encoberta, que ele preferiu não cavucar ainda mais. Mas aquilo praticamente desapareceu enquanto eles corriam na caçada atrás do Inverno Implacável. Axel talvez entendeu ali o que significava caçar. Era um instinto, um direito e um dever. Talvez só caçando ele havia se sentido verdadeiramente feliz nos últimos tempos. Mais do que festas, álcool e mulheres. Nu Mus Halhala. Aquela frase que era agora mais um juramento foi repetida diversas vezes enquanto eles eram aceitos como novos Meninna. O Lobo Negro olhou para eles e os abençoou.

    Depois daquele rito, há uma certa comoção com os novos membros. Era até estranho, já que nas últimas semanas havia vivido quase escondido. Axel respondia com simpatia aos que por ventura lhe perguntavam algo. Estava ligeiramente surpreso da proximidade dos lobos. Mas com certeza aquilo não o fez perder o fôlego. Havia tido tantas surpresas ultimamente que aquilo era apenas inusitado.

    Sentou-se próximo do outro Uratha de Dover. - E aí? - Eram os únicos Meninna da cidade. Aquilo poderia significar muita coisa. Provavelmente fariam parte da mesma alcatéia. Axel ainda sentia a adrenalina da caça correr em suas veias. - Acha que qual vai ser o próximo passo quando voltarmos?






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    Mensagem por Ankou em Seg Maio 25, 2020 11:20 pm






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    Sua cabeça ainda zumbia, havia tomado três porradas na fuça daquele filho da puta, o pior era que o zumbido ainda era mais psicológico do que outra coisa, seu corpo estava perfeitamente intacto como era de se esperar, e Inverno Implacável era um aliado da tribo, ficava a imaginar como seriam as “lutas de verdade”, não que o espírito não tivesse batido pra matar, ele jamais adimitiria fracos e incapazes na tribo, a regra era simples, se você tinha condição de permanecer no cavalo estava tudo bem o dia que caísse estava tão bem quanto morto. Mas no fim era o que havia nascido pra fazer, a sensação de prazer era semelhante ao que havia passado no dia da sua mudança, mas sem gente inocente morta.


    Passava pelo juramento Num Mus Halhaha, fazia o que entendia pelo melhor pra sua família e pra aqueles que amava. Sentia-se bem ao repetir aquilo, não porque as palavras significassem algo especial, mas porque havia um sentimento de pertencimento bem diferente do que havia acontecido com os Uivadores, não que eles tivessem sido mal educados ou um problema, mas de alguma forma sentia o peso da obrigação da tradição nos ombros deles, num geral tradição era uma coisa que Connor não gostava muito, pelo menos não com as que não concordava.


    Ele tomou seu tempo com o ancião, tinha curiosidade sobre os costumes da tribo, não queria fazer feio com eles, pelo contrário, havia uma avidez de se tornar um membro exemplar, de ganhar respeito, mas havia de começar pela humildade de perguntar como as coisas funcionavam internamente, havia também uma curiosidade inata pelos espíritos, Connor dominava bem o lado de cá que havia vivido a vida inteira mas Hisil ainda era muito teórico, mas saber como tombar o inimigo era metade da briga ganha.


    Terminou sentado sobre uma pedra gelada perto de uma fogueira, se mantinha na sua forma de Dalu, ainda que estivesse bem vestido, a forma humana era bem menos agradável naquele clima desgraçadamente frio onde até o sol parecia brilhar menos.


    Via Axel se aproximar, nunca havia descoberto qual era dele, até aquele momento talvez nem tivesse se importado, achava ele até um carinha meio estranho, pelo pouco que havia visto, mas era muito pouco pra ter uma opinião real formada, foram poucas as vezes que eles se cruzaram e quando o fizeram definitivamente estavam a caminho em direção a porra do ártico.


    Connor meneou positivamente de maneira breve cumprimentando Axel, escutava sua pergunta enquanto olhava em direção ao fogo, não desviou o olhar do fogo, mas respondeu de forma objetiva. – Cavar um território em Dover, e isso vai ser um rio de merda. – a voz gutural de sua forma Dalu era estranha, soava como o bicho papão, mas era melhor do que aguentar o frio na pele humana fina. Sabia que Dover por si só já era estabilizada. – Com sorte os Uivadores vão arredar pé de alguma parte da cidade e a gente consegue se instalar, isso é a melhor das hipóteses, senão a gente vai ter que tomar um pedaço do bolo pra gente no braço, e as terras do Corvo das Brumas e do Trovão tão fora de cogitação. – Pausou por um instante, e pensou que talvez tivesse falado grego com Axel. – Eu quero dizer dos Filhos do Corvo. – complementava.

    Decidia mudar o tom da conversa, tinha certeza que ninguém se juntava aos que Caçam nas Trevas por que era um paladino da justiça ou um senhor certinho, exergava todos eles como penitentes, não sabia se isso era verdade, mas definitivamente era a sua verdade. – Eu jurava que eu podia te ver como um Mestre do Ferro, nunca te imaginaria aqui, mas em todo caso bem vindo pra nós eu acho.– estendia a mão em forma de cumprimento, dessa vez mais formal em diração a Axel. – Então, o que te fez se juntar com o pessoal aqui? – Não havia malícia na pergunta, perguntava deixando aquela decisão inteiramente na mão de Axel, quisesse dividir ou não seu passado. Enquanto isso jogava um bloco de neve limpa e umas folhas de pinheiro dentro de um canecão, queria um chá quente pra acalentar os ossos.



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    Mensagem por Wordspinner em Qui Maio 28, 2020 7:35 pm

    O espírito não libera qualquer cheiro enquanto queima. Mas tem cheiros o bastante com os lobos e os urathas. Uma espiada ao outro lado mostra um lugar muito parecido, porém maior e mais vasto. Povoado com totens e espíritos de lobos. Espíritos de predadores e caça. Frio e fome. Medo e sombras. Sangue e fúria. Mesmo com tanta gente é estranhamente silencioso dos dois lados. A atmosfera quase festiva não se torna uma bagunça. Sussurros vão e voltam entre os caçadores. Cada um lidando com o frio a sua maneira. Os uivos de poucos minutos atrás parecem impossíveis de imaginar.

    "Vocês vão mesmo para Dover?" A voz é meio soprada e sem folego. Seu dono, uma mulher cor caramelo, está vestida com uma jaqueta dos tubarões de Sparhall. O time de futebol de uma cidade próxima a Dover. Os olhos dela são amarelos na luz do fogo e suas tranças são cheias de brilhos metálicos. Ela está tremendo de frio. "Cidade linda, melhor que Sparhall. Eu sou vizinha de vocês. Me chamo Rail." Ela estende a mão para um cumprimento e depois a enfia de novo dentro da jaqueta. "É minha segunda tentativa. Achei que não ia conseguir. Na verdade achei que nem ia tentar de novo. Vocês não tem noção do que é estar lá no escuro agora. Vocês vão mesmo voltar? Mesmo sabendo as histórias? Mesmo com o taboo? Ninguém em sã consciência vai pra lá desde que roubaram nosso território. Olha eu falando como se tivesse aqui a mais tempo." Ela procura um lugar para sentar e desiste. "Mas a gente caçou bem juntos, não é? Passar no teste faz parecer que a gente pode caçar qualquer coisa. Que a gente pode tomar de volta o lugar a rainha negra juntou as tribos e os puros contras os ratos e os devoradores. A história me da arrepios e pesadelos na mesma medida. Vocês são corajosos demais. De verdade." Ela parece genuinamente impressionada. Impressionada e curiosa. O lobo que ela era tinha cor de neve fresca e pelos longos e arrepiados, totalmente diferentes do que ela é.
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    Mensagem por Ankou em Qui Maio 28, 2020 9:19 pm






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    Em uma situação habitual Connor provavelmente mandaria um intruso na conversa ir cuidar da própria vida, mas aquela estava longe de ser uma situação normal, ele até tinha espiado do outro lado, lembrava bem da primeira vez que havia feito aquilo, de forma involuntária inclusive, mas não dessa vez, e o que via estava longe de lhe espantar, tirando o fato de que obviamente aquela planície fria era um loci, eles estavam cercados de lobos, mas não havia alegria ali, de nenhum dos dois lados, isso so reforçava o sentimento de penitência que Connor sentia.


    Seu olhar se desviou da fogueira pra mulher, a ouvia elogiar Dover e se apresentar. – Connor. – dizia levando a mão de encontro a dela dando um aperto respeitoso.


    Cerrava os olhos, escutando que ela tinha falhado previamente em um teste – É ele tem o braço pesado, eu garanto isso, acho que perdi uns três ou quatro dentes... – Falava do Inverno Implacável, mas falava como se fosse uma sábado qualquer, mas não julgava a mulher, seria covardia comparar ela a ele, quando ela possivelmente tinha metade de seu tamanho.


    Ouvia ela tocar num assunto que parecia conhecer melhor, o tabu relacionado aos que Caçam nas Trevas e Dover, sabia que eles tinham atacado os Uivadores com prata, mas isso foi a única coisa que conseguiu arrancar dos bastardos, o que viria a seguir seria uma especulação – Eu sei que tiveram uns que fizeram merda por lá, eu sei pouco da história, mas se quer saber o que eu acho? – a pergunta era retórica – Acho que eles comeram ratos demais e acabaram malucos ou comeram coisa pior... – escutava o barulho da água começar a ferver nas bordas do canecão, mas ainda havia uma parcela de gelo no meio.


    Connor se afastou um pouco sentando na ponta da pedra apontando com uma das mão a convidando a se sentar, ouvia ela falar das tribos e dos puros, essa era uma história que não conhecia, mas pra isso ter acontecido tinha dado uma merda muito grande.


    Deu uma risadinha, achava a situação até irônica, mesmo que a moça estivesse genuinamente surpresa por ele e Axel quererem voltar pra Dover – Você lembra a minha mãe, fala um monte de coisas e não diz muito, sem querer ofender – dizia dando uma mexida no canecão com um graveto seco vendo água querendo dar sinais de ferver por completo.


    - As alcateias de Dover não gostam de falar, de absolutamente nada, existe uma tradição no protetorado, de basicamente quando seu lobo desperta eles te falam sobre as tribos da maneira mais imparcial que puderem e a decisão é nossa do que fazer com as poucas informações que nos são dadas. – começava a fuçar numa mochila de camping, olhava pra Rail por um instante e pensava como uma caçadora podia ser tão despreparada, vir pra aquele lugar com uma jaqueta e mais nada era confiar demais no lobo dela, e sinceramente naquele momento Connor não estava confiando nem na sombra dele mesmo em quesitos de sobrevivência naquele novo mundo.


    - Nunca ouvi falar dessa Rainha Negra – tirava de dentro da mochila duas canecas que nitidamente eram conjunto do canecão qual o conteúdo já borbulhava, enchia as canecas com chá de pinheiro, o cheiro e o sabor lembrav aalguma coisa do limão, mas na opinião de Connor não era seu favorito, mas naquele frio era bom pra esquentar os osso. Estendia uma caneca pra Rail enquanto dava uma golada na sua própria caneca e deixava o chá a disposição de Axel caso ele quisesse.


    Conhecia Dover como a palma de sua mão - Então essa Rainha Negra era uma alpha lá pelo visto? Importante imagino? Qual era o território dela? – perguntava, agora quem havia ficado curioso era ele, podia até ser que Rail não soubesse descrever exatamente, mas se ela desse um mínimo detalhe ele com certeza saberia a área, definitivamente retomar esse território pra tribo lhe daria o respeito que precisava entre eles, e se conseguisse outros loucos que o acompanhasse com ele sendo alpha de uma alcateia isso com certeza deixaria Vôin orgulhoso.



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    Mensagem por Wordspinner em Qui Maio 28, 2020 10:08 pm

    "Lá em Sparhall eles falam pelos cotovelos, mas só tem um de nos lá. Agora dois." Ela aceita o caneco e tira pacotinhos de açúcar mascavo com canela do bolso. "Sabe que café pode te deixar em coma? Eu amava café antes da mudança. A maior parte do pessoal de lá são Sombras descarnadas e Senhores das Tempestades. Sua Mãe também é Uratha? Ela deve ser alta e bonita. Não temos protetorado por lá, mas os Lobos a Diesel vivem tentando, se depender de mim eles conseguem." Ela despeja um dos pacotes na própria caneca e oferece os outros dois logo antes de se sentar. Ela ocupa um espaço bem pequeno e se encosta em Connor para se esconder do frio.

    Ela olha pensativa para as chamas e parece cansada. Mas tem uma animação inquestionável na voz. "Ela era uma heroína. Tem um monte de canções sobre ela. Mas foi uma ladra também. Rainha porque ela tinha um castelo. Ela começou entre os Mestres do Ferro e depois negou o lobo vermelho para procurar nossa tribo. Ela roubou fetishes dos Senhores da Tempestade, dos Sombras Descarnadas, Garras Sangrentas e até dos Presas de Marfim. Filhos da puta nojentos!" Ela parece prestes a cuspir, mas pensa melhor e volta a falar animadamente. "Isso foi antes da batalha contra os ratos e os Devoradores. Eles vieram de Lyon. Lá da França. Eles comiam Uratha em rituais profanos e se aliaram com a hoste dos ratos. Imagina isso. Se aliar a uma hoste. Eles abriram um buraco enorme no Dromo. Foi um inferno. uma ferida até. Quando se juntaram para pegar ela pelos roubos eles viram o que tava acontecendo. impossível não ver. Ela tinha perdido um monte dos dela. A coisa era tão feia que os Presas de Marfim que ela roubou juntou Reis Predadores e Tocados Pelo Fogo para ajudar. Devem ter feito uma versão da história em cada canto. Ela morreu dez luas depois de eles vencerem. Vingança dos Presas de Marfim. Mas ninguém nunca pegou de volta os fetishes. Ela perdeu, ou quebrou ou escondeu bem demais. Ou os Mestres de Ferro roubaram dela." um dos lobos se deita aos pés dela ouvindo a história. Ouvindo a voz dela.

    "Um dia eu conto a história toda, mas ela era alfa sim. Tinha um castelo onde hoje acho que é uma reserva. Depois dela foi tudo piorando. Cinco alcateias com membros da nossa tribo foram lá e fizeram vergonha. A terra era quase toda nossa por lá." Ela fala com uma grande propriedade, como se tivesse se sentido parte da tribo muito antes do teste. "Uma alcateia durante a primeira guerra foi toda executada por comer humanos e lobos pra manter a força durante os tempos instáveis. Uma outra alcateia desapareceu por anos na sombra para só retornarem os membros que eram da nossa tribo todos completamente insanos. Perdidos além de qualquer recuperação. Daí eu só sei o que aconteceu com os últimos. Eles abandonaram os territórios exceto um loci. Um loci corrompido já tinha virado uma ferida quando encontraram eles e os caras defenderam o lugar com prata. Foram expulsos e depois voltaram procurando vingança. Dizem que largaram eles quebrados, mas vivos, no Sheol. Se isso não é matar alguém alguém, eu não sei o que é." Sheol, um lugar na sombra que é um deserto de significado que faz aqueles que adentram abandonarem toda vontade. Um lugar difícil de deixar com as próprias pernas. Ela olha para os lobos da tribo e depois para os dois ao seu lado. "Vocês querem o castelo agora, não é? Querem o lugar da batalha também, não? Caras, Dover não é terra boa pra nossa tribo."
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    Mensagem por Ankou em Qui Maio 28, 2020 11:09 pm






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    Percebia que sua primeira impressão havia sido bastante equivocada, ela não era uma moça que havia vindo despreparada, não apartir do momento que tirou a açúcar do bolso, não sabia qual era o jogo da Rail, mas decidiu jogar, verdade ou não aquele monte de palavras que ela começava a vomitar começava a fazer algum sentido. Meneava negativamente, preferia o chá sem açúcar.


    - Minha mãe, meu avô, provavelmente o avô do meu avô também... – Nunca havia conhecido seu bisavô, nem mesmo visto uma foto ou ouvido falar, mas não duvidaria se aquilo fosse verdade.


    Connor escutava a história toda absorto, mas no fim soltava uma gargalhada que até não parecia ter sentido dado o teor sério em que tudo era contado, ele via outros camaradas que escutavam e os lobos próximos desviarem sua atenção pra ele. – Desculpa, mas é engraçado conhecer histórias de um lugar que tu sabe exatamente onde é, com todos os detalhes, uma terra da qual você comeu e bebeu a vida inteira e ainda assim tem todas essas histórias escondidas como se estivessem enterradas sob uma cripta lacrada. – deu mais um riso e virou a caneca de chá, se servindo novamente, a sensação da água quente descendo goela abaixo era boa.


    - Eu não quero o castelo, a reserva tem gente fazendo serviço lá há muito tempo, e tá sendo muito bem feito por sinal, tem horas que a gente tem que ser humilde e respeitar quem sabe mais que a gente, mas quem sabe um dia não se torne minha responsabiliade, nunca se sabe. – limpou a garganta, deu mais uma golada de chá e continuou falando descordando totalmente com o que Rail falava – Acho o contrário, é o tipo de terra que precisa da gente, tem muita coisa ruim do lado de lá em Dover, do tipo que come gente e passa pro lado de cá, com mais frequência do que devia, é um desafio a altura, parece até divertido – aquilo soava completamente corajoso de se falar ou completamente insano a depender do ouvinte. – Como eu tava falando com o Axel, por agora eu só quero um canto, pode ser uma merda de lugar, mas que seja meu, e de qualquer forma, não é por que a gente falhou antes que isso vai acontecer de novo, parece até que eu to sendo presunçoso, mas nem to sendo, só quero pagar pra ver mesmo. – falava se deslocando até a mochila, descolando-se de Rail por um instante e procurando uma posição mais confortável sobre a pedra, apoiando parte do corpo sobre a mochila agora.

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    Mensagem por Bravos em Sex Maio 29, 2020 2:16 pm




    Axel Brown

    - Acho difícil alguém ceder território por livre e espontânea vontade... E talvez seja um pouco ingrato tomar logo dos Uivadores. - Ou talvez aquela fosse apenas sua moralidade humana falando. Um lobo tinha que defender seu próprio território, afinal de contas. - De qualquer forma, vai ser bem animado. - Pigarreou quando Connor perguntou dos motivos de estar ali. - Por conta dos bichos que mataram meu pai e pela segurança de minha mãe. Faz muito sentido eu estar aqui. - Acho que não precisaria explicar mais.

    Então uma garota se aproximou e começou a falar sobre o que havia acontecido anteriormente com membros da tribo em Dover. Era uma história e tanto. Era agora perfeitamente entendível porque não havia mais nenhum Meninna na cidade. - Eles pareciam estar empenhados em agir mau. O que os levou a agir assim? - Disse pegando o chá de pinheiro de Connor e pondo em sua própria caneca. Bebericou a bebida que servia mesmo para esquentar. Talvez fizesse anos que ele não tomava chá.

    - Esses Uratha não só falharam, eles fizeram o que tinha de pior. A tribo de alguma forma tentou recompensar a cidade? Teriam esses fetiches alguma coisa a ver com tudo isso? - Eram questionamentos válidos. Afinal de contas aquelas coisas não devem ter acontecido da noite para o dia. - Era bom sabermos disso se quisermos trazer alguma respeitabilidade para a tribo dentro da cidade. Temos um dever duplo nas costas.






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    Mensagem por Ankou em Sex Maio 29, 2020 3:45 pm






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    Eventualmente Connor olhava pra Axel enquanto o Elodoth parecia mais entretido com a conversa entre ele e Rail, aproveitando um pouco do chá. Aliás era um bom novo costume pra se ter, o canecão estava lá só pra eventualmente ferver água, ele havia pego as folhas de pinheiro no meio do caminho antes da caçada. Dava mais um gole de chá. – É por isso que eu disse que preferia não usar o braço, mas eu também acho difícil. No entanto sejamos francos que eles tem mais do que eu acho que conseguem dar conta, ou é assim ou Rail vai ter rezão de que voltar pra Dover não é uma boa ideia. – seria sua palavra final sobre o assunto, pelo menos por hora.


    Continuou a conversar com Connor – Meus pêsames. – dizia pelo pai, ele não sabia o que era a dor de perder um pai ainda, o seu estava bem e vivo, mas se identificava com a dor de perder pessoa próximas, como havia pensado Axel era um penitente como ele próprio, um sujeito preocupado com a família, na visão de Connor todos eles tinham motivos semelhantes pra estarem ali.


    Escutava a pergunta de Axel a Rail, e já até tinha uma resposta mental, de muitas possibilidades, mas preferiu não responder, achou que sabia muito pouco sobre as circunstâncias pra poder começar a cuspir teorias, mas decidiu se manifestar quando Axel o retrucou. – Fazer o que tem de pior foi só consequência de terem falhado miseravelmente, o que é impressionante é o fato de terem sido cinco alcateias. – Pigarreou e deu mais um gole no chá e prosseguiu – Acho que o que sobrou desses fetiches a essa altura já foram recuperados ou definitivamente perdidos ou quebrados, se bobeiar eu já vi algum deles só nunca soube o que exatamente.


    Respirou profundamente e virou a segunda caneca de chá, não beberia mais, estava satisfeito, mas deixaria o resto se alguns dos parceiros ali quisessem se servir mais. – Tudo bem, eu sinto como se não tivesse jogando limpo então vou abrir o jogo de uma vez, eu literalmente fui criado nas terras que Rail tá falando, e esse papo explica muito sobre os motivos não ditos pelos quais minha mãe surtou quando soube que eu me juntaria aos que Caçam nas Trevas, eu sou um Mcleary, se é que o nome significa alguma coisa pra vocês, sou neto de Trovão e filho de Garra de Ébano, e até onde me consta minha família já teve mais Urathas do que eu poderia contar, e eu escuto histórias que são contadas desde que o próprio rei Arthur ainda respirava, mas nada de Dover, eles decidiram esconder tudo de mim, mas agora muitas peças se encaixam, o ritual de batismo, o silêncio sobre a reserva, uma família que se vangloria de um passado distante, mas se recusa a falar do que aconteceu ontem. – Connor se levantava parecia inquieto beirando a ficar realmente puto, começava a andar de um lado pro outro. – Tem muito caroço nesse angu aí e eu tenho certeza que nem o resto do protetorado sabe desses caroços, eles são novos demais pra isso até onde eu saiba, mas eu sentia o ar pesado o tempo todo, eu só tinha me acostumado e achava que a vida era assim, que o normal era isso, porra de Senhores da Tempestade, são cabeça dura demais é como falar com as paredes. – não sabia se aquilo fazia muito sentido pra Rail e Axel, mas ao final de suas palavras mais pareciam conjecturas feitas em voz alta do que algo explicativo ou parte de um diálogo.


    Connor se afastou um pouco ficando mais calmo, tirava do bolso um charuto queimado pela metade e o acendia, era uma tentativa semi frustrada de se acalmar. Pior que até o charuto era igual o do velho, mesma marca, tinha até o cheiro dele – Desculpa pessoal – dizia retornando e se sentando de volta no lugar enquanto o cheiro de tabaco de boa qualidade se alastrava – É muita tragédia ao mesmo tempo, e ninguém disposto a discutir o motivo delas, pra evitar que elas aconteçam de novo. – automaticamente lembrava da história da Loba Sem Sombra que Brendan havia lhe contado e da tia Elise.


    Dava uma tragada forte e soltava um fumaceiro pra cima e mordia o charuto em seguida, sentindo o gosto amargo do tabaco – Então Rail, tu com certeza tá mais por dentro das coisas que eu, o quão a lenda hollywoodiana de uma dentada de uratha transformar outra pessoa em uratha é real? Eu já escutei um papo torto desses de um pessoal que forçaram a transformação deles. – sua pergunta parecia até sem interesse, como se ele quisesse desviar do assunto de tudo que havia falado anteriormente.



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    Mensagem por Wordspinner em Sex Maio 29, 2020 7:04 pm

    "Axel, certo? O protetorado de Dover já me fez mais de um favor, mas você só merece o território que pode defender e eu não estou lá para ver. A gente sempre vigia a Hoste dos ratos e vai ser uma grande surpresa quando vir um deles saindo de Dover e não indo para lá. É literalmente bizarro." Ela aperta o braço de Axel com carinho inesperado. "Eu sinto muito cara. Mas é certo que tem alguma coisa que odeia a nossa tribo lá. Com esse tempo todo sem ninguém descobrir o que? Não é acaso Mcleary. Não mesmo. Acho que essa coisa toda é o nosso pessoal tentando compensar. Se nenhum de nos estiver lá não vai ser um pecado de nenhum de nos. Se eu posso oferecer um conselho, desconfie dos seus instintos lá. É assim que eu faria uma armadilha pros Que Caçam nas Sombras." As ultimas palavras ela fala mais baixo e mais grave e mesmo assim é impossível deixar de sentir o peso dos olhares. Instintos são coisas importantes para a tribo. Um lobo sem instintos afiados nunca entraria na tribo.

    Ela toma um gole longo, claramente envergonhada. Mas decide que o melhor é continuar falando e mudar de assunto. "A coisa da mordida é balela. Deve ser. Nunca ouvi falar de usarem para isso. Mas eu procuraria alguém bem sujo pra saber melhor. Um Senhor da Tempestade ou melhor ainda um Mestre do Ferro. Mas quem sabe se dá pra confiar nesses tipos. Tem pelo menos quatro Mclearys em Sparhall. Dois são Senhores da Tempestade e os outros dois parentes na mesma alcateia. São fechados e tals. Não oferecem ajuda, mas são justos e até julgam crimes e disputas. Mas nunca aceitam ajuda. Pra ajudar os caras tem que fazer na ignorância. É isso que Passo Noturno fala. Vive brigando com eles." Ela vira o resto na boca e devolve a caneca em um movimento rápido e desajeitado.

    Ela parece prestes a se levantar quando mãos velhas e calejadas, mais raízes do que carne, a seguram e devolvem ao seu lugar. Acima da cabeça dela o rosto magro e velho do homem que primeiro disse as palavras do juramento. A luz do fogo expõe a pele enrugada sobre os músculos como cordas. A mesma luz lança sombras fundas demais no contorno dos ossos. Os olhos escondidos pelas mesma sombras. Os dentes expostos em um sorriso lupino. Dentes perfeitos e novos. A idade nunca os alcançou. "É muito cedo para ir Imaculada." As palavras são na primeira língua e saem raspadas no começo como se fosse um esforço pronuncia-las. "A Mãe nos manda sonhos quando quer e se tivermos sorte saberemos o que fazer com eles. Raramente me arrependo de segui-los" Ele passa as mãos grossas pelo cabelo dela. Mas não tem malicia, é quase como se não a percebesse de verdade. "Eu vi três luas no céu e lobos correndo atrás de delas. Três lobos. Um branco como a neve Imaculada. Um partido como sua lua. Outro feito para caçar nas sombras. No meu sonho a loba branca se perdia no escuro e sem ela os outros dois se perdiam da lua. Foi por isso que fez o teste essa noite Meninna. Estou certo?" Pensando bem, parece que ele não percebe nenhum dos três de verdade. Mesmo assim ele fez a pergunta parecer pessoal para cada um dos três.

    O velho dá um passo obrigando-os a se virar de costas para as chamas, para olha-lo. "Um Irraka não devia contar histórias sem objetivo. Não é sua lua." Novamente nenhuma malícia. Ele até parece esperar risadas que nunca vem. "Se eu posso oferecer um conselho, paciência, discrição, sutileza, atenção e seguir os seus instintos. Mesmo se contraditórios" As ultimas palavras são direcionadas a Rail que está sendo encarada mais como enigma que com repreensão.
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    Mensagem por Ankou em Sex Maio 29, 2020 8:51 pm

    [quote="Ankou"]





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    Definitivamente entendia a mensagem de Rail, talvez mais do que gostaria, todas a vezes que agia no seu instinto natural sempre terminava numa merda federal e talvez estivesse prestes a fazer mais uma, talvez fosse hora de mudar de tática, mas foda-se. Discordava dessa de ficar inerte, deferente do resto ele não a a olhava com desaprovação, achava que ela estava pensando como uma jogadora de xadrez, sempre dois passos a frente. Decidiu defender a moça perante aos demais companheiros de tribo que agora pareciam dar total foco a eles, mesmo que não concordasse com tudo que ela dizia, não admitia de cercearem o direito dela achar o que quer que fosse. Se levantava quase estufando o peito. – Tão olhando o que? Todos esses caras que falharam eles o fizeram por que viram alguma coisa ou deixaram de ver e não souberam lidar com isso, o negócio é pensar e identificar a situação. Além do mais quem vai lidar com isso sou eu e o Axel, até segunda ordem, ou alguém aqui vai se voluntariar pra fuçar nesse monte de merda com a gente?! – Soava quase como um desafio, ele odiava aqueles olhares de julgamento, e fazia isso mesmo com a intenção de puxar aqueles olhares pra ele, lá no fundinho ele só queria uma desculpa pra descontar a frustração em algum prego que se destacasse com uma velha e boa marretada, mas não seria ele a dar o primeiro passo, não queria perder a razão. Mas a verdade é que o que fazia era parte do seu próprio instinto, tava defendendo uma mina que mal conhecia, mas sempre teve aquele instinto protetor, ao mesmo tempo em que gostava de apontar o dedo na cara dos bullys só esperando uma oportunidade de ensinar uma lição.


    Sentou-se continuando a fumar seu charuto, sentia o desconforto dela, mas ele mesmo não tinha muito problema em dar a cara a tapa, ele tinha acabado de chegar e ia sentar na porra da janela e ai de quem fosse dizer o contrário, exceto a talvez o ancião. Na concepção de Connor definitivamente bons instintos faziam um bom caçador, mas o caçador que não soubesse com o que estava lidando teria seus instintos burlados e confundidos, definitivamente era esse o recado que os demais pareceram falhar em perceber.


    Connor pega a caneca de volta, e “lava” as duas na neve repõe elas dentro da mochila, completa a caneca de Axel e faz o canecão se juntar as canecas, enquanto isso escutava Rail falar dos primos que moravam em Sparhall, ele definiu tudo aquilo em uma única palavra – Típico! – não era nada diferente em Dover.


    Os ossos de Connor estalavam-se e encolhiam, junto com sua massa muscular, voltava a forma humana, doía horrores, mas nem fazia careta mais, já tinha se acostumado, mas parecia que nem mudava muito de forma, ainda tinha a estatura de uma parede de concreto mesmo na forma humana. Ele ia levantar-se quase no mesmo momento de Rail, já estava de saco cheio daquele papo cabeça, preferia ir caçar alguma outra coisa, ou ir pra algum lugar mais quente, quando viu a mão do ancião no ombro dela era como se sentisse que o recado era pra ele também, e sentou-se de volta no lugar.


    Ouvia o ancião falar do sonho, na maior parte das vezes Connor ficava perdido com aquele papo críptico, gostava de palavras mais específicas de preferência didáticas, mas até pra ele estava óbvio onde ele se encaixava ali, o ancião flava que ele tinha sido feito pra caçar nas sombras, isso fazia sua mente voltar no tempo, trazendo a tona um monte de lembranças, uma quando Vôin levou ele e Brendan pra pescar numa tarde qualquer, mas o que eles menos fizerem foi pescar, Vôin falava de plantas, mostrava pegadas de animais na floresta, e dizia que folha de pinheiro era uma boa fonte de vitamina C, a segunda lembrança era das intermináveis tardes pós colégio treinando com o pai, MMA era uma coisa levada a sério naqueles anos em que treinou com afinco e a última era da mãe lhe dando um livro empoeirado de lendas ou do que ele na época achava que eram lendas de histórias de outros tempos, mencionavam os uratha, mas na época aquela palavra lhe significava muito pouco. Olhou pra Axel e via o lobo quebrado, afinal o cara tinha acabado de perder o pai, era definitivamente um pedaço do caminho pro fundo do poço, talvez o fundo dele, conhecia Axel muito pouco pra poder afirmar.


    Ele se manteve silencioso como uma tumba, ouvia o ancião falar dela seguir seus instintos, esperou o velho terminar de falar e cutucou a cabeça dela na altura da têmpora resolvendo o enigma pra ela ou pelo menos ele achava que estava a resolver – Ele quer dizer que é parte do seu instinto racionalizar as coisas, e eu to contigo nessa, é parte da razão contestar a razão, mas no final ela é só mais um instinto, afinal pensamos. Conhecer a presa e intimidação geralmente é metade da briga ganha. – geralmente ele só aplicava aquela frase sobre a parte da intimidação, mas não era humano mais agora ele tinha outras referências.


    - Você disse que passar no teste faz parecer que a gente pode caçar qualquer coisa. Pois eu te falo que a gente pode caçar qualquer coisa, tu disse que a gente caçou bem juntos, talvez a gente devesse continuar caçando juntos. Irraka, "Imaculada" tu já veio com açúcar pra pegar um pouco de chá, se queria um passe pra essa bagunça, ganhou um na ala VIP. – Connor se levantou e estendeu a mão pra Rail estendendo-a como se fosse um convite. No final de contas, sabia que com aquele sonho invariavelmente o velho tinha jogado ela no mesmo barco furado que ele e Axel.



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    Mensagem por Bravos em Sab Maio 30, 2020 1:22 pm




    Axel Brown

    - Valeu. - Disse para as palavras de Connor e para o toque suave de Rail. Ele quase não sabia como aceitar aquelas consolações. Seu luto era como uma chamada à responsabilidade do dever que ele havia ignorado até então. A garota então passou a falar de como ela agiria de estivesse em Dover. Pensando duas vezes diante do instinto. - Você parece ter muitas idéias sobre o que fazer em Dover. - Disse com um sorriso atravessado. Connor se irritou com os olhares que estavam sobre eles. Eram incômodos mesmo. Mas aquela irritação e reação pareciam mais um problema interno que externo. - Oh, calma lá... Nós que vamos lidar com isso mesmo. Bradar isso agora não significa nada, mas quando mudarmos alguma coisa, esses olhares de desconfiança vão ser de respeito. - Disse para o colega, fazendo um gesto que ele voltasse a sentar. O frio estava castigando, é verdade, e se mexer ajudava, mas era melhor acalmar os ânimos.

    A mulher dava indícios de querer sair quando o velho lobo aproximou-se e pôs a mão em seu ombro. Ele lhes contou um sonho que teve. Era enigmático e talvez profético. Se dirigia aos três. E indicava que deveriam estar juntos. - Pareceu um aviso. - Disse, olhando para Rail. De certa forma era um trunfo ter alguém que sabia alguma coisa sobre o que tinha acontecido, as histórias que os Urathas de Dover insistem em esconder.

    - Se depender de mim, iremos rastrear e caçar cada hoste que houver naquela cidade. Onde for preciso. Sem dar um passo em falso. - Seu olhar nessa altura era duro. Como se falasse sozinho, exatamente como havia falado o velho. Mas nesse momento ele voltou a si e falando com o ancião, questionou: - Além do sonho, o que você diria para nós que vamos a Dover? Como recompensar os erros de antes?






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    Mensagem por Wordspinner em Sab Maio 30, 2020 6:09 pm

    O velho não parece pensar antes de falar, como se estivesse esperando."Façam o que fizerem, esqueçam fetishes e procurem ajuda fora da tribo." O velho parece inabalado com a demonstração de Connor. "Lobo Partido, meu próprio filho estava na ultima das alcateias dos nosso em Dover. Ele mesmo enfiou uma lança de prata nas costas de um Uratha e vindo de alguém que o conhecia desde os primeiros passos, esse traidor não era o mesmo que deixou minha alcateia para tentar o que querem fazer. Abracem o juramento sem desculpas garotos. Sem nenhuma desculpa. Se tem alguma proteção que posso oferecer, é essa." Ele se aproxima dos dois e a luz do fogo reflete em seus olhos como faria nos olhos de um lobo. Não tem nenhum traço de humanidade neles. 

    Axel sabe as palavras de cor. Já perdeu muitas horas de sono com elas rondando os labirintos dos seus pensamentos, cada verso tão impossível quanto sagrado. Connor sente o peso delas nesse mesmo instante, não há honra no seu descontrole, mas vergonha. Ninguém pode negar, mas ninguém parece disposto a brigar por tão pouco. Agora, ainda mais olhares visitam os três novos caçadores. O juramento é o maior dos desafios. Concilia-lo com os objetivos do homem e com as urgências do caçador é uma luta constante com o próprio ser. 

    Rail olha a mão de Connor e faz que não com a cabeça. "Tenho compromissos. É... É impossível. Pelo menos por enquanto. O que eu souber e como eu puder, podem contar comigo. Sparhall é bem perto. Eu chego em meia hora."  Ela parece contrariada e envergonhada. Mas firme. "Podem considerar um aliado lá. Sempre que eu souber de qualquer coisa serão os primeiros a saber."

    A voz do velho é tranquila lenta, finalmente parecendo a de um velho. "Eu e vocês, jovens, vamos ficar aqui perto do fogo. Os outros vão expulsar os intrusos do nosso território." Rail olha para as sombras com um misto de pena, vergonha e orgulho. As chamas diminuem como se acompanhassem a disposição do homem. Os lobos e Urathas começam a ir para o escuro. Desaparecendo na noite e seus passos amaciados pela neve são escondidos pelo vento e pelo crepitar das chamas. "Agora vamos ter um pouco de privacidade." Ele estica as mãos para o fogo como se precisasse do calor das chamas. "Procurem o passado entre as Sombras descarnadas. Nosso inimigo não os caça. Talvez precisem de olhos mais astutos também para pensar o que tantas vezes não descobrimos ou uma mente diabólica para ver um inimigo que parece um amigo. Mas vejam bem, já olharam esse problema de todos os ângulos e acreditem, a maior vitória que poderiam trazer para nos seria simplesmente voltar todo inverno para ver os novos e se manterem fieis ao que nos somos. Algo que um velho caçador possa contar a vocês?"
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    Mensagem por Ankou em Sab Maio 30, 2020 7:48 pm






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    - Você pode apostar que vamos. – dizia respondia a Axel sobre aquela situação, mas no fundo já com amão estendida pra Rail lembrou que não podia ganhar disputas no grito, não ali, ele não tinha entrado pros Garras Sangrentas, no final seu brado era como o de uma crinaça mimada e ele percebeu isso, se envergonhou, preferiu o silêncio, mesmo que preferisse morrer ao considerar aquilo justo.


    Sua mão pousou sobre a cabeça de Rail depois dela ter negado o convite, ele compreendia que ela tinha seus compromissos, ele próprio não faria o oposto de sair do Dover. – Eu digo o mesmo. – certamente devolveria a gentileza a Imaculada – Se topar com meus primos diz pra ele que Connor neto do Daniel mandou lembranças. -  a deixou ir, mais parecia um adulto cuidando de uma criança indefesa por mais que ela não fosse, assim como seu avô fazia com ele próprio, se virou ao velho.


    Ficou a pensar nas palavras dele, definitivamente tava se lixando pros fetiches, certamente se achasse alguma coisa pode ser que viesse muito a calhar, mas não era o objetivo ali. Parecia que no final das contas todo mundo tinha suas tragédias, por que seria diferente do velho ancião, ele com certeza tinha até mais tragédias do que perder o próprio filho. Connor suspirou fundo ele podia dar dois do tamanho da maioria das pessoas que conhecia, mas ainda se sentia pequeno em relação a ser capaz de curar aquelas feridas, ou proteger as pessoas delas.


    - Pode deixar “Old Man”, só queria que as pessoas conversassem mais só isso, mas errei a mão. – soava como um pedido de desculpas, era literalmente um pedido de desculpas, ele definitivamente não devia ficar fazendo polêmicas como aquela.


    Curiosamente olhou do outro lado deu um trezentos e sessenta e olhou pro velhos novamente sentando-se enquanto procurava os intrusos dos quais ele falava, também procurou olhas os totens se ainda se mantinham ali ou como se movimentavam, olhou pra sombra onde Rail havia olhado, no mundo físico e em Hisil, queria saber se havia algo lá que a deixava daquele jeito.


    Finalmente o velho parecia sair daquele transe e voltou a ser um velho, Connor já quase duvidava se ainda existia alguma coisa de mortal nele, ele conseguia ser de longe mais assustador que Vôin. Connor concordava com a aproximação dele, ele mesmo já havia mencionado antes que a perspectiva da sua própria tribo havia falhado, não lhe era vergonha nenhuma dizer isso, mas era vergonha não resolver o problema, ainda mais depois de custar tantas vidas. – Dover é minha casa, isso agora é pessoal, mas pode deixar nunca me passou pela cabeça entrar de voado...- Pigarreou - de garras e presas nessa história... – Olhou momentaneamente pra Axel – Minha mãe é uma Descarnada, se ela ainda quiser trocar ideia comigo depois da última treta... – chegava quase a revirar os olhos e se voltava ao ancião.


    - Eu quero voltar muitos invernos e espero que um deles com a cabeça do que quer que tenha tocado o cacete nos nossos lá. – dessa vez ele se dava ao privilégio de usar suas palavras, não sabia se o velho iria compreender elas ou não, mas achava que elas eram menos modernosas do que “entrar de voadora”. Seria mentira se ele negasse que ele como guerreiro não queria a fama de pegar uma presa grande, mas não era estúpido de se jogar sem pensar sobre o que quer que fosse, era hora de conhecer o inimigo, e de preferência não enlouquecer no processo.


    - Sem querer tocar na ferida, mas já fazendo isso inevitavelmente, o que faria uma alcateia usar prata seria loucura ou intimidação, ou eles tavam querendo muito que nenhum de nós chegássemos perto do lugar ou eles tavam sob influência do que tava no lugar, de qualquer forma eu sei que é uma conjectura óbvia, mas é algo grosso que tem lá, isso explica por que minha mãe ficou tão surtada de eu me unir aos Fantasmas – como eram popularmente conhecidos entre os Destituídos. – Tirando o frio, arrependimento zero de tá aqui sentado trocando essa ideia com vocês -  dava um sorriso sem mostrar os dentes, como se tivesse em paz. – “Mas nem vou mentir que queria que algum dos intrusos aparecessem aqui” -  pensava olhando em volta, a mão chegava a coçar, tinha certeza que devia serr alguma alcateia de puros querendo darem uma de bonzões, mas mantinha seu foco pra conversa, não deixando os pensamentos irem pra muito longe.



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    Mensagem por Bravos em Dom Maio 31, 2020 12:56 am




    Axel Brown

    A resposta do ancião era quase esperada. O juramento. E esse era o papel de Axel impendente de como se formasse a alcatéia: garantir que o juramento fosse cumprido. E sobre os que estavam ali, um juramento extra: Nu Mus Halhala. Esse pensamento crescia na cabeça dele como raízes agressivas cobrindo seu olho por dentro. Mas ele não cegaria. Pelo contrário, veria cada pequeno indício de sua caça.

    Rail deu uma desculpa. Mas seria prudente ignorar o sonho do velho? - Dependendo do que for, talvez possamos ajudar. - É claro que não iria abrir mão de voltar para Dover, pois havia lá coisas importantes a serem defendidas. - "Um irraka não deveria contar histórias sem objetivos", não é? - Sorriu com certa malícia citando o ancião.

    Foi ele que falou então, pedindo-os para voltarem e tentarem não estragar tudo - outra vez. Connor falou com sua agressividade típica e Axel apenas concordou. Eles haviam de voltar. Foi então que o rahu perguntou sobre os motivos de usar prata. - Creio que se quisermos de fato limpar o nome da tribo em Dover, vamos precisar descobrir essas histórias. Pelo menos para não cair nos mesmos erros.

    Off: o velho tem nome? aheuah






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    Mensagem por Wordspinner em Dom Maio 31, 2020 12:27 pm

    Rail pega um pouco de neve para ocupar as mãos "Todo mundo implicando com as minhas histórias. Eu só to animada. Só isso. Queria conversar e com sorte tirar vocês de lá." Ela oferece o monte de neve disforme para Axel como se fosse uma obra de arte "Os dois lobos se perdem sem a loba branca. Acho que vocês já estão se perdendo do sonho, não é? Deviam ir para Sparhall ao invés de mandar um recado pra família." Ela sorri como se convidasse Axel para mais uma dança. Ela parece gostar de jogos com as palavras.

    Os uivos a distância anunciam que os intrusos foram encontrados. Rail fecha os olhos e o ancião fala de novo. "Não se preocupem com eles. Não são nenhum perigo. São convidados que não perceberam que a hospitalidade acabou. Imaculada aqui já foi um deles. Correndo no escuro com o peso da derrota em suas costas. Não queremos essa ressonância aqui." Os dedos do velho literalmente enfiados nas chamas. Os olhos fechados aproveitando o calor. As chamas diminuem e se tornam um tapete crepitante com o formato de Dover. "Urathas falam. Contam histórias. Eu entendo seu coração Guardião Feroz, eu daria todos os anos que ainda tenho para encontrar um inimigo que possa ser vencido assim. Com garrar e presas e fogo." As chamas imediatamente aumentam com grande agressividade, como garras tentando pegar a lua. "O inimigo que vai encontrar vocês é insidioso. É uma influencia sem carne que já destruiu a mente e o coração de guerreiros bravos antes de vocês. Todos eu conheci de alguma forma, alguns foram amigos e em outros confiaria minha vida e eles se tornaram vergonha e depravação." As chamas afundam de volta para sua posição natural. Mas parecem mais frias agora, mais lentas. "O lobo de quem ocupo o lugar hoje lutou contra os Devoradores de Lyon. Ele dizia que a Rainha Negra era um daqueles uratha que poderiam ter mudado tudo. Não com garras ou truques de picadeiro. Mas com união. Ela era uma meia lua, ele dizia. Torcia as vontades das pessoas para completar suas visões e tudo quebrou como um castelo de cartas quando ela morreu. Ele nunca aceitou que eu a visse como uma grande falha. Somos peças temporárias e ela era o alicerce insubstituível do seu plano de aliança. Mas ela é de antes do problema. Os puros que a mataram já estão todos juntos com a Mãe."

    O velho abre os olhos e aprecia a ansiedade agitada de Connor. A insistência graciosa de Axel. "A alcateia de meu filho foi a ultima. Ciente do problema. Mas um passo menos informados que vocês dois. Todos eles foram jogados contra o juramento. Alguns cometeram os pecados dos Devoradores de Lyon. Outros não. Eu conheci aqueles que se perderam durante a primeira guerra. Eles encontraram a loucura quando caçavam um lobo deformado nos tuneis. Foi melhor que consegui deles. Na época mandamos oito dos nossos para procurar a presa e não encontramos nada. Eu mesmo estava lá. Um dos oito. Mas encontramos o Rei dos Lobos, um arremedo profano de Urfarah. Trovão ganhou seu nome lutando contra ele." O velho parece prestes a dizer mais alguma coisa. Mas se silencia, talvez porque tenha esquecido. Talvez dando espaço aos outros para falarem. Talvez só cansado e velho.
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    Mensagem por Ankou em Dom Maio 31, 2020 3:03 pm






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    O outro lado estava em paz como se nada tivesse acontecendo enquanto Connor escutava os passos se distanciando centenas de metros a frente já praticamente todos abafados pela neve e terra, se despreocupou daquilo, mas não parou de prestar atenção ao redor, aquilo cheirava a uma invasão esquisita pra dizer no mínimo. Connor continuava conversando mas seus olhos não olhava pra nenhum dos participantes, ficava vigilante olhando pras costas dos demais Urathas e de vez enquando a sua própria, mas não estremeceu nem quando escutou os uivos, só olhou em direção e parou de vigiar as costas dos companheiros ali e se focou na direção dos uivos.


    Ouvia Rail fazer aquele jogo de palavras, mas decidiu não interferir, talvez ela nem fosse a loba branca do sonho do velho e tava se achando, só jogou um comentário, dando um ponto final de sua parte – Eu sou Mcleary moça e sou um dos menos ignorantes... – Aquilo era como se fosse um basta pra aquela ideia de ir pra Sparhall, afinal a cidade já tinha seus Mclearys, no entanto ao falar aquilo era objetivo e seco, mas não deseducado ou querendo colocar pompa, era só um aviso de que não iria negociar.


    Ouvia o ancião falar sobre os antigos companheiros de Rail, provavelmente sua ex alcateia? Possível, mas não sabia, e não pareceu demonstrar interesse, pelo menos não por hora. Seus olhos se pregaram nas chamas quando elas se tornaram o que parecia uma silhueta do mapa da cidade, até escutar o velho lhe chamar de Guardião Feroz, o ancião cahalith tinha lhe batizado, com um nome o qual ele fazia jus, não sabia se gostava daquilo se mandava uma mensagem muito direta de quem era.


    Coçava a barba tirando neve dela e via as chamas subirem o calor delas agora era quase o suficiente pra aplacar o frio, ouvia atentamente as palavras do ancião sobre a Rainha Negra, e como ela torcia a vontade das pessoas, ele se segurava pra não rectrucar sobre aquilo, não conseguiu diferenciar se ela realmente torcia a vontade das pessoas ou se foi só uma figura de linguagem do ancião, mas nenhuma das duas hipóteses era agradável, quilo lhe soava quase como que passar a perna. Connor não gostava dessas histórias de heróis, achava que geralmente havia mais fantasia nelas do que outra coisa, mas na sua visão até agora, a mulher não passava de uma grande treteira, pior até do que ele mesmo.


    Connor escutou a história do ancião, o Rei dos Lobos era algo que poderia ser extremamente ruim, mas ainda podia ter algo pior que isso enterrado por lá, não achava que ele pudesse deixar Urathas malucos, pelo menos nunca tinha ouvido falar daquilo. – Verdade ele lutou, mas nunca destruiu ele, essa coisa ainda tá rastejando por lá em algum buraco, a essência dela nunca foi pra loci nenhum pra tentar se reformar. – olhava pra Rail e Axel – O que eu sei é que uma alcateia local foi ganhando poder e se arriscando em caçadas cada vez mais perigosas, talvez eles tenham achado algo que não queria ser incomodado e o Rei Lobo é só parte desse história toda. – pausou por um momento e meneou em negativo – Tudo que eu sei são fragmentos, Sombras Descarnadas é um povo foda de se lidar, eles escondem histórias assim como se fossem segredos e enterram segredos de verdade pra que nunca sejam achados novamente. – Aquilo era um óbvio desabafo a mãe, Connor olhou pra cima, queria ver a lua enquanto enchia o pulmão de ar gelado, dando a voz aos seus companheiros de papo, mas a verdade é que queria colocar o pé na estrada e começar a investigar sobre aquilo tudo, era hora de colocar um pessoal contra a parede e pedir verdades e ajeitar um território aconchegante em Dover.



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    Mensagem por Bravos em Seg Jun 01, 2020 12:40 am




    Axel Brown

    Pegou a neve disforme de Rail, com um sorriso que se tivesse sido dado semanas antes seria cheio de segundas intenções, mas que agora era apenas um sorriso de flerte bobo. - No sonho, quem se perde primeiro é a loba branca... Cê que sabe. - Com as duas mãos 'esmaga' a neve, deixando-a cair. Junto com os demais olha atento ao redor quanto às presenças que são perseguidas até o uivo que indicava que haviam sido pegues.

    O ancião conta que a Rainha Negra era uma elodoth. Axel passa a escutar com atenção redobrada. Fazia sentido, no fim das contas. Ainda que eles fossem juízes, eles também tinham aquele papel cheio de parcialidade. Daquela forma eles conseguiam que as coisas saíssem bem. Mas se tudo desmoronou quando ela morreu, será que ela havia atado os nós corretos? Será que não havia ignorado uma possível, mas desagradável, possibilidade? A ausência dela mesma?

    - Uma história cheia de buracos. É o que temos. Pelos menos temos algo. - Olhou para Connor e lhe disse: - Isso vai dar muito mais trabalho que conseguir um território. Mexer em feridas antigas é como meter a mão num vespeiro. - Ele estava disposto a meter a mão num vespeiro? Com certeza, desde que estivesse com todos os equipamentos de segurança. - Acho que teremos que começar pelos seus. - Se referia à família de Connor. De alguma forma eles pareciam estar perto de tudo o que havia acontecido e talvez, pela presença dele, mais dispostos a falar que a esconder.

    Tomou o último gole do chá de pinheiro que já estava praticamente frio. - Nós não escolhemos lidar com essa história, mas agora precisamos. Urum Da Takus.






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    Mensagem por Wordspinner em Ter Jun 02, 2020 12:07 pm

    O velho faz que sim com a cabeça. Aparentemente satisfeito com o que ouve. "Eu não me surpreenderia de descobrir que o Rei Dos Lobos está guardado em uma garrafa. Nosso Povo é cheio de segredos e alguns muito bem justificáveis. A alcateia em questão caiu sob a influencia do espírito que as fortalecia além do que qualquer totem poderia e por sorte foram resgatados dessa sedução." Ele para o céu e com o que vê de alguma forma decide que é hora de se levantar. "Acho que não precisam mais de mim. Sigam o sol para encontrar uma estrada." O ancião se torna um lobo em um movimento fluido e sem som. Quando as quatro patas tocam o chão o fogo se apaga deixando o mundo em um momento de escuridão. Não esperavam mais poder ver o lobo quando os olhos se acostumassem a nova luminosidade. Mas lá está ele, andando calmamente de costas para o sol.

    O vento frio parece perceber a falta do fogo e sopra mais forte que antes. Sacode as roupas e enche os ouvidos. Empurra as cinzas pra longe. O frio se torna quase uma força viva roubando todo o calor com intensão e proposito. Do outro lado os espíritos se afastam enquanto todos assistem o retorno de Inverno Implacável. Do coração do Loci o gigante de vento, neve e fúria se refaz. O céu se fecha completamente com nuvens de tempestade sempre rolando como a maré.  

    Rail se sacode e pula esfregando os braços para conseguir calor, mas desiste em menos de um minuto mudando para um enorme lobo branco. Urhsul. Dá para ver a dor no rosto dela antes da transformação. Dor que vocês ainda sentem toda vez. O som dos ossos quebrando é a única coisa que atravessa o vento. Se ela fez algum outro som ele se perdeu. A marca da tribo invisível sob o pelo, clara como o sol para olhos que saibam ver. Ela os olha satisfeita e acompanha os passos dos dois. "Frio" a palavra sai arrastada e difícil de entender. Ela sacode o pelo e os flocos de neve e pedaços de gelo se descolam.

    Dá para sentir o gelo nos cantos dos olhos. A sensação contraditória de queimadura a cada respiração mais fundo dentro do peito. A neve caindo é fina como chuva e seu desconforto molhado parece decidido a alcançar os ossos. Mas é a primeira vez que sentem a neve cair dentro da nova pele. Onde o espirito ancestral foi derrotado a essência que o compunha é um farol para espíritos similares que tentam se aproveitar antes que ele chegue com seus passos sem som. Somente quando o gigante reclama sua essência perdida completamente a fúria do vento diminui o bastante para se poder conversar.
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    Mensagem por Ankou em Ter Jun 02, 2020 8:28 pm






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    - Urum Da Takus – pausou parecendo pensativo enquanto milhões de possíveis reencontros com sua mãe se repetiam na cabeça - Talvez, veremos... – Respondia a Axel, a verdade é que sabia que todas aquelas coisas seriam difíceis, mas se sentia confiante, na verdade naquele momento se sentia como uma criança que tinha ganhado um brinquedo novo, doida pra colocar o carrinho pra andar.


    Ele ouvia o velho falar sobre o totem e a alcateia seduzida, talvez ele devesse pesquisar o nome desse totem, mas tinha certeza que o bicho era brabo. O ancião se despedia e dava as direções. – Te vejo inverno que vem. – Connor falou pro velho com um meio sorriso logo o olhando estupefato enquanto o velho se metamorfoseava com tamanha naturalidade. Coçou a cabeça – Mano, tafuq! – logo logo ele veria Rail, aquele monte de sons parecia uma aberração da natureza, totalmente diferente do ancião, o mesmo era o habitual com Connor a dor era insuportável, a transformação pra Dalu era uma coisa mas pra formas canídeas era realmente uma tortura.


    Enquanto Iverno Implacável se reformava cobriu os olhos com uma das mãos e parte da cabeça com o outro braço, era frio, ia nos ossos – Como eu odeio esse bicho! – Exclamou com a voz arrastada trincando os dentes, mais pelo frio do que realmente como uma ofensa pro espírito, mas Connor nem tremeu. Quando finalmente a ventania fria parou Connor se contorceu, sua marca no ombro brilhou, mas só pra aqueles que sabiam ver, ele deu um rosnado baixo, sua pele levemente queimada pelo frio intenso voltava pra coloração habitual e a fina placa de gelo que havia se formado em suas roupas e pele se descolavam dele. Por um instante se sentiu como um trator imparável, essa era a sensação de seu físico, ele agora só sabia que sabia algo novo.


    Olhou pra cima, caçando a lua, e esqueceu que ainda era dia de tão escuro que aquele lugar era e começou a andar em direção ao sol. – Eu já sei que Território eu quero. – dizia olhando Axel – Eu quero a área do campus da Grifith – se referia a universidade – Se não rolar eu vou ter que ser ignorante, por que eu não tenho pra onde voltar, até segunda ordem minha mãe foi bem clara, eu só posso voltar em casa pra pegar meus paninho de bunda, então vou ter que apelar pra bolsa da faculdade. – pigarreou – a bolsa já tinha sido oferecida, mas ficou meio em cheque por que meus pais me bancavam, agora acabou essa brincadeira, eu tenho que me virar. – Limpou a barba do gelo e neve acumulados. – E eu não sei se você ficou sabendo, mas tem outros caras, eu não sei quem são, mas os Uivadores mencionaram outros Urathas novos. – Fez uma pausa agora limpando os cabelos da neve. – Eu não sei quantos também, mas sei de uma coisa, quando começam a despertar lobos assim não é bom presságio vai vir chumbo grosso, mas também significa que a gente pode aumentar as nossas fileiras. – Suas ultima palavras vinham junto de um meio sorriso, ele não sabia até onde podia ir, mas ele gostava do desafio, mesmo sabendo que talvez não estivesse a altura, e definitivamente o que ele queria aquele momento era unificar uma alcateia.



    - E você Imaculada? Qual é a sua treta em Sparhall? Família? Filhos? Namorado,marido? Namorada? Nunca se sabe né? – Perguntava curioso num tom meio jocoso, queria saber só se ela realmente tinha medo de se instalar em Dover, ou se era algo pessoalmente sério, ou quem sabe algum problema no qual realmente pudesse ajudar.



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