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    Dry Well - 49th Brimstone Police Department

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    Mensagem por Ankou Ter Jul 20, 2021 11:02 pm





    49th B.P.D.

    Dry Well - 49th Brimstone Police Department NeHiMmE

    A quarenta e nove é o departamento de polícia mais antigo da cidade tendo apenas a estrada o separando de Dartmoor Hills, o prédio em si é novo, já que o antigo foi implodido por causa da estrutura antiga e potencialmente perigosa.

    A parte interna do prédio no entanto guarda vários objetos de decoração antigos, muitas das mesas ainda são de madeira maciça e escura, um telefone ou outro ainda de discagem analógica, mais por uma questão de estética do que por necessidade.

    A delegacia conta com duas celas de detenção dividias por sexo, algumas dezenas de escritórios que obedecem a suas divisões, laboratório pericial, um pátio externo e uma garagem subterrânea para viaturas e carros dos servidores.
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    Mensagem por Ankou Ter Jul 20, 2021 11:10 pm





    Beatrice Thompson


    Era tão legal estar cercada de gente que entendia, de beijar o carinha no escurinho, ele saber e não estar nem aí, ter o apoio dos fãs, ajuda de gente que nem conhecia, Beatrice contra a parede, lábios nos dele, respirações se entrelaçando, ela até viu os três caras se aproximando, mas jurou que eles iam passar direto, até ver o porrete na mão de um deles.

    - Bichinha filha da puta! - é o grito que vem de um deles segundos depois dela ouvir a cabeça de Josh rachar, o corpo dele cai de lado no chão com um baque surdo e ele começa a convulsionar. - Caralho cê matou ele! - o segundo sujeito grita como se o primeiro tivesse passado da conta.

    No olho de um ódio implacável, o segundo assustado e o terceiro indiferente, mas todos eles parecem acordar quando olham pra Beatrice. Não dá pra lutar, não contra três e eles não queriam uma testemunha, ela corre e é com certeza mais rápida do que eles, mas não o bastante pra despistar, ela segue o cheiro da gasolina por instinto como se fosse achar ajuda no posto, sempre achava, mas tudo que ela consegue é ficar encurralada no beco atrás da borracharia anexa ao posto de gasolina.

    Por um segundo as aulas de boxe se pagaram o soco em cheio na fuça de um e ele cambaleia pra trás, mas a alegria não dura tanto quando o segundo a agarra por trás e a paulada acerta em cheio no rosto, ela respira fundo olhando pra cima, engasgando no próprio sangue e dentes, a minguante gibosa no céu sorrindo pra ela, por um segundo ela se lembrava que já tinha sonhado com aquele lugar e de como ele era perigoso… O Beco atrás da borracharia…

    O mundo gira, tudo parece virar adrenalina, felicidade e gosto de pudim, os dois desarmados já estão destroçados um em cada canto do beco, o último paralisado o lobo divide com ela, dá pra sentir o cheiro do mijo, as pernas tentando correr mas nem obedecem, ele tenta gritar mas na garganta só um nó, o pescoço entre as presas se separa do corpo igual uma coxa de frango assado sendo puxada, o sabor é doce e depois escuridão.

    --

    Tudo parece em câmera lenta quando ela acorda, algemada, sendo arrastada, ensopada em sangue já meio seco, a distância outro policial perguntando ao senhor da lojinha, um homem já de idade, cabelos brancos, barrigudinho.

    Dava pra ver outras viaturas chegando conforme ela saia em outra, algemada e na parte de trás, alguma coisa sopra no ouvido - Fica calma, vai dar tudo certo. - sem sentimento, palavras inumanas, mas que traziam tanta paz, o caminho era curto logo ela tava na delegacia detrás das barras, dois caras bêbados falando enrolado entre eles rindo como se não houvesse amanhã, em um outro banco um cara deitado sobre o banco duro de madeira.

    - Vinte anos nessa indústria vital e eu nunca vi essa merda acontecer. - Um dos policiais comenta com o parceiro logo assim que ela é posta na cela, mas finalmente quando ela é deixada em paz o mundo parece fazer sentido de novo, mas dessa vez com cores, sons e cheiros muito mais vivos, ela sabia que era diferente, sabia desde sempre, mas agora era diferente do que era antes, e mais igual do que deveria, o pau no lugar, o silicone não tá mais lá, o maldito pau no lugar…

    --

    - O que?! Você acha que um cara teria forças pra fazer aquilo? Tá achando que ele é quem o Hulk?! - alguma mulher vociferando salas a distância, nem era pra dar pra escutar ela, mas ela escuta mesmo assim…

    - Jesus! Que diabos aconteceu com você? - outro policial chama atenção, dá pra ver a surpresa e espanto no rosto dele. - Thompson certo? Vem comigo. - ele diz se recompondo e abrindo a cela, e a leva pro banheiro dos fundos sem tirar as algemas, o lugar azulejado branco e limpo e uma mangueira - Pode tirar a roupa. - ele diz se apossando da mangueira - Colado na parede. - ele tira do bolso um sabonete pequeno e novo, parecia sabonete de hotel, mas não tinha marca nenhuma e joga em direção de Beatrice.
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    Mensagem por Bastet Qui Jul 22, 2021 6:16 pm







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    Beatrice Thompson
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    “Sim, eu sei o que eu tô fazendo...
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    A Kombi estava parada na universidade comunitária, sozinha, naquela noite. Todos os alunos já tinham saído para aproveitar a noite e somente alguns transeuntes perambulavam sem rumo aparente. As cortinas estavam abertas e, lá dentro, um macbook antigo estava ligado na tomada, com a tela acesa, acusando que um vídeo estava sendo carregado para o youtube numa velocidade bem baixa (provavelmente conectado na rede wifi de um dos prédios da universidade).

    Na cama um caderno, roupas e uma bolsinha de maquiagem jogadas... Uma chapinha esfriando no chão, e um tênis desgastado impedindo a visão do indicador de bateria do carro... que não aguentaria uma noite sem recarregar.  

    Beatrice planejava voltar e subir aquele vídeo. Planejava, também, contar sobre o encontro pra Fred, exagerando bastante nos detalhes... E, quem sabe, escrever mais alguma coisinha antes de dormir... Mas nada disso aconteceu. Ao invés de fazer qualquer uma dessas coisas ou aproveitar a noite com Josh, ela estava em uma viatura, olhando pras mãos sujas sobre as pernas masculinas demais.

    Sua mente até tentava entender o motivo de estar tão peluda... Talvez estivesse na hora de marcar uma depilação... cogitava. E, a cada pensamento racional e cotidiano que tentava invadir sua mente, flashes do que aconteceu anteriormente pareciam passar diante de seus olhos.  Foi pouco tempo até ser arrancada do carro e levada pra uma cela fria... Mas pareceu uma eternidade.

    Se lembrava de Josh caindo no chão...  E depois a adrenalina por lutar pela própria vida.  Depois só dor e sangue.

    Se sentou, encolhida, no banco vazio, levando a mão ao rosto, imaginando o quão desfigurada aqueles filhos da puta tinham a deixado.  Nesse momento, um susto. Barba. Ela tira a mão, assustada, e toca de novo, se certificando que aquilo tava realmente lá. Finalmente olhou pra baixo... E reconheceu o corpo que estava há mais de um ano lutando pra modificar.  – Puta que pariu – falou, assustada e se levantou, olhando em volta – Vai ficar tudo bem porra nenhuma... – ela falava, sozinha, olhando feio para os outros caras na cela. Por que estava em uma prisão masculina? Por que sentia aquele maldito pau entre suas pernas?

    ---

    Só conseguiu se focar  quando ouviu a falação do lado de fora. Longe demais... alto demais. Finalmente sentiu os cheiros e viu as novas cores. Como a porra do mundo poderia ser tão bonito dentro de uma cadeia? E tão fedido?

    “Espera... É um dedo no meu cabelo?”, ela pensou, sem coragem de tirar aquilo, mas constatando que o que estava fedendo mais era ela e não o lugar.

    Olhou para o policial, sem saber o que responder. Na verdade, sem nem vontade de falar algo. Apenas foi com ele, detestando o destino.

    Não queria tirar  roupa na frente daquele cara desconhecido. Apesar disso, com medo de apanhar mais, tirou a roupa que eles tinham dado. Instintivamente tentou se cobrir... E sentiu um soluço na garganta ao olhar pro corpo nu. Escondeu a intimidade com a mão, mas precisou se expor pra pegar o sabonete.

    Não sabia se estava com medo, com vergonha ou com raiva. Provavelmente tudo junto. E queria muito dar vazão ao último sentimento.

    - Eu posso me lavar sozinha, senhor – falou, se assustando com a própria voz.  No fundo, queria que o homem a machucasse... Só pra ela poder fazer o mesmo.

    Se lembrava do gosto que o lobo tinha partilhado. Dos ossos se quebrando dentro de sua boca, do sangue e as vísceras...

    Parecia tão bom...
    Foi se aproximando, sem perceber, do policial.

    E tão errado e nojento.
    Sentiu o estômago revirar, ia vomitar.

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    Mensagem por Ankou Sex Jul 23, 2021 12:33 am





    Beatrice Thompson


    O vômito vem, tinha certeza que ia vomitar pedaços de gente, os proprios dentes que tinha engolido, mas nada além de bile fedorenta e absolutamente normal sai do corpo dela.

    O sujeito parece alheio às vontades e instintos de Beatrice, ou incapaz de reconhecer um predador logo a frente dele - Pra parede! - ele diz dessa vez com mais ênfase, mas não se move ou ameaça com nada além da voz.

    A água gelada bate no corpo, a mangueira entre algo que um bombeiro e uma dona de casa usaria, a pressão ajuda a tirar a sujeira e arde a pele de leve, mas não machuca.

    Depois de minutos desconfortáveis e água fria ele diz - Não é meu primeiro rodeio. - empatia nenhuma na voz, como se tudo aquilo fosse corriqueiro. De um armarinho do lado ele tira roupas novas, um chinelo, camisa de mangas compridas e uma calça de moletom, antes de entregar ele deixa Beatrice se enxugar com uma toalha limpa enquanto ele recolhe as roupas antigas ou pelo menos o que sobrou delas e coloca no saco onde as roupas limpas estavam.

    Apesar de tudo o homem parece paciente e dedicado ao trabalho dele, ele espera ela parecer uma pessoa novamente, ele dita com a cabeça o caminho que ela deve seguir e logo saem atravessando a delegacia inteira enquanto ele a escola com uma mão no ombro, em algum lugar ela ouve a irmã do Josh gritando aos prantos - Eles mataram meu irmão e depois foram atacados por um animal selvagem?! - indignação palpável na voz, ela olha pra Beatrice, olhos vermelhos marejados e um rastro de lágrimas no rosto, mas a garota nem a reconhece, até pouco tempo atrás Beatrice não tinha seis centímetros de barba na cara, tampouco a cara de um mendigo.

    Eles parem a frente de uma porta, o policial dá três batidas, mas ninguém responde, ele abre a porta em seguida, uma sala vazia - Sua advogada tá vindo. - aquilo era estranho já que ninguém vinha a mente, mas trazia algum alívio, tirava a tensão do corpo e da mente de alguma forma. O sujeito termina o trabalho impecável dele, prende a algema na mesa chumbada e sai da sala.

    Quem quer que estivesse vindo demora, demora o bastante pro lobo começar a pensar em fugir daquela jaula até que a porta meio emperrada recebe um tranco e abre na segunda tentativa.

    - Ok, ok, eu sei que eu demorei, mas o delegado quer que eu faça a droga do trabalho dele! - ela fala rápido como se fosse alguém ocupada demais, ou como se tivesse alguém escutando, ela encosta na parede e retira o par de salto altos, um deles quebrados, ela respira fundo como se precisasse daquilo pra manter a calma. - Dia ruim né? Mas eu disse que ia ficar tudo bem. - ela se senta logo em seguida e tão logo a porta bate e se tranca assim como a janela, mas Beatrice tinha certeza de que não tinha ninguém lá.

    A mulher corre um cartão bonito por cima da mesa, todo preto com letras douradas, nele diz, Agnes Horvath - Schtauffen LPP - Advogada Sênior - e um número de telefone e email, era com certeza alguém que Bea não podia pagar.
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    Mensagem por Bastet Dom Jul 25, 2021 1:18 pm







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    Beatrice chegou  a colocar a mão na frente da boca antes de vomitar, mas logo sentiu o líquido quente e com cheiro de bile saindo pelos seus lábios, quente e nojento. Encarou o chão sujo, procurando coisas que a pudessem incriminar... Mas lá só estava um vômito normal, que ela conhecia bem das vezes que se embebedava.  Deu um pulinho de susto quando o homem voltou a gritar pra ela ir pra parede... Não desobedeceu dessa vez, nem respondeu quando ele voltou a falar com ela. Ficou com os ombros encolhidos, deixando a água lavar o sangue de seu corpo e se vestiu depois, grata por esconder o sexo que lhe causava tanto desgosto.

    No caminho de volta, ela não deu trabalho ao policial, parando apenas um instante ao ouvir a voz da irmã de Josh. Queria ir consolá-la, mas não podia... Nem sabia se devia. Talvez a morte do irmão dela fosse culpa de Bea... Teria ela comido, também, a carne do morto? Não se lembrava.

    Estranhou quando chegaram em uma sala diferente... Dessas que só se vê em filme. Apenas assentiu ao policial, não oferecendo novamente resistência. Talvez Fred tinha mandado alguém? Será que ele tinha ficado sabendo? Será que sabia que ela era um monstro?

    Encarava o espelho falso, imaginando quem estava do outro lado. Só desviou o olhar quando a advogada chegou, alta, bonita e bastante altiva. A voz estranhamente conhecida, já que ela não conhecia a mulher... Arregalou os olhos quando ela soltou a frase final.

    - Você disse? – perguntou, se lembrando bem da voz que surgiu em sua mente. Era daí que a dela parecia similar. Não entendia como, mas tinha tanta coisa que ela não conseguia entender naquele momento... Mais uma parecia apenas brincadeira.

    A cahalith pega o cartão, balançando a cabeça – Eu sou Beat... – parou, observando aquelas mãos masculinas – Luther Thompson. Alguém a mandou aqui? Não me entenda mal... É evidente que você é bem mais competente que qualquer advogado que eu esperava pelo governo... Mas eu não tenho como pagar. Na verdade, eu nem sei se sou inocente...

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    Mensagem por Ankou Dom Jul 25, 2021 6:47 pm





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    - Não exatamente, só pedi que entregassem o recado. - Vai ficar tudo bem - Ela repete a frase, a língua inumana, mas as palavras as mesmas, estranhamente pacificadoras.

    Ela se senta na cadeira do lado oposto à mesa - Não infelizmente não é inocente. - ela completa - Mas isso é normal na primeira vez ok?! A gente tem as filmagens, já pedi pra tratarem antes de liberarem pra polícia, minha prima tá cuidando da cena do crime, o delegado se descabelando, mas eles não podem te manter aqui por mais de vinte e quatro horas, ele vai dizer que foi um ataque de animal selvagem por que não vai ter como explicar melhor e o assunto morre, em quinze dias ninguém vai dar a mínima. - ela diz tudo aquilo como se fosse algo muito corriqueiro, por fim algum cansaço parece se abater sobre ela, ela jogar a bolsa sobre a mesa junto de uma pilha de pastas pesadas.

    - Você sabe que não é humana mais certo? A verdade é que você nunca foi, mas agora você tá um passo além. - Era estranho ver a mulher sorrir animada, mais estranho ainda, ver ela tratar no feminino mesmo tendo toda aquela barba no rosto. - Publicidade né? - ela vai esticando os braços como se citasse a manchete capa do jornal do dia seguinte - Youtuber e escritora famosa sobrevive a ataque de animal selvagem. - ela se aproxima mais, as mãos escorregam sobre a mesa e alcançam as mãos algemadas de Beatrice, os olhos cheios de compaixão junto de um toque quente - Me desculpa, de verdade, é que às vezes eu me empolgo, eu sei que sua cabecinha deve estar confusa, cheia de perguntas, mas o que a gente mais tem é tempo. - o tom compreensivo, tão macio, em seguida ela futuca na bolsa e tira de lá uma garrafa média de wiskey, Beatrice não sabe, mas tem a impressão de que aquele tipo de coisa não devia estar lá, ela dá um gole e oferece em seguida.
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    Mensagem por Bastet Dom Jul 25, 2021 10:03 pm







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    Bea se ajeita na cadeira, não sabendo se estava incomodada, surpresa ou encantada ao ouvir aquelas palavras, mesmo que numa língua diferente. A língua era outra. Uma que ela entendia sem nunca ter ouvido ou estudado.  – Que isso... – claramente ela nem sabia o que perguntar naquele momento.

    Os ombros se encolheram quando a advogada falou que ela não era inocente. – Primeira vez? Eu não quero que aquilo aconteça de novo... Espera, filmagens!? – novamente se ajeita, agitada, forçando de leve as algemas. – Agnes, certo? Por que está me ajudando? Você faz aquelas coisas também? Acha mesmo que eu devia ficar fora daqui? Eu acho que não. Talvez aquelas barras segurem... O que eu sou.

    A partir daí, a mulher/homem não respondeu. Apenas ouviu, sem falar... Confusa demais. Olha pras mãos que tocaram nas suas, em dúvida se devia aceitar o conforto. Apesar disso, Agnes parecia sincera. Aceitou, assentindo quando ela parou de falar.

    - Se você sabe quem eu sou... Deve saber que eu não me pareço assim... Pelo menos desde os últimos meses. Como tudo isso...tudo voltou? A barba, o pau... Isso não existia mais – ela tinha muitas perguntas, é verdade. aceitou o whisky, se levantando pra conseguir beber com as mãos presas. Se sentou novamente em seguida.

    - Se eu não sou mais humana... O que eu sou? Você é assim também... Quer dizer... Como podem existir pessoas que fazem o que eu fiz e ninguém saber de nada... Digo, não devem ter muitas advogadas de monstros....


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    Mensagem por Ankou Ter Jul 27, 2021 5:03 pm





    Beatrice Thompson


    Ela não responde em um primeiro momento, ela futuca a bolsa de novo e tira de lá algo que parece um chiclete preto enrolado e plástico filme, ela masca algumas vezes e cola na fresta da porta, a coisa parece se espalhar e se consumir, a sala vira um silêncio ensurdecedor, e mesmo Bea tendo ouvidos poderosos som nenhum vem do outro lado, nem mesmo da janela.

    - Primeira língua, a língua dos espíritos. - não fazia o menor sentido o que ela dizia, ao mesmo tempo que lá no fundo Bea sabia que era tudo verdade, o que vem logo em seguida não é uma resposta propriamente, dá pra ver parte dos cabelos mudando de cor, vermelho nas pontas, as raízes permanecem escuras, algo entre barba e pelo na lateral do rosto, as unhas tão perfeitamente pintadas se tornando garras escuras, o esmalte vermelho se rachando, a cabeça dela agora quase toca o teto, os seios parecem querer pular pra fora da roupa que fica ainda mais justa no corpo, parte do peito peludo. - Nós somos urathas bebê. - ela sorri com os caninos pontudos, um olhar afiado e ferino no rosto, a palavra soava mágica como antes.

    Os ossos e músculos  estalam-se e se deslocam de forma audível e logo ela fica tão delicada quanto antes. - Dizem que tem um garoto no sul da Califórnia, era tetraplégico e cego, parte do crânio deformado, então ele se transformou… Não importa bebê, você agora é cria do predador primordial e da lua, perfeita. - ela toma o rosto barbudo de Bea com as mãos macias como seda, olhando dentro do rosto dela - A gente é o que escolhe ser, barba e pau são apenas detalhes. - as últimas palavras saem em um tom grosso, e ela nem existia mais, a barba tão grossa quanto a de “Luther”, o corpo levemente maior e pouco mais musculoso, mas os olhos e o corte de cabelo, pareciam o mesmo, parecia um travesti barbudo de olhos azuis, tão homem quanto qualquer homem poderia ser, ela faz questão de segurar as partes por cima da saia, tinha tanto volume quanto um homem deveria ter. - Sim, é um pau e funciona, a mãe refaz o seu corpo na casca original, mas ela permite que você escolha a sua casca, você vai aprender a fazer isso, vai poder até ter um bebê se quiser. - parecia loucura, mas era bem real. - Eu gosto da minha casca original, nada contra, e gosto tanto de pintos quanto você. - com um tom de humor na voz ela sorri, um sorriso masculino perfeitamente alinhado e branco em meio a barba preta e grossa.

    Ela se senta e dessa vez a metamorfose inversa é visível, a barba encolhendo, o rosto voltando a ficar macio como antes, ela ajeita a roupa no corpo como pode, tinha ficado levemente esgarçada, mas nada visivelmente problemático. A seriedade toma o rosto dela no momento seguinte - Ninguém sabe por que  agente faz de tudo pra não descobrirem, temos um dever maior pra cumprir. - Ela pausa e coça o cenho - Se você não tem vontade de sair correndo pelo deserto lá fora, uma hora vai ter, e quando isso te for negado, você mata a prisão inteira, da mesma forma que fez com os três sujeitos antes, e aí isso se torna uma bola de neve pior de resolver, pra isso serve uma advogada de monstros. - ela dá uma piscadela e um sorriso. - Só aproveita, eu nem tô cobrando nada. - ela diz com um certo humor, enquanto se espreguiça na cadeira.
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    Mensagem por Bastet Qua Jul 28, 2021 7:20 pm







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    Bea observa a movimentação da advogada, confusa. Por que uma mulher da lei ia vir na delegacia pra colar chiclete na parede?.. E então a coisa começa a se espalhar – Mas... O que é isso? – ainda mais confusa... E não ficou menos com as respostas que recebeu em seguida. Língua dos espíritos, urathas... A mulher ficando grande e feral.  Coisas que faziam sentido, mas ela não fazia ideia que entendia até ver e ouvir.

    - Tá falando sério? Puta merda. Vocês...  Nós temos algo tipo os ossos de adamantium tipo Wolveri... AHH – se assusta antes da frase se completar.  A primeira transformação entre mulher e lobo não tinha assustado tanto, afinal, se lembrava do lobo e do que ele tinha partilhado com ela... Mas ver Agnes se transformar em um homem na sua frente – Puta que pariu... que merda é essa – quase caiu da cadeira, ficando meio pendurada pelas mãos presas no centro da mesa. Se levantou de maneira desajeitada, tentando puxar a corrente que prendia as algemas e falhando.

    Após o pequeno surto de desespero, os olhos pousaram na mão de Agnes segurando algo volumoso sobre a saia. Depois voltou para o rosto dela/dele e ouvindo as palavras da advogada. – Cara... Cê fica muito gata de homem... – é a única coisa que consegue falar e em seguida arregala os olhos – Espera. TER um bebê? De mim? Da minha barriga? – procura a cadeira pra se sentar, mas ela tá derrubada no chão – Mas isso é impossível... – os olhos ficam marejados de emoção e confusão. Apesar de ter certeza que era uma mulher, nunca pensou que poderia conceber. O corpo errado, mesmo com todas as cirurgias disponíveis no mercado, não poderia prover esse milagre. Aliás, essa era uma das frases de seu pai quando a condenava.

    Sem a Cahalith perceber, o corpo ia mudando, ficando mais delicado, mais do que jamais foi. A cintura fina sob a roupa, os seios medianos, as pernas torneadas... A barba e o pau indo embora.

    - Você não tá me zoando, né?  Isso seria cruel demais – pisca os olhos, tentando afastar as lágrimas que queriam sair deles. Só então percebeu. os pulsos mais finos, as mãos delicadas, bem menores que na outra forma. O olhar foi passando pelo corpo... Beatrice nem respirava... Nem ouvia metade do que Agnes tentava explicar depois daquilo. Um sorriso genuíno no rosto, quando olha novamente pra advogada.

    - Parecem tão naturais – indicou os seios, balançando de leve – Tem como controlar? A parte de matar pessoas? – Beatrice gostava de perder o controle... E temia que aquilo sim virasse uma bola de neve – Porra, Agnes... Eu nem sei como agradecer...

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    Dry Well - 49th Brimstone Police Department Empty Re: Dry Well - 49th Brimstone Police Department

    Mensagem por Ankou Qua Jul 28, 2021 9:49 pm





    Beatrice Thompson


    Agnes sorri com os elogios, mesmo que fossem pra sua contraparte masculina, no mais ela fica boa parte em silêncio, os olhos marejados contagiada pela emoção de Beatrice, a resposta dela não vem em palavras, ela retira um pequeno estojo de maquiagem de dentro da bolsa o abre e colocar sobre a mesa e gira em direção de Beatrice.

    Ela agora pode ver o rosto semelhante ao que era antes, mas perfeito, menos plástico, completamente natural, sem marca nenhuma de barba, a voz afinada chegava a sair desengonçada, os seios menores, mas sem próteses balançavam soltos embaixo da camisa de flanela que não combinavam e nem os valorizavam em nada.

    Ela tira uma caixinha de lenços descartáveis de dentro da bolsa e coloca em frente a Beatrice, tirando um pra ela e secando os olhos antes de borrar a própria maquiagem.

    - Você não tem que me agradecer bebê, é o meu dever e agora é o seu também, de todos nós, você pode gerar uma vida e se transformar numa besta assassina de três metros e meio de altura, tudo isso vem com responsabilidades, mas vai demorar pra você entender, mas você vai. - ela ajeita a cadeira de Beatrice e toma mais um gole de whisky estendendo a garrafa novamente pra moça. - Nós somos metade espírito e metade carne, o espírito não tem sexo bebê, ele diz pra sua carne que agora você é uma mulher, então você é, mas o lobo e se controlar, essa é uma tarefa toda sua, e algumas vezes minha, o lobo e você são a mesma coisa, por falar em sexo, é melhor você voltar a ter um pau e barba. - um dedinho aponta pra Beatrice freneticamente pra baixo e pra cima, apontando o corpo todo.

    - Agora o mais importante, a gente precisa tirar você daqui, mas você ainda precisa dar um depoimento, a história é simples, você estava se agarrando com o rapazinho, um grupo de delinquente atacou ele, tentaram atacar você, você fugiu, acabou no beco e tinha algo grande escondido lá, você acha que é um urso, qualquer detalhe ou pergunta sobre coisas adjacentes você não lembra, estava nervosO - ela enfatiza só pra Beatrice não esquecer qual pele deveria vestir - demais pra se lembrar. - ela olha séria
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    Mensagem por Bastet Qui Jul 29, 2021 9:18 pm







    Coração de Tinta


    Beatrice Thompson
    Sombras Descarnadas   |  Cahalith


    “Sim, eu sei o que eu tô fazendo...
    Mas filma direito, se der merda pelo
    menos dá views”



    _______________________________________________________________________


    Beatrice pega o estojinho entre as mãos, se olhando no pequeno espelho, admirada com a própria aparência.  Mesmo com os hormônios, o rosto dela não tinha afinado daquela forma e nem as feições tinham ficado tão femininas. Não conseguiu impedir as lágrimas de correrem pelo rosto, apenas tirando os olhos de si mesma quando ouviu o barulho da cadeira que Agnes ajeitou pra ela. Agradeceu, fechando o estojinho e aceitando mais um gole do whisky antes de se sentar e limpar as bochechas com um lenço.

    Parecia não ter vontade de voltar a sua forma masculina, mas apenas assentiu, precisando se concentrar dessa vez para utilizar o dom. – Isso tudo parece tão surreal e verdadeiro. Há muitos de nós? Deve ser mais fácil entender sem estar sozinha por aí. Digo, olha o quanto você me ensinou só nesses poucos minutos – ela estende as mãos, pegando as de Agnes – Eu agradeço sim, poucas vezes alguém fez tanto por mim... Ou pelo meu lado monstruoso.  – pigarreou, soltando as mãos da advogada com delicadeza, percebendo que precisariam falar de coisas sérias.

    - Primeira regra de um bom mentiroso, se ater ao máximo à merda da verdade – bebeu mais um gole, fechando a garrafinha – É basicamente isso que eu me lembro mesmo... E de coisas que eu não falaria nem que eles me torturassem. – "NervosO" repetiu em sua mente, assentindo e olhando pras próprias mãos.

    - E quando eu sair? Há regras que devo seguir aqui na cidade? – Beatrice perguntaria dos detalhes sobre território, augúrios, tribos... Guiada pela conversa fácil de Agnes. Como a advogada tinha dito, não entenderia tudo de primeira, mas era melhor saber onde estava pisando naquele mundo novo.

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    Mensagem por Ankou Qui Jul 29, 2021 10:11 pm





    Beatrice Thompson


    - Sempre tem mais do que devia e menos do que se precisa de nós. - uma opinião minimamente controversa por si só, mas ela parece não fazer questão ou não querer explicar - Relaxa lindinha, tá tudo bem, se a gente não é bom em fazer isso, não é bom em nada é parte do que a gente é. - ela sorri e mesmo com aquela roupa toda desengonçada ela parece uma atriz linda e pronta pra receber um Oscar.

    Ela meneia em positivo - Tem muitas formas de ser um bom mentiroso, essa é uma delas. - ela não contraria, muito pelo contrário o tom é de incentivo.

    Por fim, pouco antes dela bater na porta ela responde - Só uma regra, é bom evitar pisar no território dos outros sem ser convidada e se você fizer é bom se desculpar. - Beatrice tem certeza que essa foi a hora que ela a viu mais séria desde que toda aquela conversa tinha dado início.

    O guarda abre a porta e ele comenta que nem se lembrava de ter trancado a porta, é por que ele não tinha mesmo, mas quem se importava?

    Após poucas palavras trocadas as duas estão numa sala de interrogatório, com o tradicional espelho falso, o policial fala sobre os fatos, ou pelo menos o que a polícia entende por fatos, a história combinada segue, Agnes atrapalha o sujeito o tempo todo, coisas como você não pode manter minha cliente aqui, você não pode obrigar ela a responder perguntas que a incriminam e até mesmo o que aquela pergunta tinha haver com o caso, eram frases recorrentes, aquela Agnes amável que ela conheceu há pouco tempo morreu em algum momento no meio do caminho e Beatrice podia jurar pela vermelhidão do sujeito que em alguma hora ele ia levantar e dar uns tabefes nela.

    Beatrice nem sabe quando foi que ela passou de suspeita a testemunha, mas por fim depois de exaustivas duas horas o sujeito tira as algemas dela e diz que ela não pode deixar a cidade até o caso se encerrar.

    Agnes então a puxa pelo braço, só uma pausa na recepção, dentro da sacola os documentos e outros pertences de Beatrice, do lado de lá uma policial que parecia inusitadamente descansada, do lado de cá um moleque com chapelão de cowboy olhando “Luther” com um olhar curioso, meio sorriso no rosto como se soubesse exatamente o que tinha acontecido, fora isso nada demais exceto pelos olhos de cores diferentes. - Noite Clive. - Agnes diz quando passa por ele. Só deu pra ter certeza que a cara de moleque novo enganava quando Beatrice olha pra baixo e vê um revólver na cintura dele, mas tinha algo mais, ele não cheirava como humano, ele cheirava algo entre humano e lobo diferente de todo o resto. O rapaz só toca no chapéu e as cumprimenta conforme elas passam.

    Do lado de fora ela saca o celular - Só um instante ela diz. - Ela não faz questão de fazer aquela conversa particular - Prima, vou correndo com a mocinha pra casa, ela vai passar a noite com a gente, meu carro tá na frente da quarenta e nove, pega ele pra mim? Vou deixar a chave no quebra-sol. - Beatrice consegue ouvir uma resposta positiva e curta do outro lado da linha. Agnes desce o tom de voz - E as provas? - algo como tudo resolvido soa do outro lado, Beatrice tem certeza de ter ouvido que tava tudo limpo. - Ótimo, te vejo mais tarde. - ela desliga e coloca o celular de volta na bolsa, deixa a chave exatamente onde disse que deixaria, o carro aberto, certeza que ninguém ia roubar um Audi R8 Coupé na frente da delegacia e sair impune.

    - Vem. - ela diz andando apressada, tarde demais ninguém tava nem olhando, ou ligando pra elas ali - Só me segue, vamos correr um pouco. - finalmente longe de todas as vistas e no escuro a coisa fica ainda mais impressionante, a forma de Agnes diminui, Beatrice tem certeza que quando terminasse ela ia ser uma loba tão feroz quanto a forma intermediária que ela havia lhe mostrado, mas por fim ela parece a porra da Lessie, uma Rough Collie grande e felpuda que dá vontade de abraçar.
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    Mensagem por Bastet Qui Jul 29, 2021 11:50 pm







    Coração de Tinta


    Beatrice Thompson
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    “Sim, eu sei o que eu tô fazendo...
    Mas filma direito, se der merda pelo
    menos dá views”



    _______________________________________________________________________


    Beatrice assentiu sobre a regra que Agnes falou, estremecendo de leve ao ver a advogada tão séria. Era sempre curioso ver pessoas doces em suas faces mais escuras... E ali foi a primeira vez, a segunda foi no interrogatório. Nem parecia a mesma mulher.

    A Cahalith se ateve à história, assim como prometera, quase sorrindo ao perceber o que a advogada fazia, mas mantendo sua expressão confusa e de piedade, sob a barba grande. Teve de repetir e repetir... Tantas vezes que, se tivesse inventado algo, provavelmente se enrolaria.Como não tinha inventado, só omitido, era mais fácil parecer verdadeira.

    Ao saírem, Bea tinha uma expressão de alívio.  Queria poder assumir seu corpo novamente e não aquele feio e cheio de pelos. Estava tamborilando o dedo no balcão, esperando Agnes, quando viu o jovem cowboy entrando na delegacia. Ao encarar o rostinho bonitinho dele, com olhos de cores diferentes, se perguntou se ele tinha idade pra portar aquela arma. Achava que não.

    Deu uma fungada não muito discreta no ar, ainda se acostumando com o olfato aguçado, quando ele passou. A expressão barbada o olhava com curiosidade.  Enquanto as duas andam pra fora, a mulher pergunta.

    - Por que aquele menino tem um cheiro tão diferente...e bom? -  perguntou, pouco antes da outra pegar o celular. Enquanto ela conversava com a prima, Bea não tentou ficar de butuca ouvindo, mas, mesmo sem querer, ouviu parte da conversa.

    - Cê vai deixar mesmo esse carrão aberto aqui? – ela parecia incrédula. Nem a furrequinha da Kombi Bea deixava dando bobeira assim. Talvez tivesse descarregado ela inteira, deixando as coisas ligadas? talvez, mas pelo menos tava trancadinha.

    Seguia a mulher, pensando que, de fato, ela queria correr. Não sabia o motivo, afinal, com um carro daquele quem ia querer ir correndo pra casa?

    Seus pensamentos foram interrompidos quando Agnes foi se transformando num bicho... Ou melhor, num cachorro. – Fala sério que a gente consegue virar a porra de uma Lessie. – estava parada, observando o animal... Mas não resistiu em fazer um carinho. – Será que eu consigo virar o Bethovem? – se questionou, tentando mentalizar a forma e deixando seu corpo começar a mudar.

    No fim, era um lobo tricolor, branco, laranja e preto, bem maior e menos fofo que a Lessie.

    Começa a correr, vendo se as pernas domésticas da outra conseguem acompanhar.

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    Mensagem por Ankou Sab Jul 31, 2021 10:47 pm





    Beatrice Thompson


    Indo: Dartmoor Hills

    - Bom? - Agnes ri e o tom de voz abaixa - Isso é você quem tá falando, mas sim, ele não é humano bebê, ele é exatamente o que você era antes de mudar, Sangue do Lobo. - ela responde, rápida e o mais didática que pode e mesmo sob a incredulidade de Beatrice, Agnes olha pro carro como se fosse uma alegoria de 1,99 no cantinho da sala.

    --

    Beatrice entende exatamente o motivo de Agnes não falar nada conforme ela comenda da “Lessie” não existia a capacidade física de fazer isso, mas os sentidos do lobo eram pura loucura se comparado a da forma humana, ela conseguia sentir o cheiro de tudo, de Agnes a frente dela, da merda de boi muitos metros longe, dos cavalos dormindo no estábulo, do óleo na pista uma centena de metros afrente, a noite fica clara como o dia.

    Agnes vai correndo na frente, guiando o caminho, seguir ela é fácil, é praticamente natural, em algum ponto entre as fazendas ela sente como se cruzasse uma barreira muito fina, sem resistência alguma, um calafrio na espinha e nada mais, não sabia se ela tinha sentido o mesmo, mas ela não para de correr.

    Elas finalmente param em frente a uma casa de fazenda antiga e enorme, Beatrice é tomada por uma avalanche de emoções que ela mal consegue conter, adrenalina a mil, ela tem vontade de morder uma presa, logo depois ela tem vontade de transar como se não houvesse amanhã e depois vontade de continuar correndo, tudo isso em poucos segundos, uma por cima da outra.

    Agnes volta pra forma humana, o corpo dela sai fumaça de tão quente na noite fria, suor escorrendo pelo corpo, a respiração ofegante - Eu te falei bebê, quando você nega o lobo é só problema, você não queria ficar presa, era só insegurança. - ela diz com um sorriso no rosto.

    Ao longe Beatrice pode ver um senhor de idade aparecendo numa das sacadas da casa, ele não parece querer ser discreto, Agnes vai caminhando em direção a casa - Vem, a gente precisa de um banho e tio Dodô quer falar com você. - ela fala do tio cheia de intimidade e Beatrice desconfia que ela esteja falando do senhor às olhando da sacada.
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