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    As cinco ilhas e o seu destino

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    As cinco ilhas e o seu destino Empty As cinco ilhas e o seu destino

    Mensagem por Edu Dom Fev 13, 2022 8:43 am

    Capitulo 1: O pescador


    Yago era um pescador e vivia no norte da menor das ilhas verdes. Seu nome era Ilha Augusta do sul. Ela tinha sido uma das ultimas a serem colonizadas. Parte do povo de Tarlis tinha ido pra ali e as outras duas há uns 200 anos. O episodio que gerou isso foi na época a rebeldia e por consequente guerra entre Tarlis e o Rei. Muitos que foram contra o rei fugiram pelo mar interior e se refugiaram no pequeno conjunto de ilhas que Yago morava.

    Yago não sabia muito dessa historia. Ele era meio que ignorante nesse sentido. Não que fosse burro, mas os pais dele eram humildes e não tinha lhe ensinado o suficiente sobre a historia das grandes ilhas. Uma coisa ele sabia ao certo, porque tinham lhe ensinado muito bem, não podia avançar muito pra dentro do mar exterior ou pararia dentro do circulo de tempestades e nunca voltaria. Somente a morte aguardava aqueles que ousavam se aventurar no circulo. Sua mãe sempre contava que os deuses tinham proibido os homens de ir além dele.  As vezes que pensava sobre isso ficava triste. Porque se lembrava de seu pai e da sua loucura. Ainda vinha na sua memoria as ultimas palavras dele antes de pegar o barco e adentrar no mar exterior.

    “ Filho todo pescador conta historias, será que você contará as suas?”

    A frase não fazia menor sentido, tirando o fato de ser ridícula. No entanto era o que seu pai tinha dito antes de pular pra dentro do gaivota do sul e partir pra nunca mais retornar. Yago tinha 10 anos naquela época. Ficou sonhando mais uns 5 anos com o seu pai retornando do mar. Tinha dias que sentava e ficava olhando o mar a espera dele. Os anos passaram e ele moveu com sua vida. A um tempo antes do atual, sua mãe contou a razão da atitude de seu pai. Ela disse que sido pega traindo, por ele.  Não sabia o porque tinha contado isso. Sua mãe foi sincera e disse que tinha falado isso porque queria que o filho fosse forte e nenhum idiota. Dizia ela que muitas vezes as mulheres dizia palavras bonitas na frente pra xingar pelas contas. Sinceramente Yago já sabia disso antes dela contar a historia toda sobre seu pai e ela.

    Ainda sentia muita raiva pelo o que sua mãe tinha lhe contado. Era por isso que tinha se mudado e ido morar nas praias do norte da Ilha. Aquela região não era muito habitada, por isso foi fácil pra ele construir uma casa perto do mar. De inicio sua vida foi difícil, pouco dinheiro e pouco peixe. Com passar do tempo foi melhorando, descobriu um lugar aonde um cardume sempre passava e suas redes sempre vinham cheias. Vendia sempre seu peixe pra um comerciante de um vilarejo a alguns quilômetros da costa norte. Ele pagava bem e era cômodo pra Yago.

    Yago também gostava dali porque tinha uma pequena taverna aonde bebia e ouvia historias do mundo a fora. O lugar tinha um nome um tanto que inusitado, se chamava “O golfinho rebelde”. Uma vez tinham explicado o porquê do nome. Fora o atual taverneiro, filho do fundador. Disse ele que tinha sido uma homenagem aos rebeldes de Tarlis que tinham lutado contra a coroa dos ventos a muito tempo atrás. Na época tinha ficado curioso e perguntou o que tinha feito o povo de Talis ir contra o rei, mas o taverneiro lhe disse que não sabia.

    Yago não se importou muito e logo esqueceu dessa historia. Não ligava muito para conflitos de reis e nobres de terras distantes. Tava mais preocupado com o mar e os peixes. Alias uma coisa vinha tirando dele o sono estava circulando entre os pescadores, que iam pra mais longe dentro do mar, o rumor que uma grande tempestade vinha se aproximando. Isso era péssimo pra ele, caso essa tempestade viesse mesmo poderia fica sem pescar durante uns dias e isso significaria que passaria fome.

    Não sabia o que iria fazer. Até o presente momento nada tinha aparecido no horizonte e não tinha motivos pra se preocupar. Por isso mesmo levantou cedo.  Espreguiçou-se em frente da cama simples. Podia ver que os lençóis estavam bagunçados, geralmente tinha sono muito agitado no entanto não era o motivo dessa noite. Tinha tido companhia. De vez quando dormia com uma mulher lá do vilarejo. Seu nome era Ingride e era uma das sacerdotisas da senhora dos mares. Em geral vivia lá no templo na parte sul do vilarejo, mas desde que conhecera ela passava algumas noites com ele em sua casa.

    A mulher já tinha ido embora, provavelmente partido pro templo. Deu de ombros e continuou com os seus afazeres. A rede de pescar precisava de uns remendos, era necessário que fizesse isso antes de partir pro mar. Era cansativo e chato, tinha que ficar fazendo aqueles nós todos com a precisão milimétrica ou os peixes poderiam passar direto por ela e se fizesse errado sentiria com certeza o gosto amargo depois no bolso e na boca com a fome.

    Sua casa dava direto pra praia. Tinha alguns metros de grama e depois vinha a areia do mar. Era um lugar bonito. Uma paisagem exótica em relação à maioria das ilhas do arquipélago. As ilhas verdes tinham um clima um tanto que diferente das outras. Elas eram mais quentes e tinham uma natureza mais abundante.

    Algumas pessoas de fora, principalmente da grande ilha de Fell. Contavam algumas piadinhas das ilhas verdes. Eles faziam a pergunta “o que seria mais selvagem os animais ou os seus habitantes?” ou era essa “ qual era a pior mata das ilhas verdes,a da natureza ou a das mulheres?”. Yago particularmente riu quando se lembrou dessa ultima. No caso da sua ultima companheira não era verdade, mas na grande maioria era sim.

    Um pouco mais descontraído depois de pensar nas piadas um pouco preconceituosas ele continuou o seu trabalho. O suor brotava de seu peito e testa. Como era comum ali em Augusta fazia um calor bem forte, era verão e não chovia fazia um tempo. Segundo o pensamento de Yago devia fazer mais de 35 graus, era bastante quente. Lembrava agora enquanto amarrava mais um nó de como os habitantes “carinhosamente” apelidavam as três ilhas. Eram “os três caldeirões de Malir” e devia dizer que concordava com eles. Porque vai ser quente assim lá fora do circulo. Acreditava que não existia lugar mais quente que aquele em todas as ilhas do arquipélago.

    Metade de uma hora passou e terminou seu trabalho nas redes. Recolheu elas e levou para o barco. Seu barco não era muito grande, tinha cinco metros de comprimento por dois de largura. Havia um mastro principal aonde ficava a vela. Em termos de pescador era um barco digamos que mediano, tinham outros pescadores com embarcações mais modestas e outros com embarcações mais impressionantes.

    Yago gostava de dizer a si mesmo e aos outros que era um pescador bem sucedido. De fato era mesmo, mas não chegava ao ponto de alguns da costa sul. Esses chegavam a ter até pequenas companhias e punham muitos homens a trabalhar em seu lugar. Não gostavam muito de concorrência esses empresários do mar. Na época antes de seu pai partir rumo ao mar exterior tinha tido alguns problemas com eles. Era criança no tempo, no entanto tinha escutado algumas conversas de seus pais sobre isso. Eles eram um tanto que ameaçadores, veio na memória. Não se recordava de como seu pai tinha lidado com a situação. Não fazia diferença mesmo já tinha passado.

    Yago caminhou carregando a rede pro pequeno píer construído na praia em frente a sua casa. Obviamente não tinha o feito sozinho, uns amigos do vilarejo haviam lhe ajudado na construção. Coisas simples, mas que um homem sozinho não podia fazer.

    Entrou no barco e preparou a rede pra pesca. Zarpou com o barco rumo ao mar. Geralmente não costumava ir muito pra dentro do oceano.  Considerando que a costa norte dava pro mar exterior. Tudo bem que o circulo ficava bem longe dali, mas nunca se sabe. Sempre existiram correntes no mar e uma podia levar o seu barco até lá.

    Felizmente nada disso aconteceu e Yago ficou pescando seguramente no seu barco sem que nada o levasse. Estranhamente o dia de pesca foi difícil. Geralmente esse lugar é bem farto de peixes e ele leva apenas algumas horas pra encher o barco, no entanto hoje tinha levado o dia todo praticamente e nem tinha completado metade da capacidade. Isso era frustrante e preocupante.  Estava cansado e estressado, não tinha mais o que fazer ali. Era de noite já, estava mais do que na hora de voltar pra casa.

    Direcionou o barco de volta pra ilha. Estava bastante escuro, mas dava pra enxergar lá no horizonte o farol da costa norte de Augusta. A viagem de foi bem tranquila, levou um pouco mais de uma hora. Quando já estava se aproximando do seu pequeno píer, pode ver com a luz de seu lampião e com o brilho da lua também, um vulto do que parecia ser um barco parado. Yago pensou “Mas que diabos?” Achava que era um dos jagunços dos ricos pescadores do sul. Não tinha nenhuma paciência pra lidar com esse tipo de escoria. O azar dele e sorte desse ou desses sujeitos era que havia deixado sua faca na cozinha.

    Saltou do barco com o lampião na mão. Procurava fazer o menor barulho possível enquanto andava. Não era especialista uma vez que não era ladrão. Lentamente se aproximou da outra embarcação. Não havia outras luzes acessas na sua casa ou na praia. Era uma temeridade ficar andando com uma luz na mão, mas não tinha escolha. Não conseguiria enxergar nada se fosse andando no escuro.

    Com a luz do lampião foi observando os detalhes do outro barco. Haviam algumas algas nele e a madeira parecia meio podre. Foi andando mais pra proa dele e iluminou aonde ficava a inscrição do nome. Quando leu seu sangue gelou. Estava escrito “Gaivota do Sul”.

      Data/hora atual: Sex Jul 01, 2022 3:37 am