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    O que um agente do NKVD pode fazer?

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    Mensagem por Entreria Qui maio 02, 2024 6:12 pm

    Um dos aspectos mais agradáveis do RPG para muitos jogadores é representar o papel de outra pessoa. Quando confrontados com um período histórico, alguns jogadores mergulham na era, retratando o personagem de forma historicamente precisa, conforme seus conhecimentos e pesquisa permitirem. Outros jogadores apenas recorrem ao que sabem através de filmes e livros. Ambas as abordagens são igualmente válidas e divertidas.

    Jogadores de mentalidade histórica vão querer saber a melhor forma de retratar o personagem para que soe plausível. Para eles, o diabo está nos detalhes, e é útil saber o que se espera de um personagem antes começar a interpretá-lo. Em Colheita Fria, esse tipo de jogador tem dois obstáculos. Primeiro, é preciso entrar no papel de alguém que vive na Rússia Stalinista. Em segundo lugar, é preciso assumir uma posição de certa autoridade. Este texto serve para ajudar jogadores e jogadoras a entrarem no personagem, oferecendo uma breve cartilha sobre como eram os agentes do NKVD e o que eles poderiam precisar fazer.

    Em 1937, o NKVD, ou Comissariado do Povo para Assuntos Internos, não era apenas a polícia secreta da União Soviética, mas também a polícia padrão. Agentes executavam partidários e direcionavam o tráfego comum. Eles deportavam milhões para campos de trabalho corretivo, faziam prisões e também investigavam assassinatos. Um agente do NKVD poderia proteger as fronteiras do Estado, realizar um assassinato em solo estrangeiro ou vigiar e informar sobre grupos comunistas em países estrangeiros. Tudo isso se resume ao seu objetivo principal: proteger o Estado soviético e, por extensão, tornar-se um instrumento da paranoia de Stalin.

    Foi também uma organização em constante mudança. Foi formada e dividida e reformada inúmeras vezes ao longo de sua existência. Isso criou um sentimento de incerteza em muitos dos agentes do NKVD. Muitos não tinham certeza sobre o amanhã, não sabiam se eles seriam ou não exilados, ou executados à medida que a estrutura organizacional mudava repetidamente. Embora houvesse algumas mulheres, os agentes da NKVD eram principalmente homens.

    Um agente recebe ordens de seu comandante. Essas ordens podem ser missões curtas, como investigar um desaparecimento, ou compromissos de longo prazo, como trabalho secreto em um vory ou sindicato de crime organizado. O agente recebe um direcionamento razoável para executar a tarefa em questão. A maioria dos oficiais espera que seus agentes protejam o Estado e ajam com certa autossuficiência. Pedidos contínuos de apoio — a menos que seja justificado de alguma forma, como uma grande revolta — encontram desaprovação e podem fazer com que um agente seja denunciado como inimigo do Estado. O ponto exato em que se considera que um agente esteja pedindo ajuda muitas vezes depende da personalidade do comandante.

    É importante perceber que, apesar de sua reputação monolítica, o NKVD era formado por indivíduos. Todos que serviam, o faziam por suas próprias razões pessoais. Sem dúvida, havia numerosos sádicos que desfrutavam de possibilidades quase infinitas de ferir os outros e justificavam suas ações como medidas necessárias para proteger a União Soviética. Outros, no entanto, aderiram à organização porque acreditavam no comunismo e queriam servir ao Estado. Alguns se juntaram porque eram ex-militares, precisavam de um emprego e tinham as habilidades apropriadas. Muitos entraram para o grupo apenas para melhorar suas vidas.

    Dependendo de suas habilidades, alguns atuam como executores ou capangas. Esses são os agentes que extraíam a verdade de supostos espiões através de espancamento, destruíam prensas e atiravam em simpatizantes ocidentais nos porões da prisão de Lubyanka. Outros trabalhavam como investigadores ou detetives. Esses homens perseguiam implacavelmente espiões, infiltravam-se entre os suspeitos de ataques terroristas e convenciam os vizinhos a delatarem uns aos outros. Muita gente também trabalhava em funções administrativas. Esse grupo administrava as prisões e os campos de trabalho, arquivava a papelada e se certificava de que tudo que precisava ser encoberto fosse encoberto. Apesar da possível especialização, esperava-se que um agente cumprisse qualquer papel que lhe fosse requisitado.

    Dada a importância da segurança do Estado, os oficiais do NKVD tinham poderes relativamente amplos. Ao investigar um crime, um agente pode ordenar a detenção e prisão de qualquer pessoa. Em muitos casos, as execuções podiam ser feitas em qualquer lugar, precisando apenas de um mínimo de evidências para apoiar o ato. O limite de até onde um agente pode ir é limitado apenas pelo quão longe ele pensa que o Estado lhe permitirá ir. Se um agente pudesse justificar a tortura ou execução como necessários para a proteção do Estado, ele normalmente poderia se safar. Se, no entanto, seu superior sentisse que ele foi longe demais, o agente se veria no lado errado de uma arma.

    Embora o crime não existisse oficialmente — pelo menos não o tipo de crime cometido por um cidadão contra outro cidadão — o NKVD investigava todas as denúncias criminais. Um assassinato pode ser um indício de subversão e seria investigado com a maior importância e sigilo. Se a vítima não fosse importante para o Partido, como um operário ou uma criança, a investigação geralmente se concentrava no suspeito mais facilmente disponível ou mais fácil de ser preso. Ou o agente simplesmente ignorava o caso e determinava a morte como um acidente.

    Um agente também pode solicitar a intervenção da militsiya. A militsiya, assim como o NKVD, era uma força policial e geralmente servia em regiões sem a presença do NKVD, ou então lidava com o policiamento cotidiano. Se um agente precisar de muito apoio para acabar com um motim, colocar em quarentena uma aldeia ou proteger algo, a militsiya poderia ser convocava. Por causa de sua autoridade e reputação, muitos cidadãos soviéticos temiam e desprezavam os agentes do NKVD. O aparecimento de um agente da NKVD era suficiente para obrigar as pessoas a se voltarem contra seus vizinhos. No entanto, um agente solitário podia ser vítima de um grupo irritado levado à violência pelo medo, então o NKVD aprendeu a operar em pares ou pequenos grupos.

    Apesar da paranoia e do perigo, muitas pessoas queriam se juntar ao NKVD. Além do poder pessoal, que era uma faca de dois gumes, os agentes desfrutavam de uma vida melhor. O estado fornecia apartamentos bem melhores do que as acomodações padrão, e membros da família imediata, como pais e mães, também poderiam receber o benefício de moradias melhores. As credenciais do NKVD também ofereciam aos agentes acesso a depósitos com  suprimento melhores e, em alguns casos, mercadorias ocidentais. O soviet médio tinha que sobreviver nas longas filas de parcas variedades de produtos. Os agentes e suas famílias podiam escolher entre várias opções nas prateleiras das lojas. Por causa dessas vantagens, os agentes trabalhavam muito para garantir que suas lealdades não fossem questionadas. Se a lealdade de um agente fosse posta em dúvida, ele não era o único a sofrer. Sua família também sofria.

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