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    Garras-da-Justiça

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    Garras-da-Justiça Empty Garras-da-Justiça

    Mensagem por Alexyus em Seg Maio 25, 2020 7:06 pm

    Garras-da-Justiça tinha passado bastante tempo com a anciã Geada Obscura nas terras cobertas de tundra e neve em que crescera. Ela falava palavras que não eram de lobo mas também não eram de homem. Ela falava com ele na língua garou.

    Geada Obscura explicou tudo que ele precisava saber: que era um garou, um protetor da Mãe Terra, que era um ahroun, um guerreiro escolhido por Luna quando nasceu, e que era um Uktena, a tribo do Irmão-Mais-Velho dos Puros.

    Ela ensinou-o a mudar de forma e controlar qual pele vestia. Deu a ele roupas para se aquecer e enfeites para ficar mais bonito, e ensinou-o um ritual para torná-los parte de si mesmo, para não perdê-los quando mudasse de forma. Garras-da-Justiça se saiu muito bem nesse aprendizado, pois sua mente lupina se abria para novas complexidades e seus pensamentos iam muito além dos de seus irmãos lobos.

    A anciã ensinou Garras-da-Justiça sobre os espíritos, aqueles que não vemos, os que vivem na terra escura chamada Umbra. Explicou que alguns eram amigos e outros eram inimigos. Os amigos deviam ser respeitados e podiam ajudar, mas os inimigos deviam ser mortos e privados de suas armas. Com os espíritos dos Lobos, ele aprendeu a deixar seus sentidos mais aguçados; com a Abelha, aprendeu a transformar suas garras em ferrão para picar seus inimigos; com o sombrio espírito da Noite, aprendeu a invocar a escuridão onde só ele pode enxergar.

    A velha uktena deu um nome a ele, Garras-da-Justiça, pois só assim ele poderia usar suas garras, com justiça. Ela fez um ritual de conquista e o proclamou como Cliath, um verdadeiro uktena.

    Humanos vieram visitar a velha, que ela chamou de Parentes.Ela pediu que Garras-da-Justiça fosse com eles para um lugar chamado Caern do Urso Pardo, na Califórnia, porque ele precisava conhecer os outros uktenas e também o jeito que os humanos viviam.

    Eram cinco Parentes. Delsin Heisso era o mais velho e mais forte deles e quase não falava, mas seu olhar dava medo. Nayeli Yolove era uma fêmea gentil e carinhosa, que sempre dava comida e água a Garras, e lhe deu até um banho. Dakota Fyrien era uma jovem ativa e animada, que fez as pinturas no rosto da pele humana dele. Dasan Eaglelead parecia ser o alfa da matilha dos humanos, todos seguiam o que ele falava. Awan Somebo, por outro lado, devia ser o ômega, pois todos riam quando ele falava.

    Parentes:
    Delsin Heisso:
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    Nayeli Yolove:
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    Dakota Fyrien:
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    Dasan Eaglelead:
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    Awan Somebo:
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    Geada Obscura mandou Garras-da-Justiça ir com eles, e ele foi. Os Parentes tinham vindo numa toca quadrada que se movia, que chamavam caminhão. Garras ia na parte de trás, sempre com dois ou três dos Parentes juntos.

    Awan era o que dirigia, então Garras só o via quando paravam para dormir ou comer. Quando tinham tempo, Delsin tentava ensinar Garras a lutar na forma humana. Dakota se divertia tentando ensinar o modo dos humanos falarem, mas era muito difícil lembrar de todos aqueles sons, mesmo para um aprendiz rápido e genial como ele. Nayeli sempre arrumava comida, bebida e cobertores para ele. O alfa Dasan não falava muito, mas quando o fazia, era sempre obedecido.

    Foram muitos dias de viagem até um lugar chamado Sacramento e de lá mais algum tempo até o destino final.

    Garras-da-Justiça 4e3c7187_zGarras-da-Justiça Photo0jpgGarras-da-Justiça 13948-chukchansi-gold-resort-and-casino-front-9-2019-1000

    Dakota avisou alegremente:

    - Chegamos! Chukchansi Gold Resort & Casino!
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    Mensagem por Ankou em Seg Maio 25, 2020 9:51 pm

    Desde que saíram das terras geladas ou pelo menos o que Garras considerava gelado estavam andando sobre aquela toca que andava por dias sobre uma pedra retilínea que parecia não terminar nunca.

    Havia alternado inúmeras vezes entre sua forma humana e lobo, mas nunca formas intermediárias, por vezes sentia-se cansado de ficar mantendo-se ereto o tempo todo, espelhava-se em Delsin pra manter sua postura ereta, havia se corrigido inúmeras vezes saindo de uma pessoa arqueada pra uma pessoa relativamente normal, ele visivelmente o mais velho, o mais forte e o líder da alcateia de humanos, mas não era ele que mais chamava a atenção.

    Dasan e Awan eram os machos jovens, fisicamente mais  semelhantes com Garras, logo pensava que deveria se comportar como eles, até mesmo coincidentemente suas “peles de vestir” eram parecidas, a mesma cor de pele, cabelo semelhante. Garras observava mais de uma vez durante aquela viagem alguns olhares curiosos das pessoas sobre todos eles, as roupas eram diferentes, mas ele observava olhares mais curiosos das fêmeas humanas sobre Dasan e Awan que Delsin, o mesmo acontecia dos machos sobre Dakota.

    Era estranho perceber aquelas relações humanas, ele nem mesmo sabia se as julgava direito, mas era definitivo que humanos estavam o tempo todo no cio, e pior aquilo meion que fazia parte dele também, era estranho ter que lidar com isso, então preferia ignorar por hora, mas talvez aquilo explicasse o motivo pelo qual haviam tantos huamanos.

    Nayeli lhe trazia água e comida, ele não gostava daquilo, ser privado de caçar era enervante, mas precisava se acostumar, humanos caçavam com papel em tocas gigantes onde o alimento já vinha em perfeito estado, era engraçado ver eles trocarem papel por caça, quem diabos trocaria carne por papel? Mas aquilo ei de fazer sentido alguma hora. Ainda assim sentia bondade na mulher, não sabia se estava certo, mas achava que ela era a mãe deles, talvez a fêmea de Delsin, não sabia, apenas especulava.

    Naquele interím havia provado várias coisas gostosas sabores diferentes da tundra, havia gostado especialmente da bebida amarga que vinha na garrafa marrom e da coisa crocante de cor amarela forte que vinha num pacote laranja. – Shi...Xiii... Cheeee...tos – tentava falar o nome da coisa crocante olhando pro pacote comendo a coisa sem muita cerimônia.

    Dakota era uma outra história, ele gostava especialmente do cheiro doce dela, havia lhe marcado o cheiro e o gosto com sua língua, talvez um dia ele a tomasse pra si quem sabe?

    Lutar como humano era desconjuntado, mas ele tentava aprender o que podia com Delsin, eles podiam até morder, mas a fisiologia não ajudava, eles se limitavam a usar as patas, mesmo que fossem as quatro patas ainda achava que aquilo era menos letal que uma mordida, mas entendia que talvez humanos brigassem por dominância, afinal nem ele mesmo como lobo brigava pra matar e não ser claro que fosse comida.

    Descia da toca com rodas e tirava as botas, correndo em direção ao canteiro, sentia falta da terra embaixo dos pés, deixou ela entrar entre os dedos, se agachou tomando um punhado de terra em uma das mãos e a cheirou, a terra ali era diferente, havia um cheiro de algo que não era natural, o mesmo cheiro que a toca com rodas parava pra pegar comida, era o mesmo cheiro ruim do que a toca com rodas bebia, pelo menos o cheiro ali não era insuportável.

    Queria pular dentro da fonte de água cristalina, aquele lugar era o mais quente que já havia ido na vida, nem imaginou que um lugar tão quente assim podia existir, sua sorte é que a pele de humano não gerava tanto calor. Antes que pudesse pular na água percebeu o olhar de reprovação no rosto de seus companheiros humanos, preferiu repensar o que estava a fazer então, aquela água ali certamente não era pra se banhar nem beber, não entendia pra que servia a água senão pra beber e tomar banho? Preferiu a deixar intocada.

    Se aproximou dos seus acompanhantes humanos e ficou parado olhando o redor, eventualmente via tocas com rodas de formas diferentes, talvez cada humano construísse sua toca com rodas do jeito que queria, quando ouviu seu nome começou a seguir em frente junto com os humanos pra dentro da toca gigantesca enquanto tentava ler aquele letreiro com o pouco conhecimento que tinha.
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    Mensagem por Alexyus em Dom Jun 07, 2020 6:14 pm

    Enquanto Dasan entrou na imensa caverna de pedra brilhante, os outros Parentes ficaram com Garras-da-Justiça no caminhão.

    Demorou um pouco de tempo até que ele voltasse, acompanhado de um outro macho.

    Spoiler:
    Garras-da-Justiça John_c10

    O cheiro do acompanhante era singular, e ele subiu no caminhão falando com Garras numa língua que ele conseguia entender! Era Garou!

    - Então, você é o tal Garras-da-Justiça, hein? Passou bastante tempo com aquela velha Vigia dos Malditos, né? Mas aqui as coisas são diferentes, amigo! A propósito, sou John Chuckchansi para os humanos, mas pode me chamar de Persegue-a-Névoa; sou um uktena de posto 4, athro, ragabash hominídeo. Aqui entre os humanos, você vai precisar ser ainda mais cuidadoso para manter o Véu, passar despercebido pra quem não é da tribo, entendeu? Venha comigo!

    John conduziu Garras, ainda na forma lupina, por um longo caminho contornando a imensa casa de pedra, até entrar de novo numa trilha de terra e embrenhar-se numa planície de vegetação rasteira. Quando a enorme casa de pedra já era só uma montanha no horizonte, John finalmente chegou à uma cabana, abrindo a porta e indicando que Garras entrasse, entrando logo após ele.

    O interior da caverna era quente, muito quente, com vapores elevando-se de um monte de pedras empilhadas no centro do recinto. John entrou e tirou algumas roupas, ficando com apenas o necessário para cobrir suas partes reprodutivas.

    - Passe para a forma hominídea, cliath! Você terá que aprender a usá-la para ser um bom uktena. Filhotes lupinos são raros por aqui, e por isso não podemos te colocar de imediato numa matilha; antes, precisaremos que você domine algumas coisas da sociedade humana ao mesmo tempo que aprender a ser um garou. Então, se tiver alguma pergunta para fazer, é agora.

    Chuckchansi sentou-se num banco de pedras e esperou a ação de Garras-da-Justiça.
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    Mensagem por Ankou em Dom Jun 07, 2020 7:57 pm

    Tinha curiosidade de adentrar na toca de pedra brilhante, mas entendi que estava em um território muito estranho e que não dominava, preferia ficar perto dos humanos, ouvindo eles conversarem, falavam sobre assuntos diversos e a larga maioria de palavras Garras não fazia menor ideia do que significavam, entendia coisas soltas como a palavra música, que eles se referiam como uma conjuntura de sons que ele particularmente achava interessante, ele tinha escutado bastante naqueles ultimos dias, ela vinha do interior da toca que andava, tinha sons que ele nunca havia escutado em outro lugar, sons bonitos por vezes, por outras vezes nem tanto.

    Deitou-se no assoalho do veículo em sua forma natural e fechou os olhos esperando, o carpete emborrachado era mais macio que as pedras que estava acostumado, mas o cheiro era ruim, não o cheiro dos humanos que andavam sobre aquilo, mas o cheiro do próprio material escuro.

    Sempre era interessante ver um garou “rosnar” na pele de homem, parecia engraçado, era o mesmo com Geada-Obscura. Ele ouvia o homem se apresentar e imediatamente após ele dizer seu posto e quem era, o olhar do Cliath se desviou, ele podia sentir o peso de ter um garou experiente daquele jeito perto dele, e sua atitude era quase que uma deferência, o melhor que um lobo podia fazer.

    - Névoa Obscura é uma boa garou, aqueles malditos pro norte, estão lá por que humano tira coisa preta fedida da terra – ele bate com uma pata e arrasta um pouco sobre o carpete de borracha do carro – Isso fede igual coisa preta. – Pausou um pouco e se aproximou do homem – Sim senhor eu sou Garras-da-Justiça, esse foi o nome que Névoa-Obscura me deu e o uso com muito orgulho. – e de fato havia um respeito palpável quando Garras falava da anciã do norte.

    Garras passou pelos parentes, cheirando cada um deles e deu uma lambida no pé de Dakota, a parte de pele desprotegida da moça mais próxima do chão e logo seguiu com o Athro toca adentro.
    No caminho Garras preferiu manter o silêncio, ficava mais a observar os corredores e as belezas daquele mundo novo do que enchendo o acompanhante garou com perguntas.
    Chegou a um lugar quente como o inferno, se é que Garras tinha alguma noção de como ou o que era inferno.

    Passou pra forma humana como o mais velho assim requisitou, seus ossos mal se estalavam, sua capacidade de metamorfosear-se não era perfeita, nem se esperava que fosse considerando que ele era um Cliath, mas de certo era assustadora se comparada a um filhote hominídeo.

    Enquanto sua forma lupina era a de um lobo musculoso e esguio, de pelagem cinza claro nas costas com peito branco, sua forma humana era exatamente o que se esperava de um Uktena, as feições nativo americanas, pele parda, olhos escuros como a noite. Não havia nada nele, nem uma estrutura óssea que lembrasse o homem branco ou negro.

    Garras retirou as roupas e ele também tinha um pedaço de pano que encobriam seus orgãos reprodutores, ele se despiu parcialmente imitando o garou mais velho, deixou suas roupas próximas a do companheiro e se sentou num relevo da toca brilhante.

    - Eu entendo que sou homem e lobo ao mesmo tempo que sou garou – dizia isso mas deixava uma risada escapar – me desculpe é que minha voz fica engraçada na pele de humano, me dá vontade de rir toda vez que eu me escuto. – dava mais uma pequena risada, mas já se acostumava e prosseguia. – Eu tenho tentado a dominar a língua dos homens, mas faz pouco tempo, não parece difícil, mas eu preciso de mais tempo. Mas sim, perguntas eu tenho muitas. – pausou pigarreando ajustando sua voz novamente, parecia um adolescente rosnando, as vezes os tons ficavam meio bagunçados. – No mundo dos lobos o melhor e caçador mais forte lidera, no mundo dos garous o mais forte, honrado e sábio lidera, e nem vou entrar no mérito do que eu ouvi falar dos tal dos Presas de Prata, mas humanos são confusos, eu viajei poucos dias, mas já vi homem forte se curvar a homem fraco, já vi homem velho obedecer homem novo. Humanos parecem ter uma hierarquia de cabeça pra baixo, gostaria bastante de entender como isso funciona, se eles não respeitam os mais velhos e mais sábios, nem os mais fortes o que os humanos respeitam afinal? – Achava uma dúvida válida o bastante pra ser perguntada, já que o Athro havia sido caridoso de lhe receber em sua toca e lhe doar seu tempo.

    Ele já havia feito perguntas sobre a sociedade dos humanos a Névoa-Obscura, mas ela nunca lhe parecia muito objetiva e por final ela lhe respondia que ele devia observar os humanos pra começar a fazer as perguntas certas, pelo menos dessa vez achava que estava a fazer uma pergunta certa.
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    Mensagem por Alexyus em Sab Jun 13, 2020 12:32 pm

    - Eu entendo que sou homem e lobo ao mesmo tempo que sou garou – dizia isso mas deixava uma risada escapar – me desculpe é que minha voz fica engraçada na pele de humano, me dá vontade de rir toda vez que eu me escuto. – dava mais uma pequena risada, mas já se acostumava e prosseguia. – Eu tenho tentado a dominar a língua dos homens, mas faz pouco tempo, não parece difícil, mas eu preciso de mais tempo. Mas sim, perguntas eu tenho muitas. – pausou pigarreando ajustando sua voz novamente, parecia um adolescente rosnando, as vezes os tons ficavam meio bagunçados. – No mundo dos lobos o melhor e caçador mais forte lidera, no mundo dos garous o mais forte, honrado e sábio lidera, e nem vou entrar no mérito do que eu ouvi falar dos tal dos Presas de Prata, mas humanos são confusos, eu viajei poucos dias, mas já vi homem forte se curvar a homem fraco, já vi homem velho obedecer homem novo. Humanos parecem ter uma hierarquia de cabeça pra baixo, gostaria bastante de entender como isso funciona, se eles não respeitam os mais velhos e mais sábios, nem os mais fortes o que os humanos respeitam afinal?

    John sorriu de forma enigmática e falou vagarosamente:

    - É uma boa pergunta, cliath! Os humanos são muito mais complexos do que os lobos e os garous, e alguns humanos são mais complicados que outros.

    Ele recostou-se na parede e fechou os olhos, pensativo. Um momento depois, ele voltou a falar:

    - Cada espécie humana, cada povo, em cada parte do mundo, cresceu de forma diferente. As lendas contam sobre três tribos irmãs que migravam em direção ao leste, procurando terras abençoadas pela Grande Avó que os acolhesse das ameaças da Wyrm. O Irmão Mais Velho, servo do Uktena, guiou as tribos até a beira do mar, e ali usou uma ponte de gelo para atravessar todos para uma nova terra. O Irmão do Meio, servo da Tartaruga, organizava a travessia, e o Irmão Mais Novo, o melhor guerreiro e servo do Sasquatch, ou Pé-Grande, guardava a retaguarda, pois os servos da Wyrm os perseguiam. Reza a lenda que os lacaios da Corruptora  pegaram uma jovem da tribo do Irmão do Meio que era amada pelo Sasquatch; nesse momento, com a morte dela, o coração do Pé-Grande congelou e ele se tornou o terrível Wendigo, o espírito canibal devorador de corações. Wendigo destruiu a ponte de gelo para que os servos da Wyrm não pudessem atravessar. As novas terras nas quais os Irmãos haviam chegado não eram corrompidas ainda, por isso eles as chamaram de Terras Puras. Nós, o Irmão Mais Velho, nos espalhamos em direção aos Sul, explorando os mistérios das novas terras; O Irmão do Meio continuou ao Leste, até alcançar novas praias do outro lado do continente; O Irmão Mais Novo povoou as terras do Norte. Os territórios dos Irmãos Às vezes se confundiam, e às vezes guerreávamos entre nós, mas depois fazíamos a paz, como acontece nas pequenas famílias. Essa é a história do nosso povo.

    Ele suspirou profundamente e deu de ombros antes de continuar:

    - Mas, como eu disse, os humanos têm muitos povos, muitas línguas diferentes, e evoluíram de formas distintas. Os povos que escreveram a história do mundo vieram de um continente chamado Eurásia. Eles dominaram a agricultura, a prática de plantar  e colher o alimento que quisessem em vez do que a Grande Avó nos dava. Os mais fortes conseguiam cuidar de mais terras e passaram a trocar a comida a mais que eles não iriam comer.  Como a terra era preciosa, alguns quiseram ser donos dela, e criaram o comércio, primeiro trocando a produção da terra entre si, mas depois criaram uma coisa chamada dinheiro. O dinheiro era feito de metais, como ouro, prata, bronze e cobre, cortados em forma de pequenos discos que chamaram de moedas. Quanto mais moedas alguém tinha, mais terras e produtos poderia ter, e os mais ricos se tornaram reis. Os reis comandavam enormes tribos, que viraram reinos, países e nações. Essas nações queriam mais e mais riquezas, e elas vieram para as Terras Puras. Durante séculos, eles caçaram e mataram nosso povo para saquear as "riquezas" das Terras Puras, e com eles trouxeram a mácula da Wyrm.

    Houve um longo momento de silêncio fúnebre enquanto o calor parecia fazer as mágoas evaporarem. John finalmente acrescentou:

    - Aqui nessa reserva indígena, conseguimos usar a ganância do homem branco para nutrir nosso povo, construindo esse cassino. Enquanto fazemos isso, continuamos desenterrando segredos para usar nos objetivos da tribo. Acha isso estranho, Garras-da-Justiça?
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    Mensagem por Ankou em Seg Jun 15, 2020 1:45 am

    Garras olhava fixamente pro Athro lhe explicando as coisas, sua atenção estava totalmente voltada pra ele, e seu comportamento o entregava e ele nem percebia, seu olhar era fixo, seus olhos mal piscavam, ele podia parecer humano, mas estava longe disso, o olhar até poderia ser ofensivo pra algum valentão esquentado, mas aquilo era apenas o lobo dentro de sua natureza.

    Garras conhecia a história do povo, Névoa-Obscura dizia que as tribos haviam vindo do leste de onde ele havia nascido, que a ponte já havia virado mar, assim como o gelo vira água, mas não quis interromper John, preferiu ouvir a versão dele, aos ouvidos dele muito mais gentil que a versão da velha ao norte, chegava a lhe soar romântica, continuou a ouvir ele falar dos humanos e sobre o cassino.

    Era verdade que na condição de lobo lhe faltava a malícia do homem, mas Garras estava longe de ser um lobo qualquer. Ele olhou John e sorriu, em seus olhos era quase palpável uma fúria contida, talvez algo complicado até pra um ragabash experiente compreender e lhe respondeu.

    - Nem um pouco, os humanos gostam de papel fedido e trocam isso por coisas, se estamos no mundo deles, jogamos pelas regras deles. Papel brilhante e papel fedido, eu já vi isso antes, numa toca dos humanos em meio a neve, eles gostavam de brincar com papel colorido e trocavam papel fedido entre eles, um deles ficou nervoso, acho que ele perdeu alguma coisa, provavelmente papel fedido, por que eu vi que muitos humanos carregam e gostam disso. Entendi como funciona, papel fedido, digo, dinheiro, humanos e ganância.

    Garras caminhou um pouco pela sala quente e passou a mão em uma parede de “pedra lisa” ficando de costas pra John – Essa sala, eu achei que fosse sufocar aqui, nunca estive em lugar mais quente, mas a pele de homem se adapta bem aqui. – era apenas uma afirmação curiosa, uma que o ragabash obviamente já sabia e prosseguiu – Eu posso definitivamente ser humano no quente e lobo no frio, as duas peles me pertencem. – Virou-se pro companheiro de sauna – Eu assumo o compromisso de ajudar no que eu puder, conhecer os humanos daqui e me misturar entre eles, eu até diria pra enganarmos eles, mas eu estaria agindo fora da minha função, e acho que o senhor já cumpre a função perfeitamente, e não sendo contra o povo... – não terminou sua sentença, deu de ombros, achou que estaria subtendido e calou-se.

    Voltou e sentou-se no mesmo lugar onde estava antes – E falando em função, se lutar é a minha função dada por gaia, eu vou ajudar a proteger o território ou caçar o que? – perguntava mas se deixando ficar curioso, pegou um pequeno vidrinho que tinha um cheiro que já havia sentido antes – Como humanos consegue colocar cheiro de árvore de casca doce nessa coisa? Ou foi o senhor? Ou um espírito? – coçou a cabeça e ficou segurando o vidrinho de essência enquanto continuou a cheirá-lo, gostava do cheiro lhe lembrava de casa de alguma forma. A verdade é que não importava o quanto de fúria tivesse controlada ou o quão guerreiro fosse, ele ainda era um Uktena, com perguntas sem fim, como todos os outros Uktenas.
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    Mensagem por Alexyus em Dom Jun 21, 2020 3:25 pm

    Chuckchansi parecia alegremente satisfeito com as palavras de Garras-da-Justiça.

    - Você é esperto, meu jovem cliath! Gosto da sua postura! Essa cabana da transpiração é um dos ritos dos antigos povos das Terras Puras. O objetivo é buscar visões de iluminação enquanto expurga seus medos no suor causado pelos vapores. Nem sempre funciona, mas é um ritual agradável. As essências aromáticas foram adicionadas ao ritual em alguma ocasião desconhecida, mas parecem ajudar com o transe.

    John se levantou e ficou atrás de Garras, apontando o centro da câmara incandescente, de onde a maior parte dos vapores emanava das rochas.

    - Olhe fixamente para as nuvens de vapor. Concentre sua mente e tente enxergar alguma coisa.

    Os olhos de Garras nublavam-se com os vapores quentes que lhes enchiam de lágrimas. A princípio, não conseguia ver nada. Até que a visão começou a borrar-se em algo diferente.

    Parecia um pássaro de fogo, batendo as asas flamejantes. Abaixo dele, corriam cinco sombras quadrúpedes, cinco lobos desconhecidos.
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    Mensagem por Ankou em Dom Jun 21, 2020 5:14 pm

    Ainda que verdadeiramente não tivesse modos humanos e ficasse se corrigindo constantemente pra ficar completamente ereto como um deles havia um Q de diplomacia no lupino, era verdade que estava por um lado excitado pra caçar, nem que fosse um maldito fracote, mas a conversa com John lhe agradava, era bom receber a aprovação dele mesmo que tácita, a sensação de pertencimento era boa, era como estar de volta em casa, ainda que fosse numa pele nova e em um lugar quente.

    Ficou com o nariz colado no potinho de essências, nem havia rótulo nele, mas ele conhecia bem o cheiro do que os humanos chamavam de Pinheiro, pra ele era apenas árvore de casca doce. Ouvia atentamente as palavras do companheiro sobre o ritual da transpiração, e era verdade que o cheiro da árvore de casca doce emanava de lá, mas haviam outros cheiros também, talvez aquele potinho de essências só estivesse sido esquecido, haviam outros cheiros no vapor.

    Ele seguiu os conselhos do Ragabash, com uma mão segurou os cabelos extremamente longos, que nunca haviam sequer visto uma tesoura na vida e tão logo enfiou o rosto no vapor, a sensação de calor era ainda maior, o vapor não era sufocante, mas o calor lhe nublava os olhos. Ficou incomodado com a situação, chegou a tremer e ameaçar tirar o rosto de cima da fumaça, mas permaneceu por teimosia e por que não queria desagradar o anfitrião, mesmo que aquela atitude não lhe soasse muito natural.

    Respirou fundo, inalando mais ainda o vapor até que teve uma visão, uma profecia talvez. O fenômeno em conhecimento teórico não lhe era estranho, Névoa-Obscura havia lhe contado sobre eles, mas definitivamente visões entre os Ahroun não eram comuns, pelo menos não quanto eram entre os Theurge e Galliard, e essa era sua primeira visão até então, nunca havia sequer vislumbrado essa experiência e como ela era diferente que parecia até mesmo lhe arrancar ada realidade por um instante.

    Garras não se desesperou, se Gaia havia lhe mandado aquele “recado” é por que ele seria útil em algum momento, um aviso do agora ou do amanhã. Fechou os olhos e tirou o rosto de cima do vapor, ainda de costas pra Persegue-a-Névoa. – Eu vi como se estivesse voando, um pássaro de fogo com asas flamejantes mais quentes do que as fogueiras que fazem no norte, sob ele correm cinco lobos, mas eu só vi as sombras, não conheço os lobos – finalmente seus olhos se abriram e ele se virou pra John, havia um leve sorriso em seu rosto, mas não chegava mostrar os dentes – Não entendi por que Gaia me mandaria essa visão, mas é um recado que talvez seja bom averiguarmos com a corte dos pássaros ou Hélios, mas definitivamente eu reconheço um totem quando eu vejo um. – Não tinha certeza se havia falado besteira ou não, mas até onde seus conhecimentos iam um pássaro de fogo só poderia pertencer a aquelas duas cortes, já que definitivamente aquilo não parecia um elemental e julgava que era um totem.

    Não mais se pronunciou, esperou o veredito do mais velho e mais sábio, era ele quem tinha  tomada de decisões ali, afinal ter uma visão havia sido uma surpresa até pro próprio Garras.
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    Mensagem por Alexyus em Seg Jun 29, 2020 4:06 pm

    Garras escreveu: Eu vi como se estivesse voando, um pássaro de fogo com asas flamejantes mais quentes do que as fogueiras que fazem no norte, sob ele correm cinco lobos, mas eu só vi as sombras, não conheço os lobos – finalmente seus olhos se abriram e ele se virou pra John, havia um leve sorriso em seu rosto, mas não chegava mostrar os dentes – Não entendi por que Gaia me mandaria essa visão, mas é um recado que talvez seja bom averiguarmos com a corte dos pássaros ou Hélios, mas definitivamente eu reconheço um totem quando eu vejo um.

    Jhon escutou sobre a visão de Garras-da-Justiça com um olhar curioso. O hominídeo ainda ficou algum tempo em silêncio ao fim do relato do lupino, até finalmente dizer:

    - É um mistério interessante, Garras... Na próxima assembleia da seita, eu te apresentarei aos outros membros, inclusive alguns theurges que podem ajudá-lo a viajar pela Umbra e falar com os espíritos. Será na próxima Lua Cheia. Até lá, você pode ir investigando por conta própria. Aproveite também para se acostumar com a forma humana, você deverá usá-la sempre que andar pelas áreas do cassino e do hotel. Os Parentes que te trouxeram podem te ajudar nisso, se quiser. Eles estão hospedados no terceiro andar, quartos 380 a 386. Acha que consegue encontrá-los sozinho?

    Os conceitos de hotel, cassino, hospedagem, andares e até números eram novidade para Garras-da-Justiça, mas o ahroun teve a impressão de que John Chuckchansi não apenas sabia disso, mas estava testando o cliath.

    A Lua agora era Nova, então ainda haveria quase quinze dias até a próxima assembleia.
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    Mensagem por Ankou em Seg Jun 29, 2020 5:49 pm

    Garras ficava apreensivo com o silêncio de John, ficava a pensar mil coisas, que talvez estivesse errado, ou que aquilo fora um truque, ele sabia que os Ragabash eram truqueiros e pregavam peças nos demais pra manterem eles espertos, e ele tinha certeza de que John era esperto, a ausência de cicatrizes mais sérias visíveis e um posto tão elevado pra um Ragabash eram o indicativo perfeito de que ele era MUITO sagaz se comparado aos demais garous mais velhos do povo que ele havia encontrado.

    - Talvez eu até lá possa aprender a língua dos espíritos também, eu sindo que deveria já que o mundo dos espíritos também me pertence – Escutava atentamente a restrição de formas no cassino e de fato, apesar dele sentir o cheiro de garou pelo lugar todo, ele não havia visto lobos, se ele continuasse em sua forma natural ele se destacaria e tudo que não queria era chamar atenção, pelo menos ainda não. – Certo, só vestir pele humana. – dizia como se tivesse entendido bem o recado.

    - Eu não sei o que é andar, nem 380 ou 386, mas eu conheço o cheiro deles muito bem, e sem lobo pode deixar. – ele aceitava o desafio sem problemas se é que realmente se tratava disso não tinha plena certeza, mas verdadeiramente eles estava mais intrigado por hora a investigar o cassino.

    Ele tomou de volta suas roupas em mãos e seguiu John até algo que girava, a água gelada ardia no couro depois da sala da transpiração, a sensação era desesperadora e purificadora ao mesmo tempo, mas era engraçado como os humanos fazia a pequena cachoeira do tamanho deles. – Humanos são definitivamente estranhos, fazem cachoeira pequena, estão sempre no cio e tem formas estranhas de hierarquia. – ele falava pra si mesmo, mas não fazia cerimônia de esconder aquilo, na verdade parecia entusiasmado em desbravar aquele mundo novo. Abria e fechava a torneira do chuveirão umas cinco ou seis vezes, e ria com aquilo. – Inteligente. – logo se secava no pano macio e recolocava suas vestes o lado de fora era muito mais frio que a sala propositalmente quente e cheirosa.

    - Em duas luas então... Tudo certo, até lá vou fazer meu melhor pra me adaptar. – dizia seguindo pro lado de fora, se sentia revigorado de alguma maneira depois da viagem longa e cansativa.

    A partir dali ele iria perambular pelo cassino, ele não conseguia se comunicar, mas conseguia observar as pessoas e as luzes bonitas, teve a curiosidade de perguntar a Persegue-a-Névoa se haviam outros garous ali, mas decidiu que seria mais divertido descobrir por ele mesmo, eventualmente ele encontraria o caminho dos parentes, mesmo que fosse necessário apelar pro nariz aguçado que os espíritos haviam lhe ensinado a ter mesmo na pele de humano.
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    Mensagem por Alexyus em Dom Jul 12, 2020 12:35 pm

    No caminho para a grande toca de pedra com cachoeiras e luzes brilhantes, Garras da Justiça ouviu um chamado alto de um filhote humano com sua mãe.

    Ele não entendia as palavras, mas o filhote humano estava muito animado e apontava para a mãe, que usava uma espécie de caixa pequena na frente dos olhos.

    Enquanto olhava para onde o filhote apontava, a caixa na mão da mãe soltou um clarão forte que cegou momentaneamente o lupino.

    Sem saber exatamente o porquê, o filhote pareceu agradecer Garras antes de se afastar pra dentro da grande toca.
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    Mensagem por Ankou em Dom Jul 12, 2020 4:31 pm

    Perambulava pelo cassino, até então sem rumo, ele observava pessoas, algumas delas se vestiam com a mesma roupa, inclusive pessoas com que ele se identificava que eram com certeza do povo, tinham a mesma cr de pele, o mesmo cabelo e eram parecidos com sua forma humana, tanto homens quanto mulheres.

    Parou de frente a cachoeira brilhante e ficou a observar, era algo magnífico pro lobo que nunca tinha visto nada igual, e a forma com que eles conseguiam manipular a luz e a água, o povo humano era muito engenhoso de conseguir construir aquelas coisas, ou realmente tinham um lugar abençoado.

    Perdeu um tempo ali trançando os cabelos ainda úmidos do jeito que Dakota o havia ensinado, só a parte que caia mais na frente do rosto e prendeu parte do cabelo com a presilha com o penacho.

    Ele olhava pra criança e pra fêmea sem entender bem o que eles queriam, ele não deu muita importância a criança de início, ela não lhe parecia qualquer ameaça, mas ele não sabia o que a caixa preta na mão da mulher podia fazer, até que finalmente veio o clarão.

    Piscou os olhos uma dezena de vezes, se concentrou pra ver se aquela coisa não o tinha machucado, não entendeu nada, mas a acriança parecia feliz, ele dá um sorriso e um afago na cabeça da criança, ela parecia gostar do brilho da caixa preta, ele particularmente nem tanto.

    Depois do ocorrido decidiu rodar o perímetro só pra ter certeza de que estava tudo bem, quando finalmente seu coração se aquietou decidiu que era hora de achar seus companheiros de viagem.

    Voltou ao exato lugar onde eles haviam desembarcado da toca que anda, sentia o cheiro deles ainda lá. Agachou-se e se concentrou deixando seu nariz ganhar as propriedades do nariz do lobo, mesmo sem usar sua pele original, era um segredo que os espíritos haviam lhe ensinado, um segredo pra ele nunca esquecer da onde veio, agora só bastava seguir o cheiro e ir ao encontro deles no terceiro andar, nos lugares de nomes estranhos.
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    Mensagem por Alexyus em Seg Ago 03, 2020 8:14 pm

    Garras da Justiça percebeu que a forma hominídea tinha sentidos bem menos aguçados que a sua pele lupina nata. Os cheiros e sons eram bem menos fortes agora.

    Mesmo assim, ele conseguiu achar a trilha dos Parentes e rastreá-los até a pequena toca dentro da toca grande.

    Foi Dakota que abriu a porta aou ouvir a tentativa dele de entrar.

    - Ah, então ele já te liberou? Como foi com John Chuckchansi? Ele foi muito duro com você?

    O quarto dela era uma suíte com duas passagens, e de uma delas saiu Noyeli, olhando para ele com uma expressão acolhedora.
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    Mensagem por Ankou em Qui Ago 06, 2020 8:06 pm

    O nariz humano não servia pra quase nada senão respirar, só o ensinamento dos lobos foi capaz de guiá-lo até o quarto dos parentes. O emaranhado de cheiros era horrível, muitos cheiros humanos, dos animais urbanos, e da fumaças que saia das tocas que andavam sobrecarregavam seus sentidos.

    Sua sorte talvez foi que ele já sabia parte do caminho que eles haviam tomado, e dentro da toca brilhante era mais fácil de discernir o cheiros deles.

    Ele não batia a porta tentava abrir logo incessantemente mas a coisa não cedia, escutou os barulhos por dentro e quem abria a porta era Dakota, não estava especificamente atrás dela, apenas seguia o emaranhado de cheiros dele, mas definitivamente ser recepcionado por ela lhe abria um sorriso quase que instantâneo, e logo a seguir uma cara de espanto.

    Ele olhava pra ela e logo pra Noyeli que aparecia em outra porta, encolhia o pescoço parecia que tava com uma cara de cão perdido, bem daqueles que tinham feito alguma merda e não sabia onde enfiar a cabeça, não era por que havia feito algo errado com John, mas sim por que entendia perfeitamente o que Dakota falava, ele não sabia responder de volta, mas sabia exatamente o que ela dizia.

    Ele ficou olhando pras duas assustado pensando que tipo de bruxaria o Ragabash havia usado nele, se havia sido o ritual que lhe abriu a mente daquele jeito.

    Ele passa pela parente mas toma o braço dela no caminho, não é violento, ainda que houvesse a bruteza natural do lobo, a porta fica pra trás escancarada mesmo, ele a empurra pra cima da cama, é gentil, pelo menos gentil o quanto pode um lobo. Ele fuça nas coisas dela sem nenhum pudor até achar o amontoado de folhas que ele não lembra o nome que eles estavam usando pra lhe ensinar a língua dos humanos, ele aponta incessantemente pro objeto e pra cabeça e ouvidos dele. – E...Eu...Sa...Saa...Ber...! – as palavras vem numa agonia sofrida, mas ele parece feliz, com um olhar inocente estampado na face, o olhar mais inocente que sua face humana era capaz de expressar.
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    Mensagem por Alexyus em Dom Ago 16, 2020 7:15 pm

    Dakota ficou tentando entender o que Garras da Justiça queria dizer, e ficou emocionada e animada quando finalmente compreendeu.

    O resto da tarde foi preenchido com animados exercícios de fala, com a jovem parente tentando ensinar o lupino a pronunciar as palavras humanas com mais naturalidade agora que ele entendia o idioma humano.

    O jantar foi trazido para o quarto, e mesmo depois dele a jovem Parente mostrava-se disposta a continuar ensinando o garou.

    A noite já estava avançada quando Jhon Chuckchansi bateu a porta e entrou em seguida, sem cerimônicas.

    - Garras-da-Justiça? Parece que sua visão não era só sua, afinal... Venha comigo!

    O uktena mais velho conduziu o lupino para as áreas exclusiva do caern, onde uma fêmea em forma humana aguardava por eles.

    A mulher falou em língua garou, apresentando-se:

    - Eu me chamo Megumi Sato, meu nome garou é Testemunha-das-Estrelas. Sou uma theurge de posto 4. Os grandes espíritos de Gaia me disseram para procurar os lobos iluminados pelo Pássaro de Fogo. Acredito que você seja um deles.


    Testemunha-das-Estrelas:
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    Mensagem por Ankou em Seg Ago 17, 2020 8:55 pm

    Parte daquele dia havia sido divertida, aprender a língua dos humanos era engraçado, ainda que sua língua não cooperasse, o Ahram a língua dos lobos usava a garganta quase o tempo todo, o inglês a língua e os lábios e por mais que as sentenças por hora se formassem perfeitamente na cabeça elas nunca saiam como ele desejava que saíssem por limitações verdadeiramente físicas e pela falta de prática. Uma pessoa normal já teria se frustrado com aquela atividade há muito tempo, mas Garras não, era incrivelmente determinado, beirava o inumano, mas a professora tinha seus méritos o ajudando e sendo paciente.

    A batida foi um mero aviso, ele ouve as palavras de John e sorri pra Dakota, lhe dá um afago na cabeça como um humano mais velho faria com uma criança, era uma forma de tranquilizá-la e sem dizer nada seguiu o Ragabash porta afora.

    Quando finalmente entrou nas imediações do caern ele pode sentir a parede com a penumbra se afinar, aquilo era um alívio e tanto, se deixou tomar pelo ímpeto, e logo seus ossos se estalavam e partiam-se se redobrando, tendões se rompiam e se reformavam, não havia dor, pelo menos não estampada em suas feições, a verdade é que havia alívio, era bom estar em quatro patas de novo e de preferência sem quebrar sua promessa com o anfitrião.

    Ele via a garou se apresentar, não disse nada de início, a rodeou não como presa, mas em reconhecimento, cheirou suas partes íntimas onde o cheiro dela era mais forte e lhe lambeu uma das mãos, quando finalmente se mostrou satisfeito sentou-se à frente dela e lhe prestou uma reverência baixando a cabeça. Megumi Sato pra ele era ninguém, mas Testemunha-das-Estrelas era, ele podia ver suas marcas e sentir seu renome.

    - Garras-da-Justiça, Cliath dos Uktena. - Pausou, apenas o bastante pra que ela o reconhecesse -  O Pássaro de Fogo se mostrou pra mim, eu vi lobos correndo sob as asas dele, se eu estava no meio eu não sei, mas se a senhora diz deve ser verdade. – Não teria a pachorra de contrariar alguém experiente como ela, nem seria sábio fazê-lo. – Estou à disposição pra ajudar no que precisar. – Era solícito, mas nitidamente desconfiado como qualquer Uktena saudável seria.
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    Mensagem por Alexyus em Qui Ago 27, 2020 9:59 am

    Megumi explicou:

    - Eu estou reunindo todos os iluminados pelo Pássaro de Fogo num caern recém-aberto nos arredores de Vancouver, bem ao norte daqui. Lá estamos tentando desvendar o que o Pássaro de Fogo quer nos dizer.

    John Chuckchansi disse:

    - Achei que você ficaria conosco mais tempo, Garras, mas se é uma demanda ao que parece, então você deve investigar esse mistério. Claro, você não está sozinho, sempre pode contar com nossa ajuda para o que precisar, afinal, só somos uktenas - a última palavra foi dita com ênfase.

    A Testemunha-das-Estrelas disse:

    - Arrume suas coisas e despeça-se de quem quiser. O ancião permitiu que eu usasse a Ponte da Lua para chegarmos ao novo caern.
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    Mensagem por Ankou em Sab Ago 29, 2020 5:47 pm

    Ela fala aquele nome – Humm... Eu sei que é um lugar de ferro e pedra, eu não estive lá, mas já ouvi o nome. – por algum motivo Vancouver não lhe era estranho.

    Não fez objeções, quando John se despede dele ele retorna a forma humana e estende a mão pra ele, o cumprimento dos humanos onde eles apertam as mãos, não gostava daquilo, achava muito impessoal, sem cheiro, sem toque, sem o gosto, mas achava que era a forma mais respeitosa com ele já que era o jeito que ele certamente estava mais adequado. Garras não fala nada, mas seu olhar transmite respeito e gratidão pelo Ragabash.

    Ele escuta o que Testemunha diz, e meneia em positivo e parte pra dentro do cassino de volta ao quarto de Dakota.

    - Eu... Não ter... Tempo. – ele se aproxima dela a imprensa contra a parede, tava visivelmente excitado, ele nem conhecia o que era pudor – Um dia... – Ele acaricia a barriga dela e aponta pra ele – Minha fêmea... Humana. – agora ele aponta pra ela, ele a beija ou pelo menos tenta emular o que os humanos pareciam gostar de fazer, não satisfeito ele lambe a face dela, o que em qualquer outro contexto pareceria um cara com algum fetiche muito bizarro.

    Ele se descola e sai puxando-a por um dos pulsos, ele bate na porta dos outros parentes, quando finalmente todos parecem estarem no corredor ele diz – Eu... Vancouver agora.

    Ele se despede dos parentes, dos homens ele aperta a mão como ele fez com John e das moças ele passa a mão sobre a face.

    Não demora muito ele está de volta ao Caern, não leva mais que a roupa do corpo,e algumas outras poucas quinquilharias, incluindo um dicionário, as palavras já se formavam na cabeça com facilidade, a pronúncia no entanto era horrível, ainda tinha muito o que aprender e muito o que praticar.

    Não sabia se era um lembrança ou se havia ouvido falar em algum lugar que as tais de ponte da lua eram perigosas, se algum ancião havia dado o aval de uma ser usada pra que a mulher fosse com ele, certamente era motivo da coisa com o pássaro de fogo ser muito séria.
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    Mensagem por Alexyus em Sab Set 05, 2020 4:28 pm

    Garras escreveu:- Eu... Não ter... Tempo. – ele se aproxima dela a imprensa contra a parede, tava visivelmente excitado, ele nem conhecia o que era pudor – Um dia... – Ele acaricia a barriga dela e aponta pra ele – Minha fêmea... Humana. – agora ele aponta pra ela, ele a beija ou pelo menos tenta emular o que os humanos pareciam gostar de fazer, não satisfeito ele lambe a face dela, o que em qualquer outro contexto pareceria um cara com algum fetiche muito bizarro.

    Dakota pareceu constrangida com a atitude de Garras-da-Justiça, mas não opôs resistência. Ela até riu da lambida pós-beijo dele.

    Garras escreveu:Ele se descola e sai puxando-a por um dos pulsos, ele bate na porta dos outros parentes, quando finalmente todos parecem estarem no corredor ele diz – Eu... Vancouver agora.

    Ele se despede dos parentes, dos homens ele aperta a mão como ele fez com John e das moças ele passa a mão sobre a face.

    Dasan e Awan apertaram a mão do lupino, olhando-o nos olhos com firmeza. Delsin e Noyeli o envolveram nos braços, talvez no que se chamasse de abraço se o ahroun conhecesse o gesto.

    O dicionário poderia ser útil... se o lupino aprendesse a ler. Os símbolos humanos não eram nada parecidos com os glifos garous que ele entendia instintivamente.

    Chuckchansi levou Megumi e Garras ao caern e fez o ritual para abrir a Ponte da Lua, e o lupino e a portadora da luz sumiram do caern uktena.

    Garras se viu caminhando sobre uma trilha prateada que parecia cruzar os céus noturnos e estrelados da Umbra. Fora da trilha, parecia haver um breu pontilhado de astros, mas olhando com atenção ele conseguia ver o relevo da Penumbra de lugares desconhecidos.

    - Preste atenção na Ponte da Lua, Garras-da-Justiça. É muito fácil perder a trilha, e isso o faria cair em qualquer lugar dos mundos espirituais. Seria muito mais difícil achá-lo se isso acontecesse.

    Era uma viagem com escalas.

    A primeira parada deles foi num lugar que Megumi disse se chamar Los Angeles. O ar cheirava a mar, mas era muito mais quente que os ventos oceânicos e gélidos que ele conhecera na tundra do norte. Os garous ali eram humanos brancos em sua maioria, e tinham os enfeites mais estranhos que o lupino já vira.

    Quando seguiram viagem, Garras-da-Justiça e Testemunha-das-Estrelas surgiram num caern localizado numa montanha rodeada de florestas coníferas, e Megumi lhe explicou que a cidade que eles avistavam à distância junto ao mar era Vancouver. Garras não pudera circular muito em Los Angeles, então Vancouver era a maior cidade que ele via, ainda mais assim de longe. Aquela era a penúltima etapa da viagem; na noite seguinte, Megumi o levou pela Ponte da Lua diretamente ao Caern do Pássaro de Fogo.


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