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    Névoa sobre a água - Caleb

    Alexyus
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    Névoa sobre a água - Caleb Empty Névoa sobre a água - Caleb

    Mensagem por Alexyus Sex Jan 07, 2022 6:37 pm

    A vida de Caleb se dividia entre a Ilha de Vancouver e a cidade de Vancouver. Muitos se confundem achando que a cidade fica na ilha, mas estão errados. Há 55 quilômetros de água entre elas, o Estreito de Geórgia. Isso se você contar a partir de Nanaimo, a cidade mais a leste daa ilha, e não a capital Victoria, que fica do outro lado da ilha. Caleb tinha nascido em algum lugar entre essas duas cidades, numa zona selvagem e erma, onde a natureza da ilha ainda mantinha sua forma original quase totalmente.

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    Nascer um impuro naquela seita de Fúrias Negras radicais foi desastroso. A seita tinha sido formada há quase dois séculos por Fúrias Negras militantes vindas do Reino Unido, da Espanha e da Rússia. Essa mistura de origens serviu apenas para uni-las em sua busca intransigente pela proteção e valorização das mulheres humanas e fêmeas lupinas. Para elas, sua mãe cometera um dos piores pecados contra Gaia, cruzar com um macho garou e gerar um impuro, ele.

    Após o justiçamento contra sua mãe, Caleb cresceu cuidado pelas Fúrias e seus Parentes mais confiáveis, absorvendo desde cedo a cultura da tribo. Ele ouviu até a exaustão histórias sobre grandes guerreiras, movimentos sufragistas, feminismo histórico e coisas assim, mas obviamente aquilo não se aplicava a ele, já que era um macho impuro.

    Quando teve idade para manter a forma hominídea, ele atravessou o estreito em direção a Vancouver, a cidade. Lá havia uma seita multitribal comandada pelos Presas de Prata e contava com algumas Fúrias Negras, que pareciam menos radicais do que as que o tinham criado, mas Caleb não quis ficar muito dependente delas e escolheu por se estabelecer na sociedade humana. Com algumas ajudas ocasionais, conseguiu documentação, diploma, contatos e chegou mesmo a conhecer alguns garous impuros como ele. Um deles, Pata Molhada, legou-lhe seu fetiche antes de executar o ritual do Lobo do Inverno, mais uma das coisas que Caleb conhecia mas tinha dificuldade de entender.

    Névoa sobre a água - Caleb 600px-Vancouver_aerial_view

    Mas ele não perdera seu senso de justiça. Agora ele era um detetive da Real Polícia Montada do Canadá. Não tinha um tostão furado, mas isso ainda viria com o tempo. O principal era atuar na cidade que ele viera a chamar de lar. Nesse trabalho, ele chegou a conhecer pessoas interessantes, como seu parceiro Serge Cross ou sua alma gêmea igualmente perdida Adrian Corvo. Como um Fúria Negra rebelde, Caleb conseguia até mesmo tratar com um gângster como John Johnny James que explorava o corpo de mulheres vulneráveis na prostituição e os vícios de dependentes químicos, ou iludir os sentimentos de uma mulher mais velha e solitária numa posição importante como Carlie Marry. Condutas que sua tribo reprovaria, mas felizmente Caleb não se importava com isso.

    Ele estava tomando uma cerveja com Serge quando seu celular tocou.

    Era uma ligação da Corvo.
    Spoiler:
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    - Caleb, tenho que falar com você urgentemente. É sobre sua mãe. 
    Zireael
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    Névoa sobre a água - Caleb Empty Re: Névoa sobre a água - Caleb

    Mensagem por Zireael Sex Jan 07, 2022 11:46 pm

    Viver era um jogo difícil para Caleb, mas como ele conhecia bem as regras, ele sabia como e quando podia quebra-las. A infância, cercada de obstáculos e recheada de escárnios e a constatação plena de que não era bem-vindo, tinha também seus encantos: viver em uma área selvagem trouxe ao jovem a oportunidade de desenvolver a imaginação e viver em liberdade. Acreditava que poucos tinham esse privilégio nos tempos atuais.

    O caldeirão em que vivia estava sempre prestas a estourar, mas Caleb aprendera a dançar entre as linhas tênues que separavam o que era aceito e não aceito entre as Fúrias Negras e, apesar de saber que muitas das histórias e leis que a Tribo pregava não se aplicava a ele, o impuro tinha a sabedoria de aprender com elas. E era claro que o menino tinha seus motivos para sentir a raiva e rancor que sentia de sua tribo e, por ironia do destino, decidira que jamais iria destratar alguém por conta de seu sexo ou quaisquer outras circunstâncias, como era destratado pelas Fúrias.

    Por fim, sua vida deu uma melhorada quando conseguiu sair de lá para a outra alcateia, onde teve a oportunidade de conviver com outras Fúrias e outras tribos, como Presas de Prata. Lá, aprendeu mais sobre como a sociedade garou se comportava e tinha um sentimento maior de pertencimento, apesar de nunca ter sido completo. Os impuros pareciam ser menos destratados e até mesmo conseguiam fazer algumas amizades. Pata Molhada e Caleb eram um exemplo. O garou impuro mais velho pareceu adotar o jovem recém-chegado. Foi ele que o ensinou a atirar com um arco e lhe deu o fetiche. Caleb ainda se lembrava do amigo e até hoje, quando lembra de sua morte, Caleb perde o sorriso. Participara do ritual, mas não conseguiu estar lá totalmente. Ouvia os tambores e uivos, mas tentava não prestar muita atenção. A partida de seu amigo fora dolorosa demais por si só.

    Não entendia porque Pata Molhada decidira fazer aquilo e imaginava se um dia entenderia.

    De qualquer forma, lá também não era seu lugar e Caleb decidiu ir para a cidade. Por incrível que pareça, lá sentiu-se bem. Gostava dos barulhos das máquinas e das conversas das pessoas. Gostava dos gostos e até mesmo de alguns cheiros – embora algumas vezes, por mais que detestasse fumar, o fazia para disfarçar outros cheiros que o incomodavam.

    Decidira ficar lá por um tempo e acabou conseguindo a papelada necessária para a vida entre os humanos e agora faria dinheiro. Era questão de fazer as coisas andarem.

    E por fim, conhecera seus amigos que pareciam ter um pouco mais de paciência e simpatia por ele. Sua sabedoria o fizera enxergar que John às vezes era necessário, por mais que algumas horas ele quisesse murrar a cara do sujeito. Sabia que Carlie gostava da atenção que ele dava e ela ajudava como podia. Ambos sabiam que não seria mais do que aquilo, embora Carlie talvez quisesse institir um pouco mais. Era moeda de troca e a vida seguia. John e Carlie eram pequenas relações que talvez as Fúrias jamais entendessem ou aprovassem, o que fazia aquilo tudo melhor.

    Mas claro, tinha seu senso de justiça, o que o fez entrar na Polícia. E esse senso o impelia a tentar ajudar os menos favorecidos e a saber seu papel e privilégios naquela sociedade.

    Por fim, era coisa demais que ele aprendera e se lembrava enquanto tomava uma cerveja com Serge. Caleb já estava em seu terceiro copo e contando alguma história engraçada de como um viciado tinha colocado saquinhos de droga em bagels quando seu celular tocou. Ele procurou o bendito aparelho dentro de seu bolso e olhou a tela para ver quem ligava. Serge pôde ver o sorriso se abrir quando ele viu o nome de Corvo.
    Ele prontamente atendeu:

    - Corvo! – Serge dizia que até sua voz mudava quando falava com ela. Dizem que machos humanos deixam a voz mais grossa ao falar com a fêmea que os interessa. Vai ver era verdade.

    Ele estreitou os olhos quando a jovem falou de sua mãe.

    - Olha, por mais que eu esteja feliz que você tenha ligado, acho que se confundiu. Minha mãe tá morta. Morta desde que eu nasci. E não tem nada de interessante ou legal nessa história. Tem certeza que eu sou o Caleb certo?

    Bebeu mais um gole.

    - Mas posso te encontrar e você me diz o que é, mesmo que seja de outro Caleb. Fiquei curioso agora.

    "E sempre é bom ver você." Pensou e sentiu-se um idiota por isso. Olhou Serge de relance, se perguntando se o velho o achava um bobo por se comportar assim.

    - Onde te encontro?

      Data/hora atual: Dom Jan 23, 2022 9:06 pm