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    Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Leomar
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Leomar em Sab Nov 02, 2019 9:20 am

    Como combinado, todos se reúnem bem cedo. O tempo está frio e escuro, e cai uma garoa chata, cobrindo parte de Ânima, o clima nunca era perfeito em Dafodil. Niréia diz que a concentração de maga branca no ambiente não é perfeita por causa desta garoa atrapalhando Ânima, mas precisam começar assim mesmo, pois provavelmente seria o melhor de condições favoráveis que conseguiriam em Dafodil. Se esperassem vai 24 horas havia uma pequena chance de melhorar e uma grande chance de piorar.

    Vocês preparam os materiais sobre a bancada de trabalho de Tirel, a primeira parte seria com Niréia, depois que o minério estivesse infundido com magia, os ferreiros podiam fazer sua arte. Ka já deixa à mão também uma bacia com água carboada (cheia de sais básicos fortes, que anulam efeito dos ácidos, pois não dá para limpar ácido com água pura, que os tornariam só mais reativos).

    - Não podemos descuidar da segurança. - Comenta Ka. - Já vi ferreiros perderem a mão e a vida por serem estúpidos.

    - Meu pai tinha perdido um dedo, e não era estúpido! - Diz Tirel, Ka acha melhor não rebater.

    Ka trouxera máscaras para cobrir os narizes e bocas, Niréia pega uma, mas diz que não dá para usar as luvas de couro, pois atrapalharia a magia.

    - Mas a senhorita consegue fazer magia usando uma luva de metal!

    - Consigo pois ela já possui minha energia infundida por muitos anos. Além disto, minha manopla é uma arma, não uma proteção.

    - E como protegemos você do efeito dos ácidos? E da linamarina, isto é um dos venenos mais perigosos do mundo, se ingerido mata em menos de um minuto!

    - Se eu fizer certo, um dos efeitos da purificação dranaidista é proteger o alquimista com a resistência mágica. Além disto, você fica me vigiando, para que eu não me sinta tentada a comer esta linamarina. - Ela diz com um pouco de humor.

    - A resistência mágica pode proteger de ácido??!

    - Sim, ácido, fogo, frio... Depende de como é usada. O difícil será controlar a resistência e a canalização ao mesmo tempo, pois preciso diminuir uma para aumentar a outra, mas esta é a verdadeira arte dos magos.

    Ka sabia que a resistência mágica podia proteger de outras mágicas, mas agora tinha uma informação nova.

    Niréia começa fazendo um círculo de linamarina na bancada, aquilo seria suficiente para matar umas quinze pessoas (a linamarina serve para galvanizar metal, mas é tão letal que é proibido andar com ela por ai ou comerciar com quem não é ferreiro), em seguida coloca as rochas de minério em cima, segurando-as por logo tempo enquanto medita. Estava tão concentrada que parecia rezando sobre as rochas.

    Hélius Flava começa nascer e Niréia ainda estava na mesma posição, nenhuma mudança dava para ser vista, mas depois de mais de uma hora (talvez até mais de duas, Ka não tinha marcado) ela comenta que acredita que o metal tenha cedido um pouco.

    Niréia "pincela" um pouco de ácido por cima do minério, começa um pouco do fervor frio típico de reações com ácido. Este fervor frio liberaria menos vapores que o processo de fusão (Ka pensa que deveria ter pensado nisto antes daquela outra vez) mas ainda não era seguro. Niréia movimenta as mãos sobre o minério, espalhando de quando em quando mais ácido e cantando as gemas:

    - Teka, 'rensi, teka, 'rensi, nie, teka, teka, nie, 'rensi, nnni nnniiee, 'rensi, kitkut, nie, kita, teka...

    O efeito do fervor frio diminui, quando o minério estava já bem molhado com ácido, vocês começam ver a "casca" do minério se dissolver aos poucos, era como o esperado por uma reação ácida, mas sem liberação de vapores.

    - Podem quebrar um pouco.

    Ka põe a marreta para funcionar, quebrando as rochas em pedaços menores. Niréia repete o processo. Uma crosta de sal amarelado se mistura com a linamarina e o ácido na parte de baixo da bancada, enquanto o metal começa aparecer mais puro nos pedaços de rocha.

    Até então Niréia usava apenas as pontas dos dedos para mexer no ácido, mas então ela precisa colocar os pedaços de minério semi-purificados num béquer cheio de ácido; Ela ainda "reza" em cima do béquer e fica misturando tudo com os dedos. Ka fica observando, o ácido poderia demorar uns cinco ou seis minutos antes de começar comer a pele dela, os sais básicos estavam a postos se algo desse errado.

    Mas felizmente a purificação estava dando certo, Ka observa a pele de Niréia ficar vermelha, o que não deixava de ser preocupante, mas já tinha passado muito do tempo em que o ácido causaria danos graves, e até agora ela parecia bem.

    Segurando as pedras, agora já encharcadas, um caldo com impurezas vai escorrendo e se depositando na bancada. O metal na mão de Niréia parece até flexível, como se estivesse a ponto de fundir, mas frio. Ela vai apertando até virar um único bolo. Por sorte o metal parecia bem mais puro do que vocês pensavam antes. Ka percebe que Niréia começa coçar as mãos.

    - É melhor mergulha-las na água carboada.

    - O metal já está purificado, mas pra terminar toda a purificação dranaidista, preciso separar o resto das impurezas.

    - Melhor não se arriscar, podemos jogar o resto fora.

    - Ainda farão mal aos outros desta forma.

    Niréia aceita limpar as mãos na água carboada, mas insiste em terminar o processo. Uma gosma meio amarelada, meio vermelha, meio liquida, estava na bancada. Niréia coloca mais duas porções de ácido puro na bancada, uma em cada extremidade do círculo feito com a linamarina, e coloca uma mão sobre cada uma delas, aos poucos a mistura no meio vai se desfazendo, uma porção de pó amarelado (algum sal sulfuroso provindo das impurezas) vai caminhando através da solução ácida até a mãos esquerda de Niréia, enquanto uma solução esbranquiçada (Ka imagina que deve ser o resto da linamarina) migra para a mão direita, algumas pequenas pedras (fragmentos de rocha ou sub-minérios) ficam no meio, onde antes estava o círculo. As mãos de Niréia começam coçar novamente.

    - Desculpe, não consigo separar mais do que isto.

    - Está ótimo! - Ka ajuda a maga limpar bem as mãos, fazendo questão até de escovar suas unhas, enquanto Tirel separa as duas soluções ácidas e o resto de sub-minério que ficou na bancada. Se Ka fosse querer a linamarina de volta, teria de separar a solução ácida depois, mas isto ele poderia fazer, bem como poderiam dar um jeito de recuperar o sal sulfuroso também, embora isto não parecesse muito útil por enquanto, a menos que ele quisesse testar algumas formas de envenenamento.

    - Nem sei como podemos agradecê-la! - Comenta Tirel.

    Depois de lavar as mãos de Niréia, Ka também as polvilha com sal boro-carbonoso, para garantir, a pele dela estava bem avermelhada.

    - Eu não recusaria se quiserem me pagar uma dose de licor. Ou duas...

    Como não cresciam frutas na terra de Dafodil, licor era o tipo de bebida mais cara dali, mas duas doses não deveria ser tão caro, já que ela não especificou de qual fruta queria o licor.

    No fim das contas, a purificação dranaidista ainda era mais lenta que forçar fusão numa câmara fechada, o aproveitamento das impurezas restantes não parecia tão interessante, se haveria diferença no produto final, só depois da espada pronta vocês veriam.

    Tirel fica animada ao ver o mental purificado:

    - Parece que a amostra não estava tão ruim como imaginamos. Queria só que este verde fosse mais verde, mas já imaginei mesmo que teria de usar algum corante. Creio que poderei fazer o resto dos experimentos hoje mesmo.
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    Mensagem por Christiano Keller em Sab Nov 02, 2019 6:43 pm

    Ka,

           Novas informações sobre a resistência das magias vão para as anotações de Ka, precisava lembrar de tudo que fosse relevante.
    Niréia escreveu:- Eu não recusaria se quiserem me pagar uma dose de licor. Ou duas...
           - Sim mestra, vamos providenciar um pouco de licor. Ka olha para Tirel e confirma que tudo parece muito bem.

    Tirel escreveu:- Parece que a amostra não estava tão ruim como imaginamos. Queria só que este verde fosse mais verde, mas já imaginei mesmo que teria de usar algum corante. Creio que poderei fazer o resto dos experimentos hoje mesmo.
           - Tirel, vamos levar a mestra para tomar um pouco de licor, ai a gente almoça e depois retorna para terminar os experimentos? Talvez não dê para terminar a espada hoje, mas quem sabe, não é? Após algum trabalho a esperança de Ka era fazer uma pausa, se livrar de Niréia e terminar a espada com Tirel.

           Ka então comenta sobre um local que vende bebidas que conhecia. A poucos meses havia feito um pedaço novo para o balcão do bar e o dono, Sr. Zul era um velho simpático. O local era bom e o pedaço que Ka trocou estava um pouco enferrujado pois o velho passava um pano limpo a cada hora no balcão. O excesso de limpeza do velho deixava o local com umidade que causa a ferrugem.
           As bebidas eram variadas e o preço não era tão caro. A clientela do Sr. Zul também não era ruim, mas não era como os licores de Lua. A bancada de madeira tem um reforço de metal na lateral que a torna brilhante num ar sofisticado. Os bancos também tem o mesmo tipo de borda metálica com um veludo vermelho de acabamento. Não há música no local e há poucos fumantes já que o foco do Zul é vender bebidas. Por um lado fazer comidas poderia ser trabalhoso, mas servir bebidas variadas parecia fácil.
           Para almoçar Tirel e Ka terão que ir comer em outro lugar.
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    Mensagem por Leomar em Sab Nov 16, 2019 10:15 pm

    - Tirel, vamos levar a mestra para tomar um pouco de licor, ai a gente almoça e depois retorna para terminar os experimentos? Talvez não dê para terminar a espada hoje, mas quem sabe, não é?

    - Você sabe que concertar uma espada é mais difícil que fazer outra, não sabe?

    Terminar a espada em um dia seria mesmo impossível, Ka às vezes dava umas ratas cabulosas que só percebia depois.

    Enquanto bebiam, Tirel analisa o metal.

    - Parece levemente mais frio e mais leve. Será que conseguiríamos o mesmo resultado com uma fusão em câmara fechadas? A amostra parecia muito contaminada.

    - Talvez a mesma pureza, se a câmara fosse boa. - Niréia responde, depois boceja. - Mas não conseguiriam aproveitar os sub-minérios da amostra.

    - Estas impurezas não parecem muito importantes, os sais resultantes parecem sulfurosos. - Comenta Ka. - Provavelmente são os responsáveis pelo minério ser venenoso em estado bruto, e devem servir só para venefício.

    - Ai já não faço ideia! Isto é área de vocês.

    - Se o minério é tão caro, talvez valha a pena estudar os restos depois. Talvez, se tivéssemos usado o processo de câmara, seria mais fácil e rápido. Mas ainda não compreendo os nuances da alquimia...

    Ka pensa nisto, usando seus conhecimentos de trabalhos manuais e comenta:

    - Talvez seja por isto que a amostra parece mais leve, e também fria ao toque? Quase não dá para perceber, é algo bem sutil, mas posso sentir!

    - Sim, uma parte bem pequena de magia deve ter ficado no metal. Não é bem um encanto, pois precisaria de muito mais tempo para encantar metal, e nem sei se este liônio responderia melhor ou pior que outros. Além disto, é bem provável que o pouco da magia termine se desfazendo quando manipularem ele. O uso de magia residual pode ser um efeito desejado por quem criou esta técnica. Mas em termos de alquimia sei quase tanto quanto vocês.

    Niréia já se sentia cansada, certamente pela energia gasta no ritual, e depois de duas doses de licor mal mantinha os olhos abertos. Ela se dirige ao templo, para descansar ou esperar o irmão buscá-la.

    Ka e Tirel vão então para a tenda de trabalho dela. Ela já tinha pré-selecionado alguns sais corantes que pareciam mais promissores e derrete uma pequena parte do liônio com um deles.

    - Então, parece bem perto do tom esmeralda, não é?

    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 19944_ppl

    De fato o tom obtido parecia muito próximo da lâmina quebrada, se conseguisse a amalgama perfeita, Tirel poderia fazer com que ninguém percebesse a pequena diferença nos tratamentos de finalização.

    Enquanto trabalha, Tirel conta que pegou este trabalho com Kapitulina por um engano dela.

    - Eu tinha feito panfletos em que digo que faço lâminas esmeradas e ela tinha lido lâminas esmeraLdas. Eu não sabia nada sobre estas lâminas esmeraldas, mas pelo menos o efeito parece muito bonito mesmo. Se eu conseguir reproduzir com perfeição, posso começar fazer minha própria linha de lâminas esmeralda. Só espero que elas não precisem ser de fato todas feitas com este liônio... Ou que os futuros compradores não saibam a diferença, hehe.

    Depois de algumas divagações, ela comenta:

    - Apesar de tudo, tenho medo desta demônio. Eu nem percebi a primeira vez que ela entrou na minha tenda, mas isto é o de menos, ela parece muito perigosa...!

    Embora inicialmente Ka não tivesse interesse em analisar os sub-produtos da purificação dranaidista (talvez seu interesse seja apenas separar a linamarina da solução depois, pois ela não é a coisa mais fácil de se encontrar para se desfazer assim), mas as observações que Tirel fizera sobre alquimia lhe deixara com aquela pequena pulga atrás da orelha, e ele resolve analisar o sub-minério nem que se fosse só por desencargo de consciência.

    rola alquimia:
    Nível 1 significa mod+0, e alquimia é QI, então seu alvo é 11, rola aí, se sair 11 ou mais verá uma formação rochosa desconhecida, e o sal na outra amostra parece um sulfito genérico, porém sem maiores ferramentas, os dois continuam parecendo inúteis para você.

    Tirel resolve trabalhar uma amostra maior, se tudo desse certo, já podia começar as "emendas" das espada dali mesmo. Ka observa ela usando os dedais em forma de garra enquanto trabalha, era bem minuciosa, e a forma dela lembrava a de Lester trabalhar. Ka pensa que, assim como o amigo, ela provavelmente seria melhor finalizando um trabalho do que pegando a parte de malhar e moldar que são o trabalho realmente duro.

    Mas observa também de o metal parecia um pouco mais macio do que a amostra que usara quando ele estava fazendo a armadura. Talvez fosse só a forma de Tirel trabalhar que dava esta impressão, mas ele acredita que não deve ser só isto (a menos que ela fosse uma artífice muito superior a ele); Poderia ser que ou a amostra dela tivesse sido melhor purificada, ou poderia ser um efeito secundário da magia, de qualquer forma a ajuda de Niréia pode ter sido mais importante do que pareceu a primeira vista.

    Apesar das vantagens, o processo ainda era irritantemente lento, e Tirel parecia trabalhar de forma ainda mais lenta (outra coisa que ela assemelhava com Lester).

    obs: neste ponto pode usar trabalhos manuais:
    Nível 3 significa mod+2 com mais destreza o alvo fica 13, então se sair 14 ou mais, Tirel não vai querer sua ajuda, seja por orgulho ou porque não quer mostrar todas suas práticas de trabalho, um tanto das duas coisas.

    Durante o processo de adesão do sal ao metal (fusão, solidificação, fusão, mistura, solidifica novamente e se não deu ponto repete) um homem aparece na frente da tenda, ele ia de pessoa em pessoa pedindo doações:

    - Em quatro dias será a Noite Mais Escura, este é um dia que a deusa Anĝelina nos pede para lembrar das pessoas mais necessitadas. Peço doações, principalmente para arrumar cobertores para os mais pobres!

    Ka já tinha ouvido sobre esta "Noite Mais Escura", ela acontecia no mês de Serpentário ou no mês de Borboleta, e dependia das luas. Ele não tinha certeza, mas parece que era quando as duas entravam em novo ao mesmo tempo. Não era uma data festiva, por isto nunca prestou muita atenção, mas de uma forma ou outra, parecia uma data observada por adeptos de Anĝelina, Jara e Piro, de forma diferente, e bem mais por adeptos de Anĝelina que dos outros. Sendo assim este noite era mais lembrada na parte sul da cidade, o resto lembrava só devido a pedintes eventuais, como este.

    O homem falava "dos mais pobres", mas ele mesmo parecia um deles: magro, barba de mais de uma semana, tinha aparência do típico pescador ou criador de porcos do cidade, as vestes eram de algodão simples, mas estavam limpas (o que em Dafodil já mostra um grau de asseio acima da média). Puxava um carrinho de rústico de duas rodas, dentro deste carrinho dava para se ver três cobertores e algumas cestas de palha provavelmente com alguma comida dentro.
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    Mensagem por Christiano Keller em Ter Nov 19, 2019 12:22 am

    Ka,

           As sobras dos serviços com o liônio precisavam ser processadas, a Linamarina era cara, o resto com o enxofre dava um bom veneno para resolver alguma coisa e o metal que sobrou poderia ser um anel que daria um ou dois kons.
           De qualquer forma havia muito serviço, muitas coisas para fazer de formas diferentes.

    Tirel escreveu:- Então, parece bem perto do tom esmeralda, não é?
           - É o tom verde parece bom. Sei que dá trabalho, mas vamos conseguir fazer isso. Ka estava confiante de que os dois conseguirão fazer isso.

    Tirel escreveu:- Apesar de tudo, tenho medo desta demônio. Eu nem percebi a primeira vez que ela entrou na minha tenda, mas isto é o de menos, ela parece muito perigosa...!
           - Kapitulina é uma pessoa como outra qualquer, ela é forte e boa no que faz. Não devemos nos preocupar com ela neste aspecto. No entanto vejo a situação mais como pessoas e formigas. Ela é tão forte como uma pessoa e nós somos formigas. Podemos fazer nossas tarefas e nem seremos relevantes para ela, mas se estivermos no caminho ela pode nos esmagar sem nem perceber. Medo e preocupação são coisas diferentes de ficar atento e sair do caminho.

           Pouco mais tarde aparece um pedinte.
    Pedinte escreveu:- Em quatro dias será a Noite Mais Escura, este é um dia que a deusa Anĝelina nos pede para lembrar das pessoas mais necessitadas. Peço doações, principalmente para arrumar cobertores para os mais pobres!
           - Aqui. Não tenho cobertores, mas isso pode ajudar. Ka entrega o valor equivalente ao de uma das armas pegas na briga que vendeu. Pode falar algo sobre essa data pra mim? Desejo saber mais informações sobre ela. Ka estava curioso sobre a noite mais escura, talvez fosse um prazo mistico para entregar a espada e embarcar no navio rumo ao futuro.
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    Mensagem por Leomar em Dom Nov 24, 2019 9:15 am

    Ka escreveu:- É o tom verde parece bom. Sei que dá trabalho, mas vamos conseguir fazer isso. Ka estava confiante de que os dois conseguirão fazer isso.

    Ka sutilmente propõe trabalhar na alma (parte interna da espada, levemente mais rígida) que é o trabalho mais pesado e deixar os detalhes para Tirel. É a mesma tática que usa com Lester, pois não queria que aquilo demorasse mais do que o necessário.

    Enquanto Ka prepara um lingote, Tirel se "diverte" na coloração do metal. Enquanto ele era derretido e resfriado e ia misturando com o sal, a cor da mistura vai ficando de um verde mais vivo. Realmente era bonito de se ver, mesmo se não servisse para mais nada além de estética, era um trabalho interessante, e com alguém bom de lábia poderia render várias fontes diferentes de lucro.

    O perigo de se trabalhar em conjunto era dividir segredos, caso Tirel fosse mesmo começar um trabalho de lâminas esmeraldas, Ka agora poderia ser um potencial concorrente.

    O Sussurro Esmeralda tinha quebrado em duas partes, o lingote de Ka iria na parte inferior, como um osso quebrado, a parte remendada ficaria mais dura que a original. Isto alteraria levemente a rigidez da lâmina, mas mesmo que Kapitu sentisse a diferença, seria muito pequena.

    Na hora de fazer o corpo da espada, o metal se adapta bem, o mode fica levemente mais macio do que da última vez, algo quase imperceptível, mas Ka ainda consegue perceber. Quando esfria, porém, o metal volta à rigidez anterior. Talvez seja caraterística do material (pois antes Ka trabalhou em forma de liga) mas ele pensa em uma teoria: um restinho da magia de Niréia ainda tinha ficado na hora de moldar, tornando o trabalho um pouquinho mais fácil, e se desprendeu totalmente do metal durante o resfriamento, fazendo o metal voltar a ser só metal sem magia. Era só uma teoria, mas era possível.

    - Kapitulina é uma pessoa como outra qualquer, ela é forte e boa no que faz. Não devemos nos preocupar com ela neste aspecto. No entanto vejo a situação mais como pessoas e formigas. Ela é tão forte como uma pessoa e nós somos formigas. Podemos fazer nossas tarefas e nem seremos relevantes para ela, mas se estivermos no caminho ela pode nos esmagar sem nem perceber.

    - Então é só pensar como uma formiga? Uau! Agora você me animou muito! - suspira - Pelo menos você e meu irmão podem ser úteis a ela por mais tempo. - suspira - Eu não queria ser uma formiga pra sempre. - A adaga na cintura dela começa brilhar, num tom avermelhado. - Ohh! Alguém concorda comigo! Você vai me ajudar quando eu precisar? Mas podia me ensinar a te fazer mais do que brilhar...

    O pedinte aparece, aceitas as moedas e agradece, então começa explicar:

    - Na primavera, nossas estrelas se põe na mesma direção

    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 400?cb=20110917102355&path-prefix=pt-br

    e dois em cada três anos, as luas ficam em dupla-nova, sendo literalmente a Noite Mais Escura.


    Até ai nada de muita novidade, era o que Ka imaginava. A data não era fixa pois dependia das luas, e não era todos os anos que ocorria.

    - Nesta noite, além da falta de luz natural, a Prana* também está mais baixa, sendo um dia péssimo para magos. De uma forma ou de outra, todos nós... (pausa pensativa) que não somos seres das trevas*, passamos mais dificuldades nesta Noite Mais Escura.

    *Seres das trevas é um eufemismo para demônios. É sempre complicado falar de demônios numa cidade dominada por eles, ainda que boa parte deles seja controlada por outros demônios seguidores de Piro que impedem qualquer um de tocar o terror sem regras. Mesmo uma conversa informal entre humanos poderia ser perigosa, afinal Ka ou Tirel poderiam ter opiniões pró-demônios, ser caguetes ou até amantes de algum e não teria como o outro saber.

    *Prana de forma geral é toda energia mágica. Seria o mesmo que ele dizer que a magia de todos os elementos fica mais difícil nesta noite. Existem algumas diferenças técnicas entre mana e Prana.

    Ka não interrompe, e o pedinte continua explicando, de bom grado já que era algo que fazia de boa-fé:

    - Anĝelina, que seu nome seja sempre bendito, orienta-nos a lembrar desta noite com generosidade dobrada. Diz para os afortunados repartirem o que sobra com quem não tem nada. E mesmo quem não é afortunado, lembrar de quem tem ainda menos. (pausa emotiva) Aqui em Dafodil, a primavera é tão fria quanto o inverno, e a Noite Mais Escura é também uma das mais frias. E inseguras, pois que os seres das trevas ampliam suas vantagens. Anĝelina nos pede para ajudar qualquer pessoa suportar este período. Doamos qualquer roupa que pudermos, e quem tem mais condições doa até alimentos. "Todo gesto de gentileza sincero gera outro gesto de gentileza".

    - Mas tudo termina no dia seguinte? - Ka fica interessado no assunto.

    - A dupla-nova costuma durar só uma noite, às vezes duas. Quando dura três é uma tristeza! Porém as luas não restauram o que os magos chamam de "Vazoun" imediatamente. Alguns dias antes e até uma semana depois, as manas não estão favoráveis aos magos. Portanto somos instruídos a vigiar o máximo que pudermos.

    - Mas esta Noite Mais Escura é lembrada só por adeptos de Anĝelina? Você saberia me dizer se ela também é sagrada para a Igreja Cisne Branco? - Ka não deixaria esta informação passar batida.

    - Anĝelina, que seu nome seja sempre bendito, nos convoca pensar nos outros. Jara é mais individualista, mas também adverte quanto à Noite Mais Escura. Porém Jara, ao invés de enfatizar a doação física, adverte que é um período para pensar no perdão e apoio de forma... como eu diria?... Genérica? Jara diz que qualquer injustiça que cometermos neste período, ela julgará em dobro. Qualquer justiça também terá o dobro do valor. Qualquer mágoa que guardarmos neste dia nos prejudicará exponencialmente, mas Jara promete que cada perdão dado neste período melhorará nossa saúde.

    Embora não seja uma obrigação religiosa para seus adeptos doarem, alimentos neste período se perdem com mais facilidade, portanto a Igreja Central lembra que é irresponsabilidade equivalente a pecado deixar alimentos perderem por má estocagem. O que de forma indireta é um aviso para doar o que sobra.

    Os sacerdotes da Igreja Cisne Branco sempre enfatizam estes pontos nos sermões desta semana, e também convocam seus seguidores a trabalhar principalmente no porto, solicitando que qualquer pessoa que tenha estoque de alimentos, doe a parte que ficará madura demais para venda antes de perder. Estes fiéis selecionam alimentos que não estão perfeitos para venda, mas ainda podem ser consumidos, e preparam um "sopão" que distribuem na Noite Mais Escura na parte norte e leste da cidade.
    (as duas partes mais pobres da cidade)
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    Mensagem por Christiano Keller em Seg Nov 25, 2019 1:02 am

    Ka,

    Tirel escreveu:- Então é só pensar como uma formiga? Uau! Agora você me animou muito! - suspira - Pelo menos você e meu irmão podem ser úteis a ela por mais tempo. - suspira - Eu não queria ser uma formiga pra sempre. - A adaga na cintura dela começa brilhar, num tom avermelhado. - Ohh! Alguém concorda comigo! Você vai me ajudar quando eu precisar? Mas podia me ensinar a te fazer mais do que brilhar...

           O papo do pedinte é chato, quando parece que fica interessante com alguma novidade, nada novo aparece. Ka agora precisava prestar atenção quando seria a noite mais escura para não ficar de bobeira por ai, também quando seria a iniciadora para participar de uma missa da ICB.
           Quando o pedinte vai embora Ka retoma a conversa com Tirel.

           - Você não entendeu o que eu disse sobre pessoas e formigas. Não serei uma formiga para sempre, quero conhecer o mundo e ter poder. O que eu disse é mais como no caso em que você aceitou o serviço de uma espada esmeralda do que uma arma esmerada. Se fosse uma formiga você poderia apenas ter tirado o corpo fora, mas como pegou o serviço vai entregar e saber a hora de tirar o corpo fora caso ela apareça com algo que pode te matar. Ka não sabia até que ponto Tirel havia entendido o comentário. Sobre ser úteis, somos descartáveis, todos sempre fomos descartáveis. Eu precisava era ganhar tempo para poder fazer essa purificação pois já perdemos o prazo com a Kapitulina. Eu preferia era ter saído com você para a gente se divertir, mas essa oportunidade eu já perdi. Então vamos terminar logo isso aqui antes que ela chegue e cobre por algo que não podemos fazer. Ka estava preocupado com o serviço para Kapitulina, precisava acabar e conseguir uma vaga no barco.
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Leomar em Dom Dez 01, 2019 10:52 am

    Kapitulina aparecia todos os dias para ver os progressos, mas ela não apressava o trabalho, quando Tirion (irmão de Tirel) estava por lá, ela nem se importava com a armista, o que para Tirel era um alívio.

    Tirel tinha terminado de entalhar os detalhes na lâmina, e apresenta a espada. O tom de verde da lâmina ainda tinha ficado pouca coisa mais claro que o original, mas o resto parecia perfeito.

    Kapitu bate com os dedos no corpo da lâmina, fazendo-a tinir. Poucas pessoas podiam de fato analisar a qualidade de uma lâmina por este tinir (a não ser quando a lâmina era muito ruim) mas era um gesto que a maioria fazia só por arrogância, como se fossem entendidos. Não devia ser o caso de Kapitulina.

    - Ah, o sussurro dela baixou um bemol! Está um pouco mais rígida. É uma pena! Mas ninguém vai perceber mesmo.

    Ela nem precisava enfatizar com "ninguém fora eu". Ela observa a afiação, os ornamentos e a uniformidade que impede totalmente de ver que a espada foi remendada, depois faz vários movimentos de ataque e defesa no ar, com perfeição usando ambas as mãos. Parecia bem satisfeita, até abanava a cauda (pro lado de Tirion). Demônios geralmente não demonstravam tal grau de felicidade, Kapitu não dava a mínima.

    - O balanço continua maravilhoso! Mm, acho que você conseguiu evitar um acidentezinho diplomático, menina!

    Kapitulina enrosca a cauda nas pernas de Tirion.

    - O novo tom de verde faz a espada parecer um pouco mais nova, pena que não demora para corrigir isto, eu vou ficar sem motivos para vir mais aqui... Bom, o que acha de comemorarmos enquanto acertamos seu pagamento? - Ela põe a mão no peito de Tirion. - Sei de algo que você vai gostar...

    Antes de sair, com o irmão de Tirel a reboque, Kapitulina dá uma moeda de aço para cada um. Tirel espera ela afastar, para enfim poder desabafar:

    - Demônios malditos! Desgraça! Como eu odeio trabalhar para esta raça!

    Ela joga a moeda longe, e começa chorar. A moeda não era o pagamento, este Kapitu iria acertar com Tirion, enquanto se divertiam e ela drenava toda energia sexual do "pobre" humano. Tirel tinha feito toda parte difícil de consertar aquela espada, e o irmão levava todo o crédito.

    Ka analisa a moeda. Moedas de aço não valiam quase nada, talvez o mesmo que uma moeda de cobre. Mas não devia ser o valor da moeda que contava. Ela era triangular com um símbolo desconhecido cunhado, estranha demais. Portanto Ka vê mais como um tipo de insignia do que moeda. Insignia são o tipo de coisa que não valem nada para quem não sabe usar, mas vale mais que ouro pra quem sabe. Kapitulina comentou para gastarem se forem "no mercado das almas".




    OFF: O pedinte descreve tudo que sabe sobre a parte religiosa da Noite Mais Escura e Ka só acha chato, está começando desenvolver sua vocação Psico-Artística. Para saber mais sobre vocação, pode entrar nesta página: Vocações em Akaŝa

    Como quero adiantar mais o tempo, não vou esmiuçar a conversa com Tirel. Caso queira ter influenciada Tirel com suas palavras, rola psicologia, que foi uma perícia que escolheu. Saindo até 10 você a influenciou um pouco (diga de que forma pretendia, se era para animá-la, consolá-la, introduzir uma ideia,etc.); Saindo 18 ou mais, só conseguiu irritá-la mais; Qualquer coisa no meio disto, ou se achar que não vale a pena rolar, vocês só conversam mesmo, sem maiores consequências.

    No dia seguinte Ka está novamente sem planos fixos. Vou dar algumas sugestões de destino, pode escolher um, dois ou três. Se quiser deixar ainda mais interessante, leia só os que escolher pelo título. Pode tirá-los na sorte ou ler tudo e ver quais parecem mais interessantes, o que achar melhor. Estas sugestões não incluem TODAS as possíveis na cidade, ainda há outras pontas soltas que você pode explorar mesmo eu não tendo colocado aqui.

    Nem todas as ações nos lugares abaixo são óbvias, pense nos motivos que levaram Ka ir para aquele lugar.

    1) parte sul do porto
    Spoiler:
    O porto estava mais movimentado que o normal, os navios de Fajr-Regno, de tamanho bem maior do que os navios que o porto suporta atrapalhavam outros navios que queriam atracar ou sair.

    Vendedores de escravos espancavam seu escravos de forma cruel. Na verdade todo espancamento é cruel, mas a crueldade deste dia estava pior que dos outros dias.

    Alguns escravos tentavam reagir, mas era difícil reagir amarrado. Monges da Sagrada Conduta, identificáveis por suas tradicionais túnicas brancas ou amarelas, gritavam palavras de ordem contra os escravagistas e para sociedade em geral, mas quase ninguém levava religiosos de Anĝelina a sério. As pessoas na ilha que tinham origem em Ajros em geral são as que foram expulsas de seu país, e são as com mais motivos para odiar a deusa.

    Os monges raramente fazem mais do que ficar falando, aquela era terra sem lei, e eles uma minoria. Começam a criticar outras filiações, tentando ver se alguém ali aumentava o coro:

    - Podem desprezar a nossa deusa, mas vocês, que nada fazem contra a crueldade, vão se justificar como perante os seus próprios deuses? Por acaso honram Tamuz, espancando pessoas algemadas? Isto não é demonstração de força, mas o tipo de covardia da qual Tamuz mais tem vergonha! Como o orgulhoso Yüksek Kan pode se dizer honrado e nobre, se estão agindo como os mais covardes dentro dos mais fracos?

    E os que dizem fazer parte de uma Corte dos Milagres? Os grandes heróis de vocês não dizem seguir Piro? Ou não tem nenhum "grande herói" nestes navios vindos de Fajr-Regno? Que tipo afinal de "milagre" estão defendendo? Ou seus opositores estão certos quando dizem que não passam de vagabundos com palavras pomposas?


    Aqueles monges sabiam pegar no ponto que doía mais de cada um, as pessoas que já tinham raiva naturalmente por ali, ficam com mais raiva ainda. Não demora para todos estarem de armas em mãos, os grupos se encaram: escravagistas contra anti-escravagistas, Corte contra Kan, e não demora alguém partir para cima. Quando o primeiro ataca, todos atacam.

    O mercado de escravos era bem protegido, já que rebeliões eram comuns, mas os inimigos eram muitos. Vários só aproveitavam a oportunidade para lutar contra algum desafeto, outros procuravam soltar escravos. Os escravos que se libertavam tentavam se proteger ou atacar quem estivesse na frente.

    Grupos diferentes se juntavam fazendo "cordões de isolamento" para evitar que o caos se espalhasse ainda mais, e esperavam suas vezes de agredir com vantagem.

    Era difícil saber quem tava do lado de quem, mas todos que passavam perto eram intimados a tomar um partido.

    2) parte norte do porto
    Spoiler:
    O porto estava uma zona, e quem não queria problemas estava se afastando da parte sul onde uma pequena guerra acontecia.

    Os responsáveis pelos navios andavam com armas em punho, vigiando a parte mais próxima dos píeres.

    Com ou sem caos, cargas precisavam ser manobradas, velas precisavam ser trocadas e navios vigiados. Mesmo com uma pequena guerra e clima de ânimos acirrados, as pessoas precisavam continuar tratando de seus interesses pessoais com as tripulações.

    Em meio à turba, os capitães contratavam segurança extra. (Off: se quiser aproveitar a oportunidade de trabalhar em um navio, como segurança ou qualquer "bico", diga se o navio é de carga ou transporte de passageiros; Pode também escolher a bandeira se isto não for indiferente para você.)

    3) a igreja Cisne Branco
    Spoiler:
    Durante o culto, o sacerdote avisa todos para se prepararem para a Noite Mais Escura. Àquela altura isto já era esperado. O sacerdote enfatiza que as deusas exigem de seus seguidores mais pensamentos e ações de perdão e caridade neste período.

    Para dar mais emoção ao sermão, o sacerdote afirma que:

    "As melhores coisas da vida são de graça:

    Você pode comprar o remédio, mas não pode comprar a saúde.

    Você pode comprar sexo, mas não pode comprar amor.

    Você pode comprar livros, mas não pode comprar a sabedoria.

    Você pode comprar um título, mas não pode comprar o respeito.

    Você pode comprar uma casa, mas não pode comprar um lar.

    As melhores coisas da vida são de graça: amigos, abraços, ver o nascer de Hélius, sorrir...

    As deusas-mães podem ser rígidas com quem é duro, mas elas sempre nos mandaram diminuir os sofrimentos uns dos outros.

    Lembrem-se do julgamento de Jara, nós adoramos seu nome, Mãe, com cada gota de nosso espírito! Contra o orgulhoso Rei Abiss. Jara não se deixou impressionar nem por um segundo com todo poder daquele rei arrogante, como ela poderia, sendo Mãe de metade da criação? Abiss não passou de um tolo que tinha tudo, e não tinha nada, e teve o pior destino de todos.

    E para quem ficou tudo que Abiss tinha, até mesmo a Princesa Malica?
    (pronuncia maliTSA) Foi tudo dado a um pescador. A um pescador!

    Ouçam as deusas, deem o que possuem à caridade. As deusas podem fazer de pescadores, reis e de reis, pó!"

    4) as minas
    Spoiler:
    Havia uma movimentação atípica nas minas. Demônios e híbridos, considerados os donos da mina, se amontoavam e discutiam. Sendo reconhecido como cliente habitual, um íncubo chama Ka num canto e lhe passa dica:

    Um possível novo veio foi encontrado na mina, que pode vir a ser um novo túnel de potencial desconhecido. Isto trás riscos e oportunidades. O interesse dos donos é uma perspectiva (baseada em que Ka ainda não sabe) de que o novo túnel possua materiais diferentes, difíceis de encontrar em qualquer outro lugar, portanto potencialmente caros.

    Devido isto, eles não querem colocar muitos escravos neste túnel, escravos não teriam nem o interesse em tomar os cuidados que o veio precisaria para ser explorado ao máximo nem a perspicácia de um profissional para saber o que é interessante e o que é lixo.

    Então estão dando oportunidade para que profissionais façam a primeira fase deste novo túnel, oferecendo até 80% do material bruto que puder ser tirado dali.

    Mineração não era especialidade de Ka, mas ele sabia que muitos interessariam por esta proposta; Os mineiros raramente chegavam a acordos de 60%, portanto 80% parecia generosidade demais.

    O "truque" estava no fato que, quem pegasse a oportunidade estaria responsável por fazer toda estrutura do túnel, e ainda a incerteza de que o material extraído seria mesmo lucrativo.

    (Off: não compensaria pegar toda a empreitada, mas Ka poderia juntar-se com duas ou três pessoas e extrair o máximo de material para analisar depois, alguns podem ficar por conta da mineração, outros da segurança. Mas se não quiser assumir riscos, pode apenas trabalhar para um grupo por preço fixo mas sem participar do resultado da mineração.)

    5) loja de Helena
    Spoiler:
    Ka resolve dar uma passada na loja de Helena, e logo vê que ela tinha sofrido um assalto. Helena estava no chão, sangrando, e sua ajudante Cínia em cima dela, estancando o ferimento. Várias armas estavam jogadas pela loja.

    Helena fala com dificuldade:

    - Malditos, eles me roubaram! Quero vingança, você pode pegá-los para mim, era um negro e dois ruivos, vestiam preto e amarelo. Mate-os ou leve à justiça e eu te recompenso depois. Se me trouxer um deles como escravo te recompenso dobrado!

    Cínia rebate:

    - Pare de falar besteira Helena, o importante agora é achar um curador. Eu consigo estancar o sangramento dela, mas você precisa ir trazer um curador, rápido!

    - Não! Eu vou ficar bem, quero minha vingança, vá atrás dos ladrões, eu não vou morrer, é só costurar este ferimento.

    - Vai logo menino! Eu cuido dela, mas trás um curador.

    - Depois você trás!

    - Antes!

    6) favelão
    Spoiler:
    O favelão era um lugar sempre triste naquela cidade já triste, mas fazia parte dela.

    Quando se passava pelo favelão, era como ter uma impressão de que o tempo não valia nada. Ali tudo era sempre tão igual, tudo acontecia ou nada acontecia, mas as expressões eram as mesma, o lixo era o mesmo, o sofrimento era o mesmo.

    Humanos e híbridos se amontoavam naqueles becos e morros. O favelão podia ser um labirinto. O favelão podia ser também uma loja. Você podia comprar drogas, assassinatos ou até produtos mágicos, com menos problemas do que teria num mercado negro.

    Podia até comprar alguma diversão. Duas mulheres se oferecem para Ka, uma humana, outra híbrida. Estavam longe de serem exemplos de beleza, e normalmente Ka nem ligaria muito, mas desde sua primeira vez com Kapitulina ele tem achado as fêmeas "mais interessantes" que antes, mesmo as não tão bonitas mas ainda aceitáveis (as REALMENTE bonitas em Dafodil eram só as súcubos ou algumas poucas heroínas dos muitos clãs da cidade).

    7) bairro sul
    Spoiler:
    O bairro sul era conhecido por ser a parte com maior números de ajranos e descendentes. Um muro separava o bairro do resto da cidade, o acesso era por dois arcos.

    O bairro sul era um pouco mais seguro e menos pobre que o resto da cidade, embora nem de longe fosse um paraíso. Era também vigiado por outros grupos que não eram o Yüksek Kan nem a Corte dos Milagres, que controlavam todo resto da cidade. Ka não conhecia muito sobre estes outros grupos (mas pode rolar história, se quiser), um deles costumava se chamar de "amigos" e tinha pessoas dos exércitos de Gaja e Ajros no meio.

    Havia no bairro um lugar conhecido como Mossar. Era um lugar onde os grupos responsáveis pela segurança do bairro faziam vários pequenos julgamentos sobre causas diversas. No sub-solo havia uma prisão de tamanho desconhecido (não era a pior de Dafodil, mas ainda uma prisão). Na parte de cima haviam dois grandes murais onde as pessoas penduravam e liam anúncios diversos: ofertas de emprego, cartazes de pessoas procuradas ou avisos de perigos, oportunidades de bicos ou aventuras, anúncios de pessoas que precisavam de alguns materiais e diziam pagar mais que o comércio comum...

    O Mossar era bem movimentado, quase tudo que acontecia no bairro ou era documentado em um dos murais, ou tinha influência de alguém do Mossar. Além de juízes e soldados, alguns sacerdotes trabalhavam lá também. Havia um segundo andar no prédio (que era de tijolos, enquanto quase todas as construções da cidade eram de madeira ou barro), mas o que quer que acontecesse lá, as pessoas só falavam Yrdok.

    Outro lugar que se destacava era o templo de Anĝelina. Não era um templo muito grande, mas era muito movimentado, e hoje estava mais movimentado ainda. Na cidade haviam mais de um templo da ICB, mas só de Anĝelina talvez fosse o único. Era maior que os templos comuns da Cisne Branco, mas não chegava à metade do que era o templo do Piro.

    A construção era diferente, parte feita com tijolos, parte com madeira e parte em gesso. Além disto, em volta havia um pequeno jardim com azaleias que estava bem cuidado. Era uma construção imponente para os padrões da cidade, ainda que as paredes tivessem marcas de lodo ou sujeira aqui e ali.

    Não estava tendo culto no momento, mas tinham várias pessoas sentadas nos bancos, apenas em silêncio. Aliás o silêncio dentro do templo era admirável, bem como o leve cheiro de incenso de flores. O ambiente transmitia bastante paz. Vez ou outra algum sacerdote perguntava algum dos presentes se precisavam de alguma coisa.

    Por fora do templo havia uma fila. Ka não sabia bem qual finalidade específica, mas era uma fila de necessitados que estavam lá para receber algum auxílio do templo. Três homens com túnicas laranja atendiam na frente, e outra meia dúzia de pessoas com túnicas brancas pareciam trabalhar juntas ali no pátio.

    8) comércio e galerias de comércio
    Spoiler:
    Dafodil tinha dias muito ruins, dias ruins e dias não tão ruins, portanto todos estavam acostumados a se virar mesmo quando certo nível de caos ocorria.

    O movimento extra no porto significava movimento extra no comércio, o que era positivo para a maior partes dos moradores, mas também significava mais roubos e mortes.

    Ka andava com sua conhecida marreta apoiada no ombro, a mão do cabo pronta para convocar sua amiga num segundo. Pessoas mais fracas passavam com a cabeça baixa, sem importuná-lo; Outras pessoas que também andavam com armas bem a mostra e já empunhadas passavam às vezes encarando, mas evitando ficarem se esbarrando. Aquilo era comum.

    Um mercador, homem de meia idade, olha para Ka e comenta:

    - Você parece forte e honesto, se ajudar na segurança de minha tenda por... quatro horas, lhe dou três kons. Creio que meu movimento será intenso hoje!

    Outro mercador comenta:

    - As pessoas estão doidas pra comprar carne hoje, se me ajudar, lhe dou três quilos de costela, vou vender tudo rápido e você vai achar facinho. Tá dentro?

    Ka percebe que nas galerias, as pessoas tinham aumentado um pouco o preço normal de suas mercadorias. Haviam mais seguranças, mas haviam mais trombadinhas também. Algumas poucas pessoas se destacavam ali, entre estas, Ka percebe uma mulher relativamente rica andando por ali.

    (obs.: os eventos não são necessariamente lineares, o segundo mercador pode ter falado antes do primeiro, você pode ter visto a mulher primeiro e recebeu as propostas depois, bem como pode ter visto o grupo que falarei a seguir antes disto, e pode ser que decida ignorar qualquer um destes fatos também.)

    A mulher estava com armadura e elmo, portanto não dava para ver seu rosto, mas era uma armadura feita para curvas femininas, e ninguém usava uma desta sem motivos. A mulher estava cercada por quatro seguranças (Ka não tem certeza se os outros quatro eram homens), todos, incluindo a mulher, usavam cores cinza, preto e roxo, e Ka nunca tinha visto estas cores antes (talvez o cinza fosse meramente devido o metal, mas em heráldica detalhes podem fazer diferença).

    Ka percebe um grupo de aproximadamente dez pessoas tramando em um cruzamento. Eles tentavam ser discretos, mas olhos atentos acostumados com a cidade perceberiam que estão armando para alguém. Pela posição do cruzamento, Ka imagina que devem estar querendo emboscar algum outro grupo que esteja indo do porto em direção às galerias ou minas, ou então que esteja vindo na direção contrária.
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Christiano Keller em Seg Dez 02, 2019 6:22 pm

    Ka,

           Após terminar o serviço e conversar com Tirel de forma a influenciar que ela é uma boa profissional, sendo assim terá novos serviços os quais poderá dividir com outro profissional habilidoso, Ka, não havia mais o que fazer ali. Ka se despede de Tirel e se viável, pegará a outra insignia que Kapitulina deu. Já que Tirel jogou longe, não iria querer ver aquilo novamente.

           A noite na forja foi um momento de reflexão. O que Ka faria da vida? Precisava buscar novos serviços, novos destinos, uma fonte de dinheiro regular e adequada. Não poderia fazer uma família e criar seus filhos dentro da forja do Tiberius. Precisava de dinheiro, de poder, construir um lar com estilo. Para tal precisava de novos rumos, novas obras de arte, novas ideias e clientes. A recomendação de Hârin para ir ver o barco do juiz e trocar as moedas era importante.

           Na manhã seguinte, Ka precisava fazer algo, tomar uma atitude, porém pensava apenas em coisas mundanas e pouco importantes, até que vê o fogo da forja brilhar sem metal. Sem uma obra de arte para fazer, Ka precisava buscar serviços. Com o pé do lado de fora da forja, pensava no que fazer.

           A insignia que Kapitulina entregou era curiosa, não sabia para que servia, mas provavelmente Ka não iria usar. Ir até o mercado das almas não parecia algo adequado para Ka. A cidade era perigosa e apesar de que Ka gosta de armas, o combate ainda não é seu ponto mais forte. Ao pensar nas armas e nas obras de arte que estavam por ai prontas para serem lapidadas, Ka resolve ir ver Helena.

           No caminho para a loja de Helena era possível ver várias coisas pelas ruas de Dafodil, a cidade não tinha tantas obras de arte para serem observadas. Por outro lado talvez houvesse alguma arte no meio do emaranhado e confusão. Ao chegar na loja era possível ver havia ocorrido um assalto. Ao ver o sangue e a situação, Ka diz:
           - Vou buscar um curador. Ka estava mais habituado a machucados na forja, marteladas, alguns cortes, mas coisas mais sérias precisava de alguém e sabia quem buscar. Ficava próximo dali um local de cura com curandeiros. Haviam pessoas lá que poderiam ajudar.

           - Preciso de ajuda, corte a faca na loja da Helena, a Helena foi ferida. Ajudem. Ka havia ido lá algumas vezes para machucados na forja, não era algo tão comum, mas acontecia as vezes. Eles apenas não eram bons com venenos. Por isso quando Ricardo foi envenenado que Ka buscou a torre dos alquimistas.

    Imagem ilustrativa:
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Leomar em Seg Dez 02, 2019 7:23 pm

    Escolha um, ou role um D12

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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Leomar em Dom Dez 15, 2019 6:14 pm

    Tirel dá um pequeno sorriso.

    - Talvez!

    Ainda parecia desanimada, mas um pouco menos. Talvez as palavras de Ka a animassem no futuro. Mesmo que a demônio não tivesse demonstrado a gratidão que Tirel esperava, o trabalho pode ter sido considerado sucesso. Kapitulina por enquanto só tinha olhos para Tirion, e amanhã ele passará o dinheiro pra irmã, se ele estiver conseguindo andar...

    Tirel não faz causa de quando Ka pega a moeda/insígnia dela, um arquear de sobrancelha, mas depois um balançar de ombros mostra que ela permite que leve.

    Agora Ka tinha que descobrir onde era o tal "mercado das almas". Levando em consideração quem era Kapitulina, este mercado deve estar ligado a Corte dos Milagres.

    Quando Ka vê Helena ferida, não se importa com ela falando para perseguir os bandidos, e vai atrás do um curador. Conhecendo o humor de Helena, ela iria reclamar depois.

    Era quase certo que Helena não morreria, era uma mulher treinada para ser forte. Cínia também era uma mulher treinada para estes tipos de problemas. Mas o sangramento não parecia pouca coisa. Helena tinha sido atingida na direita, menos mal.

    Em Dafodil haviam vários açougueiros que se diziam curandeiros e que eram a única opção para a maioria da população, mas Helena merecia algo melhor. Não era qualquer um que sabia onde encontrar ajuda qualificada, mas Ka não era qualquer um.

    Chegando nos apotecários Ka não encontra os já conhecidos, uma mulher de nome Latifa estava responsável. Ela tinha olhos de cor estranha para humanos, talvez alguma descendência demoníaca, em Dafodil era difícil encontrar alguém de raça pura. Helena provavelmente não gostaria disto.

    https://img00.deviantart.net/905e/i/2012/349/0/6/h_c_by_saeedramezani-d5o2xv0.jpg

    (R. Oc.)

    Latifa era Atemense, Ka sabia pouco sobre o grupo, não era um grupo forte na cidade, estavam (caso as informações de Ka estivessem certas) ligados às magias brancas e vermelhas; Era um grupo que fazia pequenos trabalhos para a Corte dos Milagres, porém muito menor (e menos perigosos) que eles.

    Latifa tinha um olhar com um "que" de orgulho, suas roupas eram boas para o padrão de Dafodil.

    - Você é uma maga? - pergunta Ka.

    - Todos são magos, só que alguns sabem USAR a magia que tem.

    Pelo jeito era mais uma com o gênio forte, Ka parece ter facilidade de atraí-las.

    Latifa tinha um cavalo e chega rapidamente à loja. Cínia cuidava bem do sangramento, as duas despem Helena até a cintura, por causa do sangue não é uma cena muito bonita.

    A Atemense abre no chão um estojo de couro com várias agulhas, Helena resmunga:

    - Como acha que vai curar um ferimento de espada só com agulhas? Deveria ter trago linha então. Ou o incompetente do mensageiro não disse que fui ferida com espada? Bem que falei que era melhor ter ido atrás dos bandidos! Cínia consegue cuidar de mim.

    - Deixe ela ajudar, Helena! - Diz Cínia

    Latifa tinha o olhar sério e não liga para reclamações de Helena.

    - As agulhas ajudarão a magia penetrar melhor nos lugares certos. - Ela analisa o ferimento. - Teve sorte que pegou na direita, longe do coração...

    - Sorte? Acha que sou uma menininha tola que depende de sorte? Se não fossem dois contra mim jamais me pegariam! - Ela vira para Ka. - Por que não foi atrás deles?

    Latifa coloca várias agulhas no corpo de Helena, limpa a ferida com álcool, o que provoca gemidos e caretas.

    - Vou usar magia branca para cura, mas o Fígado foi atingido. Terá de ficar várias semanas de repouso.

    - Não tenho tempo para ficar semanas parada!

    - Imaginei que fosse falar algo assim. Há como acelerar o processo, se eu usar magia branca e vermelha, mas não seria muito confortável.

    - VOCÊ ACHA QUE JÁ ESTOU CONFORTÁVEL NESTE CHÃO?

    Latifa faz uma expressão de descontentamento, coloca uma agulha no pescoço de Helena e outra pouco mais abaixo. Helena solta alguns ruídos, com a boca meio aberta e a língua de fora.

    - Mm, bem melhor! - Latifa concentra, fala algumas palavras mágicas, passando as mãos acima do corpo de Helena, da cabeça até a base da coluna, depois de lá em direção aos braços, e repetia.

    Um leve brilho saía das mãos da Atemense, e parecia ser capturado pelas pequenas agulhas. Ka podia ver minúsculos pontos de luz descendo do fundo das agulhas até a pele de Helena. Agora que Helena estava com a fala bloqueada, só a voz de Latifa era ouvida. A maga curandeira põe o indicador e médio direitos dentro do corte.

    - Agora que a magia branca penetrou um pouco, vou forçar seu fígado acelerar a regeneração. Vai doer menos que uma cauterização, mas vai ser desagradável!

    Cínia segura as mãos dela, Helena geme, chora, faz careta. Latifa fica cutucado o corte aberto, Ka imagina como aquilo devia ser incômodo para dizer o mínimo, mas a Atemense parecia saber o que dava fazendo. A expressão dela não mudava, não parecia nem empolgada nem preocupada, apenas concentrada, e com aquele toque de orgulho. Depois ela limpa os dedos num lenço. Em seguida, repete a parte da magia branca.

    - Agora podemos costurar.

    Latifa polvilha alguma coisa no corte, parecia areia.

    - O que, pelos infernos é isto? - Pergunta Cínia.

    - Algo para segurar um pouco de magia vermelha.

    - Mas não vai infeccionar? - Cínia era treinada pra não ser tão crua numa situação desta, uma camponesa qualquer nem saberia o que é infecção.

    - Dependendo dela, não. Mas ela corre o risco. Se acontecer, trataremos a infecção depois.

    Latifa pega uma linha-de-tripa, alicate e agulha de sutura. Esfrega a agulha nas mãos, aquecendo com a própria magia. Ela dá pontos largos, largos demais na opinião de Ka, e ele oposta que de Cínia também. Helena resmunga, mas não consegue falar nada. Depois ela faz novamente o ritual de magia branca.

    - Agora vou dormir um pouco, me acordem daqui vinte e três minutos. NÃO mecham nas agulhas, elas precisarão ser tiradas numa ordem certa.

    Apesar de tudo, Helena consegue cochilar naquele chão duro, Cínia estava desconfortável ao lado dela, mas vigiava a amiga. Latifa se acomoda em uma cadeira, escora na parede e parece cochilar. Ka marca 22 minutos num relógio de água da loja.

    Depois Latifa começa tirar as agulhas, Helena estava sonolenta.

    - Quer que eu deixe esta duas mais alguns dias? - Latifa fala das duas últimas agulhas, as que ela tinha usado pra paralizar a fala de Helena. Cínia faz cara feia, Latifa tira as agulhas. Ka pega Helena no colo e leva para a cama, Cínia faz mais uma limpeza e cobre a amiga/patroa. - Tente mantê-la na cama o máximo possível, limpe a ferida apenas com gel aloe, ela deve ficar enjoada nos próximos dias, tente mantê-la na base de soja ou batatas, alguma fruta, folhas verdes, se ela reclamar dê farinha para ela comer, mas evite carne nos próximos dias.

    A parte de Latifa tinha terminado, ela diz que se der algum problema podem chama-la, senão Helena deveria ser analisada daqui a três dias, e parte. (a menos que tenha algo a perguntar pra Atemense. Role percepção mágica pra analisar o trabalho dela).

    Ka fica um pouco com Cínia:

    - Vai ser um inferno convencer Helena ficar sem comer carne nos próximos dias! - Ka demonstra que concorda. - Obrigada, Helena teria aguentado de qualquer forma, mas foi muito bom você ter aparecido, menino, se mostrou um excelente e competente aliado. - Ela sorri.

    -----------------------

    off: enquanto ela recupera, tem tempo de ir em algum dos outros destinos citados antes, se quiser.
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Christiano Keller em Seg Dez 16, 2019 3:28 pm

    Ka,

           Latifa parecia saber o que estava fazendo, por sorte Helena ficará bem. Era lógico que Helena iria reclamar pelo fato de Ka ter ido atrás da curandeira e não ter perseguido os ladrões. O fato de Helena estar viva poderia ser bom, só que haverá consequências para Ka. "O que será que ela faria" era um pensamento complexo ao julgar o valor e reputação de Helena. Provavelmente vai querer arrastar Ka para encontrar os bandidos e matar os dois para expor as cabeças na porta. Ainda mais, Latifa e Cínia retiraram as roupas de Helena até a cintura para tratar o ferimento o que permitiu Ka ver alguns detalhes do peito. Havia sangue e era algo profissional, mas um par de belos seios ainda um par de belos seios.

    Imagem ilustrativa +18:

    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 ECg1r79WkAAykL5

           Enquanto tudo aquilo acontece Ka observa os detalhes das ações de Latifa. Movimentos, ordem das agulhas, até a velocidade da magia em ação. Os vinte e três minutos de intervalo também são parte de um detalhe curioso, pois poderia ser o tempo de ação da magia assim como o tempo de recuperação necessário para Latifa continuar. Essa informação poderia fazer que uma outra pessoa descansada pudesse assumir a operação ou mesmo uma pessoa que se restaure mais rápido pudesse fazer tudo mais rápido.

           Com Cínia, Ka tem algumas perguntas e tenta organizar alguns pensamentos:
           - Você sabe o que eles roubaram? Conseguiria descrever os homens? Não sei se encontrarei cada um deles. Talvez marcas nas peças ou mesmo algum truque como aquele de ajustar o balanço e marcar a peça como vendida pode funcionar. Ka não sabia se conseguiria encontrar os bandidos, mas agora não há nada o que fazer por Helena naquele momento. Se eu puder ajudar em algo mais, avise. Tenho uma dívida com Helena impagável. A face de Ka entrega para Cínia que o apreço por Helena é grande.

           Depois de falar com Cínia, Ka resolver ir até as galerias de comércio. Ka percebe um grupo de aproximadamente dez pessoas tramando em um cruzamento. Eles tentavam ser discretos, mas olhos atentos acostumados com a cidade perceberiam que estão armando para alguém. Pela posição do cruzamento, Ka imagina que devem estar querendo emboscar algum outro grupo que esteja indo do porto em direção às galerias ou minas, ou então que esteja vindo na direção contrária.
           Logo era possível ver cinco pessoas vindo na direção da emboscada com uma mulher sendo a líder. A mulher estava com armadura e elmo, portanto não dava para ver seu rosto, mas era uma armadura feita para curvas femininas, e ninguém usava uma desta sem motivos. A mulher estava cercada por quatro seguranças (Ka não tem certeza se os outros quatro eram homens), todos, incluindo a mulher, usavam cores cinza, preto e roxo, e Ka nunca tinha visto estas cores antes (talvez o cinza fosse meramente devido o metal, mas em heráldica detalhes podem fazer diferença).
           De uma maneira furtiva e tentando ser discreto, Ka baixa sua marreta para não parecer uma ameaça e diz:
           - Acho que tem alguém te esperando no cruzamento. Ka tenta fazer um sinal com a mão livre para indicar perigo e o local.
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    Mensagem por Leomar em Seg Dez 16, 2019 5:56 pm

    - Você sabe o que eles roubaram? Conseguiria descrever os homens? Não sei se encontrarei cada um deles. Talvez marcas nas peças ou mesmo algum truque como aquele de ajustar o balanço e marcar a peça como vendida pode funcionar. Ka não sabia se conseguiria encontrar os bandidos, mas agora não há nada o que fazer por Helena naquele momento. Se eu puder ajudar em algo mais, avise. Tenho uma dívida com Helena impagável. A face de Ka entrega para Cínia que o apreço por Helena é grande.

    - Pegaram mais dinheiro em moedas, bem mais prático de roubar. Mas levaram também algumas espadas. Pegaram as mais simples, eram filhos da puta que só queriam dinheiro rápido, nem fizeram questão de avaliar o valor do que estavam pegando. As espadas que levaram eram virgens*, Helena só se preocupa em selar as armas mais especiais. Eram um negro e dois ruivos, usando cores amarelo e preto, se não me engano um grupo nas montanhas do norte da cidade. Eu os reconhecerei se os vir novamente.

    * Virgem significa sem selo. Helena não vendia coisa ruim, mas as armas levadas eram básicas e sem marcas. Em Dafodil, os grupos, sejam de soldados, sejam de ladrões vagabundos, costumam exibir suas cores com orgulho para mostrar que fazem parte de um grupo. Por um lado isto os torna fácil de serem identificados por quem manja das heráldicas locais, mas fazer parte de grupos era questão de sobrevivência em Dafodil. Se fossem mesmo das montanhas do norte, isto limitava bem a área de busca, mas não era tão fácil, pois muitas guildas de ladrões viviam naquela área, e caçar alguém lá não era para qualquer um.

    - Conhecendo bem Helena como conheço, ela ia preferir que a deixássemos morrer, mas cuidássemos da vingança dela. Mas eu jamais faria isto, e você também fez o certo, menino. (Cínia sorri) Também tenho uma dívida com ela, e agora contigo também. Mas vamos preocupar com o mau humor dela quando ela tiver melhor.

    Por enquanto, podia contar o evento na loja de Helena como "final feliz", mesmo que aquilo não fosse de fato um final. O evento o faz ficar ainda mais atento na rua, mesmo pq ele já não era do tipo distraído normalmente. Com isto ele percebe, relativamente fácil, a emboscada se armando.

    O grupo não era ruim, e tinham tudo para ser bem sucedidos na emboscada, fosse qual fosse, mas Ka que era bom em reconhecer aquele tipo de estratégia. A questão era: deveria se envolver?

    Bem, a probabilidade de alguém se irritar por ser avisado de uma emboscada era bem próxima da nula, então a perder Ka não tinha nada.

    Ka consegue o suficiente para chamar a atenção da mulher, o grupo não entende de começo, mas rapidamente falam algo entre si. Eles continuam seguindo o caminho, e Ka se pergunta se por acaso ele não se fez entender. Mas de forma sutil, dois dos guardas pegam alguma distância do grupo, e Ka toma aquilo como uma confirmação.

    As sinalizações entre batedores e demais também é algo que só veria alguém que estivesse querendo ver. Ka tinha feito sua parte, e podia deixar o grupo por conta própria se quisesse.

    CASO sua curiosidade fosse maior, veria que as possíveis presas avisadas agora emboscam os emboscadores, mas além disto eles chamam atenção de um terceiro grupo: um pequeno grupo do Yüksek Kan estava vindo do porto para as galerias (o grupo da mulher com armadura fazia o caminho oposto). Ao chegarem perto, o grupo dela percebe que Ka tinha cometido um pequeno erro, o grupo que ia ser realmente atacado era dos Yüksek Kan. Ka tinha previsto que poderia ser tanto em uma como em outra direção. Ainda assim o grupo da mulher e o grupo do Yüksek se ajudam. (obs: A priore Ka não tinha nada nem a favor nem contra o Yüksek Kan, eles eram o segundo grupo mais importante de Dafodil, mas ajudá-los podia tanto ser bom como ruim).

    CASO não seja tão curioso assim, Ka pode simplesmente seguir seu caminho pra onde quiser, ou pode se aproximar depois que os grupos tiverem resolvido seus problemas, neste caso verá que a mulher com armadura estava acompanhada de mais algumas pessoas, e estas outras eram do Yüksek Kan, não dava para saber se eles já se conheciam, mas não pareciam hostil entre si. A probabilidade de falarem amistosamente com Ka também era boa, pois um dos dois grupo (ou o grupo que era um) já tinha derrotado os emboscadores.

    off:
    Se tiver seguido o grupo e visto toda luta, você pode ajudar (não é vergonha se não quiser, não deve nada a eles e já tinha ajudado dando o aviso). Você pode rolar ataque (2d10) com vantagem 1 ou, se quiser ser mais defensivo, rolar com vantagem 2.

    E só pra ver uma "coisinha" aqui, rola reação com a Cínia. Reação é 1d12, não precisa ter medo do resultado porque ela já é sua amiga, quero só ver se sai uma coisa.
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Christiano Keller em Qua Dez 18, 2019 10:16 pm

    Ka,

          O combate entre os emboscadores e emboscados foi tenso. Para Ka vidas sendo tiradas é algo sempre tenso. Algo que Ka não gostava naquilo era a forma como as pessoas agiam, as emboscadas podem ser com qualquer um, basta um olhar errado que já querem te matar. A falta de respeito é enorme e Ka despreza isso.
          Durante o combate Ka ajuda o grupo que estava de cinza, preto e roxo, no final todos eram Yüksek Kan. Os gestos são um tanto válidos e Ka agradece aos dois grupos. Com a garrafa em mãos, Ka pensa em onde poderia ir agora. A eventual viagem para Fajr-Regno, ver um daqueles navios a vapor em funcionamento, experimentar as maravilhas da ciência, das artes mecânicas era algo que passava na mente de Ka. Os serviços na Forja de Tiberius pareciam que não irão evoluir, Jussara mantinha sua vidinha tranquila, Nester com Lester também não fariam novas obras, Kapitulina foi apenas uma cliente, Tirel apenas uma colega de trabalho, Cinia e Helena são apenas amigas. Por outro lado os mestres da ICB não ajudaram Ka em seu progresso, talvez a falta de fé, pouca experiência ou um golpe do destino não o ajudem a se destacar. O fato é que o futuro em Dafodil parecia sombrio e pouco promissor, talvez a oportunidade de ir para Fajr-Regno seja apenas uma ilusão em que a grama parece mais verde do outro lado da cerca.
          O vento que passa pela rua de um lado ao outro apenas faz Ka sentir as mudanças de temperatura, entre uma brisa refrescante ou o calor do sol sobre a pele. O cheiro da cidade com um misto de sujeira, cozinha e cinzas.

           Ka retorna para a Loja de Helena e diz para Cínia:
           - Veja o que consegui. Ka mostra a garrafa. Como a Helena está mal, não sei quando poderá beber novamente, mas pode ser uma coisa para que me perdoe no tempo certo. Ka entrega a garrafa para Cinia. Vou até a parte norte do porto tentar algum serviço num barco de Fajr-Regno. Se conseguir um serviço e for viajar, eu mando um aviso. Certamente Helena vai querer me matar quando melhorar. Ka tenta fazer uma piada, mas não tinha lá quem se preocupasse com ele, Helena já o ajudou no passado, mas até que ponto haveria algo a mais que a pena?
           A loja de Helena era como um mundo diferente, o perfume de lavanda, a madeira aconchegante, a iluminação que destacava formas das peças como arte. Os sentidos visuais ficam estimulados.

           Ao deixar a loja Ka pensa nas suas próprias palavras. Sua presença em Dafodil era mínima, não tinha laços duradouros, apenas colegas de trabalho. O que poderia fazer com suas obras de arte, armas, para se tornar um imortal? Talvez fazer estátuas ou obras tão boas que seriam comentadas por gerações? A espada que Kapitulina usou, será que pelo fato de arrumar a espada seria capaz de produzir uma? Quem a usaria para a tornar imortal nas mãos de heróis? Por um momento Ka escuta seu coração bater em meio a solidão da grande cidade.

           Ka chega na parte norte porto e procura o barco a vapor de Fajr-Regno, Mestre Hârin comentou que o juiz da corte talvez o use e possa trocar as moedas que Kapitulina usou para pagar o serviço que não eram de lá. Talvez até poderia comprar uma insígnia do mercado das almas. Não precisava trocar todas se fosse para Fajr-Regno ou conseguisse trabalho, o fato era que precisava de comida, abrigo, segurança entre outras coisas para sobreviver. Um sentimento de esperança aparece no coração de Ka. Será que era hora de partir para Fajr-Regno ou seria apenas mais um dia de trabalho?
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Leomar em Sab Dez 21, 2019 9:38 am

    - Veja o que consegui.

    - Mm, o que é isto?

    - Licor, eu acho... - Licor era o tipo de bebida mais cara em Dafodil. Cínia serve duas porções.

    - Parece que não, licor é mais grosso, mas certamente é feito de fruta. E é coisa muito boa!

    Ela ia deixar para Helena, mas não fazia mal os dois beberem também. A bebida era fina (nos dois sentidos) nenhum dos dois sabe de que fruta é feita, mas era doce e extremamente gostosa. Ka conta como conseguiu.

    - Uau! Nosso menino está se tornando um aventureiro de primeira!

    Cínia tinha 28 ou 29 anos, era mais nova que Helena (embora Helena parecesse ter menos) e trabalhava com ela a pelo menos 5. Conhecia Ka há alguns anos, desde quando era realmente "menino" e assim como Helena o tratava com certo afeto. Ela era o tipo de mulher de Dafodil que não dá para se deduzir a origem, não era negra como humanos do norte de Fajr-Regno nem branca como ajrenses, nem alta como akvlandanos, mas era uma mulher bonita (boa parte graças aos cuidados de Helena).

    Eles ficam conversando um pouco, Ka comenta seus planos de viajar por um tempo.

    - Sentiremos saudades! Mande um falcão quando chegar no porto Nolovy. - O porto Nolovy era o último vestígio de civilização na Ilha dos Exilados, parada obrigatória para qualquer um que busca os países do norte.

    Ka vai para o porto. No meio do caminho passa por dois violonistas que tocavam e cantavam uma música melancólica em troca de moedas. Aquele era o ritmo de Dafodil...

    As pessoas estavam armadas e tensas no porto. Mas as pessoas estavam sempre armadas e tensas, então Ka nem liga pro pequeno campo de guerra que rolava no sul. Ele se dirige direto ao maior navio do porto. Era também o maior navio que Ka já vira até então.

    Ka logo percebe qual era o homem que estava dando ordens ali. Era um humano de certa idade, mas que ainda andava com vigor, coordenando as diversas pessoas no navio.

    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Eb4fb8c2706694fe49934acd14584e81

    Ele dava ordens em trans-tareno, e Ka pensa se daria azar novamente, mas muitos fajrenses falavam Moloke também, e o homem entende quando Ka pergunta sobre o juiz.

    - O juiz está fora, e o capitão também. Sou o Tenente Dejade, Housam Dejade. Sou o terceiro no comando aqui... ou pelo menos era, no tempo que hierarquia fazia sentido neste navio.

    Dejade dá uma pequena risada e uma tragada no cachimbo. Demonstrava bom humor, e aquilo poderia ser uma ótima notícia. Ka comenta que foi indicado por Ĥarin para falar com o juiz.

    - Ĥarin? - O tenente coça a barba, como se tivesse pensando onde ouviu o nome. - Não é dos que eu conheço. O juiz está pela cidade chamando alguns heróis da Corte dos Milagres de volta para Burnabad*, estamos procurando o Mestre Gonaud e Keela. Se souber onde achar um destes dois, nos seria de uma bela ajuda!

    *Burnabad é a capital de Fajr-Regno.

    Ka comenta sobre trocar as moedas Supremas, Dejade pede para ver.

    - Mas que belezura! - Ele morde a moeda e balança na mão pra sentir o peso. - Uma belezura! É mesmo uma Suprema! Olha, eu mesmo só estou vendo uma desta agora. É, podemos sim trocar para você. Eu mesmo sempre quis uma, o que está pedindo? Você tem mais de uma!!? Pelos Infernos! E me disseram que Dafodil era uma merda no meio do fim do mundo, haha!

    Aproveitando o bom humor do velho, Ka pergunta também sobre a moeda de aço que recebeu também. O tenente observa e fica um pouco mais sério. Não um sério ruim, mais para um sério desconfiado.

    - Uma clave? Desta eu ainda não vi. Quem lhe deu isto?

    OFF: Se Ka disser apenas que ganhou de um membro da Corte dos Milagres, Dejade dirá que claves são usadas por grupos muito específicos; Se comentar sobre o Mercado das Almas, ele dirá que é um bairro da cidade de Mahijar, uma das maiores de Fajr-Regno, mais ao norte; Se disser que ganhou de Kapitulina, Dejade confirma que é uma das heroínas da Corte, e ainda deixa escapar que é uma das heroína que NÃO estava na lista para voltar a Fajr-Regno. De qualquer forma a tal clave não tem valor nenhum pra quem não sabe de que grupo ele pertence.

    Perguntando se o navio precisava de "braços" a mais, ele comenta:

    - Você é ferreiro? - Ka não acha estranho tal dedução, sua armadura era quase um cartão profissional. - É provável que esteja com sorte, pois nosso principal ferreiro a bordo está doente, ele deve precisar de um ajudante. Sou encarregado de contratações apenas de segurança, mas pode voltar depois com as ferramentas que lhe mostro quem pode te testar. - Ele dá mais uma tragada no cachimbo e ainda acrescente. - E você parece um jovem esperto (Ka tinha tirado o elmo pra conversar) quando voltar, me traga também duas porções BOAS de fumo. Me disseram para não comprar de forma alguma nesta cidade, pois é tudo ruim e até venenoso, mas você parece saber onde comprar algo confiável, estarei certo? Quanto custa cada porção por aqui?
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Christiano Keller em Dom Dez 22, 2019 2:27 am

    Ka,

    Apesar de começar a desejar mulheres com mais intensidade após sua experiência com Kapitulina parece que Cínia ou Helena serão opções distantes. Tão distantes quanto a viajem que Ka planeja fazer. Após beber a dose com Cínia, Ka diz que vai para o porto e mandará notícias ao menos para avisar que não estará na região para fazer os trabalhos habituais.

    O Tenente Housam Dejade menciona Mestre Gonaud e Keela, mas ambos os nomes não são conhecidos de Ka. Já ouviu falar deles, mas não eram clientes, Ka tinha dúvidas se os reconheceria nas ruas de Dafodil. Pessoas da Corte certamente seriam diferentes de meros cidadãos, mas Ka ainda era um inseto comparado aos outros, então não poderia chegar com instruções e ordens. Se desse sorte poderia ser um garoto de recados.

    Sobre as moedas supremas e a moeda de aço, Ka comenta:
    - Recebi essas moedas pelo pagamento de um serviço como ferreiro. Arrumei uma arma para uma pessoa da Corte. Serviço especial, mas devo dizer que deu trabalho mesmo. Mas sabe como é, elas são valiosas e eu não posso trocar uma por um almoço. Preciso trocar uma por algo mais fragmentado para poder pagar contas pequenas no dia a dia. Agora essa outra foi parte de um outro serviço que recebi de uma heroína chamada Kapitulina. Fiz o serviço e me deu duas destas. Ka ainda poderia trocar as outras com outras pessoas, então se conseguir pagar as contas, seria bom.

    Quando o Tenente fala sobre fumo, Ka sabia que não deveria consumir essas coisas, mas poderia conseguir algum em algum estabelecimento perto.
    - Bom chefe, posso te chamar de chefe? Fumo aqui não é lá muito bom e talvez o fumo que eu traga mesmo sendo bom para os padrões locais talvez não seja bom para o padrão do senhor. Só que vou comprar fumo para o senhor e então podemos fazer o teste. Ka carregava tudo que tinha com sigo mesmo, não era muita coisa de qualquer forma. Agora bastava uma caminhada pelo mercado e procurar um fumo bom, teria que ver um pouco o material para confirmar se não estava muito misturado com coisas estranhas.
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Leomar em Dom Dez 22, 2019 8:47 am

    Ten. Dejade escreveu:Eu mesmo sempre quis uma Suprema, o que está pedindo?

    Segundo informação que Ka tinha pego com Ĥarin, cada Suprema tinha o valor nominal de 3 kons de ouro, este provavelmente será o valor que o Juiz-Líder irá pagar. Se desse sorte, Ka poderia conseguir um preço ainda maior com um colecionador, poderia chegar a 4 kons de ouro com bastante sorte, e fora daquela ilha talvez até mais. Se cobrar o valor nominal, Dejade pode trocar uma ali mesmo, mas se der sorte na barganha poderia cobrar até um pouquinho a mais.

    - Recebi essas moedas pelo pagamento de um serviço como ferreiro. Arrumei uma arma para uma pessoa da Corte. Serviço especial, mas devo dizer que deu trabalho mesmo. Mas sabe como é, elas são valiosas e eu não posso trocar uma por um almoço. Preciso trocar uma por algo mais fragmentado para poder pagar contas pequenas no dia a dia. Agora essa outra foi parte de um outro serviço que recebi de uma heroína chamada Kapitulina. Fiz o serviço e me deu duas destas.

    - Duas? - Pela expressão dele, não era comum receber duas daquelas claves por um trabalho só, mas ele não questiona mais nada. - Fico feliz de ser o Juiz-Líder que tem que lidar com os "heróis" da Corte, e não eu. Kapitulina as vezes aparece no navio, mais do que a irmã dela, só que ela não está listada para voltar ao continente nesta viagem, e como estamos atolados de problemas aqui, seria uma bênção de Piro se ela NÃO aparecesse! Este tipo de heroína ocupa muito "espaço".

    Quanto a serviço, não temos nada "especial" no momento, só reparos, reparos e mais reparos.
    - Ele percebe que o interesse de Ka não era só trabalho. - Está, por acaso, querendo partir para o norte? Ficaremos aqui até o final dos reparos, mas se nosso ferreiro principal continuar doente precisaremos de outros pelo menos até Porto Nolovy.

    Ka tem oportunidade de dar uma olhada no navio, em algumas partes pelo menos. Ele não perde a oportunidade de ver a caldeira: apesar do tamanho respeitável, a caldeira em si era bem simples. Talvez Ka esperasse um pouco mais para um navio daquele porte, ainda assim era interessante como algo simples podia gerar tanta força. O sistema de como a caldeira se ligava às enormes pás que não dava para ver todo, pois parte ficava mais no esqueleto no navio, mas dava para ter uma boa noção. Curioso, ele pergunta a um caldeirista se ele sabe quantos remadores aquelas pás (eram pás ligadas a um sistema circular) substituíam, este responde que entre 75 e 100 no vapor, mas podia chegar a 150 usando magia.

    A caldeira era abastecida com madeira, carvão, e eventualmente corpos de marinheiros mortos (o caldeirista faz esta observação mórbida).

    Falando em morbidez, Ka acaba vendo o ferreiro chefe também, que de cara parece antipatizar com Ka. Apesar de medicado, era bem provável que todos em volta estavam esperando que o ferreiro não se recuperasse e já o tivessem tratando como futuro combustível para caldeira. Ironicamente o azar dele poderia significar a sorte de Ka.

    Ka escreveu:- Bom chefe, posso te chamar de chefe?

    - Melhor não. Chamamos de "chefe" pessoas pra quem trabalhamos em terra firme. Além disto, como disse, este navio tá uma zona em termos de hierarquia, vamos pegar alguns membros importantes da corte e isto vai ficar cheio de "mestres", "instrutores", "líderes"... Vai ser um belo chute nos testículos saber quem é chefe de quem aqui. Eu sou um Tenente, então chame de Tenente Dejade quando estivermos em conversa formal, ou só tenente quando não. Em algumas cidades de Fajr-Regno o título de tenente não existe, e eles me chamam de capitão, apesar de já termos outro capitão no navio. - Dejade dá outra baforada e uma risada. - Se não conhece Fajr-Regno, é bom aprender logo que lógica e organização nunca foram os fortes de nossos conterrâneos.

    Fumo aqui não é lá muito bom e talvez o fumo que eu traga mesmo sendo bom para os padrões locais talvez não seja bom para o padrão do senhor. Só que vou comprar fumo para o senhor e então podemos fazer o teste.

    O tenente diz algo em trans-tareno, provavelmente um expressão popular, e nem deve ter se dado conta que Ka não entendeu bulhufas.

    - Não tenho certeza dos preços, mas o que o tenente consideraria justo?

    - Por algo realmente bom, até quatro kons a porção. Posso ficar uns dois, três dias sem fumo, mas não sei se meu humor aguentaria uma parada muito longa.

    Como Ka não fumava, não fazia noção do preço do fumo em Dafodil, mas quatro kons parecia muita generosidade para um gasto assim. Ka sabia que podia comprar fumo com moedas de bronze e até mesmo de cobre, mas estes seriam os de péssima qualidade. Algum entendedor podia dar sorte no mercado central ou geral, mas quem procurava coisas menos ruins era melhor ir para as galerias.

    Uma pessoa normal não perderia tempo indo do porto até as galerias só para compra fumo, mas a forja de Ka ficava perto das galerias, então como ele ia ter que ir na forja mesmo, estender até as galerias não era tão sem sentido para ele.

    Ka sabia onde NÃO comprar, e isto já era mais da metade do caminho andado. Sabia quais barracas tinham comerciantes de média e grande credibilidade e se comprasse com qualquer um deles já sabia que ia ter algo pelo menos 75% melhor que a média dali. Ka achará fácil quem vende a porção a 1 kon e meio e a 2 kons, e como Dejade diz que pagaria até quatro, podia tirar um pequeno lucro dele. Ainda assim era possível que achasse algo apenas "bom" e não "realmente bom".

    Caso o interesse em procurar algo realmente bom fosse grande, poderia perguntar a alguém que fuma.

    Tiberys era um fumante veterano, mas Ka duvidava que ele se importaria com qualidade. Provavelmente uma ajuda dele ajudaria pouco mais do que saber as barracas que Ka já sabe que não deve comprar. Mais vai que ele tem seus rompantes de querer algo caro de vez em quando...

    Ricardo não era fumante assíduo, mas fumava às vezes (e usava outras coisas suspeitas, às vezes). Dependendo do humor dele poderia até ajudar. O problema é se ele estivesse nos dias em que trata tudo como competição, e quisesse saber pra quem era isto, o que podia lucrar... Tudo dependeria do humor.

    Até mesmo Jussara poderia, talvez, dar alguma dica. Nem ela nem o filho tinham voz de quem fumava, mas fumo era planta, e de planta ela entendia.

    -----
    OFF: de fato as duas rolagens são comércio, mas uma contra Q.I. e a outra contra Percepção. No caso seria melhor se a rolagem de análise tivesse saído 4 e não o contrário, mas não importa, fica relativamente fácil você eliminar os de qualidade ruins e péssimas, os próprios comerciantes que vc acha mais confiáveis podem dar uma força, caso não queira pedir ajuda a terceiros. Pode até comprar algo de não tão boa qualidade e tentar dar um caô no tenente, tem um pequeno risco dele não cair, mas é pouco provável que ele se irrite a ponto de te prejudicar, o humor pode só cair um pouco.

    Dependendo do que for fazer, dou melhor uso ainda para aquele 2,2 que rolou.
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Christiano Keller em Sex Dez 27, 2019 5:32 pm

    Ka,

    - Tenente Dejade, quer trocar uma das moedas supremas? Soube que valem um pouco mais de 3 kons de ouro.
    Será que Ka conseguiria algo a mais? Não precisava de 4 kons de ouro, mas com 3 e qualquer valor a mais seria muito bom para Ka.

    Tenente Dejade escreveu:- Está, por acaso, querendo partir para o norte? Ficaremos aqui até o final dos reparos, mas se nosso ferreiro principal continuar doente precisaremos de outros pelo menos até Porto Nolovy.
    - Talvez mais longe até Fajr-Regno, mas preciso de um trabalho regular para ir tão longe. Quem sabe até onde a vida levaria Ka nessa cruzada?

    O tenente precisava do fumo e a partida de Ka era certa, tinha que ir pegar as ferramentas de qualquer forma. Por outro lado havia Jussara, já faziam alguns dias que Ka não falava com ela e alguns sentimentos estavam nebulosos em relação a ela. Ka segue então até a casa de Jussara para falar com ela.
    A ideia era simples, perguntar sobre o fumo e dizer que fará um serviço no navio, talvez deixando a cidade por algum período. Ka poderia citar os mercadores mais adequados para Jussara, mas não sabia o nome da variedade que deveria comprar. Uma coisa é dizer que quer fumo a outra é especificar a planta, também poderia pegar uma dica sobre qual estará melhor com ela. Certamente ao listar os melhores comerciantes Jussara pode diminuir a lista para alguns melhores.

    Após falar com Jussara, Ka irá até as galerias comprar o fumo de forma que na volta possa pegar suas coisas na forja. Enquanto caminha pela cidade Ka pode ver parte da confusão e do conflito constante em Dafodil. Para Ka aquilo era errado, havia mais a se fazer pelas pessoas. A fome e a peste estavam a espreita de muita gente, por alguma razão Ka queria fazer o que era certo pelas pessoas. Fazer o certo exige poder, dinheiro e recursos. Ka precisava dos três. O mundo não era belo e precisava tornar-se belo para as pessoas o apreciarem. Angelina e Jara pareciam em conflito em Dafodil.
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Leomar em Sex Dez 27, 2019 9:16 pm

    - Tenente Dejade, quer trocar uma das moedas supremas? Soube que valem um pouco mais de 3 kons de ouro.

    O velho lobo do mar analisa a moeda pensativamente. Um pequeno brilho de cobiça no olhar era o tipo que podia ser visto tanto numa criança de oito ano que vê um brinquedo caro quanto num marujo sessentão, que sabe que não precisa de uma moeda como aquela, mas gostaria de sentir o gostinho do "status" de ter uma.

    Entre o saber que não precisa e o querer, Dejade faz a oferta:

    - Por 80 kons eu fico com uma.

    Isto dava apenas 5 kons de prata a mais do que o valor nominal. A prudencia dizia que era bom aceitar, Ka calcula que até poderia vender mais caro, mas pra isto teria que gastar primeiro (procurando um bom colecionador) para lucrar depois, e não era muito provável que achasse um preço muito maior. Não precisaria ficar agradando Dejade para conseguir a viagem, mas por outro lado não seria ruim conquistar sua simpatia enquanto ele ainda está de bom humor.

    - Talvez mais longe até Fajr-Regno, mas preciso de um trabalho regular para ir tão longe.

    - O trabalho no navio cobre a viagem e um pouco mais, mas não fazemos promessas. A boa notícia é que a guerra em Burnabad está quase no fim, e se ela terminar, vai ter muito trabalho para reerguê-la. - Dejade dá uma tragada - Os mais pessimistas dizem que a guerra aguenta no máximo mais cinco anos, os mais otimistas esperam retomar a cidade em no máximo oito meses.

    A situação atual é que Gaja ainda possui controle de um terço da cidade, mas dois terços já estão no controle de Fajr-Regno novamente. Quando saí de lá, eu já via a cara de desânimo dos soldados de Gaja. Eu até sentiria pena deles, se não me risse por dentro.


    Ka anota as possibilidades. Uma viagem até Fajr-Regno podia demorar três meses (talvez menos naquele navio incrível com pás giratórias a vapor), e se os otimistas estivessem certos, mais meio ano e a cidade seria segura novamente. Mas mesmo se a guerra não terminasse tão logo, as pessoas precisariam de ferreiros neste período.

    E mesmo se Ka mudasse de ideia no meio do caminho, em Nolovy poderia mudar de navio e ir para Akvlando.

    Ele estaria como ferreiro auxiliar, mas caso a saúde do ferreiro principal não melhorasse, Ka poderia vir a se tornar o ferreiro principal durante a viagem mesmo. Talvez precisaria competir com dois ou três (um navio daquele deveria ter mais de dois ferreiros), mas Ka sabia que nisto ele podia ganhar.

    Indo para casa de Jussara, ela como sempre o recebe com um sorriso, eles conversam brevemente.

    - Então irá se mudar para Fajr-Regno!

    - Não é definitivo ainda... Eu...

    - É sim. Você não tem motivos para voltar, e não seria inteligente não aproveitar a oportunidade. Quem perde é a cidade, que não terá mais você. Sentirei saudades, mas só espero que seja feliz no continente. Eu se pudesse me mudaria também, e talvez o faça se o destino ajudar a mim ou a Kandel. Não sou muito religiosa, mas pedirei aos deuses que lhe deem águas tranquilas na viagem!

    Ka percebe certo afeto nos olhos de Jussara. Anteriormente tinha ficado em dúvida, mas percebe que havia sim certa atração por ele. Seria diferente se tivesse percebido isto nas outras vezes que estivera ali?

    Jussara não vendia fumo (como Ka já imaginava) mas sabia como escolher um menos ruim (na opinião dela, não era possível ter um fumo "bom"). Ela até propõe acompanha-lo no mercado próximo para ajudar. Jussara diz ainda que poderia misturar algumas pequenas porções de ervas ao fumo, para deixa-lo menos tóxico, se Ka quisesse. Ela aproveita enquanto caminham e conversam para aconselha-lo não ficar muito perto destas pessoas que fumam, durante a viagem.

    - Esta porcaria acaba viciado, e você merece algo melhor, ainda mais agora que quer ser mago.

    Vocês acham uma porção que Jussara diz ser "aceitável" por 3 kons as duas porções. Ka acha um pouco caro pra fumo, Jussara tem a mesma opinião, mas acredita que para achar algo melhor, só se fossem procurar nos lugares realmente de luxo, e sairia mais caro. (obs.: considero este preço já meio barganhado, pode tentar um último recurso nos dados, mas se não quiser perder tempo, o preço é este mesmo).

    A noite prometia ser fria, como a maioria das noites de Dafodil. Mas agora que Ka dava seu destino como praticamente certo, não restava muito a fazer, a não ser terminar de arrumar tudo, aparar pontas soltas, e esperar a viagem.

    (obs.: o navio pode partir a qualquer momento, mas um navio daquele tamanho demoraria no mínimo duas horas só entre o avisar que vai partir e o sair do cais definitivamente. Além disto haviam dois problemas que manteriam eles por lá pelo menos ainda mais um dia: Achar todas as pessoas que eles iam levar, a terminar reparos que o navio precisava. Sendo assim Ka só precisava dar uma olhada no porto de doze em doze horas +- que não perderia o navio.
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Christiano Keller em Sab Dez 28, 2019 4:44 pm

    Ka,

    A oferta do Tenente Dejade é ótima. Com aquele jeito comercial de que foi um acordo equilibrado Ka aceita a oferta.

    Quando o Tenente comenta sobre as possibilidades, Ka pondera e chega a conclusão que poderia seguir para onde fosse necessário.

    Com a ajuda de Jussara Ka compra o fumo por 3 kons. Era importante levar o fumo para o Tenete e evitar o vício como Jussara comentou. No momento da despedida, Ka diz para Jussara:
    - Jussara, obrigado pela ajuda. Sabe, eu achava que tinha razões para voltar para Dafodil, mas com o que você disse, descobri que não tenho. Ka beija suavemente a bochecha perto do lábio de Jussara e vai embora.

    Para fechar pontas soltas:
    + Ka passa na ICB antes de passar na forja para avisar o mestre que arrumou um trabalho longo e não poderá treinar por algum tempo. Ka agradece o tempo que o mestre passou com ele e diz que tentará seguir os ensinamentos da ICB até conseguir voltar;
    + com Lester e Nester, avisa que foi bom trabalhar com eles e espera encontrar com os dois novamente, com Ricardo, Ka não se preocupa em dizer adeus;
    + para Hârin e Kapitulina, não havia o que dizer, era apenas mais um subalterno e duvidava se havia causado uma grande impressão em qualquer um deles além de um serviço bem feito;
    + Helena ainda se recuperava, mas Cínia havia sido avisada, talvez fosse melhor assim, uma despedida silenciosa, porém Ka sabe o quanto deveria agradecer a Helena pela oportunidade de trabalho que teve na loja dela, mesmo que fosse um serviço pequeno ele foi importante para seu aprendizado e para se alimentar;
    + o Anjo Negro com a armadura exótica havia sumido e Tirel era apenas mais uma pessoa na cidade;
    + Tiberius, o dono da Forja, esse merecia uma despedida se Ka o encontrar, no entanto seria uma despedida formal, apenas falando sobre um serviço que pode demorar algum tempo e que talvez retorne;
    + Não haviam clientes regulares, para os fornecedores, Ka era apenas mais um cliente pequeno e pobre que barganhava tudo;

    Com todas as suas coisas, ferramentas e mudas de roupa, o que não era muito, Ka volta para o barco. Sua vida estava em uma mala, apenas valores, joias e correntes estavam sob a armadura onde não seriam roubadas. Algumas das moedas estavam mais fáceis de pegar para pagar alguma refeição. Logo Ka chega ao navio.
    - Tenente Dejade, aqui está o fumo que pediu. São 3 kons. Espero que seja do seu agrado. Ka entrega o pedido do Tenente pronto para viajar. Estou com tudo o que preciso aqui. Se quiser que comece a trabalhar, basta dizer "mãos a obra". Ka então tenta copiar os comportamentos dos soldados fazendo uma postura ereta. Ainda há muito o que aprender e seria apenas o ferreiro, não era um combatente formal.

    Dinheiro:

    4 supremas
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    Só não venda a alma (por um preço baixo) - Página 3 Empty Re: Só não venda a alma (por um preço baixo)

    Mensagem por Leomar em Dom Dez 29, 2019 2:40 pm

    Jussara vira um pouco o rosto para receber o beijo nos lábios, e fica um pouco tristinha por Ka não ter ousado um pouco mais, mas disfarça. Despede com um sorriso (e um suspiro).

    Na ICB o "semeador" (título equivalente a "pastor") deseja boa sorte a Ka.

    - Que as deusas-mães Jara e Anĝelina transformem em fruto tudo que você plantar! O Cisne Branco voa forte em todo o mundo, e não é diferente no norte! Se um dia, sua noite estiver muito fria, peça ajuda em nome "do Filho da Viúva".

    - Quem é o Filho da Viúva, mestre?

    O sacerdote dá aquele sorriso enigmático, típico de sacerdotes místicos:

    - O Filho da Viúva sou eu. (pausa dramática) Mas o Filho da Viúva também é você! E também são filhos da viúva aqueles que irão lhe ajudar. Você irá entender, não tenha medo de pedir ajuda.

    (off: se quiser estender a conversa, rola 1D12)

    Nester estava meio bêbado, Lester fica feliz pelo amigo.

    - Legal, quando tiver estabelecido lá, manda uma carta, e quando voltar vamos comparar as técnicas diferentes de trabalho que aprender no continente!

    Lester chegava a ser um "pouco" ingênuo, não reparou que Ka não tinha intenção de voltar, além disto mandar uma carta de Fajr-Regno não era uma coisa tão fácil. Para se mandar um falcão de Nolovy para Dafodil já era algo que, quem realmente precisava, mandava logo três, pois havia muita possibilidade de alguma ave se perder no caminho. Até ele chegar a Fajr-Regno seriam alguns meses, então precisaria achar alguém interessado em levar a carta, e até ela chegar, mais meses.

    Lester diz que precisam comemorar.

    - Éééé!! Vamos beber! - Diz Nester, já pronto para outra.

    Os três vão beber na estalagem do Grotão Zuis. O lugar era mais uma mercearia que realmente estalagem, mas era um tipo de bar também, de qualquer forma era o lugar barato mais chique (ou o lugar chique mais barato) que eles conheciam.

    Ficava perto do porto e era limpo (só isto já fazia muito acima dos butecos normais), tinha bebidas razoáveis por preços razoáveis. Não haviam muitas mesas e quem sentava ficava quase junto das mercadorias. Para comer haviam apenas dois pratos, mas ambos eram famosos pelos locais: A porção de torresmo de barriga com couve e o quibebe (prato feito com carne de porco e carneiro e mandioca, Zuis às vezes punha carne de cabra ou invés de carneiro, mas alguns clientes gostavam ainda mais) e, se estivesse afim de gastar mais, ainda podia comprar um salaminho ou queijo ali mesmo.

    Era um lugar onde os pobres iam quando queriam esquecer que eram pobres. Lester propõe pedir o quibebe, era mais festivo, Nester já prefere torresmo, mas como a festa era pra Ka, ele podia desempatar. Depois de alguns copos, Nester sugere a Ka uma "casa das tias" que ele conhece, com algumas meretrizes carinhosas, Lester diz que até ajuda pagar, como presente, o irmão diz que ajudaria também. Ka fica de dar resposta até a noite.

    Nester cai do tonto, mas sabia se virar. Lester e Ka não bebem tanto, Ka volta pra forja, junta suas coisas e suas anotações. Lester entrega para Ka uma pequena prova (barra) de aço-cromo-molibdênio que tinham feito na armadura. Era um presente mais simbólico, Ka já tinha a receita de cabeça, e anotações eram mais úteis que as provas quando se viajava, ainda assim provas como aquela costumavam ser úteis (nem se fosse para jogar na cabeça de alguém). Números e letras minúsculas foram entalhadas na prova com informações úteis sobre a mesma.

    Com Tiberys as coisas não saem bem como Ka esperava e Ka se arrepende de ter gastado seu tempo despedindo daquele velho.

    Tudo começa formal, mas Tiberys diz que Ka não podia ir embora, que ele deveria trabalhar na expansão da forja, etc. Ka diz que já tinha feito rascunho das plantas e já tinha entregado, e com isto Tiberys podia se virar, porém o velho começa tratar Ka como se fosse propriedade, e que ele tinha "obrigações", etc. Ka não perde tempo se lembrando dos detalhes da conversa, mas teve que fazer esforço para não meter a marreta no crânio do outro, e sai de lá com o estômago se revirando de raiva.

    Ka pensa mais um pouco na proposta de Nester, de "visitar" uma meretriz, mas antes precisava avisar pelo menos Cínia de sua partida. Cínia ainda estava penando para manter Helena na cama (quando Ka aparece, ela tava dormindo) e os dois ficam conversando por pouco mais de uma hora. Ka fala do desentendimento com Tiberys, Cínia comenta que se ele quisesse, poderia dar uma surra nele quando Ka tivesse partido. Não cobraria nada, seria um favor para um amigo.

    Além disto recebe alguns "vai ser melhor para você em Fajr-Regno", "vai poder fazer coisas melhores", e outros papos motivacionais. A raiva de Ka ainda ia demorar a passar, mas falar com Cínia foi bom para diluir esta raiva.

    No dia seguinte, Ka estava no navio antes do primeiro chamado do templo. O grande templo de Piro tocava seus didgeridoo (ou didjeridu) pelo menos três vezes no dia, o primeiro era pouco antes ou pouco depois da aurora. O Tenente Dejade foi um dos que prostrou na chão ao primeiro chamado para uma rápida oração, então Ka aproxima só depois da prece (felizmente devotos de Piro tinham preces curtas, duas ou três prostrações e estavam prontos).

    Ao entregar o fumo, Ka passa o mesmo preço que comprou, sem aumento. Dejade olha, cheira, e diz só "nhéé". Claramente não era a qualidade que ele queria, mas se dá por satisfeito de não ser tão ruim também.

    Dejade mostra uma cela no navio onde ele ficaria. O navio era grande, mas as cela não muito, e em cada parede haviam duas camas, chumbadas uma em cima da outra, portanto Ka teria três parceiros de cela. Haviam também quatro pequenos baú igualmente chumbados na parede, Ka tinha trago seu próprio cadeado.

    O Taumaturgo (este era o nome do navio) tinha todo esqueleto (e boa parte das "vísceras") de metal, bem diferente dos tradicionais navios de madeira. Ka nunca tinha visto um navio com 100 metros, o Taumaturgo tinha 133 metros (136 se medir do último detalhe da proa), muitos móveis eram parafusados ou chumbados diretamente no esqueleto. Outra coisa notável era que além das grossas cordas, o Taumaturgo tinha cabos de aço.

    Ka recebe algumas informações básicas, tipo "nunca fique na frente DESTE cabo, nunca fique atrás DAQUELE cabo, nunca chegue perto daquela corda se ela estiver esticada a 45º, nunca fique perto de alguém da caboagem se eles estiverem mexendo nos cabos, SEMPRE saia da frente se ver alguém da caboagem correndo, se alguém da caboagem mandar segurar um cabo (ou corda, cabete, amarra, pano, qualquer termo ou coisa que mandem você segurar) segure como sua vida dependesse disto, pois provavelmente depende".

    Quando o mar tivesse calmo, a vida no navio era tranquila (ou pelo menos assim dizem alguns tripulantes), mas se houvesse sinal de problemas, então todas, TODAS as vidas passariam a depender do Capitão, o todos, não importa o posto, deviam seguir suas ordens a risca enquanto estivessem no navio, não importa quão estúpida ou arbitrária a ordem fosse.

    O capitão no caso se chamava Ravaja (Hugo Ravaja, mas quase ninguém chamava pelo nome), tinha pouco mais de quarenta anos, cabelos ruivos ferrugem, olhos verdes, uma cicatriz no queixo, do lado direito, e do lado esquerdo, metade da orelha dele tinha sido cortada. Estava bem barbeado.

    Aliás avisam logo a Ka que o Capitão Ravaja exigia que seus subalternos andem sempre barbeados. Durante as viagens todos ficavam com barbas de dois, três dias, afinal não é agradável manusear navalha enquanto o barco cambaleia, mas sempre que estavam em terra firme os tripulantes tinham que limpar a cara. Podiam ter bigodes, mas não barba.

    A barba espessa de Dejade mostrava que o cargo dele permitia ignorar esta orientação. Muitos chamavam o Tenente Dejade de Capitão Dejade, alguns de capitão Housam, outros Tenente Housam e até alguns poucos que o chamavam só de Housam. Alguns negros (vindos do norte de Fajr-Regno, que falavam Tareno, enquanto a maioria dos outros falavam Trans-Tareno) chamavam de Capitão Jade, ele não chegava se irritar, já que Dejade significava mesmo "de jade", mas irritava quando ouvia chamar de "de jaspe".

    Muitos ficavam em dúvida em quem realmente mandava ali, o Capitão Ravaja ou o Tenente Dejade. Tecnicamente Capitão Ravaja mandava mais, mas Dejade mandava "mais vezes". Certa vez um marinheiro levou três chicotadas do Capitão Ravaja porque tinha recebido uma ordem qualquer, e foi confirmar com Dejade. Ninguém ficou comentando do evento, mas Ka ficou esperto.

    Outro que também era autoridade (aparentemente acima de Ravaja) era o Juiz Líder Fer-Ĵatoba. Se sobrenome significava "Jatobá de Ferro", Ka nunca viu um jatobá, mas dizem que era uma árvore. Normalmente as pessoas só o chamavam de "juiz líder" ou só "juiz", Capitão Ravaja era dos poucos que o chamavam por título e nome. Sempre que o capitão aceitava alguém novo no navio, o Juiz Líder Fer-Ĵatoba tinha que dar aval.

    Ka fora apresentado com outros cinco marinheiros, Capitão Ravaja diz ao juiz que o tenente já tinha pré-aprovados vocês e o juiz só olha e diz "ok". O juiz líder era alto e magro, 45-47 anos, usava roupas de um azul tão escuro que parecia preto e também uma cartola, bem diferente de todo o resto do navio. Usava também um bigode fino. A primeira impressão de Ka foi que ele era um homem muito sério, talvez até honrado, mas não parecia humilde.

    Assim que é aceito, Ka já começa logo trabalhar nos reparos que o navio precisava. Os reparos não eram grandes, mas num navio daquele tamanho feito majoritariamente de metal, trabalho é o que não falta. No primeiro dia ele é acompanhado por Raymond (ou só Ray), outro ferreiro auxiliar. Ray explica muitas coisas sobre estrutura naval e do Taumaturgo em particular; Ka perde boa parte do tempo fazendo anotações. Uma das dicas dadas por Ray é para Ka só usar a armadura quando estiver realmente trabalhando, usar armadura no convés não só podia atrapalhar a agilidade (e ninguém podia reclamar se um caboeiro passasse correndo e o empurrasse pra longe) como também se caísse na água com aquela armadura, os marinheiros não iriam nem tentar lhe salvar.

    Estes reparos demoram dois dias, neste meio tempo o juiz líder acha os heróis que devia levar para Fajr-Regno: Mestre Gonaud e Keela.

    Ka reconhece Keela, na rápida guerra que teve entre as duas metades da cidade, onde 200 soldados da Corte dos Milagres conseguiram matar 2000 demônios de Ades, Ka quase foi morto por um demônio, e quem o ajudou foi outra demônio, uma súcubo enorme, com 2,10 metros, fora os chifres.

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    Keela era poderosa, e nem precisava saber que era uma heroína da Corte para se deduzir isto, ela parecia "irradiar" poder. Não era das súcubos mais bonitas, embora mulheres com braços e pernas musculosos eram consideradas muito atraentes em Fajr-Regno; Sua pele era bem vermelha; Não tinha cara de bons amigos. Keela usava no pescoço um talismã com o símbolo de Piro; Ka repara também sua espada (não a mesma na figura): tinha um metro e sessenta e a empunhadura era de metal rosa (quase certamente ouro rosa, que é uma liga de ouro, ferro e outros metais em menor parte).

    Mestre Gonaud era humano, negro, relativamente baixinho (algo entre 1,55-1,57), careca e com mais de 50 anos, usava um tipo de manto simples, marrom com bordados vermelhos. Parecia mais um homem de cérebro do que de músculos.
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