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    Prólogo - Coisas Velhas

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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Bastet em Qua Ago 12, 2020 10:43 pm




    Coisas Velhas


    Domingo – 7 e alguma coisinha da manhã.




    Lorra pega seu violão e dedilha as primeiras notas, enquanto canta, sentada na janela do quarto.

    ♫ Are you insane like me? Been in pain like me?♫


    Mal tinha amanhecido e você conseguia ouvir uma discussão na cozinha. Quando Lorra fora para o quarto, na noite anterior, a discussão estava ainda pior. Laura chegou em casa após às 23h, final do turno de Daniel, e ele insistia em saber o motivo de a janta dele não estava pronta.

    Sua mãe estava exausta, você sabia. Por que ela ainda permitia Dan naquela casa?

    ♫Are you high enough without the Mary Jane like me? Do you tear yourself apart to entertain like me?♫


    Sua irmã já nem falava mais nisso. Sempre que uma discussão começava, ela se enfiava no seu quarto com um livro qualquer e se encolhia naquela poltrona velha no canto do seu quarto.

    Prólogo - Coisas Velhas AZFv6eJ

    E você? O que sente com isso?

     ♫Do the people whisper ‘bout you on the train like me? Saying that you shouldn't waste your pretty face like me? ♫


    ***

    Hoje a briga era por outro motivo.  Fariam uma venda de garagem e as meninas ainda não haviam saído do quarto para ajudar; além disso, Laura não estava sorridente o suficiente.  Daniel insistia que era por caridade,  mas todos na casa sabiam que era pelo dinheiro.

    Há uns meses as embalagens no armário deixaram de ser as mais gostosas e começaram a ser as mais baratas. As idas à escola, que antes eram feitas no carro, passaram a ser feitas a pé ou de bicicleta. Daniel vendeu o carro de Laura, sem a consultar (o que gerou outra briga) e começou a usar um combustível mais barato e fedorento na viatura da polícia. Laura começou a dar mais aulas.


     ♫You can’t wake up, this is not a dream. You're part of a machine, you are not a human being. With your face all made up, living on a screen, low on self esteem, so you run on gasoline…♫


    A briga findou por um momento e em seguida vocês ouviram passos pesados na escada.

    Nick, em resposta, se encolheu mais na poltrona, olhando para Lorra.

    Era hora da venda de garagem.

     ♫ Oh, oh, oh, oh, oh, oh, I think there’s a flaw in my code. Oh, oh, oh, , oh, oh, oh, These voices won’t leave me alone…♫



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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Makaveli Killuminati em Qui Ago 13, 2020 1:42 am




    Coisas Velhas

    Okay, pelo menos dessa vez a discussão não foi tão longa. Que bom, porque acordar cedo num domingo já é tortura o suficiente. Estou morrendo de sono, definitivamente eu não sou uma pessoa matutina. Pior que dessa vez até tentei dormir cedo, mas os dois fizeram questão de prolongar o bate-boca até tarde. Bom, não sei como me sentir sobre isso. Foi uma merda estar em casa em um sábado, sem cigarros, sem diversão, pontos negativos de estar em casa... Se eu estivesse fora e minha mãe chegasse em casa e eu não estivesse, ela ficaria super preocupada comigo, ponto negativo de estar fora. Pontos positivos de estar fora, tranquilidade, diversão, cigarro e sem incomodação com o cabeça de bosta. Ponto positivo de estar em casa, ao invés de se preocupar comigo, minha mãe tem tempo pra discutir com o cabeça de bosta, o que é ótimo, quanto antes ela se cansar dele, melhor. Que seja...

    Observo minha irmão no seu canto, invisível, no sofá, nunca sei se a Nick está ouvindo essas merdas ou não, aliás, com esse cabelo dela eu nunca sei se ela está com fone de ouvidos ou não... Puts, talvez metade das coisas que eu falo ela nem escuta, já que quase nunca responde... Não, não preciso de mais esse drama, fique na sua Lorra, não seja cuzona. E... Acho que alguém está prestes a interromper minha sessão, que ótimo! Só que não.

    Merda, eu não separei nada das minhas coisas pra vender, acho que esperavam que eu separasse algo, não? Melhor me levantar e pelo menos fingir que estou procurando por... Coisas...

    Coloco o violão cuidadosamente sobre a cama, afinal de contas é a única coisa daquelas tralhas que realmente importavam. Começo a vasculhar as estantes, e as bonecas que eu encontro sequer sabia que ainda existia, com certeza iriam para a caixa de coisas para vender, sem desculpas, ao contrário de todos os blu-ray de filmes, esses com certeza ficarão. Não que eu ande assistindo muito filme, mas as capinhas servem bem como decoração... E como esconderijo para os cigarros. Sorte minha que a única pessoa mais próxima de uma cinéfila aqui em casa é a Nick.

    De certa forma, é triste essa situação, de ter que dar fim nas nossas coisas, só por dinheiro. E pior que nem posso culpar o meu pai por isso. Afinal de contas, ele continua no emprego dele por tantos anos, minha mãe no dela, e nosso estilo de vida não ficou mais luxuoso com o tempo. Quase não entendo como antes não tínhamos problemas com dinheiro, e hoje, com ambos trabalhando mais que antes, o dinheiro é mais curto que antes. Bom, eu não posso culpar meu pai por isso AINDA, não duvido que ele esteja gastando em aposta, ou PIOR, dando dinheiro pro Reverendo. Se ele estiver dando dinheiro pra igreja, eu juro que vou começar a invadir o cofre deles. Não é roubo se eu tiver pegando de volta o que era da família, certo?

    Acho que essas bonecas já servem pro rolê na garagem, né? Estou com pouco ou nenhum ânimo pra isso.

    Eu pego a caixa de papelão, com as tantas bonecas dentro, jogadas de qualquer maneira, e espero para ver se alguém vai abrir a porta do quarto.

    - Três, dois, um e...

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    Mensagem por Bastet em Sex Ago 14, 2020 6:51 pm




    Coisas Velhas


    Os passos ficavam cada vez mais altos.

    toc... Toc... TOc... TOC....

    A escada nunca pareceu tão longa.  Talvez pela apreensão das duas irmãs no quarto ou simplesmente pelo cansaço de quem subia.

    Pouco tempo depois, o barulho mudou, ficando mais abafado, devido ao tapete do corredor do segundo andar da casa. Mais quatro ou cinco passos, ele estaria no quarto de Lorra. Tempo o suficiente para ela pular da cama e jogar qualquer coisa velha que visse pela frente dentro da caixa de papelão que estava em seu quarto desde o início da semana.

    Talvez a mãe tivesse razão, talvez ela fosse uma procrastinadora profissional... Ou talvez só não se importasse.  Os adultos ligavam muito para prazos e datas, mas olha só como estava a vida deles.

    Nick suspirou quando ouviu a maçaneta rodar. Tirou os pés do braço da poltrona e desligou o kindle, colocando ele para carregar.

    Daniel entrou no quarto, as olhando da porta e balançando a cabeça em desaprovação ao ver que Lorra estava separando as coisas naquele momento.

    Prólogo - Coisas Velhas L4XECR1
    Daniel: Bom dia, belas adormecidas. Pensei ter dito que queria vocês de pé às 7h. Sua mãe está preparando tudo sozinha. Nichole, vai se arrumar, você não vai ficar lá na frente de casa com essa roupa


    A menina vestia um moletom da irmã que, por ser mais alta, ficava grande e confortável na mais nova. Por baixo, usava um shortinho jeans num tamanho ok... Mas, aparentemente, para Daniel estava vestindo algo promíscuo.

    Nick apenas se levantou, assentindo.

    Prólogo - Coisas Velhas Z5TD9pF
    Nick: Tá bom, pai. O senhor desce com minha caixa? Tá pesada...


    Provavelmente não estava tão pesada, mas Nichole sabia aproveitar seu privilégio de “joia da família” aos olhos do pai.

    Prólogo - Coisas Velhas L4XECR1
    Daniel: Claro, filha, deixa na porta do seu quarto. Agora, deixa eu ver o que você tem aí, Lorra... espero que não tenha jogado roupas sujas na caixa


    Ele se aproximou, abrindo a cortina do quarto e pegando a caixa da mão dela, jogando metade das coisas de volta na cama. Estalou o lábio, em desgosto, deixando apenas as bonecas bonitas e não as que ela havia personalizado enquanto pintava o próprio cabelo de azul/verde.

    Prólogo - Coisas Velhas L4XECR1
    Daniel: Vou levar isso também, como garantia. Já que você não se esforçou nem um pouco para ajudar a família...a caridade, vá até o sótão para ver se tem algo bom para vender lá. Se não, isso vai suprir os custos da sua preguiça


    O pai pegou o violão de forma bruta, começando a sair do quarto. Não era muito inteligente tentar pegar de volta na força, pois ele era mais forte e podia simplesmente quebrar o objeto.


    ROLAGEM:
    Rola controle emocional pra mim. Como o violão é o melhor amigo da personagem, vou te dar um dado.  Pode interpretar o resultado na sua ação, de acordo com as descrições abaixo:


    • Sucesso parcial: você se controla, mas ganha mais um ponto em BOMBA EMOCIONAL, de furiosa. Que pode resolvido em ON se você fizer uma ação que acalme a personagem.
    • Sucesso total: você se controla,  sem ganhar condição.
    • Falha: você não se controla e tenta pegar de volta o violão e o pai puxa com força, arrebentando algumas cordas dele (ainda sim leva o violão)





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    Mensagem por Makaveli Killuminati em Sex Ago 14, 2020 8:35 pm




    Coisas Velhas

    A contagem termina, e vejo a maçaneta girar. Bem em tempo. Pelo menos algo eu consegui jogar na caixa, e minha irmã é sempre uma distração viável, bom pra mim. Puta que pariu, mal consigo prestar atenção no que esse homem fala, até a voz dele me causa enjoo, blah! Se ele estivesse falando comigo certamente conseguiria notar minha expressão nauseada, espera, acho que ele falou mesmo comigo... Que seja. Mas agora acho que ele está falando do shorts da Nick.

    Finto minha irmã, observo o shorts dela, e não vejo nada de errado. Okay, minha irmã que compre as próprias brigas, eu já estou até o pescoço. "Not my probleeeem..."

    Voltei a prestar atenção nas velharias pelo quarto, e nada salta aos olhos pedindo para ser jogado na caixa, então sinto que o trabalho tinha sido feito, da forma mais procrastinada e sem vontade possível, ainda assim, um ótimo trabalho. Não consigo de evitar de ouvir as poucas palavras trocadas entre Nick e Daniel. Eu deveria ter previsto isso, poderia ter colocado todas as minhas coisas na caixa da Nick. Não que a minha caixa esteja pesada, mas já conseguiria evitar de ter que aparecer na garagem, que pelo que estou entendendo, acho que esperam que eu compareça a grande venda de bugigangas da família Spoelstra... Que saco, essas coisas costumam demorar horas pra terminar... Caramba, ele está olhando pra mim, se segurem neurônios, merda vindo!

    Encaro ele e espero pra ver o que aconteceria a seguir. Observo ele retirando as bonecas menos chatas da caixa. Claro, essas bonecas malvadas não são dignas de encontrar uma família melhor que essa! Que babaca...

    - O que eu vou fazer com essas bonecas? Eu não dou a mínima pra elas faz anos.

    Vejo ele se aproximando do meu violão, e incrédula, cruzo os braços para observar com sangue nos olhos o quê ele iria fazer. Consegui pensar em trezentas formas de me vingar de qualquer merda que fosse acontecer. Eu devo estar espumando, filho da puta. Merda, ele vai mesmo pegar o violão!

    - Não!

    Quase dou um salto tentando alcançar o violão antes dele, mas ele foi mais rápido. Desgraçado. E ele ainda tem o quê falar. Minha expressão deve responder tudo. Mas tenho ainda mais a acrescentar antes dele sair do quarto.

    - Você faz isso pra provocar?.. Sério? Vai levar o meu violão como refém?..

    Olho pra ele puta, indignada, querendo avançar no pescoço dele. Mas, qualquer ação arbitrária e ele pode quebrar o violão. Não que eu ache que ele tenha coragem de fazer isso, mas é destrambelhado o suficiente pra fazer alguma merda.

    - Se o meu violão tiver um arranhão a mais do que ele tem agora... Ou melhor... Se você colocar ele a venda... Eu juro! É melhor você gastar todo o dinheiro em cadeados novos pra trancar os armários daquelas armas que você guarda na garagem...

    Jogo a caixa com bonecas no chão, e avanço em passos bravos na direção da porta, trombando com o idiota do meu pai e caminhando na direção do sótão.




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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Bastet em Sex Ago 14, 2020 11:58 pm




    Coisas Velhas




    O pai não se importava com os protestos da menina quanto às bonecas mais “rebeldes”, muito menos quanto ao pequeno chilique por causa do violão.  Ele apenas fez um gesto desdenhoso com a mão que estava segurando o violão e continuou seguindo para fora do quarto.

    Nada aconteceria com o violão, caso ela fosse boazinha... Mas a jovem, furiosa com a situação, passou trombando no pai e fez com que ele se desequilibrasse de leve, arranhando as cordas do violão na quina da porta.

    Enquanto marchava em direção ao sótão, Lorra poderia ouvir aquele barulho triste de quando algumas cordas se arrebentam e se desprendem das tarraxas do violão. O pai xingou alguma coisa, enquanto descia as escadas, resmungando para Laura o quanto a filha deles havia regredido na educação que eles haviam dado.

    ***

    A entrada do sótão era aquelas presas ao teto,  não muito seguras de se subir. Havia sido reformada após se mudarem  pra lá, pois Nick havia arrebentado (de alguma forma inexplicável) a trava enquanto estava lá em cima, ficando presa por horas lá, até que alguém desse falta dela e conseguisse abrir a portinha. Agora, a escada era dessas de ferro, não mais de madeira, com molas todas chiques, travas cheias de frescura e todo aquele mimimi que Dan contava para as visitas quando, por algum motivo, alguém perguntava sobre o design da casa.

    Prólogo - Coisas Velhas 4ktATiW

    Ao contrário de toda a casa, o sótão não tinha o revestimento de gesso e madeira que deixava os ambientes da casa aconchegantes. Tudo o que se via era a madeira de construção, tanto no teto quanto no chão, muita poeira e bagunça que ninguém mexia há anos.

    A única iluminação vinha da entrada de ar e de duas lâmpadas amareladas. Elas não estavam em pleno funcionamento, piscando vez ou outra, caso a menina quisesse acendê-las.  Em uma estante, tinha livros e cacarecos antigos de Laura e das filhas em época de jardim de infância e escola primária.

    Prólogo - Coisas Velhas BWoGsMg

    Tinha um saco de pancadas no chão, apoiado na parede, da quando Daniel estava tentando uma promoção. Tinha muitas caixas da época que se mudaram, ainda lacradas, e móveis “vintage” demais para ficar na casa quase moderna deles.

    Enquanto você tentava passar pelas caixas e coisas velhas espalhadas pelo chão, esbarrou na estante, derrubando uma caixinha de música que caiu no chão, começando a tocar. Você se lembrava daquela caixinha de música, tinha ganhado ela ano passado de Drew... Tocava a primeira música que ele havia ensinado você a tocar no violão - "Come as you are" da banda nirvana.

    Perto de onde a caixinha de música tinha caído, embaixo de um tapete enrolado e empoeirado, estava uma caixa de papelão ainda lacrada, escrito LORRA’S ROOM. Provavelmente suas coisas de criança, da época que se moravam em outro lugar. Você nem lembrava direito, pois era bem pequena.

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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Makaveli Killuminati em Sab Ago 15, 2020 3:29 am




    Coisas Velhas

    Encaro a escada para o sótão na minha frente e verifico o seu estado e quão segura era. E puxa vida, quanto investimento para uma escada para o sótão, talvez eu devesse desmontar a escada e levar para a garagem, deve valer uma nota e não preciso ficar vasculhando na imundice que deve estar lá em cima... Ah, teve o lance com a Nick, acho q não vale a pena mexer na escada não, e daria "mó" trabalho.

    Subo na escada com destino à escuridão. Talvez eu tenha gastado toda calma que tenho enquanto subia a escada, pois a altura não de meixa tão confortável. Mas enfim chego no último degrau, tarefa cumprida. E nem está tão escuro quanto minha imaginação desenhava. A janela dava conta de iluminar o centro do sótão, e aos poucos os olhos acostumam. Claro que está bem escuro, mas não está o breu que eu imaginei. Mas, bora iluminar melhor esse chiqueiro. Procuro o disjuntor das lâmpadas e acendo a iluminação.

    Okay, melhor assim... Apesar de piscar, quebra o galho.

    Observo tudo o que tinha ao meu redor e não deixo de me surpreender com a quantidade de tralha que avistava. Entre o que passou os olhos, o saco de pancadas me chama atenção. Talvez eu devesse levar para baixo, mas essa porcaria é pesada feito o inferno. Melhor não...

    Enquanto me espremo para passar entre os vãos das caixas, deixo derrubar alguma coisa. Fico parada no meu lugar e tento avistar do que se tratava.

    - Caralho! Eu achei que eu tinha perdido essa merda!

    Eu me agacho e seguro a caixinha de música na minha mão. Resmungo as notas do violão enquanto ouvia a música da caixinha carregada de lembranças. A saudade embarga minha voz, e o aperto no coração me faz ficar sem ar por um curto segundo. E logo a raiva toma o lugar da saudade, e eu começo a culpar o destino, ou qualquer coisa sem sentido pelo fim do Drew. E a tristeza e solidão se misturam entre os outros sentimentos. Esfrego os meus olhos e percebo que estou chorando. Fico mal comigo mesma por ser tão boba e emotiva. E perdida, retomo a consciência e verifico qualquer coisa ao meu redor pra retomar a realidade. Então percebo a caixa salvadora, "LORRA'S ROOM".

    Era tudo que eu precisava, uma caixa cheia de coisa minha que eu não devo precisar mais. "Jackpot!"

    Agora, com todo esse tempo livre que tenho pra fingir que estou trabalhando duro aqui em cima, hora de aproveitar e iluminar ainda mais esse local... Eu coloco minha mão no bolso do moletom, e com a destreza de quem já está craque nisso, retiro o recipiente metálico que carregava cigarros e meu isqueiro super estiloso do Esquadrão Suicida... Eu sei, o filme é horroroso, mas esse isqueiro é muito legal!

    Prólogo - Coisas Velhas BTQl99h

    Caminho até a janela, me debruço sobre o peitoril empoeirado, retiro um cigarro, coloco na boca, acendo o isqueiro e o aproximo da ponta do cigarro, dou meu trago e deixo a mágica acontecer... Puts, era tudo o quê eu precisava. O feixe de luz que entra pela janela não consegue ignorar a dança da fumaça, decorando o ambiente com a arte esfumaçada que tanto gosto. Eu devo estar a própria Rachael de Blade Runner. Linda e empoderada... Dou risada sozinha por conta dos meus pensamentos idiotas. Termino o meu cigarro tranquila, e volto a olhar para o interior do sótão. Observo o cigarro pela última vez e dou o último trago. Jogo a bituca no chão do sótão e amasso o cigarro com a sola do meu tênis, para me certificar que não vou incendiar a porra da minha casa.

    Volto até a caixinha de música, recolho ela e coloco sobre a caixa de papelão com o meu nome. Então, carrego a caixa de papelão e desco a escada do sótão com cuidado, e até então essa é a tarefa mais difícil. Meu destino é a garagem, não pretendo abrir a caixa para não me arrepender de "doar" aquelas coisas, e acredito que é um preço justo a pagar por definitivamente não ter tido trabalho algum em realmente procurar por coisas para o bazar. Quem eu quero enganar, eu só estou com muita preguiça, e to pensando em desculpas para dar perdido em cima dos meus pais. Mas, antes de ir para a garagem, é melhor eu passar no meu quarto e deixar a caixinha de música na estante, como recordação.

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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Bastet em Sab Ago 15, 2020 8:07 pm




    Coisas Velhas

    Apesar de toda a situação que a havia levado até aquele porão empoeirado e de toda a baboseira vinda da boca de Daniel, a visita ao cômodo esquecido dos Spoelstra havia rendido uma lembrança quase perdida. Um presente do melhor amigo que havia ido parar ali após alguma das arrumações da mãe no quarto da adolescente rebelde.

    Um misto de sentimentos havia invadido o peito de Lorra ao ver a caixinha de música... Sentimentos bons e sentimentos ruins que deixaram ela com um gosto amargo na boca.

    Nem mesmo a jovem conseguia saber se havia sido bom ou ruim pra si mesma encontrar aquilo... Mas ter um objetivo para a venda de garagem fez Lorra esquecer, por um momento, o turbilhão emocional em seu peito.  A caixa da Lorra criança devia ser um presente dos deuses por zoarem tanto com ela em um único dia.

    ***

    Após conseguir pegar a caixa no meio das bagunças, Lorra resolveu relaxar. Aquele tempo havia ajudado ela a se acalmar, tanto da briga com o pai quanto da pequena crise que teve ao ouvir a música.

    O caminho até o quarto não era longo,  mas difícil com aquele trambolho em suas mãos.  Quando estava quase chegando,  ouve seu pai dando um grito em vocês duas, por estarem demorando, e então Nick sai correndo da porta do próprio quarto, tropeçado no tapete do corredor e encontrando apoio no seu corpo...

    O problema foi que você não estava esperando.  Conseguiu salvar apenas a caixinha de música, mas você e Nichole caíram no chão... Assim como a caixa, que se abriu, espalhando brinquedos, livros infantis e uma espécie de glitter por todo o corredor. Alguns dos seus pertences de criança rolaram pela escada também.

    Prólogo - Coisas Velhas Z5TD9pF
    Nick: Ai, Lor, desculpa! Ai, porr…. Ai meu pé.


    A irmã se policiou em falar um palavrão ali na casa e se sentou no chão, mexendo um dos pés. Aparentemente, estava bem, pois mexia, mas ela fazia uma careta. Em seguida, ela olhou em volta, vendo a zona que estava ali... E se levantou, melhorando quase como um milagre.

    Prólogo - Coisas Velhas Z5TD9pF
    Nick: Papai tá me chamando… Desculpa aí


    E saiu correndo, usando a sua própria premissa de que cada uma devia lidar com seus próprios problemas.  

    Quando os sons dos pés dela batendo na escada se findaram, um silêncio esquisito pairou no corredor e Lorra sentiu os braços arrepiarem quando ouviu uma voz em sua mente. Era feminina, melodiosa e sussurrava de forma estranhamente familiar.

    “Lorra! Lorra, venha até a gente... Não nos deixe sozinho novamente”

    Essa frase ecoava em sua mente repetidas vezes, parecendo vir de cada coisa espalhada no chão do corredor e ficando mais alta quando ela se aproximasse da caixa amassada. Dentro da caixa, um antigo caderno seu. Estava todo lacrado com fita adesiva como se, por algum motivo, a Lorra do passado não quisesse que ninguém lesse.

    Os sussurros ficaram mais altos, confusos, várias vozes falando ao mesmo tempo... Mas uma se destacava, uma voz que você não ouvia há um ano.

    “Ei! Psiu... Lorra, Aqui...não me deixe sozinho... ”


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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Makaveli Killuminati em Dom Ago 16, 2020 4:32 am




    Coisas Velhas

    "WTF"

    Tudo aconteceu muito rápido. Esbocei mandar meu pai calar a boca, e de repente, booonm! Um trem me atropela!

    - Tá doidona!!!... Droga!

    Dou uma rápida olhada nas consequências do acidente, e pelo menos a caixinha não quebrou, aparentemente. Mas porra! Essa bagunça agora, todo o tempo que ganhei... Mereço! Tem purpurina, glitter, o diabo, por todo canto!

    - Desculpa? Olha essa bagunça!

    Reclamo furiosa, ainda hesitante em mover um fio do cabelo pra limpar toda aquela merda. Percebo que ela parece ter machucado o pé e me inclino para ver se era algo sério, e quando me aproximo, minha irmãzinha querida simplesmente levanta e sai correndo para atender o ditador de bosta.

    - Sério???

    E de repente estou falando sozinha.

    Não acredito que vou ter que limpar toda essa merda sozinha! Qualé Nick, não vai querer começar a me ferrar também né? Vadiazinha esperta. Suspiro nervosa e começo a me levantar, e...

    Que porra é essa? Procuro pelo local de onde partiu o som, mas nem sei por onde começar, parece que simplesmente a voz ecoou na minha cabeça. Me sinto assustada, o frio subindo pela coluna e arrepia. E logo em seguida a voz repete a mesma sentença, dessa vez me assusto menos.

    - Eu to ficando louca... Completamente louca.

    Continuo procurando a fonte da voz, e quando me aproximo da caixa com minhas coisas antigas, mais alto o som fica. Não tenho certeza se eu devo obedecer a voz, e repentinamente meu instinto responde.

    - Não me diga o que fazer!

    Fico brava com a voz que tentava me persuadir. Droga! Eu estou falando comigo mesma? Hora de vasculhar essa caixa... Não, não, não, NÃO!!! Mais vozes!!!... Espera, talvez não estejam na minha cabeça!

    Passo os olhos sobre o caderno misterioso. Não tenho lembrança nenhuma em ter lacrado este caderno, talvez nem seja meu. Eu não consigo explicar, mas sinto que as vozes estão vindo direto desse caderno, é só uma intuição. E se eu não for a única que posso ouvir o caderno? Eu não posso levar o caderno junto com as outras coisas.

    - Ahhhh CALEM A BOCA! DEIXEM EU ME CONCENTRAR!!!

    Grito com as vozes, e elas cessam, mas uma continua, e eu conhecia bem essa voz. Minhas pernas e mãos tremem, e meus olhos ficam marejados imediatamente.

    - Drew???

    Em pé, fico procurando meu amigo em todo canto do corredor. Mas não o vejo. Drew, você falou comigo, ou foi o caderno? Fico observando o caderno novamente. Por um instante penso em pegar o caderno misterioso, jogar debaixo da minha cama e carregar as outras coisas correndo até a garagem.... Mas que se foda!

    Eu pego o caderno misterioso e desço a escada correndo. Tento me esgueirar para sair de casa sem ser vista, mas minha cabeça não me deixou prestar atenção o suficiente para conseguir sair de fininho. Meus pais conseguem me ver tentando sair de casa, e eu nem espero eles abrirem a boca.

    - Desculpa! Eu esqueci totalmente... Amanhã eu tenho um trabalho de química que é em grupo para entregar, e a Srta. Middleton falou que se eu não tirar uma nota boa amanhã eu vou ser reprovada!.. Estudo em primeiro lugar! Certo??? Tchau tchau!!! Amo vocês!!!

    Eu atropelo qualquer tentativa deles retrucarem e bato a porta da frente. Eu sou uma péssima atriz, com certeza notaram minha cara esquisita e totalmente assustada. Não importa. Eu PRECISO ver o quê tem nesse caderno, mas não aqui, em um lugar silencioso, longe das pessoas. E vocês do caderno, calem a porra da boca! Droga... Eu escutei a voz do Drew. Tenho certeza... Eu saio correndo, e meu destino é o meu colégio. Não é tão longe, e o estacionamento aos domingos é praticamente deserto.

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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Bastet em Dom Ago 16, 2020 4:07 pm




    Coisas Velhas



    As vozes continuaram sussurrando em sua mente enquanto tentava fugir de casa e dos seus pais.  Pareciam cada vez mais numerosas e enlouquecedoras,  ecoando dentro da sua mente.

    Daniel tentou te impedir de sair, mas Laura apaziguou a fúria dele. Ela ainda acreditava que a filha tinha “jeito”. Se Lorra estava saindo em pleno domingo, sem se arrumar, sem dinheiro e com um caderno em mãos, era bem crível que ela estava dizendo a verdade. Talvez a cara de desespero e choro fosse pelo medo de reprovar? “Talvez minha antiga Lorra esteja voltando”, a mulher até pensou, planejando falar com a Srta. Middleton na manhã seguinte sobre o esforço da filha em voltar ao seu antigo desempenho.

    A única pessoa que reparou que você estava MESMO mais estranha que o de costume foi Nick. A menina te olhou enquanto saia, preocupada... Talvez fosse pelo ocorrido anteriormente, mas seu comportamento chamou atenção da irmã, que chegou chamar pelo seu nome enquanto você corria pra fora de casa... Mas a voz dela foi apenas mais uma na sua cabeça.

    ***

    ♬ Voices in my head again
    Beating me in a war I can't win♬

    O caminho até a escola não era longo. Lorra sabia os atalhos para chegar no centro da cidade rapidamente, entre becos e quintais de vizinhos que já estavam acostumados com as crianças tomando aquele caminho para a escola.

    As ruas estavam molhadas, pela chuva que caíra durante a noite, e tinha muitas folhas alaranjadas e escorregadias no chão. Era outono, uma época linda, tirando a sujeira das árvores que ficava em toda parte.

    A medida que ela andava, as vozes em sua cabeça ficavam mais altas e mais limpas... Antes pareciam sussurros que poderiam ser de alguém... Agora, pareciam vozes de pessoas que ela conhecia, misturadas, a chamando ou insultando...

    ♬I can hear them now
    Trapped in a game inside my own skin ♬

    No meio dessas vozes, sempre a de Drew se destacava.

    Prólogo - Coisas Velhas Nyqo3Pc
    Está fugindo de mim, Lorra? Você prometeu que íamos ficar juntos pra sempre....


    Na última curva, antes do colégio, quando Lorra já estava correndo de tanto desespero, ela pisou nas folhas que estavam na calçada, caindo no chão. O caderno caiu perto de seu corpo, mas, por ela soltar, os gritos começaram.

    Prólogo - Coisas Velhas Nyqo3Pc
    LORRA! LORRA! LORRA!


    Ela já podia ver a escola. No estacionamento, alguns jovens haviam improvisado uma pista de skate e estavam fazendo manobras ali... Um pessoal que provavelmente fazia aula contigo, mas você nunca havia se importado em saber o nome.

    Não parecia ter ninguém na quadra dos fundos e a cerca não parecia algo difícil de burlar.

    ♬And I don't know myself anymore
    They're pulling me under ♬

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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Ago 19, 2020 9:08 am




    Coisas Velhas

    Que dia maluco. O Owen provavelmente está colocando alguma porcaria nos meus cigarros. Essas pestes não calam a boca, espero que ninguém os ouça. Mas se for o caso, estão na minha cabeça, o quê significa que eu enlouqueci REAL! Caramba, não tem uma alternativa positiva.

    Pare de falar assim comigo, Drew. Você sabe que eu odeio cobranças!

    - Você também prometeu... E eu to sozinha faz um ano.

    Estou quase chegando. Ainda bem que os efeitos do cigarro não tiveram tempo de estragar meu condicionamento... Acho... Ai meu pé! E antes de eu conseguir pensar em proteger o caderno na queda, me protejo com as mãos diminuindo o impacto. Malditas folhas. Encaro o caderno no chão, as vozes se intensificam e fico preocupada e transtornada com isso. Me estico e alcanço o caderno, trazendo-o até meu corpo. Ainda sentada no chão, verifico se alguém tinha visto aquela vergonha que passei, ou que o caderno me fez passar... Ou essas malditas folhas caídas.

    Me levanto e começo a me limpar. Percebo resquícios da queda nas mãos, cotovelos, joelhos e bunda, e então, depois de ficar plena novamente, sigo o meu rumo.

    Droga, cheio de gente. Melhor procurar outro lugar, e já sei qual, a quadra dos fundos. Okay, é só eu passar por eles, fingir que não os vi e não puxar assunto, e espero que façam o mesmo, continuem me ignorando. Eu contorno o estacionamento e caminho até a quadra dos fundos.

    E como eu imaginei, ninguém aqui atrás, perfeito! É só eu puxar esse arame aqui, e... Ouch! Me arranhei... Presta atenção no que você está fazendo Lorra! De novo, só puxar esse arame com cuidado, levantar essa tela e... Me espremo para passar pela brecha criada na cerca. E, enfim sós!

    Caminho os fundos da quadra e me aconchego debaixo da cesta de basquete. Ainda perturbada pelas vozes, observo o caderno em minhas mãos e começo a retirar todo aquele emaranhado que envolvia ele, então, leio o seu conteúdo.

    - Vamos ver o quê tem aqui...

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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Bastet em Qua Ago 19, 2020 9:09 pm




    Coisas Velhas


    Nenhuma pessoa parecia ouvir nada estranho enquanto ela andava ou corria pelas ruas da cidade. Na verdade,  as pessoas com quem ela cruzou só olhavam estranho para ela quando a menina falava com o caderno...  “A menina dos Spoelstra tá esquisitinha, né”, ela chegou a ouvir de uma senhorinha que tricotava na varanda junto com outra senhorinha.

    O caderno não se calava um minuto, mas as vozes voltaram ao volume normal quando você o pegou de volta. Ele queria estar perto... Se isso era mesmo possível, o caderno querer algo.

    ***

    Lorra ouviria umas risadinhas dos jovens de skate, quando caiu, mas nenhum deles pareceu se importar com a atividade suspeita da garota nos fundos da escola. Afinal, não era incomum alguém perambular por ali a procura de um lugar pra fazer coisas que não queriam fazer em casa... E, bem, assim como ela não se importava em saber quem era boa parte de sua turma, as pessoas também não pareciam ligar muito pra ela em situações que não envolviam alguma maluquice ou escândalo.

    Não demoraria para ela estar na quadra. O sol ainda estava gostoso e o local silencioso... Tirando as vozes do caderno.  

    Enquanto ela encarava o objeto, cheio das fitas adesivas,  as outras vozes se calaram, só se destacando a de Drew, que era intercalada com sons de água, como se uma quantidade massiva do líquido entrasse na boca dele enquanto ele falava.

    Prólogo - Coisas Velhas Nyqo3Pc
    Você nem ....tentou segurar…. Minha... mão, Lorra... Não .... não me ajudou... Não me... deixa agora... Precisamos... Preciso de...VOCÊ....


    A frase ecoava na sua mente, misturada com um sentimento que nunca havia saído de seu peito. Era como se Drew soubesse como você se sentia. “Eu não cheguei a tempo” / “Eu podia ter feito algo” / “Foi minha culpa?”, eram os principais pensamentos na sua mente.

    Prólogo - Coisas Velhas Nyqo3Pc
    Foi sua culpa… me ajude agora


    A voz repetiu, no mesmo momento em que você tirou a última camada de fita adesiva e abriu o caderno.

    Tão curiosa e nervosa, Lorra abriu o caderno num movimento rápido, fazendo uma nuvem de glitter voar em seu rosto.  Mas não era um glitter comum... Era como se tivesse vida.. Flutuando em frente ao seu rosto, entrando em seu nariz e boca, fazendo você engasgar e se sentir levemente tonta.

    Prólogo - Coisas Velhas Original

    Em seu colo, o caderno jazia aberto... Não tinha nada escrito, apenas ilustrações. Eram suas, com certeza, mas você não se lembrava. E eram todas muito bizarras e perturbadas.

    Prólogo - Coisas Velhas Aa3cb8d6f3dc794f9781983ee6ca3895

    Você foi ficando cada vez mais tonta, sentindo seu corpo perder a consciência. Na verdade, não era como perder, era como cair num abismo escuro e ao mesmo tempo colorido. Frio e muito quente...  muito fundo e muito raso.

    Caiu....E acordou.

    Estava em uma cama que não era a sua, parecia grande demais. Em um corpo que não era o seu... Era pequeno demais.  Em um quarto que não era estranho, mas não era o da sua casa.

    E estava muito escuro, só uma fresta de luz da lua entrando pela janela. Iluminava um armário, um espelho, muitos desenhos na parede e bonecas estranhamente parecidas com as suas.


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    Mensagem por Makaveli Killuminati em Qua Ago 19, 2020 11:05 pm




    Coisas Velhas

    Me sinto particularmente assustada ouvindo novamente a voz do Drew abafada pela água. Pra falar a verdade, eu não sei mais em quais lembranças daquele dia eu posso confiar. Mas é familiar este som, e aterrorizante. Por quê você está fazendo isso comigo Drew? Sinto um aperto enorme no meu coração, fecho os olhos e seguro o choro como posso.

    - Você não sabe, Drew...

    Muitos pensamentos perturbam a minha mente, e mal consigo me concentrar na simples tarefa que vim fazer aqui. Fecho os meus olhos para recuperar um pouco de atenção e retiro a última fita no mesmo instante que volto a abrir os meus olhos. O caderno quase esgorrega, mas seguro firme, e de repente milhares de particulas, cada uma carregada com seu próprio brilho e identidade, se encarregam de me seduzir e hipnotizar.

    - Cof* Cof*

    Aos poucos consigo enxergar através daquela poeira e observar as páginas abertas do caderno. Encontro meus desenhos antigos, definitivamente são meus desenhos, eu sei reconhecer meu traçado. Desenhos de uma época feliz e tranquila, mas... Esses são tão tristes, porquê? Eu não entendo, não me lembro. Consigo enxergar a beleza de cada um deles, mas não fico menos assustada com isso. Me sinto... Enfraquecida... O quê está acontecendo comigo?

    Deixo o caderno cair em meu colo e apoio as duas mãos no chão da quadra de concreto. Estou caindo! E já não tenho onde me apoiar.

    - AHHHHHHhhhhhhhhh....!!!

    Grito enquanto meu corpo é engolido pelo abismo de nenhuma e muitas cores. Sinto meus olhos brigarem entre si e meu cérebro não respondendo aos estímulos visuais que recebia. Desisto de tentar me segurar no nada e me abraço para me proteger do frio intenso, e sinto minha roupa ensopada de suór por conta do calor infernal. Sinto meu corpo cair como um meteóro, cada vez mais próxima do fundo do abismo, que já não parecia tão fundo assim. Esse deve ser meu fim. Eu deveria sentir paz, mas só sinto medo. E logo vem o impacto.

    - AHHHHHHhhhhhhhhh....!!!

    Grito outra vez e me levanto de supetão. Amedrontada e perdida enquanto observo o cenário ao meu redor. Que porra é essa? Me levanto da cama com pressa, verifico meu corpo e, não sou mais eu. Eu não sou mais eu! Que merda é essa? Não, não, não, nããããoooo.

    Começo a andar de um lado para o outro no quarto e não quero pensar em nada. Fecho os meus olhos, espero alguns segundos passar e novamente os abro. Nada mudou. Não consigo perceber se estou sóbria, chorando, sorrindo ou sonhando. Verifico minha aparência no espelho para constatar no quê ou em quem eu estou presa.

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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Bastet em Qui Ago 20, 2020 8:11 pm




    Coisas Velhas



    No escuro, com medo, tudo no quarto parecia ter seu toque levemente assustador. Os olhos grandes dos desenhos na parede, o pequeno dossel sobre a cama, com borboletas grudadas no véu – que pareciam se mexer a medida que o vento entrava pela fresta da janela, o armário entreaberto e a escuridão dentro dele, as roupas penduradas em uma pequena arara da altura de uma criança mediana.

    O corpo que Lorra habitava, no momento, parecia ter pernas mais curtas, fazendo ela tropeçar uma ou duas vezes até se acostumar com seu novo ritmo de passada. Era mais baixo também, botando em perspectiva toda a visão da menina.  Móveis que geralmente seriam de “tamanho normal” para a adolescente, agora pareciam grandes demais e altos demais.

    O desespero começa a tomar conta de você e, sem mais saber o que fazer, você decide, finalmente, olhar o que ou quem você era.  Se aproximou do espelho, com os olhos entreabertos, tentando distinguir que merda de realidade era aquela... E, para a sua surpresa, a imagem que você via era familiar. Você já tinha visto em fotos de família, nos álbuns do colégio, em lembranças distantes... Era o rosto e o corpo que você possuia quando era criança. Talvez uns 6 ou sete anos. Talvez mais ou talvez menos... Era difícil ter qualquer lembrança dessa idade.

    Prólogo - Coisas Velhas 78jl5pM

    Você SABIA que era você, mas você não sentia como se aquela imagem te representasse. Era você... mas não era. Não parecia certo o seu eu criança ser como aquela imagem que você via no espelho. Antes você não se lembrava, mas foi naquele momento que o sentimento de “não pertencimento” começou a crescer em sua mente. Será que a questão de Lorra era mesmo, apenas, com a maldita cidade de Spring Valley?

    ***

    Enquanto você refletia sobre aquilo, sentindo o corpo todo tremer, um sorriso surgiu em seu rosto.  Ouviu lá em baixo sua irmã gritando, pedindo ao papai para brincar de boneca. A mamãe tava no telefone, falando com a avó sobre o novo endereço para o qual se mudariam no próximo mês. Tudo parecia normal... Os móveis eram seus, o reflexo era seu... Você tinha aquela idade.

    A consciência dupla e duvidosa ficou perdida no meio dos pensamentos infantis. A sensação de não pertencimento parecia precisar apenas de uma troca de roupas para acabar. E se vestisse aquele vestido de princesa que a mamãe havia comprado no natal?

    Era uma boa ideia! Os sapatinhos da Barbie que combinavam estavam debaixo da cama e você os foi buscar primeiro. Assim que se abaixou, ouviu um bater de asas no quarto. As borboletas do seu dossel estavam voando... Dançando no ritmo de uma música que vinha de dentro do seu closet... E, dele, naquele espaço meio aberto da porta, não tinha mais escuridão. Tinha um brilho bonito, da cor preferida da Lorra criança.  Uma voz melodiosa cantava em algum lugar lá dentro e crianças acompanhavam.



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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Makaveli Killuminati em Dom Ago 23, 2020 11:40 pm




    Coisas Velhas

    A imagem que o espelho reflete me faz ficar nervosa, ansiosa. Começo a tremer. Isso só pode ser um pesadelo, não é possível, eu não consigo acreditar que isso seja real. Levanto minha mão direita na altura do meu peito e observo que meu corpo não está reagindo nada bem àquela experiência. Eu levo minha mão até o espelho, tocando minha face no reflexo do espelho e sentindo a superfície fria do vidro na palma da minha mão. Essa sensação, não é como se estivesse em um sonho. Ou melhor, pesadelo. É tudo tão real.

    Meu olhar ilustra o vazio de quem não conseguia se encontrar naquela realidade. E de certa forma, essa não é a primeira vez que me vejo com este olhar. Aos poucos eu me perco cada vez mais, e já não tenho uma bússola para me guiar. Os únicos companheiros nessa viagem turva pela minha mente são meus sentimentos e sensações, e todas elas me apavoram.

    A voz da minha irmã quebra minha reflexão, e agradeço mentalmente a ela. Ouço também minha mãe falando no telefone. Então, eu voltei para os dias anteriores a nossa ida para Spring Valley?

    É melhor eu me vestir. Me despeço da imagem "mentirosa" no espelho e sigo até o centro do quarto. Eu simplesmente não sei o quê fazer. Não que eu ache de todo ruim voltar no tempo e desfazer umas merdas, mas... Eu volto a observar o meu corpo. Eu odeio ser criança. Pelo menos minha roupa de princesa combina comigo agora. Me abaixo e recupero meus sapatinhos delicados deixados embaixo da cama, e percebo as borboletas que acompanharam meus sonos de criança agora acompanhando a melodia que vinha do closet... Espera, que porra é essa? Eu não gosto dessas porcarias de princesa! Foda-se esse rolê de princesa!.. Arremesso os sapatinhos longe, tão longe quanto uma criança de seis anos poderia arremessar. E logo fico com remorso. Droga, eu ficaria tão linda com aquele sapatinho... Lorra, não perca sua cabeça! Concentre-se! Essa não é você!

    Mas a melodia é real, eu posso ouvir. E essa luz roxa, quanto charme... Eu sempre gostei de roxo, isso nunca mudou. Eu não entendo direito a razão por trás disso, mas não posso ignorar o chamado que o universo está me fazendo nesse instante, é tão óbvio, uma porta entreaberta que reluz e esconde a origem de uma melodia tão bonita, é lógico que vou verificar do quê se trata. Então, caminho até próximo a porta do closet e coloco suavemente as minhas mãos sobre o batente da porta, espiando quem eram as pessoas que cantavam pra mim daquela forma. Não que eu quisesse me esconder, por que não quero, mas, me sinto tímida. Que ridículo.

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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Bastet em Ter Ago 25, 2020 6:16 pm




    Coisas Velhas

    Em meio ao misto de sentimentos e sensações que aquela realidade causava, a jovem/velha Lorra se sentia extremamente confusa. Sua mente estava dividida entre as preocupações e confusões que qualquer adolescente teria; e os impulsos e pensamentos de uma criança que um dia fora.  

    Você joga o sapatinho que tanto gostava longe, em um ímpeto dessa confusão. Um deles cai no tapete, seguro, mas o outro se espatifa no chão, quebrando seu material delicado em milhares de pedacinhos brilhosos que flutuavam e começavam a dançar junto com às borboletas no teto do quarto.

    Quando a criança abre a porta do armário, a luz roxa quase cega, a fazendo fechar os olhos por um instante. Ao mesmo tempo, uma brisa e um cheiro herbal invadem o quarto. Quando finalmente consegue abrir os olhos, vê que, a um passo de distância, estava uma linda floresta.

    Prólogo - Coisas Velhas LHZ6e1n

    Parecia como qualquer outra floresta, talvez até aquela perto da casa de Owen, mas tinha algo que era muito... muito diferente. As plantas brilhavam, iluminando um caminho a ser seguido. As borboletas entraram na floresta e os pontinhos brilhantes iluminaram ainda mais o caminho de Lorra.

    Após ter a coragem de dar o primeiro passo pra dentro do armário/floresta, a menina sentiria a relva molhada sobre os pés descalços, o cheiro delicioso das flores e a beleza esplendorosa do lugar. Atrás de si, sentiria a porta do armário se fechar e sumir lentamente, dando lugar à paisagem do local.

    ***

    A presença de Lorra faria toda a floresta ficar mais vibrante. A voz que cantava aquela música vinha de algum lugar mais a frente, seguindo a trilha iluminada. Os galhos das árvores se mexiam de acordo com a música e as flores pareciam ter vida própria.

    Em certo momento, você ouve uma vozinha pequenina, fina e quase irritante, vindo de algum lugar que você ainda não tinha conseguido identificar.

    Prólogo - Coisas Velhas RBOEmod
    ????: Hey! Hey criança!


    A voz vinha de baixo. Quando você movesse seus pés para ver o que, de fato, estava falando contigo, veria um caracol florido se arrastando pela trilha, querendo atravessar para o outro lado. Entre as flores, uma delas balançando os braços (??), com a cara vermelha de tão braba.

    Prólogo - Coisas Velhas HB6UjaV


    Prólogo - Coisas Velhas RBOEmod
    ????: Cuidado com esse pezão, menina!


    Do nada, a flor se separou das demais, ajeitando as pétalas vermelhas pra baixo, como uma saia, e começando a voar. Era pequenina, mas quando chegasse perto dos seus olhos você veria com clareza.  Tinha um corpinho amarelo, pequenas asinhas e várias pétalas vermelhas.

    Prólogo - Coisas Velhas Y9ax44z

    Prólogo - Coisas Velhas Ha27pMW
    Nunca aprendeu bons modos não é? A preferência é sempre dos menores!


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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Makaveli Killuminati em Ter Set 01, 2020 3:28 am




    Coisas Velhas

    Eu não esperava que a luz fosse tão forte, e não consigo olhar diretamente para ela. E aos poucos me acostumo, ou a luz enfraquece. Abro meus olhos novamente.

    - Uau!

    Eu não lembro de ter utilizado nenhuma droga pesada. Mas se eu usei, talvez eu devesse repetir outra hora. Observo a floresta em minha volta, boquiaberta. Esse lugar é impossível de existir no mundo real, com certeza eu estou sonhando. O Owen saberia algo sobre isso, e minha mãe também. Estou achando um máximo esse lugar!

    Dou um passo a frente e percebo a porta atrás de mim fechar. Por um instante fico hesitante, mas logo desencano e continuo olhando para frente, curiosa e disposta experimentar mais o local. Obviamente que isso aqui é muito mais interessante que meu quarto de criança.

    Eu não sei se eu to imaginando coisa, mas juro que eu acho que as árvores estão dançando no ritmo da música. Nessa altura já nem acho que pensar isso seja idiotice. Tudo isso é surreal o suficiente. Será que eu sou esquizofrênica? Ah não! Eu sou esquizofrênica!

    Chacoalho minha mão, fico absurdamente ansiosa e assustada. E em segundos recupero um pouco da minha noção. Mas eu nem sei direito o quê é esquizofrenia. Relaxa Lorra! Chega de drama! Se recomponha!

    Menos atordoada, volto a aproveitar a natureza radiante que quase me fagocita. O Owen iria adorar visitar esse local, ele iria pirar! E pior que ele nem duvidaria se eu falasse sobre esse lugar... Okay, talvez nos primeiros três minutos, mas logo ele notaria que eu estaria falando a verdade. É melhor eu seguir essa trilha, parece ser o único caminho e...

    - Eu tenho 15 anos!

    Merda! Eu respondi um... Caracol??? E ele responde! Que... Ousadia! Eu não sei se estou anestesiada, mas nem estou tão surpresa quanto deveria estar. Já aceitei que estou tendo alucinações. Será que é assim que funciona uma overdose? Olha essas flores! Que lindas!... Nossa, isso não foi nadinha eu, deve ter sido minha versão mirim... Já sei! Vou pegar uma para levar para casa!

    Me aproximo de uma das flores e sou pega desprevenida. O meu alvo praticamente se levanta contra mim. A flor, de tão delicada nem parecia que deveria ser levada a sério.

    - Você!... Vem comigo!

    Eu agarro a flor falante e a sequestro de onde estava, ignoro completamente a pergunta levatada por ela, sendo retórica ou não. E com a criatura que parecia uma flor em mãos, continuo meu caminho pela trilha em direção à origem da canção. Por um instante estou me sentindo menos atordoada, menos infantil, e menos insegura. Mas tenho dúvida de quanto tempo permanecerei estável por aqui. Tento fazer um olhar sério e encaro a criatura em minhas mãos, faço qualquer expressão de poucos amigos, mas acredito que esteja falhando miseravelmente, estou muito empolgada com esse lugar.

    - Eu só vou te soltar quando você me falar que lugar é esse, e porque eu estou no meu corpo de criança. Se eu achar que você está mentindo, eu... Vou arrancar uma de suas pétalas!
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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Bastet em Qui Set 03, 2020 6:41 pm




    Coisas Velhas

    Lorra mal havia entrado naquele lugar e já havia aceitado que era uma realidade plausível... Bem, ao menos plausível na mente de alguém que, possivelmente, não estava em seu juízo mais sóbrio e perfeito.

    O mundo era lindo aos seus olhos, cheio de alegria e a música suave que parecia tomar conta de toda a floresta. Talvez não fosse só ela que sentisse paz ao ouvir a voz... Até a vegetação parecia dançar conforme a música.

    Que lugar seria aquele? Seria o paraíso em meio ao caos ou mais um momento breve de não-sobriedade na vida da menina?

    ***

    Enquanto a jovem de cabelos castanhos andava, foi surpreendida por uma florzinha tão atrevida quanto ela mesma... Só que em um tamanho realmente reduzido. Sem nem pensar duas vezes, Lorra fez a flor de refém, voltando a passear pela trilha da floresta.

    Após ser pega, a florzinha fez um bico gigantesto, tentando se soltar das mãos humanas.

    Prólogo - Coisas Velhas Y9ax44z
    Me solta, criança! Bem que dizem pra não ficar perto de vocês quando aparecem aqui! Tão sem modos! Aiaiai, santa Ortência me proteja!


    A princípio a pequena criatura não tentou nada contra você, afinal, um movimento dos seus dedos podiam matar ela... Mas, quando a ameaça foi feita, você viu a carinha dela ficar vermelha e ela abrir a pequena bocarra contra um de seus dedos.  A florzinha era pequena, mas tinha dentes bem afiados e pontudos, ao contrário do que a adolescente poderia imaginar.

    Os dentinhos se enfiaram na carne e só se soltariam quando a menina a soltasse.

    Prólogo - Coisas Velhas EuB4nj8

    Não era uma dor gigantesca, afinal, era um flor pequena... Mas não era uma sensação agradável e Lorra sentia que, se tentasse puxar, a criaturinha poderia arrancar um pedaço de carne de seu dedo.

    Por fim, quando estivesse livre, ela voaria na direção do seu rosto e daria um peteleco no seu nariz. Com a mãozinha na cintura, atenta contra qualquer movimento de suas mãos, ela fez um “tsc tsc” com a língua.

    Prólogo - Coisas Velhas Y9ax44z
    Se a senhora Branca não tivesse te convidado, eu te jogaria aos Bestiais.


    Ela balançou a cabeça, ajeitando as pétalas bagunçadas e voando em volta de Lorra, como se a analisasse.

    Prólogo - Coisas Velhas Y9ax44z
    Mantenha essa mãozona longe de mim e me siga... Eu sou a Rosinha, aliás. É educado se apresentar quando você invade a casa de alguém! Não pisa no meu amigo, menina!


    O caracol tinha voltado a andar, muito lentamente, ainda sob perigo de levar um pisão da jovem deslumbrada.

    A medida que andava, a música ficava mais alta e bonita. A trilha era bastante longa, o que podia fazer Lorra pensar em como ela havia ouvido a música do quarto, se estava tão longe.

    Após alguns minutos (ou horas?) caminhando, Lorra veria uma grande cabeça de pedra no chão, olhando para o céu. Os musgos já haviam crescido nela e até mesmo algumas flores. Uma escada de pedra ficava ao lado da cabeça e, para aquela região, o brilho roxo não clareava... Era bem escuro entre as árvores fora da trilha.

    A cabeça repetia alguns “piu...piu”, tentando atrair os passarinhos pra si. Não era muito convincente, mas alguns passarinhos já estavam se movimentando entre as árvores, curiosos.

    Enquanto observava a cena, distraída, Lorra não veria outra criaturinha se aproximar.  Um parecia um tronco, com pés, mãos e uma espécie de rosto. Ele parecia atraído pelo barulho emitido pelo rosto de pedra... E descia as escadas de forma desajeitada.  Seguia em direção à boca de pedra que parecia... faminta?

    Prólogo - Coisas Velhas XhUudSy

    Prólogo - Coisas Velhas Y9ax44z
    Hey! Hey, menina! Presta atenção no caminho, não saia da trilha! Vem!


    Lorra estava no limite entre o brilho da trilha e a escada de pedra.

    Prólogo - Coisas Velhas Y9ax44z
    Lorra! A senhora Branca tá esperando, vem!



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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Makaveli Killuminati em Sex Set 04, 2020 2:26 am




    Coisas Velhas

    - Para de gritar e responda logo a minha questão!.. Sua... Florzinha insolente!

    Essa criaturinha é muito charmosa, se ela soubesse o quanto estou me divertindo em importunar ela. Queria que ela pudesse ver a própria cara, ela está "P" da vida comigo, e confesso que eu também estaria se fosse ela. E cá estou eu relativizando minha insanidade novamente. Se minha mãe souber que eu debato com criaturas que parecem flores, não sei se ela se sentiria orgulhosa ou começaria a dar razão pro imbecil do meu pai. Enfim, acho que eu não deveria me distrair por aqui.

    De repente, sinto o beliscão dolorido no dedo, e incrédula, abro minha mão e chacoalho, libertando a florzinha pretenciosa.

    Filha da... Merda! Eu não ia arrancar as suas pétalas. Credo!

    Verifico meu dedo para ver se tinha me machucado, mas não tinha sido nada, não forcei a mão contra a criaturinha, então ambas ficaram quites. Observo a florzinha se aproximando e, não acredito que acabei de levar um tapa de uma florzinha. O universo só pode estar de brincadeira com a minha cara. Sério?

    - Sério???

    Ao mesmo tempo que a criaturinha fica me rodeando, tento seguí-la com os olhos. O quê essa coisa está tentando fazer? Ela não tem medo do perigo, não é possível. Se bem que com esse corpinho de criança eu não meto medo nem no caracol florido. Okay, isso me lembra que eu tenho que dar um jeito de voltar a ser eu mesma... Digo, eu mesma de verdade, não criança.

    Claramente a florzinha gostava muito mais de falar do que de ouvir, então me limito a ouvir, pelo menos dessa vez, antes de retrucar sobre as questões que eu tinha levantado anteriormente.

    - Rosinha... Uau, quanta criatividade!.. Não me diga que o nome do seu amigo é Caracolzinho?

    Provoco Rosinha e procuro pelo caracol no chão, mais como um lembrete de não pisar nele.

    - E eu não invadi lugar nenhum, vocês estão morando dentro do meu guarda roupa... Meu antigo guarda roupa. E você mesmo disse que sou uma convidada da Senhora... - Me esqueço do nome e espero Rosinha completar - Isso! Senhora Branca!... E pode me chamar de Lorra... Porque meu nome é Lorra, afinal...

    _____________________________

    Minhas pernas não estão tão frescas quanto quando eu cheguei aqui, já quero descansar um pouco, e essa rocha parece um ótimo local pra se encostar. Então, me encosto na rocha e aconchego minimamente por alguns poucos segundos. Até quando a gente vai andar? To começando a ficar com fome. Será que a florizinha lê pensamento? Vamos ver... Ei Florizinha, cara de melancia, você é chata e me dá azia!.. Okay, essa foi fraca e nem rimou. Nem ferrando que tenho meus 15 anos mesmo.

    Ainda encostada na rocha, verifico mais atentamente o cenário que se apresentava diante de mim. Uma escada, uma outra rocha mais afrente e vários... Ei, espera, essa rocha ali perto da escada, aquilo é uma cabeça? Cerro meus olhos tentando enxergar melhor, e confirmo a minha intuição. Eu acho que a rocha está com fome, e se ela... Imediatamente dou um salto de volta para trilha e observo onde eu estava me encostando, com o corpo quente da injeção de adrenalina que acabo de tomar.

    - Merda... Eu preciso ficar mais atenta.

    Quando percebo que a rocha onde eu estava encostada era apenas uma rocha mesmo, fico aliviada, mas o susto ainda me acompanha, além disso, a inesperada aparição do ser que parecia um tronco de árvore me deixava aflita. Ao mesmo tempo que eu quero conferir se a rocha vai abocanhar o tronco, eu também quero avisar o tronco que ele pode se dar mal. E antes de eu tomar qualquer decisão, a florzinha me chama para continuar seguindo ela, então eu hesito em falar qualquer coisa, e só observo o quê iria acontecer.

    Continuo atrás da florzinha, confesso que estou curiosa pra saber quem é essa tal de Senhora Branca, talvez ela seja minha saída daqui, então não pretendo enrolar muito por aqui... Se bem que eu acho que eu gostaria de passar um tempo aqui de vez em quando. Nunca se sabe, e o idiota do Daniel nunca me encontraria aqui.

    Procuro o cigarro no bolso com as mãos, e lembro que nessa idade que eu voltei a ter, eu nem sonhava em fumar qualquer porcaria. Eu sobrevivo...

    - Não vai responder minhas perguntas que fiz antes?

    Volto a ficar quieta e continuo a seguir a florzinha insolente, ou melhor, Rosinha.

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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Bastet em Sab Set 05, 2020 9:40 pm




    Coisas Velhas

    Rosinha parece orgulhosa ao perceber que seu tapinha tinha surpreendido Lorra. Você até perceberia que ela estava mais altiva em sua postura e abusada, voando mais perto da sua cabeça. Nesse movimento, a criança humana sentiria o cheiro agradável que a flor exalava... Como era possível ela ser uma flor e uma “pessoa” ao mesmo tempo?.. Não era, né?

    Ao ser questionada sobre o nome do amigo caracol,  Rosinha balança a cabeça, como se a menina falasse só bobagens.

    Prólogo - Coisas Velhas Y9ax44z
    Rosinha: Claro que não! Aquele é o Rodolfo!


    Quando fala isso e você olha pro animal, veria um de seus olhos cumpridos de caracol acenarem pra você e logo focarem novamente no matinho do outro lado da trilha e continuar se arrastando, soltando aquela melequinha que todo caracol solta ao se arrastar.

    Prólogo - Coisas Velhas Y9ax44z
    Rosinha: Isso aqui parece um guarda roupa por acaso? Vocês humanos são esquisitos!


    ***

    Após esclarecer, de alguma forma, às perguntas de Lorra, a florzinha se manteve voando em frente, incansável. Ao contrário da nova “amiguinha”, Lorra se sentia cansada. Suas pernas era curtas demais, sua cabeça, em alguns momentos, parecia um tanto mais pesada que seu corpo. Ser criança não era uma tarefa tão fácil quanto ela se lembrava.

    Rosinha não demonstrava qualquer reação ao teste de leitura de pensamentos, voando sem perceber que você tinha parado.  Só prcebeu quando te viu focada na cabeça de pedra. Voou de volta até você, ao mesmo tempo que você sentiu algo gosmento voando em direção ao seu corpo, sujando seu rosto, braços e pijaminha de estrelinhas.

    Um grito seria ouvido no mesmo momento e Lorra veria somente os pezinhos da criatura de madeira para fora da boca da pedra. Um barulho de madeira quebrando seguiria o grito, enquanto a cabeça mastigava a criaturinha.

    Uma gosma verde, como se fosse um lodo líquido, de textura de uma amoeba ou uma meleca grudenta, escorria por toda parte no corpo de Lorra. Pela primeira vez a jovem veria o próprio cabelo verde, como teria em seus 15 anos... Mas muito mais sujo e gosmento.



    Prólogo - Coisas Velhas Y9ax44z
    Rosinha: Você está na floresta, ué! Na casa da Senhora branca! Se diz convidada com a boca tão cheia e nem faz ideia de quem a convidou. Ia acabar na toca de um Bestial se eu não tivesse te encontrado, com esse seu pezão!  Agora está toda suja! O que vão pensar de mim levando uma criatura suja para o jardim...


    O final da fala era mais pra si mesma, como se reclamasse com a própria consciência.

    Após voltarem a se locomover, em um espaço de tempo que você não saberia dizer, você veria um ponto de luz mais forte à frente, como se as árvores acabassem. A música vinha dali, definitivamente. Além dela, Lorra ouviria conversas animadas, risos e barulho de água corrente.

    [/quote]
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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

    Mensagem por Makaveli Killuminati em Qui Set 10, 2020 11:23 pm




    Coisas Velhas

    - Rodolfo?... Claro, ele tem cara de Rodolfo.

    Dei uma última olhada de deboche para o caracol florido, e, acho que supostamente ele está acenando pra mim. Eu não vou falar nada disso que eu to vivendo pra ninguém quando eu sair daqui, ou vão me internar, e imagino que tudo que o Daniel está esperando é uma oportunidade para me internar. Até ouço a resposta da Rosinha, mas fico pensativa enquanto continuo meu trajeto.

    ___________________

    Enquanto minha mão tenta tatear qualquer coisa em meus bolsos que sirvam para queimar e tragar, sou testemunha da cena horrenda do broto de qualquer árvore que fosse ser devorado pela rocha. Fico em choque, e... Eca! Que nojo! Tiro as mãos do bolso e começo a tirar aquela meleca do meu rosto.

    - Droga! Olha o quê você fez!

    Encaro a rocha esquisita, furiosa, com os punhos cerrados, mas longe o suficiente pra não virar lanche. E eu não terminei, é muito desaforo isso!

    - Da próxima vez... Eu vou trazer uma britadeira!

    Cuspo a gosma verde na direção da rocha e novamente sigo a Rosinha. Droga, meu cabelo, todo melecado, eu to toda suja, como que eu vou explicar isso em casa? Eu nem sei que tipo de mentira inventar pra me safar dessa. Que saco! Aaaaarghh!

    - Okay, esse lugar é terrível. É melhor a Senhora seja lá qual for o nome dela me recompensar por isso. Eu to cansada, muito longe de... da porta do meu closet. E agora to imunda! E você ainda fica reclamando de mim.

    Fico com vontade de gritar com a Rosinha, mas por algum motivo que nem eu sei qual é, me contenho. Mas permaneço com minha cara de poucos amigos, de certa forma literalmente. E enquanto discutimos entre si, e com nós mesma, vejo o final da trilha, as plantas ficando mais esparsas e uma clareira se abrindo. O brilho da luz confirma, aparentemente chegamos no local que eu to procurando, embora eu não saiba muito bem o porque de estar procurando ou o quê estou procurando. Mas a origem da canção vem dali, eu consigo ouvir.

    Me sinto muito cansada, estou louca pra tomar um banho, mas estou muito perto, é melhor eu correr! Sim, quero ver isso logo. Contra todos os sinais do meu corpo, eu corro na direção da clareira, da origem das canções, e da correnteza. Sinto a adrenalina tomar conta e a expectativa subir, vamos ver o quê me espera!


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    Prólogo - Coisas Velhas Empty Re: Prólogo - Coisas Velhas

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      Data/hora atual: Qua Set 30, 2020 12:15 am