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    Connor Mcleary

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    Connor Mcleary - Página 2 Empty Re: Connor Mcleary

    Mensagem por Wordspinner em Sex Jun 19, 2020 2:36 pm

    O pai o abraça com com mãos ásperas e calejadas. O aperto é um pouco mais forte que o normal. Dá para sentir o alívio que um instante antes você viu no rosto dele. O coração batendo mais rápido e forte do que esperaria.  O pai parecia mais baixo. Provavelmente era só impressão. O homem forte sorri e se afasta te puxando para dentro. "Sua mãe tá uma fera. Não sei o que você fez. Mas ela tá andando de um lado pro outro feito doida faz três dias." O corredor da entrada é pequeno demais para os dois. Mas por algum motivo o velho não tira as mãos de você. Uma mão, na verdade, colada no ombro. Ele te empurra para um banco do bar na sala e se senta no outro. Parece que ele vai pegar a sua garrafa favorita de whisky, uma bebida artesanal feita em alguma fazenda de Dover, mas invés disso tira uma garrafa de chá gelado do frigobar. Sua mãe faz esse chá. Ele tem um gosto horrível. Muito ruim mesmo. Mas ela de alguma forma convence ele a beber todo dia.

    "Quer um pouco? Vamos sofrer um copo juntos?" Ele empurra um copo para você e enche o dele deixando a garrafa na mesa. "Puta que pariu, filho. Eu achei que já tinha passado a sua hora." Ele toma um gole e nem faz careta. "Eu tinha planos. Tinha um monte de planos, cara. Agora você jogou a mesa pela janela. Como é essa porra? Sua mãe me fala quase nada."

    A casa toda ganha um outro significado. O quadro feio no meio da sala tem escrito harmonia. A estatua da mulher estranha feita de bronze é um luno. Os rococós nos cantos do teto tem o Corvo das Brumas e até seu juramento. "Nunca derramar sangue sob a nevoa". Seu pai com certeza não vê essas coisas. Devem haver mais espalhadas pela casa. Talvez a escolha da madeira do chão não tenha sido por acaso. "Tem torta de carne na geladeira. Quer um pedaço? Melhor eu trazer a travessa toda, não é?" Ele não espera uma resposta, ou talvez tenha visto uma em seu rosto. Levanta e vai rápido para a cozinha. Mas além dos passos dele dá para ouvir os passos da mãe no andar de cima. De um lado para outro sem falar nada. Será que ela sempre fez isso e você nunca ouviu antes?
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    Mensagem por Ankou em Sab Jun 20, 2020 7:40 am






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    Peso e músculos sempre lhe foram importantes, já a altura era algo natural, não sabia se havia ficado definitivamente mais alto depois da mudança, mas definitivamente havia ganho uns vinte quilos desde a última vez que se pesou e não havia engordado nem uma grama, jamais em sua vida havia se sentido tão forte, e tampouco a musculatura era tão aparente sob a pele, era praticamente um fisiculturista, ainda que nunca houvesse treinado de verdade pra chegar naquele estado.


    - Eu acho que ela acha que eu escolhi algo que não devia, mas a verdade é que eu não escolhi coisa alguma, eu só achei que escolhi... – não falou muito mais sobre aquele desentendimento, a verdade é que ele tinha pistas dos motivos, mas nem ele mesmo entendia, esperava que houvessem respostas muito em breve.


    Acompanhou o pai e se sentou no bar vendo ele tirar aquela garrafa de chá de dentro do frigobar e lhe oferecer um copo daquilo, dificilmente acreditava que aquilo realmente lhe faria algum mal, por mais que houvesse avisos de Rail sobre algumas substâncias ele dificilmente acreditaria que café causaria algum problema também, virou o copo praticamente sem sentir gosto de nada, só um amargor de retrogosto, mas nada insuportável.


    - Eu tinha planos também, me formar, tipo entrar na liga profissional, talvez um contrato milionário um dia... Mas algumas coisas não se escolhe pai. Eu vesti o lobo. – dizia com um certo sorriso, mas um sorriso amarelo, e se era aquilo um segredo pro pai, agora não era mais. Ele concordava que segredos deviam ser mantidos pros parentes urathas, mas tudo que pudesse ajudar a eles se protegerem definitivamente não, e não via problema algum em contar aquilo pro pai se é que ele não sabia.


    Não sabia se havia sido o chá ou apenas havia desenvolvido um olhar holístico pra aquelas coisas nos últimos tempos, percebia como sua própria casa que viveu a vida inteira estava bem longe de ser uma simples casa como imaginava. Não era de finitivamente uma surpresa, exceto pelo luno, não que os considerasse verdadeiramente perigosos, mas tinha certeza que se envolver profundamente com eles era problema na certa.


    Ainda que o pai  não esperasse sua resposta ele respondeu mesmo assim – Definitivamente eu poderia comer alguma coisa. – a fome não era insuportável, mas não era distante disso, Connor sentia o peso de um corpo grande e um metabolismo tão acelerado como o que tinha agora, se comparado ao que tinha antes, tinha certeza que ele comia possivelmente um terço amais de comida agora e um terço de uma quantidade que definitivamente não era pequena.


    Escutava incessantemente os passos da mãe no andar de cima, não se recordava de prestar atenção se isso era uma hábito comum dela, mas isso tinha pouca importância agora, pensou e falar bem alto, “Sério mãe? Um luno na sala de casa?” mas se conteve, a verdade é que se preparava psicologicamente pra conversa que teria em instantes, mas definitivamente queria comer alguma coisa antes disso, ainda que tivesse certeza de que ela já sabia que eles estava na casa pagou pra ver quanto tempo ela demoraria pra descer as escadas e se teria sorte o bastante de comer a torta de carne.



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    Mensagem por Wordspinner em Seg Jun 22, 2020 2:59 pm

    Ele volta com um refratário cheio de torta. Ele nem se deu o trabalho de esquentar. Só espetou um garfo e empurrou na sua direção. "Eu to feliz demais em te ver. Sabe que não pode mais lutar, não é? A gente pode treinar quando quiser. Mas não pode lutar. Nem brigar. Daniel até me proibiu de arranjar confusão. Como foi que ele disse? 'Não é pessoal. 'Se alguém cuspir na sua cara ou mijar no seu pé ou até se um engraçadinho passar a mão na minha filha. Você não bate em ninguém para resolver um problema na minha cidade se eu não disser para fazer.' Toda vez que eu quero quebrar a cara de alguém eu lembro dele. Calmo feito a porra de coveiro. Ele nunca disse o que faria se eu virasse um otário qualquer do avesso. Mas eu sempre lembro. Um babaca me fecha no transito? Lá está ele. Velho do jeito que sempre foi. Foi uma ameaça, não foi? Um jeito Mcleary de dar um aviso amigável?" Ele suspira. Para de bater os dedos da na mesa e deixa a ansiedade que ele nunca mostrou ir embora de novo. A pressão de ser parte de uma alcateia cobra o preço em qualquer um. "To falando besteira, não to. Mas agora vai ser você dando avisos? Seu pai não é burro. Você é igual ao velho. Acho que agora ele pode se aposentar." Ele ri e liga a tv. Muda para uma gravação de uma luta que ele já viu mil vezes. "Senta aqui, quando terminar você sobe." Ele senta no sofá e liga o home theater.

    Um sorriso grande no rosto dele. Os passos de sua mãe param subitamente. Sua ausência repentina gera um alerta no seu corpo. Logo ela recomeça batendo os pés, mas não dura muito. Ela muda de rota e logo a água começa a correr pelo aquecedor. "Ela fez as suas malas." Ele fala meio sem vontade enquanto anunciam um dos lutadores e a plateia vai ao delírio. Os olhos na tv. Vendo de novo o que ele já sabe de cor.
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    Mensagem por Ankou em Seg Jun 22, 2020 7:30 pm






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    A boca enche de água quando ve e sente o cheiro da torta, mesmo fria, não importa, fazia tempo que não comia algo substancial, Connor não fala nada antes de dar uma três ou quatro garfadas e a sensação de prazer e satisfação fica clara em seu rosto, ele continua comendo, mas se dando a oportunidade da falar e continuar sua conversa com o pai.


    Connor dava uma risada quando ele falava do avô, aquilo definitivamente era a cara dele, mas a risada acabou quando o pai menciona aposentadoria e dele tomar o lugar dele – Ele só quer evitar problema pro lado dele, mas pelas regras a terra é dele, ele pode considerar deixar ficar ou chutar a bunda de quem ele quiser pra fora daqui, isso inclui até a minha bunda, se ele tiver força pra fazer isso e eu não chutar a dele. – Se aproximou do pai e sentou-se no sofá e continuou a comer a torta como se fosse uma marmita.


    - Eu posso concordar em algumas coisas com ele mas nem fodendo somos iguais nesse aspecto, pelo contrário, eu acho que manter a família no escuro uma grande cagada, mas digamos assim, nós temos “clubes do bolinha” ele entrou pro clube que não pede ajuda a ninguém, que não fala de nada nem gosta de dividir as coisas, o meu “clube do bolinha” acha que proteger o território mais importante que qualquer outra coisa e isso inclui a família, e foi por isso que eu quis entrar pra ele, mas esse meu pessoal fez cagada um tempo atrás na cidade, então a popularidade não é das melhores por hora. Mas definitivamente ninguém é obrigado a suportar o peso das coisas sozinho como eles acham que deve ser e pra mim se tu faz isso já tem algo de muito errado. – pigarreou, deu mais umas garfadas na torta, era definitivamente a melhor coisa que havia comido em dias – No nosso mundo tem muita coisa macabra, que nem os lobos lidam bem com elas, essas coisas sim, é melhor que tu nem saiba o que tá acontecendo, mas essa de virar um otário do avesso, sinceramente se você tiver razão de virar quem for do avesso, por mim poderia descer a mão. – dava uma risadinha e mais umas garfadas finalmente terminando a torta, deixou a travessa e o garfo em cima da mesa de centro, sentia o estômago cheio, se recostou no sofá por um instante quase se espreguiçando, estava satisfeito. – Valeu pelo rango eu tava realmente precisando. Um dia inteiro numa planície de gelo e mais trocentas horas de viagem de carro sem comer nada que preste definitivamente não é algo saudável. – dizia se levantando vagarosamente olhando a TV.


    - 2002 seu primeiro cinturão... – deu uma risada ficou um tempo vendo o pai na TV distribuindo um monte de porrada no adversário, sabia aquela luta de cor, ela não tinha chegado aos dois minutos do primeiro round. – É eu acho que o vôin tinha razão de falar pra tu se manter longe de brigas, se você pegar um otário qualquer você ia acabar matando o coitado. – aquilo definitivamente era um elogio, a barba branca do pai de vez o enganava, mas cada vez que assistia uma das lutas dele lembrava do quanto ele podia ser brutal numa briga.


    Terminou de assistir a luta que não era longa de qualquer forma e sentiu aquele surto de adrenalina passar pelo corpo por um instante e ouviu sobre as malas – É eu não posso ficar mais, mas isso não quer dizer que eu não vou estar por aí e vocês podem contar com a minha ajuda pro que der e vier, sempre que eu puder. – dizia aquilo de coração, havendo um sentimento real em suas palavras – Agora é a hora de eu travar minhas próprias batalhas a começar por essa – dizia apontando pro teto, mas se referindo ao segundo andar logo se encaminhando pra escada – Sério pai, não importa o que tu escute, por favor não sobe – Definitivamente Connor não sabia em que pé iria terminar aquela conversa e queria certamente evitar que o pai virasse um colateral de quaisquer questões mal resolvidas.



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    Mensagem por Wordspinner em Ter Jun 23, 2020 9:32 am

    Ele se levanta no fim da luta. "Vou pegar o carro e te espero lá fora. Você é pobre agora, se vai sair de casa. Mas não quer dizer que não posso te levar pra comprar umas tralhas pelos velhos tempos." Ele pega a chave que fica em uma bandeja escura e alta. Pega a bandeja da torta e vai para a cozinha. Mas  hesita por um instante "Acho que é ao contrário, filho. Os Mcleary são uns autoritários, mas acho que ele não quer que eu morra socando um porra que vai devorar a minha perna" Ele começa a assoviar uma musica feliz e velha. Talvez seja Sinatra. O velho adora o Sinatra.

    A escada range do jeito que você se lembrava. Só mais alto. Nenhum som secreto e misterioso. Só uma escada velha que a sua mãe quer trocar. O som reconfortante da normalidade. A primeira coisa que te encara lá de cima é um quadro da família. Você, sua mãe e seu pai. É uma replica de uma foto estragou em um incêndio. Você cabia nos braços dela. Não dá nem para dizer que é você. Poderia ser qualquer bebe com o cabelo da cor certa.

    O chuveiro alto foi desligado assim que anunciaram o vencedor. Pelo cheiro você sabe onde ela está. O cheiro dela misturado com o vapor. Ela nunca usou perfumes. Não que você lembre. Mas mesmo assim consegue sentir o cheiro do perfume de morango do topo da escada. No caminho para a bancada da sala do segundo andar passa por um enorme Apolo com flechas nas mãos. Talens. Fragmentos de espíritos presos nelas. O que será que elas fazem além de juntar poeira. Sua mãe nunca te impediu de brincar com elas, então elas cansaram rápido.

    Junto com ela, olhando o jardim dos fundos estão as suas ervas. Ela chama assim e você desconfia que ela nem sabe o nome das plantas, mas não quer admitir. Ela sentada em uma cadeira feita de vime trançado ao lado de uma mesinha de ferro torcido com um tampo de vidro. Normalmente a mesa fica entre ela e a outra cadeira. Dessa vez as cadeiras estão lado a lado. Ela não parece perceber você chegando. Dá para ver ela mexendo no celular. Olhando fotos. Fotos de família. A respiração dela é como um relógio. Perfeitamente controlada. Na mesa com tampo de vidro, o sino de vento que ela sempre deixa pendurado está largado, flácido, morto. Mas emanando urgência. Implorando atenção.

    Você se senta, dá para ver o que ela planejou. Ela puxou as cadeiras para perto e tirou a mesa para poderem se aproximar. Ela deixa o celular cair no colo assim que você chega no seu campo visual. O aniversário dela do ano passado na tela, você e seu pai jogando ela na piscina. Ela nasceu no alto do verão. "Eu mandei você ficar em casa. Agora olha isso." O tom é severo, mas os olhos não. Nem as mãos que te procuram para te puxar para perto. "Ia ficar tudo bem, eu ia falar no protetorado e ia cuidar de você eu mesma. Desculpa. Eu devia ter dado um jeito. Não sei, te educado melhor." Por um longo instante ela parece prestes a chorar. Porém o aço que já cansou de ver nos parentes sobe a face dela. "Não quero te perder filho. Mas não pode continuar em Dover se for um fantasma. Rasga essa marca. Rasga agora, ainda dá tempo. Eu falo com Trovão e você corre com a gente. Corre com a família. Uma família de verdade. Em sangue e laço." Não há desespero nem suplica na voz dela. Ash Mcleary tem um plano e quando ela tem um plano ele dá certo. Ela não aceita derrotas, não entende falhas. Ela decidiu. Mas a decisão nunca foi dela.
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    Mensagem por Ankou em Ter Jun 23, 2020 7:20 pm






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    As palavras do pai levavam seus pensamentos de volta a tia Elise, ele ainda tinha vontade de dar um jeito dela socar de volta pelo menos nem que fosse uma vez, seus olhos ficaram vagos por um instante. – Definitivamente isso ninguém quer. – respondia parando pra pensar que seu pai não lhe causava a mesma sensação estranha que tia Elise ou James, mas não se preocuparia com aquilo agora.

    Parou e olhou o quadro por uns instantes, só pra apreciar o momento, desde que havia se tornado um Uratha haviam sido poucos momentos de serenidade e barriga cheia como aquele. Prosseguiu andando corredor adentro um par de dezenas de segundos depois, seguia em direção ao cheiro de morango, provavelmente devia ser só cheiro bom do sabonete, pelo menos até onde se lembrava, mas agora lhe fazia todo sentido não usar perfume, era de certo deixar um rastro mais forte. Passou olhando por Apolo, e ficava imaginando se sua mãe escondia mais algum segredo dentro da casa que a olhos mundanos pareciam só decoração? Nem mesmo se daria ao trabalho de pensar muito na resposta pra ter certeza que sim, se bobeiar no seu próprio quarto, ou melhor antigo quarto.

    Olhou por um instante pro jardim e as ervas, não sabia da mãe, mas definitivamente ele não sabia o nome delas, aquelas coisas podiam ser úteis, nunca se sabe quando um espírito vai pedir uma oferenda ou se tem algo que só uma daquelas ervas consegue purificar.

    Finalmente entrou no quarto e a primeira coisa que ele notou foi a disposição da mobília e como aquilo havia sido bem planejado, sentou-se, mas não falou nada a princípio, preferia que ela descarregasse o que tinha pra descarregar.
    Sua mão alcançou a nuca dela e lhe deu um beijo na testa. – Você não precisa vestir essa máscara pra mim – dizia enquanto uma lágrima lhe escorria dos olhos – Correr com a família é o que eu mais quero, e eu vou fazer acontecer, um dia, mas não agora, agora eu não posso. – levantou-se e começou a andar de um lado pro outro no quarto, replicava o costume da mãe de andar de um lado pro outro quando se sentia nervoso.

    - Você não falhou mãe e eu nunca escolhi nada nem você! No dia que eu passei pela mudança eu escutei um uivo que não devia estar lá, Brendan tava do meu lado, vovô tava cuidando do estrago que eu tinha feito, aquilo foi um chamado, a Loba Negra me escolheu, nem meu corpo parece meu corpo mais, parece um troço, indestrutível. Cada dia que passa eu to ficando maior, mesmo comendo e dormindo mal. – respirou fundo imaginava se estava se fazendo entender – E ainda por cima tem uma profecia e eu preciso saber onde isso termina, mas seja como for eu não posso fazer isso sozinho, eu sei que o que quer que caça os Os Que Caçam nas Trevas não caça os Sombras Descarnadas, eu preciso saber como deter o que precisa ser detido – Eles respira fundo e balança a cabeça em negativo, seca a lágrima do rosto e olha seriamente pra mãe. – Eu não posso deixar que a vida do T.B. e do Harry, e demais inocentes tenham sido jogadas fora em vão. – eles se conheciam a vida inteira eram seus melhores amigos e ele havia os matado, aquela foto que sua mãe tinha no celular, eles não estavam nela, mas estavam naquela festa. – Eu tenho que fazer minha parte pra compensar isso, eu não posso deixar que monstruosidades venham do outro lado e acabem com a vida das pessoas como fizeram com a tia Elise. – Era difícil expor seus sentimentos e o lobo dentro dele não se agitar, ele se apoiou na parede respirou fundo algumas vezes buscando um centro de equilíbrio interno, mas já que estava colocando as coisas pra fora decidiu falar uma última coisa – E eu não sou o Brendan mãe, eu não quero viver a sombra do Vôin, eu sei como o povo te olha quando descobrem que você é parente dele, e eu sei que lá no fundo ele se importa, mas ele finge que não, de qualquer maneira eu me importo! – Dizia deixando bem claro que ele queria galgar o próprio espaço e respeito.

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    Mensagem por Wordspinner em Ter Jun 23, 2020 11:17 pm

    Parece que ela vai dizer que não foi culpa sua. Mas nunca foi assim que ela o consolou. "Seu avô lutou muito pra ser quem ele é. Se a sombra é grande o preço em sangue foi ainda maior. Ele é velho Connor. Ele é família também. Ele é um herói que enterrou muitos irmãos. Filhos até. A história dele é longa e é uma honra fazer parte." As mãos quentes encostam nas suas costas. Mãos pequenas que já foram grandes o suficiente para te carregar. "Meu filho. Eu não sei vencer essa sua luta. Eu tentei. Anos atrás eu tentei. Mas não leva a lugar nenhum. Só sofrimento, traição e loucura. Não importa o que você ouviu. Não importa a Loba Negra! Importa meu filho! Meu filho! Eu te ensino, você pode ser da minha tribo também. Por favor, Connor. Ninguém morreu em vão, juntos a gente vai fazer valer tudo que aconteceu. Tudo."

    Ela se afasta e cobre o rosto com a mãe. Frustração. Com você e ela mesma. "Quer falar de profecias?! Isso não é um filme. Não é desenho animado japonês. Eu sou da lua da profecia, dá lua que grita. Eu vejo lobos pretos boiando em um rio de sangue. Mas eu prefiro te ver boiando nesse rio que sendo o lobo de dentes de prata devorando os irmãos. Se vai fazer do jeito certo, vai embora! Vai embora daqui! Some dessa cidade!" Finalmente raiva. Os olhos fixos em você como adagas. A voz não é fria e nem indiferente. É uma voz sofrida e torturada. É forte e imperiosa mesmo assim. Uma Ash Mcleary que ficava escondida de você. As palavras carregadas de um comando primitivo e tempestuoso. Aquilo era importante para Garra de Ebano.
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    Mensagem por Ankou em Qua Jun 24, 2020 12:36 am






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    - Mas isso é o que a gente enxerga por que a gente gosta do Vô, e a gente conhece de perto, quem tá fora acha que a gente se agarra aos louros dele, e eu vou dizer que de uma forma ou de outra eles tão certos, você pode dar a desculpa que quiser, mas não tem como negar a seguridade que ele dá aos Filhos do Corvo, que é por causa dele que ninguém nem cogita tomar o território, seja por que os espíritos ou a família que não mora aqui tomaria uma atitude, toda essa seguridade, paga com sangue do nosso sangue representada na figura dele. Mas ele tá cansado mãe, dá pra ver. E quando ele se for quem é que eles vão respeitar? Eu já to disposto a pagar o preço, desde que o preço não seja você, ou papai, ou parentes como a tia Elise.– Sua voz era mais calma agora, era bom colocar aquelas coisas pra fora, mas a reação veio em seguida, seu corpo chegou a tremer e deu um passo pra trás quando a mãe virou quase que literalmente uma fera.


    - Connor podia sentir o cheiro e o gosto da raiva dela, mas era teimoso demais pra obedecer aquela ordem de ir embora e a real é que sentia que ela estava encobrindo mais rancor contra os Fantasmas do que ela gostria de adimitir.


    - Desenho animado japonês foi ótimo! – chegou a dar uma risda de leve, mas nervosa, mas não a encarou nos olhos, fazia de tudo pra não sse irritar, mesmo se apegar aos detalhes mais estúpidos – Eu preciso dos olhos dos Sombras Descarnadas, não da raiva deles – falou sério dessa vez -  Minha vida inteira você me treinou sem eu ao menos perceber, por que você sabia que um dia eu seria Uratha, aqueles que vieram antes de mim não tiveram a mesma sorte. O ancião disse que nossos métodos falharam muitas vezes por que não olhamos pra questão pelo ângulo correto e indicou vocês pra olharem por nós, por que é o certo. - Connor deu mais um passo pra trás ganhando o meio do quarto sua língua mudava e ele começou a falar na primeira língua com ela, se era a besta primitiva a quem ela recorria ele poderia jogar aquele jogo também – Connor que você conhecia morreu aquele dia, mas ele também se tornou Guardião Feroz, Rahu dos Meninna, quantos mais do povo precisarão morrer pra que eu viva em uma segurança que não existe? Eu sou um Rahu mãe essa segurança que você prega não existe pra mim, eu sou o primeiro a entrar na caçada e o último a sair, por que Luna quis assim. – seus ossos se estalavam, músculos se rompiam e se desfaziam, e se remontavam como um quebra cabeças ganhando a forma de lobo, negro azulado como a noite de olhos amarelos.


    - Garra de Ébano, Cahalith dos Sombras Descarnadas, que Luna e os espíritos sejam nossas testemunhas, olhe pra mim e me diga o que você vê, se me der a sua palavra honesta de que não sou um Meninna, de que Hikaon-Ur não me convocou pras fileiras da tribo, te dou minha palavra de que vou embora pra nunca mais voltar. – seu “rosnado” na forma lupina era extremamente sério, como se aquilo fosse uma questão de vida ou morte, mas sua forma de lobo era tudo que ele precisava pra provar o que estava falando, talvez devesse tê-la mostrado a ela antes daquela discussão toda, possivelmente teria poupado tempo e boa parte daquele sofrimento.



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    Mensagem por Wordspinner em Qua Jun 24, 2020 3:09 pm

    Ela ouve tentando encontrar o momento certo e a coisa certa para falar. Você já viu ela fazer um milhão de vezes. Você sabe que em algum lugar da cabeça dela deve ter a coisa certa. Sempre teve antes. Alguma frase que conseguia por tudo no lugar. Mas quando o lobo fala aquilo se quebra. Tarde demais para mudar de rumo. Mesmo vendo o rosto dela. Mesmo vendo a energia drenada. A vontade escorrendo.

    Os olhos dela descem do rosto do lobo para as patas. Para o chão. As pernas deixam o corpo cair de joelhos. Uma mão branca cobre a boca e ela soluça tentando falar. A tristeza torce o rosto dela com linhas fundas e vermelhas. O ar luta para entrar. Ela chora. "Não não não não..." A voz dela some quando seu corpo torce para frente sacudindo como choro. A figura magra parece tão frágil agora. "não não não..." é a única coisa que ela diz com uma mão agarrando o cabelo com força.

    Algo se quebra como uma barragem e ela agora não controla mais nada nada do choro. Ash Mcleary. Ela soluça alto tentando respirar. Dá para sentir o cheiro das lagrimas. Ouvir o coração explodindo no peito. Sentir nas patas cada vez que o rosto dela toca ou arrasta no chão.
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    Mensagem por Ankou em Qua Jun 24, 2020 6:32 pm






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    Nunca achou que fosse ganhar no argumento com um cahalith, ainda mais sua mãe que sempre tinha uma resposta certa pro momento certo, e sabia muito bem distorcer as palavras pra que elas a favorecessem, mas contra fatos não haviam argumentos, talvez ao olhar pro próprio filho ela soubesse melhor ainda o que ele era do que ele próprio.


    Ele a tomou no colo, invertendo os papéis, suas mãos e seu corpo agora eram grandes pra ele a carregar, sentou-se na cama com ela a segurando como uma criança a ser ninada – Shssss – fazia o som com a boca a abraçando forte deixando sua cabeça apoiada sobre seu ombro.


    Seus próprios olhos ficavam marejados, o choro e desespero da mãe era um dos preços a serem pagos, um preço pequeno diga-se de passagem, mas precisava que ela enxergasse a situação de outra forma.

    Esperou o choro e desespero dela passar, esperou o quanto fosse necessário, até que sentisse que era a hora de falar o que pensava e tentar dar uma nova perspectiva pra ela – Isso não é uma maldição mãe, isso é Luna e a Loba Negra te agradecendo por me dar uma oportunidade de bater de volta naquilo que levou tantas vidas do povo, me dando a oportunidade de limpar Dover e fazer daqui um lugar melhor, eu encontrei e ouvi falar de outros como eu que mal sabiam o que eram, enquanto eu já pensava em planos de como eu ia me instalar em Dover e o que precisava ser feito, você não falhou mãe, longe disso – acariciou os cabelos dela. – Mas se eu falhar e amanhã e me for não chore por isso, conte minha história e como eu tentei, se eu conseguir... Se eu conseguir eu acho que eu vou ser o que eu sempre quis ser, famoso de alguma forma, como o papai, com sorte vão olhar pra mim um dia como olham pro Vôin hoje. – sua voz era serena, não parecia de alguém que estava prestes a ser lançado a forca, mas de alguém que já tinha aceitado seu destino. Era irônico de alguma forma ver ele pregar o completo oposto do que imaginava quando aquela história toda começou, lembrava das palavras do vô  "Ultima vez que diz maldição de família, garoto. É uma lua pesada, eu sei."- Eu agora também sei. – dizia sussurrando pra ele mesmo.


    Ele levantou-se e segurou o rosto da mãe com as duas mãos, olhando dentro dos seus olhos – Eu devo caçar, mãe, mas eu não posso ser tolo e confiar nos métodos dos Meninna por que eles falharam. Nesse exato momento eu sou um Uratha, sozinho no escuro cercado pelo inimigo, eu preciso que vocês sejam pelo menos minha lanterna. – Lhe beijou a testa e a soltou por completo.


    - Quando um velho sinistro diz coisas é sábio escutar o que ele diz, e aquele velho correu com o Vôin, e parecia mais brabo que ele e o desgraçado nem era um Rahu, ele era um Cahalith como você, e ele perdeu o filho dele na mesma guerra que eu to indo travar. Se ele me diz que eu devo confiar na ótica dos Sombras Descarnadas por que eu não posso ganhar essa guerra de frente é por que é o que eu devo fazer. – puxou uma das cadeiras e se sentou nela, ficando de frente pra mãe, precisava dos conselhos, precisava que ela enxergasse o que ele enxergava e precisava da ajuda dela e de sua tribo.



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    Mensagem por Wordspinner em Qui Jun 25, 2020 12:27 pm

    As lagrimas não secam. Não acabam. "Ele correu com o meu pai? Eu corro com ele todas as vezes. Eu vi a sua tribo falhar mais de uma vez. Vi o resultado. A coisa depravada que vocês viram. Mas que saber? Pergunta pros Uivadores, foram eles que lutaram na ultima vez que aconteceu e olha bem pra eles porque são eles que vão se oferecer pra caçar você quando a hora chegar. Quebra Correntes vai apontar pra mim e pro Brendan e deixar o seu avô calado porque deixamos você virar um monstro completo. Mas eles só ligam para segurança e pro juramento e vão correr atrás de você até alguma outra coisa resolver o problema ou você se perder no Sheol. Eu perdi!" As palavras são cheias de raiva e sofrimento e vergonha. "Eu perdi, filho, e todo mundo também. O velho te contando histórias e o Trovão também. Vai embora. Sai daqui." Ela levanta e parece encerrado. Mas não dá nem um passo antes de falar de novo.

    "Não tem nada em Dover para a sua tribo exceto miséria, loucura e perdição. Eu vou fazer de tudo para o meu filho não virar parte dessa vergonha. Agora sai da minha casa." Dessa vez ela só parece cansada. Tão cansada que nem volta os olhos para você outra vez. Lentamente ela começa a caminhar para o banheiro.
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    Mensagem por Ankou em Qui Jun 25, 2020 6:14 pm






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    Odiava aquilo, mas se mantinha calmo, e só se mantinha calmo pq era como se já se sentisse de alguma forma morto por dentro, desde o dia da primeira transformação, era como o soldado que tinha já ido pra guerra e ao chegar ao campo de batalha já havia aceitado a morte. Ele ouvia as palavras de sua mãe, achou que seria capaz de convencê-la de algum jeito, mas percebeu que certamente não seria com palavras e nem mesmo naquela noite, mas ouví-la falar daquele jeito tornava as coisas muito mais pessoais.


    Se vai fazer de tudo pra que eu não vire parte dessa vergonha então por favor, faz o que eu to te pedindo. – Ele havia aprendido com a melhor a virar as palavras contra os próprios donos, mas não era assim tão bom, havia a raiva contida, ela ainda era aparente, era mortificante fazer a mãe passar por aquilo, fazer com que ela achasse que havia falhado, ser incapaz de dar uma visão mais otimista pra ela, mas estava decidido a “arrancar a cabeça” daquela desgraça de criatura, a provar que mesmo contra todas as probabilidades ele podia vencer, afinal ele já havia feito isso a vida inteira.


    - A gente se vê mais tarde. – dizia se despedindo, dando a entender que falava sobre a reunião, passava no seu quarto e pegava suas coisas já embaladas, ainda havia muito pra ser pego, mas pelo menos agora tinha o que vestir.


    Na sala parou, de frente pro Luno – Se você sabe o que fazer me diz aí? – falava na primeira língua, mas foi apenas um sussurro pra sí mesmo, não que não quisesse que a criatura não escutasse, não queria que a mãe escutasse, mas tava capaz do espírito o mandar embora também.


    Colocou o pé pra fora de casa e finalmente se sentiu um pária, ouvia a música vindo do carro do pai que o esperava do lado de fora de maneira paciente, alheio a tudo que acontecia, no lugar do velho ele já teria explodido há muito tempo, já fez parte do grupo dos parentes a quem nunca contavam nada, mas ele sempre viu o rosto dos Uratha, todas as emoções, raiva, medo, tristeza, não importava, exceto pelo vô que parecia sempre um filho da puta indecifrável.


    Jogou duas malas pesadas de roupas no banco de trás e se sentou no banco do carona de forma desleixada, mas pelo menos a caminhonete era grande e ele não ficava espremido. -Olha pai, eu tenho um compromisso daqui apouco, e eu preciso fazer minha aplicação pro campus, então eu acho que essas compras vão ficar pra outra hora, mas a carona seria uma mão na roda. – dizia logo tentando disfarçar de que as coisas não tinham ido bem, esperava que ele não petguntasse nada, não sabia se conseguia ser bom naquele jogo de pokerface.



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    Mensagem por Wordspinner em Sab Jun 27, 2020 11:22 am

    Ele estava escrevendo em um pedaço rasgado de papel quando você entra. Ele para e baixa a musica. Girando o botão no painel com calma. Rádio analógico. Ele prefere assim. Um clique e ele joga a caneta em um nicho perto da marcha. Ele começa a dirigir sem dizer uma palavra e continua assim por um tempo. O pedaço de papel na mão. O tempo todo ali.

    "Tá bom. Tudo certo." Ele coloca o papel na sua frente. Numerado de um a dez. Como uma lista. Mas só três nomes escritos ali. '1 - Robert Shank; 2 - Emilia Veer; 3 - Marco Frey;' Os outros números vazios. "É, Bobby O Açougueiro. Ele não é alcateia. Ele não é de ninguém. Eu sei, um velho ranzinza e nojento. Mas sangue do lobo. Eu sei que é. Millie da floricultura. Ela sabe que tem algo errado com ela e não liga. Sinceramente ela tá sendo escondida dos outros caras. Acho que o pessoal pensa que ela é encrenca e eu nem devia dizer. Esse Marco tá sendo observado pelas alcateias. Ele é imigrante do barco que naufragou cheio de ilegais. Tá morando na Twin Pine e é fascinando pelos lobos. Ele olha e sabe. Que nem um de vocês sabe com o cheiro. Mas ninguém descobriu qual a do malandro, não dá nem pra saber a idade. Tão fazendo os documentos dele como se tivesse alguma coisa na casa dos quinze. Mas ninguém sabe." Ele suspira depois de falar tudo num grande jorro de palavras.

    Ele passa a mão no cabelo e se olha no espelho. Um segundo depois um sorriso lava a preocupação do rosto. "Não devia ter feito isso, filho. Mas ninguém me disse que eu não podia. Que eu não devia te ajudar ou algo assim. Nem vai dizer. Mas se você der mole com isso pode ser que eles me deixem mais fora das coisas. Eu planejei mais nomes. Mas eu não sei de mais ninguém. De verdade." O sorriso malandro se torna um pedido de desculpas. "Vai mesmo ficar no campus da Grififith? Eles tem muita gente da periferia lá. Povo das bolsas. Sem falar que a maior parte dos dormitórios é no Velho Estaleiro, senão todos. Sempre some gente por lá." Ele parece preocupado, mas lutando para não parecer. Talvez só lutando para não ficar longe demais.

    Ele continua dirigindo devagar. Em silêncio agora. Te ouvindo com cuidado. Como ele sempre faz melhor, fingindo estar prestando atenção em outra tarefa.
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    Mensagem por Ankou em Sab Jun 27, 2020 5:27 pm






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    Por um tempo observou o que o pai fazia, mas não entendia muito bem o que era, nem o que queria dizer aquela lista, quando finalmente ele se explicou Connor não pode deixar de dar um sorriso que ia aumentando até ficar de orelha a orelha.


    - A vantagem de não ser Uratha é que você pode fazer o que te der na telha, desde que você não teja agindo contra a sua alcateia, e eu duvido que o Vôin queira mais gente debaixo da asa dele. – falava com certeza na voz, até por que achava que os Filhos do Corvo tavam bem servidos, naquele aspecto.


    Ele olhava e ponderava um tempo sobre os três nomes o garoto e a moça lhe chamavam mais atenção, ainda que um açougueiro lhe fosse bem útil, já tinha mesmo uma ideia de abrir uma steakhouse ou pub muito em breve e suprimento fresco de carne era uma necessidade, além de que sentia que seu apetite por carne estava aumentando gradativamente, havia acabado de comer, mas sua boca enchia de água só de imaginar um bifão cheiroso e bem temperado saindo da grelha, tinha certeza de que aquilo era o lobo, mas aquela história de negócios poderia ficar pra uma outra hora, sabia que ele tinha um fundo pra faculdade que provavelmente não iria usar mais e talvez o pai quisesse entrar na sociedade por que dinheiro é bom desde que seja limpo.


    É claro que ele iria pagar uma visita a moça primeiro, só por que ela tinha sido citada como encrenca, ele gostava daquilo só de ouvir a palavra era como se o pai dele falasse “ vai lá Connor, ela é toda sua”, chegava a sorrir por dentro.


    - Eu não sei como as coisas vão ficar, tudo vai ser decidido mais tarde quando todo mundo se reunir, na real acho que eu posso pedir a uma amiga pra dormir na casa dela por hoje e ver isso amanhã – olhou pro pai vendo o sorriso começando a se formar no canto da boca – Hey, não é nada disso, é só uma amiga e pelo menos ela não mora no estaleiro. – dizia de maneira típica do filho que não curtia muito a ideia de dar satisfação da sua vida amorosa aos pais.


    Sacava o celular do bolso e mandava uma mensagem de texto “ Bella, eu preciso de um lugar pra passar a noite, prometo que é só hoje, dessa vez é sério.” – ele já havia feito aquele pedido antes, mas nunca havia falado que era sério, sabia que ela não ia gostar da ideia, mas que sempre cedia no final.


    Guardou o celular no bolso e perguntou sobre a moça da lista – Millie é? Por que uma moça floricultora ia ser escondida e seria encrenca? – a pergunta era genuína, ficava curioso sobre aquilo. - Mas não importa eu vou precisar de flores pra hoje, e não nem começa! - mas não conseguia negar um meio sorriso de canto de boca de qualquer forma.



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    Mensagem por Wordspinner em Seg Jun 29, 2020 3:45 pm

    O caminho até a floricultura é cheia de piadinhas e provocações. Mas quando finalmente chegam no seu primeiro destino seu pai lhe passa uma nota de 50.

    A mensagem ainda não foi lida, segundo o seu celular. Seu pai está do lado de fora da floricultura. Ele está animado demais. Mas logo desaparece quando a porta de madeira se fecha atrás de você. A floricultura é grande e vende ferramentas, sementes e insumos agrícolas nos fundos. O cheiro do lugar é o equivalente a um tiroteio para o seu olfato. Fezes. Flores de vários aromas. Água. Plastico. Terra. Pessoas. Insetos. Minhocas. Produtos químicos que você nem sabe o nome e alguma outra coisa. Alguma outra coisa que crava ganchos fundos no seu corpo. Acelera seu coração em um instante. O calor correndo seu corpo todo. As batidas fazem suas mãos tremerem. Uma nevoa densa se enfia no espaço entre os seus pensamentos.

    Millie sorri levantando de trás de uma das prateleiras de flores que deixam o lugar completamente coloridas. Os olhos pretos e rostinho redondo. Ela tem um ar bobo e descontraído e parece ridícula com o uniforme e a touca. "Finalmente Connor, Rosas para mamãe? Ou para a namorada?" Ela sorri enquanto aponta as flores mais próximas. O cheiro dela insiste. Implora por um toque. Seus ossos doem tentando mudar de forma sem permissão.
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    Mensagem por Ankou em Seg Jun 29, 2020 4:16 pm






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    Ele agradece a grana ao pai, não que tivesse tão na merda que precisasse dela naquele instante, mas era mais do que ele próprio tinha na carteira.


    Saltou do carro e andou tranquilamente até a floricultura abriu a porta como um cliente qualquer e adentrou sentindo suas narinas serem assaltadas por um monte de cheiros misturados, aquilo fazia o Uratha até dar uma bambeada, balançou a cabeça e seguiu até o balcão olhando em volta procurando as flores certas, olhava as mais frescas e mais bonitas, mas deviam ser rosas definitivamente rosas e uma garrafa de vinho, não era exatamente uma quarta-feira, a noite de vinhos dela, mas queria causar boa impressão de qualquer forma.


    Se aproximou do balcão, ia definitivamente fazer um pedido quando sentiu aquela “porrada” vindo de dentro pra fora.


    A mulher sabia quem ele era, sabia seu nome, sabia seus problemas com a mãe e se bobiar até sabia quem era sua “namorada”.


    - Quando falaram que tu era problema não foi exagero. – a voz saia arrastadae baixa, a cabeça se retorcia pro lado, fazia de tudo pra segurar o lobo ou as pessoas que estavam ali dentro iam sofrer, fosse pra manter o segredo ou por mero descontrole.


    Ele se segurou no balcão tentando fingir que tava tudo bem, mas seu rosto demonstrava que estava longe disso. – Eu quero flores sim e realmente não é só um pretexto pra vir falar contigo, mas se você tem algum jeito de evitar o que estiver interferindo comigo, por favor, eu só to aqui pra conversar. – dizia ainda se segurando ao máximo, olhou pra um lado e pro outro tendo certeza de que ninguém presta atenção nele e finalmente olhou em direção a ela, seus olhos brilhavam em amarelo e ele olhava pro outro lado se aquilo não era alguma erva como Aconitum, definitivamente ela tinha acordo com espíritos que a estavam protegendo e não eram muito gentis por sinal, definitivamente a coisa tinha um potencial de dar merda muito maior do que imaginava e se sentisse que havia chegado em seu limite definitivamente sairia dali antes de machucar as pessoas ou a própria Millie.



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    Mensagem por Wordspinner em Ter Jun 30, 2020 1:31 pm

    Ela fala alguma coisa. Mas o som é abafado pelo som das suas presas rasgando carne e osso dentro da boca. Você sente um toque no ombro e o cheiro dela está ainda mais perto. Seu corpo se afasta instintivamente. Alguma coisa dentro de você estala. Seus olhos focados no rosto amedrontado dela. A boca de Millie se meche, mas a nevoa vermelha não te deixa entender nada. Ela estende as mãos para ampará-lo.

    Você sente as unhas entrando na madeira e instintivamente larga o balcão. Um passo atrás. Ela deixa alguma coisa cair. Mas não está mais olhando para ela. Está saindo pela porta. O coração rachando as costelas dez vezes em um segundo. Correr para o carro nunca foi uma decisão consciente. Mas fechar a porta atrás de você e esconder o rosto no painel foram decisões suas. Em alguns segundos conseguia ouvir a musica abaixando. A voz do pai trazia calma. Lembranças feita de passado imutável. Estático. A mão dele segura o seu ombro e é como um balde água fria.

    Finalmente seus pensamentos voltam a velocidade normal. Seu coração, porém, desacelera lentamente com sua respiração sofrida.
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    Mensagem por Ankou em Ter Jun 30, 2020 5:43 pm






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    Nãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaoooo!!! – O grito era abafado e sofrido com a cabeça praticamente entre as pernas, o filme passava na cabeça de novo e de novo e mais uma vez como uma tortura interminável, o Uratha via a morte dos amigos dezenas de vezes em segundos, o sentimento de culpa voltava a superfície, podia até sentir o gosto da carne deles de novo e como ela era doce como nenhuma outra que já havia provado.


    A voz do pai o tirava do transe, ele olhava pro coroa, assustado com os olhos marejados, a respiração acelerada e o coração a mil como se tivesse corrido uma maratona – Eu to bem, tá tudo bem. – era uma mentira deslavada, não tinha nada de bem desde que o lobo havia despertado.


    Coçava a a barba insistentemente tentando refazer cada passo do que sua memória lhe permitia lembrar além da fúria e loucura do lobo, sentia e via os flashs de essência, um espírito, um fetiche? Não sabia bem, a essência da coisa tinha ofuscado sua visão ele não conseguiu ver. – Você tinha razão, ela é encrenca, mas não é exatamente ela, é alguma coisa que tá no fundo da loja – a voz era já calma – Puta merda, ela deve tá se cagando de medo lá dentro, quase deu merda, de verdade, essa porra sacaneou meu lobo! – informava o pai mais ou menos o que tinha acontecido e os motivos pelos quais ele havia voltado tão transtornado pro carro, ou pelo menos parte deles.


    Saiu do carro, pensou em dar a volta na loja e tentar olhar os fundos pra ver se conseguia ver o que havia sacaneado com ele, mas achou melhor não, a chance de não conseguir se controlar daquela vez era real, olhou pra um lado e pro outro, tentando achar uma solução pra aquilo, pensou que podia pedir pro pai entrar só pra ver como que estavam as coisas lá, mas não era justo arriscar com ele assim, até que viu que parte da resposta estava bem na sua cara, no letreiro da floricultura, o número de telefone.


    Sacou o celular do bolso e teclou o número se recostando no muro do outro lado. – É claro que ela vai demorar pra atender. – Falava consigo mesmo de nervoso, quando finalmente o telefone é atendido do outro lado. – Ei! Você tá bem, tá tudo bem? Eu te machuquei? Não desliga, sério não desliga! – Ele deu um tempo pra ela se recompor – Olha alguma coisa me sacaneou aí, tá nos fundos da loja, eu posso tentar te ajudar se você quiser, se tu tiver detalhes do que é melhor ainda. Essa coisa não pode continuar perto de você ou algum dia o pior vai acontecer. – havia preocupação em sua voz, um dia um lobo desavisado e ou descuidado podia entrar naquela loja e fazer daquilo um inferno, hoje esse lobo quase havia sido ele.



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    Mensagem por Wordspinner em Qua Jul 01, 2020 12:11 pm

    Seu pai te olha confuso o tempo todo. Ele quer te parar, mas de alguma forma se contem. Mas te olha de dentro do carro o tempo todo.

    "Olha rapaz, eu não sei o que você tomou. Mas precisa se acalmar. Talvez seja melhor procurar um medico. De verdade, se você aparecer aqui transtornado desse jeito outra vez eu ligo para sua mãe." Ela espera um segundo inteiro antes de desligar. Ela parecia ainda muito preocupada. Mas um pouco aliviada. A floricultura permanece inalterada. Impassível ante sua frustração. Seu pai vê que tirou o celular da orelha e faz um sinal de positivo. É uma pergunta silenciosa. Mas ele logo percebe a resposta e volta sua atenção para alguma coisa dentro do carro.

    Bella responde a sua mensagem "Vou deixar a chave debaixo do capacho. Não sei que horas eu chego. Tem lasanha na geladeira. Xo Xo"
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    Mensagem por Ankou em Qua Jul 01, 2020 3:33 pm






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    - Merda! – falava pra si, frustrado, a garota não tinha a menor noção do que tava acontecendo, ou do que ele era, e muito possivelmente ia racionalizar qualquer coisa de errado que ela havia visto, mas tinha certeza de que ela havia visto os olhos do lobo nele quando ele olhou pro outro lado pr aterntar ver o que tava sacaneando com o lobo dele.


    Ele olha pro celular e ve a mensagem de Bella, aquilo lhe traz algum alívio, ao mesmo tempo ciúme, “Como assim não sabe que horas chega? Clube do livro? Jenny?” pensava nos hobbys dela e na melhor amiga, mas não podia negar que tremia de raiva só de imaginar um outro cara encostando nela, mesmo que eles não tivessem nada formal ainda que escondido como era antigamente.


    Parou pra refletir as palavras do pai, sentou-se no banco do carona novamente e bateu a porta. – Médico? Sério? – Connor não se conteve e deu uma gargalhada sonora – Caralho meu velho, uma coisa é não falar as coisas pra que elas fiquem em ordem, outra é esconder as coisas na covardia, o que fizeram contigo é uma covardia! – respirava fundo e coçava a testa – Alguma coisa no fundo da loja, alguma coisa sobrenatural sacaneou o meu lobo, trouxe ele a tona e me fez sair de lá, mas podia ter dado muito mais merda que isso. Eu não sou nada do que costumava a ser pai, quando eu me irrito e me irrito feio a forma de guerra vem a tona, eu tenho certeza que você nunca viu um de nós assim, quando eu cheguei aqui no carro eu tava me segurando pra não ceder aos meus caprichos, eu só assumi ela uma vez... – uma trizteza visível se abatia no rosto de Connor.


    - Harry e o T.B. – falava dos companheiros de escola e faculdade, seu pai os conhecia bem e certamente sabia do “acidente” – na noite em que a casa explodiu, não foi bem o que matou eles. – o nó se formava na garganta e as lágrimas começavam a verter dos olhos, por mais que ele tentasse parar, não conseguia – Foi no dia que eu passei pela minha mudança, eu tava lá numa particular, nada demais, Harry e T.B. como sempre tavam comigo, um carinha que era novato no time e umas meninas, eu transformei e comi pedaços das meninas, deles também – pausava e pensava na comida que o pai mais gostava, respirava fundo e passava a mão nos cabelos – Eu não sei como te descrever a sensação, mas imagine que tinha gosto de pudim, por um momento achei que algum deles tinha me sacaneado, drogado minha cerveja, talvez o moleque novo, seria uma ótima maneira pra me tirar do time no teste de doping, e eu achei que tava alucinando, até me dar conta do vô me empurrando pro chuveirão da casa tentando me acalmar, ele explodiu a casa pra cobrir meus rastros e Brendan me levou pra casa da tia Elise por que um espírito me atacou, o filho da puta entrou pelo meu ombro e comeu basicamente meu pulmão direito inteiro. – Se acalmava enxugando as lágrimas, ele nunca havia falado daquilo pra ninguém, mas se sentia mais leve sabendo que alguém que lhe daria força agora sabia. – O ponto é eu não preciso de um médico, eu poderia ser atropelado por um caminhão, e isso provavelmente só me deixaria puto, eu me cobriria com a pele de guerra e provavelmente destruiria o caminhão e mais o que e quem tivesse em volta. – Naquele ponto a voz não era mais carregada do choro e do nó na garganta, era séria e pesada como uma martelada.


    - Vai ligar pra mamãe e aí? Ela vai vir aqui, brigar de novo, a gente vai se estressar de novo. Nada bom vai vir disso. Não é o vô que te mantém no escuro, é ela, eu entendo o protecionismo, mas ela errou a mão. Ela tem medo de perder a família perfeita dela, mas a gente tá longe de ser perfeito. – balançava a cabeça em negação e se olhar ficava vago por alguns instantes, ele imaginava o quanto a mãe já havia escondido dele todos aqueles anos, se perguntava como ela conseguia conviver com isso. – Nosso trabalho pai é salvar as pessoas do que tem do outro lado, e exatamente nesse instante eu acho que aquela garota tá em perigo, se você acha que tu tá no escuro, ela tá no breu no fundo do poço, ela nem sabe o que ela é, ela viu olhos de lobo num homem e ela não faz ideia do que tá acontecendo. Eu preciso conversar com ela na franqueza igual to fazendo contigo, mas eu não posso ficar aqui dando bobeira, eu preciso saber se essa coisa tá na loja ou tá seguindo ela, mas eu não posso entrar lá nem ficar aqui, eu preciso que tu me ajude! – Olhava sério pro pai. – Olha, o lugar mais próximo que eu posso ficar é o McDonalds, se tu convencer ela de ir lá e conversar comigo, já seria um ótimo começo. – enxugava mais uma vez os olhos e vestia uma pokerface, como se nada tivesse acontecido, ele passava a mão nas suas bolsas e saia do carro, se debruçava rapidamente na janela. – Eu vou andando daqui, qualquer coisa me liga.



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