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    Arredores - Dartmoor Hills

    Ankou
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    Mensagem por Ankou Sab Ago 21, 2021 12:29 am





    Beatrice & Makya


    Dobrasin parece receptivo, estendendo a mão pra Makya em cumprimento, ele meneia em positivo logo depois - Ela cumpriu o destino dela e correu pra mãe. - ele parece dizer aquilo de maneira muito consciente e com convicção.

    Quando ele menciona a casa o velho responde - Por favor. - como se fizesse questão.

    A casa era formada de quatro suítes, uma sala e uma cozinha com uma pequena área externa, cada suíte uma com uma decoração diferente e ainda que os móveis fossem de madeira maciça eles pareciam mais modernos que o da casa principal. Na cozinha uma geladeira branca, arredondada e antiga, algo da década de cinquenta ou sessenta, mas impecável, dentro dela água, suco industrializado e comida congelada no congelador, pizza, empadão e lasanha, do lado um micro-ondas já bem mais moderno e um fogão de indução de quatro bocas, panelas, frigideiras e canecões penduradas em uma barra de metal que atravessa a cozinha, tudo asséptico.

    Forçando o nariz dava pra sentir um cheiro muito suave de gente e produtos químicos de limpeza na casa, o que indicava que ela era utilizada com frequência.


    A cama era macia e cheirosa, o quarto inteiro era simples, longe da opulência da casa principal, mas era muito melhor do que a porcaria de kitnet de Makya, tudo que eles escuta vindo do lado de fora é o barulho dos grilos em sua sinfonia do acasalamento.

    No grupo umas quatrocentas mensagens, entre elas piadas, conversas de missões antigas sem nada comprometedor e gente puta por que estava voltando pro Afeganistão, ninguém que ele conhecia, mas ele sabia que o pessoal que não era do exército indo pra lá era trabalho sujo na certa.

    Por fim o perfil da irmã, fotos recentes com amigos e amigas, sorridente, tão normal quanto poderia ser.

    Era estranho e ao mesmo tempo compreensível se sentir protegido de alguma maneira, não era a alcateia dele, mas eles tinham o convidado pra passar a noite em um lugar tranquilo, um lugar que dava certeza a ele que ninguém ia entrar louco pela porta atirando ou querendo o couro dele de alguma maneira.


    Beatrice faz aquelas perguntas pro espírito e ele não responde nenhuma delas, a mão forte do velho segura no braço dela e estende pro espírito. - Se você quer algo dele o preço deve ser pago. - ele não diz mais nada.

    O toque da “criança” é leve como uma brisa, a mão formigando dá vontade de rir, a essência prateada escorrendo pra fora de Beatrice e sumindo no próprio vento do qual o espírito era feito. - Corre-Corredores. - ela responde assim  que a Cahalith paga o preço, curiosamente Beatrice agora vê um reflexo dela mesmo na figura, ainda que a voz do espírito não se pareça nem um pouco e ele fosse translúcido assim como a menina era. - Eu reconheço o direito de caçar dos filhos da lua, assim como os meus parceiros. - ela diz com a voz sem emoção nenhuma, mas ao mesmo tempo parecendo que vai explodir em uma risada de chacota. - Meu acordo com Vigia-Morte é antigo, eu conheço as regras. - a voz nunca mudava, nunca destoava, mas sempre parecia ir explodir em uma risada.

    Do outro lado realmente uma festa, uma fogueira grande, uma picape com som alto, pessoas em volta de uma fogueira menor, assando carne, marshmallows, milho, galões de cerveja, nenhuma delas parece muito jovem, na verdade parecem corporativos com seus ternos esgarçados e à vontade, como se fosse um happy hour bem planejado fora da cidade, todos eles completamente alheios da realidade separada pelo dromo, o casal no escuro trocando intimidades mais alheios ainda.

    Era possível atravessar sem ninguém ver, mas o bom senso dizia que era melhor não.

    --

    O velho mais de perto parecia um professor mais do que qualquer outra coisa, ele parecia mais jovem sem os óculos, tinha certeza que ele nem precisava deles, mas passar perto do objeto dá pra sentir uma aura de curiosidade vinda de dentro, os óculos tão “anormais” quanto a soqueira, sem eles Dobrasin parecia mais novo, na verdade parecia um velho rejuvenescido ainda mais porque não tinha um fio de cabelo branco nele.

    Ele nem se afasta, o primeiro beijo dela nem é correspondido, ele a encara com um olhar frio, no fundo dava pra saber que ela tinha surpreendido ele de alguma maneira, no momento seguinte os olhos dele devolvem desejo, a constituição física dele é pouco maior que Beatrice, a força dele não, a mão no pescoço dela é forte, mas não sufocante, as línguas se entrelaçando, as mãos dele correm pelo corpo dela, dando prazer onde ela nem podia imaginar que exista, ele era experiente como se esperava que fosse, mas tinha algo além, algo que faz ela estremecer quando ele lambe ela da clavícula até perto dos olhos, é muito mais forte quando ele a vira de costas e a imprensa contra a árvore, dá pra sentir os dentes dele no pescoço, a saliva e a língua, a blusa e calças puxadas se rasgando como se fossem feitas de papel, logo ele se tornando um com ela. A mordida na orelha dói tanto quanto deveria, mas é como um lembrete de como é estar vivo, ele rosna no ouvido dela, quase um comando pro quadril dela se mexer e forçar mais ainda contra ele se chocando ainda mais forte, Beatrice termina, mais de uma vez, todas essas vezes como mulher de verdade, tudo muito diferente e mais potente do que costumava ser quando era humana, ele dura mais do que ela esperava, mas nem o velho é de ferro.

    Nem precisa perguntar se ele havia gostado, o líquido escorrendo penas abaixo eram a prova de que tudo tinha sido feito conforme deveria, uma mão dele segura o rosto dela e aproxima o dele o bastante pras respirações acariciarem a pele um do outro - Uratha Safal Thil Lu’u - um pedaço do juramento, um juramento gravado fundo na alma dela, de qualquer destituído na verdade. Não tinha cobrança nenhuma nas palavras dele, era só um lembrete.

    Ele finalmente se descola por completo dela após um beijo mais longo e terno - Me desculpe pelas roupas Coração-de-Tinta, lhe garanto que haverão novas lhe esperando pela manhã na maçaneta de seu quarto. - ele não demora muito e se recompõe, ele puxa a base do colete que usava, dá pra ouvir o barulho do tecido se esticando.

    Tirando a face levemente rosada dele imposta pelo exercício e esforço recente e o cheiro de Beatrice impregnado misturado ao dele, ninguém nem desconfiaria que eles acabaram de fazer olhando pra sua figura, ele estende a mão em direção a casa de hóspedes - Boa noite, nos vemos no almoço. - ele diz se afastando curiosamente indo em direção ao loci e não da casa.


    Na manhã seguinte há um carrinho na frente de cada um dos quartos, abaixo da cloche um café da manhã bem tradicionalmente americano, bacon, ovos mexidos, leite, suco de laranja, torradas amanteigadas, junto um steak grande ao ponto. Na maçaneta da porta de Beatrice um vestido amarelo e florido a espera em um cabide pendurado junto de uma sacola, na sacola roupas íntimas, todos os itens cabem no corpo com perfeição.

    Ao lado da cloche um convite com uma caligrafia bonita em papel cartão macio convidando os respectivos hóspedes pro almoço assinado por Dobrasin.
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    Mensagem por Bastet Dom Ago 22, 2021 7:09 pm







    Coração de Tinta


    Beatrice Thompson
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    Beatrice leva um susto quando Dobrasin segura seu braço, mas logo entende e estende ao espírito. Observa Corre-Correntes e seu tom sempre levemente jocoso, em dúvida se aquilo era alegria ou apenas zombaria da novata que ela era. Talvez ambos, mas parecia respeitar a presença de Vigia-Morte o suficiente pra não esclarecer o tom. Assente, quando ela reconhece o direito de caçar de ambos e repete as “regras”.

    - Espero que possamos começar uma relação de amizade e respeito mútuo também, Corre-Corredores – fez uma leve mesura, sendo sincera naquilo. Tinha conhecido três tipos de espíritos naquela noite: os distantes, que só observavam de longe com suas formas e aparências esquisitas; os filhos da puta, que matam sem dó e fazem mal aos dois mundos; e os aparentemente tranquilos, como Corre-Corredores: esses pareciam valer a pena manter uma boa relação.

    ---

    A verdade é que Bea nem tinha pensado exatamente no que tentara e com quem. As chances de tomar uma porrada pra deixar de ser abusada eram grandes... Mas a surpresa nos olhos de Dobrasin... E o desejo em seguida a fizeram perceber que não ia ser um chega pra lá que ia receber naquela noite.

    A mulher aproveita todas as sensações, deixando o ancião a tomar como mais gostava. Os gemidos eram tão sensuais quanto seu corpo, o rosto cheio de prazer... a intimidade receptiva e empinada pra ele. Novas sensações... Muitas. Todas diferentes de seu corpo humano. Aproveitou cada orgasmo que Dobrasin lhe proporcionou, recostando o corpo no dele quando o homem também chegou lá, puxando as mãos dele para seus seios e forçando a bunda um pouco mais contra ele.

    Quando ele a vira de frente e aproxima o rosto repetindo aquela parte do juramento, a realização do que podia acontecer ali ficou clara no rosto dela. As bochechas vermelhas, os olhos arregalados e um leve sorriso. O que Agnes tinha falado lá na delegacia tomando forma.

    Bea corresponde o beijo, acariciando o rosto dele por um instante, falando um “obrigada” bem baixinho. Não explicou o porquê agradecia... Mas o homem ali tinha dado mais que uma foda pra ela. Naquela noite, ele tinha dado um propósito a colocando na tribo e mostrado, na prática, que ela era realmente uma mulher.

    Deu uma risada sobre as roupas – Não tem problema, foi o estado que pagou por elas de qualquer forma – disse de forma agradável, pegando a roupa rasgada do chão pra não deixar poluindo a floresta. Quando as árvores  estavam terminando, se despediu de Dobrasin, indo para a casa de hóspedes.

    Antes de dormir, Bea pegou uma manta que cobria o sofá e se enrolou, indo até a cozinha comer. Fez duas lasanhas de microondas e tomou um copo de suco. Estava morta, mas precisava de um banho depois de matar aquele bicho fedorento... E de Vigia morte bagunçar ela toda. Assim o fez, foi pra uma das suítes vazias, tomando um banho e apagando na cama.

    ---
    Acostumada a dormir em locais abertos, Bea acordaria com o primeiro barulho na casa. Pensou que estaria quebrada, mas parecia que tinha ficado no spa na noite anterior. Isso de regenerar rápido tem mesmo as suas vantagens.

    Pegou o vestido e foi tomar outro banho, ainda tinha o cheiro do velho em si... E nem o segundo banho o tirou completamente. Não que tivesse com vergonha... Mas não sabia bem o que os Horvath iam achar de uma novata chegar num almoço de família com cheiro do ancião da família. Por fim desistiu, se vestindo, prendendo o cabelo em um coque e deixando o sutiã na cama. Não precisava dele, estava com tudo em cima graças à luna.

    Empurrou o carrinho até a cozinha, querendo tomar café lá, procurando o outro lobo pra não comer sozinha. Enquanto ele não aparecia, começou a lavar a louça que tinha deixado na noite anterior, colocando um café para passar na cafeteira.  Cantarolava Smooth baixinho, fazendo uma colher de microfone.

    ---

    Na hora do almoço, seguiria com Makya para a casa principal.

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    Mensagem por Wordspinner Sex Ago 27, 2021 2:28 am

    Makya andava lentamente investigando o lugar. Os passos lentos testando o chão. Os olhos no celular. Sanzava pela casa olhando todos os quartos antes de escolher um. O quarto com a melhor vista e as melhores coberturas em caso de ataque. Ele não desconfiava que seria atacado e nem tinha medo. Era só um hábito para se manter afiado. Um jogo com um só participante onde ganhar era ter jogado atoa. Ele deixava a mente reaparar que os confortos da casa vinham em decadas. Separados por grandes espaços de tempo, da geladeira ao fogão de indução. Detalhes pessoais tinham sido extirpados se alguma vez tivessem existido.

    Makya se agarrava ao anonimato do silêncio no grupo. Seguindo seus amigos. Um a um a distância. Já sua irmã ele tinha que interagir. Precisava falar com ela. Precisava.

    Não conseguia. Não ainda. Ele continua olhando o celular até a porta abrir e fechar atrás da mulher de passos leves. Um sinal de que tinha ficado acordado mais do que devia. Ele fecha os olhos e desliga o celular. Melhor aproveitar a chance de um sono tranquilo, não sabe quantas mais teria.

    --

    Makya fica satisfeito e impressionado com o café que chegou sem ele pedir ou perceber. Ele hesita quando ouve a outra uratha. Ele espera analisando o que estava fazendo. Tentando adivinhar com o ouvido onde ela estava e fazendoo que. Completando as lacunas com a mente. Mas eventualmente ela fica parada muito tempo e ele pega seu carrinho o empurrando para a fonte do barulho.

    "Bom dia flor do dia." Ele bate de leve no carrinho para chamar atenção e então mostra o café como se fosse um garçom chique. Como se fosse o que ele achava que um garçom chique era. Nunca yinha visto um. "A senhorita achou adequado seu dejejum?" Ele aproxima o rosto do seu pedaço de carne e respira fundo. "Um corte bem feito, um aroma equilibrado e quase... quase... amanteigado." Ele se esforça para não babar. Finge limpar a boca com um pano delicadamente imaginário.  

    "Dormiu bem?" Agora a piada já não estava ali. Só sobrava a expectativa animada de um dia interessante. O convite intocado na mesa, mas seria lido nos próximos minutos.


    --


    Claro que Malya iria ao almoço. Iria honrado e faminto.
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    Mensagem por Bastet Sex Ago 27, 2021 5:05 pm







    Coração de Tinta


    Beatrice Thompson
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    Beatrice estava terminando de lavar quando Makya apareceu. Estava distraída, pensando nas coisas que tinha acontecido naquela noite, no sonho bizarro que teve assim que fechou os olhos... No corpo virando uma máquina de morte e de força. Uma mulher. A mente lá longe enquanto ensaboava insistentemente um copo que já estava limpo e cantarolava a música com ritmo latino.

    Ao ouvir o barulho feito pelo outro lobo, ela olha pra trás, por sobre um dos ombros, e abre um sorriso. – Bom dia – colocou o copo limpo no escorredor e pegou um pano de prato pra secar as mãos, enquanto via o mestiço empurrar o carrinho até a mesa. – Sim senhor, mas achei mais adequado lhe esperar para desjejuar nessa manhã – deu uma risadinha, imitando o tom dele muito chique pra situação. Indicou o carrinho que ela mesma havia trazido, o que mostrava que os Horvath eram mesmo exagerados no sentido de boa hospitalidade. Ou achava que eles passavam fome fora dali. Fez uma careta com a menção ao filé pela manhã, Beatrice era quase vegana antes... Mas sentiu o estômago se agitar ao sentir o cheiro quando Makya levantou a cloche  do prato. Por que parecia tão, tão bom?

    Tirou a jarra da cafeteira e pegou duas xícaras, levando até a mesa, ajudando ele a colocar o café da manhã farto lá.

    - Eu diria que melhor do que eu esperava – confessou, se sentando quando ele o fez, encarando o bife quase amanteigado – Eu pensei que ia tá quebrada hoje. Cheguei mó tarde, fiquei até com medo de te acordar... Não acordei né? – parecia levemente culpada pela bagunça que fez na cozinha na noite anterior – Mas acordei nova em folha. Loucura isso de regenerar né? – partiu um pedaço do bife, enfiando na boca e quase derretendo na cadeira de tão bom que achou. - E você? Pasosu bem a noite?

    - Tu tá há muito tempo nisso? Parecia todo sabido ontem... E tranquilo com todo o sangue... Pedaços fora do corpo...

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    Mensagem por Wordspinner Sex Ago 27, 2021 5:36 pm

    Makya ficava aliviado ao ver ela entrando na brincadeira. Ficaria completamente perdido se esse tipo de tratamento fosse o que ela estava acostumada. Se estava, tinha fingido bem. Ele assiste ela colocando o café e deixa a mente viajar para a sensação que o líquido negro tinha, não era a mesma coisa. Nada mais era. "Obrigado, senhorita Beatrice. Vejo que seus modos não a desertaram durante sua empreitada campesina com a louça." Ele sorri pegando a xícara com as duas mãos como se fosse algo precioso.

    Ele relaxa e abandona a gozação quando ela finalmente pergunta se o acordou. "Não me acordou não." Verdade era muito importante. Ele leva o café bem perto do rosto antes de o deixar de novo na mesa e ir para o filé. "Parece que querem deixar a gente grande e forte. Ou gordo e de artérias entupidas." Ele espeta uma tira de bacon em demonstração. "Sinceramente, eu to super agradecido." Ele coloca o que tinha cortado do prato na boca e mastiga devagar. Loucura regenerar? Ele balança a cabeça com olhos arregalados sem parar de mastigar. Ele nem tinha palavras pra isso de qualquer forma. Tinha dormido bem? Feito um bebê, então ele continua balançando a cabeça e pega a xícara para um gole que ajuda o resto a descer. Mas por pressa que por necessidade. "Comecei ontem. Não de verdade, mas por assim dizer. É com essas coisas de sangue e gente quebrada que eu tenho alguma experiência. Tenho treinamento médico de campo para socorro imediato, meu emprego treinava a gente muito bem. Mas agora eu vendo coisas tipo artesanato e..." Ele hesita por um instante, mas não porque tivesse vergonha. Não ali. Não de um uratha. "Ervas de uso recreativo, mas é coisa pouca só para cobrir os gastos e não morrer de fome. Você?" Ele não fala sobre os diarios que ele nem entendia direito em casa e das histórias que tinha ouvido toda a infancia e ainda tentava filtrar por verdades ocultas. "Foi a primeira vez, né?" Ele aponta para o próprio peito, onde haveriam seios se ele os tivesse, com a faca e o garfo. Então coloca mais um pedaço na boca e mastiga devagar, melhor não interromper ela. Pessoas gostam de falar e não serem interrompidas e mastigar e falar ao mesmo tempo não era muito prático.
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    Mensagem por Ankou Sex Ago 27, 2021 6:01 pm





    Beatrice & Makya


    O café como um todo parece um pouco mais frio do que deveria, como se eles tivessem perdido um pouco a hora em que foi servido, mas o tempo bem dormido certamente compensa um café já mais morno.

    A porta se abre e acaba interrompendo os dois, o sujeito cheira como sangue do lobo, como todos os outros, mas não tem nada demais nisso, ele parece até alheio a natureza dos urathas, mas é ele quem torna a manhã menos entediante até a chegada do almoço, ele apresenta a propriedade, currais, centenas e mais centenas de cabeça de gado, processos de produção de leite, carne de corte e confinamento de gado, até a mina de ferro dá pra ver de longe, o sujeito jura que Bea e Makya são clientes, ou potenciais clientes, a propriedade gigantesca, até onde os olhos conseguem alcançar, quando finalmente ela termina do lado tem alguém com alguma caixa de correio com um número e o nome dos Horvath nela, primos? Tios? Mães e pais, uma porra de dinastia gigantesca, impossível os dois urathas não se perguntarem aonde diabos tinham se enfiado.

    Quando o horário do almoço chega ele os guia de volta pra propriedade. Próximo a cozinha que eles haviam jantado na noite anterior tem um fogo de chão com um boi em pedaços quase inteiro sobre o braseiro, dois porcos e um monte de variedade de linguiças, panelas borbulhando com cozido mais próximas do chão, três mesas enormes uma junta da outra, nem dava pra contar os lugares direito, dava pra chutar uns trezentos talvez.

    Aos poucos as pessoas começam a chegar, de carro, moto e até mesmo de cavalos puxando carroças, dezenas de crianças correndo e brincando, gritando, chutando bola, ou balançando balões que se recusam a ficarem no baixo. As pessoas são simpáticas e não parecem fazer qualquer distinção dos dois pro resto dos Horvath, eles são tantos que são até chamados de primos por alguns deles como se fossem incapazes de distinguir se eram forasteiros ou não.

    Quando todos se reúnem na mesa que era composta por três Dobrasin está em uma ponta, a outra ponta permanece vazia, os bancos corridos das laterais vão se enchendo, mas ele reserva os lugares próximo a ele especialmente pros dois Urathas.

    Muitas pessoas se aproximam dele e pedem sua bênção, ele é chamado de muitos nomes até mesmo de tataravô por alguns adolescentes e adultos jovens, dentro de todos aqueles que vem cumprimentar Dobrasin dois se destacam, o primeiro é velho, e parece já sofrer com a idade e as dores que vem com ela, mas ele cheira a sangue, sangue humano, ele o chama de pai e beija a mão do uratha como se ele fosse um capo, o segundo é grande e forte, gigantesco de forte e de meia idade, barba e cabelos brancos como se um dia tivessem sido loiros, um olho cego e branco, uma cicatriz que ele parece não querer ou se importar em esconder. Ele cheira a tabaco de boa qualidade e ganha um carinho na cabeça do velho como se fosse uma criança, todos os dois são educados, chegam até estender as mãos pra Makya e Bea e alguns outros presentes mais próximos. Impressionantemente a família preservava seus traços finos e esguios em boa parte dos presentes, mas pra surpresa principalmente de Makya eles estavam longe de serem completamente caucasianos, haviam pessoas com nítida descendência negra, indígena e uns três ou quatro orientais.

    Um sino toca e a mesa ficam completamente cheia, homens em volta do braseiro picam e fatiam os assados e moças vão servindo as pessoas, as crianças chamadas pra comer numa mesa menor, mas próxima.

    Nada do velho vem da churrasqueira, não que ele não tivesse bem servido, Steak Tartare, Carpaccio e até Sushi são postos na frente dele, tudo feito com muito cuidado como se ele tivesse alguma dieta restritiva.

    Pouco antes da comilança começar eles rezam um Pai Nosso em um coro uníssono de vozes, nenhum uratha parecia especialmente religioso, mas outros membros da família, vários deles tinham cruzes em volta do pescoço, fosse de madeira, ouro ou até mesmo prata. Dobrasin nomeia alguém para fazer o brinde do dia logo após a oração, a mulher pede saúde, paz e principalmente dinheiro, como se eles precisassem de mais dinheiro. Finalmente quando o momento solene termina começa a barulheira animada, muita cerveja em cima da mesa farta de carne, muita gente conversando de assuntos diversos, desde casos de família até sobre mercado de ações, impressionantemente dinheiro é um assunto recorrente entre vários diálogos deles, como se fosse algo muito central na vida de todos os Horvath.

    Dobrasin se mantém relaxado e não fala de nada relacionado a vida dos lobos naquele meio tempo, ele come sua comida, ri com as crianças fazendo bagunça, quando elas se aproximam chega a dar uns pirulitos e balas escondido pra elas quando os pais nem estão olhando, ele chega a perguntar da vida de Makya e Bea, mas coisas muito triviais como a vizinhança que eles moravam, ou prato favorito, o que gostavam de fazer na hora do lazer, era estranho, parecia quase alienígena ter um dia normal depois que toda aquela “loucura” havia começado.

    Quando o almoço termina a coisa se transforma numa moda de viola, homens e mulheres vários deles com violões cantando e dançando, Dobrasin pede pra que eles o acompanhem, o velho não os leva pra longe da vista de ninguém, mas se afasta o bastante pra manter ouvidos curiosos longe.

    - Os luas minguantes estão tendo sonhos complicados, aconteceu com a senhorita? - Ele pergunta sem rodeios olhando pra Bea, em seguida pra Makya - Senhor Chase sabe do que eu estou falando? - ele diz pegando uma caixa de cigarros de palha do bolso e acendendo um deles, estendendo pros dois se quisessem um, um trago depois e o velho faz uma careta como se não tivesse gostado nem um pouco. - Tão ruim quanto eu me lembrava. - ainda assim ele continua fumando a coisa fedorenta.
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    Mensagem por Bastet Sab Ago 28, 2021 7:03 pm







    Coração de Tinta


    Beatrice Thompson
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    Após ele pegar a xícara,  ela segurou levemente o vestido, fazendo uma mesura quase exagerada – Uma dama nunca perde seus modos, caro senhor – não aguentou e deu uma risada divertida. Não sabia qual dos dois destoava mais daquele diálogo matinal.

    Enquanto Makya falava, a Cahalith observava os trejeitos dele, curiosa. Ele realmente não parecia se encaixar num lugar como aquele, mas estava à vontade com o luxo oferecido. "Uma sombra solitária"... pensou.  As palavras dele quase ecoaram isso, fazendo Beatrice assentir.

    - Eu também. Fazia tempo que não dormia numa cama cama – não que ela sentisse realmente falta, mas era mais espaçosa e macia que a cama da Kombi – Bem, o que não mata engorda, não é mesmo? – ela também enfiou um pedaço do filé na boca, se detestando por gostar tanto. Talvez quisesse ele mais mal passado ali. Sua expressão se tornou confusa quando ele disse que tinha começado no dia anterior. – Ontem? Parece que tá nisso faz tempo. Me conta mais – aguardou, mas não seria insistente nisso se ele desconversasse – Maneiro. As três coisas. Confesso que a parte da erva me interessa mais. Difícil achar uma da boa por aqui, sem porcarias misturadas. Mas acredito que se coisas como aquelas de ontem ocorrem muito, deve ser útil saber costurar umas feridas – limpou os lábios com um guardanapo. –  Eu? Sou escritora e youtuber. Gosta de histórias de terror? – bebeu um pouco do café e assentiu novamente – Sim... Eu tava de passagem aqui na cidade, com um amigo. Apareceu uns babacas e... bem, você disse que esteve lá né? Deve ter visto o que rolou. – suspirou – Com você foi tão sangrento assim também?

    Ficou vermelha quando ele apontou os peitos dele mesmo com os talheres – Você viu meus peitos antes de me pagar um vinho. Esse novo mundo nos proporciona encontros estranhos – dessa vez não parecia uma armadilha, só uma constatação do estranho. A risadinha depois mostrava o leve constrangimento.

    ---

    Quando o homem chegou, a jovem olhou Makya pra saber se ele o conhecia... Mas, levando em conta o cheiro dele e o conhecimento do local, imaginou que era um funcionário ou família dos Horvath. Se mostrou interessada no que ele mostrava, fazendo perguntas vez ou outra e ouvindo as respostas vendedoras do rapaz.

    Enquanto caminhavam perto da casa, indo pra região onde estavam as mesas enormes, Bea falou com o outro uratha – Nossa... Acho que aqui cabe a população inteira da minha cidade – claro, era exagero, mas também era exagerado o tamanho daquela família. Eles pareciam barões da cidade, por que tinham sido tão gentis com dois forasteiros?

    Se surpreendeu ainda mais quando eles ganharam dois lugares perto do ancião... E mais ainda quando filhos, netos, bisnetos e tataranetos começaram a aparecer. Estava tomando um copo de cerveja quando o cara que parecia três vezes mais velho que Dobrasin o chamou de pai... A surpresa foi tanta que quase cuspiu o líquido, mas conseguiu segurar, olhando Makya com olhos levemente arregalados. Quantos anos Vigia-Morte tinha?

    O momento da oração foi estranhamente familiar. Enquanto todos estavam de olhos fechados, rezando, Beatrice observava cada um... Dos mais fortes aos que pareciam mais frágeis. Era difícil acreditar que pessoas que sabiam da existência de monstros pudessem acreditar em deus e pedir que ele não “os deixasse cair em tentação”. Quantos tinham comido gente, como ela o tinha feito?

    Repetiu apenas o amém e fez o sinal da cruz, por costume de sua família extremamente católica. No restante do almoço, a garota foi agradável com todos que falaram com ela. Comeu, bebeu, conversou sobre amenidades e cumprimentou aqueles que a cumprimentaram. Ficou de olho pra perceber se Agnes iria aparecer... E os feridos. Não sabia o quanto demorava pra se curar daquela coisa toda. Apesar disso, tinha percebido que o velho não queria falar dessas coisas em específico ali e não tocou no assunto.

    ---

    Bea segue Vigia-Morte, aceitando o cigarro e pensando na pergunta de Dobrasin. O gira de leve nos dedos, antes de pedir pro senhor acender.

    Assentiu, enquanto dava um trago. Gostava daquelas coisas naturais, apesar de sempre acabar se rendendo aos cigarros industriais mais baratos e vendidos em maior quantidade. Soprou a fumaça de forma a ela não ir na direção dos outros.

    - Eu sempre tive sonhos estranhos... Mas hoje foi especialmente assustador e confuso. – Esperou Makya responder, não sabia se algum outro Cahalith tinha falado com ele – Eu achei que pudesse ser apenas em decorrência de tudo o que vi ontem... Mas Makya estava no meu sonho – olhou pra ele um pouco preocupada – Digo, não o vi de forma exata, mas ele estava. E mais três que eu não conheço. Irina sonhou com isso? – se lembrava dela no sonho. E se ela achasse que era coisa ruim vindo aí, depois de tudo?  


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    Mensagem por Wordspinner Ter Ago 31, 2021 6:33 pm

    O que não mata engorda... ela diz. Ele mastiga. "Ontém é figura de linguagem..." ele diz com a mão cobrindo a boca. "As lendas dos meus ancestrais..." ele faz um falso tom solene, mas não muito falso já que era real para ele. "... tem uma semelhança, sabe? Com o outro lado." Ele volta a mastigar tentando lembrar a quantos dias era uratha. A quanto tempo ele estava sozinho, se sentindo fora de todo o resto.

    Ele balança a cabeça concordando sobre as ervas, sobre costurar feridas. Claro. Muito útil. Ele sorri quando ela fala das histórias de terror. Ele gostava mais antes de descobrir que um monte delas eram reais. Mas ainda gostava. Só que agora elas pareciam trabalho ou avisos. Coisas que até poderiam vir a ser.  Ene confirma enquanto mastiga e mastiga até ela terminar de falar. Ela falava mais que ele e isso era bom. Muito bom. Uma youtuber já era ruim. Arriscado. "Eu vi. Você terminou sozinha também, não foi? Irina disse que é sempre assim. Que a gente sempre termina só."


    Então os peitos. "É. Mas eu não gosto de vinho, então..." a porta. Claro. Era hora de ir. "Hora de ir." Ele corta mais um pedaço grande e o enfia na boca. Comida assim não era parte de todos os seus dias.

    --

    Visitar a propriedade só fazia Makya se sentir pobre e só a graditão por ter sido muito bem tratado fazia ele segurar as brincadeiras. O lugar era opressivamente opulento. Uma gigantesca riqueza acumulada. Uma enormidade de recursos em várias formas juntos. Uma família e enorme também. Aquilo era impressionante, mas Makya deixou as perguntas para Bea e confortavelmente aproveitou o passeio.

    --

    "Cabe todo mundo que mora na reserva, com certeza." A cidade da menina devia ser bem pequena.

    O irraka tenta se manter no seu melhor comportamento. Era bom estar ali e ver uma família funcionar assim. Ele gostava de ver e ouvir e aproveitava a chance comprimentar as pessoas. Observava tudo e seu jogo de procurar detalhes o fazia perder sempre. Gente demais para acompanhar. Mas isso era até divertido. "Isso que é mesa." Ele cutuca a youtuber. "A gente deu sorte e chegou na hora da festa." Poderia parecer zombaria, mas não era. Makya adorava o clima do lugar. Mesmo cheio de gente branca, claro que os outros não brancos faziam tudo ficar melhor. Fazia parecer  que ele não terminaria no espeto ele mesmo.

    O irraka mais ouve que fala, ele não entendia nada do mercado de ações ou gado ou fofoca familiar. Mas ele gostava de ouvir. Gostava daquilo tudo, mas não tocava na cerveja. Comia de tudo e aprovava o comportamento do velho, era melhor proteger o segredo em todas as oportunidades. Isso e fazer crianças felizes.

    Quando Dobrazin oferece o troço fedido em chamas ele se esforça para dar um trago amargo. Fazer parte, compartilhar. Ele responde Dobrazin com um movimento de cabeça.

    "Irina disse, ficou parecendo pior quando você mostrou o caderninho. Não é algo que parece possível." Ele passa a mão no nariz tentando se proteger do cheiro. "Só que eu não sei o que tem dentro desses sonhos. Exceto merda." Os sonhos deviam ter gosto daquela merda fedorenta. "É difícil acreditar que eu posso estar num sonho sobre o futuro. Desagradável também." Ele não fala sobre Bea ter citado mais gente.

    Mais três.  Três novatos como eles dois? Três pessoas perdidas? Três pessoas para serem encontradas? Que nem ele?
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    Mensagem por Ankou Ter Ago 31, 2021 8:34 pm





    Beatrice & Makya


    O velho fica em silêncio enquanto os outros dois urathas se pronunciam, ele dá mais três tragos desgostosos nesse meio tempo e finalmente joga o palheiro no chão e pisa em cima. - Luna sempre providencia o que quer que precisemos. - ele diz calmo e suave, com um verdadeiramente evangelista e mesmo tendo uma voz sepulcral ela soava de alguma forma sedutora - Elas acham que vocês são problema, ou é isso que a Cahalith dos Cães Sortudos convenceu as outras de achar - ele para alguns segundos pensativo - Não, não lembro o nome dela. - ele parece desistir de tentar lembrar - É tudo muito real, normalmente muito mutável pra ser sempre verdade, ou melhor é sempre verdade, mas muito mutável pra ser certeiro. - as palavras dele pareciam contrariar até mesmo o caderninho com datas e tudo mais.

    - Talvez eu possa dividir com vocês algumas coisas que podem fazer essa ideia mudar, uma história que quase ninguém se lembra mais, e quem se lembra não gosta de contar. - ele pigarreia e joga uma bala do bolso pra boca antes de começar. - Essa história é verdadeira, quando eu cheguei aqui era deserto e guerra, essas terras não eram nossas, não era de ninguém branco, nenhum uratha começou o conflito, mas todos nós embarcamos nele, os desbravadores ganharam, os humanos se acalmaram e décadas depois os uratha ainda estavam em guerra, um monte de rancor e morte pra todos os lados, em algum momento Karak-Ur surgiu, o lobo montanha clamando ser filho de Huzuruth-Ur, os Anshega acharam que haviam ganhado, como se o lobo fosse um enviado dos céus, mas ele nem queria o fim do conflito, ele queria guerra, ele prometeu muitas coisas, mas prometeu pros dois lados, se alimentando do sangue, carne e dor dos uratha, ninguém estava disposto a ceder fosse pelas promessas ou simplesmente rancores passados… - O olhar do velho é sofrido e distante ao mesmo tempo. - Eu? O que eu sabia? Eu era Omega dos Andarilhos-do-Vale- ele acaricia o rosto, engole seco e prossegue com a voz ainda mais fria, como se a história já não fosse aterrorizante o bastante. - Um dia os Blackwood atacaram os Ninna Farakh com tudo, e quando eu digo tudo eu quero dizer prata também, tem gente que dizem que até a carne deles eles comeram, uma merda sem precedente - era até estranho ver o velho xingar, quebrava toda a ode que ele era. - Isso colocou medo no coração de todo mundo, inclusive dos Urdaga, no dia seguinte Tomislav O-Peleiro e Tatanka Tasunke Punho-Cinzento e outros alfas fizeram um acordo de cavalheiros - Dessa vez o olhar do velho queima de ódio como se ele revivesse todo aquele drama na própria mente de novo - Na noite seguinte os Blackwood mataram meu irmão em retaliação, na lua cheia que se seguiu nós contamos essa história aos Rahulunim e nunca mais vimos nenhum deles, na verdade nunca mais vimos nenhum Blackwood uratha, o Decker mais velho disse que um amigo tinha cuidado de Karak-Ur, ele ainda tá dentro daquela bolha preta que vocês podem ver pra lá - ele diz apontando - e disse que esse amigo garantiu que enquanto o acordo de cavalheiros estivesse de pé Karak-Ur permaneceria preso.

    O velho suspira e se volta em direção a bolha negra, os olhos agora amarelos, assim como Bea havia testemunhado na noite passada em sua forma lupina. - Tatanka Tasunke morreu há um mês e meio, eu não sei a causa, quem me contou não se importa muito com a causa de qualquer forma, ele era o último alfa ainda de pé da época do acordo, naquela mesma noite na meia lua um Blackwood passou pela primeira mudança. - o velho suspira, ele parece de alguma forma estranhamente aliviado por falar aquelas coisas - Luna sempre toma providencia, espero que esse Blackwood faça melhor que os que vieram antes dele. - Ele começa a andar em direção a casa - Eu preciso de um favor. - ele diz, sem dar tempo de ser indagado, ele entra na casa e não demora mais do que dois minutos lá dentro, tempo o bastante pra Makya e Bea tentarem digerir aquela história toda.

    Em mãos ele tem consigo uma caixa de madeira envernizada polida e bonita, mas sem gravuras, entalhes ou tranca, a parte interna é revestida de veludo vinho e dentro um revólver calibre .44 antigo que Makya identifica só no olhar, cabo de madrepérola com o símbolo tribal dos Senhores da Tempestade - Eu segui o rastro dos Blackwood, até não ter mais rastro algum, eu achei o revólver do outro lado, uma lembrança ruim que eu não quero mais ter. - Ele estende a caixa pra Beatrice e logo tira do bolso um papel e nele um endereço escrito com uma bela letra cursiva.

    Revólver:
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    Mensagem por Wordspinner Sex Set 03, 2021 8:04 pm

    Dobrazin escreveu:Luna sempre providencia o que quer que precisemos.

    Makya espera que o velho esteja certo. Espera muito que ele esteja certo.

    Dobrazin escreveu:Elas acham que vocês são problema, ou é isso que a Cahalith dos Cães Sortudos convenceu as outras de acha

    Makya não era problema. Não muito. Não para esses caras. As tribos da lua eram o que qualquer desajustado sonha em encontrar, um bom motivo para meter a porrada em alguma coisa.

    Dobrazin escreveu: É tudo muito real, normalmente muito mutável pra ser sempre verdade, ou melhor é sempre verdade, mas muito mutável pra ser certeiro.

    Isso parecia esquema de trapaceiro. Talvez fosse. A Lua o maior deles. O irraka olha bem para Dobrazin e assente com a cabeça.

    Dobrazin escreveu: Essa história é verdadeira... simplesmente rancores passados…

    Não parecia o tipo de coisa que ele tinha se voluntariado para enfrenter. Porra ele não se voluntariou para nada. Caralho, ser comido vivo por um outro uratha não tava nos planos dele. Um suspiro alto, ele tinha prendido a respiração sem perceber.

    Dobrazin escreveu:Na noite seguinte o... acordo de cavalheiros estivesse de pé Karak-Ur permaneceria preso.

    A coisa preta. A coisa preta era isso e ele tinha alguma coisa a ver com o desfecho. Já que ele estava fodido era melhor resolver o problema. Mas como? Que diabos ele ia fazer além de vigiar o escuro e rezar? Ele olha o velho indo para a casa e confirma com a cabeça para suas costas. "Tá fazendo sentido para você?" Ele tenta não parecer nervoso demais. Pelo menos não demais. "Essa porra é muito injusta, o que a gente tem com isso?" Mesmo assim ele tinha sido fisgado, ele queria resolver, queria fazer parte. Queria caçar. Queria enfiar os sonhos desse povo no diesel e meter fogo. "Já quer fugir de volta para ontem?" Ele soava como se quisesse, mas não queria. Ele tinha encontrado algo bom ali. Um motivo.


    Dobrazin escreveu: Eu segui o rastro dos Blackwood, até não ter mais rastro algum, eu achei o revólver do outro lado, uma lembrança ruim que eu não quero mais ter.


    "Uma arma? Só isso? Desculpa, tu é melhor com a gente do que eu podia pedir. Mas tá me passando para trás." Makya tentava acompanhar o velho sabendo que não conseguiria. Ele olhava a arma velha e via que não tinha nada de espírito nela. Nada. Era metal. Só metal. O favor não estava ali. "É só uma desculpa, né? Eu levo com a garota, tu sabe. Mas diz isso, a arma é o mensageiro e a gente é a mensagem. Tem mais do que dois otários nesses sonhos." Ele aponta com o polegar para ele e depois Bea.
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    Mensagem por Bastet Sex Set 03, 2021 11:46 pm







    Coração de Tinta


    Beatrice Thompson
    Sombras Descarnadas   |  Cahalith


    “Sim, eu sei o que eu tô fazendo...
    Mas filma direito, se der merda pelo
    menos dá views”



    _______________________________________________________________________


    Beatrice deu mais um trago enquanto Dobrasin falava, sem saber exatamente o que pensar sobre luna providenciar aquilo que precisavam. Será que ela e Makya terem matado pessoas era um capricho de Luna pra fazer as pessoas que viviam naquela cidade ter um pouco de ação... Ou mãos amigas sem experiência e juízo? Não sabia.

    Prestou atenção no que ele contava sobre a história do passado. Aquela cidade era tão velha quanto aparentava, pelo que dizia o velho. E tinha mais tretas do que uma jovem recém saída da adolescência podia imaginar. Brigas, rixas, guerras, acordos... E morte. Pior, um monstro dentro de um lugar tão escuro pra eles quanto a noite é para os humanos.

    - Blackwood... Como a rua? – coçou a cabeça – Se o acordo não está mais selado... Você acha que Karak-Ur vai voltar? – não parecia ser um inimigo fácil.

    ---

    Quando Vigia-Morte foi pra dentro da casa, Bea deu uma última tragada, apagando o cigarro em seguida. Olhou para Makya e negou com a cabeça.

    - A única coisa que faz sentido é que aquilo lá tem potencial de dar merda. – indicou a bolha preta no horizonte com a cabeça - Aparentemente, nossa chegada aqui tem algo a ver com isso. – deu uma risadinha com o que ele disse – Cara, cê viu o que eu fiz ontem. Prefiro chutar a bunda do tal lobão do que passar pela primeira vez de novo – um sorriso levado no canto dos lábios, só pela menção.

    ---

    Bea abriu a caixa, sem cerimônias. Queria saber o que iriam entregar... Mostrou a arma pra Makya, era uma coisa bonita e grande. A Cahalith não sabia se era valiosa ou potente, não entendia nada sobre isso.

    Arregalou os olhos quando o outro lobo falou daquela forma com o mais velho. Aguardou Dobrasin responder, de toda forma, e completou – Essa história é antiga, pelo que você disse. Tão antiga a ponto de não ser perigoso se aliar a um Blackwood? – queria saber se tinha alguém de olho no outro novato. A cara dela era muito bonitinha pra levar uma porrada sem motivo.

    Por fim, se aproximou do outro lobo – Eu aposto que terão mais dois, além do tal Blackwood – a mão livre foi apoiada no braço de Makya – Tá na hora da gente fazer os nossos corres. Retribuir a hospitalidade... Obrigada, Vigia-Morte - deu um sorriso agradecido, puxando Makya pra ele n falar mais nada que pudesse estragar a aparente boa relação com uma alcateia grande e bizarra daquela.

    Já saindo da propriedade, perguntaria algo pra Makya.

    - Você sabe usar isso aqui? – bateu na caixinha – Caso... Você sabe.... A guerra ainda tiver pirando os Blackwood... Ah, merda, o que eu to falando... puta que pariu– olhou em volta e, sem querer pensar, começou a correr - Vem, eu tenho um carro pra gente não chegar podre na casa dos ricaços...


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    Mensagem por Ankou Dom Set 05, 2021 5:29 pm





    Beatrice & Makya


    Indo: Blackwood Manor

    - Blackwood como o bairro. - o velho retrucou quase que antes dela terminar de falar. Bea nem tinha obrigação de saber daquelas coisas, ela nem morava na cidade.

    Ele não responde a segunda pergunta dela, pelo menos não até voltar de dentro da casa, que finalmente faz ele parecer religar o assunto - Quem sabe? Isso é só uma história velha, eu espero que não. - Ele parece ser tão honesto quanto poderia ser.

    No momento seguinte a atenção toda voltada pro Irraka, Dobrasin não parece esboçar expressão nenhuma que fosse o incriminar, mas tampouco o absolver, as palavras não soam diferente - A arma é só um pedaço de metal velho que eu não quero mais, a mensagem vocês decidem. - em seguida ele estende a mão em cumprimento ao Irraka e logo depois a Cahalith, parecendo não ter mais nada a dizer ou tratar ali.
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      Data/hora atual: Sab Set 25, 2021 3:13 pm