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    Axel Brown

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    Mensagem por Wordspinner em Ter Maio 12, 2020 10:26 am

    Seus olhos estão borrados de culpa e dor. Seu pai não responde. Não se move. Está frio. Mais frio que o ar da noite escura. As nuvens pesadas deixam o céu quase negro. O suave brilho da lua mancha elas de prateado e depois some na escuridão. Alguma coisa quebrou as luzes que vocês usavam para trabalhar. Alguém bagunçou tudo. Tábuas reviradas e quebradas. Ferramentas jogadas para todo lado. Sangue e pelos esmagados na mesa da serra.

       Mas ele chama sua atenção novamente. Como se ainda pudesse brigar. Os olhos abertos em horror abjeto. O rosto sujo de serragem e poeira respingado de sangue. Cheirando a madeira e suor. As mãos calejadas imóveis ainda com um bloco de pedra perfeitamente liso e sujo de sangue. Sangue de quem? Não é justo. Uma punição sem crime. Que leis ele quebrou? Que codigo ele ofendeu? Dá para ouvir os ratos. Malditos desgraçados não deixam sua dor em paz. Sem a luz, você é a única coisa impedindo eles de matarem a fome no seu pai. Ele já foi injustiçado demais.
       
    Não que essa seja a única injustiça. A merda do gosto de sangue na boca não faz nem sentido. Nem estar pelado ali. Onde estavam as suas coisas? Seu celular? Mas não podia ir procurar e deixar ele ali com os ratos. Escondidos no mato. Escondidos entre as tábuas. Escondidos nas sombras. Na Sombra.

       O carro ronrona e os faróis acendem na sua cara. A caminhonete velha do pai nunca ligou tão bem assim. Tão suave. Enquanto as palavras se juntam para sair da sua boca numa forma que faça sentido uma sombra passa em frente ao fachos de luz. A silhueta tem os braços ao lado do corpo e as mãos abertas. Não quer mostrar perigo. Uma sombra no meio da luz indo quase na sua direção.

       Desliga o farol, cara. Tá cego?! A voz é de mulher. Jovem. Mais jovem que você provavelmente. O farol apaga e seus olhos se adaptam mais rápido a escuridão que jamais antes. “Ei a policia já tá vindo. Tudo bem com você?” Finalmente dá para ver os olhos dela. Não estão em você. Eles correm em volta. De um lado para o outro.
     
    Então ela sorri e ratos se agitam. Gritam de dor no escuro. Na Sombra. Dá para sentir a morte escura a sua volta. Mas ela sorri com esperança real de alguém que sabe estar fazendo exatamente o que deveria. “Posso chegar? Posso ajudar, eu juro. Não parece, mas eu posso.” A luz da lua novamente vence as nuvens escuras. Dá até para ver as mechas vermelhas no cabelo dela. Dá para ouvir o som dos ratos cada vez mais longe. Mais fraco, tão fraco que dá para ouvir de novo o ronronar do motor do carro.
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    Mensagem por Bravos em Ter Maio 12, 2020 6:06 pm




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    Na sua mente só flashs passavam com uma velocidade incrível. O gosto de sangue na boca. O pai morto. Ratos. Nu. Então um farol de carro lhe ofuscava. Alguém falava com ele. Mas ele apenas não entendia como aquilo tudo poderia estar acontecendo. Era uma mulher, ela perguntava se poderia ajudar. - Meu... Meu pai, eu acho que... - Trincou os dentes porque na verdade ele não achava nada, ele tinha certeza. Escarrou e cuspiu para ver se tirava aquele gosto da boca.

    - Os ratos... Eles foram embora? Podemos pegar meu pai agora e... - Se levantou e então lembrou da sua nudez. Xingou enquanto cobria suas partes. - Eu não sei que merda está acontecendo. - Talvez seu rosto mostrasse o quão transtornado ele estava. - eu não sei onde estão minhas roupas. - Noutras ocasiões isso poderia ser perfeitamente engraçado, mas não era o caso ali.

    Caminhou até perto de seu pai para ver como ele estava, sem estar muito certo se queria ver o que estava prestes a ver. Engoliu em seco e sentiu algumas lágrimas escorrer-lhe no rosto. Eles estavam discutindo e de repente um vulto e então... Agora. - Será que tem como levá-lo para um hospital? - A voz era trêmula.






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    Mensagem por Wordspinner em Ter Maio 12, 2020 8:56 pm

    Claro que sim" Ela te oferece um moletom preto e meio surrado que é grande demais pra ela e ainda sim pequeno para você.
    "Meu irmão tá ali atrás. No carro. Eu te ajudo com ele. Se tiver tudo bem." Olhos azuis fixos nos seus, mas ela aponta seu pai com a mão. Ela é ainda menor sem o moletom. Ela devia estar com frio. Você também, mas não estava. Uma buzinada. O sorriso dela já tinha morrido a um tempo, mas agora virou uma careta  no rosto quase infantil. "Melhor a gente ir rápido."

    Olhando para o carro de portas abertas, parece errado. Eles estavam roubando o seu carro? Talvez, mas um homem tinha saído dele estava vindo na direção de vocês "Rebeca disse que a policia tá chegando, ou a gente sai agora ou só depois de falar com eles." A voz dele tem um tom de desculpas. Como se fosse exatamente isso que ele queria dizer. Ele para quando vê o seu pai. Ele entra na bagunça da obra apressado. Claramente focado no seu pai. A mulher não se meche mais. Somente os olhos em você, como se você estivesse prestes a fazer alguma coisa.

    O homem estranho, e muito bem arrumado e formal para estar roubando carros velhos no meio da noite, estava prestes a colocar as mãos no seu pai. Sabe-se lá para que e uma parte irracional sua grita para não deixar. Mas cada movimento dele demonstra uma urgência compassiva. Poderia apostar dinheiro de verdade que ele quer ajudar o homem caído com um foco grande demais para a própria segurança.

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    Mensagem por Bravos em Qua Maio 13, 2020 3:08 pm




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    Vestiu o moletom surrado, que ainda era um tanto apertado, enquanto tentava entender o que acontecia. Aquele carro era o deles? Mas o som do motor parecia outro. A garota tinha os olhos fixos nele. Não sabia exatamente porque. Nem sabia quem ela era exatamente. Um outro homem apareceu e disse que precisavam ter pressa. - A polícia? Mas que porra tem a polícia? - Não se importou de fazer perguntas óbvias.

    Quando percebeu que ele ia em direção de seu pai, um instinto obscuro subiu-lhe até a garganta. Algo que parecia já ter lhe acontecido naquela noite. Nem notou e estava gritando: - LARGA A MÃO DO MEU PAI SEU FILH... - Meteu a mão na cara, tentando voltar a uma centralidade que ele havia perdido. - Desculpe, eu... Eu vou aí com você. - E aproximou-se, olhando seu pai mais uma vez. Suspirou um suspiro sofrego e começou a mover seu pai dali com a ajuda daquele homem.

    Enquanto faziam aquilo, sem exatamente olhar para eles e tentando voltar a sua própria cabeça, Axel perguntou: - Quem são vocês?






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    Mensagem por Wordspinner em Qua Maio 13, 2020 4:35 pm

    Quando você fala sobre policia eles respondem juntos, sem hesitar, falando um por cima do outro. "Um carra tava correndo e ouviu gritos. Ataque de urso com certeza.". O cara nem por um segundo parece preocupado com sujar suas roupas com poeira e sangue. Nenhum dos dois pareceu ouvir ou se importar com o seu segundo de ira. Mas nenhum deles finge tão bem, provavelmente estar sem calças é o que tirou a ameaça de você. Ao pegarem seu pai ele está perto o suficiente para sentir o cheiro de sangue. Isso não é uma surpresa, mas o cheiro deles dois é. De alguma forma bem obvia eles cheiram como se fossem você. Como se tivesse sentido esse cheiro a vida toda. Algo confortável que ainda não tem uma palavra.  
       
        Enquanto ele não é um sujeito grande, é muito forte. Ele teria levado seu pai sozinho se precisasse sem perder um passo. Imediatamente tenta segurar os ferimentos usando o próprio blazer. Sim, ele usa um blazer azul escuro. Não é preto. Mesmo no escuro, não é preto, você sabe porque consegue ver. Você não é nenhum especialista em ler pessoas, mas consegue ver duas coisas facilmente entre eles: eles sabem algo que não estão contando a você e sem nenhum motivo aparente estão preocupados com você. Quase como se fosse uma tia doente a beira do infarto. Enquanto andam, os pés fazem barulhos completamente diferentes e nunca foi tão fácil acompanhar todos eles. As diferenças sutis agora tão claras. Os sapatos de couro caro do homem tem um som duro e alto enquanto ele pisa firme e rápido. Os pés dela quase não fazem barulho, de alguma forma está claro que é um tênis de corrida. Seus pés descalços não soam mais firmes do que você se sente. "Quem são vocês?" até o som da sua voz é diferente.

        Faz a pergunta eles respondem juntos, sem hesitar. Porém dessa falam coisas completamente diferentes.

    "A gente tava passando e o carra correndo falou com a gente." Ela diz, fitando o companheiro com raiva conforme ele completa sua própria resposta.

    "Seis Uivadores, cara. Você apareceu no radar e a gente sabia que precisava ajudar."  A voz dele começa forte e descuidada, mas a ultima palavra não é mais que um resmungo.

    "Porra, Sebastian!" ela fala andando mais rápido. "Não liga para ele." ela finalmente chega no carro e vai direto abrir a caçamba, vocês estão um passo atrás. "Eu sou Amy e ele só fala besteira quando tá nervoso."

    "Eu só falo besteira, quando estou nervoso." As palavras saem mecânicas e carregadas de ameaça. Tão obviamente falsas como quanto uma nota de mil libras. "Eu dirijo e vocês dois ficam aqui atrás com ele." Novamente ele olha para você como se quisesse pedir desculpas. Esperando alguma coisa.
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    Mensagem por Bravos em Qui Maio 14, 2020 7:49 pm




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    Eles pareceram não dar a mínima para a explosão de raiva. Não sabia se eles eram realmente gente boa ou se não foi tão agressivo assim. Mas a realidade é que sentia-se confortável entre eles. Era estranho se sentir confortável entre estranhos. Ainda mais estando nu. Tinha algo a ver com cheiro. Mas como assim cheiro?

    Enquanto eles levavam seu pai e o homem tentava estancar suas feridas com o blazer, Axel ia notando coisas que antes passariam batidas. Cores e sons. Mas isso ficou em segundo plano quando os dois deram respostas diferentes para aquela pergunta. Axel ficou calado. Ele sabia que era mentira. Mas eles estavam colocando seu pai no banco detrás e entrando.

    Ele esperou o carro sair para poder voltar a falar. - Não teve ataque de urso, né? - Olhava para o pai. Tentava não pensar se ele ainda estava vivo, embora talvez já soubesse. - Eu não sei porque, mas acho que confio em vocês. - Ele olhava pelo retrovisor para Sebastian e também para Amy, embora ela estivesse ao seu lado. - O que quis dizer quando falou de seis uivadores e radar? - Essa pergunta foi para Sebastian. E antes que ele respondesse já disparava uma pergunta para Amy: - E por que você prefere esconder?

    Deixou o silêncio pairar.






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    Mensagem por Wordspinner em Sex Maio 15, 2020 5:35 pm

      A sua primeira resposta vem na forma de velocidade. O carro começa a ganhar velocidade. Mais suave nas mãos do desconhecido do que jamais foi antes. Mais rápido também. Acelerando pelas estradas auxiliares. As luzes da cidade em si tão próximas. Chegando tão rápido. Sebastian nem olha na sua direção, fitando a estrada com intensidade. Como se pudesse assassiná-la. Amy, no entanto, fita o companheiro com a mesma intensidade letal e de alguma forma fica claro que uma disputa está ocorrendo.
     
         Não dá para saber quem ganhou. Mas depois de um longo suspiro a garota abra a boca "Porque não é a hora de saber. A gente tá te dando o beneficio da dúvida aqui. Não o contrário. Parece que você tá dando um salto no escuro, né? Pra gente também cara. Eu sei o que tá acontecendo, mas não sei se é um filho da puta qualquer."  Você tem toda atenção dela e aparentemente a sinceridade também. "Não foi um urso e um rato é pequeno demais para isso. Mas se ele fosse seu alvo principal não teria o suficiente para levar para lugar nenhum. Então sim, provavelmente foi. A gente vai deixar ele na emergência e o carro também. Meu irmão não é muito maior que você e vou ligar para ele levar umas roupas. Sebs vai ficar lá e a gente vai conversar mais. Sei que tá sem as suas coisas então melhor não aparecer pra ninguém sem nem os documentos. Se meus amigos conseguirem achar eles trazem de volta." Ela rapidamente começa a digitar no celular. Os dedos rápidos da ultima geração.

        É estranho pensar que teria sido impossível ouvir o que ela falou. Com o vento fazendo barulho nas roupas. Surpreendentemente foi fácil. Não que o barulho do vento fosse menor, era o vendo mais barulhento até hoje. Mas se sua atenção estava nela, era o bastante. A sensação do ar frio batendo na pele incitava uma coisa primitiva que queria correr. Claro que estava pensando no que ela estava falando. Mas o mundo era outro agora. O cheiro de óleo que antes era impossível de perceber. Cheiro de metal quente, de borracha dos pneus, da fumaça do escapamento. Mesmo ela estando lá embaixo e para trás. Alguma coisa tinha mudado para melhor. "Se topar, eu conto tudo que puder sobre os Seis Uivadores e tudo que eu souber sobre você." Ela já tinha guardado o telefone. Olhos azuis encarando os seus. As luzes laranjas dos postes passando rápido. Mergulhando o mundo em piscinas de luz, para logo depois iça-lo as sombras.
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    Mensagem por Bravos em Ter Maio 19, 2020 4:23 pm




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    Sons e cheiros que usualmente não sentiam pareciam ocupar sua mente. Mas ainda assim ele conseguia escutar perfeitamente o que a garota dizia. Viu a disputa entre os dois e aquilo de certa forma lhe pareceu natural. Disputar. Quando ela terminou de falar, Axel balançou positivamente a cabeça e num som quase inaudível - se é que aquilo ainda existia - respondeu: - Ok...

    Amy lhe dizia que era melhor não aparecer sem documentos e talvez isso fosse verdade. Definitivamente não poderia aparecer nu. Não falou mais. Não que estivesse acuado ou algo assim. Mas dentro dele se processava alguma mudança que não poderia se ver fora. Lembrava das diversas discussões com o pai e cobranças de responsabilidade que ele muitas vezes gostaria de mandar se foder.

    Pegou as roupas emprestadas do irmão da garota e vestiu, quando ela lhe deu. Mesmo o roçar da roupa na sua pele tinha um significado diferente agora. Nessa altura Sebastian deveria estar com seu pai no hospital. Axel encarava o chão. Quando visse Amy ia perguntar por fogo... aliás... - Cê tem um cigarro? - Agradeceria e pediria fogo e acenderia e depois da primeira tragada continuaria: - O que quis dizer com me falar o que você sabe sobre mim?






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    Mensagem por Wordspinner em Qua Maio 20, 2020 10:19 am

    Andando pela cidade todos os sons e cheiros são diferentes. As luzes também. Ela te entrega um maço fechado quando pede por um cigarro e usa um isqueiro de gatinho para acender. "Rich insiste para eu ter alguma razão para andar com isqueiro. Odeio essas porcarias fedidas. Não sei como aguenta esse cheiro. o sabor nojento. É tipo um tampão de nariz podre." Ela faz uma carreta quando você da a primeira tragada. O gosto é bem pior do que lembrava. Novos tons azedos e amargos que nem existiam antes.

        Ela chuta uma pedrinha e aponta. "Tá vendo ali naquele poste? Ali começa a casa da Legião do Sangue. Toma cuidado com os caras, eles são violentos e  agressivos. Eu quero que eles tentem invadir a nossa área de novo. To devendo uma surra em cada um." Ela olha para a rua vazia como pudesse ver um inimigo, quase rosnando. "É, tipo gangue mesmo. Sua vai vida vai ter que respeitar esse tipo de regras novas agora." Ela aponta uma marca no muro de uma casa a venda. "Aquela é a marca deles. Cada galera tem a sua. Um dia seu pessoal vai ter uma. Ela mostra que a área é sua. Se for esperto vai respeitar essas coisas." Ela começa a andar na direção contrária. Como se tivesse alcançado uma parede invisível e não pudesse mais prosseguir.

        "O que aconteceu te colocou no mapa de um monte de gente. Cedo ou tarde eles percebem que você existe e não vão te dar moleza não. Vão te dar desconfiança. É perigoso, a partir de agora todo mundo que você não conhece é um perigo. Na real, sua vida não volta mais a ser o que era. Aquilo agora vai ser sua fachada, e um refúgio se tiver sorte." Ela olha para trás, para a marca que acabou de mostrar. "Os caras tipo a Legião nem são seus inimigos. São só uns babacas inconvenientes do caralho. Mas tem umas coisas ai fora que querem te matar agora mais que antes." Ela dá uma pausa como que esperando você perguntar.  "Sim, querem te matar de graça sem ter feito nada. Seu crime nem foi nascer. Seu crime é história tão antiga que já tá fossilizado."  Ela espera um pouco deliberadamente andando em silêncio enquanto vocês continuam se afastando do velho estaleiro.

        "Agora você não é mais uma pessoa normal. Umas coisas são boas e outras ruins. Já deve ter sentido alguma mudança. Se não sentiu é só procurar cicatrizes e fraturas. Elas foram embora. Todas. Tem outra coisa fácil de ver, mas vai parecer alucinação. Então não." Ela encosta em um muro e desenha com o dedo um troço que não... algo que faz todo sentido. De algum jeito ela escreveu Honra. Não a palavra, mais o significado real. "Em algum lugar isso tá marcado na sua pele. É parte de você agora. Vai acabar cheio de marcas se não fugir do seu dever." Ela mostra uma cicatriz no braço, vermelha feito sangue. O sentido se forma na sua mente imediatamente, como se sempre soubesse. Pureza. A marca brilha branca feito metal aquecido, mas você sabe que essa luz é igual a dá lua. O brilho, um desafio.

        "Eu só posso te mostrar essas coisas porque sei que você é um dos nossos. A gente um cheiro que logo vai pegar. Os outros. As pessoas normais. O gado, sei lá como vai acabar chamando eles. Eles não podem saber. Se der mole com esse segredo, acaba virando adubo." Ela cobre a marca. "A gente não sabe ainda quem é você. Sei a sua lua. Elas são importantes. Sabemos que foi sua primeira vez. É por isso que to explicando essas coisas e levando você para dentro do nosso território. Depois você decide para onde vai quando tiver ouvido o quer pra contar agora. Se sua casa for na área de alguém a gente tenta negociar pra você voltar por um tempo."
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    Mensagem por Bravos em Qua Maio 20, 2020 10:27 pm




    Axel Brown

    Sentiu o azedume entrar garganta adentro. Quase tossiu. - Isso parece bem diferente agora... - Mas continuou a fumar. De certa forma aquilo parecia certo. Ela mostrou uma marca e falou sobre a Legião de Sangue. - Isso é o que? Uma gangue? - Parecia que sim. Respeitar. Aquela palavra tinha um peso diferenciado agora.

    - Como assim me matar? - E ai ela falou sobre as mudanças e ele até quis falar sobre cada uma das coisas que estava notando, mas Amy logo emendou com um símbolo que significava Honra. - Eu...? Eu já vi isso? Eu sei o que significa... - Ela mostrou então uma cicatriz que ele sabia instintivamente que significava Pureza. Talvez ele nunca tivesse entendido o significado dessa palavra antes, mas agora parecia clara como a água.

    - Espere, o que quer dizer com não ser mais gente normal? Tem umas paradas estranhas acontecendo, mas... - Não sabia argumentar ao certo. - ... e isso de territórios? Minha casa fica noutro bairro. - Explicou para ela então onde morava, onde sua mãe morava e isso o lembrou que ela já deveria estar surtando de não ter notícias. Tentou não transparecer isso, mas estava preocupado. Cuspiu e apagou o cigarro num poste.

    - Olha, eu sei que você está tentando ser legal. Mas eu acho que estamos ignorando o elefante na sala de jantar. O que tudo isso significa? - Axel era um cara legal. Ele costumava conseguir que as pessoas acreditassem nele. E, surpreendentemente, ele parecia cansado de se esquivar da vida.






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    Mensagem por Wordspinner em Qui Maio 21, 2020 12:50 pm

    Ela suspira. Olha para o céu por um instante, claramente ponderando. "Eu quero que você acredite primeiro para eu contar depois. Pra diminuir o choque." Ela faz um soco com a mão direita na esquerda e quase faz um barulho de explosão com a boca. "Já entendeu que tá tudo estranho? Que alguma coisa mudou mesmo? O significado de tudo a sua volta é diferente agora, sacou? Mas é diferente porque você mudou pela primeira vez essa noite." Ela te puxa para continuarem a andar. Mas alguns passos depois ela começa a correr sem motivo algum. O que joga sua mente em um estado de alerta procurando nas sombras por alguma coisa fora do lugar.

        O casal do outro lado da rua sentado no banco nem dá atenção para vocês. Um carro buzina quando ela atravessa bem na frente dele. Correndo direto para se estatelar de cara um muro alto. O que não acontece já que ela continua subindo pela parede como um daqueles doidos que pulam nas coisas de jeitos complicados demais por razão nenhuma. No alto ela espera. Sentada. Ela até estica a mão se precisar de ajuda, mas de um jeito ou de outro ela cai para trás sem olhar. Te puxando junto com ela. Desse lado a queda é menor. Um monte de caixas empilhadas até quase na altura do muro. Ela desce rolando e aponta uma marca na parede do prédio quadrado e simples. "Esse é um dos nossos. Nossa marca. Do meu pessoal. Aqui é seguro."

        Mesmo falando de segurança ela tira um canivete de abrir de algum lugar na roupa. Na parede ela marca outra coisa. No começo incompreensível. Dói só de olhar. Mas depois... Uratha. O significado é claro. É você e essa palavra não quer dizer 'gente', nem 'humano'. É uma palavra sagrada. O filho do deus caçador. Filho da lua guardiã. O senhor da Fronteira. De alguma forma você e ela. "Nenhuma palavra exceto essa, diz o que você quer saber. Mas a parte que comandou tudo até agora tem dificuldade de entender, de aceitar." Ela aponta a faca para você e em um movimento fluido e rápido fura a própria mão.

        Quando o cheiro de sangue chega no seu nariz, percebe que andou para perto da palavra marcada na parede. O movimento seguinte da faca abre a mão em dois. Ela deveria parecer uma adolescente gótico-satanista bem lesada agora, mas a expressão no rosto é de concentração e seriedade. "Tá vendo?" A voz é clara, a dor presente, mas controlada. "Olha enquanto os tendões se juntam. as veias se reformam, os músculos se fazem de novo. A pele é sempre a ultima parte é difícil de ver debaixo do sangue. Você pode fazer exatamente a mesma coisa." Você sabe que pode. Por mais bizarro que seja, por mais que seu cérebro queira gritar. Ela disse a verdade, é como ver alguém andando de bicicleta. Uma bicicleta de dor e sangue. Mas sem pensar sabe que conseguiria também.

        Ela crava a faca na parede como um prego. "Não foge." Ela fala na língua que escreveu na parede. "Você e eu somos a mesma coisa. Uratha. O lobo." O som é muito menor do que esperava. Como se ela estivesse estalando as costas e as mãos ao mesmo tempo. Mas seus olhos veem a carne mudar. Os dentes. A pele. O pelo. As roupas sumindo. Rápido como um copo quebrando a garota sumiu. Na sua frente um lobo vermelho e escuro com olhos azuis. O lobo lambe a pata que está coberta de sangue e mantém os olhos em você. Quase um desafio, quase um encorajamento. Os olhos azuis parecem dizer só precisa tentar.
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    Mensagem por Bravos em Sex Maio 22, 2020 9:18 pm




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    - É óbvio que as coisas estão diferentes, eu só não sei o porquê. - Disse sem querer ser grosso e se controlando para isso. Amy começou a correr e aquilo fez algo se mover dentro dele. Como se procurasse uma presa ou quem sabe um predador. Algo lhe dizia que deveria ter se preocupado com o carro que passava, mas ele parecia saber que a garota sairia incólume.

    Ela então estava sobre um muro e ele, meio sem jeito se aproximou e pegou na mão dela depois de correr em direção ao muro e pegasse impulso com um pé nele. Lá dentro eles estavam "num lugar seguro", segundo ela. Viu a marca e guardou-a na mente. Um quadrado. A importância daquela marca no entanto desapareceu quando ela escreveu no muro com o canivete.

    Uratha. Aquilo tinha pra ele um significado profundo sobre si. Mas como quando viu a palavra Honra, nunca havia visto aquele símbolo. No entanto, lia-o perfeitamente. - E o que quer dizer Uratha? - Assustou-se com a própria voz pronunciando aquilo. Como se ele já houvesse ouvido antes. - Digo, não é uma palavra em inglês, eu entendo, mas é como se não soubesse explicar.

    Então ela feriu a mão. O cheiro entrou nas suas narinas e um misto de horror e deslumbre lhe tomaram de conta. Ele chegou até a esticar a mão como se quisesse detê-la, mas ver a carne se retorcendo para o local original o fez parar. E quando ela disse que ele poderia fazer o mesmo, ele respondeu quase sem perceber: - Eu sei.

    Então com um barulho característico ele a viu desaparecer. Ou melhor, transformar-se. agora diante dele estava uma loba, com a mesma pata suja de sangue como esteve a mão de Amy que se reconstituiu por inteiro à sua frente. Seus olhos arregalados não deixavam claro se era por causa da transformação ou do sentimento que ele tinha que poderia fazer o mesmo.

    Axel então começou a curvar as costas, e a baixar o tronco como se fosse ficar "sobre quatro patas". E deixou o incompreensível tomar conta de si. E uivou.






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