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    Chloe Moore

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    Chloe  Moore - Página 6 Empty Re: Chloe Moore

    Mensagem por thendara_selune Ter Abr 06, 2021 2:52 pm

    As perguntas dele soam como  afirmativas que a lançam em um momento perigoso. Os olhos redondos cheios de luz dourada refletem o desejo, que se esconde em um tremular dos cílios ruivos, mas não era difícil decifrar o que ela tentava conter.

    -Você está brincando comigo…-  A voz cheia de inocência que a deixa com um ar de pureza inalcançável. As palavras sobre o passado chegavam até ela como um borbulhar inquietante e a fazendo pensar em James.  A voz dela saiu como se fosse feita de veludo ao sentir ele cada vez mais perto. -Dover é um lugarzinho interessante, ele cresceu em um ótimo lugar…Cercado por sentimentos verdadeiros e não contratuais...- Ela mordia levemente o lábio inferior com delicadeza e depois prosseguiu deixando o corpo dele aquecer-lhe cada vez mais. - Às vezes tudo que nos alcança é tão triste e frio...Mas James é tão ensolarado, gentil e é impossível não gostar dele…- Então ela fica parada diante dele com um olhar caloroso. - Ele cativa sem esforço, você tem o mesmo efeito…Acho que isso faz parte de suas habilidades?!- Ela toca a perna dele aceitando o convite que surgia e a mão sobe até a coxa firme que William ostenta.  - Eu só queria esquecer as coisas, Dover poderia ter me dado  uma chance, mas foi uma ilusão, porque ao chegar aqui vi coisas que nunca imaginei...Tão densas e assustadoras…- O medo ressoa muito vivido. -Não posso me envolver com ninguém...Prefiro continuar quebrada e sozinha- Ela se move para ficar ainda mais perto e por segundos, pareceu uma menina muito pequena para brigar contra as amarras que possuía. Ela tremeu lembrando do medo que tinha de enfrentar Ian e tudo mais que envolvia ter quebrado o contrato. O corpo dela colado ao dele. - Ele é bom demais para andar comigo, doce demais para sentir o gosto azedo dos meus pecados… E ainda assim sou egoísta ao ponto de desejar tudo só pra mim...- A mão macia desliza pelo rosto dele com carinho -Estou quebrada demais para ser gentil com os homens...Mas posso ser cruel com os lobos…- Os olhos delas ardem como se fossem devorá-lo maldosamente. - Ian vai me achar cedo ou tarde, se não for  ele vai ser minha família…Eles vão me punir e farão o mesmo com quem me ajudar… Então no final das contas preciso me virar e não posso arrastar um bom homem nisso, mas você não me parece tão doce assim…- A voz dela está carregada de volúpia. - Você é mais do tipo que morde, fere e causa um inferno se provocado de tal maneira que muitas vezes as pessoas nem sabem que foi você que começou o incêndio...- As unhas dela arranham o pescoço dele como se estivesse querendo domar o indomável. Então a proximidade entre eles agora estava quente demais. A voz dele ecoou como um ronronar escuro e selvagem. A provocação tão erótica que a fez corresponder com naturalidade. Quando a mão dele alcançou-lhe as costas a fez sentir um arrepio cheio de prazer. Um gemido suave desprendia-se dela. Os braços delicados  lançaram-se contra ele manhosamente, agarrando-o e o encarando-o enquanto a mente já não podia convocar o bom senso. Chloe apanhou o cabelo dele em uma das mãos e puxou com possessividade. O beijo dela veio cheio de intensidade, estava sedenta, trêmula de pura excitação e ávida pelo momento que podia ter.  Estava pronta para sentir a selvagem invasão que ele podia proporcionar, não havia porque recuar, não tinha porque temer que alguma semente germinasse ali. Apenas deixou o corpo seguir a ondulação quente e não queria mais brigar contra si mesma. Ela arrancaria o blazer, enquanto o provocaria de muitas maneiras pervertidas, os dedos dedilhando um acorde quente, as unhas deslizando pelos braços fortes, tirando a camisa dele se ele deixasse e a boca tão faminta que parecia que personificar uma deidade imoral. Depois seria como devia ser...Consequências eram tecidas enquanto Chloe mais uma vez caia nas garras do lobo mal.


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    Mensagem por Wordspinner Qua Abr 07, 2021 1:04 am

    "Habilidade? Sorte e atenção, só isso." Ele fala como se não fosse nada. Ela sente o lado do corpo dele vibrando enquanto ele fala.

    Chloe escreveu:Prefiro continuar quebrada e sozinha...

    "Não Chloe. Ele não tocar em você de novo." A voz respondia a uma coisa que ela não tinha dito.

    Chloe escreveu:mas você não me parece tão doce assim…

    "Eu não sou, eu aceito todas as sombras que você tiver..." Ele ouve a ultima coisa que ela fala e se entrega ao prazer da sua pele, mergulhando fundo em todo desejo que ela tinha. As mãos correm pelo corpo dela sentindo cada curva e precipício. Ela sente a mesa estalar e ranger com o movimento dos dois. Os olhos intensos fixos nos dela mesmo quando os lábios dele passeiam pelo seu corpo. Ele se move como se tivesse o se fosse feito para encaixar no seu corpo. Ele alterna a posição de dominância com ela irritando, provocando e submetendo para logo depois ceder e se entregar a vontade dela. Ao ritmo dela.

    As roupas são tiradas ou rasgadas na ordem que as urgências dos dois ditam. A ultima barreira entre eles um fino e delicado corte de tecido. Ele puxa a peça com o dedo e ela sente seu corpo sendo expandido pelo outro. Mas os olhos dele capturavam os dela. O rosto tão perto que ela não via mais nada. A atenção dela não ia além do que conseguia tocar e sentir. Tempo tinha se tornado um conceito abstrato, ela não conseguia perceber os segundos ou minutos.

    Quando ela chegou ao orgasmo a primeira vez ela esperou que o momento não tivesse qualquer relevância na dança dos dois. Mas o homem lentamente testa Chloe tocando seu corpo e se movendo dentro dela até encontrar e aquecer seu desejo de novo. A atenção era algo que Ian não tinha, ele se orgulhava do prazer que podia dar porque era ele que causava e não ela que sentia. O corpo dele desce mesmo com as unhas dela arranhando as costas com linhas vermelhas. Os beijos descem pela barriga, a respiração chega primeiro. Uma pausa, só o suficiente para desejar ainda mais e então ela sente. As mãos dela apertam o cabelo negro contra a vontade. As mãos de William arrancam seu corpo da mesa e ela a parede fria as nas suas costas suadas é um choque inesperado. Fria contra a pele quente. Ela estava no alto agora vendo a própria sala de um angulo novo, de cima de sensações novas que lutavam para arrancar sua sanidade.

    --

    Chloe não sabia dizer quantas vezes eles mudaram de posição depois de um clímax ou quantas vezes ele tinha aproveitado o momento para aprofundar a sensação. Ela não sabia dizer exatamente quando tempo tinha passado. Ela não tinha ideia de quanto tempo tinha passado. Ela tinha sangue sob as unhas. Ela tinha tremores subindo pelas pernas e suor escorrendo pelo corpo todo, uma parte dela e outra dele. Ela sente a língua subindo do umbigo pelo meio dos seios até o pescoço. Os lábios roçam nos dela como se fosse beijá-la de novo, mas o encanto se quebra. "Seu telefone." Ele diz como se fosse um galanteio. Ela precisava de um banho, mas era uma ligação importante. Como o telefone foi parar debaixo da mesa?

    Chloe atente. As palavras saiam dela devagar, sem ar. Ele não se vestia, esperava sentado na cadeira na frente dela tão a vontade como quando entrou. A única diferença eram as roupas e o suor e a pele vermelha de esforço.
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    Mensagem por thendara_selune Qua Abr 07, 2021 2:46 pm



    O gemido doce é rompante de prazer e o corpo dela querendo muito mais daquele licor fervente que ele possuía.  As mãos o apertaram mais, a língua sentia o gosto dele, as unhas feriam-lhe a pele, o corpo pressionava-se trêmulo seguindo cada acorde provocante que William orquestrava. Não foi só a mesa que estalou, Chloe também fazia o mesmo, estalando internamente, se partindo diante dele, a pele macia ardendo e os olhos tão perdidos nos lagos azuis que pareciam tão selvagens agora. Ela queria acorrentá-lo muito longe dali, torná-lo seu por muito tempo, não conseguia pensar em um jeito melhor de viver, gemeu de novo quando sentiu o corpo atingir as notas mais altas,aquilo era uma sinfonia perfeita e o responsável por ela não se cansava nunca. Quando a língua dele sibilou até o vale entre os seus seios o som do telefone fragmenta o momento e a deixando em um total descompasso. Enquanto o telefone parecia saltar de suas mãos e olhos dele presos nela a deixavam a mercê da vontade dele.

    -Alô...- A voz saiu quebrada, tremida e rouca como se ainda o sentisse dentro dela. Ela não conseguia desviar os olhos dele . Vinte e quatro anos de obediência cega, de mostrar o devido respeito e de não poder perguntar nada sobre a verdade tão bem ocultada. Dover virou uma caixa de Pandora que articula encontros e desencontros. Que manipula conscientemente os erros e acertos. Um campo recoberto por uma densa neblina repleta de olhos amarelos e mandíbulas que exibem presas sedentas. A mente dela estava longe e a voz do outro lado é o pedaço de realidade que ela precisa escutar. Urgência vibrando através da linha e um novo estalo a despertar do prazer que estava mordendo-lhe o corpo segundos atrás.
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    Mensagem por Wordspinner Sab Abr 10, 2021 3:45 am

    As palavras do alfa fazem o estômago de Chloe ficar pesado e frio. Mas ele não explica muito. O homem na cadeira se levanta como se sentisse o seu humor mudar. Chloe sente as mãos quentes nos ombros, algo reconfortante. Ela sente o corpo de William envolvendo o seu. A respiração lenta e controlada nesse ponto. Não tem mais ninguém do outro lado da ligação. "Espero que Ian chegue logo, antes de eu ir embora." A voz ainda era baixa e sedutora. Grave e raspada. "Você entende, não é? Tem um caminho claro e simples pra você seguir. Esse caminho passa por se livrar rápido e firmemente do James. Ele é bom demais para você." A frase machucava, talvez mais ainda porque Chloe concordava. "Ele é difícil de resistir quando fica com o coração quebrado. Ele merece algo bom e verdadeiro e... ordinário. Ele já sofreu o bastante, não é?" Ele beija a pele de Chloe com carinho. As mãos deslizando pelo corpo para a mesa. Para longe. "Amy não vai machucar você, nem eu e nem os irmãos do James. Sua vida vai ser bem melhor longe dele." Ele rabisca um número em um dos cartões de Chloe com a caneta dela e bate duas vezes com a ponta no número. Um sorriso bonito no rosto e uma expressão suave e animada, a vontade.

    William se veste lentamente, com a calma de quem não precisa ir a lugar nenhum.
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    Mensagem por thendara_selune Sab Abr 10, 2021 6:37 pm

    O encanto finda e o telefone fica mudo.  Ela virou-se para ele como se tivesse escutado um nome profano.

    —Como assim?—Ela fica sentindo um nó na garganta, o momento estilhaçou. — Ele está vindo pra Dover? — O medo na voz é claro como cristal. Teve medo do guardião da alcateia, mas tinha mais medo da família e do marido. A voz dele arrepia sua pele, mas depois sente que ao mesmo tempo a verdade a machucou. Os olhos âmbar desviam dos de William.

    —Eu não pretendia continuar a vê-lo...—   Pobre James. Ela o tinha traído, o coração acelerou, tão forte ia espremendo duas lágrimas quentes em seus olhos. Pronto, finalmente ela estava chorando. Estava chorando de raiva e frustração – e o que mais?
    O que ela tinha realmente perdido hoje? Mas ela se afasta para um canto qualquer do ambiente, ninguém a veria chorar, estava cansada disso, errou terrivelmente e não esqueceria. Ian fez o mesmo e ela agiu como ele. Talvez, os dois se merecessem no fim das contas. Ela respira fundo notando o número ali e parece desnorteada demais.

    —Seu telefone?— Ela pega o cartão e as mãos tremem, mas a incerteza no depois é ainda pior. As pernas pareciam fraquejar e olhou para a porta. Se não tivesse recebido aquela ligação com toda certeza estaria trancada em casa pensando como sair de Dover. O pensamento permanece, uma sombra no semblante antes tão cheio de desejo e recosta-se a porta o olhando. Não podia negar a si mesma que gostou do momento, também não podia negar que foi uma verdadeira cretina e agora Ian apareceria ali. Preferia fugir, talvez uma outra cidade ou um outro lugar. —Quando ele vai chegar?— A pergunta cheia de um medo controlado com esforço como se estivesse prestes a sentir ferro frio cravando-se ao coração e lambendo seu pavor como se fosse feita para aceitar o castigo que Ian trazia— Me responde...Por favor...Quando ele chega???—   Súplica verdadeira, ela ia fugir e isso parecia muito claro. Não estava pronta pra enfrentar  a situação com Ian. Não queria depender da benevolência de ninguém ali, não merecia e isso a sufocou intensamente.

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    Mensagem por Wordspinner Sab Abr 17, 2021 8:12 pm

    Ela pergunta sobre o telefone e eles confirma com a cabeça. "Só não me liga atoa. É pra emergências." Eles parecia se divertir com o nervosismo dela como um adulto observando um bebe errar o encaixe dos bloquinhos em um brinquedo montar, ou talvez uma criança enganando um cachorrinho com uma bolinha, ou quem sabe o sádico torturador que não quer mais respostas e continua trabalhando pelo próprio prazer. "Claro que le vem Chloe sua trilha de migalhas não pode ser difícil de seguir. Richard é um bom garoto..." Eles diz Isso com algum orgulho na voz. "Mas ninguém consegue fugir de um de nós criando raises. Ele vai chegar e vai ser logo, Chloe." O nome dela parece especial quando eles fala. O brilho de animação no olhar dele.

    "Espero ainda estar por aí quando eles chegar. Ele ia ser ben útil, já que os primos do outro lado ficaram cautelosos agora." Eles aponta para o telefone enquanto tenta alinhar as roupas melhor possível. "Liguei pra ele se quiser adiantar, você tem uma alcateia agora Chloe, uma família de verdade. Eles também vão adorar a chance de... A não, você quer voltar pra ele, né? Não vai conseguir mudar ele Chloe. Não vai conseguir se esconder também. Quer fugir de novo? Erro grave." Eles fala como se comentasse sobre uma partida de damas. "Você tem poder, você tem aliados. Você nunca esteve mais forte Chloe. A hora de fugir passou, a Chloe covarde precisa morrer e deixar a mulher forte que gozou a mesa toda tomar o controle." Eles usa o reflexo na tela do próprio celular para conferir a o rosto e o cabelo. "Até mais Chloe." De novo eles faz o nome dela soar como um convite. Claro que a mente de Chloe tinha muito mais no que pensar. Ela quase conseguia ouvir os passos de Ian do lado de fora. Quando William tocou a porta ela tinha certeza que Ian ia estar do outro lado. Não aconteceu. Não tinha ninguém lá.
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    Mensagem por thendara_selune Seg Abr 19, 2021 2:56 pm

    "Só não me liga à toa. É para emergências."


    Chloe estava presa em vários pensamentos até que aquela mistura de desdém e de ego inflado vindo de William lhe fazem olhar para ele com desgosto. O semblante da ruiva endurece quando o escuta e chega a duvidar das palavras ditas por ele. Aquele homem se divertia às suas custas. Os lábios tremem de raiva que aflorava sem que ela pudesse se conter. Quando o tom de orgulho brota na voz dele ao falar sobre a ação de Richard ela não esconde a mágoa. Eles atraíram seu marido até Dover sem dizer nada pra ela. Olhos vagam pela sala, nervosismo aflorado, uma sensação de pânico e a mente lhe dizia que agora fazia sentido a proximidade de Asia e o interesse intenso de James nela. Estavam de olho em Chloe, desconfiavam dela e isso a deixou furiosa. Não consegue se mover, parecia petrificada e quando por fim ele vai embora o coração acelera imaginando Ian entrando. O medo brincava com ela insistentemente e o arrependimento transbordava. Ela fecha a porta com força e  se deixa levar pela raiva,o número no papel vai para a lata do lixo. Se apressou em tirar o pijama cirúrgico, entrando no banheiro que tinha na sala e tomando um banho que parecia ser a única saída para apagar seu erro. Não havia lágrimas que fossem suficientes, para externar o que estava sentindo e quando sai coloca outro pijama. Esconde o outro em uma sacola de lixo junto com os restos da roupa que usava quando se deixou levar pelo momento. Respirou fundo tentando controlar a raiva, mas era difícil. Ela abre a janela, se debruçando no beiral sentindo a brisa invadindo o lugar  e  depois de uns minutos começa reorganizar o ambiente. Faz um chá qualquer e fica ali olhando o mundo pela janela, seu celular toca uma das suas músicas preferidas  “Placebo - Running Up That Hill”  que fica ecoando junto com a brisa que bagunça os cabelos da ruiva.

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    Mensagem por Wordspinner Qui Abr 22, 2021 10:42 am

    Mais tarde, depois que Sam saiu para fazer ligações e deixou Silvia e Chloe sozinhas com a menina adormecida.

    Chloe ouve as batidas na porta, enormes no silêncio da sala. Mas delicadas na sua urgência. Silvia olha desconfiada da porta para Chloe, ela aponta para a arma no coldre embaixo do casaco e espera a reação de Chloe. Ela já estava no canto da sala e continuou, o rosto finalmente deixando a expressão torturada para assumir um ar focado e sério. De novo as batidas ainda mais urgentes dessa vez. Chloe ouve os próprios passos altos no silêncio. O chão frio. Paredes frias. O lugar todo era frio e isso nunca foi um problema antes.

    Assim que a porta abre um pouquinho Chloe vê a expressão de alívio no rosto de Sebastian. Como se vê-la fosse um balsamo. "Desculpe atrapalhar Chloe..." Ele torce o nariz subitamente como se fosse espirrar. "Soube que vocês podem precisar de ajuda. Olena está preocupada e isso me deixou preocupado também." Ele não tenta olhar sobre Chloe para dentro da sala, olha direto para ela. "Acho que alguém fez xixi." Ele encosta no nariz e depois deixa a mão passar pelo terno azul riscado como se precisasse se alinhar. Os olhos ainda preocupados e a boca agora forçosamente fechada, se ele continuasse falando e falando Chloe não poderia responder.
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    Mensagem por thendara_selune Qui Abr 22, 2021 5:25 pm

    O tempo dentro da sala parecia arrastar-se pesadamente. Chloe sentia que poderia contar cada objeto no ambiente umas mil vezes e ainda assim o relógio continuaria marcando a mesma hora. Quando Sam saiu e Silvia entrou limitou-se a dizer que a garota estava reagindo dentro do esperado. Estranhamente tudo parecia ser frio demais. Parecia que o ambiente foi tocado por um inverno invisível aos olhos, mas presente no coração dela ao pensar no que fez e questionar-se se isso significava ser parte de uma alcateia.
    Os olhos da ruiva percorriam tudo e no fim só conseguiam ver a menina débil ali. A raiva e a vergonha surgem em sua feição. Quando as batidas chegam a porta parecem vir de um lugar bem distante tirando de sua culpa momentaneamente e os olhos dela cruzam com os da loira, mas no fim para Chloe tudo já estava tão ruim que as batidas ali eram apenas um novo acréscimo a tudo.
    Quando ela vê Sebastian sente alívio, mas ao mesmo tempo lembra da conversa com William e os fios soltos que ainda estavam a sufocando. Ela morde os lábios olhando para ele, Sebastian lhe causava uma sensação familiar, algo acolhedor e humano demais. Ela por outro lado parece uma boneca de porcelana surrada, não havia rubor artificial nos lábios, não teve coragem de se maquiar depois de tudo que aconteceu e o cheiro dela era tão frio quanto o ambiente que estavam.
    A voz dele tem preocupação e ela tenta ignorar isso, mas balança a cabeça após as palavras e o puxa para dentro da sala.

    —Eu estou com medo…— Chloe tranca a porta assim que ele entra e depois vai até a menina. Pensando em trocá-la e a cara da ruiva é de alguém contendo uma raiva imensa, mas especialmente culpa por ter feito o que fez. — Se isso significa pertencer ao mundo de vocês...Temo que não estou pronta, quero ir embora, quero muito ir embora daqui e não fazer parte de nada disso…— Ela range os dentes, a situação toda lhe é muito anormal, Chloe nunca feriu ninguém e aquilo que fez com a menina é um abuso.   Os olhos dela cheios de culpa e o rosto aflito, talvez fosse mais um erro deixar demonstrar seu medo, culpa e raiva diante dele, mas Chloe sentia como se tivesse feito a pior das coisas. —Não sei onde estão exatamente, Sam está tentando entrar em contato, a deixaram aqui para que…—  Ela busca uma outra roupa pra menina e prossegue com a voz embargada. — Queriam que eu desse um jeito nela, mas não vou fazer mais nada...Não vou enchê-la de medicamentos…A menina é autista e não faço ideia do que ela toma...Eu sinto tanta raiva que poderia fazer uma grande besteira!—Ela olha Silvia muito consciente de tudo que disse na frente da loira. Chloe está em uma situação horrível, acuada diante de tudo e se sentindo um monstro pelo que fez. Estava um tanto elétrica, efeito do nervosismo por tudo que aconteceu, em outra situação estaria mais tranquila, mas aquilo era algo inaceitável para Chloe.


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    Mensagem por Wordspinner Sex Abr 23, 2021 2:43 pm

    Chloe escreveu:Eu estou com medo…

    "Eu também, o tempo todo." Mas não parecia nem um pouco. Ele parecia mais preocupado com não quebrar a etiqueta que com matar uma criancinha, mas ele ainda não sabe sobre ela.

    Chloe escreveu:...muito ir embora daqui e não fazer parte de nada disso…

    "Onde for, lá vai estar." Como quem fala que o sol vai nascer amanhã. "Aqui eu posso segurar a sua mão na pior parte." Então Chloe fala sobre a menininha e Sebastian parece a ver pela primeira vez e seu rosto fica sombrio e triste.

    Chloe escreveu:...Eu sinto tanta raiva que poderia fazer uma grande besteira!

    "Tão injusto que tantas vidas dependam de algo tão pequeno e inocente." A voz carregada de emoção e o corpo negando todas elas. "Ela foi atacada por algo do outro lado e sobreviveu? Alguém teve de se expor para salvá-la?" Os olhos dele no rosto da menina. Uma das mãos chega perto do cabelo loiro mas nunca a toca. Recua. "Ela resistiu." Ele fala como se fosse algo dolorido. Com certeza foi para Clara. "Preciso saber se os garotos precisam de ajuda, se eles estão caçando algo perigoso." Ele não faz daquilo uma pergunta, não usa as palavras para pressionar elas. "Tem algo que eu possa fazer?" Ele olha para Silvia e depois fixa os olhos nos de Chloe.
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    Mensagem por thendara_selune Sex Abr 23, 2021 10:00 pm

    Sebastian sempre lhe pareceu um homem saído de um livro de folhas amareladas e com aquele toque cheio de nostalgia dentro de um outono muito sóbrio.

    — Descortinar tudo isso não fazia parte dos meus planos...Sua bondade pode acabar lhe custando muito...— Havia algo que azedava a feição da ruiva e parecia transbordar lentamente enquanto seu nervosismo ainda se mantinha contido. Ela troca as roupas da garota que chegou ali vestida de princesa e agora exibia aquele olhar vazio sem brilho ou magia que a infância pedia. Tem um momento que Chloe percebe a emoção nele, mas nota que Sebastian a repele enquanto expressa preocupação com os rapazes e faz perguntas. — Eu não sei se estão caçando algo...— Ela fecha os olhos pensando em tudo e lembra da palavra dita pela menina quando chegou. — Chegou aqui falando a palavra "Skye''...Eu não faço ideia do que seja, mas de uma coisa tenho certeza ela tentou escapar de algo e como ela mencionou  lobos...— Os olhos cor de âmbar se fixam em Sebastian sombrios e cheios de mágoa. — Eu sei que tem regras, leis e demais coisas que pertencem a vocês, são um limiar entre o mundo daqui e do lá...Mas essa garotinha não pode ser penalizada por isso! —  A ruiva olha pra Silvia. — Seja como for é melhor você ir, não tem sentido uma policial envolvida nisso se as coisas saírem ainda mais do curso, pelo menos longe daqui você tem alguma chance de obter informação sobre algo…— Depois se aproxima da menina e a verifica de novo.—  Sebastian, agradeço que se preocupe, mas vou resolver sozinha, vou cuidar dela por mais uma hora, depois sigo o protocolo necessário...Não vou segurar uma menina que é autista aqui só porque eles querem que faça isso…— Chloe fala tudo com segurança e uma grande dose de preocupação sobre suas escolhas.

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    Mensagem por Wordspinner Dom Abr 25, 2021 2:40 am

    Chloe escreveu:Sua bondade pode acabar lhe custando muito...

    Os lábios de Sebastian se torcem levemente em algo quase um sorriso. "Um jeito ingrato de perceber a bondade. Toda caridade é algo se faz a si mesmo e o preço é muitas vezes a dor." Ele deixa ar escapar pela boca entreaberta. "Mas sim, nenhuma boa ação escapa de punição."

    Chloe escreveu:...ela mencionou lobos...

    É como se Chloe espetasse uma agulha longa nele. O uratha olha para menina na maca e depois para Silvia e de volta para Chloe. A dor drenando lentamente do rosto dele enquanto a mão se fecha em um punho de nós brancos de tensão.

    Chloe escreveu:Mas essa garotinha não pode ser penalizada por isso!

    Ele balança a cabeça concordando e estava prestes a dizer algo, mas esperou ela falar. Silvia não deu qualquer sinal de que ia se mover algum dia. Então as batidas na porta.
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    Mensagem por Wordspinner Dom Maio 09, 2021 2:57 am

    Ela ainda consegue ouvir as perguntas deles. Tenta lembrar as respostas. Tenta decidir se eles acreditaram. Ainda lembra da menina. Não consegue esquecer ela de jeito nenhum. A desconfiança nos olhos dos policiais e ela sem saber se conseguiria fingir ultrage quando só sentia culpa e nojo de si mesma. Claro que a razão luatav para dizer que ela fez o certo. Que os amigos fizeram o certo. Que a alcateia ia colocar as coisas no lugar. Que iam proteger a menina e não matá-la. Não é? Ela podia confiar nos gestos de Shaw. Gestos ensaiados? Ele olhava para as pessoas como se elas fossem uma equação que ele tinha que fazer dar errado e ia fazer, mas isso quando ninguém estava olhando ou quando ficava muito tempo em silêncio. Olhos que ela viu em documentários. Olhos de lobo. Olhos de assassinos.

    O barulho lá fora trás ela de volta, uma criança gritando na rua e outras respondendo. Pega-pega. Um desses pode virar na esquina errada, se esconder no mesmo lugar em que um monstro e passar a centímetros de um futuro como o de Clara, de um futuro muito pior. Mais gritos e risadas e provocações infantis que são ditas como se fossem a coisa mais importante do mundo, com toda intensidade que aqueles corações infantis podem imprimir a palavras.

    Ela desliga o chuveiro. A água ainda pinga na cabeça e do corpo para o chão. Alguns segundos e ela nem se move. Sua mente simplesmente não sabe para onde ir. O dia tinha sido um carrocel de emoções inimaginaveis. Ela fecha os olhos e tira o excesso de água com as mãos. Ela lembra do trabalho sufocante. Lembra de William e as palavras tão familiares e o momento em que ele se abre e ela se abre e então os dois estão um no outro. Traição. É essa a palavra? Tudo que ela tinha pensado deles? Tudo que ela tinha sentido até aquele momento, as memórias com Asia, Sebastian, Richard e os outros. Os olhares de Amy. As ações de James. Falsos? Teatro? Então Clara caindo no seu colo como um meteoro levantando uma cortina densa de fumaça em cima de tudo.

    A mão que estava procurando a toalha logo a encontra. Macia e branca. Mais alguns passos. Mais alguns segundos. Chloe está deitada no escuro. Seu quarto. Sua cama. Não era o que ela tinha planejado, suas roupas estavam do lado dela, mas o cansaço era tão grande. As dúvidas. Os medos. Ian sabia que ela estava ali? William tinha contado pra ele? Usado ela como isca? Para que? Matar Ian? Matar a sua família? Ele faria algo assim? Ele conseguiria se quisesse? Ela lembra dos olhos de Amy e pensa que talvez ele tenha a coragem. Ela lembra dos olhos de James e sabe da sutileza gentil e delicada que os dois compartilham mesmo sob o furor do sexo. Ela conta os outros Crestwood sem pensar. Os gemêos com olhos puxados e modos estranhos. O outro homem feito músculos e um silêncio duro e deliberado. Eram como a família dela, talvez pior. William podia estar prestes a trocar James como ela foi trocada, tudo aquilo um teatro para proteger sua propriedade. Ela lembra das conversas com James, tinham mais deles. Mais lobos correndo com laços de sangue de entre eles. Ela se sentia pequena quando pensava nos urathas. Como a família de Connor, ela ouvia que eles estavam pela ilha. Muitos Mcleary pra cima e pra baixo com olhares sérios e emoções explosivas e alguns deles com monstros feitos de garras, pelos e morte por debaixo da pele.

    Assim como o marido, o ex-marido, Ian. Um monstro cheio de garras e presas atrás de uma barragem. Atrás de uma máscara de veludo. Atrás de uma máscara de mármore. Beleza e monstruosidade habitando cada pedaço dele. Ela sentia que os Byrne podiam ser algo pior. Mas como ela ia saber de verdade? Com números? Com nomes? Como medir o horror que eles podiam causar indo de um lado para o outro lutando. Quantos perdidos no caminho. Quantas Claras? Qual era o nome da garota que Silvia disse que o Krantz matou? Seu pai era a mesma coisa? Era pior? Um monstro com o qual tinha abandonado sua mãe? Era ela uma escrava? Cumplice? Os dois? Os Mcleary eram monstros, assim como os Crestwood, assim como os Byrne...

    Assim como os Moore? Ela sabia pouco da própria família e dos seus segredos e... A chama brota no ar como que por mágica. A luz cegante transforma a escuridão a qual ela estava se acostumando em sombras impossíveis de atravessar. "Melhor se vestir." O rosto parecia sair das sombras, um truque do medo, do cansaço e da luz da chama sugada para dentro do charuto. A voz era grave e arrastada. Lenta, mas não calma. Nivelada, mas não amistosa. Segura, mas sem nenhuma empatia. Ele suga o ar de novo e charuto brilha junto com o isqueiro, o suficiente para ver o rosto. Então com um click alto o zippo se fecha. A luz da brasa do chaturo diminui e se mistura com a fumaça.

    Chloe  Moore - Página 6 Guy10



    "Sem gracinhas." A voz dele fica ainda mais aspera e Chloe pode jurar que a silhueta aumenta no escuro. "Chloe Fujona Moore"


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    Mensagem por thendara_selune Seg Maio 10, 2021 12:03 am

    Ela ouviu tudo e o coração deu voltas. Foi a primeira vez que lidou com a polícia. Tentando manter-se calma, mas dentro dela havia asco de si mesma. Toda situação com Clara ainda ardia, queimando-lhe e fazendo-a questionar o que era justo e certo naquele mundo dos lobos?! Quando chegou em casa largou a bolsa em um canto, encheu um copo de Bourbon e o bebeu de uma só vez. A garrafa a acompanhou até o quarto, conseguia ouvir as crianças lá fora, os olhos dela encheram-se de lágrimas, era seu pior defeito desde pequena, todos diziam que ela chorava demais e que isso era uma problema. O banho não conseguia apagar seu pecado, arranhou a pele irritada, estava no limite e precisava de uma válvula de escape. Chloe tinha um lado que só o marido conhecia. Ela era tão cheia de sombras quanto ele, mas a diferença é que jamais havia afundado nelas como aqueles que caminham sob a luz da lua.. Lembra de William as palavras dele e aquele ar presunçoso. Ela sai do banho e dispensa o copo, bebe mais uma dose longa e respira fundo procurando as possibilidades. Porque fugiu? A pergunta se choca com os motivos que a fizeram ficar em  Dover. No fim todo lugar seria igual. A usariam quando pudessem, a enganariam para obter algo, mas o erro maior foi dela, podia ter nascido homem ou podia ser um lobo como seus parentes. O sorriso caloroso de James, talvez desde o dia do estacionamento ele já soubesse quem era ela. Atordoada com as verdades amargas, com as coisas que sua mente teima em criar e interligar chora mais. Um vestido estava largado na cama, sandálias baixas, tudo fruto do dinheiro da sua família e ela range os dentes. Então pensa em  William, imaginando o quanto ele estava envolvido em tudo, se mataria sua família, se alguém em Dover machucaria os seus e sente um nó na garganta. Ian, mataria alguém em Dover, seu pai faria mesmo e quantas crianças não morreram pelas garras dos lobos??? O corpo estremece e recorda ruborizada do que fez com  William. A voz da mãe ecoando lentamente em sua mente a faz recordar de uma história contada pela imponente senhora da casa Moore.

    “ Um dia uma menina alimentou um lobo de pelos escuros, tinha grandes olhos amarelos e falava como se sua voz fosse feita de mel. A menina tinha escutado as pessoas em sua vila falarem para não confiar nos lobos, mas mesmo assim a tola acabou o ajudando, falando sobre os seus e em uma noite de lua cheia o lobo foi até a vila e devorou todos...Porque eles pretendiam caçar a alcateia que assustava aquelas terras...A menina então viu o lobo virar um homem e esse estendeu-lhe a mão dizendo que agora a menina era dele, que correria com ele e com sua alcateia...Mas um dia a menina cheia de medo recusou-se a ceder ao lobo, então ele cortou sua garganta e sua carne alimentou os lobos por três noites...Os lobos são terríveis, se você não os obedecer, se colocar em risco o segredo ou se recusar a dar a eles o que querem eles vão devorar você e roer seus ossos…”


    Sua mãe sabia contar histórias sobre lobos. Todas terminavam em algo ruim, Chloe ficava com medo e às vezes podia ler nos olhos da sua mãe um sentimento obscuro. Seu pai raramente estava em casa, mas era um provedor que garantia que tudo fosse dado aos seus e assim sendo mantinha aliança com os Byrne que tinham parentesco de longa data com os Moore. Por isso mesmo achando algo ultrapassado não resistiu ao casamento com Ian. O homem cheio de mel como o lobo da história, mas cruel e selvagem. Imaginou tantas cenas cheias de horror, a bebida alcança-lhe mais uma vez a garganta e suas mãos tremem lembrando das palavras de Silvia. Krantz matou Amélia Brown ou a mente dela estava lhe pregando peças maldosas? Os Mcleary eram monstros, assim como os Crestwood, assim como os Byrne...Todos eram os lobos da história de sua mãe e os Moore não eram diferentes. Chloe abraça o corpo, sentia uma solidão imensa e quando pensou mais sobre tudo o ambiente ganha um toque invasor. A deixando tensa e a escuridão abandona o quarto brevemente. A voz do intruso a faz buscar uma fuga. Ele a deixou sem ação, quem era e como entrou ali? Mais uma coisa feita pelo cretino do William ou Ian? Ela ergue o queixo em desafio, mas o coração acelera e pega o vestido sem tirar os olhos dele. Ele sabia seu nome e quando termina de se vestir recua até a porta. O homem é um desafio e a voz dele deixava claro que não estava para brincadeiras. Chloe se recusa a ser covarde, afasta-se da cama devagar observando o obstáculo humano e tentando ganhar tempo. Vai até perto de onde deixou a garrafa e a joga nele, abrindo a porta para sair.



    Roupa:
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    Mensagem por Wordspinner Ter Maio 11, 2021 4:36 pm

    Ele espera Chloe se vestir sem demonstrar nada além de impaciência. Alguém que cumpre uma tediosa tarefa que não queria fazer. O cheiro do charuto enchendo o quarto. A chama aumenta e diminui e ele espera. Então ela joga a garrafa e corre. Os passos dela parecem lentos demais para o medo que sente, mas era o mais rápido que ela conseguia correr. Seus pés alcançam o corredor e ela sente esperança.

    Então o mundo explode em luz e dor e os olhos se fecham contra suas ordens mais intensas. Se descolar da parede é difícil e o chão a puxa com força. A dor na cabeça aumenta e o calor ali contrasta com o frio súbito nas pernas e nas mãos. A mão forte a levanta e coloca a garrafa perto demais do rosto dela. Tem sangue na borda. A dor latejante na cabeça pulsa com mais força e urgência. Chloe tenta se soltar instintivamente e percebe que não está presa. Na frente dela o homem era algo mais que humano com presas afiadas saltando no espaço entre os lábios arreganhados em um rosnado ou sorriso. "Você pode ir sentada do meu lado no carro ou no porta malas." A voz agora era quebrada e ainda mais profunda. Cheia de expectativa. Ele queria que ela resistisse. Ele queria que ela tentasse de novo. Ele nem estava no caminho. Ele a convidava a tentar.

    No quarto o telefone de Chloe toca. O homem sorri de novo a observando daquele jeito, esperando ela fazer alguma coisa.
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    Mensagem por thendara_selune Ter Maio 11, 2021 8:54 pm

    Chloe se agarrou brevemente ao fio de coragem que surgiu. Durou tão pouco que mal teve tempo de usufruir dele. Seu algoz a alcança e a raiva aflora nela quando sente o corpo rebelar-se  e agir a favor do invasor. Ele a levanta, ela o empurra, mas não tem forças para lidar com aquela besta. A garrafa perto do seu rosto e a consciência de estar em um caminho cruel a fazem tremer.  O  toque vermelho era ameaçador demais para ignorar.  Ele se diverte com a pequena Chloe, a ruiva se desprende da barreira invisível e sente que está sendo cortejada pelo desafio maldoso da criatura ali. O rosto vermelho, a respiração descompassada, medo e ódio dançam juntos dentro dela. O telefone cortando a cena de horror, a dor vibrando em todo seu corpo e lembrando-se que odiava se submeter daquela maneira. Ela arruma a roupa,passa a mão no cabelo e sente estar vivendo as mesmas cenas de um tempo atrás.  Seu orgulho perdido, a coragem partida e segurando a vontade de desafiá-lo de novo ou de entregar-se às lágrimas. Os passos inseguros em direção ao quarto e ao pegar o telefone não tem coragem de encará-lo. Que jogo maldoso era esse e quem era ele?

    - Alô...- A voz dela está trêmula e a mente tenta encontrar um eixo para não ceder a vontade de se trancar no banheiro. Ela torcia para que aquilo fosse um pesadelo, os lábios tremem os dentes fazem  o mesmo. Chloe odeia seu algoz, mas odeia ainda mais sua fragilidade e pensa na mãe...Pensa nos outros que nasceram frágeis como ela mesma e uma lágrima teima em brotar...Não era tristeza, era uma raiva crescente e desesperada que estava devorando a ruiva agora.

    Falas em branco  e uma jogadora atacada com esse brucutu Evil or Very Mad  
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    Mensagem por Wordspinner Qui Maio 13, 2021 9:09 pm

    Ela pega o telefone e antes mesmo de colocar ele no ouvido ouve a voz de Ian falando. "Não é um sonho dessa vez. Agora eu te peguei." Mas era só o medo falando. Não veio voz nenhuma do outro lado até ela falar. O homem a seguia sem conseguir esconder a frustração e a raiva. Ele lambe o sangue da borda da garrafa e vira um gole longo na boca. Ele para bem do lado do espelho de Chloe. Ela consegue ver o próprio rosto. A linha vermelha no pescoço. O inchaço debaixo do cabelo já é visível. A dor não deixa ela ter dúvida. "Oi, eu sei que hoje foi difícil e você tava precisando de espaço, mas eu vi na tv. Eu quero ir aí te ajudar a melhorar. Posso cozinhar pra você, Eu aprendi um prato novo." A voz de James tinha um misto gostoso de esperança e empolgação. Desejo e carinho sincero.

    Do outro lado do quarto o homem sem nome sorri e coloca um dedo na frente da boca. Ele não tem pressa e nem se esforça para fazer qualquer ameaça. Ele parece nutrir sua própria esperança de que Chloe vai fazer a coisa errada e dar uma boa razão bater nela de novo. Ele observa sem deixar ela esquecer que ele está ali.
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    Mensagem por thendara_selune Qui Maio 13, 2021 10:55 pm

    Era como ter uma sombra selvagem a seguindo. Ele estava visivelmente irritado, frustrado e quem sabe tentado a fazê-la sentir mais dor. O medo lambe a pele dela, a dor aguda vem como uma onda cheia de ferro e azedume. Ela sente a garganta seca, a respiração fora do lugar estava prestes a surtar, odiava se submeter ou se sentir ameaçada. A voz do marido é tão real, tão perto e tão cruel. Ela aperta o telefone com força, as lágrimas descem, sentia-se presa em um filme de terror e o homem  ali poderia quebrar seu pescoço se quisesse. Então a  voz do outro lado surgia como um verão perdido em algum lugar, povoando uma cidadezinha nostálgica e fazendo-a buscar a segurança que ele trazia. Chloe balança a cabeça lentamente,  o medo a morde com força, a ansiedade vem e raiva geme dentro dela querendo sair.  Ela não merecia aquilo que o homem  do outro lado da linha podia dar, Chloe estava quebrada mesmo antes de casar, talvez no fim das contas precisava viver algo amargo e cruel...A voz dela é baixa, cansaço e a dor ricocheteando sem parar.

    - Eu preciso ficar sozinha, não precisa vir aqui...Me perdoe...Fiz uma coisa ruim...- A última parte é aquela hora que a consciência pesa e ela se sente ainda pior por tudo que aconteceu e fez, seja como Clara ou com William. Ela tenta conter o choro. - Realmente preciso ficar sozinha hoje...Obrigada por tudo…- Ela desliga o telefone sem dar chance de resposta a James. Tentava acreditar que ele não a enganou desde o começo. A ruiva   puxa o telefone com tudo. Não queria mais ligações. Depois se volta para seu captor sentindo sua pressão cair, a dor chamando a vertigem para brincar com o corpo frágil de Chloe. Ela apenas se deixa cair na cama, sentindo o corpo inteiro desligar e aquela sensação de queda livre se apoderar dela.

    Falas em branco

    OFF: Eu optei em apagar ela porque a cena toda desde a clínica está cheia de tensão, ela já tava bem nervosa e quase surtando. Depois dessa garrafada e ainda em companhia do mensageiro da violência em pessoa kkk Não tem como uma mulher nos moldes da Chloe não apagar. Que os jogos mortais do WoD comecem , mas o medo ta gigante mesmo viu senhor narrador  Shocked
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    Mensagem por Wordspinner Sab Maio 15, 2021 4:27 am

    Chloe acorda com o rosto explodindo em dor. O som de um sino enorme na cabeça dela. "Você vem com as próprias pernas. Fugiu com elas e volta com elas." O zumbido ainda não tinha parado. Ela sente o outro a segurando pelo cabelo e empurrando de frente pro espelho. "Não tira isso. Não grita. Não faça nenhuma besteira e esse pode ser o último tapa que eu te dou." Ele estava atrás de Chloe e era grande demais. Selvageria contida por tão pouco. As roupas finas um disfarce pequeno demais. Ela ainda não sentia as pernas, elas tremiam. Chloe se viu choramingando no espelho. O medo nos olhos. Nas linhas do rosto. Ela tentou esconder. A raiva não deu força o bastante para desafiar o medo, mas ao menos para cumprir a ordem. Ela estava com um echarpe enrolado na cabeça e a peça vermelha combinava com ela e com os oculos colocados no seu rosto enquanto ela olhava. Suas mãos estavam presas uma na outra, mas as mangas longas escondiam as fitas de plastico duro que prendiam os pulsos.

    Ele a empurra pelo corredor enquanto ronrona uma música. Ela fica irritada por reconhecer. Frank Sinatra, My Way. Era irônico. Quando eles saem ele tem a delicadeza de trancar a porta com a chave dela que guarda em seu próprio bolso. Ele a pega pelo braço como se fossem um casal. Em algum momento até ali ele diminuiu e voltou ao tamanho normal. Garras e presas tinham desaparecido. Mesmo assim era forte e ela sabia que aquela aparencia polida era uma casca fina.

    Um carro estava parado com o motor ligado na frente da casa. Um homem sai de dentro dele. "Demorou demais." Com ar frio de autoridade. Ele abre a porta pela qual Chloe é empurrada para dentro do carro. Qualquer resistência abafada com dor e medo. O homem estranho volta para o volante e o outro se senta ao seu lado no banco de trás. Qualquer ilusão de plano de fuga se desfaz. Nenhum dos dois fala com ela depois disso. Conversam entre si como se ela não existisse e isso é uma benção. Uma benção pequena.


    Chloe  Moore - Página 6 Wagner10

    Os detalhes são um pouco confusos nessa parte porque o homem que estava com ela cobre seus com a mão grande. Ele não se importa nem um pouco com o desconforto dela e quase esmaga sua cabeça quando ela resiste ao abuso. "Vou arrancar os seus olhos se continuar não parar com essa porcaria." Ele não parecia estar mentindo.

    Quando a permitem ver de novo o carro já tinha parado e sua dor não estava menor. Ela vê grama a sua volta. Uma casa grande e rural. Ouve um barulho distante de animais inquietos. Ali toda pretenção de civilidade é abandonada. Mesmo assim ela não é carregada, é forçada a dar cada um dos passos que a levam até o seu novo lugar. Ela vê outros homens ali. Não só homens, mulheres também.

    Chloe  Moore - Página 6 Cresle10

    O velho chega perto deles e fala com os homens na língua que Chloe não entende. O motorista arranca o echarpe de Chloe. O velho não mostra qualquer compaixão em seu rosto, porém sua voz é carregada de desapontamento. "Vai ficar bem Chloe. Seu pai está quase chegando com o Byrne. Logo vai estar em casa e vai poder descansar." Ele não espera uma resposta, é como se Chloe tivesse se tornado invisível assim que sua boca se fechou. Como se nunca tivesse estado ali. O homem que a pegou em casa aponta o estabulo grande e alto e a ruiva sabe o que fazer. Sabe que tem que andar. Sabe que tem que colocar um pé na frente do outro e que cair vai doer, deitar vai doer e lutar pode ser a morte.

    Os animais de novo, um som desagradável e inquietante. Um homem enorme e forte como um trator está lutando com uma mulher esguia. Ambos com armas cortantes, mas ele a mantém na defensiva o tempo todo e mesmo sendo enorme ela parece cançada e ele fresco como a primavera. Pessoas ao redor riem quando ele finalmente acerta ela. O grito agudo de dor. O sangue espalhado no ar da noite vertendo um vapor que ela conseguia ver de longe. A mulher no chão larga a arma e desiste. Ela tinha um corte longo no abdomen e estava empurrando algo de volta para dentro.

    Chloe quase bate de cara na porta do estábulo. A porta entreaberta é empurrada cavalheirescamente para ela. Mas ela é empurrada brutalmente para dentro. Ela imaginou que o horror que vinha sentindo não podia ficar pior e mesmo assim estava com o estômago embrulhado com o que viu lá fora. Ainda ouvia a mulher gritar. Mas os animais que via ali dentro eram algo ainda pior. Não eram animais. Ela sente pânico agarrando seus ossos, um medo instintivo sequestra suas pernas e ela tenta correr. Dessa vez ela sabia o que aconteceria antes de acontecer e mesmo assim a dor foi uma surpresa. As tabuas batendo nas suas costas também. Ela nem sentia as lágrimas correrem. "Sabia que não ia me decepcionar." Ele arrasta Chloe pela borda de madeira e está prestes a enfiá-la dentro de uma baia. "Não. A cadeira é para ela."

    Não era uma cadeira. Era uma poltrona. Macia e confortável. Ao lado uma caneca fina de metal tinha um pouco de bebida. Ele coloca Chloe lá a contra gosto e o motorista solta seus pulsos com as mãos antes de sair. O outro se recosta na parede de madeira que range e assiste Chloe como que esperando a hora em que o filme ia ficar interessante de novo. Como quem sabe que o final tem uma surpresa difertida e só está esperando chegar lá.

    Porém Chloe não consegue parar de olhar para as pessoas nas baias. As pernas presas por correntes. As mãos presas em sacos de couro. Homens e mulheres comendo com as caras enfiadas em no mesmo lugar onde um animal tinha comido. Alguns choramingavam e outros se encolhiam nos cantos. Água em um bebedouro de cachorro. Eles não tinham roupas, vestiam a própria sugeira. "Você tem sorte, vai de volta pra mansão." As pessoas olhavam para ela sem nenhuma palavra e Chloe sentia medo delas também. Daqueles olhares desesperados. Olhos cheios de inveja. Cheios de dor e medo. Uma mulher estava amarrada a um suporte estranho, algo usado para animas e grande demais para a pobrezinha. Chloe conseguia ver ela tremendo, o cabelo molhado, mais limpa que os outros. Semem escorrendo pela perna. Rosto escondido e apontado para o chão. Ela nem chorava, só tremia e gemia de dor. O corpo exposto e empinado para ser montado a força. Talvez ainda fosse ser visitada de novo, talvez a tivessem esquecido ali depois do uso. Quem sabe era uma punição.

    Olhando as pessoas nas baias ela não tinha certeza se era, na verdade, uma recompensa.

    --

    "Devon." A voz chama alto lá fora. Ele se afasta sem nenhum medo de que Chloe fuja. Quando o homem sai a porta quase se fecha sozinha. Quase. Chloe vê os farois se apróximando. Vê o mato alto depois da cerca do outro lado e o resto é escuro demais para ver. Por algum motivo usavam fogo para iluminar. Ela ouve algo forçando a porta dos fundos. Ela sente esperança e logo depois mais medo. Raiva de si mesma por ser tão inocente. O barulho para e não volta. Mas passos entram por onde o outro homem saiu. Outro homem indo direto para a mulher no suporte. "Não vim machucar você." Ele parece estar falando com a mulher, mas olha para Chloe. "Só estou de passagem." Ele coloca um balde com água e sabão, um pano umido e branco na alça. Um cobertor dobrado logo ao lado. "Não precisa ter medo de mim. Eu não minto, não posso ajudar vocês." As pessoas nas baias fazem mais barulho que o normal. Chloe só percebe agora que nenhum deles disse uma palavra. As bocas abertas grunhindo. O homem olha para eles com dor em cada linha do rosto, mas ao invés de agir ele volta por onde entrou.

    Chloe vê agora, sem as lágrimas nos olhos acostumados com a iluminação precaria de uma só lamparina. As pessoas nas baias tem as línguas pregadas no fundo da boca. As pontas afiadas aparecendo no queijo. Cascas de feridas e inflamções misturadas com ferrugem.
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    Mensagem por thendara_selune Sab Maio 15, 2021 2:34 pm

    A escuridão se vai e a cabeça dela não consegue manter uma linha a seguir. A dor a quebra mais e mais. Sentia-se como se fosse uma menina tentando escapar de um pesadelo em um corredor infinito. Selvageria escondida sob a pele de homem, mas agora tão evidente que a fazia tremer e aceitar tudo que ouvia. Os olhos vermelhos, o choro constante e a certeza que não podia se livrar dele. Por alguns segundos pensou em implorar para que a deixasse ir, a covardia apoderava-se dela, aquela altura estava disposta a fazer qualquer coisa para fugir dali. A raiva flui pelas veias da mulher, mas não podia fazer nada diante da força opressora que ele possuía. O captor devia se divertir em subjugar a mulher e Chloe via nos olhos dele  sombras cheias de monstros sedentos por violência.  As mãos daquele jeito a faziam demonstrar o desconforto e a dor que virou uma nova companhia que criava entre eles um laço cruel. Ele a empurra, as vezes os pés querem se enraizar, mas ela se esforça para afastar essa vontade e ao reconhecer a música o instinto a diz que aquele homem adoraria arrancar-lhe a pele devagar enquanto ouviria de fundo Sinatra cantar aquela canção. Ironicamente ela realmente sente que já tem uma lápide para ela em algum lugar longe dali e que uma cortina se fecha para sem aplausos.

    Do lado de fora o ar lhe passa uma liberdade fugaz, como se brincasse com a situação de cativa que a ruiva vive. Ela olha a rua uma última vez, a chave cantarolando em seu bolso uma canção fúnebre e outro homem surge o coração dela parecia bombear o sangue para outra dimensão. A palidez gritante escondida pelos óculos e aquela echarpe que antes achava bonita, mas agora  se tornava parte de um acessório mortuário. Ela tenta tapar-lhe a visão, ela recua, mas sente a pressão em sua cabeça e obedece após a nova ameaça.
    Quando o carro para ela pensa em correr, pelo menos sentiria que tentou lutar pela vida. A grama contrasta com uma paisagem rural coroada com uma grande casa. O som dos animais a deixa cada vez mais nervosa.  Era um mundo frio que ia se formando a sua volta e cada passo é como sentir um espinho penetrando-lhe a carne. Há outros homens ali e mulheres não os reconhece, a sensação de pavor já apoderou-se dela. Como se um chicote invisível lhe morde-se, não tem forças para correr, não consegue  e a atmosfera ali a faz seguir tudo que é dito.

    Um homem mais velho, tão distinto quanto os outros dois crápulas que a levariam até ali surge e eles falam naquela estranha língua feral.  Ela tem o rosto exposto, mas não causa compaixão ao mais velho e quando ele fala do pai o alívio ingênuo surge. O pai é rígido, austero, mas jamais a trataria daquela maneira, talvez na mente da ruiva busque uma barreira emocional que a forçasse a não acreditar na dura realidade que emergia com a chegada de Adam e Ian naquele lugar.  Pensou em falar, mas antes mesmo que conseguisse questionar o desapontamento ou pedisse por sua liberdade. O seu captor aponta o estábulo, a ruiva é como uma boneca de pano e compreende a contragosto para onde deve ir. No fundo queria ser arredia, mas isso comprovou-se mais sofrido para ela. Os pés seguem o caminho como se um Caronte a estivesse  guiando para uma caverna escura e cheia de demônios.

    Chloe adentra o lugar. O corpo todo emitindo um alerta. Aqueles animais causavam arrepios na espinha.  A cena a faz trincar os dentes, nunca viu nada assim e o cheiro no ar chega-lhe como se fosse uma nuvem de de fumar cheia de sangue, suor e algo primitivo que que movia-se ali dentro tocando tudo sem pedir permissão. Ela sente o estômago revirar, uma vontade imensa de vomitar, a dor lhe atinge de novo e o coração acelerado de maneira insana.  Ela vê a mulher  e algo dentro dela manda desviar o olhar da cena macabra. O riso é ecoando ali, a mulher no chão, nenhuma piedade ou compaixão...Só dor e vergonha aos olhos da ruiva.

    A cena a fez não notar a porta do estábulo. Quase sente o rosto perto demais da madeira áspera. O gesto cavalheiresco cheio de veneno,então é empurrada brutalmente para dentro e sente como se fosse um animal prestes a ser abatido. Ouvia a mulher gritar, aquilo era uma faca cortando sua pele, tanto horror que  a deixou com os olhos perdidos e o corpo tremia como se ali fosse o inverno correndo-a por dentro. O cenário à sua volta se torna pior, bizarro e ela se move tentando escapar. Queria fugir, a surpresa se junta a dor quando sente suas costas serem atingidas por ele. Ela chora, o grito perdido na garganta e a voz dele lhe alcança. Ele arrasta Chloe pela borda de madeira e está prestes a enfiá-la dentro de uma baía. Então escuta sobre a cadeira, as lágrimas ficam ali fluindo e o rosto vermelho não consegue afastar o medo, apenas demonstra cada vez mais o quanto ela queria que aquilo fosse um pesadelo.


    Ela não senta, olhando em volta, que inferno era aquele? A pergunta fica martelando. Eles não tinham o direito de fazer aquilo com as pessoas. A raiva range, o fio de razão a manda ficar quieta e o medo brinca com seu corpo inteiro. Ele ainda fica ali, esperando um novo motivo para machuca-lá e quando a cena toda parecia saída de um filme de horror digno daquela matérias sensacionalistas que falam de gente da alta sociedade que mata crianças, que esfola pessoas por diversão e que violenta qualquer criatura buscando algo que o faça se sentirem vivos em meios a imundice de suas almas ela vê a mulher naquela situação. O ódio queimando, não podia acreditar que seu pai concordasse com aquilo, era o homem que admirava, mesmo distante, mesmo tão longe dela, lembra dos aniversários, do olhar dele distante, mas cheio de satisfação e da voz forte passando-lhe confiança. A mãe parecia idolatrar o marido, mas também havia uma sombra silenciosa ao redor de Eliza. O lilás, o cheiro de óleo de rosas, o lago perto da casa Moore, as pernas soltas no ar em uma memória infantil, a mãe tocando piano na grande varanda coberta por flores. Aquele mundo róseo, cheio de sons, de primas inquietas falando sobre os meninos bonitos da família, Chloe perambulando entre as mulheres mais velhas, chás e bolinhos. A ruiva chora, a sua vida era uma mentira, não apenas o casamento, sua família tinha uma vida dourada, como se habitassem uma esfera distante da realidade suja daquele celeiro. Ela avança sobre o homem, queria arrancar dele o sorriso desdenhoso, ela tenta arranhar seu rosto, grita cheia de raiva, não tem palavras pra expressar a sua vergonha e dor. Ela rasga a camisa dele, o morde com toda força que tem e onde consegue alcançar. As lembranças daquele mundo antes tão brilhante, mas agora é como se fosse feito de cobre velho. Chloe tenta mais de uma vez agredi-lo, mas a dor que sentiria vindo dele a jogaria no chão com força. Aquela pobre moça sofreu coisas inimagináveis, exposta ali como se fosse uma égua para ser coberta de novo e de novo. O empurra com a pouca força que tem,tentando machucar seu captor e fica sentindo seu corpo brigar com sua mente. Ele vai esmagá-la, mas não tinha medo de morrer, não tinha mais, aquele lugar a puxou para dentro de um furacão cheio de sangue, lamentos, covardia, opressão e crueldade. Chloe precisava ter coragem, tinha que fazer alguma coisa pra ajudar e sabia que ele a machucaria mais. Não se atreveria a fazer o mesmo que fizeram com a pobre moça. O sorriso dele é uma coisa que transita pelo predatório, que brinda a uma violência extrema, como se a expectativa de sentir o sangue escorrendo entre as garras o deixasse cheio de excitação selvagem. Se ela não fosse quem fosse, sabia que ele a desmembraria devagar, só para ver o sangue fluir e ver os olhos dela perderem o brilho.Ela quer arrancar um pedaço dele, mesmo ao sentir o sangue fluindo, mesmo que sinta os ossos partindo, ela quer arrancar um pedaço e sentir a surpresa dele virando algo pior. A morte não a assusta mais, os olhos dela são selvagens, o medo causa o efeito da busca para sobreviver e aquilo já estava predestinado a acontecer no momento que fugiu de Durham.



    *********************************************************************************************************

    Aqui imagino que seja após ela tentar agredir o brucutu e se lascar no processo.


    Era apenas uma mulher, a imagem da pobre moça não desgruda dela.  O cheiro do lugar, as baías e mais uma vez aquele chicote serpenteando contra as pessoas ali. Arrancaram deles tudo e como se não fosse o bastante ela não podia fazer nada. A voz chama um nome, o lugar estava tomado por uma coisa ruim. Era como se uma entidade habitasse a madeira, as dobradiças, forçando violência, submissão e nesse momento algo força a porta dos fundos. Os olhos buscam um fio de esperança, mas não havia essa possibilidade e então o homem entra. Ele vai até a moça que mais parece uma carcaça moribunda. A voz dele não traz violência, mas ela não consegue confiar nele, as pessoas se agitam então ela nota a expressão dele de dor. Ela não entendia porque aquele homem estava ali. Ele se vai sem fazer mais do que podia.
    Então a coisa fica mais medonha, as línguas das pessoas ali estão pregadas no fundo de suas bocas que gera uma dor permanente. Ela leva a mão à boca para conter seu terror, não acreditando no que vê e assustada demais para  se rebelar de novo. Ela se deixa cair, a madeira encostada a sua pele, as lágrimas, o medo, vergonha, o pavor e o pensamento cheio de pregos que ficam perfurando sua cabeça. Sua família fazia parte de algo desumano, o conforto que ela teve, as possibilidades dadas, uma vida em meio ao luxo, o casamento comparado aquilo que aquela pobre mulher passava não era nada. Sentiu-se tão imunda, tão hipócrita, a sujeira deles a alcançava, a dor deles a atingia e ela o esconde o rosto nas mãos. As unhas quebradas, a dor que aquele demônio sorridente lhe causou e sentia como se ali fosse um poço profundo cheio de podridão. Imaginou se o pai já tinha feito o mesmo que fizeram a moça e se Ian teria feito o mesmo?! A cena da moça a impactou, o gemido de dor se fundia a  cena da mulher no chão, dos gritos dela e a ruiva encolheu-se ali. Os olhos inchados, a dor lhe fazendo lembrar que só era um monte de pele e ossos frágeis. A escuridão a cerca de novo como se fosse um amante delirante, ardendo em uma febre estranha e buscando levar uma dama ingênua para a morte. Ela sentia a cabeça girar, não queria beber nada que viesse das mãos deles, os lábios tremem,  a ruiva  apaga uns segundos depois desperta de novo escutando tudo à sua volta. Abraçando o corpo e pedindo uma chance justa de brigar contra o mundo que a cercava. O corpo dela tremia todo, as mãos doloridas, os pés parecia latejar e por fim ela fechava os olhos de novo buscando um fio qualquer que lhe levasse a crer que aquilo tudo era parte de um pesadelo real demais para ser verdade.


    Off: Tanto homi bonitinho e tudo discípulo de satanás ahuuhauahuh só pode ser isso Twisted Evil
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