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    Edgar Shaw

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    Mensagem por Wordspinner em Qui Maio 14, 2020 12:18 pm

    Horas atras o pai estava reclamando no ouvido dele, ligando outra vez. Queria que fosse lá, não disse que estava com saudades, disse apenas que um filho devia isso. Audacioso o velho. Mas era impossível. Absolutamente impossível hoje. O chamado da vocação era inegável. Mais que isso, o planejamento tinha sido feito. Os dados coletados. Era hoje ou nunca mais. Era isso que você se repetia no ônibus. Só tinha uma linha que parava dentro de Parque Hyde, o melhor ônibus da cidade, mais confortável que a sua casa. Você não tinha dinheiro para ele e nem seria esperto. Por isso teria que andar quase dois quilômetros entre as casas dos ricos e áreas verdes públicas mais bem cuidadas das cidade.

    Estranho como memórias são coisas frágeis, não é? A linha do tempo mergulha nas sombras nessa parte para sair da escuridão no desesperadamente exuberante jardim. Plantas ali que nunca tinha visto antes, estátuas harmoniosamente postas entre elas e até um jazigo particular. Será que isso é permitido por lei? Quem se importa? Uma sombra depois já estava entrando pelo janelão aberto. Maior do que a porta da sua casa. Tinha dois parceiros com você, uma gata tatuada e um magrelo com dedos grandes demais. Eles passaram a noite toda cometendo erros e deixando a operação vulnerável. Não que se lembre dos erros. Mas tinham cometido.

    Agora cometiam mais um. O cara enfiando as digitais em um vaso grande demais para levar embora. A garota literalmente cuspiu vinho, mais caro que ela, em um quadro. Como foi que esses idiotas acabaram com você? Escuridão de novo. O dono da casa rindo no alto da escada com uma garrafa na mão. Dor. Dor alucinante. Um segurança com um canivete enfiado no pescoço, não era para ter ninguém ali. Ele escorria pela parede segurando o pescoço de forma hipnótica, era o segurança mais baixo que tinha visto. Alguém estava gritando. O magrelo pulando a janela. A garota tatuada gritando. Ela no chão com uma perna dilacerada. Silêncio, garganta arrancada. Risada embriagada.

    Uma sensação maravilhosa. O segundo andar imediatamente abaixo dos seus pés. O impacto sobe das garras até o ombro como deveria ser. Um arco de sangue brilha como rubis líquidos no ar da noite. Joias de valor inestimável. Um movimento, uma ação, uma consequência. Revelação espiritual. Passos se afastando. A escuridão é uma amante doce. As pernas magras correndo desesperadas, o casaco fica para trás e ele olha. Ele vê e então o gosto de sangue enche a sua boca. A melhor coisa que jamais aconteceu. Que jamais vai acontecer.

    O gosto de sangue enche a sua boca e isso é nojento. Não é? Você acorda sobressaltado. Bebeu depois do trabalho? Porque definitivamente não acordou em casa. Piscou algumas vezes para tentar se achar. Alguma coisa grudada no olho se solta em flocos finos. Algum barulho chato em algum lugar tá te incomodando. Repetitivo e aumentando. Deve ter brigado onde quer que tenha bebido porque a mão tá cheia de sangue. Sangue. Adrenalina dispara na corrente sanguínea e em um instante está de pé. O coração batendo feito um martelo. Os olhos agora alerta devoram tudo ao redor.

    O jardim, as estatuas. O jazigo com o magrelo espalhado na porta, um big mc devorado por um chapado lariquento. Todo bagunçado com o rosto intacto preso em uma expressão eterna de horror. O ar cheio de cheiros. Cheiro das plantas, todos diferentes. Flores, grama, folhas, caules, troncos. Tudo diferente. O sangue. Mais de um sangue. Diferentes todos eles. Nenhuma gota é sua. Seu cérebro sabe disso mesmo sem nenhuma palavra dentro da sua cabeça caber nesse conhecimento. O cheiro das roupas do magrelo, jeans rasgado, o couro da jaqueta era verdadeiro. Em algum lugar um isqueiro tinha quebrado e vazado fluido. O lugar era cheio de luz. Mas o sol ainda não tinha nascido. O céu começava a mudar de cor.

    Tentava encaixar o que tinha acontecido antes e ficava cada vez mais confuso. Cada vez pior. O barulho aumentava. O tique-taque de alguma bomba relógio. Mais perto. Um arrepio chama a atenção para dentro de si. A pele molhada com orvalho está fria e coberta de sangue. Mas nada de roupas. Nenhuma dor. As mãos passam pela corpo procurando cortes e não acham nada. Exceto, liso demais. A pele toda está como uma daquelas garotas que se besuntam toda noite em hidratantes. O dedo mindinho que não dobrava totalmente por conta de uma facada em Polotown agora estava novo em folho. A cicatriz charmosa no queixo era coisa do passado. O caroço na canela esquerda também não estava mais lá, presente de um muro coberto de trepadeiras. Não confie nas trepadeiras.

    Um clique. Passos. O tique-taque eram passos. Mais longe do que fazia sentido poder ouvir. Um instinto poderoso exige que fuja e não seja visto. Os passos dão a volta pelo jazigo e então é só dar a volta pelo outro lado. Seu corpo se move sem permissão um segundo antes de decidir que vai fazer exatamente o que ele já está fazendo. Você se alinha com os passos e sincroniza seus movimentos. Rapidamente já está do outro lado do jazigo e espelha os movimentos de quem quer que seja. Quando chegar a borda, pode correr até o muro evitando ser visto. Mas tem alguém te esperando quando chega lá.

    “Shaw, que sorte te encontrar aqui!” A voz dele não tem nada de ameaçador e nem impressionante. Parece um calouro da faculdade que saiu de um bairro pobre onde não tinha comida na mesa “Eu sou Richard, prazer. Eu sei que tá desconfiado e tudo mais e não parece a hora de conversar.” Ele te estende um celular, seu celular manchado de algo que deve ser sangue. Na outra mão ele tem um short azul e uma camiseta que já foi verde.

    Filho da puta silencioso. Não o tique taque. Ele continua atrás de você.
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    Mensagem por Faor em Qui Maio 14, 2020 1:58 pm

    Tique-taque, Tique-taque...

    Jazigo lá... dar a volta. - Fácil.

    Muro aqui. - Merda.

    Richard escreveu:“Shaw, que sorte te encontrar aqui!”

    Shaw, Shaw...

    Filho da puta silencioso. Sangue. Celular  e roupas. - Meu celular.

    Nada estava fazendo sentido e o pior de tudo é que ele não se sentia mal. Na verdade, nada PRECISA fazer sentido porque ele se sente bem para cacete. Todas essas sensações começaram mais cedo, desde a caminhada sob aquele céu noturno espetacular. A ligação do pai merecia alguma atenção, ele não liga sempre e às vezes são coisas sérias mas hoje não iria rolar. Hoje não.

    E o caos e o sangue? Puta que o pariu, que loucura! Tudo destruído e morto... cacete! * - Qual é o nome dela mesmo? Foda-se!* - Os pensamentos e as lembranças não respeitam lógica nenhuma.

    Tique-taque, Tique-taque...

    - Você é diferente, não é? - A cabeça não estava no lugar mas Edgar confiava no seu instinto baseado sem sabe-se lá o quê. Tinha que decidir atacar aquela figura ou não mas já tinha decidido, só não conhecia a resposta ainda. Os olhos fixos nos pertences que o sujeito estava oferecendo, a audição acompanhando os passos cada vez mais próximos e a mente questionando o homem à frente.

    - Desconfiado? Você sabe o que aconteceu aqui, não sabe? Cacete! Eu vou pular aquele muro e você pode ficar aqui falando. - O olhar agitado e a consciência sugerindo que o tal Richard merecia alguma atenção. Que loucura! - Então? O tique-taque está chegando. - Ele falava baixo mas ainda parecia eufórico. - O outro lado do muro? - Era um convite, um desafio e um pedido.
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    Mensagem por Wordspinner em Qui Maio 14, 2020 4:28 pm

    "Meu celular." - Respondendo a sua voz o aparelho pula na sua direção. Acha que o deixaria cair com o susto, mas seus dedos o apanham do ar.

       "Diferente? Sou exatamente igual a você." Ele fala e olha para o muro como se fosse longe demais para ele. "Acho que nem tanto assim, mas vá em frente se quiser. Mais tarde a gente se fala. Sabe que o louco tem dois tigres? Acho que eles fugiram da jaula." Ele olha por cima do seu ombro e os passos começam a se afastar. "Mas no seu lugar, eu entraria na casa de novo para me limpar e colocaria uma roupa não fosse grudar a policia no meu rabo. O peladão sangrento de Parque Hyde, os tabloides vão adorar." Ele te olha com atenção e paciência. As roupas estendidas no seu caminho. Os passos se afastando estão indo em direção a casa e é incrível demais conseguir saber isso sem nem olhar. O magrelo não parecia ameaça, mas cheirava a uma. De uma forma nova que não existia antes. Isso faz você olhar para ele outra vez.

        Os braços magros e comprido. As pernas nem tanto. As roupas largas e meio velhas. Não parecia ter nada escondido. Então provavelmente era bom em esconder suas ferramentas. Definitivamente alguém vestido assim não tinha entrado pela porta da frente. A barba sem fazer e o cabelo sem corte. Um cordão feito de sucata, devia esconder algo útil ali. Definitivamente entrou com tanto convite quanto você. Parecia leve e fraco. Seria fácil bater a cabeça dele na parede de pedra do jazigo uma ou duas vezes para ele ficar quieto. Talvez umas quatro para ele dormir e ai uma bem forte naquela quina para afundar... Como um pensamento assim pode ser tão natural. Nenhum caminho parece garantido. De um jeito ou de outro, um mergulho no desconhecido.
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    Mensagem por Faor em Qui Maio 14, 2020 4:49 pm

    Celular na mão sem mal olhar. Estranho.

    Agora além dos passos, da conversa e de sons distantes, os batimentos cardíacos parecem tambores e o som perfeito. Percebe também o corpo do sujeito à frente. Esguio, respiração tranquila. Sente o vento. A consciência está retornando mas ela está reforçada. Cada sentido mais forte.

    Richard escreveu:
    "Diferente? Sou exatamente igual a você."

    - Exatamente igual a mim? Igual ao que eu sou agora. - Shaw não tinha tanta clareza do que era. - Então você é problema. - Mas não parece, parece? * - Com certeza é, mas talvez... * - Os pensamentos fluem rápido.

    Mas alguma coisa na voz do tal Richard traz peso às palavras, não? Pelo menos ele está questionando a ideia de sair correndo pelado, cheio de sangue, pela vizinhança nobre dali. * - O tique-taque está se afastando. *

    - Você sabe o meu nome, percebe o que eu percebo e não é daqui. Eu vou me limpar sim. Você pode me dizer o que está fazendo aqui? Ou o que está acontecendo? E... você disse mesmo dois tigres?! - Edgar tenta falar calmamente, mas a verdade é que imagina como o sujeito poderia se calar um pouco ou talvez... para sempre.
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    Mensagem por Wordspinner em Qui Maio 14, 2020 7:21 pm

    - Exatamente igual a mim? Igual ao que eu sou agora. - Ele balança a cabeça que sim e parece bem sério.


        "Eu vou responder tudo." Ele começa a andar na direção da casa grande e olha para trás duas vezes para ter certeza de que está ali. "Eu sei que vai parecer um monte de coisas e algumas delas bem errada. Mas quando tiver pensando mal de mim, lembra que a gente te pegou de mão na massa." Ele começa a dobrar as roupas com cuidado até caberem dentro dos bolsos. Por alguns segundos ele fica em silencio. Talvez um minuto inteiro. Ele aponta para os postes do jardim e dá para ver as luzes apagas. A casa parece estar toda apagada. O dedo comprido depois bate no ouvido e aponta para o outro lado. Ele fecha os olhos e faz cara de esforço.

        Parece que ele quer que ouça alguma coisa e seu corpo responde com curiosidade. Talvez não sejam tigres, mas tem um gato enorme ronronando em algum lugar naquela direção. O esforço para entender melhor o som distante começa a apagar os outros sentidos, mas logo o magrelo tá andando de novo e já voltou a falar. "Primeiro, eu já sei quem você é. Vai dar para entender depois. Não liga para os tigres também. Eles vão livrar a sua cara." Ele pula a janela com um movimento fluido sem perder o ritmo e nem parar de falar.

        "O que tá acontecendo é que eu to salvando. Ninguém fez isso por mim. Azar o meu, sorte a sua. Pelo cheiro o banheiro é para cá." Ele aponta e continua andando pulando duas vezes para evitar sangue corpos. Corpos que de alguma forma visceral, e quase espiritual, você lembra de ter matado. "Talvez salvando seja um exagero, mas to te impedindo de afundar na merda. Eu sei que é difícil de acreditar que aconteceu mesmo. Aconteceu e eu vou te mostrar o caminho para entender e depois vai poder escolher para onde vai." Ele abre uma porta e fica esperando do lado dela para você entrar. "Shaw, o que aconteceu era inevitável, incontrolável. Eu paguei uns caras para te seguir porque sabia que ia rolar antes do fim do mês. O resto eu te conto quando você tiver limpo e longe do radar da policia. Basicamente quando der pra você fugir de mim sem se ferrar muito, ok?" O som de algo mastigando com força e rasgando carne vem aos seus ouvidos.

        O banheiro que dá para ver pela porta aberta é maior que o seu quarto, tudo de pedras claras. Bem liso. Bem refrescante. Diferente dos tons amadeirados da casa. O lugar parece estéril. Bom para um banheiro, mas impessoal. Perfumado. Limpo. Toalhas frescas que nem foram usadas. Como seu nariz sabe disso? A voz do magrelo corta seus pensamentos de novo. "Jay tá trazendo o carro, Amy tá alimentando os gatinhos e eu vou te arranjar as primeiras roupas que eu achar. Espero que sirvam."

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    Mensagem por Faor em Sex Maio 15, 2020 9:47 am

    Edgar oscila muito entre seguir um instinto muito natural, como uma pedra rolando montanha abaixo, e uma necessidade de raciocinar sobre o que aconteceu e o que está rolando ali. Ele também alterna entre a avaliação do lugar onde está e a atenção aos sinais do próprio corpo, com as pontas dos dedos supersensíveis, todos os músculos esperando um gatilho nervoso para entrar em ação e o persistente gosto de sangue na boca.

    Richard escreveu:
    "Primeiro, eu já sei quem você é. Vai dar para entender depois. Não liga para os tigres também. Eles vão livrar a sua cara."

    Ele sabe que foi ele quem atacou aquelas pessoas. Edgar sabe disso. Ele também sabe que deveria ter entrado em pânico ou pelo menos deveria estar muito surtado. Mas nada disso. Ele sorri em silêncio quando entende que dois grandes felinos vão continuar destroçando os corpos e que isso vai ser útil à situação atual. Que loucura.

    As sensações são todas ótimas. Outra vez as imagens na mente ficam avermelhadas. Vidro, qualquer estilhaço pode provoca cortes profundos. Seguindo o outro sujeito estranho * - perigoso * - ele toma conhecimento sobre sons, texturas, cheiros impossíveis de perceber. Mas não é impossível, não é? Especialmente os cheiros!

    - Tem alguém lá com os tigres? - A pergunta era por pura curiosidade. Ele avaliava agora as roupas do outro camarada, as peças que ele tinha oferecido agora ocultas. * - Esse cara esconde o jogo com muita facilidade. *

    Quando entra no banheiro e vê o padrão de acabamento, um pensamento sobressai: * - Chato. Manchas de sangue nesse revestimento nobre e claro deixaria tudo muito mais interessante. Sangue dele, claro. Essa torneira receberia o crânio perfeitamente, não é?*

    - Tudo bem. Continuo aqui, não é? Decidi seguir sua voz. Eu não vou jogar com você, se você aprontar para mim, provavelmente eu vou me foder, mas alguma coisa me diz que eu também sei fazer um estrago, não é? Desculpe seu eu não sou muito agradecido e.. não é bem isso. Foda-se. Vou ser bem rápido aqui.
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    Mensagem por Wordspinner em Sex Maio 15, 2020 6:50 pm

    Ele responde com um meneio de cabeça e um quase sorriso bem torto antes de sair atrás de roupas. "Maldito dia em que deixei eles me convencerem a ajudar filhotes." Ele resmunga enquanto está indo, quase baixo o bastante para não se ouvir, ou só auto o bastante. A água é quente e forte. Algo que já um pouco impressionante. As múltiplas saídas também. Água jorrando dos lados, melhor que chuveiro de motel. A textura do sabão também é sinal de dinheiro, assim como o cheiro. Normalmente isso não tomaria muito da sua atenção. Mas seus sentidos ainda estavam gritando. Sentir a pele se livrar do sangue grudado era maravilhoso. Apesar de que o cheiro era algo delicioso no vapor. O cheiro do sangue e não do sabonete. Sangue de gente fazendo sua barriga roncar. Perturbador?

        O chuveiro se fecha com muito pouco barulho. O vidro está embaçado, mas nada no mundo faria você fechar a porta. Dá para ouvir ele voltando. Assim que aparece na porta ele te analisa friamente e parece satisfeito. Coloca umas roupas na pia e junto com elas um pote de mirtilo e uma garrafa de iogurte. "Não sei se..." ele cutuca a garrafa. Saindo do banheiro ele resmunga "Ah, Amy tá com os tigres. Não importa quem ela é. Vai acabar conhecendo ela. De um jeito ou de outro. Cê tem talento, sabe? Como ladrão. Eu ganhei mil libras com a sua lua. Cê acabou de entrar em uma sociedade secreta que não da pra sair. Eu te passo as regras aos poucos. A primeira é que não se fala do clube da luta. A segunda é não me matar. Pelo menos eu gostaria que seguisse a segunda regra. Melhor, transforma ela em não matar os minha família. Ela grande, mas são fáceis de não matar. Tem medo lobos, Shaw?" É bom saber que o cheiro de mirtilo e iogurte é o mesmo. Mais forte, mas a mesma coisa. A roupa não. A roupa era diferente em cada aspecto. Já tinha roubado coisas assim. Mas usado? É a primeira vez e por sorte o morto é do seu tamanho. O tecido caro é um abraço suave, um carinho mais sedoso que...  que... Não, não tem qualquer comparação.  

        Ele ri algo meio engasgado e está prestes a mandar um áudio quando muda de ideia e mostra a foto no aplicativo de mensagens. um rosto enorme de um tigre branco manchado de sangue com  a legenda "QUERO! Vou levar!" logo depois dois corações vermelhos e um quebrado. "As vezes eu esqueço que a gente não teve muita infância, espero que seja piada. Mais uma vez, sorte sua. Pronto?"
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    Mensagem por Faor em Seg Maio 18, 2020 8:40 am

    Filhotes.

    - Puta merda eu precisava de um banho mas isso aqui é outro nível! O que está acontecendo comigo? Lá vem ele...

    Um avalia o outro silenciosamente e Edgar já tinha decidido seguir o sujeito e agora não questiona mais o instinto. * - Eu fiz merda, estava na merda e agora estou melhor, não estou? *

    O cheiro doce das frutas e do iogurte incomodam em um primeiro momento e Edgar começa a vestir as roupas enquanto Richard fala com ele.

    Richard escreveu:
    "Ah, Amy tá com os tigres. Não importa quem ela é. Vai acabar conhecendo ela. De um jeito ou de outro. Cê tem talento, sabe? Como ladrão. Eu ganhei mil libras com a sua lua. Cê acabou de entrar em uma sociedade secreta que não da pra sair. Eu te passo as regras aos poucos. A primeira é que não se fala do clube da luta. A segunda é não me matar. Pelo menos eu gostaria que seguisse a segunda regra. Melhor, transforma ela em não matar os minha família. Ela grande, mas são fáceis de não matar. Tem medo lobos, Shaw?"

    * - Eu curti a referência ao filme, mas naquela história o camarada tinha pirado e a merda toda estava na cabeça dele! Será que é isso que está acontecendo comigo? * - O pensamento fluía e o corpo estremeceu um pouco com a possibilidade de estar verdadeiramente maluco, mas ouvir o seu nome o afastou de um transe. - Lobos? Não eram tigres? Mas não, não tenho medo ou, sei lá, não tenho problemas com isso no meu dia a dia, não é?

    - Cacete, tem alguém lá com os tigres mesmo! Estou sim. - Ele pega um punhado das frutas e atira na boca e recolhe também a garrafa. Parecia impossível afastar aquele cheiro então era melhor ver se o gosto provocaria alívio ou não.
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    Mensagem por Wordspinner em Ter Maio 19, 2020 4:08 pm

    O sabor é fresco e agradável. Coisa de rico. Assim como a roupa com a qual se via no espelho. Vocês vão andando por um caminho diferente do fizeram até ali. As paredes vão mudando de estilo conforme o ambiente. Madeira vermelho escuro nos corredores principais, mais clara quando passam por um série de portas numeradas. Totalmente brancas num corredor esquisito cheio de quadros velhos de ricaços da família. Ele anda como se conhecesse o lugar e para em frente a uma porta. Olha para ela por um tempo. Tenta a maçaneta.  "É... Só  um segundo." Ele pega o telefone e manda um áudio. "Abre pra mim aqui." Depois guarda o celular e espera.  

        "A parte fácil dessa história toda é a sua família. Quando tiver uma de verdade. Vai ter. A gente chama de alcateia. Não é bonitinho? Quando eu perguntei dos lobos é porque a gente realmente tem um par deles. Não é legal, mas eles nem ficam na nossa vila. Ficam na reserva. Eventualmente eu vou mandar um monte de papo pirado que não vai fazer o menor sentido. Aí..." Ele é interrompido pela porta que abre sozinha como na porra de um filme de terror. Inabalável e até um pouco exasperado como se incomodado com a demora. Ele passa pela porta e dá para ver outra porta abrindo sozinha no fim do corredor simples de cimento. "Onde eu tava? Nem tudo vai fazer sentido de cara. Umas coisas vão parecer viagem de acido. Mas não dá para fugir agora." Olhando bem a porta ela tem varias trancas, mas é completamente analógica, impossível de operar a distância. Dali, já imagina que a outra porta funciona do mesmo jeito.

        No fim do corredor tem uma grande garagem que está abrindo sem ajuda nesse momento. O portão coberto de trepadeiras que os escondem. Do lado de fora um carro modesto está esperando. Azul. Modelo antigo. Vidros escuros. Richard anda rápido até ele para abrir a porta. Só um cara no interior do carro. Ele te olha como se estivesse prestes a te abrir com os dentes para um lanchinho. "Oi, cara. Sou o Jay." Ele ri e olha para frente como se não tivesse acabado de tirar as medidas do seu caixão. Richard está te esperando entrar. Por dentro o carro é outra coisa. Telas digitais nos bancos da frente. Saídas de som. Luzes no teto e o que parece um frigobar. Nada de fabrica, claro. Talvez um pouco caótico com desenhos e cores conflitantes. Bem feito, mas estranho.

    O tal Jay literalmente tá vestindo uniforme de uma escola pública e a mochila dele tá no banco do carona. Um fone no ouvido que vai até o bolso da calça. Um jeito irreverente e nada solene. Mascando um chiclete de... Canela. dá para sentir o cheiro de fora do carro. Além daquele cheiro. O mesmo cheiro do Richard. Como se fosse cheiro de gente.
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    Mensagem por Faor em Qua Maio 20, 2020 2:05 pm

    Edgar acompanha Richard em silêncio, atento, assimilando o que pode desse mundo novo e absurdo. Passados alguns minutos desde que se viu nu, ensaguentado, após dilacerar um grupo de conhecidos, Edgar mal é capaz de escolher as perguntas certas a fazer. Ao menos ele se sente estupidamente bem e por isso vale a pena seguir em frente. Como um habito comum, ele registra onde o sujeito falador à frente guarda o telefone celular e segue acompanhando a história.

    - Ok Richard, vou seguir para o carro com o camarada com cheiro de canela, sem problemas. - Shaw fica em frente à porta aberta por alguns instantes, olhando para Richard e para a casa, ele claramente está cheio de dúvidas. - A gente vai continuar a conversa na boa, mas você... vocês - ele corrige - vocês apareceram atrás de mim, exatamente aqui, exatamente hoje. Eu não sei de porra nenhuma e vocês sabem da porra toda, não é? Lobos, alcateia, lua, pedaços de gente e gosto de sangue... Estou montando um cenário na cabeça, não é tão difícil viajar, é?

    Ele hesita, mas não tem o que fazer. Tem que entrar no carro e sair dali com esse pessoal.  *- Foda-se, pelo menos ele me arrumou um iogurte bom pra cacete.*

    Não faz sentido dificultar as coisas. Questionar para onde vão também não ajuda. Se receber alguma resposta, vai fazer o quê? Seja mentira, seja uma cilada ou seja alguma salvação verdadeira, qual era a alternativa? Fugir dali? Não dá para fugir dele mesmo, não é?
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    Mensagem por Wordspinner em Qui Maio 21, 2020 9:54 am

    "O cara da canela se Jay, Shaw. Primeiro a gente tira o seu traseiro encrencado da cena do crime. Logo depois o papo continua." Jay riu, mas Richard pareceu não gostar. Ele enfia a cabeça no carro para falar com Jay. "Espera a gente no porto. Pode ser naquele dog que tem queijo. Mas não passa de novo pra área dos Filhos do Corvo." Novamente a atenção dele se volta para você já dentro do carro. "No máximo vinte minutos a gente tá lá. Jay te paga um rango."

       Jay arranca com o carro quase tirando a cabeça de Richard. Pelo retrovisor ele parece irritado, mas não assustado. A imagem que vai diminuindo volta para dentro antes do portão terminar de fechar. "Acredita em fantasmas?" Jay não te olha pelo retrovisor. Ele vira o corpo quando fala ficando de costas para a rua. Sua reação natural de reconhecer o risco deixa ele feliz quando volta a atenção para onde deveria. O carro é confortável e cheira bem. Até para o seu novo nariz. Um dos bancos rabiscado de giz, o desenho surpreendentemente bonito e infantil. O motor faz pouco barulho, mesmo com o garoto pisando fundo. "Eu não acreditava. Mas eles tão aí também. Tenho certeza. Mas quem a gente botou na sua cola foram outros caras. Parece igual, mas não é." Ele te olha no retrovisor e parece ofendido. "Qual foi?! Dois segundos atrás tava pronto pra acreditar em filme de terror trasheira e agora me olha assim? Sabe, quem te achou foi a Amy, fazendo a segurança do Richard num bar em Polotown. Ela tem nariz bom pra parente. Não que cê seja meu primo. Claro. Mo jeito besta de falar. Quer dizer que cê tem 'o sangue'. Mas a coisa nem é de sangue. É uma parada de... de... acho que cê chamaria de alma. Tá ligado?" Ele tira a mão do volante para te oferecer chiclete enquanto diminui para um sinal amarelo. Ele parece realmente estar a vontade. Como a criança que acabou de fazer um novo amigo com quem finalmente pode conversar.

        Quando acelera de novo ele volta a falar. "Depois que ela te achou a gente teve que descobrir onde tu morava e vimos que não tava no território de ninguém. Aí a gente tem subornado uns caras pra vigiar você pra gente. A gente faz isso para caso de acabar rolando o que rolou. Ontem cê era gente e hoje... Onde a sua viagem tinha te levado mesmo?" Uma nota de sarcasmo e diversão invadem a voz dele. Em pouco tempo vocês vão chegar no porto. Provavelmente sem acidentes. Isso se conseguir evitar os pensamentos. Sempre que ele olha para frente lhe vem a mente um novo jeito de matar o garoto. Não é raiva ou ódio. É inevitável. É como ver o céu nublado e pensar que vai chover. Ver um copo cair e pensar que vai quebrar. É um caminho natural que poderia ser seguido. Não quer dizer que você vai fazer. Quer?
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    Mensagem por Faor em Qui Maio 21, 2020 8:03 pm

    - Tudo certo. - Shaw não sabia o que estava em jogo e se para ele é uma merda, outros estão ali por escolha e até aqui só estão ajudando. Vai ter alguma troca, Shaw sabe disso, mas isso faz parte. Sempre fez.

    Edgar segue em silêncio e até se assusta com o jeito de dirigir do garoto, mas não tem o que fazer. Esse camarada, pelo menos, fala tanto que é até útil. A loucura só aumenta, claro, mas parece que com isso ele vai ter que se acostumar. Claramente eles estavam tratando ele com algum desdém, como calouro ou novato, mas ora... ele é exatamente isso! E agora, se afastando da casa onde tudo aconteceu, o esforço para colocar a cabeça no lugar não ajuda muito. O pior era tentar raciocinar direito e ainda assim visualizar o quão fácil parece ser agarrar o pescoço do desgraçado e ver o que acontece.

    - Então Jay, aconteceu o que todo mundo estava esperando. Todo mundo menos eu, mas isso é detalhe, não é? Se você sabe o que está acontecendo, então me diz aí: o que eu sou de verdade? E como é isso? Tinha uma porrada de gente de olho em mim, certo? Todo mundo é igual a gente? É uma meia dúzia ou a metade da cidade?

    Ele pára de falar. É foda escolher o que perguntar. - Eu sei, eu sei... acho que estou enchendo o saco. Na verdade sei porra nenhuma e vocês estão me ajudando. Talvez essa seja boa: por que estão me ajudando, afinal?
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    Mensagem por Wordspinner em Sex Maio 22, 2020 10:55 am

    Ele responde sem pensar. "Ed, a gente tá te ajudando porque tem que te ajudar, mano. É uma honra ajudar um irmão cara." Ele ri e faz uma bola com  chiclete. "Eu sei que falei que a gente nem é primo e cê sabe. mas é o que é. Ontem cê era uragarum." Ouvir a palavra é como ler a capa de um livro que já tinha esquecido. Pedaços de significado se juntando na sua mente em algo que não pode ser posto em palavras. Não em inglês. A palavra fala de espirito e tem cheiro e gosto. Tão particular que você nunca deixaria de perceber. "Hoje, é um de nos. É meio foda, mas ruim também. Tem umas regras que são um saco e uns filhos da puta que querem te matar e lanchar." Engraçado ouvir essas coisas e ver as pessoas indo trabalhar normalmente no começo da manhã. Uma mulher bonita passa fazendo sua corrida matinal. Os pássaros começam a acordar perto do mar. O sol manchando tudo com um laranja avermelhado do nascente.

        Ele para o carro perto de um carrinho móvel de cachorros quentes. O homem do carrinho parece animado "Quatro do de sempre chefe!" Jay soa como um menino ainda mais novo. "Somos poucos. Muito poucos. Mas os caras que a gente botou atrás de você  são outra coisa. Estão por ai o tempo todo em todo lugar. Saca de xintoísmo? Animismo? Se tu sabe, foi tipo isso. Se não sabe, por enquanto, fica sendo que a gente botou uns fantasmas loucos na sua cola. Nossa xamã deu uma olhada em você e bam! Nuzusul!" Esse som. Demoraria um mês para entender. Mas ela explica cada pedaço das suas ultimas semanas. Cada sensação estranha. Cada sonho louco. Cada pensamento insano. "A gente não pode deixar um 'primo' por aí podendo se enfiar na merda." ele olha furtivamente os cachorros quentes. Depois o vendedor. Está fazendo a mesma coisa que você. Medindo a morte do homem. Procurando o melhor jeito de fazer. O mais fácil. O mais eficiente. "Então finalmente rolou a primeira mudança. o Nuzusul nunca dura muito. A gente não sabia quando, mas rolaram umas apostas. Agora cê é um dos nossos. Não um dos Uivadores, mas um dos nossos no geral. Nos somos os Seis Uivadores. O nome é uma enganação pra trolar os otários. É a gente que cuida dos novatos, temos até umas casas na vila pra isso se precisar. É uma honra enorme cuidar dos filhotes." Ele pega os sanduíches e te passa dois. Ele não paga o homem da barraca e junto com os sanduíches recebe um saco de papel que deixa cair no vão da porta.

       Morde um pedaço enorme do estranho dogão com linguiças extras. Só então volta a falar enquanto mastiga. "Se liga nisso não. Cê é filhote e é melhor nem arranjar treta por causa disso. É só uma palavra, sacou? Nada demais. Quer dizer que é pra geral te dar um passe porque cê ainda não sabe nada. Deve nem saber onde tá sua marca da lua ainda. Mas diz aí. Enquanto eles não vem. Melhor dog da cidade toda, né não?" O cheiro de carne faz você roncar. Aquele iogurte nem tapou o buraco.
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    Mensagem por Faor em Sex Maio 22, 2020 3:17 pm

    Shaw tenta acompanhar tudo e, por mais estranho que pareça, muita coisa faz sentido. O jeito do tal Jay falar, independente da forma moleque, passa mais informações que as palavras, ou pelo menos Edgar estava sentindo isso. É como se o sujeito falasse mais que dizia, algo muito estranho. No caminho, a gata correndo na calçada chamou atenção dos dois. Mais um pouco uma porta aberta poderia ter acertado ela facilmente.

    O cheiro do cachorro quente era absurdo. Se as frutas secas já o faziam salivar, mesmo com aroma tão doce, o molho que exalava daquela carrocinha era fenomenal. Naturalmente lá estava o senhorzinho responsável e com todos aqueles utensílios ali era muito fácil arrebentar o sujeito. Melhor seria usar aquele caldeirão quente com o molho sensacional. Pior é que estava na cara que Jay estava fazendo a mesma coisa.

    Edgar ouvia e balançava a cabeça acompanhando a história, mesmo sem tirar os olhos da cachorro quente. A primeira bocada levou quase a metade do pão e o resto não demorou muito mais. Comer aquilo enquanto ouvia que era perseguido por fantasmas e que isso o ajudou era muito insano.

    - Tudo bem Jay, tudo bem. Estou aqui tentando colocar a cabeça no lugar. Mas beleza, sou um de vocês, não sei o que sou direito mas pertenço a alguma coisa. E se não fosse assim eu estava bem no meio de uma grande merda. Isso está bem claro. Mas o que acontece agora e que porra de marca é essa?
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    Mensagem por Wordspinner em Sab Maio 23, 2020 10:25 am

    Ainda sem parar de mastigar "Agora é aquela parte chata que quando passar cê vai querer de volta. Agora é tudo novo e gente te explicando coisa que cê não quer nem ouvir falar. A gente, e quando eu digo a gente, quero dizer o Richard e Asia vão te passar as regras da rua. As nossas regras da rua. Amy e Sebastian vão te passar o Juramento. Nem se agita que não dá pra fugir. Tu já assinou seu nome no contrato quando..." Ele faz um risco com o polegar no pescoço "Aqueles caras lá. Pensa assim, cê assinou sem ler e eles vão ler pra você. Melhor eles lerem do que um bando de monstro te arrastando pra ser julgado e executado por crimes que cê nem tá ligado que existem. né não?" Ele começa a enfiar o outro sanduíche na boca. "Já te adianto que é uma merda. Vão te encher de informação e te cutucar e estressar e é capaz até de gritarem com você. Mas isso quer dizer que se importam, se não importasse te davam um biscoito e esperavam cê afundar o pé na merda pra te arrastar da cama quentinha na calada da noite e... já falei de julgamento, né? Sem essa de não deve julgar o próximo. O Povo julga e mão da justiça é uma perdida do caralho, mas é pesada pra porra." Ele arrota, olha o relógio, que é um smartwatch meio ferrado e então pede mais quatro dogs. Do de sempre.

        "Eles tão chegando já. Nem vão perguntar muita coisa porque a gente tem uma pasta com o seu nome. Era pra ser uma surpresa que eles entregam quando acham que cê já pode se virar. Se a gente quiser dá pra tirar até um carro no seu nome. Mas seu credito é meio baixo. Eu to estragando a surpresa porque cê é dos meus. lua nova. Irraka." A palavra desce devagar e confirma cada nova sensação. Você é um assassino, um ladrão, um Irraka. O caçador sem lua. Ele mostra uma cicatriz na barriga de um vermelho vibrante. Sagacidade. Aquilo significava sagacidade. "Cê tem um dessas em algum lugar. É um pedaço da sua alma cara. Na real ainda deve ter uma parada antes de liberar pra viver o resto do seu dia. Claro que a gente vai pagar uns caras pra ficar na sua cola e é bom cê fugir de encrenca. tá ligado? Se um pivete quiser te assaltar com um graveto? Sim senhor, senhor pivete. Te chamaram de filho da puta cuzão? Obrigado, meu bom parceiro. Sacou? Sem exaltações por um tempo. Cuidado com as emoções fortes. Quanto melhor você se comportar menos chance de ser arrastado pro meio do mato por uns caras que podem fazer com você o que cê fez com os caras lá. Tá ligado?"

    Como se combinado Richard aparece de uma rua transversal com uma garota de moletom do lado, parecem conversar, mas nem abrem a boca. Richard parece não ter passado dos vinte e ela parece quase tão jovem quanto Jay, que definitivamente não idade para estar atrás do volante. Os dois andam calmamente até vocês. Ainda longe demais para ouvi-los, mas se aproximando. Com certeza há tempo para mais uma pergunta. Não?
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    Mensagem por Faor em Seg Maio 25, 2020 10:44 am

    Enquanto Jay vai anunciando que esses primeiros passos em uma vida completamente nova são mais longos, formais e numerosos que Edgar poderia pensar, ele vai mastigando e engolindo o pão com cada vez mais fome, não menos. Até ali Shaw foi um sujeito individualista, meio afastado de qualquer grupo ou sociedade. Escola, trabalho, ruas, roubos, merdas, nada sério, nada importante. Esse mundo novo era muito mais denso e cheio de regras e a conversa sobre essas regras, na opinião fodida de Edgar, deveria vir depois das explicações iniciais.

    Jay, claro, estava dando uma geral. Irraka. Assassino.

    - Tudo certo, tudo certo. Evitar confusão... bom, eu sempre vivi assim, escapando de encrenca. Claro que agora eu sou uma puta confusão ambulante, mas estou entendendo alguma coisa. Eu sou a porra de um monstro do caralho, sou extremamente perigoso e, pelo que vi, incontrolável. Estou mais forte, mais rápido, percebo sem esforço nenhum uma cacetada de coisas que nem sabia que existia, não consigo evitar imaginar diferentes formas de matar o tio do dogão, a corredora gostosa... mas claro, se eu sou mais foda, o mundo também cresceu! Vocês tem uma amigos fantasmas que estão na minha cola, me vigiando. Tem coisa muito mais sinistra que eu por aí e agora eu chamo atenção dessa galera. Sempre tem um peixe maior, não é assim?

    O cachorro quente acabou. Não adianta pedir outro, Edgar acha que comeria uns 10 mais, então segue o dia!

    - E como eu sou igual a vocês, vocês estão em cima de mim, me mantendo na linha e eu vou passar por algum tipo de iniciação para aí sim fazer parte desse mundo insano, não é por aí?

    Shaw ficou bastante agitado com o esforço de colocar em palavras sua confusão. Estava óbvio que não era mais um ser humano comum, mas isso não deveria sequer existir e muito menos ele deveria ser uma aberração. Mas era e não se sentia perturbado com isso do jeito que deveria, pelo seu julgamento. A verdade é que se sentia bem demais e isso era assustador. A todo momento ele acredita que vá surtar mas o pânico não vem. Fome, cheiros, lembrança saborosa do gosto de sangue, força, sons, vitimas, Irraka... tudo isso era muito mais forte que alguma lógica que antes parecia firme mas que agora está se distorcendo em sua cabeça.

    - Cara, na boa? Não tenho ideia de como vou lidar com tudo isso e não sei se não vou fazer merda... mas estou ouvindo bem e até aqui, estou agradecendo vocês estarem de olho em mim. - Richard e a garota já estão bem perto, Edgar acena para eles.
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    Mensagem por Wordspinner em Seg Maio 25, 2020 12:20 pm

    Jay para de comer um instante para sorrir para eles "Parece que cê resumiu tudo. Cê tá indo bem. Acredita. Richard ali fugiu de casa e teve sorte de encontrar os Uivadores antes de se enfiar na merda. Agora ele é nosso Alfa, mas cheguei depois dele. Mas cê não quer saber disso. Ok. A, tem peixe demais nessa porra. Tem uns tubarões que me dão pesadelos. Real. A gente acha que agora que é brabo feito super herói a vida roda tranquila. Até rola lá na nossa vila. Mas, Ed, tem umas porras sinistras aí fora." Nessa horas os outros dois entram no carro. Agora Jay entra na discussão sem palavras deles. olham um para o outro e até gesticulam.
     
        "Shaw, pelo visto Jay já te contou umas coisas. Então a gente vai pra um lugar mais tranquilo te mostrar na prática, isso e tem gente que não come cachorro quente." Richard aponta o polegar para a garota de cabelos preto. Assim que homem do carrinho entra o segundo pedido de Jay vocês partem para uma vila perto de onde o novo shopping foi construído. O bairro era mais um daqueles subúrbios onde as casas são quase iguais e dá para ver a floresta dali colada com a reserva onde ficam os animais perigosos. Jay continua dirigindo feito um louco até tomar um, literal, puxão de orelha de Richard. Vocês entram em uma garagem grande de uma casa bonita com uma placa de vende-se no gramado. De lá seguem pro porão e vão andando por um túnel nada iluminado. Dá para ver o caminho porque todos estão com os celulares nas mãos. Eles conversam entre eles e as vezes até com você sobre coisas comuns.

    Como o novo Iqualquer-coisa tá caro. Porque vivem fazendo blitz na estrada pro Lago Coren. O cinema novo é gigante, mas o som é ruim. Alguém devia roubar só para eles trocarem. Viu que colocaram fogo em um bar na Alfandegalha. Mas não foi um acidente. Claro que essas coisas são estranhas de se conversar no escuro de um túnel que provavelmente não é legal. Mas é menos chocante ouvir o Jay perguntar "Rich, sua filha faz seis, certo? Deve ser mais o menos a mesma idade da mogli lá. Porque a gente não faz uma festinha pras duas na piscina?"

        Richard demora um pouco a responder "Sim sim. Mas a garota tem nome, não se chama Mogli... chegamos." Vocês sobem escadas para o que parece um outro porão. Bem arrumado e bem cuidado. Facas na parede. Umas replicas do que devem ser armas de cosplay imitando ossos e vidro e até um troço que parece um pé de cabra cheio de fios desencapados. Camas. Um armário. um baú. Tudo de madeira. Exceto um gerador a diesel e uns computadores em um canto. Em cima da porta uma pichação de um pássaro negro que nunca viu antes. Os três nem param e vão direto lá para fora. "Querem que eu traga para vocês?" A menina pergunta. Os dois respondem que não com a cabeça. Então parece que ela vai cair, mas ao invés disso em um movimento fluido ela se torna um lobo preto e vermelho e corre entre as árvores. "Urhan" Diz Richard como se fosse normal gente virar lobo. A palavra não quer dizer lobo, você sabe disso. Sabe também que está dentro de você, uma coisa igual aquela. Os dois que ficaram te analisam como se estivessem esperando você dar uma explicação.
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    Mensagem por Faor em Seg Maio 25, 2020 1:50 pm

    Edgar acompanha tudo, a vida parece acelerada. Jay disse que ele está indo bem então a coisa está feia mesmo. Ele fica mais calado quando Richard e a garota entram no carro, já que ele se esforça genuinamente para entender sua nova condição. Enquanto o garoto dirige daquele jeito, Edgar tenta avaliar o caminho e ele reconhece por onde estão passando, mas nunca foi muito bom em se localizar na cidade. Nunca ligou muito para isso, basta usar a porra de telefone, não é?

    Ele repara bem na casa - vende-se - em que estão entrando e aí só segue o grupo, celular em mãos. * - Putz, um incêndio em Alfandegalha! Em que bar deve ter sido? * - Lá em cima é tudo meio maluco. * Que porra é essa? * - Deve ser o pensamento mais comum na cabeça de Shaw desde a última noite.

    O cara tem uma filha de 06 anos e quem é Mogli? O Menino Lobo? Muito apropriado... Edgar quase chegou a esticar o braço quando percebeu que a garota iria cair mas instantes depois ele recua, por reflexo. - Puta que pariu! - Ele acompanha com os olhos o movimento da garota, do lobo, daquilo, e quando perde ela de vista vê os outros dois o encarando.

    Urhan

    - O que vocês querem de mim?
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    Mensagem por Wordspinner em Seg Maio 25, 2020 3:05 pm

    Richard olha pra Jay "Não disse que ele esperto?" Uma provocação descarada. "Acho que ele não tem jeito." Debochado. Ele dá um passo na sua direção. "Vamo, queria correr comigo pelado e cheio de sangue pra pular um muro e ainda ter que se esconder até achar um lugar seguro. Onde tá aquele cara? Tá gordo de dogão?" Jay está completamente ilegível nesse momento. Não oferece qualquer ajuda. Um uivo a distância é respondido por outros mais próximos. Richard fecha os olhos ouvindo como se fosse música. "Eles querem caçar. Eu sei que quer caçar com eles." Jay finalmente diz alguma coisa. "É difícil pra caramba Rich. Ajuda o cara."

    Richard parece um pouco frustrado e muda de abordagem. "É isso que você é Shaw. É isso que tá debaixo da sua pele. Deixa o Shaw de verdade sair. Eu ajudo. Se concentra no que você quer. Tenta correr mais rápido que nunca. Me deixa ver a suas cores de verdade." Jay está olhando com expectativa. Assistindo. Esperando. Os lobos uivam de novo. Mais perto. Mais alto. Dá para sentir o cheiro deles.
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    Mensagem por Faor em Seg Maio 25, 2020 6:24 pm

    Edgar Shaw detestava esse tipo de provocação, mas ali estava considerando que fazia parte, que era um empurrão para ele liberar energia, de uma forma muito específica. Ainda assim, de olhos fechados, ele apenas mentalizava os instrumentos expostos no ambiente anterior. Aquilo era ótimo para estraçalhar alguém, não era?

    A visão ficou cada vez mais clara, mas a imagem na mente era avermelhada. Gosto de sangue voltava e o cheiro da grama à frente mais nítido. O batimento cardíaco de Richard era definitivamente diferente do de Jay, que tinha mais emoção logo antes de falar alguma coisa.

    Então Richard mudou o tom, e como um cardume acompanha diferenças sutis de densidade e temperatura na água, Edgar começou a seguir um fluxo de energia novo, inexplicável, mas muito natural. A diferença óbvia, é que Shaw era a fonte desse fluxo, sentia mudanças nas suas entranhas e o gosto de sangue era nítido, nítido até demais, como se os dentes estivessem rasgando suas gengivas e o próprio maxilar estivesse se deformando. A dor só crescia e já era absurda, todos os ossos estavam se retorcendo, pelo que ele sentia, mas Shaw seguia com os sentidos incríveis, percebendo umidade e temperatura do lado de fora e ouvindo mais uivados, mais altos.

    Aquilo despertou uma avalanche no corpo de Edgar e ele se jogou para frente, num mergulho desesperado. A mente rubra, todos os pelos arrepiados e os músculos contraídos. Antes de cair no chão, uma mordida no ar, presas expostas, violência e sangue. O corpo agora comprido, apoiado em quatro patas, a língua explorando o ar, os olhos mais próximos do chão e uma determinação inédita.

    Urhan.

    Seguindo o cheiro dos outros lobos, Edgar avançava como se nunca tivesse sido diferente, como se nunca tivesse se sentido diferente. O toque do solo era incrível, o ar correndo sobre os pelos, mais ainda. Quando os lobos uivaram outra vez, Edgar Shaw não uivou junto, mas parou e focalizou a visão, mantendo uma postura impecável. Ali estava um lobo forte e esguio, com um manto cinza escuro e abdômen castanho claro. Silencioso, manteve o respeito durante os uivos dos demais e depois correu tentando acompanhá-los no campo aberto.
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